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sábado, 6 de agosto de 2016

#Indicação: Amor Plus Size (@LarissaSiriani)

Por Kleris: APS é um dos livros que mais espero since que conheci Maitê, em 2014, ainda na época de leitura beta, e era um sonho, de todas as leitoras, vê-lo publicado. Amor Plus Size chegou chegando no coração de cada uma, sendo certeiro de inúmeras maneiras. Dali, sabíamos, APS estava para trilhar um caminho de sucesso. 
[...] O tipo de livro que eu gostaria de ter lido quando tinha meus 15,16 anos, ou mesmo agora. Um livro que me lembrasse que eu posso ser sensacional sem precisar me enquadrar no modelo de beleza de ninguém [...] Mas gosto de acreditar que a Maitê vai conseguir fazer alguma diferença na vida de quem leu, como fez na minha vida. Ela aprendeu tanto comigo quanto eu com ela – com ela e com todos os personagens do livro, cada qual com a sua batalha. No fim do dia (ou do livro), espero que vocês, leitores, possam olhar pro espelho e ver o mesmo que ela viu: que todo mundo, à sua própria maneira, é espetacular. Larissa, 2014, link – Como nasceu Amor Plus Size.

O sonho começou a se tornar realidade, ainda no mesmo ano, quando veio o agenciamento literário da Increasy, que abraçou lindamente a Larissa e o livro. Após todo um processo, já em 2015, veio a notícia oficial para brilho nos olhos de todas: a Verus Editora seria a casa publicadora (veja vídeo de anúncio) \o/ \o/ \o/ 
Não é mais um projeto só meu; se tornou uma causa, um pequeno monstro que atingiu um monte de gente, apesar de nem ter sido publicado ainda. Larissa, 2015, vídeo anúncio.  

A espera foi longa, mas super valeu a pena! Cada vez mais APS está ganhando corpo para figurar nas livrarias e estantes deste Brasil. Aliás, está em pré-venda! E, como costuma dizer a Larissa, abaixa que lá vem tiro, pois o BOOKTRAILER saiu essa semana para abalar de vez os leitores para esta Bienal de SP:


 Boatos de que Maitê vai estar por lá para conferir o lançamento ;)

Dia 03 de Setembro
Horári0: 13h
Estande da Editora Record – J060

Veja news do lançamento na Bienal >>> aqui.

Ou compre na pré-venda:

Adicione no skoob!

Confira sinopse:

Maitê Passos é uma garota linda, de dezessete anos e mais de cem quilos. Ela passou a infância e a adolescência sendo resumida ao peso. Mas e quando é justamente esse o fator que pode mudar completamente a sua vida?

Em meio ao turbilhão do ensino médio, com uma mãe obcecada por dietas, um crush antigo por Alexandre, o cara mais gato da escola, e uma amizade deliciosa com Isaac, fotógrafo amador, Maitê vai descobrir que não precisa ser igual a todas as outras meninas para ser feliz. 

Neste romance corajoso e cheio de reviravoltas, Larissa Siriani narra a história de uma jovem descobrindo seu lugar no mundo, construindo uma jornada incrível de autoconhecimento, aceitação e empoderamento.


Resgato aqui até meu depô especialíssimo que escrevi após participar do grupo de betas :) 
Amor Plus Size é um livro acima de tudo sobre amor próprio. Não se trata apenas das inseguranças da fase mais incerta, borbulhante e ansiosa da vida, é sobre viver isso dia por dia e sentir o peso dos olhos dos outros. Não é, dessa maneira, o bullying de fora, como comumente é apontado nos livros, mas como muitos o incorporam. Gostei muito como a Larissa não foi exatamente pelo caminho fácil de algumas polêmicas. A super pitada de sal com certeza é seu humor genuíno, que agarra o leitor e dá aqueeeela identificação – não à toa me vi odiando o Ensino Médio de novo, embora de um jeito até saudoso. Gostei também de uma ambientação mais real, e incluo aqui detalhes e referências culturais que permeiam o livro, eles dão uma boa sensação de familiaridade. A Siriani trabalha isso super bem, de modo que me conquistou com esse seu jeito leve de escrever. Assim, APS, como adotamos, tem tudo para nos ganhar.

Mal posso esperar para mergulhar de novo e de novo nesse potinho de amor que é Amor Plus Size <3 <3 <3 Vem Bienal, vem lançamento! 


Tá por fora do barulho de Amor Plus Size? Veja o que a Larissa já escreveu a respeito em seu ~~> blog :) 

Veja as outras redes da Larissa Siriani
Snapchat >> larissasiriani

Muito sucesso, Lari!

Até a próxima!

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Resenha: “No mundo da Luna – A entrevista” (Carina Rissi)

Por Kleris: A entrevista é um mimo da Carina para os leitores – inclusive, disponível GRATUITAMENTE na Amazon (aqui). Originalmente, era um trecho do livro No mundo da Luna (resenha aqui), porém, como o livro estava muito longo, ele precisou ser cortado. Mas era um material bom demais para ser assim, descartado. 
A entrevista de emprego é uma das minhas cenas favoritas – uma das mais divertidas – , e é com imenso prazer que agora eu a divido com você.
Carina Rissi.

Basicamente, A entrevista é um close da história antes de todo o rolo da trama principal acontecer. É quase um headcanon, na verdade: uma parte da história que foi mencionado por cima na linha de tempo oficial (canon) e que momentaneamente é descrita para esclarecer como dado fato aconteceu; ou seja, um trecho que só fica na cabeça/imaginação (head) – geralmente de fãs, porque a história passa direto sobre ele. Enfim, você pode encarar até como conto-prólogo, já que daqui muita coisa define bases para o romance da Carina.

Luna é uma jornalista recém-formada que está em busca de ação na sua profissão – ou pelo menos tentando pagar as contas e viver mais confortavelmente. Ela divide um minúsculo apê com Sabrina, sua melhor amiga, e, como a clássica heroína de chick-lits, Luna é aquela personagem que está tentando crescer na vida em meio às sagas do dia a dia. Ao procurar por uma oportunidade, Luna se depara com uma vaga de emprego na revista Fatos & Furos e a chance de trabalhar com seu ídolo do jornalismo, Dante Montini. Para isso, ela só precisa passar na entrevista. 
Por favor, Deus, me ajude a me sair bem nessa entrevista. Isso pode mudar a minha vida!
Eu me levantei. Sabrina, ainda adormecida, rolou no colchão, se esticando toda, como uma estrela-do-mar. Uma perna escapou para fora da cama e atingiu meu joelho.
Tá legal, Deus, nem precisa ser uma mudança muito grande. Um apê com dois quartos já está de bom tamanho.

O conto é curto e mostra toda a garra de Carina Rissi de nos envolver em situações desastrosas. Luna é essa pessoa que não consegue respirar sem algo repercutir ao seu redor e causar algo catastrófico. É fácil se identificar com sua ansiedade medonha, seu deslumbramento e coração esperançoso. Apesar de cair facilmente na lei de Murphy, Luna não perde a fé de que vai sair do buraco – embora muito demonstre o contrário e se jogue na sofrência. 
Meu primeiro crachá. Ai, meu Deus!Tomei o elevador, ainda fascinada com o pequeno retângulo de plástico. Aquele seria o primeiro de muitos. Tinha que ser. Será que eu podia ficar com ele quando fosse embora? 
Tentei não parecer uma boboca deslumbrada e evitei ficar olhando para todo lado. Não queria parecer uma criança que acaba de entrar na Disneylândia e... Ah, meu Deus, aquele ali é o Murilo Velasques? Eu sou muito fã desse cara!
Ok. Foco, Luna!

Ainda não li o livro No mundo da Luna, mas com certeza fui fisgada por esse conto. É possível ler sim sem ter conhecido o livro anterior, vez que a Carina não entrega demais nem de menos. Acho que para quem, como eu, não leu o livro principal, leva o conto como uma prévia do que vem aí; já quem fez sua leitura do romance, leva as situações como um bônus ou curiosidade. 
Li uma vez que Steve Jobs, o fundador da Apple, ficava nervoso em palestras, por isso segurava um clipe de papel entre os dedos enquanto falava no microfone. Isso o ajudava a encontrar o equilíbrio e a serenidade necessários. Se nem o Steve Jobs sabia como se comportar no ambiente de trabalho, quem saberia então? O sobrenome do cara era trabalho!

Recomendadísssimo para você que está procurando uma tragicomédia, algo leve ou breve. É a Carina Rissi, bebê :) 
E havia algo mais no ar. Uma sensação nova, um arrepio diferente, que me fez sentir cócegas na boca do estômago.
— Acho que algo maravilhoso está prestes a acontecer, Sá. 


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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Resenha: “O Sorriso das Mulheres” (Nicolas Barreau)

Tradução de Karina Jannini

Por Kleris: Ah, Parri... Parri de encontros e desencontros, como sempre. Faz quase uns dois anos que tinha lido esse livro por acaso e na época foi todo o arco-íris que eu precisava. Foi tão não sei o que dizer, só sentir que eu não conseguia achar palavras para falar dele (embora tenha mencionado por alto aqui). 

Até hoje. Cá estou para te fazer mergulhar nesse açucarado romance, com pitadas de romã, pingos de chocolate e cachoeiras de metaficção, metaleitura, metatudo. Vale textão de resenha e vale muitas quotes. A propósito, preparem-se com os marcadores adesivados!

Sabe quando você passa por uma grande decepção e cai nos braços de um livro maravilhoso? É essa a sensação de Aurélie Brendin ao ler o romance O Sorriso das Mulheres, escrito por um tal de Robert Miller, autor inglês que fora publicado direto para o francês. Fora a maravilhosa trama e escrita, o encanto de Aurélie se dá por várias razões: 1) ela encontrara o livro muito por acaso durante uma fuga da polícia (ela se refugiou numa livraria) 2) o livro cita diretamente o restaurante dela como ambiente da narrativa 3) a heroína do livro é muito parecida com ela.

— Quem é você, Robert Miller? — perguntei à meia-voz, e meu olhar voltou ao homem sentado no banco do parque. — Quem é você? E de onde me conhece?

Quem não ficaria com uma pulguinha atrás da orelha depois dessa? Seria destino? Coincidência? Não importa, Aurélie tinha que conhecer esse moço! Só que ao buscar informações sobre o autor, ela descobre enormes (e inusitados) obstáculos: não há informações diretas, não há contato e, pior, ao que parece, Robert Miller tem horror a aparecer em público. E agora, como faz?

Bom, aí somos levados para o outro lado da história... Uma que envolve esquemas, mentiras e ficção demais. André Chabanais é o revisor responsável pelo autor Robert Miller, que, bom, é rondado por um mistério, mistério esse que põe André ao desespero quando a editora começa a pressionar para o autor fazer uma aparição, já que o livro tem vendido bem. 
— Agora vou lhe revelar um segredo, mademoiselle Mirabeau — ele disse, e cada um de nós sabia o que viria pela frente, pois todos já tínhamos ouvido isso uma vez. — Um bom livro é bom em todas as páginas — e com essas majestosas palavras, a reunião estava realmente terminada.

Acontece que o livro é uma “perfeita” jogada entre profissionais do mercado de publicação de livros da qual nem o editor chefe tá sabendo. Pra piorar essa situação, surge mademoiselle Aurélie Brendin querendo saber tudo sobre o autor, e André, que sabe bem demais desse esquema, se enrola em mil e umas mentiras ao se apaixonar por essa moça. Entre o amor e o trabalho, adivinha o que monsieur Chabanais escolhe?
E então, de repente, ela estava à minha frente, e eu me perguntava com toda a seriedade se era possível que uma personagem de romance pudesse ser de carne e osso. 
Se eu tivesse lido essa história em um romance, teria me divertido muito. Porém, quando se é obrigado a fazer o papel de herói cômico em uma história, ela já não tem tanta graça.

Paralelo a esse lado ficcional, O Sorriso das Mulheres é daqueles livros feitos para enganar o leitor. Ao mesmo tempo em que ele puxa as cortinas do teatro do mercado de publicação de livros, ele é uma peça, que ora escolhe dizer a verdade, ora escolhe manter a magia que todo publicador almeja. Para um leitor que pouco entende como funciona o trabalho de publicação, o romance não deve passar de uma leiturinha açucarada e boba com a torre Eiffel lá atrás. Por outro lado, para um leitor com mais visão, ele vai sacar que o livro foi “montado” exatamente para esse fim. É algo cíclico, pois o que acontece nesse livro, acontece no plano real – o mesmo segredo que ronda Robert Miller, dizem, é o mesmo que ronda Nicolas Barreau.

Acho que é isso o que tanto gosto em O Sorriso... e que me conquistou desde a primeira leitura. É esse caráter muito pretencioso, que promete e cumpre, e faz isso de uma maneira tão diluída à trama que é capaz de pegar todo mundo sem quase ninguém sequer notar. É preciso muita sobriedade para alguém conseguir arquitetar algo do tipo e executar perfeitamente – sobre ser impossível, não é.

Na releitura, inclusive, lembrei-me das peças pregadas em A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário (resenha aqui), e da relação de metaficção/metaleitura que vi em Cafés Amargos (resenha aqui). No mais, há aquele quê clássico de brincar com clichês. Há alternância de pontos de vista, mentiras que viram super bolas de neve, grandes decepções amorosas, paixões platônicas e avassaladoras, excentricidades, fiéis escudeiros, “frases feitas”, reviravoltas, referências, etc, etc. 
Quando se está triste, ou não se absolutamente mais nada e o mundo afunda em insignificância, ou se enxergam as coisas com uma clareza excessiva, e então tudo assume de uma só vez um significado. Até mesmo as coisas mais banais, como um semáforo que passa do vermelho para o verde, podem decidir se vamos à direita ou à esquerda.

Monsieur Chabanais é um tremendo de um cafajeste e mademoiselle Brendin é uma perfeita ingênua. O Sorriso das Mulheres pode ser também, nesse sentido, um livro de crítica a todos esses elementos tão batidos e ainda assim procurados no mercado editorial. O que podemos dizer se eles cativam as pessoas?

A edição é bem caprichada, tanto no texto, quanto na parte gráfica. A capa? Me capturou desde o primeiro momento – tanto é que eu nem sabia com o que tava lidando da primeira vez. Tem totalmente a cara de livro que guarda a sensação de um achado e a cara de livro que esconde muitos segredos. Pra completar, traz as receitas mencionadas pela nossa heroína cozinheira. De uma maneira ou de outra, quase posso ter certeza de que, como diz o aviso na capa, este romance fará você feliz. Recomendo!

Há chances de eu estar enganada em várias de minhas percepções, mas vá lá, deixe-me conspirar :) 
Em novembro do ano passado, um livro salvou minha vida. Eu sei, agora parece muito improvável. Alguns podem até considerar exagerado ou melodramático eu dizer algo do gênero. Só que foi exatamente assim que aconteceu. 
— Ah, Aurélie, que conversa é essa? Você é uma velha teórica da conspiração.

E aí, o que vocês acham dessa super premissa de livro?

Obs: após a leitura, lembrem de voltar aqui e vejam esta matéria (contém spoilers!).


Até a próxima!

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Resenha: “No Mundo da Luna” (Carina Rissi)

*Por Mary*: Aqui estamos nós, com mais um livro da qual eu sei que não saberei resenhar com a devida imparcialidade. Mas, bem, neste momento não sou a resenhista, mas sim a fã. E a Carina, definitivamente, sabe liberar meus fangirlismos como ninguém – sem esquecer as minhas mais astronômicas fossas literárias. Deprê pós-leitura define.

A propósito, Carina, lança logo Mentira Perfeita, que eu já quero destruir o meu psicológico de vez.

Então, vamos ao resumo da trama.

A vida de Luna Braga está de cabeça para baixo. Recém-formada em jornalismo, arrumou um emprego de recepcionista na redação da Fatos&Furos, apesar de não ser bem esse o posto dos seus sonhos. A empresa é chefiada por Dante Montini, um verdadeiro deus do jornalismo – e um dos motivos para Luna se candidatar à vaga – mas que só inferniza a vida dela. Como se já não fosse o suficiente o seu chefe transmutado em demônio, descobre que o seu namorado de dois anos, que a traiu durante todo o relacionamento, agora vai se casar com uma garota que conheceu há menos de três meses e, para completar as desgraças, o seu carro passa mais tempo com o mecânico do que com ela.

Surge uma luz no fim do túnel quando a coluna de horóscopo despenca em seu colo e essa é finalmente a chance de Luna provar seu potencial, além de finalmente fazer algo de que realmente gosta. Só tem um problema: não entende absolutamente nada de assuntos místicos, apesar de sua descendência cigana (à qual Luna renega). Interpretar um mapa astral, então, está fora de cogitação, principalmente tendo em vista que sequer acredita no poder dos signos.

Surge, então, a Cigana Clara e, misteriosamente, tudo parece entrar nos eixos. Os e-mails lotam sua caixa de entrada, com leitores contando o quanto as previsões têm modificado suas vidas. Sua melhor amiga, Sabrina, acredita ter conhecido o seu Príncipe Encantado graças ao poder das cartas e se mostra cada vez mais crédula quanto às previsões da Cigana Clara.

A vida de Luna também muda drasticamente, surgindo um romance, no mínimo, inesperado. Seria o romance certo, se não fosse com o homem errado. Contudo, assim como as forças místicas são equilibradas, o poder que tem em mãos é perigoso e gera consequências, ainda que Luna hesite muito antes de se dar conta disso.

Será que vai estragar tudo, como sempre?

Com uma narração divertida em primeira pessoa e excelentes ganchos entre os capítulos, a promessa de abandonar a leitura “no próximo capítulo” se torna uma tarefa completamente impraticável. Aliás, se você precisa acordar cedo no dia seguinte, prepare-se para “zumbizar”. No Mundo da Luna é praticamente um roteiro de comédia romântica em forma de romance impossível de largar.
“- Ele chegou. – Ela anunciou, ainda olhando para a minha mão.
- Ele quem?
- O seu homem. Aquele que vai te fazer feliz. Você já o conhece. (...) Sim, e você pode pôr tudo a perder. – Acrescentou.
- Que novidade! – Sabrina gemeu.”
Há algum tempo atrás, comentei que protagonista boa é aquela que a gente odeia pelo menos um pouquinho. Não consigo lembrar agora em qual resenha eu disse isso. Mas não vem ao caso agora, de qualquer modo. O que quero dizer é que a Carina domina a habilidade de nos fazer ficar irritadas com suas protagonistas.

Como típicas mocinhas de comédias românticas, as personagens criadas por Carina Rissi fazem inúmeras burradas, dizem a coisa errada nos piores momentos, interpretam tudo errado e são completamente cegas. Tais motivos é que desencadeiam os conflitos, criando, em geral, situações absurdamente tragicômicas, que fazem o leitor querer rir e chorar ao mesmo tempo.

Você, que já é um leitor assíduo da autora, sabe que do lado oposto da relação há sempre um protagonista enlouquecedoramente lindo, impressionantemente romântico e o cara dos sonhos de qualquer garota. Enfim, um verdadeiro príncipe encantado.

E aí, o que a gente faz? Suspira, porque né. Não tá fácil com tanto sapo dando sopa por aí.

Mas, além de suspirar? Viramos fãs da escritora, claro!
“- Puta que pariu! – Gritou ele, me assustando ao aproximar o rosto do meu e examiná-lo com muita atenção. Ou atenção suficiente, dado o seu estado. – Zeus olhos zão verdes que nem azeitona.
- Zão. Os dois. – Concordei orgulhosa.
Ele riu.
- Zão lindos! Os dois. Vozê é engrazada. – Ele ajeitou os óculos de novo. E ficaram ainda mais inclinados.
- É porque vozê tá bêbado.
Ele assentiu.
- Tô. Eu gosto de vozê quando vozê tá bêbada.
- Eu também gosto de vozê quando eu to bêbada.”
Em No Mundo da Luna, você encontrará a velha fórmula com um plus. Vejo, inclusive, como prova da versatilidade de qualquer autor, essa sua capacidade de se reciclar, posto que, apesar de manter um estilo reconhecidamente de sucesso, consegue criar tramas e personagens muito distintos entre si. A Carina tem um estilo único e é muito feliz nesse sentido, em conseguir habilmente criar novos personagens, mas mantendo a escrita fluida, engraçada e fácil.

Talvez seja esse o motivo de suas obras serem tão irremediavelmente apaixonantes: uma pitada de magia e esse quê de contos de fadas moderno associados a uma escrita leve, um romance arrebatador e o humor contagiante capaz de fazer o leitor rir como um louco nos lugares mais inadequados (tenho a absoluta certeza de que o pessoal da minha turma da pós duvida um pouco da minha sanidade, agora).

Portanto, esse é o tipo de livro que, assim como não consigo ser imparcial e articular racionalmente os meus argumentos, também não posso dizer “se você gosta de...”. Com a Carina Rissi, eu só posso dizer: leia No Mundo da Luna, porque você vai encontrar romance, magia, divertimento e muito muito muito humor. 
“Algumas pessoas não pertencem a ninguém além de si mesmas. E a beleza da coisa está aí. Elas nunca pertencerão, mas podem – e vão – escolher alguém para dividir as aventuras. A insegurança sempre nos faz querer, ter, precisar, possuir, colecionar coisas ou pessoas, mas não seria melhor, em vez de possuir alguém, ser escolhido por esse alguém e ter a escolha também? Como iguais, como os dois seres impares que são, mas com o mesmo desejo de se tornarem um par indivisível? Os sentimentos nascem em lugares inesperados, e essa é a forma mais pura e sincera, pois não se alardeia aos quatro cantos, se guarda no coração  e apenas se sente, saboreando cada instante que o outro oferece.”



sexta-feira, 27 de março de 2015

Resenha: “Encontrada” (Carina Rissi)

*Por Mary*: Ian <3 Vai ser muito difícil (eu diria quase impossível) escrever uma resenha coerente e imparcial hoje. Espero que compreendam. >.<

*suspira*
*suspira*
*suspiramaisumpouco*

Mas vamos lá.

Nós vimos em Perdida que Sofia largou o seu tecnológico Séc. XXI para viver o seu felizes para sempre ao lado de Ian (<3 <3 <3), no pacato Séc. XIX. Em Encontrada, descobrimos que, apesar de a decisão ter sido fácil (tão fácil quanto respirar), não se pode dizer o mesmo de sua adaptação à nova vida. Bem, não se pode julgar, afinal, se imagine você no mundo de, pelo menos, duzentos anos atrás? As coisas acabam saindo um pouco do esperado, pois Sofia parece ser um ímã para confusão (Já diria a Nina: “Pobre Ian...”). E, então, Sofia percebe depois de muita cabeçada que a única pessoa capaz de estragar o seu felizes para sempre é ela mesma. 
Contrair matrimônio. Eu não conhecia nenhum bom uso para aquele verbo: contrair dívidas, contrair um vírus... Os bíceps de Ian se contraindo e estufando as mangas da camisa enquanto ele treinava seus cavalos... humm... Tudo bem, um uso era bom, mas só aquele. Alguém devia fazer alguma coisa a respeito disso. Não é para menos que as pessoas fiquem com um pé atrás quando pensam em se casar. Como fora o meu caso, antes de conhecer Ian e ele me fazer perceber que um papel não mudaria nada. Eu tinha dado o grande passo, o maior de todos na verdade, ao aceitar abandonar o meu moderno, tecnológico, cheio de facilidades século vinte e um, para viver com ele no arcaico e sem recursos século dezenove.” 
Assim como em Perdida, a narração se dá em primeira pessoa, no ponto de vista da protagonista Sofia. Conforme eu avisei lá em cima e já mencionei na resenha passada, não vou conseguir ser imparcial, porque falar de um livro que amo tanto e de uma autora que admiro muitíssimo não será nada fácil. Carina Rissi é a responsável pelas maiores DPL’s de que me lembro.

Quando terminei Perdida e soube que haveria sequência, desconfiei. Porque o final era tão perfeito, que, na minha cabeça, já tinha fechado o ciclo e qualquer coisa só poderia estragar aquele casal lindo, com história mágica. Ledo engano. E, agora, sabendo que serão, ao todo, seis livros, mal posso esperar, quicando na cadeira ansiosa e louca por mais Ian (<3 <3 <3) na minha vida (E a DPL que se dane!). 
“Se forem tolos o bastante para isso, que riam. – Faíscas prateadas reluziram em suas íris negras. – Eu a amo, Sofia, e sei, a duras penas, como é impossível viver sem você. Posso lhe garantir, não estou disposto a repetir essa experiência enquanto estiver vivo. Nada, nem mesmo você, me convencerá do contrário. – E se inclinou para me beijar.” 
Ian (<3 <3 <3)

Falando em encerramento de ciclo, a Carina é muito feliz nos finais de cada livro. Quero dizer, apesar de haver uma continuação, o volume não se encerra no meio de uma ação e nem te dá a impressão de que algo está inacabado. Muito pelo contrário, você sente que aquele volume acabou, mas outros te esperam. Tanto em Perdida, quanto em Encontrada, apesar de fazerem parte de uma série, os núcleos dão a sensação de fechamento; o que dá, inclusive, a impressão de independência entre as obras. Desse modo, ao fim de Perdida você suspira muito muito muito pensa: Uau, que final lindo! O livro poderia ter acabado ali, mas você sabe que há uma continuação e isso é um plus. Da mesma forma, ao fim de Encontrada, você sabe que haverá uma continuação, mas sabe também que, se acabasse justo ali, já estaria perfeito.

Sem nenhum medo de rasgar seda, afirmo que a Carina Rissi é uma autora original, divertida e talentosa que não perde em absolutamente nada para os escritores internacionais mais badalados. Com uma escrita que prende a atenção do leitor, a Carina nos brinda com personagens cativantes, situações divertidas e histórias envolventes.

Eu cheguei a comentar na resenha de Perdida que a Carina Rissi é impecável quanto às suas pesquisas, sobretudo com relação a costumes de época, moda e aspectos históricos. Mas, mais ainda que isso, a Carina é magistral em adaptar e adequar as informações de acordo com a necessidade da história. Se tem alguém que sabe fazer uso de sua licença poética, esse alguém é a Carina Rissi. 
“O padre Antônio já estava ali, e, assim que Ian me ofereceu o braço, o sacerdote nos deu as costas. Ultrajada com a falta de educação do sujeito, me virei para Ian, para ver se ele estava tão ofendido quanto eu, mas ele me encarava com tanta intensidade que as palavras ficaram presas em minha garganta (...). Eu podia ouvir a voz grave do padre dando andamento à cerimônia, mas não era capaz de entender uma única palavra, como se ele falasse latim (...). Foi aí que meus olhos se arregalaram ao ouvir suas palavras. Ele não parecia falar latim. Ele estava falando latim! Comigo!” 
Se em Perdida, Ian já havia arrebatado os corações de cada uma das leitoras, em Encontrada ele recolhe os corações de cada uma de nós e os guarda no bolso. Nós somos dele e já não tem para onde correr. É irreversível. #LoucasPorIanClarke


“Sofia, você é diferente de um modo extraordinário. Você é extraordinária! É a razão de eu acordar no meio da noite só para me certificar de que ainda está ali, tamanho é o medo que tenho de perdê-la outra vez. É o motivo pelo qual me sinto tão afortunado, é a causa do sorriso estúpido que me estica a boca antes de dormir. As especulações da sociedade não significam nada para mim.”

É, o Ian continua lindo.

Há um motivo para perdoarmos todos os vacilos da Sofia: é por causa dela que somos presenteadas com mais e mais cenas belíssimas do Ian (<3 <3 <3).



E olha só o resultado da etiquetagem?!





quarta-feira, 25 de março de 2015

Resenha: “Perdida” (Carina Rissi)



*Por Mary*: Não só é muito difícil falar de um livro que gosto tanto, como é muito difícil ser suficientemente coerente com relação a uma escritora que admiro profundamente. É, amigos, estamos diante da minha maior DPL dos últimos tempos.

Em Perdida conhecemos Sofia, uma típica mulher do Séc. XXI completamente adepta às suas tecnologias e facilidades, independente e que tem uma completa fobia por casamento. A mera palavra já causa arrepios. Ela não acredita muito no amor ou na existência de uma relação verdadeiramente longa e duradoura. “Sem amor, mas sem dor”. Ela vive muito bem assim – ou finge acreditar que vive – até que um dia algo muito louco acontece: o seu novo celular a transporta para o ano de 1830. Sim, meus queridos, Sofia vai parar no Séc. XIX e lá é acolhida pela família Clarke, conhecendo Ian, um verdadeiro príncipe encantado. E, como se já não fosse muito difícil entender qual a sua missão naquele mundo novo – ou estaria louca? – Sofia ainda precisa lidar com a intensa atração que sente por Ian.

Parei para reler algumas passagens e, assim, articular melhor essa resenha e me surpreendi com o quanto me identifiquei com essa Sofia pragmática e cética do início da obra. 
“Você sempre foi muito cética, não é? Nunca acreditou em magia. Nem mesmo em contos de fadas ou Papai Noel. Sempre prática! Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver a sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso.” 
Estranho, não tinha reparado nisso na primeira vez que li...

Sabe quando você fecha o livro e sente um vazio imenso, como se alguém que você ama muito tivesse acabado de se afastar de você e ido para muito longe? E aí você não consegue pegar outro livro, porque ainda está preso no mundo do livro anterior, nos personagens e só consegue pensar neles. É, meus caros, isso é uma grande ressaca literária ou mais comumente conhecida como DPL (Depressão Pós-Livro).

Fiquei justamente assim. Uma grande e terrível fossa literária.

Em Perdida você será levada para um belíssimo conto de fadas moderno, com seus vestidos bufantes de princesa, bailes e um príncipe encantado de arrancar suspiros. A obra é escrita em primeira pessoa, a partir do ponto de vista de Sofia. A trama é ágil, divertida e a Carina Rissi sabe dar o tom certo para as conversas, desde as mais engraçadas até as mais sérias. Com SofIan você passará do riso às lágrimas em questão de minutos, sem esquecer dos reiterados suspiros que sem querer nos escapa entre uma cena e outra. 
“Sinto que posso... flutuar quando estou com você. Como se fosse capaz de realmente voar! Sinto-me completo pela primeira vez, Sofia. Há uma força em você que me atrai, que me arrasta para perto, uma força inexplicável que turva os meus pensamentos (...). E quando não estou com você, meu peito fica vazio, como se meu coração se recusasse a bater até que a encontre novamente. Sinta! Ele diz Sofia, Sofia, Sofia! Tem sido assim desde a primeira vez que a vi. Desde aquele instante percebi que não era mais dono do meu coração, que ele não me pertencia mais. Então... (...) Não diga que não existe nós!” 
Ai. Meu. Deus! <3 <3 <3

Eu costumo dizer que, para um autor, a pesquisa é fundamental. Sobretudo para quem escreve romances históricos e a Carina cumpre isso de forma magistral. Muito além de demonstrar a pesquisa aprofundada que faz em suas obras – de costumes, aspectos históricos e de moda – a autora apresenta de forma bastante original a sua capacidade de utilizar a licença poética a seu favor. Isto é, de utilizar as circunstâncias pesquisadas e adaptar, de forma a melhor se adequar às necessidades da história.

Outro ponto interessante a destacar, mas que está relacionado ao que menciono no parágrafo anterior – é que a Carina não define o nome das cidades em que se ambientam os fatos, de modo que você tem a liberdade de visualizar um mundo diferente, onde, por exemplo, não existiu a escravidão (tão abominável, que seria perfeito se realmente pudéssemos apagar da História). Isto é, muito embora, pela descrição, a metrópole mencionada se relacione bastante a São Paulo, poderia ser qualquer outra, cabendo ao leitor fazer a sua própria construção.

Essa “temporada” que a Sofia é obrigada a passar em um século atrasado e arcaico serve para fins de autoconhecimento. A Sofia, muito além de quebrar a cabeça para entender o que diabos a vendedora queria ao mandá-la para lá, acaba aprendendo mais sobre si mesma e sobre o que ela acreditou nem existir: o amor. 
“Contos de fadas podem se tornar realidade, Sofia. Basta que a princesa não lute contra a própria felicidade.” 
Tentarei me lembrar disso, Ian, prometo.

E, todo esse conflito, toda essa dificuldade em se adaptar e acreditar que algo tão bonito pode acontecer na vida real, mesmo que indiretamente, atinge o leitor, fazendo-o refletir. Porque até que ponto essa vida corrida que a gente leva nos distancia do que realmente importa? Quero dizer, até que ponto se preocupar tanto com as coisas – muitas vezes supérfluas – com as quais nos preocupamos não nos distancia do amor, da família, dos amigos e de nós mesmos?

Não vou cansar de elogiar a Carina, porque ela é simplesmente fantástica. Os seus personagens levam um misto completo de verossimilhança, magia e romantismo. É como trazer os contos de fadas para a vida real e você quer acreditar na possibilidade, por mais difícil que possa parecer. A Sofia, por exemplo, é atrapalhada, teimosa, petulante e só sabe se meter em confusão, dada à sua propensão à impulsividade. O Ian, por outro lado, é gentil, doce, elegante lindo maravilhoso tudo de bom e carrega consigo a perfeição do século em que vive, demonstrado em seus modos polidos, a fala pausada e bem articulada, os movimentos calculados e suaves. Um verdadeiro cavalheiro. 
“- É uma caneta. Você usa para escrever. Assim. – Tomei o objeto de suas mãos e fiz alguns rabiscos num pedaço de papel (minha conta de telefone, constatei). – Não me diga que ainda não tem caneta aqui? - Não, não tem! – Ele olhava fascinado para a minha caneta simples, comprada no supermercado. – Usamos pena e tinta para escrever.” 
Se ficou contente desse jeito com uma Bic, imagina o Ian com uma Mont Blanc?! Rs.

E, como se já não bastassem todos os elogios ali acima, ele carrega certa inocência, uma doçura indescritível e o amor mais devotado que se pode imaginar. Se você não se apaixonar, ah, minha querida, esse coração é mesmo duro, viu? Aposto um caramelo, que não tem cristão que resista aos encantos de Ian Clarke. 
Ian. Ian era a resposta para todas as minhas perguntas. Eu não tinha mais dúvidas quanto a isso. Era por ele que eu procurava – a vida toda -, sem nem mesmo saber que procurava. Era ele que eu queria, de forma desesperada, para toda a vida. E era ele a minha jornada ali, minha missão.” 
E tem notícia boa: Habemus filme! Foi confirmada a adaptação cinematográfica de Perdida e a própria Carina participou de perto da elaboração do roteiro. Nesse ano de 2015 devem surgir mais notícias e provavelmente serão anunciados os atores escolhidos para cada papel. Recentemente surgiu uma campanha nas redes sociais em que pediam o Bernardo Velasco para interpretar o Ian. 



 
 


E vocês, o que acham? Que ator brasileiro vocês acreditam que seria o Ian perfeito?

Se alguém, por acaso, quiser saber mais sobre a campanha, basta clicar aqui.






 
Ana Liberato