Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rio de Janeiro. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Resenha: “Antes que Aconteça” (Juliana Parrini)

*Por Mary*: Ei, galere!

Antes de começar esta resenha, preciso fazer uma confissão a vocês: praticamente tiveram que me chantagear para não espiar o final do livro. E ainda assim foi bem difícil não fazê-lo. Fiquei em cólicas para conhecer o tão aguardado desfecho elaborado pela Juliana.

Mas mereço uma estrelinha dourada na testa, porque não espiei a última página! *dancinha da vitória* Segurei a curiosidade até o fim e, olha, valeu a pena.

A Juliana me surpreendeu muito! Não pelo shipper, porque ele já era meio que esperado, mas pela sucessão dos fatos.

Lá vem eu com a minha mania de comentar as coisas antes da hora, né? Então, vamos por partes. 
Ah, o tempo! Para muitos, intimidador, para mim, a salvação. Eu tinha muito medo do que o destino planejara para mim, aterrorizada com a possibilidade de ele ter me abandonado na inércia em que me encontrava. O medo rouba muitas coisas. Rouba sonhos e esperanças.
Quando tudo parecia perdido, depois de sofrer com a ida do amor de sua vida, Isabel Maia encontrou em Daniel Clark uma chance de conhecer novamente a felicidade. Tendo enfrentado inúmeros empecilhos para ficarem juntos – não só a nível emocional, mas também externo – Bel está decidida a reconstruir sua vida ao lado de Daniel e é quando tudo parece estar nos eixos, que o passado ressurge, revirando outra vez o seu mundo de cabeça para baixo e bagunçando suas certezas.

Na resenha de Depois do que Aconteceu, comentei com vocês que não consegui torcer pelo casal Daniel e Isabel, mas não disse a vocês que eu era Team Alex, porque não poderia soltar um spoiler desses. Para mim, persistia uma esperança para esse casal que se amava desde tão jovens.
- Agora quero que me prometa: prometa que se dará uma oportunidade de ser feliz?
Suspiro. Prometer isso vai além da minha capacidade de mentir.
- Por favor, Alex... Só serei feliz por completo quando souber que você também é. Me promete que não negará o que o destino puser em seu caminho?
- Eu prometo.
Quando iniciei a leitura de Antes que Aconteça, ávida por descobrir quais surpresas a autora nos tinha reservado, descobri que a minha torcida já não era mais do Alex. Não, não deixei de amar o Alex e querer botar ele no colo. Não é isso. Acontece que, de forma incidente, comecei a torcer pelo Daniel.

Fiquei encantada, porque um dos meus adendos na primeira resenha foi o fato de não ter conseguido torcer para este casal. Para mim, Daniel e Isabel era um casal completamente errado, sem chance de conserto, mas parece que a Juliana sabia disso – não sei se de forma proposital ou a partir do feedback de seus leitores – de modo que trabalhou melhor neste segundo volume os defeitos e os tantos motivos que fariam uma relação daquelas não dar certo. 
Ninguém é feliz por inteiro, sempre há algo a ser conquistado. Pode ser um trabalho, um amor, e até mesmo um número de calça jeans menor. A sabedoria está em aproveitar a felicidade e ter forças para se reerguer quando a vida te der aquela famosa rasteira. A eterna busca pela felicidade é o que nos faz verdadeiramente felizes.
Outro mega acerto da Juliana Parrini foi o modo como ela reintroduziu o passado naquela história. Nada dantesco, vilanesco ou qualquer outro “esco” que se possa jogar aqui neste parágrafo. A autora manipulou habilidosamente o leitor ao fazê-lo, pari passu, acreditar no Daniel sem deixar de amar o Alex.

Muito além disso, me parece bastante verossímil – e compreensível – o sentimento de dúvida que a Isabel sente. Não a dúvida com relação a quem ficar, não se trata disso; a Isabel, aliás, deu um show de autoconhecimento e retidão ao ter muito claro desde o início a certeza de com quem ficar. O que eu quero dizer é que a autora soube abordar com maestria – e ao mesmo tempo de forma crível – a gravidade de amar duas pessoas ao mesmo tempo. Óbvio que são dois amores absolutamente distintos, no entanto, ainda assim, dois amores.
- Isabel! – grita Daniel, chamando minha atenção.
- Eu o vi! – revelo o que me atormenta, sem pensar duas vezes. Sem mentiras dessa vez, estou exausta.
- O quê?
- Eu o vi, Daniel. Vi o Alex.
Por fim, acentuei na última resenha acerca do que eu chamei de “clichês muito bem trabalhados” pela escritora Juliana Parrini. Nesta resenha, por sua vez, quero deixar a ponderação de que, para um livro nascido em clichês, seu desfecho fugiu bastante disso. Muito original, inesperado, simples e belo.

Não obstante, não concordo com o desfecho dado a um determinado personagem. Primeiro porque acho que ele não merecia; e, segundo, porque acredito que a Juliana perdeu uma excelente oportunidade para abordar a questão da socioafetividade sob o prisma dos novos núcleos familiares, que é um paradigma ainda muito pouco abordado na literatura nacional e que enriqueceria muito a sua obra. Fica aqui a sugestão para um próximo livro.

Sendo assim, se você quer se emocionar, ficar com o coração apertadinho, se sentir completamente perdida com a Isabel e está aí MOR-REN-DO de curiosidade para saber o desfecho dessa história linda iniciada em Depois do que Aconteceu, acho que você deveria ler Antes que Aconteça. Só acho. 
Todo recomeço é assustador. Afinal, ninguém muda quando está feliz. Você sempre começa sem rumo, sem saber ao certo que caminho seguir e cheia de dúvidas. Certo ou errado? Continuar ou parar? Tudo com um único objetivo: a eterna busca pela felicidade. Recomeçar exige coragem e perseverança. Delinear metas é fundamental, mas também é necessário deixar o destino agir. Afinal, mesmo quando queremos algo com todas as forças, isso só acontecerá se o destino der aquela forcinha. Ter muitas expectativas pode causar decepção. E não é o que buscamos.


Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Resenha: “Três Dias Para Sempre” (Janda Montenegro)


Por Kleris: Três Dias Para Sempre soa como romance “água com açúcar”, daqueles que promete esbarrões de uma mocinha com um mocinho, que juntos devem ultrapassar as reviravoltas da vida para permanecerem unidos, algo com muitas enroladas, mas de conflitos simples, e tudo isso à maresia da Cidade Maravilhosa, Rio de Janeiro.

Acontece que o universo não dá muitas chances para esse mocinho (Teo) e mocinha (Eveline), já que eles se encontram justamente no período de fim de férias do rapaz brasiliense. Além disso, Eveline tem que dar um rumo a sua vida, já que está “presa” ao Rio por tempo demais – ela é uma baiana que viajou para se casar com um cidadão do Rio, só que foi deixada no altar e desde então não conseguira voltar para sua cidadezinha. Mas seria realmente o tempo o vilão dessa história? 
E daí que ele fosse skatista e estudante, e que fosse de outra cidade e fosse se formar em filosofia? Ela mesma não cursara faculdade! Se havia uma coisa que aprendera nesses meses abandonada no Rio de Janeiro, era que não deveria mais esperar conhecer um cara bacana, rico, bem-sucedido e que a amasse para sempre, porque isso era ilusão.

Três Dias Para Sempre centra sua ação em Eveline, uma “romântica incorrigível” que mergulha de vez em sentimentos sobre esse cara, Teo. Ela passa de pessoa amargurada (pelo fracasso do casamento) a apaixonada suspirante, passa de pessoa sem amigos para uma pessoa totalmente sociável, e passa de uma preguiçosa para trabalhadora, e tudo por causa desse amor súbito. Acho que já perceberam que a história não me ganhou...   
— Eu preciso falar uma coisa com você.
[...] Ele vai terminar comigo.
Vai dizer para eu não me iludir.
Vai falar que eu sou legal e tudo mais, mas que já chega. [...]
— Eu vou embora na terça-feira. [...] Eu tenho que ir, Line. Não tenho mais dinheiro pra ficar. Já estou devendo mais de duzentos reais pro Canutto e vou ter que pedir grana emprestada pra minha mãe!
[...]— Eu te empresto — disse ela.

Para contrariar minhas expectativas, Janda tomou o rumo de focar no relacionamento abusivo do casal. Clichês e estereótipos são destacados e tendem a nos deixar bastante incomodados. Em um segundo plano, outros relacionamentos, como da Line com a Raffa (boa alma que ajuda Eveline a ficar na cidade), e do Canutto com Teo, assim como toda a ambientação, foram pouco aproveitados. 
Raffa não era exatamente uma amiga, mas Eveline gostava de pensar que era, para se sentir menos solitária nessa cidade que não era a sua.

Quem espera uma boa dose de amor, encontros inesperados e todo aquele arco-íris para uma tarde, vai se perder no calçadão quente de Copacabana, sem chinelo, sem proteção, sem muita água para se hidratar. Apesar do quê de frenético, de viver intensamente esse pequeno espaço de tempo, a ação em si se arrasta. Fora que há umas falhas, pontas soltas e contradições, desde o enredo às construções de personagem. 
Talvez a culpa fosse dela mesma, afinal, se ela fosse uma garota menos certinha e mais descontraída, teria bebido muito mais e, possivelmente, teria se divertido mais, sem se importar tanto com os rapazes. Afinal, se fosse para colocar na prática, ela mal os conhecia e muito possivelmente dali uns dias jamais viria a vê-los novamente.
Então por que se importara tanto em fazer tudo certo?
Abriu os olhos.
Era porque ela era assim. Era de sua índole fazer as coisas certas, mesmo pelos desconhecidos. Simplesmente não sabia ser de outra forma, e, ainda que vez ou outra alguém se aproveitasse da sua bondade, em geral Line achava que era bom ser assim, que o mundo precisava de pessoas como ela, porque já havia coisa errada demais por aí. 

É uma história que, agora, olhando de longe, acho que entendo as intenções da escritora, só não me envolvi com a maneira com que desenrolou, e acho que se arriscou demais para uma trama que não se mostra pronta. Embora a escrita seja fluída, é um tanto confusa, contraditória e não senti segurança no desencadear dos fatos. Me incomodou a ponto de nem torcer pelo casal, mas, por incrível que pareça, a melhor coisa que lhes acontece está justamente no tal final inesperado citado pela capa.

Esse final, inclusive, me deixou com uma pulguinha atrás da orelha. Muito provavelmente estou sendo imaginativa demais, massss... tenho uma teoria sobre isso – leitores curiosos (e que aceitem spoilers caso não leram ainda) podem me procurar por DM no twitter do DB (@dear_book) para saber mais a respeito. Deixem uma leitora conspirar...

Anyway, agora quero saber das divagações de vocês sobre esse livro. Deixo aqui o link da Saraiva o/


Até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram
 
Ana Liberato