Mostrando postagens com marcador Guilherme Miranda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guilherme Miranda. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Resenha: "Heartstopper - Volumes 3 e 4" (Alice Oseman)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Stephanie: Heartstopper é uma história para aquecer os corações mais gelados. Nos dois primeiros volumes, somos apresentados a Charlie e Nick, bem como a seus amigos que já nos conquistam logo de cara. Desde o primeiro quadrinho, eu já sabia como seria uma jornada especial, e nos últimos dois lançados por aqui eu só pude confirmar ainda mais como eu amo essa história e tudo o que ela representa.

Em “Um passo adiante” – como o próprio título sugere –, vemos os primeiros acontecimentos do relacionamento dos dois protagonistas, agora oficialmente. É muito gostoso acompanhar o desenvolvimento e amadurecimento de ambos, como eles vão aprendendo a estar juntos e a enfrentar os desafios que se apresentam no início de qualquer namoro (e outros que são específicos de um namoro entre dois meninos).

Alice Oseman sabe como ninguém escrever uma história leve sem ser boba demais. Ela insere com delicadeza assuntos mais sérios, sem nunca perder a mão. Eu gostei muito de todo o enredo, mas não sabia que o melhor ainda estava por vir.


“De mãos dadas” aprofunda ainda mais não só o relacionamento de Nick e Charlie como também as temáticas (e aqui cabe até um aviso de gatilho para transtornos alimentares). Adorei acompanhar a jornada principalmente do Nick, que passa por tantas situações novas e confusas neste volume. O final, apesar de mais triste do que o dos outros, é perfeito para ilustrar o drama vivido por Charlie e as dificuldades que as pessoas à sua volta também enfrentam, ainda que de forma indireta.

Mais uma vez, a autora trata tudo com sutileza e ainda assim, muita responsabilidade. O quarto volume da série se tornou meu favorito, juntamente com o segundo. Mas eu amo todos e recomendo demais a leitura!

Até a próxima, pessoal!


Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Resenha: "O Timbre - Scythe #03" (Neal Shusterman)


Tradução de Guilherme Miranda

Sinopse: A humanidade alcançou um mundo ideal, em que não há fome, doenças, guerras, miséria… nem mesmo a morte. Mas, mesmo com todo o esforço da inteligência artificial da Nimbo-Cúmulo, parece que alguns problemas humanos, como a corrupção e a sede de poder, são igualmente imortais. Desde que o ceifador Goddard começou a ganhar seguidores da nova ordem, entusiastas do prazer de matar, a Nimbo-Cúmulo decidiu se silenciar, deixando o mundo cada vez mais de volta às mãos dos humanos.

Depois de três anos desde que Citra e Rowan desapareceram e Perdura afundou, parece que não existe mais nada no caminho de Goddard rumo à dominação absoluta da Ceifa — e do mundo. Mas reverberações da Grande Ressonância ainda estremecem o planeta, e uma pergunta permanece: será que sobrou alguém capaz de detê-lo?

A resposta talvez esteja na nova e misteriosa tríade de tonistas: o Tom, o Timbre e a Trovoada.

Por Stephanie: Como é bom finalmente poder dizer que finalizei uma das minhas trilogias favoritas! E melhor ainda é afirmar com tranquilidade que a conclusão da história foi extremamente satisfatória.

Quando li O Ceifador, lá em 2017, eu sabia que havia encontrado algo especial. Foi uma experiência muito impactante pra mim, e até hoje me lembro exatamente como me senti quando finalizei aquela leitura. Basicamente, eu fiquei obcecada pelo mundo e personagens criados por Neal Shusterman, bem como pela escrita do autor.

Aí veio A Nuvem e desconstruiu praticamente tudo que eu achava que sabia. Neal ampliou o mundo, trouxe novos personagens e até fez algo bastante arriscado: mudou o foco da narrativa. Eu estranhei bastante isso, mas o final chocante desse volume explodiu minha cabeça num nível que eu só conseguia pensar no que viria na terceira (e última) parte da história.

(...) depois que o impensável se transforma em norma, você fica insensível a ele.

Foram dois anos de espera e muita ansiedade para finalmente saber o que o autor havia preparado para o futuro de Citra, Rowan e cia. Eu poderia ter pensado em várias de possibilidades para a conclusão da trilogia Scythe, mas acho que nenhuma delas teria se aproximado do que Neal Shusterman arquitetou com tanta maestria.

Os eventos de O Timbre se passam alguns anos após o bombástico final de A Nuvem. Logo nos primeiros capítulos, percebemos que esse volume tem mais de uma linha temporal, além de diversos pontos de vista e personagens novos. É um pouco confuso no começo, mas não demora muito para nos acostumarmos.

É muito difícil falar da conclusão de uma trilogia sem dar spoilers, por isso vou ser breve. O Timbre é um livro muito completo, que consegue abordar, além dos temas que já conhecíamos – como mortalidade, ética, religião e a corrupção humana –, outros temas muito relevantes. Há, por exemplo, um debate sobre gênero, decorrente de um personagem em específico que particularmente gostei muito e achei uma ótima adição para essa história.

Acredito que Neal conseguiu finalizar as histórias de todos os protagonistas e personagens secundários, o que pra mim é o mais importante. E por falar em personagens, eu gostei muito das relações entre todos aqui, sejam as amorosas, de amizade, família etc. Pra mim, todas foram bem inseridas e trabalhadas (com exceção de uma que queria ter visto um pouco mais… hehe).

É a natureza da vida temer o seu próprio fim. É assim que sei que estamos vivendo de verdade.

A Nimbo-Cúmulo foi um dos destaques de O Timbre. Ainda que em A Nuvem o papel dela já tenha sido de extrema importância, nesse último livro eu senti que ela se tornou mais essencial do que nunca. Algumas cenas dela eu amei tanto que nem sei explicar.

Quanto aos outros personagens, prefiro não me aprofundar muito para evitar fazer qualquer comentário com spoiler. O que posso dizer é que a cena final é puro amor. Eu não esperava chorar, mas lá estava eu me debulhando em lágrimas de emoção!

Os acontecimentos finais são muito grandiosos e impactantes. Acho que o autor foi bem ousado em algumas decisões e entendo perfeitamente que algumas pessoas possam não ter gostado tanto delas, porque nem todas têm consequências positivas. Mas esse tom agridoce fez toda a diferença pra mim; eu amei demais.

Somos seres imperfeitos (...). Como poderíamos nos encaixar em um mundo perfeito?

Portanto, se você ainda tem dúvidas se deve ou não ler essa trilogia, eu te digo: TÁ ESPERANDO O QUÊ? Corre pra ler essa história maravilhosa!

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Resenha: "Vermelho, Branco e Sangue Azul" (Casey McQuiston)

Tradução de Guilherme Miranda

Sinopse: O que pode acontecer quando o filho da presidenta dos Estados Unidos se apaixona pelo príncipe da Inglaterra?

Quando sua mãe foi eleita presidenta dos Estados Unidos, Alex Claremont-Diaz se tornou o novo queridinho da mídia norte-americana. Bonito, carismático e com personalidade forte, Alex tem tudo para seguir os passos de seus pais e conquistar uma carreira na política, como tanto deseja.

Mas quando sua família é convidada para o casamento real do príncipe britânico Philip, Alex tem que encarar o seu primeiro desafio diplomático: lidar com Henry, irmão mais novo de Philip, o príncipe mais adorado do mundo, com quem ele é constantemente comparado ― e que ele não suporta.

O encontro entre os dois sai pior do que o esperado, e no dia seguinte todos os jornais do mundo estampam fotos de Alex e Henry caídos em cima do bolo real, insinuando uma briga séria entre os dois.

Para evitar um desastre diplomático, eles passam um fim de semana fingindo ser melhores amigos e não demora para que essa relação evolua para algo que nenhum dos dois poderia imaginar ― e que não tem nenhuma chance de dar certo. Ou tem?

Por Stephanie: Se você é leitor e viveu na Terra nos últimos meses, com certeza já ouviu falar em Vermelho, Branco e Sangue Azul, de Casey McQuiston. O livro virou febre mundial desde seu lançamento, e vem conquistando cada vez mais fãs em cada país que é lançado. No Brasil, não foi diferente: a obra foi muito bem recebida pelo público e Casey foi inclusive confirmada na Flipop, evento organizado pela Editora Seguinte, que a princípio se realizará nos dias 10, 11 e 12 de julho.

Com tanto hype em cima desse livro, não tinha como eu ficar indiferente; me interessei desde o começo e fiz questão de encaixá-lo nas minhas leituras assim que possível. Fico feliz em dizer que entrei pro time dos que adoraram a história e que querem divulgá-la para que mais pessoas possam conhecê-la e se apaixonar por ela!

Acho que não é nenhum segredo que VBSA tem um enredo que se pode chamar de clichê. Só pela sinopse já dá pra saber quais caminhos a obra tomará. Porém, acredito que o trunfo do livro está em sua representatividade: além de ter um casal homoafetivo como protagonista, há também a família de Alex, que possui descendência latina. Sem esquecer também que no mundo de VBSA, os EUA têm uma presidenta.

(…) É essa a escolha. Eu amo o Henry, com tudo isso, por causa de tudo isso. De propósito. Eu amo o Henry de propósito.

Com todos esses elementos, McQuinston constrói uma história que utiliza de artifícios já conhecidos para conversar com um público que não costuma se ver representado em narrativas como essa, ou seja, o LGBTQ+. Por mais que seja fácil imaginar o final de tudo, é um respiro ver situações típicas das comédias românticas heteronormativas tendo protagonistas fora desse padrão.

Alex e Henry são protagonistas cativantes e completamente opostos. Isso que torna a dinâmica entre eles tão divertida de acompanhar. Por falar em dinâmica, é bom deixar avisado que há cenas bem quentes entre o casal, e eu não recomendaria esse livro para menores de 16 anos.

Quanto aos personagens secundários, achei que todos agregaram positivamente. Talvez eles pudessem ter sido um pouco mais aprofundados (principalmente a irmã de Alex), mas como o foco de VBSA é o romance, é compreensível que outros assuntos acabem ficando um pouco de lado.

VBSA tem um pano de fundo político que pensei que seria apenas abordado de leve, mas que surpreende por ter um papel importante na narrativa. Há muitas crises e disputas ao longo do enredo, e acho que se fosse apontar alguma coisa que não me agradou tanto, seria essa questão, que fica bastante presente conforme a obra se aproxima de seu desfecho.

De forma geral, eu gostei muito de Vermelho, Branco e Sangue Azul e recomendo a leitura para os fãs de romance que estejam buscando uma história leve e engraçada!

Pensar em história me faz pensar em como vou me encaixar nela um dia, eu acho. E você também. Eu meio que gostaria que as pessoas ainda escrevessem desse jeito. História, hein? Aposto que poderíamos fazer.

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Resenha: "Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah" (Jeff Zentner)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah é o mais novo lançamento de Jeff Zentner, autor de Dias de Despedida e Juntos Somos Eternos, dois livros que eu já li e gostei muito (confira as resenhas de ambos aqui e aqui). A obra acompanha a história de Josie e Delia, duas melhores amigas que juntas apresentam um programa de televisão sobre filmes de terror de qualidade duvidosa. Josie está passando por um momento de indecisão na vida, pois não sabe se deseja ingressar na faculdade ou seguir carreira na TV, enquanto Delilah vive uma situação delicada com uma mãe mentalmente instável e um pai ausente, que abandonou a família e a quem ela deseja reencontrar. As amigas irão embarcar em uma jornada para uma convenção do universo do terror que pode (ou não) mudar suas vidas.

Quando comecei a leitura de Sessão da meia-noite, confesso que estranhei um pouco o tom da obra e a escrita, que diferem do que encontrei nos livros anteriores do autor. Cheguei até a comparar com a escrita de John Green, principalmente por causa dos diálogos “cabeça” e meio esquisitos entre as duas protagonistas. Passado esse estranhamento, consegui me conectar com a história e sentir empatia pelos personagens, em especial pela Delia.

Acredito que cada pessoa tem direito a cinco ou seis dias perfeitos na vida. Dias sem nenhuma nota fora do tom nem incômodos, dias que vão amadurecendo como um pêssego na memória com o passar dos anos. Sempre que você o morde, ele é doce e suculento.

Toda a história que envolve o programa de TV é muito divertida de acompanhar; eu me lembrei de experiências semelhantes que tive durante a faculdade e foi bem nostálgico. Toda a preparação para o programa, o amadorismo envolvido, as cartas dos espectadores… tudo isso me deixou bastante entretida e arrancou sorrisos.

Porém, como era de se esperar, Sessão da meia-noite não é apenas divertido; há muitas partes tristes e reflexivas, que tratam principalmente de relações familiares. Ainda que esse seja o livro mais leve do autor, ele conseguiu trabalhar os dramas dos personagens (mais precisamente, da Delia) de maneira sensível e verossímil. Josie também tem seus problemas pessoais, mas que achei bem menos impactantes; em alguns momentos, senti que eram meio white people problems, sabe? Mas nada que me desagradasse tanto.

Agora, sobre algo que não me agradou mesmo: a viagem para a ShiverCon. Parece que Jeff Zentner deu uma escorregada nessa parte, inserindo situações bem desconfortáveis de ler e que chegaram a soar muito irreais. Achei desnecessário.

Há um romance que se desenvolve desde o início da história e que, apesar de ser fofo, não faria falta se não existisse. Eu teria gostado mais se todos fossem amigos, mas não acho que que vá incomodar os leitores em geral.

De qualquer forma, eu recomendo a leitura pra quem deseja se aventurar em um livro rápido e fluido, só para espairecer. Não acho que é a melhor opção para quem nunca leu nada do autor, mas, se a sinopse te interessou, pode apostar sem medo!

(...) Seria muito fácil pensar que dá para se proteger de se magoar simplesmente não amando ninguém. Meio como dá para evitar ser atropelado por um ônibus se você nunca sair de casa. Mas isso não é jeito de viver. É melhor amar as pessoas e se magoar. Ninguém nunca diz no leito de morte que gostaria de ter amado menos gente.

PS.: Há um easter egg que coloca esse livro no mesmo universo de Dias de Despedida! Meu coração se aqueceu e fiquei toda feliz quando li :)

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
sexta-feira, 12 de abril de 2019

Resenha: "Querido Evan Hansen" (Val Emmich, Steven Levenson, Benj Pasek e Justin Paul)

Tradução: Guilherme Miranda

Lançamento em 17 de Abril de 2019

Sinopse: Dos criadores do premiado musical da Broadway Dear Evan Hansen, esta é uma história emocionante sobre solidão, luto, saúde mental e amizades inesperadas.

Evan Hansen sempre teve muita dificuldade de fazer amigos. Para mudar isso, decide seguir as recomendações de seu psicólogo e escrever cartas encorajadoras para si mesmo, com esperança de que seu último ano na escola seja um pouco melhor. O que não esperava era que uma das cartas fosse parar nas mãos de Connor Murphy, o aluno mais encrenqueiro da turma.
Quando Connor comete suicídio e sua família encontra a carta de Evan, todos começam a pensar que os dois eram melhores amigos. Sem conseguir explicar a situação, Evan acaba refém de uma grande mentira. Ao mesmo tempo, graças a essa (falsa) amizade, o garoto finalmente se aproxima de Zoe, a menina de seus sonhos, e passa a ser notado no colégio. No fundo, Evan sabe que não está fazendo a coisa certa, mas se está ajudando a família de Connor a superar a perda, que mal pode ter?
Evan agora tem um propósito de vida. Até que a verdade ameaça vir à tona, e ele precisa enfrentar seu maior inimigo: ele mesmo.
"Mesmo no formato de livro, a história de Evan Hansen canta. Leitura obrigatória, especialmente para quem já se sentiu invisível." - Becky Albertalli, autora de Com amor, Simon
"Querido Evan Hansen é uma poderosa reflexão sobre o luto, a depressão e as várias formas como estamos presentes (ou não) na vida daqueles que estão em nosso redor sem nem perceber." -  David Arnold, autor de Mosquitolândia.

Por Eliel: Contém gatilhos emocionais relacionados à depressão e suicídio.

Sou um apaixonado por musicais da Broadway e ter a oportunidade de conhecer um romance baseado em uma das mais aclamadas montagens dos últimos anos é sem dúvida incrível. Val Emmich escreveu esse romance sob o olhar do criador do ganhador do prêmio Tony de melhor musical de 2017, Steven Levenson e os compositores Benj Pasek e Justin Paul. Essa peça tem chamado atenção por ter ganho prêmios de Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora, tudo isso em pouquíssimo tempo desde sua estréia em 2016 no Music Box Theatre, na Broadway, onde ainda está em cartaz. Ainda esse ano vai estrear em Londres e também nos cinemas, porém sem data prevista.

Vejam uma das músicas mais marcantes dessa montagem, Waving Through A Window:


E tem a minha favorita também, For Forever:


O livro que será lançado esse mês pela Editora Seguinte, trás um aprofundamento para a obra original que faz ela ter ainda mais peso. Hoje em dia nunca se falou tanto dos problemas de relacionamentos e a falta de comunicação, principalmente entre as gerações. Bullying e depressão são os hits do século. Esse livro trata de todos esses assuntos de uma forma única. 

Evan Hansen é um adolescente tímido e que sofre com a ansiedade, por isso tem tanta dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Seu terapeuta sugere que ele escreva cartas para ele mesmo para trabalhar seus sentimentos. A história de desenvolve após Evan quebrar o braço quando cai de uma árvore durante as férias e agora vai começar mais um ano letivo.

Seu gesso permanece branco, ninguém assina como tradicionalmente acontece nesses casos. Evan não tem amigos, ele tem colegas de classe que estudam juntos por anos. Um desses colegas é Connor Murphy, um adolescente cheio dos seus próprios problemas, mas que ao perceber o gesso em branco se oferece para assinar. Dessa forma, o gesso de Evan tem uma única assinatura.

Evan têm uma queda por Zoe, uma das garotas mais populares da escola. Como qualquer clichê romântico, ela é inalcançável para ele. E após um momento estranho entre os dois e antes da sua próxima sessão de terapia, Evan escreve a carta mais sincera que consegue para mostrar ao seu terapeuta. Uma carta que fala de suas emoções, seus sentimentos pela Zoe e que mostra que apesar das aparências ele não está nada bem. Connor encontra a carta na impressora da biblioteca e vai levar para Evan, porém ao bater os olhos na carta ele vê que Evan fala da sua irmã. Isso mesmo, Zoe Murphy é sua irmã.

Vou ter de mostrar alguma coisa para o dr. Sherman, e tudo que tenho até agora é "Querido Eva Hansen".  Apaguei todas as coisas que escrevi de manhã. Toda aquela besteira sobre ser verdadeiro comigo mesmo. Só escrevi aquilo porque pensei que soava bem.É claro que soava bem. Ficção sempre soa bem, mas não ajuda muito quando a realidade vem e joga você de cara no chão. Quando enrola sua língua, prendendo as palavras na sua cabeça. Quando deixa você almoçando sozinho.

Connor fica muito bravo e desconta toda sua raiva em Evan. As coisas começam a se complicar quando Connor comete suicídio e é encontrado com a carta de Evan no bolso. Todos começam a achar que eles eram os melhores amigos e lidavam com seus problemas em segredo.

Evan cai em uma rede de mentiras alimentada por ele mesmo para não ferir os sentimentos dos pais de Connor. Uma amizade falsa é alimentada e dá esperanças para uma família em crise. Os acontecimentos levam um rumo que Evan jamais quis, ele se torna um modelo para pessoas que sofrem com a ansiedade e ele passa a ser reconhecido não só na escola.

Queria que tudo fosse diferente. Queria fazer parte de alguma coisa. Queria que alguma coisa que eu digo fosse importante, para quem quer que seja. Sério: alguém perceberia se eu desaparecesse amanhã?Do fundo do coração, seu melhor e mais querido amigo, Eu.

Uma poderosa história sobre responsabilidade e amadurecimento em quanto lida com problemas que, infelizmente, são tão comuns na nossa época. Mesclando capítulos do Evan com os do Connor (mesmo após sua morte) nos dão uma visão bem ampla de cada acontecimento.

Por momentos bizarra e emocionante, uma narrativa densa e de fácil compreensão. Com toda a certeza uma leitura agradável que fará muitas emoções virem à tona. Esse é o trabalho de uma obra literária, te tirar do lugar comum e te transportar além, te fazer refletir e agir. Recomendo fortemente.

- Hoje em dia, a sua geração, odeio falar isso, mas vocês só querem saber de alegria instantânea. Quem quer parar para ler um livro quando se pode ver o Facebook? Mas não tem como substituir um trabalho bem-feito. Não tem. Só precisa de um pouco de paciência.

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Resenha: "O Beijo Traiçoeiro" (Erin Beaty)

Tradução: Guilherme Miranda

Por Ili Bandeira: Este livro foi uma grata surpresa para mim, li em apenas em algumas horas e fui surpreendida com a escrita fluída, rápida, envolvente e cativante da autora, Erin Beaty. Enquanto estava lendo, tinha várias suspeitas do que iria acontecer em seguida, e tomei dois ou três tapas na cara da autora, porque tudo que imaginei não aconteceu e fiquei de queixo caído com o desenvolvimento dos acontecimentos durante a escrita.


Sage é uma jovem de 16 anos, inteligente, observadora e engraçada que perdeu seus pais logo jovem e por isso mora com a família de seu tio, o que ela detesta, pois eles querem que ela se comporte como uma dama, mas infelizmente ela ama usar calças, tem uma língua afiada, adora subir em árvores para a insatisfação de seus parentes.


Sage tem o desejo de ser independente, trabalhar para ter seu próprio sustento e tem repúdio a casamentos.


Quando chega a hora de um casamento arranjado, seu tio a obriga ir para a Sra. Rodelle, casamenteira mais famosa da região para uma avaliação rápida. Mas a entrevista dá errado e não sai como planejado pois, Sage, acaba sendo sarcástica com a senhora e ela a manda embora aos gritos. 


Depois de alguns dias Sage volta à casa da casamenteira querendo pedir desculpas. A Sra. Rodelle, aceita as desculpas e a convida para ser sua aprendiz, a jovem não tem outra opção e aceita a oferta. ⠀



Durante seu trabalho de aprendiz de casamenteira, Sage tem que viajar para Concordium, evento onde os casamentos são arranjados, então nossa protagonista precisa observar e analisar o comportamento e personalidades das moças que estão indo em caravana com ela e respectivamente os seus pares, que são filhos dos nobres que encontram no caminho da viagem, para poder fazer uniões compatíveis. 


Capitão Quinn está em meio a uma missão confidencial e suspeita que Sage seja espiã do inimigo, pois repara que ela  anota algo secreto em seu caderno todo dia.


A história foi muito bem construída e já deixa um gancho maravilhoso para a sua continuação. Recomendo muito a leitura para quem adora várias reviravoltas, mistérios, suspense, uma pitada de romance e um final maravilhoso.




Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resenha: "Juntos Somos Eternos" (Jeff Zentner)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Juntos somos eternos é um lançamento de 2018 da Editora Seguinte que, apesar de ter sido lançado depois de Dias de despedida, na verdade foi o primeiro livro publicado por Jeff Zentner. Eu já tinha adorado a escrita do autor quando li Dias de despedida, e posso dizer com tranquilidade que seu livro de estreia é tão bom quanto seu sucessor, chegando até mesmo a superá-lo.

A obra aborda a história de três amigos: Dill, Lydia e Travis, sendo esse primeiro o protagonista. Dill está passando por um momento delicado em sua vida, pois seu pai, um famoso líder religioso da cidade, está na cadeia, e deixou o garoto e a mãe com altas dívidas. Além disso, Dill sente a pressão do último ano do colégio e a desorientação de não saber bem que rumo tomar na vida, ficando cada vez mais desorientado e conformado em permanecer na cidade de interior eternamente e viver uma vida simples e comum.

Travis e Lydia também tem seus problemas. Enquanto Travis lida com um pai abusivo e busca refúgio nos livros de fantasia, Lydia tenta ser o elo entre o trio, mostrando aos amigos que a vida é muito maior e melhor do que o que eles estão vivenciando. Ela pensa grande e deseja tornar seu blog de moda um trabalho verdadeiro, que lhe renda frutos durante e após a faculdade, quando ela finalmente poderá deixar a pequena cidade para trás de vez. Porém, diferentemente de seus dois amigos, ela possui uma família estruturada e que lhe dá todo o apoio necessário.

Confesso que no começo do livro estava achando tudo bem simples e até meio parado. A gente acompanha as vidas de Dill, Travis e Lydia em um ritmo tranquilo, conhecendo um pouco sobre as dinâmicas familiares de cada um e entendendo melhor a relação entre eles. Jeff Zentner consegue nos ambientar muito bem no clima de cidade interiorana, onde tudo é calmo e rotineiro. Mas a escrita do autor é muito boa, e foi o que me manteve presa à leitura.

Um dos principais objetivos da obra é abordar o fanatismo religioso e seus males. Antes de ser preso, o pai de Dill liderava uma igreja que quase chegava a ser uma seita, devido aos rituais e costumes bizarros praticados lá. Sua mãe é extremamente religiosa e se ressente do filho, sempre dizendo que ele não está fazendo a vontade de Deus. Acho que a opressão disfarçada de proteção foi muito bem representada por Jeff, que também conseguiu transmitir todo o dilema que Dill vivencia – o de tentar a todo o custo agradar aos pais, sem abrir mão de sua personalidade.

Eu gostei muito dos aspectos peculiares de cada um dos personagens principais. Dill é músico (assim como o próprio autor), Travis é um leitor ávido e Lydia é super entendida de moda. O trio me passou uma sensação de equilíbrio perfeito; o que um tem de nerd, o outro compensa por ser descolado, por exemplo.
(...) Ele cantou como se o Espírito Santo tivesse se derramado sobre ele, com uma chama purificadora (...)
Como já comentei, estava achando a história bem morna no começo. Isso durou uns 40-50% da história, porque, após um certo acontecimento, o livro mudou completamente o seu significado para mim. As emoções começaram a me acertar em cheio, e foi difícil controlar tudo o que comecei a sentir a partir de certo ponto. Jeff Zentner destruiu e reconstruiu meu coração de diversas formas, e eu não posso dizer que não adorei cada segundo.

Agora, fazendo uma breve comparação entre as duas obras que tive a oportunidade de ler desse autor, posso dizer que acho incrível como ele já desenvolveu uma voz própria em tão pouco tempo. É possível ver uma evolução, sim, mas a forma de contar histórias se mantém a mesma. Jeff possui uma sensibilidade altíssima, que torna impossível para o leitor não se identificar com seus personagens. Em JSE há pouca diversidade, é verdade, e isso pode até ser um problema para alguns, mas acho que a mensagem aqui era mais importante do que as características dos personagens. E o autor evoluiu bastante nesse sentido em seu segundo livro, o que é bom lembrar.
Eles foram à Coluna, onde aproveitaram mais alguns minutos de silêncio juntos, ouvindo o rio abrir seu caminho nas profundezas da Terra, como as pessoas abrem caminhos no coração das outras.
Bom, a resenha ficou imensa e eu tenho certeza que não consegui transmitir tudo o que senti durante essa leitura (que fluiu tão bem que terminei em três dias). Portanto, para finalizar, se você tem dúvidas sobre ler Juntos somos eternos porque acha que ele é “só mais um livro de YA contemporâneo”, eu te digo: leia e se surpreenda com essa incrível história de amizade, amor e coragem. Não se deixe enganar pelo suposto padrão que a obra aparenta seguir; Jeff Zentner aborda diversos assuntos relevantes e pertinentes – não apenas o já citado fanatismo religioso, mas, também, abuso, pedofilia e intolerância. Dê uma chance para esse livro incrível, acredito que você não vá se arrepender.

Até a próxima, pessoal!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta


Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Resenha: "O Dueto Sombrio - Monstros da Violência #2" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Cuidado com spoilers do primeiro livro!

Por Stephanie: Quando li A Melodia Feroz, fiquei encantada pelo mundo de Victoria Schwab, mas tive dificuldades com o enredo. Em O Dueto Sombrio, livro que conclui a duologia, receio dizer que isso se repetiu, e dessa vez em uma intensidade um pouco maior.

O livro se inicia algum tempo depois de seu antecessor, e podemos ver algumas das consequências dos acontecimentos anteriores e também conhecer os rumos tomados por Kate e August. Não faz tanto tempo assim que li o primeiro livro mas tive bastante dificuldade de lembrar de muitas coisas para conseguir me situar na história. Acho que a autora incluiu muitos personagens e novas dinâmicas de maneira repentina, o que pode ter contribuído para a minha confusão. Depois que me acostumei com os novos nomes e termos, a leitura fluiu um pouco melhor. 

Mas aí veio a estranheza, novamente, com o enredo. Para evitar muitos spoilers, prefiro falar o mínimo possível sobre ele. O objetivo de alguns personagens é meio nebuloso, principalmente dos protagonistas e do vilão. Não sei se a intenção de Schwab era de que essa fosse uma duologia desde o início, mas eu acho que uma trilogia poderia ter tido mais sucesso no desenvolvimento de um enredo mais completo.

(...)– Não ficou sabendo? – ela disse, engatando a marcha. – Não existe segurança. – Ela pisou no acelerador e o carro disparou rumo ao Ermo. – Não mais.

August e Kate mostram evolução, e isso foi o que mais gostei em O Dueto Sombrio. Ambos mudaram e não são mais aqueles que conhecemos no primeiro livro. Mesmo assim, a essência de cada um ainda está lá, e acho que é isso o que fez com que eu me apegasse a eles. Vão fazer falta, com certeza.

A obra nos presenteia com alguns plot twists e um final grandioso o bastante para ser digno de uma conclusão de série. Mas como o enredo não foi desenvolvido o bastante, os capítulos finais sofreram, e algumas coisas ficaram em aberto e outras não mostraram o motivo de terem sido incluídas na história.

Tudo isso é uma pena, porque eu acredito que a história de Schwab tinha muito potencial para ser algo bem maior, mais impactante. Acho que essa duologia acabou ficando naquele limbo de histórias que não são ruins, mas também não são tão boas assim. São apenas ok.

(...) Havia um lugar estranho entre o saber e não saber. Onde as coisas podiam habitar no fundo de sua mente sem pesar em seu coração.

Vou continuar acompanhando o trabalho da autora porque continuo achando a criatividade dela acima da média, mas já percebi que seus livros voltados para o público mais velho me encantam mais do que os YA's. De qualquer forma, recomendo a duologia para os fãs de fantasia, principalmente urbana!

Até mais, pessoal!

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:



Curta o Dear Book no Facebook
Siga @dear_book no Twitter e @dearbookbr no Instagram


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Resenha: "A Nuvem" (Neal Shusterman)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: O Ceifador foi uma das minhas melhores leituras de 2017 (e se tornou uma das favoritas da vida), então não tinha como não ficar com as expectativas nas alturas pela continuação, A Nuvem, lançada em maio de 2018 pela Editora Seguinte. Lembro que quando o livro chegou pra mim, eu quase dei um grito de tanta felicidade e obviamente passei a leitura na frente de todas as outras que estavam em andamento.

A sequência se inicia um ano depois do final do primeiro livro. A competição acabou, Rowan e Citra estão seguindo suas vidas, cada um com suas responsabilidades e seus desafios. No início, achei que o foco estava muito na Citra, fiquei vários capítulos esperando uma aparição de Rowan, mas em certo momento percebi que este segundo livro não seria mais sobre estes dois protagonistas. A história estava se expandindo.

Um ditador presunçoso permite que seus súditos culpem aqueles menos capazes de se defender pelos males do mundo. Uma rainha altiva permite massacres em nome de Deus. Um chefe de Estado arrogante permite todas as formas de ódio desde que alimentem sua ambição. E a triste verdade é que as pessoas engolem isso. A sociedade se devora e apodrece. A permissividade é o cadáver inchado da liberdade.

Acho que essa expansão era inevitável neste universo criado por Neal Shusterman, que ainda continua sendo um dos mais bem construídos que já tive a oportunidade ler. O autor continua levantando ótimos questionamentos, que neste livro vão além de temas como o sentido da vida ou de que maneira encaramos a morte. Em A Nuvem temos religião, propósito, relações familiares, o poder da Natureza, entre outros assuntos que por mais que já houvessem aparecido em O Ceifador, foram bem mais aprofundados nesse segundo livro. E a inclusão de trechos do ponto de vista da Nimbo-Cúmulo não foi nada menos do que incrível, além de essencial para o desenvolvimento da história.

Toda vez que testemunho um ato cruel de um ceifador corrupto, semeio nuvens em alguma parte do mundo e lamento em forma de chuva. É o mais próximo que consigo chegar de lágrimas.

O livro introduz alguns personagens novos, que inicialmente podem até parecer insignificantes, mas que aos poucos vão ganhando seu espaço e mostrando a que vieram. Como eu já disse, consegui perceber que A Nuvem não teria mais o mesmo foco, e por mais que isso tenha me incomodado um pouco, eu entendi a intenção de Shusterman e no fim das contas, gostei bastante do rumo que as coisas tomaram.

Assim como no primeiro livro, o autor conseguiu inserir várias reviravoltas na história, uma melhor do que a outra. Essa é uma das minhas coisas favoritas nesta trilogia: por mais que a gente espere que certas coisas aconteçam, a maneira que elas acontecem sempre é surpreendente e consegue nos pegar de surpresa. Minha vontade era de bater palmas a cada plot twist da obra.

O final de A Nuvem é sensacional; não sou muito fã de cliffhangers (acho que ninguém é), mas gostei do caminho que as coisas tomaram e estou empolgadíssima pra ver o que Neal Shusterman vai aprontar na continuação (e possível conclusão) dessa história tão extraordinária.

E então, tá esperando o quê para dar uma chance?

Até a próxima!

Curta o Dear Book no Facebook

Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Resenha: "Tempestade de Guerra - A Rainha Vermelha 4" (Victoria Aveyard)

Tradução: Cristian Clemente, Guilherme Miranda, Zé Oliboni e Lígia Azevedo


Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.
Por Sheila: E chegou ao fim! Foram três anos, quatro livros (mais os dois livros de contos) mais de 2000 páginas de torcida, sofrimento, angústia e lágrimas (não, titia Victoria não nos deu muitas alegrias, cada ganho veio acompanhado de uma grande perda), mas, enfim chegamos ao término da Saga A Rainha Vermelha.

Iniciado com livro que nomeia a Saga, já resenhado aqui pelo blog, teve como segundo volume Espada de Vidro e Prisão do Rei, finalizando agora com Tempestade de Guerra. E para quem gosta de evitar spoilers, talvez fosse bom parar por aqui e ler os livros anteriores primeiro.

Gentes! Eu terminei A Prisão do Rei com uma raiva, mas uma raivaaaaaaa do Cal! Ahhhhh que vontade de entrar no livro e dar umas boas de umas sacudidelas naquele menino! Como fiquei braba com aquele final! Trocar a Mare por uma coroa? Por poder? Como assim? Revolta me definia.

Tempestade de Guerra ajuda começando EXATAMENTE onde o último livro terminou: Cal reunido com o "Rei" de Rift para definir as próximas estratégias para a guerra de retomada de Norta, e Mare se afastando com Diana e tentando aguentar a dor de carregar um coração em pedaços.

FICAMOS EM SILÊNCIO POR UM LONGO MOMENTO. Corvium se estende à nossa frente, cheia de gente, mas parecendo vazia. Dividir e conquistar. As consequências estão claras, as linhas foram nitinitidamente desenhadas. Farley e Davidson me encaram com a mesma intensidade, e eu os encaro de volta. Imagino que Cal não tenha ideia, nem uma suspeita, de que a Guarda Escarlate e Montfort não têm a menor intenção de deixar que permaneça em qualquer trono que assumir. Imagino que se importa mais com a coroa do que com o que qualquer vermelho pensa. E imagino que não devo mais chamá-lo de Cal. Tiberias Calore. Rei Tiberias. Tiberias VII.

Só que, mais uma vez, Mare não tem tempo de parar para lamber suas feridas. Uma guerra está acontecendo, com adversários temíveis. Ao mesmo tempo em que Cal aceita ser o próximo rei de Norta, tendo Evangeline como sua relutante consorte, as mulheres de Lakeland - Rainha e princesas - choram a perda de seu amado rei e, claro, em seu coração transborda somente um desejo: vingança.

Esperamos juntas, minha mãe, minha irmã e eu, com a atenção fixa na face sul do horizonte. Uma neblina baixa toma conta da boca estreita da baía, ocultando a península pontilhada por torres de vigia e o lago Eris mais adiante. Algumas luzes das torres piscam em meio à névoa, como estrelas baixas. Conforme ela se movimenta, levada pelo vento, mais e mais torres se tornam visíveis. Estruturas elevadas de pedra, aprimoradas e reconstruídas uma centena de vezes em centenas de anos. As torres viram mais guerra e ruína do que os historiadores podem contar. Suas luzes flamejam, muitas ainda vívidas tão perto do amanhecer. Os faróis continuarão acesos o dia todo, as tochas queimando e as luzes elétricas brilhando. As bandeiras que balançam ao vento são diferentes das que normalmente são vistas em Lakeland. Cada torre exibe o azul com faixas pretas. Para honrar os muitos mortos em Corvium. Para lamentá-los. Para se despedir do nosso rei.

Vamos encontrar diversos atores, em diversas situações distintas. Todos carregando sua dor. Todos com suas razões para fazer o que quer que tiverem que fazer. Cal com sua coroa. Mare com sua revolução. Lakeland com seu luto. Maven com sua loucura, plantada em sua cabeça pela rainha Elara ao longo de incontáveis anos. Evangeline, com sua rebeldia que esconde seu medo profundo em relação à autoridade do pai, o Rei Samos.

No fim das contas, se formos eleger vilões para essa saga, talvez reste a alguns poucos vender essa carapuça, todos das gerações anteriores. A geração mais nova, os adolescentes protagonistas de toda essa situação, Mare, Cal, Maven, Farley, Iris, Evangline, Ptolomeus. Todos estão só tentando fazer o melhor, perdidos entre o que foi, e a construção do Novo, em que eles são protagonistas em sua inépcia e esperança juvenis.

O que eu achei do livro? As lutas são mais políticas do que batalhas - apesar de que teremos uma grande batalha ao final. As palavras são mais usadas como armas do que qualquer outra coisa. Alianças improváveis se formam, máscaras caem, e aprendemos que por detrás de uma guerra não há apenas um exército, mas pessoas com emoções e sentimentos complexos, e que é isso o que pode fazer com que a balança penda, seja para um lado, seja para o outro.

Victoria escreve muito bem. Fluída, ágil, uma narrativa que prende, envolve, emociona e cativa. Mesmo que a ação tenha sido mais lenta, e algumas coisas tenham se desenvolvido de maneira aquém do esperado, foram todos desfechos possíveis, reais. Chegando a ser dolorosos em algumas passagens.

Por mais que muita gente (mas muita gente meeesssmooo) reclame do final aberto, cheio de possibilidades, eu gostei. Me pareceu um final REAL. Afinal de contas, acho que em meio a leitura talvez tenhamos esquecido mas todos eles eram adolescentes, nenhum com mais de 20 anos. Achei natural que o fim não fosse todo redondinho (e não posso explicar melhor para não lançar spoilers). 

E vocês o que acharam? Contem para a gente! Abraços!

Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Compre na Amazon através do link e continue ajudando o Dear Book a crescer:

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: "Dias de Despedida" (Jeff Zentner)


Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Você certamente já leu algum livro sobre morte, mais precisamente sobre luto. São histórias comuns e que parecem sempre servir de consolo para quem já passou por algo semelhante, além de conseguirem emocionar a maioria dos leitores. Dias de Despedida poderia ser só mais uma dessas histórias, mas a escrita de Jeff Zentner conseguiu levar a obra para outro patamar.

Carver, o protagonista e narrador do livro, é um rapaz de 17 anos que recentemente perdeu seus três melhores amigos em um acidente de carro, pelo qual ele se sente culpado. Essa culpa vem do fato de que Carver enviou uma mensagem de texto para o motorista do carro, seu amigo Mars; mensagem esta que Mars estava respondendo quando chocou seu carro com um caminhão.

Além do peso do luto, Carver precisa lidar com a possibilidade de ser indiciado pela morte de seus amigos (o pai de Mars é um juiz conhecido na cidade). Como era de se esperar, as consequências emocionais e psicológicas destas situações tornam a vida de Carver um inferno, e ele vai tentar fazer o possível para não sucumbir enquanto tenta lidar com seus problemas. A história acompanha o processo de luto de Carver desde o momento dos enterros de seus amigos até a possível aceitação, com a ajuda de sua família, amigos e de um novo terapeuta com quem ele começa a se tratar. 
Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão.
A narrativa é muito fluida, mesmo se tratando de um assunto tão pesado e complexo. Zentner insere algumas passagens do passado dos amigos de Carver, mostrando como se conheceram e alguns dos momentos que passaram juntos. A sensação de nostalgia é constante e impossível de conter, um misto de alegria e pesar que me acompanhou durante toda a leitura. Dá pra ver como a amizade da Trupe do Molho era linda e muito intensa.

A relação de Carver com outros personagens também é muito bem trabalhada. Jesmyn, vovó Betsy e Georgia são pessoas tão incríveis, cada uma à sua maneira, que é impossível não se apaixonar pelas cenas em que elas aparecem e interagem com Carver. O romance poderia ter ficado de fora, mas foi compreensível no contexto da obra.

A diversidade está muito presente em Dias de Despedida. Zentner é um homem branco e hétero mas isso não o impediu de incluir personagens negros, asiáticos e gays em sua obra, de maneira natural e crível, sem cair em estereótipos e até alertando os leitores sobre o racismo e machismo contido em nosso dia-a-dia.

(...)Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais. Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita.
O tom escolhido pelo autor foi muito acertado, em momento algum achei o livro deprê. O final me trouxe esperança de que tudo acaba bem, de um jeito ou de outro. E me passou a mensagem de que ninguém precisa passar pelos momentos ruins sozinho. Tudo bem sentir saudade e dividir isso com outras pessoas, tudo bem se abrir com a sua família, tudo bem procurar ajuda profissional. Sua saúde mental vem em primeiro lugar.

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Resenha: "Lobo por Lobo - Lobo por Lobo #1" (Ryan Graudin)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Imagine um mundo em que Hitler venceu a guerra. Um mundo dominado pelo autoritarismo, violência e punição como forma de controlar a população, onde apenas uma parcela das pessoas é considerada digna. É nesse cenário que Lobo por Lobo inicia sua história e nos traz uma visão sobre a Segunda Guerra Mundial ainda mais sombria e devastadora, acompanhada de uma jornada de uma garota em busca de vingança.

Acompanhamos a história de Yael, uma jovem judia que desde pequena foi escolhida para participar de diversas experiências em laboratórios alemães. Essas experiências deram à Yael uma certa habilidade que irá capacitá-la para cumprir a missão de sua vida: assassinar Hitler. Para tanto, ela precisará competir em uma corrida de motocicletas que irá criar a oportunidade ideal para Yael alcançar seu objetivo.

Lobo por Lobo é um livro um pouco difícil de encaixar em um único gênero. Ele pode ser compreendido como ficção histórica, já que usa um fato histórico como base para o enredo, porém há muitos indícios de ficção científica, que é abordada quando Ryan Graudin nos mostra as experiências feitas pelo governo alemão. Junte isso a aventura e ação e temos uma obra que transborda originalidade, e não se perde mesmo em meio a tantos acontecimentos.
Porque o dia seguinte era o começo do fim. Ela correria da Germânia até Tóquio. Venceria o Tour do Eixo e seria convidada para o Baile da Vitória. Mataria o Führer e, consequentemente, o Terceiro Reich. Estava disposta a atravessar o mundo para mudá-lo. Ou a morrer tentando.
Mesmo com diversos elementos compondo Lobo por Lobo, Ryan prefere focar mais no evento da corrida do que na construção de mundo. Temos uma boa base para nos situar nesta Alemanha dos anos 50, e é possível perceber a opressão do governo sobre a população. Há a menção de campos de trabalho forçado, mas pouco se fala sobre o racismo e o preconceito contra judeus. Tudo fica um pouco subentendido neste sentido. Senti falta de mais exploração a respeito da sociedade. Os diálogos soam bastante atuais, como qualquer outro livro de YA, então talvez se a ambientação tivesse sido melhor elaborada, seria mais fácil enxergar os personagens como pessoas daquela época.

Em relação aos personagens, são muito bem construídos; ninguém é caricato ou unidimensional. Yael foi minha favorita, mas também simpatizei com Felix, Vlad e Babushka. Os personagens com quem Yael tem uma proximidade maior foram todos muito bem trabalhados; por meio de seus flashbacks foi possível sentir tudo o que a protagonista vivenciou com eles.
Ela era a predadora daquela vez. Não a presa. Nunca mais.

Sobre a corrida em si, acho que é melhor não comentar muito para não entregar nenhum spoiler. O que posso dizer é que mesmo nos momentos mais críticos, o ritmo da leitura não é tão frenético, e isso foi um ponto negativo pra mim já que me fez demorar bastante para ler. 

As reviravoltas finais são bem legais e fazem a história valer a pena. Portanto, mesmo com os defeitos que identifiquei, vou ler a continuação e espero que a experiência consiga superar a que tive com este primeiro volume!

Até a próxima, pessoal!
Curta o Dear Book no Facebook
Siga o @dear_book no Twitter e o @dearbookbr no Insta

Confira os melhores preços de Lobo por Lobo no Buscapé clicando no banner. Sua compra gera uma pequena comissão ao blog!



 
Ana Liberato