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quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Resenha: "Família de mentirosos" (E. Lockhart)


Tradução: Flávia Souto Maior

Sinopse: Descubra o que aconteceu vinte e sete anos antes dos eventos narrados em Mentirosos, com uma narrativa igualmente viciante, trágica e envolta em mistérios.

Não é fácil para Carrie ser a principal herdeira da família e carregar todas as expectativas que vêm junto com seu sobrenome. Para ser uma Sinclair perfeita, ela não deveria demonstrar emoções ― nem mesmo o sofrimento profundo pela morte recente de sua irmã caçula. Para ser uma Sinclair perfeita, deveria se submeter à cirurgia na mandíbula que seus pais insistem que ela faça, mesmo que isso lhe renda dolorosas semanas de recuperação ― e um vício em analgésicos.

No verão de seus dezessete anos, a família vai para Beechwood, a ilha particular onde sempre passa as férias. Mas, dessa vez, há algo de diferente: entre os visitantes da ilha está Pfeff, um garoto que mexe com os sentimentos de Carrie. Mas esse relacionamento está longe de ser um conto de fadas ― e essa história dificilmente vai acabar em um “felizes para sempre”.

Por Stephanie: Eu sou uma defensora de Mentirosos. Na época do lançamento, li e amei demais, fiquei mega surpresa com as reviravoltas e panfletei horrores a leitura. Portanto, obviamente fiquei super animada quando soube do lançamento de Família de mentirosos, um prequel da história que tanto me marcou há quase dez anos. Apesar de ter achado que a autora não perdeu totalmente a mão da escrita, sinto dizer que as minhas expectativas possam ter estragado um pouco a minha experiência ao ler esse lançamento.

O livro nos apresenta uma geração anterior àquela que conhecemos em Mentirosos. Vamos acompanhar um novo grupo de adolescentes passando um verão na ilha majestosa da família Sinclair, cercada de tudo de melhor que o dinheiro pode oferecer.

Eu não me incomodei e nem achei difícil acompanhar esse novo grupo de personagens; na verdade, achei todos até interessantes e verossímeis. Carrie, nossa protagonista, às vezes irrita um pouco, mas nada fora do normal para uma adolescente rica.

Pfeff é o mocinho típico de livros YA, bem rebelde sem causa. Ele me deu nos nervos um pouco, principalmente em uma certa cena que desencadeia acontecimentos mais dramáticos, mas, fora isso, não me surpreendeu.

Um ponto interessante do livro é a inclusão, ainda que mínima, de representatividade. Gostei de ver um esforço da parte de Lockhart e não ficou soando como algo forçado ou que estava ali apenas para cumprir uma cota.

Agora, o que mais me desagradou na obra foi definitivamente o desenvolvimento do meio para o final. Assim como em Mentirosos, há um mistério a ser desvendado, e os caminhos que a autora escolheu para seguir me soaram muito parecidos com os do livro anterior. Não estou dizendo que os acontecimentos se parecem, e sim que o rumo das situações se assemelha, deixando tudo bastante previsível (e se tem uma coisa que Mentirosos não foi pra mim, é previsível).

Por fim, acabei achando Família de mentirosos um livro morno. Tinha muito potencial, mas foi desperdiçado pela previsibilidade. Gostaria apenas de deixar um alerta: não leia esse livro sem antes ler Mentirosos, pois ele conta o final da história! A própria autora dá esse conselho nas primeiras páginas, mas é bom reforçar.

Até a próxima, pessoal!


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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Resenha: "O caso dos dez negrinhos" (Agatha Christie)

Tradução de Leonel Vallandro

Por Thaís Inocêncio: Dez pessoas que não se conhecem recebem um convite misterioso para passar alguns dias na famosa Ilha do Negro. Embora não se lembrem muito bem do anfitrião, elas aceitam o convite, afinal, parece ser um lugar muito agradável que abriga uma mansão luxuosa. O que elas não esperavam é que a estadia na ilha não seria nada relaxante, e sim muito assustadora.

Ao chegarem ao local, os dez convidados descobrem que o anfitrião não está lá e que o barco que os levou já partiu, deixando-os sem possibilidade de sair da ilha. Mas a mansão está abastecida com muitos alimentos, então eles ficam tranquilos. Até que, após o primeiro jantar, eles ouvem uma gravação acusando cada um deles de ter cometido um crime que, direta ou indiretamente, resultou numa morte.

Logo, eles descobrirão que, dentro da casa, existe alguém que pretende fazer justiça com as próprias mãos, vingando-se de um por um dos convidados. Para isso, o justiceiro desconhecido vai se inspirar num poema infantil em que dez negrinhos são eliminados, um de cada uma vez, de maneiras diferentes (É tipo a musiquinha dos 5 patinhos da Xuxa, que cada um vai sumindo de uma vez, sabe? Só que o poema do livro explica como cada um “some”). Ao mesmo tempo, dez figuras negras que estavam em cima de uma mesa começam a desaparecer. Mas quem é o assassino? É alguém de fora ou um dos dez convidados? E como eles vão escapar dessa? Só lendo pra saber!

Esse foi o segundo livro da Rainha do Crime que eu li e gostei bem mais do que o outro – que foi “Assassinato no Expresso do Oriente”). O livro é curtinho, mas tem muita ação, emoção e consegue prender a gente até o fim! Além disso, percebi que não tem como ler Agatha Christie sem ficar tentando adivinhar quem é o culpado. Durante quase toda a leitura, eu desconfiei de uma pessoa e é claro que eu estava errada, porque a dona autora sempre segue pelo caminho que a gente menos imagina!

No Brasil, o livro foi relançado em 2014 pela Globo Livros com o título “E não sobrou nenhum”. Isso ocorreu porque a versão original, lançada em 1939, é “Ten Little Niggers” e a palavra “nigger”, nos Estados Unidos, tem cunho racista; ela era usada para insultar os negros ou se referir a eles de maneira pejorativa. Na nova versão, o local se chama Ilha do Soldado e o poema fala sobre dez soldadinhos. Minha edição, comprada por 5 reais em um sebo, ainda leva o título antigo. De todo modo, a história não é sobre a morte de pessoas negras; o nome original se refere ao poema.

Recomento muito a leitura!

Até a próxima, galera!
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Resenha: "Vida Decifrada" (Jam Belfort)

[V]ocê já teve a sensação de que a vida está tentando te dizer algo?
[I]sso pode parecer estranho, mas talvez ela esteja, mesmo.
[D]igo isso porque foi esta a exata sensação que Marcos teve.
[A]pós alguns acontecimentos supostamente banais, ele percebeu que a vida tinha deixado pistas, escondidas nas coisas mais simples que lhe aconteciam.
[D]esde então, ele passou a prestar mais atenção em tudo.
[E]le, porém, não contava com um detalhezinho belo, perfeito e cativante...
[C]erta menina tinha cruzado seu caminho, e ele, claro, se perdeu um pouco.
[I]sso e o fato de sua baixa autoestima teimar em querer sabotar tudo...
[F]elizmente (ou não) ele tinha a ajuda de seu um-pouco-atrapalhado melhor amigo.
[R]esolvi contar a história dele pois ela se parece um pouco com a minha.
[A]credito que também com a sua, pois todos buscamos achar o sentido da vida.
[D]eixo uma dica, caso queira embarcar nessa jornada:
[A]bra bem seus olhos e ouvidos. 
Pode ser que tenha nas estrelas e planetas algum código secreto. Uma combinação. Um ritmo. Um senso de direção.

Por Kleris: Marcos é um jovem estudante gamado em informática e, surpreendentemente, crônicas. Ao descobrir a esteganografia, a arte de esconder mensagens em coisas banais, sua vida se abriu para novos sentidos. Correlacionar fatos e coincidências se tornou seu novo hobby, isso até as coisas fazerem sentido demais. Ele entendeu que precisava seguir as pistas, cada vez mais sutis e claras em sua cabeça.

Foi assim que, durante as férias, conheceu Simone Letícia na biblioteca do bairro. A paixonite somada a seu hobby logo virou uma bola de neve de investigações (e investidas e mentiras) para conquistar a menina. Mas brincar com sentimentos não era o mesmo que brincar com pistas. 
A gente sempre deixa pra depois.
O que será que está nos fazendo deixar pra depois? 
Não costumo também me dar bem nessas coisas de amor. Sou destro e meu coração fica do meu lado esquerdo.

É isso que nosso narrador faz questão de pontuar. Conversador todo, nos entrega também a história de Alex, melhor amigo de Marcos, que, após a perda dos pais, revisita memórias em busca de significados e novos caminhos. Apesar da tragédia, Alex nos parece ser aquele alívio cômico, mas nele encontramos os mais nobres sentimentos e a vontade de abraçá-lo toda vez que aparece. 
— Com certeza não vai faltar inspiração — respondeu, com um tom orgulhoso no olhar e na voz.
— Eu causo isso nas pessoas.
— Não, Alex. Encontrei algo interessantíssimo. 
Alex queria uma cesta para seus pensamentos, que pareciam espalhados feito suas folhas de caderno.
Tem dias que esperamos apenas por um abraço que grampeie nossas folhas soltas.

Mas em @vidadecifrada nada está ali por acaso. Permeado de símbolos, códigos e pistas escondidas, a ficção juvenil fala das conexões que fazemos – desde amigos, família e coração, a pensamentos, objetivos e desafios. Jam faz tudo ser tão quase absolutamente decifrável, o que aguça nossa percepção e nos deixa até paranoicos com tantas correlações. Tem pista espalhada até mesmo pela diagramação para os olhos mais espertos. 

 

 


meu graaande amigo, tal qual a outra obra de jambelfort:


Página 188 com indicação do CVV
(Centro de Valorização da Vida)
  
 

Que oportunidade, guri! Ainda não acredito que você não fez nada para ajudá-la! Mas te entendo. Alguns sorrisos têm a função do controle-remoto de nos pausar... 

Acho que o desânimo do rapaz me atingiu...
Limito-me a narrar que ele ainda estava deitado na cama, seguindo com os olhos um fio que tinha por rumo o teclado do computador. Ao lado, olhou o cartão de Simone. O mouse escapuliu da mesa e ficou pendurado por seu cabo, num movimento hipnotizador.

O narrador, claro, é o condutor que faz toda a diferença. Prático e não menos carismático, ele nos envolve fácil nas tramas de maneira a trabalhar a identificação, senão a empatia. Em algum momento da vida já fomos Marcos, Alex, Helena, Simone e até Ricardo. Mas Jam é o engenhoso que prende nossa atenção e faz desta uma deliciosa leitura, de infinitas sacadas e infinitas epifanias. Aliás, conversar com o autor garante sempre uma nova descoberta. 
O livro só fará sentido se lido até o final. E quando relido, feito mágica cada detalhe se iluminará. 
Talvez o segredo por trás do sabiá na lápide seja o próprio sabiá na lápide. Talvez o sentido seja as próprias coisas. Não o que elas podem nos oferecer, mas simplesmente o que elas são.

E sua ousadia ainda vai muito além quando nos deparamos com tantas homenagens maranhenses embrenhadas ao enredo. Passam por aqui João do Vale, Ferreira Gullar, Maria Firmina dos Reis, Josué Montello, Gonçalves Dias, Nauro Machado e Cecília Leite. Não deixam de aparecer outros nacionais, como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, e além-mar, como Fernando Pessoa e Eça de Queiroz.

É por certo um livro multiliterário, pois além de misturar linguagens (romance, crônicas, poesias, java script, html, diagramas, rimas de ideias), traz aspectos transmídias, transmutando partes da narrativa para perfis do instagram como @marcronicas e @musicadomar. Tudo isso sem deixar de ser leve, interessante e genial (meu tipo de livro e com certeza um dos melhores do ano). Recomendadíssimo! 
Eram janelas criptografadas. Dois universos diferentes, sem naves intergalácticas com propulsão suficiente para uma visita pacífica. Por vezes as palavras de um soavam como agroglifos, aqueles gigantescos círculos atribuídos a alienígenas que aparecem em plantações.
Eram um mistério um para o outro.

Meu exemplar faz parte dos raros livros impressos com bordas coloridas (opções de amarelo e azul), mas você encontra tanto o livro físico quanto o digital na loja Amazon. Muito mais curiosidades você também pode ver no site www.vidadecifrada.com.br (aba de conteúdo exclusivo). A senha? Está no livro. 
O que se vê nas ruas, afinal, rostos ou máscaras? 
A vida é boa em inventar enredos, coincidências e reviravoltas. Tenho certo fascínio pelo imprevisto, pela chuva em dia de casamento, pelas coisas inexplicáveis. Deixa tudo excitante e peculiar.

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Até a próxima!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Resenha: "Amaldiçoado" (Joe Hill)

Tradução: Bárbara Heliodora & Helen Potter Pessoa

Sinopse: Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

Fonte: Skoob


Por Eliel: Publicado originalmente como O Pacto.

Meu primeiro contato com a história foi com o filme homônimo, onde o personagem principal, Ignatius Perrish, é interpretado por Daniel Radcliffe (Harry Potter). Logo já veio a vontade de conhecer a obra que inspirou aquele filme sombrio e intrigante.

Embora, o tema, o título e até a capa remetam a um livro de horror, ele não é só isso. Aqui é possível encontrar muito drama, romance e muito mistério. Os segredos mais obscuros serão revela-dos nesse thriller empolgante.

Imagina se um dia você acorda após beber muito com aquela ressaca acompanhada de uma forte dor de cabeça. Basicamente, é assim que começa essa história, porém os sintomas da ressaca não param por aí em Ig. Ele acaba de adquirir um par de chifres que ele acredita ser uma alucinação.

Faz um ano que Ig perdeu sua namorada, Merry William, que foi assassinada e abusada sexualmente. Para a maioria dos moradores da cidade o principal suspeito é o próprio Ig. Toda essa situação já é bem difícil para que ele lide, ele não precisava de mais dois problemas bem na sua cabeça para todo mundo ver.

O que é estranho é que ninguém parece realmente se importar com essa deformidade. Ig acorda na casa de Glenna, eles estão juntos a um tempo mesmo que ele não goste de verdade dela. Ao se deparar com aquelas coisas na testa dele, Glenna começa a revelar seus pecados mais secretos. Perturbado com essa reação ele vai à procura de ajuda, e isso se repete com todos com quem ele tenta interagir. O maior incômodo é saber de coisas das pessoas que ele tem algum tipo de afeição.


"As pessoas não param de me contar coisas pavorosas."

Seus recém adquiridos poderes não param por aí, ao tocar nas pessoas ele tem acesso a memórias mais obscuras do que mesmo sob sua influências as pessoas deixam escapar. Além disso, ele pode falar em qualquer idioma e até usar a voz de outra pessoa. É óbvio que ele não descobre isso de repente, é gradativo ao longo da narrativa, afinal tudo começa como uma alucinação para Ig.

Será que essa "benção" em forma de chifres será a forma que Deus encontrou para limpar o nome de Ig? A verdade tão bem guardada por pessoas que ele confiava e que podiam ter evitado que toda essa desgraça abatesse sobre esse jovem promissor.

Todos pecam e tem sua parcela de culpa nesse mundo e o irmão de Ig, seu melhor amigo Lee Torneau e outros personagens dessa história terão muito o que confessar diante de seu demônio interior.

Personagens são tão bem construídos que, apesar de se tratar claramente de uma ficção, estão bem próximos da realidade. Ora os odiará, ora os amará, mas somente os entenderá quando essa narrativa acabar.

Na minha opinião, esse livro é um romance tão bem construído que nos faz pensar em quantas coisas fazemos em nome do amor e quantas delas são realmente por amor. Uma narrativa que nos leva a enxergar nossas relações e emoções de frente e saber encará-las como são.

Joe Hill me impressionou como conduziu toda a trama que é repleta de curvas, você nunca sabe o que vai encontrar a frente. Fiquei extremamente curioso para conhecer mais da obra dele. Aguardem para ver mais dele por aqui.

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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Resenha: "O livro de Moriarty" (Arthur Conan Doyle)

Tradução de José Francisco Botelho

Por Mari Diniz: O desejo de conhecer melhor o maior e mais misterioso inimigo de Sherlock Holmes é o melhor estímulo para ler O livro de Moriarty

O livro inicia-se elucidando e situando o leitor diante de toda a trama que será narrada nos seis contos. Em sua introdução, o tradutor José Francisco Botelho explica resumidamente algumas das pesquisas em torno dos clássicos de Arthur Conan Doyle e nosso famoso detetive Sherlock Holmes. Porém, longe de se restringir apenas a biografia do autor e supérfluas explicações sobre a história do livro, as explicações, muito bem-vindas, vão desde furos da coletânea à admiração de Sherlock dirigida ao seu maior inimigo Moriarty.
- Imagino que jamais tenha ouvido falar do professor Moriarty – ele disse.
- De fato, nunca ouvi falar.
- Sim, e ai está o assombro e a genialidade da coisa toda! – ele exclamou  - O homem é onipresente em Londres, mas ninguém ouviu falar dele. Isso o coloca em um pináculo nos anais do crime. Eu lhe garanto, Watsonm com toda a seriedade: se eu conseguir derrotar esse homem, se conseguir livrar a sociedade do seu jugo, sentirei que minha carreira chegou ao ápice e poderei, então me dedicar a uma vida mais plácida.
A coletânea de contos em torno do arqui-inimigo de Holmes aproxima o leitor e o deixa mais atento e fervoroso para conhecer Moriarty. Entretanto, as aparições de Moriarty, que até mesmo John Watson nunca chegou a vê-lo, são tão sorrateiras quanto sua atuação criminosa. Moriarty, diferente do que se imagina, não é um protagonista.

Suas formas de atuação são tão inteligentes quanto o nosso detetive o descreve, de forma que todas as soluções dos crimes ocorridos nos contos convergem em sua direção, mas não conseguem entregá-lo ou incriminá-lo. O livro cujo maior tema é Moriarty mostra as façanhas do inestimável vilão das formas mais inteligentes e discretas com as quais o mesmo trabalha.

O primeiro conto, O problema final, talvez seja o maior contato que o público possa ter tido com o vilão. De forma ainda que indireta, já que Watson, nosso narrador, apenas escreve o que já havia sido descrito por Sherlock. Conhecemos o último contato entre nossos personagens. Watson nunca chegou a vê-lo, mas mantem Moriarty vivo nas narrativas como se o tivesse. Certamente o nosso principal vilão esconde-se, mas não desaparece.

O fato das narrativas serem contadas por Watson, a partir de suas observações, mas principalmente do que Sherlock conta , tornam os diálogos leves e facilmente legíveis. A presença constante deles também torna a leitura ainda mais amena, fugindo de grandes narrativas e deixando o livro tão dinâmico quanto ele pode ser.
- O trabalho é o melhor antidoto para a tristeza, meu caro Watson – ele disse- E, esta noite, tenho um serviço dos mais interessantes para nós dois; o tipo de caso cuja resolução, por si só, bastaria para justificar a existência de um homem neste planeta.
Este possui todos os contos em que Moriarty fora até mesmo apenas citado, mas nos quaissua participação influenciou fortemente o andar da história. Inclusive, o conto final, O vale do medo, mesmo sendo um pouco maior, para mim, foi o maior reflexo de como Moriarty atua.

Quem já leu outros contos sabe que O livro de Moriarty evidencia muito mais a relação entre o vilão e o herói, e para quem pela primeira vez toca na obra de Arthur Conan Doyle, O livro de Moriarty parece ser um pequeno aperitivo e excelente início para outros contos.

Até a próxima, 
Mariana Diniz

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quarta-feira, 9 de março de 2016

Resenha: "Sonho Febril" (George R. R. Martin)

Tradução Luis Reyes Gil
Sinopse: Uma reinvenção original e fascinante das histórias de vampiros pelas mãos do mestre da fantasia moderna George R.R. Martin.Quando o falido capitão Abner Marsh recebe uma oferta de sociedade de um rico e sinistro aristocrata chamado Joshua York, ele até chega a desconfiar que algo está errado. Mas nada que a possibilidade de receber milhares de dólares em ouro e construir o barco dos seus sonhos não possa fazê-lo mudar de ideia.Assim surge o Sonho do Fevre, o melhor e mais potente barco de todo o Mississipi. Uma embarcação magnífica que, ao navegar pelo rio, vai deixando pelo caminho uma coleção de histórias sombrias. Movido pela força do vapor, o Sonho do capitão pode se transformar no maior pesadelo da humanidade.Fonte: Skoob

Por Eliel: Já conhecemos o tio Martin pela incrível Crônicas do Gelo e do Fogo (Guerra dos Tronos), mas já pensou se ele resolve escrever sobre vampiros? Ele fez isso mesmo, vampiros nas hábeis mãos do mestre assumiram uma roupagem inimaginável. Se você achava que ele era bom apenas em matar protagonistas, vai se surpreender quando ele reinventar os tão polêmicos vampiros da literatura.

O bem e o mal são mentiras, tolices, bobagens criadas para perturbar homens sensíveis e honestos.

A história se passa no auge das navegações à vapor no Rio Mississipi, por volta dos anos 1850. Abner Mash, é um velho capitão que sonha em possuir o barco mais veloz e mais belo que já se ouviu falar, porém sua companhia anda meio ruim das pernas. Eis que surge um jovem e misterioso, Joshua York, que lhe oferece sociedade e dinheiro suficiente para realizar o sonho de Mash. Em troca de tamanha generosidade ele só pede que não haja perguntas sobre suas excentricidades e de seus convidados.


Mash aceita os termos e logo já está com seu navio dos sonhos, o Fevre Dream, pronto para iniciar sua aventuras pelo rio. Mas os mistérios já começam na primeira noite de viagem. As perguntas serão inevitáveis, mas Mash é um homem discreto. Mesmo que os hábitos noturnos de York e seus convidados e as notícias estranhas que chegam à seus ouvidos o incomodem, ele permanece leal ao seu sócio. Pelo menos por enquanto.

Abner Mash tinha a intenção de recusar a oferta de York. Precisava muito do dinheiro, mas a era um homem desconfiado, não habituado a mistérios, e York estava pedindo para ele deixar muita coisa por conta da fé. A oferta lhe parecia boa demais. Marsh tinha a certeza de que algum perigo estava à espreita em algum lugar, e que ele só pioraria as coisas se aceitasse. Mas agora, depois de ver a cor da riqueza de York, sentiu que sua resolução vacilava.

O Fevre Dream (Sonho Febril) navegará por águas turbulentas de dúvidas e em meio à uma guerra mais antiga que o próprio Mash. Temas históricos são abordados como pano de fundo para essa ficção, por exemplo: as navegações à vapor, questões raciais e escravagistas, além dos próprios mitos relacionados aos vampiros.

O mundo era um lugar terrivelmente estranho, pensou, onde tantas coisas podiam mudar no intervalo de um dia.

Você vai perceber que as personagens são construídos com muitas camadas de profundidade na sua personalidade que já são características conhecidas de Martin. Ele criou uma nova origem para esse tema tão recorrente nos livros depois de Bram Stoker. Digamos que é uma volta às origens do horror.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resenha: “Vermelho como o sangue” (Salla Simukka)


Por Yuri: Olá pessoal! Vermelho como sangue é mais um livro naquele estilo new young. Não tenho nada contra esse gênero, nem quem curte. Eu mesma já li livros com essa temática, mas depois que os primeiros new young foram publicados, veio uma enxurrada de livros dessa linha. A única diferença entre eles era o nome dos personagens e a capa do livro (às vezes nem isso era diferente).

Quando um tema fica meio modinha, eu perco o interesse. Acho que falta originalidade na história e nos personagens. Para mim, é isso o que acontece com Vermelho como sangue. Tem a personagem principal, que é deslocada, que se acha diferente dos outros. Daí ela conhece novas pessoas, e se torna extremamente leal a elas. Nessa jornada a personagem principal vai se descobrindo e encontra uma heroína em seu interior.

Eu já tive a minha cota de trilogias adolescentes sem graça, mas vou deixar um breve resumo para que vocês leitores possam tirar suas próprias conclusões sobre o livro e decidir se querem ler ou não.

Vermelho como o sangue narra a história de Lumikki Andersson, uma jovem de dezessete anos, que se transferiu para uma famosa Escola de Arte de elite para fugir do seu passado e desde então mora sozinha, longe dos pais.
“Lumikki Anderson. A menina sueco-finlandesa de Riihimäki. A que tinha uma opinião cuidadosamente pensada sobre tudo. A que tirava notas perfeitas em Física e Filosofia. A que representara Ofélia tão bem que dois professores enlouqueceram e o resto ficou tomado de emoção. A que não participava de nenhuma pegadinha ou festa da escola. A que sempre comia sozinha, mas nunca parecia solitária. Ela era a peça do quebra-cabeça que não tinha seu próprio lugar, mas poderia de repente preencher quase qualquer buraco que fosse necessário. Ela não era como os outros. Ela era exatamente como os outros.”

Resultado de imagem para vermelho como sangueCerto dia para fugir do mundo a sua volta, Lumikki entra na câmara escura da escola em que estuda e encontra cédulas de dinheiro penduradas para secar manchadas de sangue. A partir de então, aguçada por sua curiosidade, a personagem persegue a quem pertence o dinheiro.

Lumikki descobre que o dinheiro pertence ao grupo mais top da Escola de Arte, formado por Tuukka (o garoto mais bonito), Elisa (a mais bonita) e Kasper (o garoto problema), que acharam uma sacola com o dinheiro após uma noite regada à bebida e drogas.

Sem querer, acaba se envolvendo no caso das cédulas manchadas. A partir de então, o mundo de Lummiki vira um caos e a personagem é perseguida por traficantes, participa de festas organizadas por máfias e perde todo o controle que tinha da sua vida.

Achei a história chata e o livro confuso. As lembranças de Lumikki se misturam com os acontecimentos e às vezes fica uma bagunça de interpretar. Geralmente quando eu não entendo algum trecho, eu volto pra ver se fica mais claro. Nesse livro não ficava e chegou um momento que eu fiquei com preguiça de interpretar. Por exemplo, não ficou claro para mim qual era a sexualidade da personagem. Apenas lendo os trechos que a autora incluiu a respeito desse assunto, eu li e reli... e preferi ficar sem entender mesmo.

Se eu não soubesse que este é só o primeiro livro da trilogia, diria que a autora foi bem preguiçosa pra fazer um final pro livro. Como eu disse antes, as lembranças se misturavam o tempo todo, e deu para perceber que a infância da personagem foi bem sofrida e que os pais dela tem algum segredo. Daí a história fica bagunçando com memórias para que o leitor fique curioso sobre a vida da personagem antes de se mudar de cidade, e no final ela decide que não quer saber esses mistérios. (WHAAAAT?? O.o Como assim não quer saber? Tudo bem que tem coisas da minha vida que eu também não quero saber, mas isso é um livro!!! É lógico que eu quero saber sobre a vida dela.)

Resolvi dar o ar da dúvida pra autora e não vou chamar o final de preguiçoso até que toda a coleção seja publicada, pois provavelmente essas pontas soltas serão resolvidas nos próximos livros. 

Eu indicaria esse livro para quem curte livros com personagens adolescentes ou pra quem está interessado em uma leitura rápida para se distrair.

Nota: 2/5

Até a próxima!

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Ana Liberato