quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Resenha: “Por que fazemos o que fazemos?” (Mario Sergio Cortella)

Por Kleris: Só li verdades – e verdades necessárias para se pensar um momentinho.

Pelo menos umas vezes na vida a gente já parou um minuto e se perguntou “por que fazemos o que fazemos”, mas bem pouco de nós tem uma boa compreensão da realidade para poder responder. Em Por que fazemos o que fazemos?, Cortella traz esse entendimento de mundo e discute ponto a ponto o que nos aflige nessa geração de turnovers de impressões, ideais, valores e lógicas de mundo. Ou seja, o mundo virou e a gente vive outra realidade. Queremos mais do que nossos pais e avós aceitaram para si. 
E o que há de positivo na nova geração? Ela não quer um trabalho automático e robótico. Ela quer compreender a razão de estar fazendo o que faz.

Cortella chega chegando. Além de ser uma pauta atual e reveladora, Mario Sergio vai direto ao ponto na conversa, nada de embromações. Embora resgate um ou outro pensador, filósofo e figura histórica, você sente que suas pontuações são bem embasadas. Ele está ali para nos fazer entender o que está acontecendo e isso ele certamente faz. 
Hoje este é um valor organizacional: uma pessoa consciente das razões pelas quais faz aquilo que faz é muito mais eficaz.
Nessa concepção, uma empresa inteligente tem funcionários que também pensam a razão daquilo que estão fazendo, inclusive porque isso permitirá que se produza inovação, isto é, que se pensem outros modos de se fazer aquilo que se faz e ganhar produtividade, competitividade, lucratividade e perenidade em relação ao próprio negócio. 
Quando desejo reconhecimento, autoria, mesmo que tenha um nível grande de desgaste, ainda assim, me felicito por fazer o que faço. Assim como um atleta, um artista, um professor.

Muito do que fazemos se sustenta pelo propósito. Se não sabemos o impacto que vai gerar, fazer o que fazemos perde o sentido. Quer dizer, o que vale nosso desgaste? O que vou obter ou ajudar a obter se me predispuser a um trabalho? Essa realidade engoliu o mundo na revolução industrial, mas não nos engana mais. É do propósito que tudo surge, que tudo move. O reconhecimento, a necessidade, a existência. 
Muita gente se queixa da rotina do trabalho. Vale lembrar que rotina não é sinônimo de monotonia. O que faz com que haja um enfado em relação ao cotidiano profissional é a monotonia, não a rotina.
A rotina pode ser, inclusive, altamente libertadora. É ela que permite a organização de uma atividade e, portanto, a utilização inteligente do tempo. A rotina garante maior eficiência e segurança naquilo que se faz. [...]
O perigo é quando a rotina deixa de ser algo que me prepara melhor para aquilo que estou fazendo e passa a ser algo no qual eu não presto mais atenção. Isto é, quando a repetibilidade se torna automatismo. Há uma diferença entre a rotina, na qual faço uma atividade notando a sequência correta e a completo, e a monotonia, em que a faço sem perceber. Nessa hora, a motivação falece. Seja qual for a profissão.

Você também vem sentindo que perdeu o fio da meada das coisas que você faz?

Os capítulos que mais gostei – por me identificar na concepção – foram Rotina não é monotonia e A origem da motivação. Como vi em uma entrevista do Cortella, a filosofia existe pra nos fazer questionar as coisas e por isso mesmo, movimentá-las. E eu vinha procurando respostas... Parece que para tudo que eu vinha pensando ultimamente, Cortella me deu uma luz. A filosofia não nos entrega a resposta pronta, ela nos faz ter um melhor entendimento para o que decidir afinal. Quando disserta sobre motivação (e outros ponto mais), Mario Sergio abre os nossos olhos para enxergar o fio da meada novamente. O livro é quase um guia para retornarmos a nossos trilhos! 
A motivação tem um nível de subjetividade, e isso significa que ela parte do sujeito. [...] É necessário entender que, embora a palavra “motivação” signifique mover, movimentar, fazer com que haja o ponto de partida para algo, ela é um estado interior. [...] Quais são as minhas razões para fazer o que faço? A resposta revelará a fonte da minha motivação. 
Mas ela (nova geração), por outro lado, nem sempre se prepara para o esforço que tem desgaste, em que não há prazer contínuo.
É preciso que os gestores trabalhem nessa dupla dimensão. Não deixar de oferecer às novas gerações a condição de poder fruir o local de trabalho como parte do propósito de sua própria vida, mas, por outro lado, mostrar que é necessário fazer as coisas que não são prazerosas e fáceis. Para as coisas acontecerem, é preciso esforço.
Os gestores precisam lidar com esse desafio de modo a formar pessoas com compromisso, metas e prazos, mas sem perder o que têm de mais inovador. Isto é, não só a familiaridade com o digital, mas o senso de urgência, a mobilidade, a capacidade de inovação. Isso é uma força vital, altamente contributiva para o mundo das empresas.

Uma coisa que acredito é que é preciso que as diferentes gerações entendam essas vitais diferenças de ideais, pois, vez que isto estiver claro, ambas poderão caminhar juntas sem tantos conflitos e tropeços. Mas sei como é complicado explicar isso aos pais, tios e avós, afinal, somos a geração que argumenta, e eles, a geração que pouco se perguntou, só fez.

A edição é simples, congruente a esse aspecto de ser bem direto, e nos entrega uma leitura rápida, ideal para momentos de espera ou pausas, em que não se quer nada muito imersivo. É mega fluída e explicada, arrisco dizer até gostosinha de ler – porque alguns livros filosóficos nos dão essa impressão de colocar o peso do mundo sobre as letras e fica pesado de acompanhar. Mario Sergio escreve como quem palestra, como quem conversa diretamente, agarra sua atenção e as páginas passam ligeiro. Os capítulos são bem curtinhos e deixam uma sensação de “Já??? Quero mais”.

Com certeza vou procurar mais livros do autor!

Recomendadíííííííssimo!


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