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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Resenha: “Minha Vez de Brilhar” (Erin E. Moulton)



Tradução de Bianca Bold

Por Kleris: Que amorzinho de livro <3 Uma das leiturinhas mais amor deste ano!

Indie perdeu a irmã e melhor amiga Bibi para a adolescência e logo depois sua lagosta de estimação, Monty, em uma confusão na escola. Então ela fez um pedido às estrelas, de ser uma pessoa melhor para reaver esses pedacinhos de vida que ela vinha perdendo... Enquanto sai à caçada de Monty e tenta se reaproximar da irmã, Indie se vê em cenários maldosos do bullying e não deixa de perseguir seus sonhos. Acompanhada de Owen, garoto que conhece nos bastidores do teatro da peça de verão, a amizade vem a mostrar grandes lições sobre crescer, sobre respeitar o outro e sobre ser feliz à sua maneira.

Minha vez de brilhar nos coloca nas férias de verão com a peixólatra Indie, apaixonada por tudo que envolve os seres do mundo marinho. Essa sua paixão já fora algo que compartilhara com a irmã Bibi, mas que agora é motivo de chacota pela escola, encarada como a esquisitona que se deve ter distância. Mesmo perdendo a companhia de Bibi, então “crescida” demais para as brincadeiras juvenis de Indie, Indie não abandona o que ama para satisfazer o senso de ninguém. Mas quando perde Monty, sua lagosta de estimação, no mar após uma confusão, o coração da menina fica vulnerável. Ainda assim, a personalidade de Indie mostra que ingenuidade ou integridade não devem ser encaradas como fraquezas. Na verdade, pode ser o melhor que temos a oferecer em ambientes com pessoas tóxicas.

A amizade tem grande destaque do livro, que vem desde o ambiente familiar, o amor pelos animais, às descobertas das pessoas favoritas no mundo e o quanto podemos nos entregar a elas. É ao colocar a confiança em xeque que Erin nos leva para uma trama singela, mas extremamente relevante para o amadurecimento. Com certeza um livro que gostaria de ter lido em meus 10, 11, 12 anos, e ainda tão gostosinho em qualquer idade. 
Eu olho para ele, e ele olha para mim. Ele está com areia no cabelo, seus óculos estão meio de lado, e uma de suas mangas está encolhida, enquanto a outra está lugar onde deveria estar. Estamos numa tremedeira e uma bagunça só. Estamos cobertos de lama e areia e nos escondendo, encostados em um reboque, no meio da noite. Owen começa a rir primeiro, e depois eu entro na onda, porque a situação é simplesmente ridícula.

O toque juvenil, de grandes desejos pueris, espontâneos e sinceros, é o que com certeza faz o encanto acontecer. Com ares de Full House (a série), Erin tem uma escrita relaxada e fluída, que nos coloca exatamente no lugar da história e dos conflitos, e nos leva fácil para as aventuras, as fugas, as reflexões. 
Faço uma careta de peixe-lobo na janela, puxando a boca para baixo para formar uma grande linha de um lado para o outro do queixo. Esbugalho bem os olhos e puxo para baixo as sobrancelhas, na parte do meio, para baixo o máximo que eu consigo e acho que fica um ótimo sorriso de peixe-lobo. Bem ameaçador e nojento.
Indie. — Desvio a vista do meu reflexo e olho para minha irmã mais velha, Bibi, no assento à minha frente. — Pare com isso — diz ela pelo canto da boca. Bibi não gosta mais quando eu faço caretas de peixe, mas antes ela adorava. Agora ela está velha e experiente demais para esse tipo de coisa, e, sempre que faço, ela finge não me conhecer.Eu faço uma truta bocuda, porque é a careta que mais fazia Bibi rir, mas desta vez ela dá um grunhido e olha pela janela.
 
— Peixes, por favor, prometa-me perfeição. Perfeição.
— Você já é perfeita, Bi — disse eu.
Pensei no quanto ela sempre foi organizada e arrumada. Em como ela tinha tantos amigos e um sorriso perfeito. E como ela tinha uma voz que parecia sair direto do mar. Mas, enquanto eu a observava, ela apertava bem os olhos, e suas pálpebras tremiam com a força do pedido. Era um pedido sério de verdade. Como se ela nunca acreditasse, como se ela tivesse muito o que crescer. Olhei para as estrelas de novo e segurei meu pingente. 

Minha vez de brilhar é aquele livro que aperta, que aquece o coração, que cura ressacas. Já com saudades das caras de peixe de Indie, com certeza procurarei outros livros da autora. Recomendadíssssimo! 
O que importava era a diversão. É impossível não sorrir quando alguém faz uma careta de peixe para você. Bem, não é completamente impossível, mas é quase impossível. 
É aí que faço a coisa mais louca do mundo. Eu me levanto no meio do bosque e faço um barulho, meio risada, meio grito de guerra, direto para o céu da noite. Algo parecido com o que ouço nas músicas de Sloth o tempo todo.

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Vale a Pena Ler de Novo: "Magisterium - O Desafio de Ferro" (Holly Black e Cassandra Clare)

Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.
Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.

Tradução: Amanda Orlando

Por Sheila: Oiiiiiiiiii povoooooooo. Tudo ok com todo mundo? Essa já é a segunda vez que resenho livros com o selo #irado da editora Novo Conceito. Criado especificamente para atender à demanda da galera mais jovem, trás às terras tupiniquins títulos que geralmente envolvem muita aventura e adrenalina.

Assim, com Magisterium não podia ser diferente. Começamos a leitura em meio a uma guerra cruel e sangrenta entre os magos

Em meio a uma das incursões mais covarde e sangrenta da história da guerra entre eles travada, vamos conhecer o mago Alastair Hunt que, prevendo que algo esta errado quando o Inimigo não aparece para a batalha, vai em busca da mulher e filho, deixados em uma caverna justamente com o intuito de mantê-los seguros.

Deveria haver algum som de crianças chorando. Deveria haver o burburinho de conversas nervosas e o zumbido de uma magia tênue. Em vez disso, havia apenas o uivo do vento que soprava do cume desolado da montanha. As paredes da caverna estavam cobertas pelo gelo branco, com pústulas vermelhas e marrons onde o sangue respingara e derretera, formando poças. (...)
Um choro fez com que ele se erguesse em um pulo. Naquela caverna repleta de morte e silêncio, um choro.
Uma criança.
Após esse prólogo dramático e cheio de mistério, encontraremos Callum Hunt, "o menino que sobreviveu" (para quem se liga em referências) como um adolescente ressentido, problemático e amedrontado por um pai obsessivo e taciturno. Não por ser um pai ruim, bem pelo contrário; mas por sua ojeriza à magia e as habilidades que vê florescendo em seu único filho.

"Várias crianças acham que isso tem a ver com serem especiais", o pai de Call havia dito. A repulsa na voz dele era evidente. "Os  pais delas também acham a mesma coisa. Em especial nas famílias onde a habilidade mágica data de gerações. Em algumas famílias onde a magia foi praticamente extinta, ter uma criança mágica é uma esperança de que esse poder possa retornar. Porém, são crianças sem familiares com poderes mágicos as que mais merecem nossa compaixão. São elas as que pensam que tudo será como nos filmes.""Nada é como nos filmes."

É nesse estado de espírito, soturno, sombrio, e cheio de medo que Call vai com o pai realizar as provas que podem ou não qualificá-lo para entrar no Magisterium, a escola de Magos. Assim, não é surpresa quando Call e o pai arquitetam que Call se esforce ao máximo não para ser um dos escolhidos, mas para fugir deste destino, que para Call nada mais é que a morte certa.

Vocês já devem ter imaginado que as coisas deram muito errado e não saíram nada como o planejado. Call pode até ter tido a nota mais baixa de todos os selecionados, mas o Mestre Rufus, o Mestre mais velho e, logo, o que os jovens mais aspiram como mestre, escolhe três aprendizes: Tamara e Aaaron, que obtiveram as melhores notas no Desafio e ... Call.

Agitação, burburinhos, jovens inconformados por não terem sido selecionados, início das aulas e o descortinar de um novo mundo, isso é o que acontece então com Call, que acabará por descobrir que Alastair escondeu muitas coisas sobre sua origem. Talvez coisas demais.

Algumas coisas me soaram um pouco cansativas, como por exemplo a saga do jovem excluído mas que desde o início sabemos que será a grande estrela, amado e odiado por todos devido a seus talentos únicos;  caracterização excessiva de alguns personagens; a velha fórmula de três, presente em Harry Potter, Percy Jackson e por ai vai.

Por outro lado, o livro dá uma guinada repentina, mais ou menos depois da página 200 e alguma coisa, o que me fez acelerar a leitura até o desfecho e, confesso, ficar muito curiosa sobre o próximo livro, e os rumos que tomarão as vidas de Call, Tamara e Aaron.

Mas como eu tenho 29 anos e não me considero mais público jovem ha bastante tempo acredito que o livro cumpre bem com a proposta do selo, e com certeza vai entrar para a lista de favoritos para essa galerinha leitora e já fã de Instrumentos Mortais e outras sagas do gênero.

Abraços e até a próxima!

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

#RESULTADO da PROMO Ano Novo, Leituras Novas



2017 já está chegando ao fim e logo será Ano Novo e com ele chega a fatídica pergunta...

E o que você fez?

Sua meta de leitura foi completada com sucesso?

A minha só foi ganhando mais e mais livros que já entraram para a meta de 2018. E nós do Dear Book faremos o mesmo com a sua fila de leitura!! Sortearemos 5 Kits com livros e/ou mimos para te ajudar a ler ainda mais em 2018.

Confira os Kits e seus respectivos ganhadores:

Kit 1 - Mia Couto: Mulheres de Cinzas (Mia Couto) + Sombras da Água (Mia Couto) + 6 Marcadores Diversos



A VENCEDORA É..................... RAFAELA SOUZA.
ENVIAMOS UM E-MAIL SOLICITANDO UM ENDEREÇO DE ENTREGA.
Ela prometeu desencalhar alguns livros da estante em 2018, estes que estão chegando não os deixe encalhar. Boas Leituras


Kit 2 - Romance Nacional: A Viagem de James Amaro (Luiz Biajoni) + Capitães de Areia (Jorge Amado)+ 6 Marcadores Diversos





A VENCEDORA É..................... MAÍRA SOUZA.
ENVIAMOS UM E-MAIL SOLICITANDO UM ENDEREÇO DE ENTREGA.Ela prometeu ler o dobro de livros e em 2018 e conhecer um pouco mais da escrita de Stephen King, o DEAR BOOK vai te ajudar a com dois romances nacionais. Boas Leituras



 Kit 3 - Juvenil: Colin Fischer (Ashley Edward Miller & Zack Stentz) + Cidade Banida (Ricardo Ragazzo) + 4 Marcadores Diversos






A VENCEDORA É..................... MAYANE BONIOLO. ENVIAMOS UM E-MAIL SOLICITANDO UM ENDEREÇO DE ENTREGA.Ela prometeu eliminar a fila de leitura da sua estante e aí vão mais dois, nãos os deixe esperando. Boas Leituras






A VENCEDORA É..................... CRISTIANE DORNELAS.ENVIAMOS UM E-MAIL SOLICITANDO UM ENDEREÇO DE ENTREGA.Esperamos que essas obras entrem na fila de leitura o mais breve possível. Boas Leituras


Kit 5 - Marcadores Diversos (6)



A VENCEDORA É..................... LANA SILVA do Pétalas de Liberdade (tem sorteio lá).ENVIAMOS UM E-MAIL SOLICITANDO UM ENDEREÇO DE ENTREGA.Aqui vão alguns marcadores para acompanhar as suas muitas leituras em 2018. Boas Leituras


E como vai funcionar a #PROMO?

Os prêmios você já conheceu. Basta Seguir as regras de participação do formulário abaixo (Rafflecopter) e responder a pergunta:

Qual a SUA resolução literária para 2018?

COMO PARTICIPAR
- Siga as regras obrigatórias, de acordo com os formulários abaixo (Rafflecopter). Os itens que aparecem após o cumprimento dos obrigatórios são opcionais; cumpri-los aumentam suas chances de ganhar.
- Comente nesta postagem sobre o que você planeja para o seu 2018 literário, metas de leitura, quais livros deseja etc. Não é nenhum concurso de respostas, é só curiosidade. Deixe também seu e-mail para contato. Serão válidos apenas comentários que respondam nossa proposta.

Extra-extra-extra
Para te ajudar a buscar posts para as participações extras de comentários, seguem as categorias:


ATENÇÃO!
- É preciso ter endereço de entrega no Brasil.
- O período de participações vai de 10 de Outubro (HOJE, 12h *horário de Brasília) a 10 de JANEIRO de 2018 (12h *horário de Brasília). O resultado do sorteio será divulgado neste mesmo post em até uma semana após o término das participações.
- Ganhadores receberão um e-mail de contato. Caso não haja resposta em até 48h, faremos outro sorteio.
- Perfis fake serão automaticamente desclassificados, bem como aqueles que não cumprirem as regras obrigatórias dos formulários.
- O envio das premiações será por conta dos colaboradores, em até 60 dias. 



NOSSOS VENCEDORES!!


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Boa Sorte no Sorteio e Boas Leituras

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Resenha: “O Mundo pelos Olhos de Bob” (James Bowen)

Tradução de Falchetti Peixoto
Por Kleris: Lembro-me da primeira vez que vi o ~Bob. Desci as escadas rolantes do shopping e caminhei para a feirinha de livros que estava rolando (a famosa Feira de Livros do Shopping da Ilha). Era 2013 e a feira era bem acanhada, com espaço reduzido, mas aconchegante pelas boas promos de livros. 

Tenho a leve impressão de que fiquei de bobeira ao adentrar, vez que iria esperar as migas, para conferirmos juntas os livros da vez. Então vi ~Bob, aquela coisinha alaranjada empoleirado numa prateleira  e eu soube que tinha que levá-lo pra casa. Ainda rondei bastante por algum tempo e parece que ~ele estava me chamando. 

Não sei bem se comprei no mesmo dia ou logo no dia seguinte, porque, como eu disse, precisava “adotar” Um gato de rua chamado Bob. Já havia visto resenha aqui no blog sobre, mas ~vê-lo ali despertou todo um feeling.


Bob é aquela estrela que nos chama atenção, e é quando nos aproximamos para um carinho e um dedo de prosa, que descobrimos James. Em Um gato de rua chamado Bob, nos conectamos a essas duas criaturas que não tinham muita expectativa de vida, mas ao se encontrarem, fizeram mais que salvar um ao outro; juntos, eles construíram uma história de humildade, compaixão e esperança. Ao adotar James, Bob, por mais que chame atenção das pessoas, dá vez e voz ao seu dono, uma pessoa já esquecida e ignorada pela sociedade. Se seu histórico de vícios e homem sem-teto o apagara das ruas, Bob, em todo seu carinho, zelo e travessuras, deu cor de volta a James.

O primeiro livro conta justamente os percalços da vida, o encontro de almas das duas figuras e como o brilho de Bob os tornou famosos. Já em O mundo pelos olhos de Bob, continuação da saga de vida, James tenta cada vez mais se restabelecer, tornar-se limpo. Com o tempo, vender a revista The Big Issue não é o bastante e ainda há muita violência ao redor dele. A droga já não é uma tentação, mas um assombro daquele passado; James tenta aos poucos reconstituir o que essas drogas lhe tomaram. Bob ali é mais uma vez sua luz ao fim do túnel. James, por certo, gostaria de entender o que é o mundo pelos olhos de seu gato, sempre tão sensível aos perigos, mudanças e brincadeiras. A dinâmica deles é incrível. Melhor, sincronia. 
Quando comecei a sentar no balde, fiquei com medo de que simplesmente não me vissem ali. Entretanto eu devia ter imaginado: Bob cuidou disso.  Talvez fosse porque eu estivesse sentado com ele a maior parte do tempo, mas durante esse período ele se tornou um verdadeiro showman. No passado, geralmente era eu quem instigava as rotinas divertidas. Porém agora ele começava a tomar iniciativa. [...]
Algumas vezes eu ficava convencido de que ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Eu tinha certeza de que sacara que, quanto mais cedo ganhássemos uma quantidade satisfatória de dinheiro, mais cedo poderíamos chegar em casa e eu, descansar minha perna. Era assustadora a maneira como ele entendia.

As questões que mais pesam nesse livro são os valores e vínculos pessoais. James está mais próximo do pai, de Belle, das pessoas. Mas, ao mesmo tempo que ele volta a ser visto, nem todas as pessoas o aceitam. Alguns invejam, outros apenas querem escorraçar, ameaçar e denunciar por pura maldade. Muitas vezes James é chamado ou investigado por denúncias malcriadas. Todas as vezes que alguma autoridade averiguava, não encontrava nada de concreto para prendê-lo. Até Bob vira alvo, infelizmente. A ~fama tem seu preço. 
Então me tornei muito cauteloso com as pessoas. Era triste, porém eu ainda me sentia assim em bastante. Os acontecimentos das duas últimas semanas enfatizaram isso. Alguém tinha feito uma acusação fictícia contra mim. Por tudo que eu sabia, poderia ter sido alguém que eu via todos os dias da semana. Poderia ter sido alguém que eu considerava como “amigo”. 
Mais uma vez, comecei a me perguntar se a fama que Bob e eu estávamos ganhando era uma faca de dois gumes. Mas eu sabia o que tinha que fazer. [...] Estava trazendo à tona o pior das pessoas – e, mais preocupante, estava trazendo à tona o pior de mim.

James também descreve como e quando surgiu a ideia de escrever um livro sobre a história dos dois. Achei interessante como ele, apesar de toda vergonha e culpa pelo seu passado, começa a refletir mais sobre o que aconteceu de verdade, o que lhe dá alguma redenção. A partir de seu relato também se põe em questão como ajudar de verdade outras pessoas, o que está ou não funcionando. Por mais que seja difícil encarar esse darkside de sua história, é o que eles precisam para seguir em frente. 
Eu realmente não queria entrar no lado negro da minha vida. Mas, enquanto conversávamos, ele disse algo que me falou ao coração: podia ver que Bob e eu já fomos almas perdidas, que nos unimos quando estávamos no fundo do poço e havíamos ajudado a consertar a vida um do outro.  — Essa é a sua história, que você tem que contar – sugeriu-me.

O ghost foi bem sensível de capturar a essência da história, só algumas vezes que ele soou muito ghost, sabe? Muitas frases de efeito, como no outro livro. Pra mim, parecia forçar um pouco a barra, mas nada possa incomodar tanto. Afinal, James merece um olhar bem generoso para sua história.

Gostei bastante também de como o livro foi uma maneira de James se comunicar melhor. Principalmente nas relações pessoais, onde as mágoas costumam barrar nossa comunicação. Foi um meio pelo qual ele pôde atingir pessoas como nunca.

O mundo pelos olhos de Bob é, assim, um livro para encantar e emocionar; um presente. É uma leitura agridoce: as duras partes estão entremeadas à bondade, amizade e fidelidade de várias figuras. Torcemos, urramos, enternecemos. Para todos aqueles que dedicam sua vida a ajudar os necessitados e os animais abandonados. Recomendado não ler tudo numa sentada só, pois essa é daquelas histórias para ser sentida, daí lida pouco a pouco. Um toque de fofura são as pegadas de Bob no alto das páginas, seguindo o estilo do livro anterior. O volume 3 já é um pouco diferente – veja resenha aqui. 
Assim, enquanto olhava para Bob interagindo com Gillian, uma parte de mim desejava que minha vida pudesse ser tão simples e sincera como a dele. Ele a conhecera em circunstâncias estranhas, mas imediatamente sentiu que poderia confiar nela. Ele pressentia que ela era uma pessoa decente e então a abraçara como amiga. Eu sabia que não ia ser fácil, e eu precisava fazer isso. Eu precisava ter esse mesmo ato de fé. 
Eis a alegria e a frustração de ter um gato. “Os gatos são um tipo misterioso de camarada – há mais passando na mente deles do que podemos imaginar”, escreveu Sir. Walter Scott. Bob era mais misterioso que a maioria. Sob vários aspectos, era parte de sua magia o que fazia dele um companheiro extraordinário.

Recentemente a história foi adaptada em um filme <3 
Confira o trailer (legendado) abaixo:




Até a próxima!

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segunda-feira, 20 de março de 2017

Resenha: "Magisterium - O Desafio de Ferro" (Holly Black e Cassandra Clare)

Tradução: Amanda Orlando

Por Sheila: Oiiiiiiiiii povoooooooo. Tudo ok com todo mundo? Essa já é a segunda vez que resenho livros com o selo #irado da editora Novo Conceito. Criado especificamente para atender à demanda da galera mais jovem, trás às terras tupiniquins títulos que geralmente envolvem muita aventura e adrenalina.

Assim, com Magisterium não podia ser diferente. Começamos a leitura em meio a uma guerra cruel e sangrenta entre os magos

Em meio a uma das incursões mais covarde e sangrenta da história da guerra entre eles travada, vamos conhecer o mago Alastair Hunt que, prevendo que algo esta errado quando o Inimigo não aparece para a batalha, vai em busca da mulher e filho, deixados em uma caverna justamente com o intuito de mantê-los seguros.

Deveria haver algum som de crianças chorando. Deveria haver o burburinho de conversas nervosas e o zumbido de uma magia tênue. Em vez disso, havia apenas o uivo do vento que soprava do cume desolado da montanha. As paredes da caverna estavam cobertas pelo gelo branco, com pústulas vermelhas e marrons onde o sangue respingara e derretera, formando poças. (...)
Um choro fez com que ele se erguesse em um pulo. Naquela caverna repleta de morte e silêncio, um choro.
Uma criança.
Após esse prólogo dramático e cheio de mistério, encontraremos Callum Hunt, "o menino que sobreviveu" (para quem se liga em referências) como um adolescente ressentido, problemático e amedrontado por um pai obsessivo e taciturno. Não por ser um pai ruim, bem pelo contrário; mas por sua ojeriza à magia e as habilidades que vê florescendo em seu único filho.

"Várias crianças acham que isso tem a ver com serem especiais", o pai de Call havia dito. A repulsa na voz dele era evidente. "Os  pais delas também acham a mesma coisa. Em especial nas famílias onde a habilidade mágica data de gerações. Em algumas famílias onde a magia foi praticamente extinta, ter uma criança mágica é uma esperança de que esse poder possa retornar. Porém, são crianças sem familiares com poderes mágicos as que mais merecem nossa compaixão. São elas as que pensam que tudo será como nos filmes.""Nada é como nos filmes."

É nesse estado de espírito, soturno, sombrio, e cheio de medo que Call vai com o pai realizar as provas que podem ou não qualificá-lo para entrar no Magisterium, a escola de Magos. Assim, não é surpresa quando Call e o pai arquitetam que Call se esforce ao máximo não para ser um dos escolhidos, mas para fugir deste destino, que para Call nada mais é que a morte certa.

Vocês já devem ter imaginado que as coisas deram muito errado e não saíram nada como o planejado. Call pode até ter tido a nota mais baixa de todos os selecionados, mas o Mestre Rufus, o Mestre mais velho e, logo, o que os jovens mais aspiram como mestre, escolhe três aprendizes: Tamara e Aaaron, que obtiveram as melhores notas no Desafio e ... Call.

Agitação, burburinhos, jovens inconformados por não terem sido selecionados, início das aulas e o descortinar de um novo mundo, isso é o que acontece então com Call, que acabará por descobrir que Alastair escondeu muitas coisas sobre sua origem. Talvez coisas demais.

Algumas coisas me soaram um pouco cansativas, como por exemplo a saga do jovem excluído mas que desde o início sabemos que será a grande estrela, amado e odiado por todos devido a seus talentos únicos;  caracterização excessiva de alguns personagens; a velha fórmula de três, presente em Harry Potter, Percy Jackson e por ai vai.

Por outro lado, o livro dá uma guinada repentina, mais ou menos depois da página 200 e alguma coisa, o que me fez acelerar a leitura até o desfecho e, confesso, ficar muito curiosa sobre o próximo livro, e os rumos que tomarão as vidas de Call, Tamara e Aaron.

Mas como eu tenho 29 anos e não me considero mais público jovem ha bastante tempo acredito que o livro cumpre bem com a proposta do selo, e com certeza vai entrar para a lista de favoritos para essa galerinha leitora e já fã de Instrumentos Mortais e outras sagas do gênero.

Abraços e até a próxima!

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Retrospectiva Dear Book 2016 – Grupo Editorial Novo Conceito

Se você está procurando por um livro e não sabe bem qual adequar ao momento – ou mesmo está em dúvida sobre levar ou não um livro a mais no carrinho de compras numa promo, vamos destacar neste post livros e trechos de resenhas da nossa equipe, de 2016. Esperamos que isso ajude nossos caros leitores na hora da compra ;) Acompanhem as retrospectivas!

Obs: nem todos os livros são lançamentos de 2016.

EDITORA NOVO CONCEITO 


Selos: #Irado, Novas Páginas, Novas Ideias



Soldier – leal até o fim
Sam Angus
Resenha completa aqui

A história é cheia de sofrimento, mas o envolvimento de Stanley com os cachorros é tocante. Mais que isso o livro tem um clímax de prender o fôlego.
Para quem gosta de ler histórias que contam sobre o relacionamento entre humanos e animais, esse livro com certeza é uma boa pedida. Vale a pena ler, vale a pena sofrer, vale a pena chorar junto e ver como foi a guerra por um novo ângulo.


O livro das loucuras e das curas
Regina O’Melveny
Resenha completa aqui

A autora, a estreante Regina O’Melveny, conquista ao descrever como eram tratadas as mulheres que “ousavam” ter alguma autonomia na Europa conservadora. Vemos vilarejos queimando na fogueira mulheres consideradas feiticeiras, que praticavam medicina e eram empáticas umas com as outras em questões ainda hoje polêmicas, como o aborto e a falta de aceitação de médicos que se diziam liberais em aceitar o conhecimento das mulheres médicas.
O livro é meio cansativo e lento em seu desenvolvimento, é difícil pegar e ler por hooooras seguidas. Com exceção de alguns trechos, a história tem poucas reviravoltas que prendem a atenção. Mas acredito que a leitura seja interessante, Gabriella é uma personagem de personalidade excêntrica para época (médica por vocação, solteira e viajando sozinha pela Europa, até hoje tem gente que não aceita bem...).


Fragmentados
Neal Shusterman
Resenha completa aqui

Com claras discussões sobre temas atuais e polêmicos, em especial o aborto, porém com uma graciosidade de palavras que levam as ideias onde elas devem ficar, na mente e no coração do leitor crítico e pensante.
Neal Shusterman é um exímio construtor de personagens, ele os faz tão reais, tão vivos, que é até mesmo possível tê-los sentados ao seu lado relembrando memórias tão obscuras. Narrativa envolvente que te prende já na primeira página e promete não te soltar até que essa série chegue ao fim.


Apenas um ano (vol. 2)
Gayle Forman
Resenha completa aqui

Gayle Forman nos faz ser transportados para Paris e Amsterdã, do México à Índia. É uma história sobre ser independente, mas nunca abandonar que é mais importante da sua vida, sempre falar as verdades e viver a sua vida sem as pessoas impor coisas que só vai te atrapalhar. É um conto sobre viagens, saudade, encontro, desencontro e amor.
[...] Neste livro o leitor vai encontrar muito drama, romance, mistério, comédia e muita paixão. É uma ótima leitura, algumas partes eu achei cansativo, mas depois a história deslanchou que senti envolvida nela.



Vermelho como sangue
Salla Simukka
Resenha completa aqui

Resolvi dar o ar da dúvida pra autora e não vou chamar o final de preguiçoso até que toda a coleção seja publicada, pois provavelmente essas pontas soltas serão resolvidas nos próximos livros.
Eu indicaria esse livro para quem curte livros com personagens adolescentes ou pra quem está interessado em uma leitura rápida para se distrair.



Bob, um gato fora do normal (vol.3)
James Bowen
Resenha completa aqui

Nesta versão mais detalhada é certeza que você dará muitas risadas, ataque de fofura e algumas lágrimas aqui e ali, mas são de alegria. Com esta leitura você vê que o amor está nas coisas simples, num ato inesperado, sem receber nada em troca.
A leitura é tão gostosa que as páginas passam voando, além de ter fotos super fofas de James e Bob [...] Sim, este gato é fora do normal, um anjo de quatro lindas patinhas e de pelo laranja. Bob tomou conta do mundo e dos corações das pessoas.


Primeiro e único
Emily Giffin
Resenha completa aqui

[...] há pontos que valem ser levantados, principalmente por estarem tão à flor da pele nesta década que vivemos: relacionamentos abusivos (familiar e amoroso), violência doméstica e psicológica, sexismo no esporte e feminismo. Giffin me pareceu voltar ao Realismo (o movimento literário) ao tratar desses temas – ainda mais por ocorrerem com um toque de “normalidade que não devia ser normal” e com muita descrição de cena. Mais uma vez ela foi magistral, pois enquanto se embrenhava no cotidiano do futebol americano, lá estava ela desenterrando problemáticas tão escondidas e silenciadas pela sociedade. [...] o livro, como veem, é de gerar muitas discussões; é impossível se deter a só uma coisa nele. Se a autora fosse enxugar a história, ela por si só não se sustentaria. A trama pode até ser sobre o coração – como próprio sugere o título – mas Giffin vai bem além. É um bom livro, só não é talvez a melhor entrada para os trabalhos da autora. Se eu soubesse antes, levaria para uma viagem longa, diminuindo as pretensões sobre a leitura.


Eu fico loko – as desventuras de um adolescente nada convencional
Christian Figueiredo de Caldas
Resenha completa aqui

Neste livro você vai encontrar um pouco de tudo, coisas que aconteceram na vida de cada um, pelo menos em algum capítulo você vai se identificar e se lembrar da época. A fase da adolescência pode ser dura ou chata, mas é a melhor parte da vida, porque fazemos de tudo um pouco e assim temos histórias para contar no futuro e aprender com nossos erros. [...] Eu gostei bastante do livro, tem uma escrita esclarecedora, estilo bem adolescente, e com muitas risadas. As paginas com fotos do Christian com amigos e família, um livro interativo e que tem algumas paginas para o leitor, escrever o que achamos que seremos no futuro, o que queremos. E isso faz que cada um se sinta parte do livro e mais próximo de Christian.


Proteja-me
Juliette Fay
Resenha completa aqui

Apesar destas questões, o fato do livro ser muito bem escrito faz com que consigamos sentir o sofrimento de Janie, o que particularmente para mim fez com que a leitura ficasse muito pesada. No mais, prepare seu lencinho e, se tiver coragem, aventure-se neste drama repleto de sentimento e beleza.


A desconhecida
Peter Swanson
Resenha completa aqui

O livro se desenrola de maneira bem surpreendente e não tem como evitar a vontade de estrangular o protagonista. Sabe quando estamos vendo um filme de terror e o mocinho ouve um barulho na cozinha e ao invés de sair correndo e gritar por ajuda ele resolve IR NA COZINHA COM AS LUZES APAGADAS – POR QUE DEUS? – e a gente quer gritar CORRE SEU IMBECIL, SAI DAÍ?! Pois bem, eu passei o livro todo gritando mentalmente “George, não faz isso homi, toma tento criatura, aprende sua lição...”. Mas não adianta, a gente passa medo, raiva, desespero, e o George sai fazendo uma burrada atrás da outra. E no fim, temos um suspense dos bons.


Caçadores de Tesouros
James Patterson e Chris Grabenstein
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Considero a ficção de fantasia/aventura é um gênero difícil de ser bem desenvolvido por facilmente cair nas armadilhas clichês da saga do herói e muitas vezes desmerecer o intelecto do leitor jovem, como se este publico não tivesse a capacidade de compreender situações mais complexas. [...] E nesse quesito os autores conseguiram segurar a peteca em Caçadores de Tesouro. As crianças são perspicazes dentro dos limites de sua inocência e suas personalidades nos cativam, fazendo com que o leitor tenha vontade de, literalmente, embarcar no Perdido e seguir em alto mar com as crianças Kidd.
De capa dura e repleto de ilustrações lindas, do apelo visual à linguagem da escrita, o livro cumpre muito bem seu papel de atrativo para os jovens leitores e conquista muito bem alguns dos mais grandinhos também.


Lola e o garoto da casa ao lado
Stephanie Perkis
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O livro aborda muitos tabus, como o de ter pais gays, ser deixada pela mãe, sofrer bullying, sofrer com o machismo e por ser diferente a cada dia. Stephanie Perkins nos faz abrir os olhos, nos dizendo que podemos ser felizes, cada um com o seu jeito.
Além de eu estar apaixonada pela história, me apaixonei pela capa e a escrita jovem e clara, que nos faz sentir, passar por cada momento. Ter um pouco dessa história em nossas vidas, ter um amor verdadeiro e que faça de tudo para conquistar.


Todos os nossos ontens
Cristin Terill
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Preciso confessar que quando li o título pensei se tratar de um romance, e pensei que não tinha tinha nada a ver com uma distopia tradicional. Bom, tenho o prazer em dizer que estava engando. É distopia sim, é romance sim e acima de tudo é uma obra ao amor. [...] O subtema dessa distopia é a viagem não tempo. Me lembrou um pouco (bem pouco mesmo) o filme Efeito Borboleta. Se você pudesse mudar o passado, o que você mudaria? [...] O livro pede uma entrega, um envolvimento ímpar. 

A filha do louco
Megan Shepherd
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Amo releituras de clássicos, mas sei do risco que se corre ao tentar. Ao ler esse romance me veio muitas referências, podem não ser as mesmas (claro que não) usadas por Megan Shepherd. Entre as minhas referências estão: Penny Dreadful, Fullmetal Alchemist, Frankstein, O Médico e o Monstro. Como podem ver, são obras góticas, de terror e bem sombrios. A Filha do Louco tem tudo isso, porém a fonte de inspiração veio de A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells. Não se enganem, tem muitos elementos que lembram o clássico, mas esse romance é um novo olhar, uma nova história.
Uma narrativa muito bem construída e envolvente, além de muito empolgante e diria até viciante. Um novo conceito de um clássico. Leitura daquelas que perturbam o leitor e o levam além do lugar comum.


Esperando por Doggo
Mark B. Mills
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[...] fui surpreendida por uma história muito leve e gostosa de ser lida. [...] Doggo não é o personagem principal, mas torna a história de todos os outros mais divertida. É a aparição do cachorro que dá vida às melhores partes do livro. [...] Eu indico esse livro para quem está buscando algo divertido e com diálogos bem humorados. “Esperando por Doggo” é ótimo para relaxar e passar o tempo.



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Ana Liberato