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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Resenha: "A Convenção das Aves" (Ransom Riggs)

 

Tradução: Giu Alonso e Rayssa Galvão

Sinopse: A série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares é sucesso no Brasil e no mundo, tendo figurado na lista de mais vendidos e alcançado a marca de meio milhão de exemplares. Na aguardada continuação da história, vamos acompanhar os perigos que cercam o futuro do universo peculiar.

Em A Convenção das Aves, novo capítulo da série criada por Ransom Riggs, a jornada de Jacob pelo perigoso e surpreendente mundo peculiar dos Estados Unidos se transforma numa corrida contra o tempo. Ao lado dos amigos, ele se envolve em uma misteriosa missão: precisa salvar a jovem Noor Pradesh e levá-la até uma mulher poderosa e enigmática conhecida apenas como V.

Noor parece ser a chave de uma profecia antiga que prevê um apocalipse que destruirá tudo e todos. Em seu leito de morte, H. confessa a Jacob que ela será “uma dos sete que emanciparão os peculiares”. Mas quem são os sete? E do que — ou de quem — eles serão emancipados? Os questionamentos são muitos, mas a mensagem é clara: Salve Noor, salve os peculiares.

Mais do que nunca, eles precisarão se unir, embrenhando-se por mundos desconhecidos enquanto tentam decifrar a profecia e descobrir os planos malignos dos etéreos. Enquanto isso, a srta. Peregrine e as outras ymbrynes se veem em meio a negociações de paz com os clãs norte-americanos, buscando a todo custo evitar que uma guerra seja deflagrada e que o mundo peculiar sofra as consequências irreversíveis desse conflito. Eles só não contavam que um de seus maiores inimigos talvez esteja se preparando para um retorno triunfal. E aterrorizante.

Numa edição em capa dura com sobrecapa, ilustrada com as fotos mais sombrias do acervo pessoal do autor, A Convenção das Aves vai conquistar novos leitores e encantar os fãs, preparando-os para o emocionante desfecho da saga, que está cada vez mais próximo.

Por Jayne Cordeiro: Eu gosto muito da série "O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares", por vários motivos. Gosto do uso de fotografias originais  para compor a história, do universo novo criado pelo autor, a dinâmica dos livros deles e, principalmente, da relação entre os jovens peculiares. E neste livro, o autor continua trazendo tudo aquilo que fez com que eu me encantasse pela série. "A Convenção das Aves" é uma continuação exata do livro anterior. Jacob precisa proteger Noor e apresentá-la ao mundo dos Peculiares, enquanto tenta desvendar a mensagem de H. e outros mistérios e situações que acabam surgindo no decorrer do livro.

A história funciona bem, de forma ágil, mas sem ser corrido. Na verdade, apenas o primeiro livro da série foi mais devagar. Todos os outros funcionam de forma mais dinâmica. O que deixa a história interessante de acompanhar e nem um pouco monótona. É interessante ver o Jacob agora, como o conhecedor do mundo peculiar, e Noor como a novata. Sendo que os dois tem muita coisa em comum, já queos dois vieram do presente, diferente dos outros garotos. A Noor é uma personagem ótima, com um poder bem interessante. Simpatizei logo com as interações dela com o Jacob e com os outros jovens.

O enredo é bom, com uma nova busca pela resolução de um mistério e com a tentativa de evitar que uma situação aconteça. Não posso entrar em muitos detalhes, mas para mim, o livro foge um pouco do que a sinopse apresenta. Ou posso dizer que ele vai mais além. De qualquer forma, foi um livro que li muito rápido, as imagens ainda acrescentam bastante. Não são mais tão "peculiares" quanto as dos primeiros livros, mas ainda criam um bo ambiente a história. O livro tem aventuras, drama, romance, e vários momentos divertidos. Bem a cara desse grupo de Peculiares que já nos conquistou. E uma novidade é que as ymbrynes aparecem bem mais dessa vez. Gostei mais desse livro do que do anterior, e acredito que ela vai conseguir trazer um ápice no mesmo patamar da trilogia original. Se você está pensando se vale a pena ler essa segunda etapa da série, eu digo que vale sim a pena. Se você nunca leu nada da série (e ignorem aquele filme terrível, por favor), espero que deem uma chance a essa série, que começa mais devagar, mas deslancha cheia de energia e aventuras.



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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Resenha: "Uma Casa no fundo de um lago" (Josh Malerman)


 Tradução: Fabiana Colasanti

Sinopse: ames e Amelia têm dezessete anos. Em comum, além da idade, têm o fato de estarem um a fim do outro e de serem tomados pelo nervosismo quando James chama Amelia para sair. Mas tudo parece perfeito para um primeiro encontro: um passeio de canoa pelos lagos, levando um cooler cheio de sanduíches e cervejas.
À medida que se aprofundam na exploração, os dois chegam a um lago escondido e encontram algo impressionante debaixo d’água. Um lugar perigosamente mágico: uma casa de dois andares com tudo que tem direito — móveis, um jardim, uma piscina e uma porta da frente, que está aberta.
Enquanto, fascinados, vasculham o imóvel e tentam passar uma boa impressão para o outro, cresce o medo. Será que um local misterioso como aquele esconde alguém — ou algo — vivo? Uma coisa é certa: depois de mergulhar nos mistérios da casa no fundo do lago, a vida deles jamais voltará a ser a mesma.

Por Jayne Cordeiro: O primeiro livro que li de Josh Malerman foi Caixa de Pássaros, que foi uma surpresa muito boa. Li por causa de um clube do livro, sem expectativas, e me surpreendi. Por causa disso, eu acabei comprando Uma Casa no fundo de um lago, por achar a premissa do livro bem interessante e com um suspense legal. Dessa vez, também me surpreendi, mas negativamente. 

Este livro promete uma coisa e no final das contas não entrega nada. A história é bem curtinha, com 160 páginas. As coisas acontecem de forma rápida, mas sem ser apressada. O ritmo é bom, e até quase o final, você segue na leitura, preso e tentando adivinhar o porque da casa no fundo do lago, como isso acontece e o mais importante: Existe algo ou mais alguém lá? Mas quando o livro acaba, fica aquela sensação de que nada aconteceu. A questão não é nem a presença de uma explicação, porque Caixa de pássaros também não explica muita coisa, mas te entrega fatos para uma indução. Mas nem isso esse loivro faz.

O livro acaba sendo sobre um romance de verão, que trás algunas fatos inusitados, que o leitor não consegue de forma nenhuma analisar se é uma metáfora para esse romance ou se é algo sobrenatural/fantasioso, que realmente aconteceu com o casal. E não é nem para dizer que o autor deixa as peças lá para o leitor fazer sua analise. Porque isso seria o suficiente para mim. Mas ele não entrega nada mesmo, e foi o que todas as pessoas com quem conversei sobre o livro também concluiram. Foi realmente uma pena, porque o enredo é muito interessante, e a construção das cenas de suspense são boas, causando ansiedade no leitor. Mas o final acaba estragando tudo. No final você pensa:Ainda bem que o livro era curto.



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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Resenha: "Mister" (E. L. James)



Tradução: Julia Sobral Campos, Cássia Zanon, Maria Carmelita Dias e Catharina Pinheiro

Sinopse: Maxim Trevelyan é inglês, bonito, rico, nunca precisou trabalhar e quase nunca dorme sozinho. Essa vida fácil muda quando uma tragédia acontece e Maxim herda um título de nobreza, as propriedades da família e toda a responsabilidade que vem com isso. É um papel para o qual ele não está preparado, e que agora deve se esforçar para desempenhar.
Mas o maior desafio de Maxim vai ser lutar contra a atração por uma jovem enigmática que conheceu recentemente e que guarda um segredo do passado. Discreta, Alessia é misteriosa e sedutora, e logo o desejo de Maxim por ela se transforma em algo que ele nunca experimentou e não ousa nomear. Mas, afinal, quem é Alessia Demachi? O que ela esconde? Maxim será capaz de protegê-la do mal que a ameaça? E o que ela fará quando souber que ele também tem seus segredos?
Do coração de Londres, passando pelo cenário rural da Cornualha até a sombria e ameaçadora beleza dos Bálcãs, Mister é uma história de amor e suspense que vai deixar os leitores de E L James apaixonados.

Por Jayne Cordeiro: Mister é o mais novo lançamento da autora conhecida pela trilogia 50 Tons de Cinza. Como uma leitora da trilogia, e fã, fiquei ansiosa para ler esse livro. E ainda mais por mostrar um membro da aristocracia inglesa na atualidade. Isso porque Maxim é o novo Conde, apenas porque seu irmão mais velho morreu tragicamente. Como era de se esperar, Maxim era a ovelha negra da familia, ssem nenhuma responsabilidade. Mas agora, além de lidar com a morte do irmão querido, precisa lidar com as responsabilidades que a herança traz.

No começo, não gostei muito do Maxim, porque ele começa extremamente galinha. Mas, como sempre, ele muda quando conhece e se envolve com a nossa mocinha Alessia. Uma estrangeira, que veio fugida para a Inglaterra, e que guarda um segredo. Pode ter quem não goste muito dela, porque Alessia é realmente uma donzela em perigo. Ela é extremamente tímida, fruto de uma criação bem antiquada, e quase não teve contato com o sexo oposto. Mas eu gostei dela, principalmente de como ela se desenvolve depois do romance começar.

As cenas dos dois juntos são muito boas, e o Maxim vira um amorzinho. A história tem essa coisa da plebeia se envolvendo com um lorde, e lidando com as diferenças entre os dois. Mas a autora nem foca tanto nisso. Há mais de mistério e ação, com o passado que persegue Alessia. Esta tem um talento especial para o piano, que me atraiu, por adorar musica classica. Imaginava que isso seria mais aproveitado na história, mas acabou não sendo.

Na verdade, o livro termina com um final, mas há algumas pontas soltas que poderiam ser aproveitadas em um segundo livro, e acabei a leitura com vontade de saber o que viria depois. O livro tem um enredo bom, apesar de sem grandes surpresas. É um romance doce, mas recheado de cenas hots, e sem a pegada Dom/Submissa de 50 Tons. A história conseguiu me prender até o final, e acabei muito rápido. Acho que vale a penar ler e tirar suas  próprias conclusões. Mas para mim, foi um bom retorno da autora.




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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Resenha: "Mapa dos Dias" - Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares 4 (Ransom Riggs)



 Tradução: Giu Alonso e Ulisses Teixeira


Sinopse: Mapa dos dias é a aguardada continuação de uma das séries de maior sucesso dos últimos anos. Para os leitores que estavam com saudades do universo mágico criado por Ransom Riggs, esta sequência vai além do prometido e descortina um cenário ainda mais rico, com novas criaturas, mistérios que envolvem todo o mundo peculiar e uma infinidade de aventuras a serem exploradas. Fascinante e imperdível para os amantes da série e para os novos fãs que certamente virão.
Jacob voltou para sua casa nos Estados Unidos após vencer os etéreos no Recanto do Demônio, mas ainda não sabe como conciliar a vida normal e tudo o que viveu. Agora que Emma, a srta. Peregrine e seus outros amigos vivem com ele no presente, em sua casa na Flórida, vamos acompanhá-los no processo de reconstrução do mundo peculiar.
Mas essa ideia cai para segundo plano quando eles descobrem um bunker subterrâneo na casa onde seu avô morou. A partir daí, surgem pistas de uma organização secreta que caçava etéreos e ajudava peculiares por todos os Estados Unidos, e isso os inspira a sair em uma missão tão perigosa quanto significativa por esse território desconhecido. Um mundo novo, sem regras nem ymbrynes; um país em que clãs vivem em conflito e em que cada fenda temporal esconde criaturas nunca antes vistas.
A série de Ransom Riggs é sucesso absoluto no Brasil e no mundo, tendo conquistado milhões de leitores graças a uma encantadora combinação de mistério, romance, aventura, viagem no tempo e à sombria seleção de fotografias antigas, da coleção pessoal do autor – desta vez, muitas delas coloridas.

Por Jayne Cordeiro: Anos após o lançamento do terceiro livro da série Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, os personagens estão de volta com Mapa do dias, quarto livro da série. Todos os nossos personagens queridos estão de volta, e um universo completamente novo se apresenta para eles e os leitores. Um mundo peculiar destruído e precisa se recuperar, onde a direção das Ymbrynes (que sempre foram as líderes do povo), começa a ser questionada, e desa vez é os EUA, o local explorado pela série.

A escolha de tirar a história da Europa para os EUA é uma boa ideia. A cultura é diferente, a relação entre os peculiares é mais tensa, cheia de clãs e relações conflituosas. Agora os protagonistas peculiares estão tendo que se adaptar ao mundo moderno, e a essas diferenças e falta de regras que ronda o povos da América. Tudo isso cria situações bem divertidas e também tensas, criando a maior parte do enredo do livro.

Mas tudo é uma introdução para um mistério maior que começa a dar as caras nesse livro. E já dá para perceber que será uma história bem mai complexa e madura que a anterior. Envolvendo até questões politicas e a discussão sobre a saída dos peculiares do armário. O autor trás aquela mesma escrita rápida e  divertida, com uma história que controla bem os momentos calmos com os bem movimentados. E gostei de como ele aprofunda o relacionamento entre Jacob e Emma, e como o fato de ela ter tido um relacionamento como avô dele influencia os dois. Algo que não teve tempo de ser explorado na trilogia anterior.

A série volta com tudo nesse livro, e ele não deixa a desejar para os fãs da série. Ressaltando que a série continua trazendo fotos reais para complementar a história, mas acho as fotos da trilogia original mais impactantes. Ainda sim é uma ótima leitura, que super recomendo. Lembrando que não dá para ler este livro, sem ter passado pela trilogia inicial.



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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Resenha: “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” (Mark Manson)

Tradução: Joana Faro

Por Kleris: Sabe aquelas conversas de bar que parece não dizer muita coisa, mas, entre um gole e outro, o lance faz muito sentido? O interlocutor nem é lá uma figura muito confiável, mas de repente tem um bom papo? Este é Mark Manson, que é ousado caso em contar sua “revolucionária” percepção sobre a vida e autodesenvolvimento, mas, lá e cá, força a barra nessa desconstrução. 
Os conselhos de vida mais comuns na verdade se concentram no que não temos. Eles miram direto no que já vemos como falhas e fracassos pessoais, só para torná-los ainda piores aos nossos olhos.

Mark nos fala sobre saúde mental, padrão, comportamento, quebra de impressões e algumas internalizações; fala sobre ir na raiz da questão quando se trata de ver quem somos e o que estamos fazendo no mundo. Ao começo, parece o Cortella em “Por que fazemos o que fazemos?” (reveja resenha aqui), investigando e desmitificando historietas que são exaltadas pelo senso comum. 
Tudo o que vale a pena na vida só é obtido ao superar o sentimento negativo associado a ele. 
Nossa dor e tristeza não são uma falha da evolução humana. Pelo contrário: são um recurso essencial dela.

Até a metade do livro você tá lá dizendo “cara, é isso mesmo”, embasbacada por todo o discurso estar fazendo muito sentido, mesmo de quem vem e como vem. Daí, da metade pro final, o autor se perde e se arrasta; senti falta de uma conclusão, algo que sustentasse mais sua proposta quanto a ligar o foda-se. Até porque a gente sai desse livro meio nauseada, tentando entender esse embrulho de informações, que ora faz muito sentido, ora tá muito “QUÊ?” – principalmente no capítulo que relaciona memória e vítimas de abuso, que é de um p* no c* tremendo.

A grande questão do livro é sua abordagem. A “arte de ligar o foda-se” é sim uma arte libertadora que nos leva a uma visão mais honesta da vida, porém, o modo com que Mark guia essa conversa é um tanto problemático. Ele vai jogando e jogando ideias, e em dado momento parece que estamos no meio de um tiroteio sem saber como fomos parar lá. Parece que ele tá gritando o tempo todo e precisa se reafirmar que não é um canalha sendo um canalha.

Acho que o que mais me incomodou foi a falta de empatia em suas narrativas. “Foda-se, é como me sinto” pode ser uma explicação, mas não quer dizer que eu deva aceitar esse argumento por completo. Não é uma abordagem que funciona comigo. E isso me fez pensar com quem funcionaria. 
A autoconsciência é uma cebola: cheia de camadas, e quanto mais você descasca, mais provável é que comece a chorar em momentos inadequados.

O que Mark traz em seu livro eu já estava familiarizada a partir dos livros da Brené Brown – sou, aliás, fã e adepta (reveja resenhas aqui) – e você já deve ter visto em alguns canais populares como da Jout Jout. Mas nem todo mundo consegue acompanhar ou estar aberto ao papo da vulnerabilidade (o que é compreensível), porque vai contra 90% do que a sociedade nos repassa. 
Grande parte do mercado autoajuda se sustenta em vender euforia em vez de ensinar as pessoas a resolver problemas legítimos. Muitos gurus ensinam novas formas de negação e enchem o público de exercícios que causam bem-estar a curto prazo, mas ignoram a raiz do problema. 
Eu não era apaixonado pela luta, e sim pela vitória. E a vida não funciona assim. Você é definido pelas batalhas que está disposto a lutar.

A sensação que dá é que Mark pega o grosso dos livros da Brené e joga na nossa cara dizendo “Não entendeu, porra? É isso, ISSO e isso”. Não sei dizer se ele realmente bebeu dessa fonte, mas a impressão é que essa sutil arte é “vulnerabilidade para inquietos”. Ou melhor, Brené para inquietos. 
Sabe quem baseia a vida nas emoções? Crianças de três anos. Cachorros. Sabem o que mais crianças de três anos e cachorros fazem? Cagam no tapete. 
O sofrimento é um fio inextricável que compõe o tecido da vida, e arrancá-lo não só é impossível como também é destrutivo: tentar desmantela todo o resto.

Outra coisa interessante é que o livro termina por tocar na questão de masculinidade e as vulnerabilidades quase inacessíveis dos homens, tópico esse que é um dos tabus mais abafados do mundo. Neste cenário, a sutil arte de Mark é uma bela introdução, pois populariza conceitos sobre relacionamentos saudáveis, nem que seja na base da pistolagem. É como funciona para alguns homens, afinal. E principalmente para homens que só validam a opinião de outros homens. 
Ligar o foda-se é encarar os desafios mais assustadores e mais difíceis da vida e agir. 
Se você deseja mudar a forma de ver os problemas, precisa mudar seus valores e/ou sua forma de medir sucessos e fracassos.

Se você também ficou um pouco perdida nesse tiroteio de Mark, sugiro que busque pelos livros da Brené para compreender melhor do assunto. Aí sim posso dizer: vai iluminar de um tudo na tua vida – e sem precisar de gritaria, só de abraços. 
Não espere por uma vida sem problemas – continuou o Panda. – Isso não existe. Em vez disso, torça por uma vida cheia de problemas pequenos. 
A tecnologia resolveu antigos problemas econômicos, mas nos trouxe novos problemas psicológicos. A internet não apenas disponibilizou informação para todos – ela fez o mesmo com a insegurança, a incerteza e a vergonha.



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terça-feira, 27 de março de 2018

#Infinistante: Clube do Livro (Março 2018)

Olá, Pessoas!!!

Mais um mês e mais uma leitura do Clube do Livro #Infinistante. E para Março a proposta da Loma foram dois livros. Vamos deixar que ela justifique sua escolha:

Tem um motivo pra gente colocar dois livros esses mês. Como a gente explicou lá na FAQ, a gente está empenhada em buscar saber se os livros se adaptam ao nosso público, e acontece que Me Chame Pelo Seu Nome tem um conteúdo um pouco mais adulto, e a nossa recomendação é que ele seja lido por pessoas maiores do que 18 anos.
 Mas, ué, tem uma galera super legal no nosso clube que é menor de 18. E aí? Muito bem, a gente teve a ideia de colocar Simon vs. A Agenda Homo Sapiens na jogada pensando nesse pessoal. Assim, quem não se sente confortável em ler um conteúdo adulto pode focar nesse outro livro, que é um young adult mais levinho. E quem quiser pode ler os dois. Ou ler um só. Ou ler um agora e deixar o outro mais para frente. A escolha fica a seu critério, tá? Mas a gente precisava pensar nessa questão da idade e da temática de Me Chame Pelo Seu Nome que tem algumas cenas mais ~ ousadas ~.
 O mais legal é que os dois livros são de uma temática LGBTQ+. No primeiro, o personagem principal é bissexual e, no segundo, ele é gay. E, olha que incrível, as duas histórias foram adaptadas pro cinema este ano. Me Chame Pelo Seu Nome estreou em janeiro por aqui, e Simon entra em cartaz no dia 22 de março. Dá para ler os dois livros e fazer uma maratona dos filmes depois! Não é incrível?

O livro escolhido para estar aqui no Dear Book foi o:

Tradução: Alessandra Esteche

Por Eliel: Um Verão em uma cidade italiana e em algum momento dos anos 80 são o cenário desse romance arrebatador. A Itália por si só já tem um ar de romance no ar, seja por causa do calor dos verões ou do clima místico proveniente dos mitos romanos, e é aqui em uma cidade identificada apenas por B. que Elio descobrirá mais sobre si mesmo.

Os pais de Elio, de apenas 17 anos, têm o costume de receber em sua propriedade jovens escritores do mundo todo para uma imersão de estudos durante algumas semanas. Devido essa prática ele se vê obrigado a ceder seu quarto por longas 6 semanas a um estranho. Seria mais um verão comum, exceto pela chegada de Oliver, um escritor americano de 24 anos.

A história é narrada do ponto de vista de Elio que tem um conhecimento muito amplo do lugar em que vive. A riqueza de detalhes empregada na narrativa tem o delicioso efeito de nos inserir totalmente naquele tão bem conhecido pela personagem. Chego a duvidar até que ponto são fictícias as situações e pessoas descritas nesse romance.

Elio é praticamente um gênio, isso devido ao ambiente intelectualmente privilegiado. Seus pais são professores universitários e tem contato com pessoas de grande influência acadêmica. Tão jovem ele já tem um amplo conhecimento em na área da música e literatura. Oliver provoca novos sentimentos em Elio e diante dessa confusão que se instala na mente do jovem é que veremos através dos seus olhos como se desenvolve essa relação.

Com passagens bem ousadas e intensas, o autor conta de forma mais pura e verdadeira essa história de descobertas, amor, relações de desejo e responsabilidades. O que me chamou a atenção é que somente após 11 anos após a sua publicação é que chegou uma tradução e junto uma adaptação cinematográfica (não vou comentar porque não assisti). Um livro de uma poética mesclada com as emoções mais primitivas e instintivas do ser humano deveria ter alcançado o sucesso um pouco mais cedo.

Recomendo fortemente a leitura desse romance sobre a descoberta da bissexualidade de um jovem. Coloque-se no lugar e tente entender o que se passa durante a solução desse quebra-cabeças que deve se formar na vida dessas pessoas que por falta de exemplos ou informações claras não se sentem parte de nenhum grupo, pensem sobre como deve ter sido em uma década em que não havia a gama de informações que temos hoje em dia.


Se você está curtindo esse clube do livro, que tal se juntar e ler mais em 2018? Só clicar aqui para se inscrever.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha: “O Navio das Noivas” (Jojo Moyes)

Tradução de: Flávia Rössler

*Por Mary*: Olha eu!

Como muitos de vocês devem saber, sou uma grande fã de Jojo Moyes. Além de uma escritora impressionante, com uma coleção bastante multifacetada, ela tem o impressionante talento de tocar seu leitor sem necessariamente fazê-lo chorar. Seu objetivo nunca parece ser abordar o sofrimento, mas o que existe por trás dele. 
Perdi a inocência, meus amigos perderam a vida, por isso sofro por não ter mais o que sequer tive certeza de que um dia já quis. Pelo menos até ser tarde demais.

O Navio das Noivas reúne tudo o que a gente gosta: romance, aventura, História, ambientações magníficas e a qualidade inconfundível de uma das autoras mais brilhantes da atualidade.

Com direito a susto no final, Jojo Moyes nos leva a navegar a bordo do porta-aviões HMS Victorious, que, em sua última missão pós-guerra, tem a tarefa de transportar mais de 600 esposas australianas rumo à Inglaterra, onde um futuro incerto as aguarda ao lado dos maridos oficiais e suas famílias britânicas.

Inspirado nos repatriamentos realizados pela Marinha Real Britânica em meados de 1946, a autora foca sua narrativa em quatro passageiras: Margaret, uma mulher forte, acostumada à vida rural, cheia de inseguranças acerca de sua capacidade em ser uma boa mãe e esposa; Avice, menina fútil da alta sociedade australiana, filha de um importante comerciante e acostumada a ter todos seus caprichos atendidos; Jean, uma moça muito jovem, inconsequente e imatura; e, por fim, Frances, uma enfermeira discreta e pragmática, que claramente guarda um segredo.

A reunião improvável de mulheres tão diferentes para dividir a cabine durante uma travessia de seis semanas acaba por reviver demônios internos, trazendo à tona segredos e confidências.
- Será que enlouquecemos, Frances? – perguntou ela, por fim.
- O quê?
- Que diabo de decisão foi essa que tomamos?
- Não tenho certeza do que...
- Abandonamos tudo, todas as pessoas que amamos, nossa casa, nossa segurança. E para quê? Para sermos agredidas e depois rotuladas de vagabundas, como Jean? Para que a Marinha interrogue sobre nosso passado, como se fôssemos criminosas? Para passar por tudo isso e no fim alguém dizer que não somos bem-vindas? Porque não há garantia, certo? Nada prova que esses homens e suas famílias vão nos aceitar, não é mesmo?
Com uma narrativa descontínua, em terceira pessoa, Jojo nos apresenta a outros intrigantes personagens, como, por exemplo, o solitário e workaholic comandante Highfield, apaixonado pelo mar, atormentado pelos erros do passado e perdido diante da aposentadoria iminente.

Além do comandante, conhecemos, dentre outros, o fechado fuzileiro naval Nicol e o misterioso fornalheiro Dennis Tims.

Uns, muito apaixonantes; outros, nem tanto. Não obstante, sem sombra de dúvidas, todos muito interessantes. 
Ele se convencera de que era incapaz de ter sentimentos. Tinha ficado tão abalado com os horrores da guerra, com a perda de tantas pessoas à sua volta que, como tantos homens, se fechara. Agora, forçado a examinar com sinceridade seu comportamento, achava que talvez nunca tivesse amado a esposa, que talvez tivesse se deixado levar pela expectativa, pela ideia de que devia se casar (...). Não havia espaço para desejar outras coisas, para alternativas. Você foi em frente com o que tinha. Talvez, ele pensava durante os piores momentos, relutasse em admitir que a guerra o libertara de tudo aquilo.
Acho que em alguma de minhas resenhas anteriores sobre a Jojo Moyes, devo ter mencionado o quanto acho impressionante sua habilidade de criar enredos muito distintos entre si, com personagens que em nada se igualam aos demais. E, neste livro, não foi diferente.

Apesar de sentir certa semelhança com A garota que você deixou para trás, se formos analisar mais a fundo, não tem muita coisa parecida, não. O Navio das Noivas se passa, quase que inteiramente, em 1946, no turbilhão de incertezas deixado pela Segunda Guerra Mundial.

Além de abordar as incertezas, inseguranças e temores dos passageiros a bordo do HMS Victorious, pode-se identificar facilmente o realce ao empoderamento feminino, partindo da constante desconstrução do discurso sexista e do tratamento separatista até então muito em voga – mas que começava a perder força gradativamente. 
Nunca nos contam que não ficamos só com o vazio da perda, mas também com uma infinidade de perguntas que jamais serão respondidas.
Quando a gente costuma ler determinado autor, passamos a identificar certas características nele. Sendo assim, apesar de a Jojo ter um estilo muito diversificado, sua estilística é muito pessoal e, assim como os demais, carrega algumas marcas. Uma destas que eu ressaltaria aqui é o início lento das suas tramas. Normalmente, demoro um pouco a engrenar nas leituras dos livros desta escritora, o que não significa dizer que sua escrita é difícil. Porque não é. Se trata muito mais de um clima mais lento, entende? Como quando a gente sobe em uma esteira, começa andando devagarzinho, vai, vai, vai mais um pouco, e, quando menos esperamos, estamos a correr esbaforidos em cima dela. No fim, como já estamos aquecidos, a caminhada flui mais facilmente e, por fim, a esteira para, nos dando aquela sensação de dever cumprido.

O Navio das Noivas é um livro fascinante, que merece ser saboreado devidamente, como fazemos com todo bom livro – e aí não importa se é em dois dias ou em duas semanas, porque cada um tem o seu tempo. Se você quer aventura com uma boa pitada de romance, recheado de qualidade e excelentes informações históricas, além de visuais exuberantes, você não pode deixar este livro passar.
Foi nesse momento, ao observar seu rosto pálido e sério, e ouvir na sua resposta a determinação de nunca deixar de lado o sofrimento dos outros, que ele percebeu que o que sentia por ela não era nada apropriado.
- Eu... eu... não...
O choque dessa percepção o deixou sem voz, e depois ele apenas balançou a cabeça em silêncio. Embora não tivesse relação com o assunto, de repente se lembrou da sua última folga em terra, quando se sentiu exposto e envergonhado.

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domingo, 29 de janeiro de 2017

Retrospectiva Dear Book 2016 – Editoras Pandorga e Intrínseca

Se você está procurando por um livro e não sabe bem qual adequar ao momento – ou mesmo está em dúvida sobre levar ou não um livro a mais no carrinho de compras numa promo, vamos destacar neste post livros e trechos de resenhas da nossa equipe, de 2016. Esperamos que isso ajude nossos caros leitores na hora da compra ;) Acompanhem as retrospectivas!

Obs: nem todos os livros são lançamentos de 2016.


~~~~~~~~ EDITORA PANDORGA~~~~~~~~
(nossa parceira <3)
Selos: Pandorga Kids, Pandorga Chronos, Pandorga Nacional, Pandorga Vital


Problemas à vista
Rachel Gibson

Resenha completa aqui

Rachel Gibson domina como ninguém a arte de criar personagens aparentemente rasos, mas que demonstram no decorrer da trama um quê de verossimilhança, os tornando únicos. São pessoas que se escondem por baixo da carapaça de futilidade e encontram nessa sobreposição de camadas uma forma de se protegerem do mundo. Estas pessoas podem, facilmente, ser nós mesmos, pessoas normais sob uma armadura brilhante que irá nos defender da rejeição ou nos proteger das demais decepções diárias. [...] se você quer amor, diversão, humor, erotismo... Este é o livro certo para você!


Minha vida de livro
Janet Tashjian
Resenha completa aqui

Cá com Tashjian temos ainda boas doses de amizade, conspiração juvenil, aprendizados e, vá lá, os velhos costumes da família americana (nunca vou entender como um almoço pode ser um sanduíche de manteiga de avelã...). [...] Se você é desses que adora lembrar como é ser criança, tem essa curiosidade ingênua, curte desenhar ou ler livros com muitas ilustrações... Só acho que vale muito a leitura de Minha Vida de Livro. Leia e depois experimente repassar para os filhos, sobrinhos, irmãos menores, pois imagino que deva ser uma sensação mais gostosa ainda, visto que ele é na medida certa, nem muito, nem pouco e que vocês podem conversar sobre de boa.



Madonna Capadócia
William Fernandez
Resenha completa aqui

Ele passeia entra fatos históricos alternados com fantasia, utilizando a maldição da Madonna Capadócia como artifício fantasioso da história, e que funciona muito bem. Ao meu entender a maldição de Madonna Capadócia é nada mais que os piores fantasmas que assombram os homens que estiveram em campos de batalha na guerra, algo como um pós-trauma que foi personificado na história através da maldição.
A história é muito bem construída e tem diálogos fascinantes e extremamente filosóficos acerca da sociedade, da guerra e dos valores da época.
Minha única decepção com o livro foi a má revisão que pode ser um tanto traumatizante pra alguns leitores. [...] Triste que o autor fez um ótimo trabalho que, na minha opinião, acabou perdendo um pouco de seu valor pela má revisão do livro.


~~~~~~~~ EDITORA INTRÍNSECA ~~~~~~~~



Esposa 22
Melanie Gideon
Resenha completa aqui

Gostei bastante como a autora partiu de um momento tão crucial da história e trouxe mais quinhentos nesses entrelaces de cotidiano real e cotidiano virtual. Essa ideia de como ambas as esferas podem coexistir, e às vezes prejudicar nossa convivência e comunicação, é uma boa jogada nesse romance. Com uma escrita bem leve, clean e simples, a autora mostra que nem sempre é preciso absurdos ou tramas extraordinárias para apresentar uma boa história interessante e engraçada. Bateu até feelings de Martha Medeiros. [...] Entre mistérios, loucuras e costumes, Esposa 22 mostra ser uma verdadeira pegadinha para os leitores. Mais que mera comédia e mais que mera história de família, há ganchos e há grandes reviravoltas à espreita para surpreender. Quando você acha que vai ser clichê, a Melanie vai lá e te arrasa, simples assim.


Silo
Hugh Howey
Resenha completa aqui

Silo é uma distopia que começa nos deixando cheio de dúvidas, e que compensa seu andar um tnto quanto arrastado até lá pelas páginas 120/150 com o ritmo acelerado em que as coisas acontecem a partir de então.
A história é contado a partir do olhar sobre três núcleos de personagens diferentes, o que nos faz ir descobrindo aos pouquinhos, junto com eles, as mentiras encobertas com sangue e as verdades que não parecem melhorar o quadro geral da situação.
Até o último instante, não sabemos bem o que pensar com o que vamos descobrindo, o que sentir, como reagir à narrativa de Howey, que vai acrescentando uma tensão crescente até culminar no final arrebatador do livro, que encerra um ciclo mas não resolve boa parte da trama maior que o autor conseguiu criar.


Ordem
Hugh Howey
Resenha completa aqui

O livro vai alternando passado e presente, de uma forma que, em determinada parte, as duas viram uma só e as coisas começam a fazer sentido, até esbarrar na história que acompanhamos em Silo. Na verdade, vemos o que acontecia do outro lado, a forma como o Silo 1 lidou com a situação provocada por Juliette.
A narrativa de Hugh é forte, cheia de reviravoltas e, confesso, faz despertar também nosso lado paranoico de ver as situações. Como as coisas devem estar se dando nos bastidores, agora, enquanto estamos confortáveis sentados em nossas casas? Realmente sabemos que são as pessoas importantes por detrás das pessoas importantes, aquelas que tomam todas as decisões? E será que elas sabem o que estão fazendo?
Um final que só me deixa uma alternativa: correr para a livraria e comprar o último capítulo dessa história, “Legado”.


Pax
Sarah Pennypacker
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Disfarçado de fábula infantil, esse livro é uma reflexão sobre as consequências da guerra, seus prejuízos e suas dores. Leia essa aventura como uma jornada de autoconhecimento. [...] Preciso falar das ilustrações de Jon Klassen, são uma poesia visual. A edição da Intrínseca por si só é uma obra de arte. Vale muito a pena apreciar essa fábula moderna. 


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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Resenha: "Pax" - Sarah Pennypacker

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas.
Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais, Pax expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem. Um romance atemporal e para todas as idades, que aborda relações familiares, a relação do homem com o ambiente e os perigos que carregamos dentro de nós mesmos.
Pax emociona o leitor desde a primeira página. Um mundo repleto de sentimentos em que natureza e humanidade se encontram numa história que celebra a lealdade e o amor.
Fonte: Skoob

Por Eliel: Uma emocionante narrativa sobre a amizade de Peter e Pax, um garoto e sua raposa. Uma história de confiança, lealdade e principalmente superação de limites. Prepare seu coração, pois ele será arrebatado por Pax.

Após uma dura separação, o pai de Peter o deixa para morar com o avô. Porém, não há espaço para uma raposa adulta e Peter é obrigado à deixar Pax na beira da floresta contra sua vontade. Não demora muito para Peter perceber o tamanho do erro que cometeu ao abandonar seu melhor amigo.

Separações nunca são fáceis, por isso Peter começa uma jornada para reencontrar Pax. No começo da estrada Pax também começa uma jornada para voltar aos braços de Peter. Ambas jornadas serão muito mais significativas do que se pode imaginar. Os capítulos são divididos entre o ponto de vista de Peter e de Pax, é como entrar na mente de cada um.

Disfarçado de fábula infantil esse livro é uma reflexão sobre as consequências da guerra, seus prejuízos e suas dores. Leia essa aventura como uma jornada de autoconhecimento. Depois quero saber com que vocês se identificam mais.

As pessoas deveriam falar a verdade sobre as consequências da guerra.

Preciso falar das ilustrações de Jon Klassen, são uma poesia visual. A edição da Intrínseca por si só é uma obra de arte. Vale muito a pena apreciar essa fábula moderna de Sarah Pennypacker.

P.s.: o final é surpreendente, acreditem.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Resenha: "Ordem" (Hugh Howey)

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje a resenha da continuação de Silo - resenhada aqui - trilogia de Hugh Howey que desbancou Game Of Thrones da série de livros mais vendida na Amazon.

Criada como uma distopia sci-fi independente, a trilogia já conquistou uma série de fãs pelo mundo afora - inclusive euzinha aqui! Bom essa é a parte em que aviso que, se você não leu o livro anterior, alguns spoilers são inevitáveis ok?

Então vamos lá. Ao final de Silo, temos algo as vezes incomum em livros que possuem continuação: a resolução de um conflito. Não que não tenham sido deixadas várias pontas soltas.

Afinal, por mais que "o bem tenha vencido o mal" ao fim de Silo - com Juliette voltando ao silo 18, Bernard sendo enviado para limpeza e o fim do recente e, esperamos, último levante - muitas coisas ainda precisam de explicação.

Como a humanidade acabou? Quem realmente esta no comando? O que houve com Solo e as crianças que Juliette encontrou no Silo 17? Como ficará a organização do Silo 18 agora que eles sabem parte da verdade?

E aí somo apresentados ao mundo de Ordem. E descobrimos que Ordem é o início de tudo. Neste livro, as ações começam a ser datadas, sendo que seremos levados adiante e para trás, desvendando as verdades - e suas consequencias - aos pouquinhos, junto com os personagens.

Nas primeiras páginas somos levados ao ano 2110, quando Troy esta sendo descongelado no Silo 1 para cumprir seu primeiro turno. Descobrimos que pessoas como Troy são descongeladas para que trabalhem por seis meses, e então congeladas de novo. Para afastar "memórias ruins" Troy e seus companheiros tomam pílulas azuis amargas que os fazem passar por esses meses num estado de torpor. Apesar de que algumas memórias eram difíceis de serem apagadas.

Troy começou a chorar cobrindo o rosto com as mãos, enquanto outra, solidária, pousava em sua cabeça. Os dois homens de branco permitiram que ele tivesse aquele momento. Não apressaram o processo. Era uma cortesia passada de uma alma despertada para a seguinte, algo que todos os homens adormecidos em seus caixões um dia acordariam para descobrir.
E, por fim... esquecer.

Logo em seguida, no ano de 2049, somos levados a Washington D.C. e apresentados ao deputado Donald Keene, parte essencial nos planos que começavam a se formar a respeito de uma guerra  da qual ninguém nunca ousaria pensar. Mas essa era a questão. Havia mesmo uma guerra a ser travada? Ou nada mais eram do que temores fruto de mentes paranoicas e obsessivas?

O livo vai alternando passado e presente, de uma forma que, em determinada parte, as duas viram uma só e as coisas começam a fazer sentido, até esbarrar na história que acompanhamos em Silo. Na verdade, vemos o que acontecia do outro lado, a forma como o Silo 1 lidou com a situação provocada por Juliette.

A narrativa de Hugh é forte, cheia de reviravoltas e, confesso, faz despertar também nosso lado paranoico de ver as situações. Como as coisas devem estar se dando nos bastidores, agora, enquanto estamos confortáveis sentados em nossas casas? Realmente sabemos que são as pessoas importantes por detrás das pessoas importantes, aquelas que tomam todas as decisões? E será que elas sabem o que estão fazendo?

Um final que só me deixa uma alternativa: correr para a livraria e comprar o último capítulo dessa história, "Legado", que já esta em pré-venda, para poder vir contar para vocês como tudo isso termina - uma parte pelo menos. Abraços e até a próxima.

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Ana Liberato