Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Drama. Mostrar todas as postagens
domingo, 9 de janeiro de 2022

Resenha: "Pequena coreografia do adeus" (Aline Bei)


Sinopse: Julia é filha de pais separados: sua mãe não suporta a ideia de ter sido abandonada pelo marido, enquanto seu pai não suporta a ideia de ter sido casado. Sufocada por uma atmosfera de brigas constantes e falta de afeto, a jovem escritora tenta reconhecer sua individualidade e dar sentido à sua história, tentando se desvencilhar dos traumas familiares.

Entre lembranças da infância e da adolescência, e sonhos para o futuro, Julia encontra personagens essenciais para enfrentar a solidão ao mesmo tempo que ensaia sua própria coreografia, numa sequência de movimentos de aproximação e afastamento de seus pais que lhe traz marcas indeléveis.

Escrito com a prosa original que fez de Aline Bei uma das grandes revelações da literatura brasileira contemporânea, Pequena coreografia do adeus é um romance emocionante que mostra como nossas relações moldam quem somos.

Por Stephanie: Pequena coreografia do adeus é o segundo livro da autora Aline Bei, que conquistou crítica e público com seu primeiro trabalho, O peso do pássaro morto. Eu já estava completamente convencida do talento de Aline quando li O peso, mas, ao finalizar Pequena coreografia, tive ainda mais certeza de que essa autora é uma das vozes literárias mais importantes de sua geração.

Escrevo esta resenha ouvindo Spit of you, de Sam Fender, um cantor pelo qual sou apaixonada e estou obcecada nos últimos dias. A canção fala sobre a dificuldade que o eu lírico tem de se comunicar com seu pai, ainda que o ame muito. E, por mais que o foco de Aline não seja exatamente essa relação em sua obra, e sim a de mãe e filha, acho que esse livro tem a mesma melancolia da música e ambos se complementam de alguma forma. Recomendo ouvirem e assistirem ao clipe, que é maravilhoso.

Agora, focando mais na minha opinião sobre a obra de Aline, é impossível não destacar a sensibilidade que permeia as páginas do começo ao fim. Em O peso, me lembro de sentir cada parágrafo como um soco, pesado e seco. Aqui, mesmo ainda abordando temas difíceis como abandono parental e violência doméstica, Aline parece quase fazer um carinho no leitor com sua prosa (que é quase verso, devido à sua estrutura diferenciada). E esse mesmo carinho se estende, de alguma forma, à protagonista Julia, uma jovem que está passando pelo momento mais conturbado de sua vida enquanto tenta se encontrar num mundo que também não é muito gentil com ela.

Em vários momentos eu me vi em Julia. Assim como ela, sou filha de pais separados, e por mais que eu (felizmente) nunca tenha passado pela maioria das situações que ela passou e tenha uma relação saudável com os meus pais, consegui entender perfeitamente suas dúvidas e anseios ao longo da leitura. A sensação de abandono emocional, as tentativas de aproximação, os dilemas… todas as reflexões dela me soaram muito críveis e condizentes com o que ela estava vivenciando.

A mãe de Julia certamente é a personagem mais enigmática e tridimensional da obra: uma mulher fria que definitivamente não deveria ter se tornado esposa e nem muito menos mãe, mas que mesmo com tantas atitudes odiosas acaba nos despertando empatia em certos momentos. Eu senti tanta raiva e desprezo por ela, mas ainda assim consegui entender um pouco como ela se tornou aquela pessoa.

Já o pai foi um personagem que me causou muita raiva também, mas por motivos diferentes. A apatia dele em relação à Julia me deu vontade de gritar em diversos momentos e mostrou como muitos homens ainda não se sentem tão responsáveis por seus filhos como as mulheres/mães. E esse pensamento claramente é fruto de uma sociedade sexista que sempre coloca nos ombros das mulheres um peso muito maior do que o considerado justo.

Acho que deu pra perceber o quanto eu gostei desse livro, né? Tanto que se tornou um dos meus livros favoritos de 2021. Recomendo muito, desde que o leitor se atente aos gatilhos. Não vejo a hora de poder ler mais trabalhos da Aline.

a gente pensa que conhece as pessoas

a gente se apega ao que imaginamos que conhecemos delas

mas no fim o que cada um constrói com o outro

 quando não estamos no recinto

é um Mistério.

Confira também a resenha da Thaís, colaboradora do DB que também adorou o livro, clicando aqui!

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Resenha: "Belo mundo, onde você está" (Sally Rooney)

Tradução de Débora Landsberg.

Por Thaís Inocêncio: Eu nunca gostei muito de filmes ou livros "parados", aquelas histórias sem muitas ações ou reviravoltas, porque esse tipo de narrativa não costuma prender a minha atenção. Encontrei uma exceção no meio do meu caminho: as obras da escritora Sally Rooney.

Depois de ter lido Pessoas normais e gostado do estilo peculiar de escrita e da construção dos personagens, eu estava ansiosa por mais uma história da autora. E ela não me decepcionou; pelo contrário: esse foi um dos meus livros favoritos de 2021. 

É até difícil de construir uma sinopse, porque nesse livro não acontece nada, mas ele fala sobre tudo. A história se passa na Irlanda e relata, principalmente, a vida de três amigos: Alice, Eileen e Simon. Alice é uma romancista que se mudou de Dublin para uma cidadezinha irlandesa litorânea. Lá, por meio do Tinder, ela conhece Félix, com quem passa a se relacionar. Eillen e Simon, amigos de Alice, vivem em Dublin e se conhecem desde crianças. Eles nutrem fortes sentimentos um pelo outro, mas, por muito tempo, não têm coragem suficiente para deixá-los florescer (se você leu Pessoas normais, talvez veja um pouquinho de Marianne e Connell aqui). 
Talvez a gente tenha nascido para amar e se preocupar com quem a gente conhece, para continuar amando e se preocupando mesmo quando temos coisas mais importantes para fazer. [...] E amo esse aspecto da humanidade, e de fato é por esse exato motivo que torço para que sobrevivamos – porque somos uns idiotas em relação aos outros.
O livro é isso: o cotidiano, as relações e os pensamentos dessas quatro pessoas. A beleza e a grandiosidade da história estão no fato de a autora conseguir universalizar esses personagens. É como se eles passassem pelos dilemas e questionamentos que atravessam quase todo ser humano contemporâneo na casa dos trinta anos. Talvez por isso eu tenha gostado tanto – porque eu me identifiquei muito. 

Como Alice e Eileen não moram mais tão perto desde que a escritora se mudou de Dublin, as duas se comunicam bastante por e-mail – e eles são a melhor parte do romance. Nessas conversas, que são como monólogos, já que não há uma resposta imediata, elas refletem sobre amizade, sexo, religião, política, consumismo, relações de poder e de trabalho, mudanças climáticas e outras questões ambientais e o futuro do planeta de modo geral. Por meio desses e-mails, Sally Rooney consegue traduzir muitos dos nossos pensamentos a respeito do mundo (em diversos momentos eu me vi gritando "É ISSO" enquanto lia essas mensagens). A compreensão da autora sobre o universo que nos cerca na atualidade é o que mais me impressiona.
E se o sentido da vida na terra não for o progresso eterno rumo a um objetivo indefinido – a engenharia e a produção de tecnologias cada vez mais poderosas; o desenvolvimento de formas culturais cada vez mais elaboradas e abstrusas? E se essas coisas ascendem e recuam naturalmente, como marés, enquanto o sentido da vida continua sempre o mesmo – só viver e estar com outras pessoas?
Mas a história fala, sobretudo, de relacionamentos. Convenhamos que, embora o ser humano seja um ser social, não é simples se relacionar com as pessoas. Uma boa relação demanda diálogo e transparência, o que às vezes falta na dinâmica desses personagens, acarretando mágoas, ressentimentos, arrependimentos e frustrações. Mas os relacionamentos também envolvem compreensão, parceria e amor, o que faz com que eles valham a pena. E eu gosto muito da mistura de melancolia e otimismo que esse livro proporciona. 
Se Deus queria que eu abrisse mão de você, ele não teria feito de mim quem eu sou.
É importante destacar, porém, que o estilo de escrita da autora se mantém aqui, com parágrafos longos e diálogos sem nenhuma diferenciação, o que exige muita atenção do leitor. Mas, depois de mais essa história, Sally Rooney tem toda a minha atenção. Eu ainda preciso ler o primeiro romance da autora, Conversa entre amigos, mas ele já está à minha espera na estante.

Espero que tenham gostado e até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Resenha: "Malibu Renasce" (Taylor Jenkins Reid)

 

Tradução: Alexandre Boide

Sinopse: Os quatro filhos de Mick Riva são conhecidos e admirados por toda Malibu. Mas não só pelo pai famoso. A cada ano os quatro dão uma festa épica para comemorar o fim do verão ― e a de 1983 promete. Ela dura apenas algumas horas, mas é suficiente para mudar a vida deles para sempre.

Malibu, agosto de 1983. É o dia da festa anual de Nina Riva, e todos anseiam pelo cair da noite e por toda a emoção que ela promete trazer.
A pessoa menos interessada no evento é Nina, que nunca gostou de ser o centro das atenções e acabou de ter o fim do relacionamento com um tenista profissional totalmente explorado pela mídia. Talvez Hud também esteja tenso, pois precisa admitir para o irmão algo que tem mantido em segredo por tempo demais, e parece que esse é o momento. Jay está contando os minutos, pois não vê a hora de encontrar uma menina que não sai de sua cabeça. E Kit também tem seus segredos ― e convidado ― especiais.
Até a meia-noite, a festa estará completamente fora de controle. O álcool vai fluir, a música vai tocar e segredos acumulados ao longo de gerações vão voltar para assombrar todos ― até as primeiras horas do dia, quando a primeira faísca surgir e a mansão Riva for totalmente consumida pelas chamas.


Por Jayne Cordeiro: Em "Malibu Renasce" conhecemos os quatro irmãos Riva: Nina, Hud, Jay e Kit. Os quatro são muito unidos, e vivem com a fama de serem filhos do ausente pai Mick Riva, um cantor famoso, que foi embora de casa cedo e nunca olhou para trás, principalmente para os filhos. Os irmãos tiveram que se virar cedo, e hoje cada um deles, já adultos, precisam lidar com suas carreiras, sonhos e namoros. Anualmente, eles fazem uma festa, que cresce a cada ano, e atrai diversas celebridades, fãs e desconhecidos.

Esse ano a festa parece que vai ser ainda maior, onde cada irmão precisará lidar com escolhas e pensamentos difíceis. Temos  Nina, a modelo famosa, com o recente divórcio; Hud, um fotógrafo focado em surf, que precisa contar um segredo que pode acabar com o relacionamento com o irmão; Jay, que também carrega um segredo,  que pode mudar sua carreira, e sonha em reencontrar um mulher que o marcou: e Kit, a caçula, que quer ser vista como uma surfista profissional, e deseja encontrar o primeiro amor. A festa promete ser inesquecível, e trazer consequências que vão marcar a família, a mídia e todos os convidados.

Eu estava ansiosa para ler esse livro, porque já li outros da autora, e não me decepcionei até agora. É um tipo de leitura que foge um pouco do que costumo ler, por ser um romance mais realista, com personagens imperfeitos, e com resultados inesperados. O leitor nunca sabe o que vai vir a seguir, e muitas vezes nos deparamos com aquela sensação agridoce, ao ver, por exemplo,  um relacionamento que começa apaixonado e doce, se tornar um divórcio amargo. As coisas nem sempre terminam como gostaríamos, a aventura é instigante, e tudo é muito palpável.

Aqui neste livro, acompanhamos esses quatro irmãos,  entre o presente e o passado, enquanto se preparam para a festa tradicional deles, e vemos como eles chegaram a esse ponto, desde o momento em que seus pais se conheceram décadas antes. Eu devorei esse livro em pouco tempo. A escrita da autora continua incrível, com personagens complexos, fatos que vão se interligando, e reações tão reais. A cada página, o leitor fica se perguntando o que virá a seguir, qual atitude o personagem terá. Tudo isso com aquela tensão que já começamos a leitura, quando já sabemos que algo bem impactante vai acontecer até o final da festa.

É um livro que recomendo com certeza, com uma escrita fluída, bem construída, e que consegue passar várias mensagens importantes, como a importância da família como apoio, e como podemos ser marcados por ela. "Malibu Renasce" continua mostrando todo o potencial da autora, e vale a leitura.


Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Resenha: "Depois que caímos" (Melanie Harlow)

 

Tradução: Alice J. Silva

Sinopse: JACK VALENTINI NÃO É O MEU TIPO. Caubóis sensuais e polêmicos são bons nos filmes, mas na vida real, prefiro um terno e gravata. Boas maneiras. Uma barba rente.

Jack pode ser lindo, mas ele também é desalinhado, robusto e rude. Ele não quer nada com uma garota da cidade, como eu e ele não temos medo de dizer isso.

Mas eu tenho um trabalho de relações públicas para fazer na fazenda de sua família, então ele está preso a mim e eu estou presa a ele. Seus olhares. Seus humores. Seu jeans apertado. Seus músculos.
Seus músculos grandes e fortes.
Logo surge um tipo totalmente diferente de tesão entre nós, o tipo que me faz ter um mau comportamento em celeiros, árvores e caminhonetes. Eu nunca fiz nada tão fora da minha realidade, mas está bom demais para parar.
E quanto mais eu fico sabendo sobre o viúvo e ex-sargente do Exército, melhor eu o entendo. Perder sua esposa o deixou arrasado e amargo e culpando a si mesmo. Ele não acha que mereça uma segunda chance para ser feliz.
Mas ele está errado.
Eu não preciso ser o seu primeiro amor.
Mas espero que me deixe ser o último.


Por Jayne Cordeiro: Após uma situação envolvendo seu ex namorado e uma festa cheia de ricos, Margot decide sair um pouco dos holofotes, aceitando trabalhar em um projeto de marketing, para uma fazenda que precisa melhorar seu alcance comercial. É lá que ela conhece Jack, um dos donos da fazenda. Um homem sexy, bonito, mas também mau humorado e recluso, que não parece nada feliz com a presença dela.

Jack perdeu a esposa há três e nunca superou o acontecimento. A culpa e a tristeza, o fizeram evitar pessoas e inclusive um novo amor. Mas ao conhecer Margot, pela primeira vez em anos, ele se sente atraído por alguém. Os dois são bem diferentes, sendo ele um típico fazendeiro e ela, uma garota rica da cidade grande, mas a atração é implacável, e o jeito doce, acolhedor e atenciosa de Margot, pode minar todos os muros que Jack ergueu ao redor de si.

Nunca tinha lido nada da autora, e peguei esse livro sem grandes expectativas, mas me surpreendi positivamente. O enredo é simples, mas os personagens e suas situações conseguem prender o leitor totalmente. Não é uma história com reviravoltas, mas segue bem o gênero romance, e nos conquista com cenas românticas e quentes. Temos um mocinho, do tipo viúvo sério e triste, e uma mocinha que chega para ser uma nova luz na sua vida.

A escrita da autora é gostosa, fluída e envolvente. A história é rápida de ler, e serve como uma ótima forma de relaxar ou quebrar alguma leitura pesada. É uma boa recomendação para quem gosta do gênero romance, e me deixou curiosa para ler outras obras dessa autora.



Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Resenha: "Depois do sim" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Sinopse: Lauren e Ryan viveram juntos os melhores e mais importantes momentos da vida adulta. Um romance dos sonhos durante a faculdade. A formatura. Uma bela cerimônia de casamento. O primeiro emprego. O primeiro apartamento. Eles sempre estiveram lá um para o outro, mas depois de onze anos casados as brigas parecem não ter fim – desde contas a pagar até o que vão jantar, do seguro do carro até onde estacionar. 

É triste, mas inegável: o casamento está em crise. Incapazes de avaliar se ainda se amam, eles decidem tentar algo nada convencional: viver separados durante um ano, sem manter nenhum tipo de contato, na esperança de encontrar um jeito de se apaixonar novamente.

É possível ter romance sem compromisso? E parceria sem casamento? O que faz um relacionamento durar? Pelo que vale a pena lutar? Na tentativa de responder a essas perguntas, Lauren embarca em uma jornada de autoconhecimento que vai levá-la mais longe do que imagina.

"Não estamos brigando por dinheiro, por ciúme ou por falta de comunicação. Estamos brigando porque não sabemos o que fazer para ser felizes. Estamos brigando porque não estamos felizes. Estamos brigando porque não fazemos mais o outro feliz."

Por Thaís Inocêncio: O livro começa no presente, com mais uma das brigas rotineiras do casal, então já conseguimos sentir a atmosfera de crise na qual eles estão envoltos. Nos capítulos seguintes, voltamos onze anos no tempo para descobrir como Lauren e Ryan se conheceram, se apaixonaram e o que os fez deixar de viver um romance repleto de companheirismo e felicidade e passar a discutir por cada situação cotidiana.

Esse é um dos pontos mais interessantes do livro: o fato de que o casamento não está acabando por causa de algum acontecimento grandioso ou um problema recorrente, e sim por pequenas coisinhas do dia a dia, aparentemente imperceptíveis, que se acumulam até transbordar. Chega a ser até difícil explicar o motivo da crise para quem está de fora dela. É o que acontece com Lauren ao dividir com sua família a decisão que ela e Ryan tomaram.

Aliás, a relação entre Lauren e sua família, que acaba se tornando sua rede de apoio nesse momento difícil, é muito próxima e descrita de uma maneira bastante real. Desde o início, Ryan é acolhido pela mãe, irmãos e avó de Lauren como se fosse mesmo parte da família, portanto eles também sentem essa separação de maneira intensa, cada um a seu modo.

Um ponto negativo dessa história é a ausência de Ryan na narrativa. Como o livro é narrado em primeira pessoa por Lauren, temos apenas a perspectiva dela da situação, então não sabemos muito bem como ele está enfrentando esse momento. É quase como se a autora tivesse tomado partido diante dessa crise. Lá pela metade do livro, ela tenta inseri-lo um pouco mais na história, mas ainda é insuficiente.

"Talvez precisar de alguém não signifique ser incapaz de viver sem ele. Talvez precisar de alguém signifique que essa pessoa torna nossa vida mais fácil."

Mesmo assim, adorei o livro! Não chega a ser perfeito como Amor(es) Verdadeiro(s), da mesma autora, mas vale a leitura. Para quem é casado ou está em um longo relacionamento, é fácil se identificar com a história e compreender as atitudes e decisões do casal. Quem não se encaixa nesses quesitos, pode achá-los um tanto dramáticos. De todo modo, é uma ótima história sobre as várias nuances do amor e sobre a importância de não desistir dele. 

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Resenha: "Daisy Jones & The Six" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Sinopse: Todo mundo conhece Daisy Jones & The Six. Nos anos 1970, dominavam as paradas de sucesso, faziam shows para plateias lotadas e conquistavam milhões de fãs. Eram a voz de uma geração, e Daisy, a inspiração de toda garota descolada. Mas no dia 12 de julho de 1979, no último show da turnê Aurora, eles se separaram. E ninguém nunca soube o por quê. Até agora.

Essa é a história de uma menina de Los Angeles que sonhava em ser uma estrela do rock, de uma banda que também almejava seu lugar ao sol e de tudo o que aconteceu – o sexo, as drogas, os conflitos e os dramas – quando um produtor apostou (certo!) que juntos poderiam se tornar lendas da música.

Nesse romance inesquecível narrado a partir de entrevistas, Taylor Jenkins Reid reconstitui a trajetória de uma banda fictícia com a intensidade presente nos melhores backstages do rock'n'roll.

"É isso o que todo mundo quer da arte, não? Ver alguém expor os sentimentos que existem dentro de nós. Arrancar um pedaço do seu coração e mostrar para você."

Por Thaís Inocêncio: Por se tratar de "uma história de amor e música", como diz o subtítulo, eu já sabia que iria me apaixonar por esse livro – e estava certa! Escrito em formato de entrevista, a obra traz um registro completo de como surgiu a estrela Daisy Jones, como foi formada a banda The Six e como essas duas potências se juntaram, formando o fenômeno Daisy Jones & The Six. 

Os relatos inéditos são dados pelos próprios integrantes da banda e por pessoas próximas a eles, também envolvidas no meio musical na década de 1970. As entrevistas foram feitas anos após o fim da banda, portanto os personagens recorrem a flashbacks. Isso torna a narrativa ainda mais interessante, porque, em muitos casos, cada um deles se lembra da mesma situação de maneiras diferentes, a depender do modo como foram afetados por aquele momento. 

"Muitas vezes a verdade não está nem de um lado nem de outro, e sim escondida num meio-termo."

Quem está acostumado com uma narrativa linear, pode se atrapalhar um pouco até se ambientar na história e conhecer os personagens, que não nos são apresentados da maneira tradicional; vamos descobrindo quem eles são e o contexto em que vivem aos poucos. Gostei desse formato porque a autora nos coloca no papel de fãs ou, pelo menos, de pessoas que já conhecem os membros da banda, afinal, ela foi muito famosa, o que contribui para a verossimilhança da história. 

Por falar em verossimilhança, mais uma vez Taylor Jenkins Reid consegue construir personagens tão complexos – como as pessoas realmente são – que fica difícil de acreditar que Daisy Jones & The Six não existiu de verdade. Para completar, a autora criou, de fato, as letras das músicas compostas pela banda, as quais podem ser encontradas na íntegra ao final do livro. Cada vez que uma música aparece na história, a vontade de ouvi-la de verdade é quase incontrolável. Felizmente, há uma série vindo por aí e eu mal posso esperar para ver essa banda ganhando vida!

"We only look like young stars

Because you can't see old scars"

[Nós só parecemos astros jovens / 

Porque você não tem como ver as velhas cicatrizes]

Letra da música "Young stars"

Outro ponto de destaque é a representação das personagens femininas, que são à frente de seu tempo e dignas de admiração. Daisy é uma personagem cheia de camadas que chama a atenção pela determinação e ambição, pela maneira como impõe suas vontades e pelo controle do próprio corpo. Karen, a tecladista e minha personagem preferida nessa história toda, é independente e conhece bem o significado de sororidade. Camila, esposa do vocalista Billy Dunne, impressiona pela resiliência, perseverança e pelo modo como coloca os outros acima de si mesma (o que às vezes é uma virtude, às vezes uma fraqueza).

É importante dizer que, apesar de ter sido o que me chamou a atenção inicialmente, essa não é apenas "uma história de amor e música". O livro aborda, ainda, a dependência de álcool e drogas, o relacionamento abusivo e os diversos sentimentos que perpassam as relações humanas em geral, como inveja, egoísmo, paixão, insegurança, desejo, entre outros. O plot twist realmente me impressionou e acredito que esse seja um dom da autora (vide o que ela fez em Os sete maridos de Evelyn Hugo). 

"As coisas não precisam ser perfeitas para ser fortes."

A Stephanie também escreveu uma resenha de Daisy Jones & The Six para o Dear Book. Estamos aqui pra provar que essa leitura vale a pena!

Até a próxima, pessoal!


Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Resenha: "Pessoas normais" (Sally Rooney)

Tradução de Débora Landsberg.

Por Thaís Inocêncio: Marianne e Connell frequentam o mesmo espaço, mas não pertencem ao mesmo mundo.  Apesar de serem colegas de classe de um colégio em Sligo, cidade da Irlanda, eles parecem viver em universos diferentes e paradoxais: ela é rica, mas excluída; ele pertence a uma classe social mais baixa, mas é popular. Há, porém, um fio que os conecta: a mãe de Connell trabalha como faxineira na mansão da família de Marianne.

Em uma das idas à mansão para buscar a mãe, Connell adentra o mundo de Marianne. Entre conversas e olhares, surge um desejo mútuo de ficar junto. Entretanto, como Marianne é vista como esquisita pelos alunos, Connell propõe que eles mantenham o relacionamento em segredo. Temos aí o primeiro conflito dessa história, causado muito mais por uma questão de poder social do que econômico.

“Quando conversa com Marianne, ele tem uma sensação de completa privacidade. Poderia contar qualquer coisa a seu respeito, até as coisas estranhas, e ela jamais as repetiria, ele sabe. Estar sozinho com ela é como abrir uma porta para fora da vida normal e fechá-la depois de passar.”

A partir de então, acompanhamos a vida e a dinâmica dos dois ao longo de quatro anos – do fim do ensino médio ao período da graduação. À primeira vista, esse parece o roteiro de um romance clichê que se passa entre jovens que estão entrando na vida adulta, mas essa é uma história muito mais densa do que se imagina, sobretudo pelos assuntos tratados. Entre outros temas, o livro aborda conflitos familiares, abuso psicológico, suicídio, depressão e diversos níveis de insegurança.

Com uma trama repleta de encontros e desencontros, o livro me fez lembrar bastante de Um dia, do autor David Nicholls, mas acredito que a linguagem usada por Sally Rooney atrapalhou um pouco a minha imersão na história.

Assim como Nicholls, Sally adota a narrativa em terceira pessoa para que seja capaz de nos dar uma visão ampla e, talvez, imparcial dos personagens. No entanto, sua escrita foge do convencional e a autora insere diálogos sem nenhuma diferenciação, como travessões ou aspas, e às vezes os coloca no meio dos parágrafos, o que pode causar confusão ao menor sinal de distração do leitor. Por isso, é importante estar concentrado na leitura para não se perder em relação ao momento do diálogo e a quem está falando.

“Passado um tempo ele a ouve dizer algo que não entende. Não escutei direito, ele diz. Não sei o que há de errado comigo, diz Marianne. Não sei por que não consigo ser que nem as pessoas normais.”

No entanto, ainda assim, achei incrível a construção dos personagens, que nos são apresentados de maneira tão crua. É como se a autora os revirasse do avesso e nos mostrasse tudo o que eles têm escondido lá dentro – e que, muitas vezes, escondemos também. Por isso, é fácil nos identificarmos com diversos sentimentos e situações apresentados no livro. Sally Rooney criou uma história simples, sem muitas reviravoltas, sobre “pessoas normais” e, ao mesmo tempo, extremamente complexas.

“A vida é a coisa que você traz consigo dentro da própria cabeça.”

E, se a escrita da autora prejudicou um pouco o meu envolvimento com a história, a adaptação lançada pela BBC (disponível no Brasil pelo streaming Starzplay) fez exatamente o contrário: me colocou de cabeça e coração na trama. A série, dividida em 12 episódios, é bem fiel ao livro, mas consegue ser superior, principalmente por causa da atuação dos protagonistas, interpretados de modo brilhante por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal. A intimidade e a química do casal nos faz ter certeza de que, ainda que a vida tenda a levá-los por caminhos separados, eles estão destinados a ficar juntos, pois só na companhia um do outro é que conseguem ser eles mesmos.

Paul Mescal e Daisy
Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones como Connell e Marianne na série Normal People.

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Resenha: "Amor(es) verdadeiro(s)" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Por Thaís InocêncioNa adolescência, Emma Blair tinha um crush no líder da equipe de natação do colégio, mas achava que nada iria acontecer entre eles, afinal, ele era popular e ela era... normal (bem coisa de filme estadunidense, sabe?).

Um dia, em meio a uma confusão numa festa, eles iniciam uma conversa e descobrem que têm muito em comum. Ambos não querem atender às expectativas dos pais e desejam fugir de toda a pressão que eles fazem: Emma não quer trabalhar na livraria da família; Jesse não quer ser nadador profissional. E assim eles começam a namorar.

Emma e Jesse, então, deixam sua cidade natal, em Massachusetts, e vão para a faculdade em Los Angeles. Eles se casam e têm uma vida muito feliz – até que uma tragédia acontece. Na véspera do aniversário de casamento deles, Jesse sofre um acidente de avião e é dado como morto.

Emma, é claro, passa por um longo processo de luto. Ela volta para a casa dos pais, para ter o apoio deles e da irmã, mas o sofrimento parece não ter fim. Aos pouquinhos, porém, ela vai se reerguendo. É nesse momento que ela reencontra Sam, um antigo colega, que trabalhava na livraria da família Blair. Eles se aproximam e iniciam um relacionamento. Emma, enfim, acredita ser capaz de se abrir novamente para o amor e, mais de três anos após a morte de Jesse, ela fica noiva de Sam. Então, chega a notícia bombástica: Jesse está vivo! É aí que Emma se vê dividida entre seus Amor(es) verdadeiro(s).

Narrado pela protagonista Emma, o livro consegue chamar a nossa atenção desde, literalmente, a primeira frase. Dá uma espiadinha:: 

"Eu estava terminando de jantar com a minha família e com o meu noivo quando meu marido de repente me liga."

Ou seja, já no prólogo, recebemos a informação de que Jesse está vivo. A história, portanto, começa na atualidade e, nos capítulos seguintes, recorre a flashbacks. Primeiro, somos levados à adolescência de Emma, que nos conta como conheceu e se apaixonou por Jesse. Depois, acompanhamos o seu intenso processo de luto. Por fim, vemos como ela consegue retomar a vida e se apaixonar novamente.

"Eu havia encontrado um homem que me entendia e me aceitava completamente, que tinha força suficiente para não se incomodar com o espaço no meu coração que guardei para o meu antigo amor." 

Essa estrutura é muito interessante porque permite que a gente conheça a personalidade dos personagens masculinos e saiba como nasceram e se consolidaram esses dois relacionamentos. Além disso, esse recurso de flashback nos permite entender o momento que Emma vivia quando se apaixonou por cada um. Isso é essencial para que os leitores se sintam tão divididos quanto ela, o que torna a experiência de leitura bastante imersiva. 

Além de romance, o livro tem bastante drama (acho que dá pra notar, né?). Alguns leitores podem achar certos momentos do livro cansativos ou repetitivos, como os que a Emma enfrenta o luto ou fica em dúvida sobre qual dos dois é o amor da sua vida, mas isso não ocorreu comigo. Eu entendi todas as dificuldades e os questionamentos da protagonista e me envolvi completamente com a história. Diria até que sofri quase tanto quanto ela.

Para mim, esse livro é 5 estrelas! Além de envolvente e emocionante, a história nos deixa belas lições sobre amor, amadurecimento e transformação. Será que daqui a cinco anos você será a mesma pessoa que é hoje? Isso é bom ou ruim? E, afinal, existe apenas um amor verdadeiro? Essas são algumas reflexões que poderão te acompanhar durante a leitura. 

"Não acho que um amor verdadeiro precise ser o único. Acho que amor verdadeiro significa amar de coração." 

Se você se interessou por esse livro, saiba que ele é só mais uma das obras perfeitas dessa autora. Por aqui, também somos fãs de Os sete maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six, todos escritos por Taylor Jenkins Reid. Confira nossas resenhas e até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Resenha: "Os sete maridos de Evelyn Hugo" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide

Por Thaís Inocêncio: Evelyn Hugo foi uma das mais belas e famosas atrizes de Hollywood na segunda metade do século XX. Iniciou sua carreira na década de 1950 e permaneceu em evidência até o início dos anos 1990, fosse por sua atuação em alguma produção de sucesso ou pelas fofocas envolvendo seus sete casamentos. Agora, chegando aos 80 anos de idade e reclusa em uma mansão de Nova York, ela decide contar sua verdadeira história, mas com uma condição: a de que a escritora de sua biografia seja a jornalista Monique Grant. 

A princípio, não há ligação alguma entre essas personagens. Apesar de trabalhar em uma grande revista, Monique é iniciante e não entende a exigência da atriz. Mas quem é que perderia a chance de revelar ao mundo a trajetória dessa lenda do cinema? Assim, elas passam a se encontrar diariamente para que Evelyn Hugo conte, com detalhes, tudo o que fez para alcançar o sucesso e, sobretudo, para manter a fama. Ao final, ela promete, Monique entenderá porque foi escolhida para essa missão.
"A vida em Hollywood tem uma curva de subida acentuada e queda brusca. Fiz tudo o que pude para continuar no topo o máximo possível." 
No livro, há uma parte reservada para cada marido, iniciada com seu respectivo nome, como se fosse a abertura de um capítulo. Porém, essa estrutura e até o título do livro enganam: ambos dão a entender que o tema central são os casamentos da protagonista, quando, na verdade, eles só determinaram fases diferentes da vida de Evelyn Hugo – o foco é a personalidade dela.

A trajetória da atriz é narrada por ela em 1ª pessoa, como se fosse uma autobiografia, nos fazendo mergulhar nos detalhes do seu passado. As descrições, tanto de ambientes quanto de sentimentos, são tão precisas que nos colocam dentro da história e nos fazem questionar se Hollywood, no século passado, não era exatamente como é retratada no livro. À medida que os acontecimentos da vida de Evelyn Hugo são revelados por ela, também somos apresentados a reportagens da época, evidenciando o quanto a mídia de entretenimento sempre teve um caráter invasivo e pouco comprometido com a verdade.
"Obviamente, as pessoas entenderam tudo errado. E nunca se preocuparam em esclarecer. A mídia só conta aquilo que quer contar. Sempre foi assim. E sempre vai ser."   
Intercalando-se com a narração de Evelyn, temos o ponto de vista de Monique. Ao descrever, no tempo presente, como tem sido sua relação com a atriz, ela também revela informações sobre a própria vida profissional, amorosa e familiar e, aos poucos, percebemos o quanto esses campos passam a ser influenciados pela história da protagonista, principalmente quando ela descobre porque foi escolhida para escrever essa biografia.

Esse livro tem sido muito elogiado, e com razão! Para mim, o sucesso da obra está ancorado em três fatos principais: a escrita da autora, que é bastante fluida; o modo como ela consegue inserir na obra assuntos polêmicos e necessários, como violência doméstica, homossexualidade e suicídio, nos fazendo refletir sobre eles; e a construção dos personagens, especialmente de Evelyn Hugo, que é complexa e real, com defeitos, incertezas, mágoas, qualidades, desejos e sonhos. 

A atriz é ambiciosa e manipuladora, mas também é determinada, inteligente e sensível. Ao mesmo tempo em que discorda de normas e padrões estabelecidos pela sociedade da época, tem medo de não ser socialmente aceita e busca caminhos para, ao menos, fingir que é adequada, ainda que a realidade por trás da fama seja outra. Em diversas ocasiões, ela toma atitudes consideradas imorais em nome das aparências e do sucesso. Mas, em determinado momento, ela percebe que nem toda a aprovação do mundo pode suprir a falta de amor. E é aí que ela decide se abrir para o mundo. 
"Eu não sou uma boa pessoa, Monique. Mostre isso claramente no livro. Não tenho a menor intenção de dizer que sou boa. Fiz uma porção de coisas que magoaram muita gente, e faria de novo se fosse necessário." 
A Stephanie já fez uma resenha desse mesmo livro para o Dear Book. Se você quiser uma segunda opinião sobre a obra (não tão diferente da minha), clique aqui.

Até a próxima, galera!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Resenha: "Um Novo Coração" (Sylvia Day)


Tradução: Lígia Azevedo e Alexandre Boide

Sinopse: Emocionante e poderoso, Um novo coração marca o retorno da sensação global Sylvia Day, autora best seller internacional da série Crossfire. Nunca teria me imaginado aqui. Mas estou bem agora. Em um lugar que amo, minha casa reformada e passando meu tempo com novos amigos que adoro, num emprego que me motiva. Estou me recuperando do passado para um futuro em que possa ser feliz. E daí Garrett Frost se torna meu mais novo vizinho. Ele é determinado e ousado, uma força da natureza que ameaça destruir a ordem cuidadosa da minha vida. Mas também sei reconhecer alguém perseguido por fantasmas de seu passado. Garrett é um perigo e, magoado e assombrado, parece muito mais perigoso. Temo que eu ainda esteja frágil demais para enfrentar a tempestade que existe dentro dele, muito delicada para encarar sua dor. Mas ele é muito decidido... e tentador. E algumas vezes a esperança surge mesmo em meio à desolação.

Por Jayne Cordeiro: Duas coisas me atraíram nesse livro, no primeiro momento. Tanto que nem sabia a sinopse, quando comecei a ler. Primeiro, que era escrito pela Sylvia Day, que é uma escritora que adoro. E segundo, essa capa linda, e que passava uma ideia bem diferente de livro, do que estava acostumada a ver com a Sylvia. Passava uma imagem mais doce, mais dramática. Então comecei a ler. E adorei.

Sei que esse é um daqueles livros de extremos. Há quem ame e há quem odeie. No skoob, vi desde uma estrela a cinco. Então está na cara que é uma daqueles livros que vai depender muito do leitor e sua bagagem. Eu gostei muito dele. Meu único ponto a reclamar, se posso dizer assim, é que queria que fosse maior. Este livro tem 170 páginas. Pouca coisa. E a autora consegue passar tanto...que eu queria ter um pouco mais. Talvez as coisas fossem menos corridas. Mas ainda reforço, que a história fluiu muito bem, apesar das poucas páginas.

Essa história tem um peso emocional muito grande. Temos uma protagonista, que apesar de não ser usada a palavra, claramente sofre de depressão e ansiedade. Adorei como isso ficou subentendido, e não rotulado. Era lago para pegar nos detalhes. Ao mesmo tempo, temos um romance explosivo acontecendo, do jeito que a Sylvia Day sabe fazer. E durante a leitura surge alguns questionamentos, que só nas últimas páginas são respondidos. E o que falar desse final? Faz muito tempo, que eu não sou pega de surpresa com um final. Normalmente eu sempre adivinho a surpresa antes, e o final perde um pouco do impacto. Mas aqui? Foi algo que me chocou e me deixou extasiada no final. 

Por isso, eu gostei tanto desse livro. Achei uma mistura certa entre drama, doce e hot, que é difícil de achar, e conseguir então poucas páginas. Acredito que é um livro que merece ser lido, e que o leitor deve tirar suas próprias conclusões. De mim, só saíram elogios e indicações.






Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta.
sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Resenha: "Através do Vazio" (S. K. Vaughn)


Tradução: Renato Marques

Sinopse: Em Através do vazio, ficção científica e suspense se misturam, construindo uma trama complexa e emocionante que mantém o leitor envolvido até a última página. É Natal de 2067. Os acordes de uma música natalina ecoam pelas ruínas de uma espaçonave que flutua pela escuridão. Lá dentro, May desperta lentamente — a única sobrevivente de um acidente desastroso na primeira viagem tripulada a Europa, a lua de Júpiter. Sozinha no vazio do espaço, em uma nave caindo aos pedaços, May tenta desesperadamente reencontrar o caminho para a Terra. A única pessoa capaz de ajudá-la é Stephen Knox, um cientista brilhante da Nasa... e um homem que ela magoou profundamente antes de partir. Enquanto ela batalha pela própria sobrevivência e sinais de sabotagem começam a vir à tona, a voz de Stephen parece ser a única coisa capaz de atravessar o vazio insondável do espaço e levá-la de volta para casa em segurança. 

Por Jayne Cordeiro: Ando meio que em uma "vibe" de Sci-Fy, então não podia deixar a chance de ler esse livro passar. Através do Vazio é um suspense misturado com ficção cientifica, que carrega toda uma tensão, enquanto acompanhamos a luta da protagonista May para conseguir escapar do espaço. Junto com isso vemos todo o desenrolar que acontece na Terra, envolvendo seu marido Stephen. Eu adorei esse livro. Ele tem a dosagem certa entre romance ficção e suspense, que cativa o leitor, e não deixa você parar de ler até chegar no final.

Se não tivéssemos felizes e satisfeitos como indivíduos, seriam dois chatos ressentidos, vulneráveis e insuportavelmente maçantes, como praticamente todos os outros casais do planeta.

Ele é muito bem elaborado na questão da ficção, com conversas e dinâmicas bem condizentes com cientistas, astronautas e viagens espaciais, mas sem ficar cansativo, confuso, e ainda mantendo uma pegada bem atual, mesmo se passando em 2067. Durante a leitura acompanhamos o presente, com a May e o Stephen, mas também momentos do passado que nos ajudam a entender os personagens, seus comportamentos e que vai esclarecendo aos poucos alguns mistérios que vivenciamos com a May, que logo no começo do livro acorda com perda da memória mais recente.

Só tem essa coisa chamada movimento orbital. Talvez você tenha ouvido falar. Planetas se movendo ao redor do Sol e coisa e tal. A menos que você seja um desses merdinhas que acham que a Terra é plana.

Gostei de como temos esse mistério envolvendo o que aconteceu com a nave e com a May, mas também sobre como ela foi parar nessa viagem, ou porque a relação dela como Stephen estava estremecida. O livro trás uma bela carga dramática, como as questões de relacionamento, filhos, pais e carreiras. Fou um complemento bem legal, e torna o livro muito mais rico.

Você quer ser o herói, como todos os homens, e não enxerga que eu não preciso de um herói. Eu sou a heroína. Eu.

Junto com todo o drama e suspense, damos boa risadas com a May e a Eva (a Inteligência artificial da nave) que são ótimas nos comentários. Na verdade, eu gostei muito dos personagens do livro. São extremamente ricos, bem aproveitados, e complexos. Você entende seus comportamentos, agustias, e torce junto com eles. A May é uma girl power de marca maior, e é gostoso ver uma protagonista que não é perfeita, mas que se impõe e não desiste. A história também nos dá um bastante emoção, com cenas de ação e surpresas. É um ótimo livro para quem gosta do gênero de ficção cientifica e viagens espaciais. Foi uma leitura que me surpreendeu muito, e que vale a indicação.





segunda-feira, 22 de julho de 2019

Resenha: "Tudo o que a gente sempre quis” (Emily Giffin)

Tradução de Marcelo Mendes.


Por Thaís Inocêncio: Esse livro é diferente de tudo o que Emily Giffin já escreveu. Autora de sete romances, como O noivo da minha melhor amiga (que deu origem ao filme com Kate Hudson) e Questões do coração, Emily agora se arrisca no drama contemporâneo – e, na minha opinião, dá muito certo. A história é tão atual que, para se ter uma ideia, alguns termos que aparecem nela são: snapchat, story, uber, muro do Trump, além de diálogos como esse:

— Apaga!
— Não gostou por quê? Você está ótima!
— Não, meus braços estão gordos!
— Posso editar isso.
— Só se editar meu rosto pálido também. 
— Tenho o aplicativo perfeito pra isso!"


O livro é narrado por três pessoas: Nina, Tom e Lyla. Nina nasceu em uma família simples, em uma cidade pequena, mas agora faz parte da elite de Nashville. Seu marido, Kirk, vendeu a empresa de tecnologia por uma fortuna e seu filho adolescente, Finch, acabou de ser aceito em Princeton, então ela acredita que conseguiu “tudo o que sempre quis”.

Tom também vive em Nashville, mas “do outro lado do rio”, o lado menos abastado. Ele é pai solteiro de Lyla, fruto de um relacionamento com uma brasileira, que abandonou a família. Lyla, por sua vez, é uma adolescente comum e feliz que conseguiu uma bolsa de estudos na Windsor, escola de prestígio de Nashville, onde Finch também estuda.

Tudo muda quando Lyla vai à uma festa, exagera na bebida e acaba perdendo os sentidos. Alguém se aproveita disso e a fotografa em situações constrangedoras, imagens que acabam se espalhando entre os adolescentes e a comunidade rica de Nashville. Nesse contexto, as vidas de Lyla, Tom e Nina acabam se entrelaçando e muitos valores são colocados à prova.
"Simplesmente não posso acreditar no que está acontecendo agora. Na pessoa em que meu filho se transformou. E, no entanto, posso, sim. Porque às vezes não enxergamos aquilo que está bem ali, debaixo do nosso nariz."
Esse livro aborda questões importantes tanto para os adolescentes, quanto para os pais de adolescentes, por isso pode agradar muitos públicos. Ao mesmo tempo em que retrata a vida de jovens que frequentam festas regadas a bebidas alcoólicas e fazem brincadeiras ofensivas e que acreditam que dinheiro traz poder e impunidade, ele nos faz refletir sobre a importância de uma boa criação e do diálogo entre pais e filhos.
“Pensei no tempo perdido com coisas triviais que se tornaram tão importantes para a minha vida. Reuniões, festas, almoços, academia, salão de beleza, jogos de tênis no clube e, sim, até mesmo alguma obra assistencial realmente útil. Mas com que finalidade? Que importância tinha tudo isso agora? O que poderia ser mais importante do que arrumar tempo para conversar com meu filho sobre respeitar as mulheres e as diferentes culturas e etnias?”
Além disso, a obra discute o abuso sexual e a desvalorização da mulher, alertando para as consequências profundas do machismo na vida das pessoas. Também fala muito bem sobre xenofobia e racismo – o tempo todo somos alertados para a ausência de negros na elite ou a presença deles em cargos inferiores. E ainda perpassa assuntos como alcoolismo, corrupção e, claro, os impactos da tecnologia na atualidade.
“Achava que esse ativismo era um dos poucos aspectos positivos das redes sociais, que muitas vezes não passavam de uma plataforma de narcisismo e futilidade, um meio de mostrar fotos de viagens de férias ou de entediar a todos com fotos da couve-de-bruxelas comida na véspera.”
O enredo do livro me cativou desde o início. A escrita da autora é bastante simples e ágil, o que torna essa leitura muito rápida e tranquila. Outro ponto positivo é o projeto gráfico do livro, que traz uma diagramação simples e agradável e uma capa aveludada muito bonita. Recomendo!

Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta



Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Resenha: "Querido Evan Hansen" (Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul)

Tradução: Guilherme Miranda

Lançamento em 17 de Abril de 2019

Sinopse: Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.

Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma.
Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira. Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter?
Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.
"Mesmo no formato de livro, a história de Evan Hansen canta. Leitura obrigatória, especialmente para quem já se sentiu invisível." - Becky Albertalli, autora de Com amor, Simon
"Querido Evan Hansen é uma poderosa reflexão sobre o luto, a depressão e as várias formas como estamos presentes (ou não) na vida daqueles que estão em nosso redor sem nem perceber." -  David Arnold, autor de Mosquitolândia.

Por Eliel: Contém gatilhos emocionais relacionados à depressão e suicídio.

Sou um apaixonado por musicais da Broadway e ter a oportunidade de conhecer um romance baseado em uma das mais aclamadas montagens dos últimos anos é sem dúvida incrível. Val Emmich escreveu esse romance sob o olhar do criador do ganhador do prêmio Tony de melhor musical de 2017, Steven Levenson e os compositores Benj Pasek e Justin Paul. Essa peça tem chamado atenção por ter ganho prêmios de Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora, tudo isso em pouquíssimo tempo desde sua estréia em 2016 no Music Box Theatre, na Broadway, onde ainda está em cartaz. Ainda esse ano vai estrear em Londres e também nos cinemas, porém sem data prevista.

Vejam uma das músicas mais marcantes dessa montagem, Waving Through A Window:


E tem a minha favorita também, For Forever:


O livro que será lançado esse mês pela Editora Seguinte, trás um aprofundamento para a obra original que faz ela ter ainda mais peso. Hoje em dia nunca se falou tanto dos problemas de relacionamentos e a falta de comunicação, principalmente entre as gerações. Bullying e depressão são os hits do século. Esse livro trata de todos esses assuntos de uma forma única. 

Evan Hansen é um adolescente tímido e que sofre com a ansiedade, por isso tem tanta dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Seu terapeuta sugere que ele escreva cartas para ele mesmo para trabalhar seus sentimentos. A história de desenvolve após Evan quebrar o braço quando cai de uma árvore durante as férias e agora vai começar mais um ano letivo.

Seu gesso permanece branco, ninguém assina como tradicionalmente acontece nesses casos. Evan não tem amigos, ele tem colegas de classe que estudam juntos por anos. Um desses colegas é Connor Murphy, um adolescente cheio dos seus próprios problemas, mas que ao perceber o gesso em branco se oferece para assinar. Dessa forma, o gesso de Evan tem uma única assinatura.

Evan têm uma queda por Zoe, uma das garotas mais populares da escola. Como qualquer clichê romântico, ela é inalcançável para ele. E após um momento estranho entre os dois e antes da sua próxima sessão de terapia, Evan escreve a carta mais sincera que consegue para mostrar ao seu terapeuta. Uma carta que fala de suas emoções, seus sentimentos pela Zoe e que mostra que apesar das aparências ele não está nada bem. Connor encontra a carta na impressora da biblioteca e vai levar para Evan, porém ao bater os olhos na carta ele vê que Evan fala da sua irmã. Isso mesmo, Zoe Murphy é sua irmã.

Vou ter de mostrar alguma coisa para o dr. Sherman, e tudo que tenho até agora é "Querido Eva Hansen".  Apaguei todas as coisas que escrevi de manhã. Toda aquela besteira sobre ser verdadeiro comigo mesmo. Só escrevi aquilo porque pensei que soava bem.É claro que soava bem. Ficção sempre soa bem, mas não ajuda muito quando a realidade vem e joga você de cara no chão. Quando enrola sua língua, prendendo as palavras na sua cabeça. Quando deixa você almoçando sozinho.

Connor fica muito bravo e desconta toda sua raiva em Evan. As coisas começam a se complicar quando Connor comete suicídio e é encontrado com a carta de Evan no bolso. Todos começam a achar que eles eram os melhores amigos e lidavam com seus problemas em segredo.

Evan cai em uma rede de mentiras alimentada por ele mesmo para não ferir os sentimentos dos pais de Connor. Uma amizade falsa é alimentada e dá esperanças para uma família em crise. Os acontecimentos levam um rumo que Evan jamais quis, ele se torna um modelo para pessoas que sofrem com a ansiedade e ele passa a ser reconhecido não só na escola.

Queria que tudo fosse diferente. Queria fazer parte de alguma coisa. Queria que alguma coisa que eu digo fosse importante, para quem quer que seja. Sério: alguém perceberia se eu desaparecesse amanhã?Do fundo do coração, seu melhor e mais querido amigo, Eu.

Uma poderosa história sobre responsabilidade e amadurecimento em quanto lida com problemas que, infelizmente, são tão comuns na nossa época. Mesclando capítulos do Evan com os do Connor (mesmo após sua morte) nos dão uma visão bem ampla de cada acontecimento.

Por momentos bizarra e emocionante, uma narrativa densa e de fácil compreensão. Com toda a certeza uma leitura agradável que fará muitas emoções virem à tona. Esse é o trabalho de uma obra literária, te tirar do lugar comum e te transportar além, te fazer refletir e agir. Recomendo fortemente.

- Hoje em dia, a sua geração, odeio falar isso, mas vocês só querem saber de alegria instantânea. Quem quer parar para ler um livro quando se pode ver o Facebook? Mas não tem como substituir um trabalho bem-feito. Não tem. Só precisa de um pouco de paciência.

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

 
Ana Liberato