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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Resenha: "Eu Fico Loko - As Desaventuras De Um Adolescente Nada Convencional" (Christian Figueiredo de Caldas)

Por Clarissa: Oi pessoa, l tudo bem? Hoje venho com o livro “Eu fico loko – As desaventuras de um adolescente nada convencional. De Christian Figueiredo de Caldas, ele é um famoso youtuber, além de ser hilário e gente como a gente.

Bom, primeiro eu não via muito os vlogs dele, e depois deste livro eu tive a curiosidade de assistir, logo de cara reparei que ele é um ótimo youtuber, muito bem humorado, é sincero e é gente como a gente, já passou por tudo que nós passamos (adolescentes) e depois de todos os erros, aprendeu com isso e hoje leva tudo com muitas risadas e transformou isso em livros, sim teremos dois livros, este é o primeiro.
“Amizade é uma coisa de loko. Já pararam pra pensar na quantidade de pessoas muito diferentes que são nossos amigos? Todo mundo tem aquele amigo muito bobo, aquela amiga que não sai da frente do espelho, um que adora ler, um que odeia ler, um que joga bola, um que não sai da frente do computador, um em quem você sempre pode confiar e contar coisas. Mas todo mundo, todo mundo mesmo, tem aquele amigo que quando vocês se reúnem dá merda...”
Ele só precisou de uma câmera, muita criatividade e um pouco de coragem para criar um dos vlogs mais acessados do Youtube. O canal Eu Fico Loko é um recordista de viwes e inscrições, com mais de 1milhão e 500mil assinantes. Para os entendedores, o Christian hoje é um vlogger e um youtuber dos mais bombados. Mas na verdade ele é apenas um cara que gosta de escrever e que transformou o papel em vídeo.
Todos os dias, milhões de jovens procuram pelo Christian em suas redes sociais para saber o que ele está pensando.

“Vou começar este livro falando apenas uma coisa:
E aí, meus Lokões e Lokonas deste Brasil? Tudo bem com vocês?”
Neste livro você vai encontrar um pouco de tudo, coisas que aconteceram na vida de cada um, pelo menos em algum capítulo você vai se identificar e se lembrar da época. A fase da adolescência pode ser dura ou chata, mas é a melhor parte da vida, porque fazemos de tudo um pouco e assim temos histórias para contar no futuro e aprender com nossos erros. E Foi isso que Christian Figueiredo passou para os leitores neste livro, e se você não assiste os vlogs dele vou deixar o link no final da resenha, garante que vão dar muitas risadas e se descontrair.
Muitos Vlogueiros estão fazendo livros e tal, mais esta ideia nos deixa mais perto deles, como se fizemos parte da história de cada um, conhecer eles além da tela. E vemos que passamos por quase os mesmos perrengues e alegrias.
Eu gostei bastante do livro, tem uma escrita esclarecedora, estilo bem adolescente, e com muitas risadas. As paginas com fotos do Christian com amigos e família, Um livro interativo e que tem algumas paginas para o leitor, escrever o que achamos que seremos no futuro, o que queremos. E isso faz que cada um se sinta parte do livro e mais próximo de Christian.

Link do vlog:Eu fico loko

Espero que tenham gostado e deixe seus comentários falando do que achou do livro e da resenha.
Até logo!

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Resenha: “Três Dias Para Sempre” (Janda Montenegro)


Por Kleris: Três Dias Para Sempre soa como romance “água com açúcar”, daqueles que promete esbarrões de uma mocinha com um mocinho, que juntos devem ultrapassar as reviravoltas da vida para permanecerem unidos, algo com muitas enroladas, mas de conflitos simples, e tudo isso à maresia da Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.

Acontece que o universo não dá muitas chances para esse mocinho (Teo) e mocinha (Eveline), já que eles se encontram justamente no período de fim de férias do rapaz brasiliense. Além disso, Eveline tem que dar um rumo a sua vida, já que está “presa” ao Rio por tempo demais – ela é uma baiana que viajou para se casar com um cidadão do Rio, só que foi deixada no altar e desde então não conseguira voltar para sua cidadezinha. Mas seria realmente o tempo o vilão dessa história? 
E daí que ele fosse skatista e estudante, e que fosse de outra cidade e fosse se formar em filosofia? Ela mesma não cursara faculdade! Se havia uma coisa que aprendera nesses meses abandonada no Rio de Janeiro, era que não deveria mais esperar conhecer um cara bacana, rico, bem-sucedido e que a amasse para sempre, porque isso era ilusão.

Três Dias Para Sempre centra sua ação em Eveline, uma “romântica incorrigível” que mergulha de vez em sentimentos sobre esse cara, Teo. Ela passa de pessoa amargurada (pelo fracasso do casamento) a apaixonada suspirante, passa de pessoa sem amigos para uma pessoa totalmente sociável, e passa de uma preguiçosa para trabalhadora, e tudo por causa desse amor súbito. Acho que já perceberam que a história não me ganhou...   
— Eu preciso falar uma coisa com você.
[...] Ele vai terminar comigo.
Vai dizer para eu não me iludir.
Vai falar que eu sou legal e tudo mais, mas que já chega. [...]
— Eu vou embora na terça-feira. [...] Eu tenho que ir, Line. Não tenho mais dinheiro pra ficar. Já estou devendo mais de duzentos reais pro Canutto e vou ter que pedir grana emprestada pra minha mãe!
[...]— Eu te empresto — disse ela.

Para contrariar minhas expectativas, Janda tomou o rumo de focar no relacionamento abusivo do casal. Clichês e estereótipos são destacados e tendem a nos deixar bastante incomodados. Em um segundo plano, outros relacionamentos, como da Line com a Raffa (boa alma que ajuda Eveline a ficar na cidade), e do Canutto com Teo, assim como toda a ambientação, foram pouco aproveitados. 
Raffa não era exatamente uma amiga, mas Eveline gostava de pensar que era, para se sentir menos solitária nessa cidade que não era a sua.

Quem espera uma boa dose de amor, encontros inesperados e todo aquele arco-íris para uma tarde, vai se perder no calçadão quente de Copacabana, sem chinelo, sem proteção, sem muita água para se hidratar. Apesar do quê de frenético, de viver intensamente esse pequeno espaço de tempo, a ação em si se arrasta. Fora que há umas falhas, pontas soltas e contradições, desde o enredo às construções de personagem. 
Talvez a culpa fosse dela mesma, afinal, se ela fosse uma garota menos certinha e mais descontraída, teria bebido muito mais e, possivelmente, teria se divertido mais, sem se importar tanto com os rapazes. Afinal, se fosse para colocar na prática, ela mal os conhecia e muito possivelmente dali uns dias jamais viria a vê-los novamente.
Então por que se importara tanto em fazer tudo certo?
Abriu os olhos.
Era porque ela era assim. Era de sua índole fazer as coisas certas, mesmo pelos desconhecidos. Simplesmente não sabia ser de outra forma, e, ainda que vez ou outra alguém se aproveitasse da sua bondade, em geral Line achava que era bom ser assim, que o mundo precisava de pessoas como ela, porque já havia coisa errada demais por aí. 

É uma história que, agora, olhando de longe, acho que entendo as intenções da escritora, só não me envolvi com a maneira com que desenrolou, e acho que se arriscou demais para uma trama que não se mostra pronta. Embora a escrita seja fluída, é um tanto confusa, contraditória e não senti segurança no desencadear dos fatos. Me incomodou a ponto de nem torcer pelo casal, mas, por incrível que pareça, a melhor coisa que lhes acontece está justamente no tal final inesperado citado pela capa.

Esse final, inclusive, me deixou com uma pulguinha atrás da orelha. Muito provavelmente estou sendo imaginativa demais, massss... tenho uma teoria sobre isso – leitores curiosos (e que aceitem spoilers caso não leram ainda) podem me procurar por DM no twitter do DB (@dear_book) para saber mais a respeito. Deixem uma leitora conspirar...

Anyway, agora quero saber das divagações de vocês sobre esse livro. Deixo aqui o link da Saraiva o/


Até a próxima!

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Resenha: "Enquanto a chuva caia" (Christine M.)

Por Sheila: Oi todo mundo! Resenha super, hiper MEGA atrasada por que - ok, já vou confessar logo de cara - não gostei muito da sinopse do livro, nem a que esta na contra capa do livro, menos ainda a do skoob.

Assim, eu coloquei uma leitura na frente. E outra, mais outra, e mais umas três ou dez. No entanto, uma das minhas muitas resoluções de ano novo incluíam 1) ler todos os livros do blog de 2014 e 2) Resenhá-los, claro.

Ainda dei uma procrastinadinha para terminar de ler este livro e resenhá-lo. Mas eu tenho uma boa desculpa: uma fratura que me impede de ficar sentada muito tempo, e que me obriga a digitar apenas com uma mão (palmas para mim!).

Começando então com a sinopse do skoob, um dos motivos de meu receio com a leitura:

Erik não procura mais a garota dos seus sonhos. Vive em busca de adrenalina e de uma razão para continuar cumprindo tarefas obscuras. Ele sabe que é muito bom no que faz e não vê nada que possa ser melhor do que os seus dias repletos de perigo. O que Erik não esperava é que sua paixão por correr riscos seria a sua ruína. Ameaçado, ele precisa fugir para o exterior e viver disfarçado de cidadão comum, trabalhando como advogado em uma grande empresa.

Marina comanda o império da família depois de seu pai ter sucumbido ao mal de Alzheimer. Precisa suportar ver os pais tombarem diante da ação implacável do tempo, enquanto ainda carrega a ferida provocada pela morte do jovem marido. Com o comando das empresas nas mãos, ela percebe que nem todas as atividades da corporação obedecem aos manuais de boa conduta.

Quando ambos se encontram, presente e passado se misturam, dando início a um mistério arrebatador que os atrai a uma paixão incontrolável. No entanto, os segredos, cedo ou tarde, virão à tona e os colocarão em lados opostos da balança.
Nenhum dos dois é inocente, mas será que eles aceitarão as verdades que tanto se empenham em esconder? É possível construir um futuro mesmo depois de descobrir que nesta história não há mocinha nem herói?

Ok, confesso que minha implicância foi só até aí. Erik acaba se revelando, logo nas primeiras páginas, alguém que leva uma vida dupla: advogado durante o dia, justiceiro durante a noite. Sim, ele "caça", tortura e mata quem ele considera os "vilões" sem dó algum. Isso acaba fazendo com que ele vá criando uma lista de inimigos e, durante uma missão, um descuido o faz ser baleado.

- Ei, acorde!
Eu não quero acordar, não quero estar aqui e nem quero a minha irmã me tratando feito uma das crianças. mas há dez meses,em um dos meus milésimos últimos trabalhos, fui baleado e foi sério. Quando sai do hospital e soube que ficaria de licença por um tempo bem maior do que imaginava, corri para a casa da minha irmã.

Marina é muito jovem e vamos encontra-la controlada mas muito apreensiva. Ela é a mais nova CEO da empresa da família, tarefa que alguns consideram ser demais para seus ombros - e ela mesma parece ter alguma relutância em aceitar, mas vê como seu dever. Com seu pai sendo diagnosticado com Alzheimer e o ainda recente falecimento de seu jovem marido, ate mesmo ela se pergunta se conseguirá dar conta da direção da empresa.

Todos sabiam que isso aconteceria. Meu pai esta doente há bastante tempo e, ainda que tenha tentado manter tudo como estava, não conseguiu. Honestamente, por mais que eu não queira estar sentada nesta cadeira agora, a ideia de que ele esta mais livre e sofrendo menos me consola. Se é preciso que eu caia no centro deste furacão para que ele possa descansar, tomar remédios mais fortes e ter um pouquinho de paz, tudo bem.

Ambos acabam se encontrando na empresa de Marina, em Nova York, para onde Erik vai como advogado, supostamente para esconder-se enquanto as pessoas que o perseguem não desistirem de encontrá-lo no Brasil. Mas nada é o que parece, e acabamos sendo envolvidos por uma intrincada trama repleta de mentiras, traições e surpresas.

Confesso que o início do livro foi muito cansativo. estava muito parecido com "garoto problemático encontra garota boazinha e eles precisam resolver se conseguem ficar juntos". Mas lá pelo meio o livro da uma guinada. Um mistério parece cercar a vida dos personagens, e Marina parece não ser somente a herdeira rica - nem ser tão inocente quanto se imaginava.

Diálogos inteligentes, e um final que, apesar de ser um tanto quanto clichê, tem uma guinada inesperada, que faz com que tenha valido a pena a espera e leitura para atingi-lo.  Um romance policial BRASILEIRO, Nacional, mostrando que a nossa literatura pode sim ser tão boa quanto a estrangeira. Recomendo!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Resenha: "Príncipe da Noite" (Germano Pereira)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Devo confessar que esta é a resenha mais atrasada de todos os tempos! Talvez por que eu tenha ficado muito ambivalente ao ler a história construída por Germano Pereira...

Vou postar para vocês a sinopse do livro, e depois sigo para os comentários sobre o que achei do livro ok?

Toda manhã, o psicanalista Gabriel se surpreende ao acordar: sempre encontra uma mulher diferente dormindo ao seu lado. Ele nunca se lembra do seu nome, nem da maneira como a conheceu. A única coisa que resta de suas aventuras noturnas é um lapso de memória. Mas esta noite tudo se repetirá: quando cruzar com uma bela mulher, na noite seguinte, perderá o controle de quem é, porque o seu outro “;eu”; é capaz de tudo para satisfazer seus desejos mais primitivos.
Mantendo esse segredo somente para si, Gabriel leva uma vida aparentemente normal na grande Londres, ouvindo diariamente os problemas de seus pacientes, enquanto tenta fugir das loucuras de sua ex-namorada. Mas nada é verdadeiramente normal para um homem que pode ser controlado pelo Príncipe da Noite...

Bem vamos lá. Do que eu gostei no livro: há muito suspense. Como ele é narrado em primeira pessoa, vamos acompanhar Gabriel em suas divagações pós perda de controle promovida por sua segunda personalidade, o Príncipe da Noite e, assim como Gabriel não sabe dizer muito bem o que aconteceu e como foi parar em determinado lugar, também acabamos por não sabê-lo.

Estou no quarto de uma mulher. Não a vejo. Tento imaginar como fui parar la. Fui salvo por uma desconhecida? Não é possível ... Estou mais confuso do que nunca. Olho para o lado. Alguem se aproxima do quarto. Estou assustado. E se um serial killer estiver me aprisionando? Depois de atender pacientes que confundem o processo de transferência e me culpam por suas psicoses, não acho nada impossível.

Do que eu não gostei? Bom, cabe aqui uma explicação. Sou Psicóloga. E talvez por isso não tenha conseguido ficar convencida. Nem com o personagem,, nem com s descrição do seu transtorno de personalidade, nem com a forma como o mesmo se utiliza do jargão psicanalítico.

Do ponto de vista da literatura pura e simples, deixando de lado estas questões técnicas, parece que a confusão de Gabriel sobre quem ele era deixou a própria escrita do livro confusa. Se em algum momento tudo fosse explicado, quase como aqueles filmes que voltam atrás e recontam algumas cenas ... mas não. Também esperava mais do final.

Como sempre faço quando tenho alguma questão com o livro, fui em busca de outras resenhas, que tiveram posições semelhantes, principalmente em relação ao final. Mas algumas blogueiras levantaram a hipótese de uma continuação então ... talvez neste segundo volume as questões sejam explicadas.

Ficarei no aguardo! Alguém mais leu? Comentem! Abraços e até a próxima!


domingo, 24 de agosto de 2014

Resenha: “Arrabal e a Noiva do Capitão” (Marisa Ferrari)

Por Kleris: Oggi passeggiamo attraverso l'Italia napoletana! Si prega di consultare google traduttore. Voltarei a ressaltar esse ponto.

Arrabal e o capitão são irmãos gêmeos, vivem suas vidas de acordo com seus anseios, sem um tocar na imagem do outro. Arrabal é Giuseppe, um artista, um poeta, um ator da região, que encontra nas artes a verdadeira paixão de ser e viver; na outra figurinha, o capitão é Giordano, aquele mais sério, que preza pela lealdade e responsabilidade que é trabalhar na guarda real.

Com artimanhas, eles dão um jeito de nunca estar no mesmo lugar e assim evitar maiores desgraças para a família Romanelli – para o pai, Carlo, que nega a profissão (e presença) de Giuseppe; para a mãe, Gioconda, que sofre dos nervos. Ao que parece, algo desandou nessa família e separou os irmãos de vez. Isso até a trupe de teatro reaparecer na cidade na mesma época da volta da guarda real e Luigia Di Medinacelli se encantar por esses belos ragazzi.
Giordano não desviava dela os olhos, podia sentir. E então Luigia, desistiu de recuar. Desejava também ela olhar os olhos e foi o que ela simplesmente fez.
— Desculpe-me – Luigia iniciou, sorrindo – mas preciso lhe fazer uma pergunta.
— Se eu puder responder.
— Conheci um homem na semana passada... – decidindo ir direto á questão, perguntou: — O senhor tem um irmão gêmeo?
Giordano estacou. Luigia não compreendeu quando ele começou a rir de forma sarcástica. Ele novamente, ele pensou. Não adiantara permitir que ele vivesse a vida que desejava; não bastava protegê-lo com seu silêncio dos olhos do pai. Lá estava ele novamente se interpondo entre Giordano e o que de sincero pudesse desejar.
Acontece que as famílias queriam rearranjar Luigia – jovem, viúva e sem filhos – com Giordano, mas não podiam contar que ela teria suas preferências, seus ideais. Conhecera Arrabal, o poeta, numa noite que escapou para ver o teatro de praça, e então, sendo a única que o vira sem máscara, fica num dilema, pois também começa a gostar deste homem que lhe destinaram a marido.

Transportada para o século XVIII, fui arrebata por muitas personalidades napolitanas. Confundi várias delas até pegar o jeito de cada um. Com jeitinho e onisciência, Marisa vai nos apresentando a eles ao longo de toda a narrativa, pois cada um tem sua história e seu momento.

Por outro lado, houve outros instantes em que “me perdi”, mas não era por não reconhecer as figuras em cena ou mesmo por não entender os acontecimentos. Me senti sem foco. Embora tenha gostado muito da ambientação e das tramas paralelas, o ponto em que a Marisa queria chegar era muito nebuloso para eu adivinhar, as coisas aconteciam, revolviam, iam de um lado para o outro e eu não via onde ia dar. Foi estranho porque realmente parecia não ter foco a história. Parecia até que a principal era mal aproveitada. Parecia.

Aí a Marisa me pegou. Melhor, a mulher me derrubou!

Gostei bastante. Um livro pretensioso sem ser exagerado, rico em detalhes e histórias, dados seguros e pontuados. A desenvoltura é ótema e de diversas abordagens – máscaras pessoais e produções artísticas são os pontos altos.
— A máscara. Por que não a tira? Deve ser incômodo.
— Ah, a máscara... A máscara, claro! Não, marchesa, ao contrário! Esta máscara é, digamos assim, parte de mim. Estou tão habituado a usá-la que quando tenho de tirá-la é como se tivesse arrancando parte de meu rosto.  
Mas tem outra coisa que devo mencionar: a edição.
A capa faz parecer que é um romance histórico bem clichê, que resume a história em um triângulo amoroso de uma mulher e dois irmãos que não se gostam. Não dei muito por ter a figura da mulher na capa, acho que concentra esse clichê desnecessário ao contexto – minha opinião pode estar comprometida nesse sentido por eu não gostar da personagem Luigia (sou mais a Vitty), mas talvez isso também seja outros quinhentos.

O que me incomodou de verdade foram as passagens em italiano (e umas poucas vezes em francês). Longe de mim desmerecer o trabalho da Marisa e da produção nesse quesito, só acho que isso exige um pouco do leitor sem ceder um apoio. Eu sei que muitas pessoas não gostam de notas de rodapé ou explicativas, porém, nesse caso, acho que seriam bem necessárias.
Arrabal enlaçara Vittoria, suavemente, pela cintura. A marquesa podia sentir nele cheiro de flor, de terra molhada. Podia ver agora de perto seus olhos iluminados por entre as frestas da máscara, olhos de um azul mediterrâneo intenso. Era lindo, másculo, delicadamente sedutor.
— Só Arlecchino pode levá-la aonde deseja ir.
— Por que supõe que desejo ir a algum lugar? – articulou ela, com esforço.
— Está escrito em seus olhos. Pulsa em sua respiração – disse ele, começando a desfazer-lhe o laço do vestido. – Chi desidera sognare i miei sogni? Chi desidera i miei sogni da sognare? 
Nem sempre havia no texto corrido a tradução das expressões e por isso passei a leitura toda com um app do Google Tradutor do lado (o que não me garantia muito, vide a menção que fiz lá em cima). Para o contexto do livro, essas passagens eram um toque bem legal. Às vezes davam até uma impressão de ser traduzido.

É certamente um livro que eu gostaria de ler uma continuação, pois deixa uns panos pra camisa (não pontas soltas), mas ele como único, eu posso aceitar. Fica a dica, moça Marisa, vai que spin-offs calhem de vir. Adoraria saber de outras aventuras da trupe (saudades já) – principalmente da Vittoria (já disse que gostei mais da Vitty?) – e mais do destino sobre essa escolha que o livro guarda.

Deixe uma leitora sonhar...

Até a próxima o/



domingo, 1 de junho de 2014

Resenha: “Belleville – Há sempre uma palavra que nos une” (Felipe Colbert)

Por KlerisOi pessoal. Que tal um passeio pelo tempo? Mais precisamente ligar 1964 a 2014?

Tudo começa quando Lucius se muda para Campos do Jordão, cidade interior de SP, para dar partida em seus estudos universitários. A casa em que se aloja é afastada e antiga, mas chamou-lhe atenção pelo aluguel barato, afinal, não poderia arcar com tantos gastos se estava ali para lidar com as despesas por si só, tendo apenas uma pouca ajuda de custo inicial na conta bancária.

Além da casa, havia um terreno grande nos fundos. Em um galpão quase escondido pelo bosque Lucius se deparou com uma construção por fazer, que só fez sentido quando achou folhas e mais folhas de que aquilo era um projeto inacabado. Ao que tudo indicava, uma montanha-russa. Presenteado por uma moto das antigas, uma vespa, Lucius decidiu não mexer naquilo, pelo menos não num primeiro momento. Foi explorando a biblioteca da casa que ele encontrou uma foto da antiga moradora, que a mostrava em alguma parte desse terreno, na área daquela construção, enterrando uma caixa. Curioso, perguntou-se se a caixa estivesse no mesmo lugar. E se estivesse, o que lá teria?

Uma carta. A carta que dá início a esse livro.
Campos do Jordão, 20 de janeiro de 1964. Ilustre desconhecido,
 Hoje é seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa! Espere, não estou brincando. Não despreze as minhas palavras. Leia a carta até o final para descobrir o que eu quero dizer.
Pois então, era mesmo uma montanha-russa caseira, que a sonhadora Anabelle revelou ter o nome de Belleville, projeto que seu pai não pôde concluir, mas que ela deixava agora nas mãos de quem encontrasse a carta e tivesse interesse em desenvolver um brinquedo que ela não tinha como realizar.

Bom, Lucius também não tinha como dar continuidade. Por isso decidiu unir a tal carta uma dele explicando a situação e passando a vez a outro desconhecido que poderia vir a descobrir aquela caixa e Belleville. É então que esta carta se materializa no momento de vivência de Anabelle.

O autor traça um paralelo que se define pela diferença de pontos de vista e, consequentemente, de linha de tempo. Ali estava um ponto de comunicação temporal inusitado, eles descobrem. Um pensava que o outro estaria armando alguma brincadeira de mau gosto, mas os fatos estavam ali para mostrar que Anabelle estava em 1964 e Lucius em 2014. Em vista disso, construir uma montanha-russa caseira já não parecia tão impossível, ainda que difícil. Encantado pelo que parecia extraordinário, Lucius ao menos se dedica a alguma pesquisa sobre o caso e, claro, manter algum contato com Anabelle.
— É possível construir uma montanha-russa em casa?Ele deu um breve assobio.— Montanha-russa? Foi o que eu entendi?
— Exato.— E quem faria um negócio desses dentro de casa?— Não exatamente dentro de casa, mas em um terreno... 
Enquanto isso, em cada plano de vivência, Lucius e Anabelle tentavam se virar. Ela, mais nova órfã, restou-lhe apenas a casa e Tião, fiel companhia felina; ele, estudante do curso de Matemática, calouro, morava sozinho. Aos poucos, entre as cartas e conversando sobre o sonho que era Belleville, eles vão se conhecendo melhor e dando espaço a uma confiança, confiança essa que se mistura a sentimentos ternos e uma chance, quem sabe, de aquele brinquedo vir a ser realizado.
Enquanto isso, tinha a sensação de que Anabelle estava ali, próxima de mim, escondida atrás de uma árvore, observando tudo. Isso me impressionava, como quando eu me sentia quando estava sozinho e me lembrava de minha mãe. Tinha algo a ver com pensar que a Via Láctea é pequena demais para acharmos que estamos tão longe assim um do outro, e que uma simples reta imaginária me ligava a ela, não importava onde ela estivesse. O mesmo sentimento que eu começava a ter em relação à Anabelle.
Lucius na verdade se engaja cada vez mais, envolvido e maravilhado com cada passo que dá quando se trata de Belleville e Anabelle. Professor Miranda, de Física, acaba se deixando seduzir também pela proposta de uma montanha-russa caseira, antes um projeto, então uma determinação, visto que Lucius estava, misteriosamente, bem mais que disposto para tornar aquilo realidade.

Apesar de tudo muito explicado e encaixado, algo na história não me ganhou. Em diversos momentos de leitura empaquei com isso. Ao olhar com distância ao finalizar o livro, acho que posso dizer que gostei da história, mas não da forma como foi levada?

A escrita e enredo são bons, tem sacadas e tal, porém, de alguma maneira, a combinação não me conquistou ou me convenceu muito. Os encaixes me pareceram muito propositais, tive impressões muito “americanizadas” dos estereótipos (de personalidades diversas e ambientação melancólica), as situações um pouco exageradas, às vezes questionáveis. Embora a trama se insira em “novo adulto”, diversas vezes a senti como “jovem adulto”.

Os capítulos são curtos e ligeiros, nem sempre alternados pelos pontos de vista diferentes, pontos esses que só revelam de quem se trata durante a leitura, o que achei bom para não entregar demais. A edição de capa guarda bem a essência da história e, como diz, Belleville de fato é uma palavra que une Lucius e Anabelle, muito mais do que nós, leitores, podemos imaginar. Nesse sentido, tomando A Última Nota – romance passado do Colbert – como exemplo, a gente pode esperar fenômenos fantásticos inexplicáveis que se apropriam simplesmente do “possível”, sem necessidade de qualquer esclarecimento sobre eles – senão acaba a magia, né? (rs).

Espero que o livro flua mais com vocês,

Até a próxima o/

 
Ana Liberato