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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Resenha: "Billy Summers" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Billy Summers é o homem com a arma; um assassino de aluguel e um dos melhores atiradores do mundo. Mas ele tem um critério: só aceita o serviço se o alvo for realmente uma pessoa ruim.

Agora, Billy quer se aposentar, mas antes precisa realizar um último trabalho. Veterano da guerra no Iraque e um mágico quando se trata de desaparecer depois do crime, o hábil assassino tinha tudo planejado. Então, o que poderia dar errado?
Basicamente tudo.
Quando Billy se acomoda em uma cidadezinha do interior, disfarçado como um escritor tentando superar um bloqueio criativo enquanto espera seu alvo ser transferido para julgamento, ele não imagina a trama de traições, perseguições e vingança que o aguarda.

Por Jayne Cordeiro: Billy Summers é um assassino de aluguel, que se tornou especialista em tiro ainda no exercito. Ele possui como regra só matar pessoas ruins, e agora está no seu último e grande trabalho, para se aposentar. Nesta missão, ele precisa ficar em uma cidade pequena, disfarçado de escritor, enquanto espera o grande momento. Enquanto assume seu personagem, Billy acaba aproveitando para escrever e contar sua história. Mas nem todo o planejamento, pode evitar que as coisas possam dar errado, e Billy terá que tomar decisões importantes, sobre até onde irá para acertar as coisas.

Eu gosto muito da escrita do Stephen King, mas nunca tinha lido nada dele que não fosse do gênero terror. "Billy Summers" já segue mais para o estilo suspense policial. Acompanhamos todo o desenvolvimento do personagem, no seu papel fictício, e nos relatos do seu passado, e depois, partimos para parte em que o assassinato deve acontecer, e o que vem a seguir.

Eu achei o livro bem interessante, e mas eu teria reduzido bastante a primeira parte. É quase como ter dois blocos bem delimitados: Antes do assassinato e Depois do assassinato. E a parte "Depois" foi bem melhor. Bem mais dinâmica, com boas participações de outros personagens. Todo o enredo dessa parte prende o leitor, porque precisamos saber o que irá acontecer. Para mim, a primeira parte ficou um pouco cansativa, sem atrativos, e a  maior parte que  narra o passado de Billy, parece ter ficado um pouco solta.

Foi um livro que conseguiu me prender do meio para fim, e o final pareceu bem coeso com tudo o que o livro se propõe, mas deu uma leve sensação agridoce. Mas o livro é bom, e a escrita do autor continua ótima, mesmo sendo um gênero diferente. As avaliações do livro são boas, mas não diria que é um dos melhores livros dele. Mas acredito que seja uma daquelas obras que vai ter quem goste e quem não.


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Resenhas: "Trocas Macabras" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Compre agora. Pague depois.

Há uma nova loja na cidade. ARTIGOS INDISPENSÁVEIS, diz a placa. Um nome curioso, que se torna tema de rumores e especulações entre os moradores de Castle Rock.
Para cada cliente que entra na loja, Leland Gaunt tem algo perfeito ― um objeto há muito sonhado, desesperadamente desejado. O preço parece sempre razoável, mas vem acompanhado de pedidos estranhos.
O que começa como brincadeiras e pegadinhas inocentes aos poucos sai do controle, transformando a cidade em palco de disputas caóticas e brutais. Mas, quando você encontra um artigo indispensável, como saber se o custo para obtê-lo é alto demais?

Por Jayne Cordeiro: "Trocas Macabras" é um dos lançamentos de 2020, e da coleção especial que a Suma das letras tem lançado do autor Stephen King. Uma coleção com valor alto, mais feita com muito esmero, e bonita de ver. Achei o visual dessa edição maravilhosa. O material da capa, a textura e relevo dela, além da cor chamativa, foi bem atraente para mim. E por ser capa dura, ele já ganha pontos a mais.

Esse livro foi bem aguardado aqui no Brasil, porque era muito difícil achar a única edição dele que foi lançada por aqui e que fazia muito tempo. E o que dizer sobre esse livro? "Trocas Macabras" se passa no Maine, local onde muitas histórias do autor se passam, e nesse caso aqui, é em uma cidade já mostrada em outros livros dele, Castle Rock. Eu não tinha lido nenhum desses livros, e isso não atrapalhou a leitura. O livro é longo, mas muita coisa acontece nele  também. Temos muitos personagens, que em um primeiro momento, não parecem ter nenhuma ligação, além de morarem na mesma cidade. Mas então ,  as situações vão saindo de isoladas, para se unirem em uma rede bem interessante no final.

Por um lado, a escrita do autor é bem envolvente, o que já era esperado, pelos outros livros que li dele. "IT - A Coisa" é bem maior que "Trocas"  e consegui ler sem pena. Mas, da mesma forma, esse aqui não dá para você ler rapidamente. É um livro denso, com detalhes. O autor dá muita importância a descrições, e pequenos acontecimentos, e isso pode deixar o livro cansativo para alguns. Eu, particularmente, gosto muito da forma como o autor decidiu contar essa história. Mas esse é um livro de extremos. Há quem ame e quem odeie.

De qualquer forma, acho que é um livro interessante, e que tem muito da identidade do autor. Vemos o sobrenatural, mas também o mal que existe dentro das pessoas. É uma característica do autor, trazer essa maldade humana como um personagem de terror. Muitas vezes, ficamos mais abalados pelo que o humano faz nos seus livros, do que um monstro sobrenatural é capaz de fazer. No geral, é uma edição linda, e uma história que precisa ser degustada. Acho que vale a pena a leitura, e que vocês possam tirar suas próprias conclusões.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Resenha: "Terror a Bordo" (Stephen King e Bev Vincent)

 

Tradução: Regiane Winarski 

Sinopse: Stephen King odeia voar.E agora, junto com seu coeditor Bev Vincent, ele está pronto para compartilhar esse medo com você.Bem-vindos a Terror a bordo, uma antologia sobre tudo que pode dar terrivelmente errado quando se está a 20 mil pés de altura, cortando os céus a 800 km/h, preso em uma caixa de metal com centenas de desconhecidos.

Aqui você vai encontrar todas as maneiras como sua agradável viagem pelos ares pode se transformar em um pesadelo, incluindo algumas formas que você nunca imaginou… mas que vai imaginar da próxima vez em que estiver atravessando a ponte de embarque e entregando sua vida nas mãos de um estranho.
Incluindo histórias inéditas de Joe Hill e Stephen King, além de catorze contos clássicos e um poema de mestres como Richard Matheson, Ray Bradbury, Roald Dahl, Dan Simmons e muitos outros, Terror a bordo é, nas palavras de Stephen King, "perfeito para ler em aviões, principalmente durante aterrisagens turbulentas".


Por Jayne Cordeiro: Sou daquelas que tem vontade ler qualquer coisa que traga o nome de Stephen King. E aqui temos um livro que trás seu nome bem grande na capa, mas que não foi totalmente escrito por ele. "Terror a bordo" é uma antologia focada em um tema bem interessante. Quem nunca se preocupou com que poderia acontecer durante um voo? E aqui, tudo isso é aumentado ao dar uma conotação sobrenatural a todas essas possibilidades. Não vou falar sobre cada conto, mas sim no que o conjunto em si conseguiu passar.

Quem lê as minhas resenhas, sabe que não sou muito fã de antologias. Por mais que eu acabe gostando dos contos, terminar um livro deles, é uma tarefa mais difícil. Eu não consigo ter aquele animo para continuar lendo (o que explica nunca ter terminado Black Mirror), mas para quem gosta desse tipo de livro, não vejo motivos para não gostar desse aqui. O mais interessante sobre ele, é que os contos são dos anos mais variados, e o telespectador é situado com uma introdução que ocorre no começo de conto. E essa introdução já é interessante por si própria.

Individualmente, eu gostei de quase todos o contos. Eles não são longos, e você acaba vendo diversas escritas diferentes, com temáticas diferentes, e isso mantem a atração da coisa. Alguns me deixaram bem tensa, e outros me fizeram pensar "que estranho" e ficar com aquilo remoendo na mente. Todas as escritas me convenceram, e se mostraram bem coesos ao tema principal. Muitos contos até pareciam algo que o Stephen King teria escrito. E não foi a toa, que foram escolhidos por ele, para fazer parte dessa coletânea. Para quem gosta do gênero suspense/terror, e ainda gosta de contos, esse é um livro que vai entreter totalmente o leitor.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Resenha: "It - A Coisa" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Durante as férias de 1958, em uma pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança... e do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permaneceu em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Neste clássico de Stephen King, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.

Por Jayne Cordeiro: Sempre ouvi falar do livro "It - A Coisa", mas nunca me atrevi a ler. Talvez por ser um livro de terror, talvez pela quantidade de páginas ou pelo preço do livro. Mas depois de ver  mais nova adaptação para o cinema, fiquei mais curiosa para ler, e consegui entrar em uma leitura coletiva. E o que dizer?

Eu já li outros livros do Stephen King, e gostei de todos eles, incluindo O Iluminado. Mas "It" me conquistou de uma forma única. Começou como uma leitura diferente, em que eu só lia um capítulo por dia (e eles são enormes, no começo), e isso me deu a sensação de estar vendo uma série, onde cada dia havia um episódio novo. E depois veio a história, os personagens e um pouco do carinho já adquirido pelos filmes.

O livro é uma história de terror, mas também é muito mais do que isso. Ele passa mensagens importantes sobre familia, amizade, infância, e como o passado pode nos moldar, sem nem perceber. O jeito como ele apresenta o mal, não só como um ser "mágico", mas também como as facetas do ser humano, é de fazer o leitor se questionar sobre como o livro pode ter um tema sobrenatural, mas também tão realista.

O revezamento entre os personagens que contam a história, incluindo aqueles que nem são protagonistas, dá uma amplitude muito boa a história. Os personagens são cativantes, emocionantes e nos apegamos  a eles facilmente. O livro mistura terror, suspense, drama e consegue ser divertido também. Trás temas importantes, como bullying e preconceito, de formas cruas e reais. Para mim foi um livro que trouxe mais do que só tensão, foi um livro que me fez pensar. E ele tema uma coisa ótima. O autor não te entrega as respostas fáceis. Ele te faz analisar e depois quando você já criou mil teorias, ele vem  responde.

Deu pra ver que foi um livro que adorei, e que recomendo para todo mundo. Até quem não tem o costumo de ler terror. Ele tem cenas tensas, mas não chega  ser pesado como um filme de terror consegue ser. A história é bem construída  e segue um ritmo bom. Só teve uma cena que não gostei, e acho que é unanimidade entre os leitores, mas fora isso é um livro sem defeitos. E apesar de bem grande, não tiraria nada dele.


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Resenha: "Ascensão" (Stephen King)


Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Scott Carey tem muito em que pensar ― o projeto enorme que pegou no trabalho; o casal lésbico que mora na casa ao lado e o cachorro delas, que insiste em fazer as necessidades no seu quintal; e a súbita e inexplicável perda de peso das últimas semanas.
Apesar de não querer ser estudado e examinado, Scott decide compartilhar a questão com seu velho amigo, o dr. Bob Ellis. Afinal, apesar dos números decrescentes na balança, sua aparência continua a mesma ― além disso, seu peso não varia quando está nu ou usando roupas pesadas, quando está de mãos vazias ou carrega algo no colo. Não importa o que ele faça ou coma, Scott está cada vez mais leve ― embora não mais magro ―, e conforme seu peso se aproxima de zero, ele sabe que logo nada vai prendê-lo ao chão.
Scott não quer se preocupar com o que vem pela frente; ele ainda tem tempo para resolver todas as suas questões antes do Dia Zero, e por que não começar pelas mais difíceis? Por exemplo, encarando o preconceito que suas vizinhas têm sofrido da comunidade ― e dele ― e fazendo o possível para ajudar.
Amizades improváveis, a maratona anual da cidade e a misteriosa condição de Scott são a fórmula para grandes transformações. Incrivelmente alegre e profundamente triste, Ascensão é um verdadeiro antídoto para nossa cultura intolerante.

Por Jayne Cordeiro: Ascensão é um livro bem curtinho de Stephen King, com um pouco mais de 120 páginas. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa, que achei muito bonita, e ainda mais sendo de capa dura. Este livro é diferente das outras obras do autor que já li. O livro é bem mais curto, e a história é mais simples. Não espere aqui grandes explicações de o porque das coisas, mas ainda assim é um livro muito interessante e que me conquistou, mesmo sem ter um enredo complexo.

Gostei muito da forma como a história foi contada. Os personagens são extremamente cativantes, o que é uma surpresa, considerando as poucas páginas disponíveis. Scott é um encanto de pessoa e lida muito bem com a sua nova realidade. Esta ficando cada vez mais leve, percebendo que um dia ele não pesará o suficiente para permanecer ligado ao chão. Junto a essa história ligada mais ao gênero fantástico do que ao suspense/terror, o autor retrata outros temas bem interessantes, como o preconceito por opção sexual, e a aceitação das diferenças. 

No final da sinopse, existe a seguinte frase "Incrivelmente alegre e profundamente triste", definindo o livro. E acho que nada se encaixa tão bem quanto isso. Ao mesmo tempo que sorrimos com as interações entre os personagens, sentimos uma doce tristeza pelo destino que aguarda Scott. Apesar de o livro não trazer explicações para o fenômeno, acho que ele cumpre exatamente seu papel de passar uma mensagem voltada para a aceitação. Seja de qual forma for. É um livro bonito e muito diferente do que estou acostumada a ver do autor. E gostei muito disso.




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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Resenha: "O Instituto" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Sinopse: O novo livro de Stephen King, o Mestre do Terror, traz uma história inesquecível sobre um grupo de crianças com talentos especiais que precisam se unir para derrubar um grande mal.

No meio da noite, em uma casa no subúrbio de Minneapolis, um grupo de invasores assassina os pais de Luke e sequestra silenciosamente o menino de doze anos. A operação leva menos de dois minutos.

Quando Luke acorda, ele está no Instituto, em um quarto que parece muito o dele, exceto pelo fato de que não tem janela. E do lado de fora tem outras portas, e atrás delas, outras crianças com talentos especiais, que chegaram àquele lugar do mesmo jeito que Luke. O grupo formado por ele, Kalisha, Nick, George, Iris e o caçula, Avery Dixon, de apenas dez anos, está na Parte da Frente. Outros jovens, Luke descobre, foram levados para a Parte de Trás e nunca mais vistos.

Nessa instituição sinistra, a equipe se dedica impiedosamente a extrair dessas crianças toda a força de seus poderes paranormais. Não existem escrúpulos. Conforme cada nova vítima vai desaparecendo para a Parte de Trás, Luke fica mais e mais desesperado para escapar e procurar ajuda. Mas até hoje ninguém nunca conseguiu fugir do Instituto.

Tão aterrorizante quanto A incendiária e tão espetacular quanto It: a Coisa, este novo livro de Stephen King mostra um mundo onde o bem nem sempre vence o mal.

Por Stephanie: O Instituto é um dos últimos livros publicados por Stephen King e, apesar de conter uma atmosfera bastante macabra, não é exatamente um livro de terror. A obra navega entre a ficção científica, aventura e o suspense e entrega uma história rica em detalhes, além de bastante intrigante, como já é típico do autor.

Nos primeiros capítulos, tive um pouco de dificuldade de entrar de cabeça na história; King opta por trazer um background rico e que a princípio não parece ter ligação com o enredo apresentado na sinopse, e isso acabou me deixando meio desanimada. A partir do momento em que o ponto de vista muda e conhecemos o protagonista, Luke, fui fisgada pela obra e senti que a coisa toda estava mesmo começando.

Luke e os personagens infantis são muito bem desenvolvidos e eu adorei ler a jornada deles. Eu sofri e quase chorei por eles em vários momentos, pois as cenas de tortura são bem gráficas e desesperadoras, o que já era de se esperar. Com certeza esses momentos foram os mais aterrorizantes e difíceis de ler.

O elenco adulto é praticamente todo composto pela escória humana; tirando poucas pessoas, como Maureen e Tim (além de outros moradores de DuPray), a obra nos mostra como os seres humanos são capazes das maiores atrocidades quando julgam possuir uma justificativa plausível para tal, por mais absurda que seja.

Acho que o que mais gostei em O Instituto foi o constante clima de conspiração. Como fã de Stranger Things, sou fissurada nesse tipo de assunto e senti que o autor soube explorá-lo bem, principalmente mais para o final, quando somos agraciados com a maioria das respostas.

Sobre o final propriamente dito, eu gostei bastante! Esperava que algumas coisas fossem acontecer mas foi bastante gratificante ver o desenvolvimento e a luta de Luke em busca de seus objetivos.

Minha única crítica diz respeito à quantidade de páginas. King é um autor bastante descritivo, mas em alguns momentos achei que ele se repetiu, principalmente nos momentos em que narra a rotina de Luke e seus amigos dentro do instituto. Fora isso, achei o livro muito competente em todos os aspectos e recomendo a leitura!

Era tão simples, mas era uma revelação: o que você fazia por si mesmo era o que lhe dava o poder.

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Resenha: "A Metade Sombria" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Por Stephanie: Quando li a sinopse de A Metade Sombria, logo fiquei interessada. Não sei por que eu havia esquecido que o livro tinha uma pegada sobrenatural, por isso fui surpreendida desde o começo. O clima sombrio já é notável nos primeiros capítulos, e a escrita característica de King consegue nos deixar imersos e curiosos para ver o que virá pela frente.

Não é novidade que Stephen King gosta de escrever sobre escritores. Eu adoro ler sobre esse tipo de personagem porque sempre acabo me identificando muito com seus pensamentos (afinal, um dia ainda quero publicar meu livro). Ver Thad, o protagonista, refletindo sobre seus trabalhos e sobre sua relação com o pseudônimo George Stark foi fascinante e me despertou grande empatia.

(...) afinal,  ele era escritor de ficção… e um escritor de ficção no fundo não passava de um sujeito pago para contar mentiras. Quanto maiores as mentiras, melhor o pagamento.

Por falar em Stark… que personagem aterrorizante! Toda vez que ele surgia, eu sabia que algo terrível estava para acontecer. O aspecto vilanesco dele poderia ter soado caricato ou forçado, mas acho que combinou com essa obra em específico. Talvez seja graças a escrita densa de King, que consegue transmitir toda a maldade de maneira crua. Porém, é bom lembrar que o autor tem como característica a prolixidade, ou seja, não espere um livro super fluido (o que não o desmerece de forma alguma).

(...) Mas, quando estava escrevendo como George Stark, e particularmente sobre Alexis Machine, Thad não era o mesmo. Quando ele… abria a porta, talvez seja a melhor forma de dizer… quando ele fazia isso e convidava Stark pra entrar, ficava distante. Não frio, nem mesmo morno, só distante. (...)

Como um bom livro de King, é preciso avisar: há cenas pesadas, que chegam a embrulhar o estômago. Se você for muito sensível, não recomendo. A parte policial e de investigação é bem empolgante, mas achei um pouco inverossímil em algumas passagens (parece que a polícia é meio burra, às vezes…).

O desfecho é bem satisfatório. Acho que dentro das possibilidades, King soube fechar os arcos com maestria e ainda deixar aquela pulguinha atrás da orelha da gente, hehe. Recomendo muito essa leitura pra quem está atrás de uma boa história sobrenatural com doses de drama e investigação!

Até a próxima, pessoal!

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Resenha: "Corações na Atlântida" (Stephen King)

Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? esse mês de setembro foi dedicado à leitura e resenhas do King, o rei do meu coração 💖. Há tempos eu vinha querendo ler Corações na Atlântida, mas esse é um daqueles livros raros, difíceis de encontrar.

Tenho resolvido esses problemas desde que comprei meu kindle, e lendo livros que estavam em "lista de espera" há muito tempo. Tanto tempo, que eu confesso que até já havia esquecido por que havia adicionado esse liro à minha lista de leitura com tanto entusiasmo.

Assim foi com uma grata surpresa e alegria imensas que descobri que este livro contém alguns easter eggs da saga A Torre Negra! São cinco contos, dois mais longos e três curtos, tendo personagens que se entrelaçam em todas as histórias.

Como não achei nenhuma versão em português, vou colocar o título dos contos e falar um pouquinho sobre eles, e juro que vou tentar dar o mínimo possível de spoilers!


No primeiro dos contos, Low Men in Yellow Coats, vamos conhecer o jovem Bobby Garfield e sua mãe Nora. A relação dos dois parece seguir um fluxo constante de críticas e palavras amargas, ficando claro que talvez a mãe de Bobby o veja como um peso, um fardo deixado por seu marido falecido. 

De maneira totalmente improvável e inesperada, Bobby acaba por se tornar amigo do velho Ted Brautigan, quando o mesmo se muda para o mesmo prédio onde ele a mãe moram. Ted, que percebe a animosidade da mãe de Bobby, precisa de ajuda. Como subterfugio, explica que precisa que Bobby leia os jornais para ele, mas na verdadeTed está fugindo de um grupo de seres que querem raptá-lo, os homens maus em casacos amarelos. 

Para quem acompanha a Torre, Ted é um Sapador, e os homen maus estão à srviço do Rei Rubro, e como uma fã de carteirinha, só por poder ter esse pequeno vislumbre da Torre esse se tornou meu conto favorito do livro!

O segundo conto, que intitula o livro, vai nos trazer  um grupo de estudantes que, em meio ao caos vivido pela guerra do Vietnã, refugiam-se em um jogo de cartas de forma alucinante, deixando de lado os estudos e ameaçando serem expulsos da universidade e ter de servir no exército. Nesse conto, vamos encontrar Carol Gerber, a melhor amiga de Bobby (isso mesmo, o do primeiro conto!), e presenciaremos sua quase relação com Peter Riley, o personagem principal.

Confesso que, de todos, esse foi o conto que menos gostei. Não senti empatia nenhuma pelos personagens (exceto a Carol, claro) o drama não me convenceu e o final ficou tipo meio "ahn???". Mas, claro, que se dependesse inteiramente da minha vontade,  Low Men in Yellow Coats teria sido um livro inteiro, melhor elaborado, e os outros contos nem existiriam.

Os contos que se seguem a esse são curtos: em Blind Willie, vamos encontrar um veterano de guerra que, em sua adolescência, ajudou a ameaçar Booby e espancar Carol. Além disso, serviu no exército com John Sullivan, ex-namorado de Carol. Nessa história, vamos acompanhar Willie pedindo esmolas e se fingindo de cego.

E por falar em John Sullivan, é ele o protagonista de  Why We're in Vietnam. John Sullivan é ex de Carol, amigo de infância de Bobby, lutou ao lado de Willie e de um dos colegas de faculdade de Peter Riley, aquele do jogo de copas. O drama aqui refere-se às alucinações de John com uma senhora vietnamita, bem como algum estresse pós traumático.

E fechando o ciclo em Heavenly Shades of Night are Falling, vamos reencontrar nosso querido, meigo e carinhoso Bobby Garfield, de volta a sua cidadezinha natal após quarenta anos de ausência, ele próprio tendo de encerrar alguns ciclos que ele imaginava que já houvessem se resolvido. Mas nem tudo pode ser curado somente com o tempo.

No geral, foi um livro que eu gostei muito mas, sinceramente, você pode ler somente o primeiro e último conto sem prejuízo nenhum à leitura. Recomendo!





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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resenha: "A Incendiária" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.
Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Por Sheila: Oi pessoas!!!! Vários pontos de exclamação por que eu sempre fico super, hiper, ultra MEGA empolgada quando o assunto é Stephen King. Juntamos o querido King com a Suma (sua linda!) + edição em capa dura + relançamento de livro esgotado e o que acontece? Eu SURTO, obviamente.

Lançado em 1980, estava esgotado há vários anos, e era um dos pedidos constantes de inclusão na Biblioteca Stephen King - Inclusive por mim! E a nossa querida Suma, mais uma vez, conseguiu se superar na escolha e no capricho!

Para quem ainda não leu, vamos ao livro: no melhor estilo sci-fi, King irá nos apresentar aos jovens Andy e Vicky McGee, que foram usados em uma experiência secreta ainda adolescentes. Enquanto Andy consegue "empurrar" as pessoas e levá-las a pensar o que ele deseja, sua filha Charlene (Charlie) herda os genes modificados dos pais e parece ter poderes muito mais proeminentes. Enquanto Andy fica esgotado ao usar seus poderes, Charlie consegue fazê-lo sem nenhum efeito colateral.

Andy pegou a carteira, que tinha só uma nota de um dólar. Agradeceu a Deus por não ser um daqueles táxis com divisória à prova de balas, que não permitia contato entre passageiro e motorista, exceto por uma abertura para o dinheiro. Contato direto sempre facilitava o impulso. Nunca conseguiu descobrir se eraalgo psicológico ou não, e agora não importava.
— Vou dar a você quinhentos dólares — informou Andy, baixinho —, para você levar a minha filha e eu até Albany. Certo?
— Jeee-sus, moço… Andy colocou a nota na mão do taxista, e quando o sujeito olhou, Andy deu outro impulso… com força.
O motorista estava satisfeito. Não estava pensando na história enrolada do passageiro. Não estava questionando o que uma garotinha de sete anos estava fazendo visitando o pai por duas semanas em outubro, época de aulas. Não estava pensando no fato de que nenhum dos dois possuía bagagem . Não estava preocupado com nada. Ele tinha sido impulsionado. Agora, Andy pagaria o preço.

Acontece que os McGee nunca deixaram de ser vigiados pela Oficina, uma sociedade secreta que investiga e explora pessoas que apresentem qualquer tipo de poder especial. E assim, quando a pequena Charlie herda de seus pais a capacidade de produzir fogo, conhecida como pirocinesia, o casal faz de tudo para evitar que a mesma se exponha, ou exponha seus poderes especiais.

O início do livro é muito rápido, já começa com a fuga de pai e filha. Infelizmente, como Charlie tinha dificuldade em controlar seus poderes por causa de sua pouca idade, a Oficina descobriu seu dom, e tentou tirá-la de Andy e Vicky. Em meio a fuga, descobrimos que Vicky não os acompanha por que foi assassinada pela Oficina em sua tentativa de proteger a filha.

Papai, estou cansada — disse com agitação a garotinha de calça vermelha e blusa verde . — A gente não pode parar? — Ainda não, querida. Ele era um homem grande de ombros largos, vestindo um paletó de veludo gasto e puído e uma calça marrom de sarja. Ele e a garotinha estavam de mãos dadas, andando pela Terceira Avenida em Nova York. Caminhavam rápido, quase correndo. Ele olhou para trás, e o carro verde ainda estava lá, seguindo lentamente junto ao meio-fio. — Por favor, papai. Por favor. Ele olhou para ela e viu como seu rosto estava pálido. Havia círculos escuros embaixo dos olhos da menina. Ele a pegou no colo e a apoiou na dobra do braço, mas não sabia por quanto tempo conseguiria seguir assim. Também estava cansado , e Charlie não era mais tão leve. 

Um dos grandes antagonistas desta trama é o agente da Oficina, Rainbird, um indígena que persegue  a menina não pelos ideiais da organização que representa, mas por um motivo muito mais bizarro: Rainbird acredita que, ao matar Charlie, precisa olhar em seus olhos para receber uma grande revelação espiritual.

Adaptado para as telonas em 1984, chegou ao Brasil com o título Chamas da Vingança e tinha Drew Barrymore, ainda muito pequena, como Charlie e David Keith como Andy McGee, o pai. Infelizmente à época foi considerado um fracasso de bilheteria, mas ainda tenho a esperança de um remake.


Repleto de cenas de fuga desesperada, amizades desfeitas, dúvidas horrendas e muita ação nas mãos da pequena Charlie, que precisa usar seu dom para se defender, A Incendiária é um livro maravilhoso, que irá nos prender do início ao fim, não só por sua escrita, mas por nos fazer questionar a ética por trás da existência de diferenças que impactem a vida de outras pessoas.

Afinal, até onde podemos esperar que Charlie se torne uma pessoa "normal", ou que se torne uma incontrolável máquina de matar, incendiando tudo e todos em seu caminho? Teria tirado alguma vida se não tivesse sido tratada como um monstro? Seria seguro mantê-la em meio as ouras pessoas, sem poderes?

Um clássico obrigatório aos fãs de nosso querido King, e um trabalho mais que espetacular da nossa querida editora Suma, mais uma vez com capa dura em alto relevo, folhas amarelas, ótima revisão e diagramação que tornam a leitura um prazer. Recomendo!

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Resenha: "O Bazar dos Sonhos Ruins" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Quem acompanha o blog já deve saber que eu sou uma Kingmaníaca de carteirinha! Alguns fãs do mestre não gostam muito dos livros de contos, preferindo os romances.

Aliás, King mesmo admite em alguns de seus livros que não se considera um bom contista, mas que estas são idéias boas demais para serem desperdiçadas, então ele as escreve mesmo assim. E, de minha parte, continue! Eu adoro a maioria dos contos (não todos, claro), mas mesmo assim, o saldo, para mim, é sempre positivo!

Com 20 contos e mais de 500 páginas, é um dos livros que entra fácil para minha lista de favoritos, principalmente por ser um dos livros de contos em que, praticamente gostei de todos!

Do terror ao horror, carrega desde seres sobrenaturais e inexplicáveis como iremos ver em Milha 81, que conta a história de uma van enlameada que literalmente come gente, até aqueles contos em que o monstro é o próprio ser humano, como em Moralidade.

Como são muitos contos vou separar para falar para vocês o que eu considerei o melhor conto da coletânea e o pior conto - Oscar e Framboesa - da coletânea O Bazar dos Sonhos Ruins.

Começando como o melhor: fãs da Torre, preparem-se! Em Ur, iremos encontrar muitas referências muito explícitas a nossa querida saga, quando um professor no departamento de inglês da Moore College, Wesley Smith, resolve "experimentar novas tecnologias" comprando um Kindle da Amazon por um motivo nada altruísta. Wesley estava com raiva.

Estou experimentando novas tecnologias, ele se imaginou dizendo. Ele gostou de como soava. Era totalmente moderno. 
E claro que gostava de pensar na reação de Ellen. Ele tinha parado de deixar mensagens no celular dela e tinha começado a evitar certos lugares (o Pit Stop, o Harry’s Pizza) onde podia esbarrar com ela, mas isso podia mudar. Obviamente, estou lendo no computador, assim como todo mundo era uma frase boa demais para desperdiçar. 
Depois de uma discussão com sua namorada Ellen Silverman, que resultou em um  término abrupto,  Wesley resolveu seguir ao pé da letra o que a ex-namorada sugeriu: aderir às novas tecnologias e ler no computador, como "todo mundo". E Wesley estava achando até bem interessante seu novo brinquedo (era assim que ele o chamava) não fossem por duas peculiaridades: 1) Seu Kindle, ao contrário de todos os outros comercializados, era rosa; 2) Em um submenu denominado "Ur", Wesley começa a encontrar o que parecem ser obras famosas de autores consagrados que não deveriam existir.
Estamos trabalhando nesses protótipos experimentais. Você os acha úteis? 
— Ah, não sei — disse Wesley. — O que são? 
O primeiro item do protótipo era REDE BÁSICA. Então, sim para a pergunta da internet. Aparentemente, o Kindle era bem mais computadorizado do que parecia a princípio. Ele olhou para as outras escolhas experimentais: download de música (um grande viva) e leitura em voz alta (o que poderia ser útil se ele fosse cego). Ele apertou o botão de virar página para ver se havia mais algum item. Havia um: Funções Ur.
Daí em diante, iremos embarcar nos dilemas de Wesley sobre o que fazer a respeito da suposta existência de múltiplas dimensões, onde haviam muitos livros desconhecidos nessa e, claro, outras funcionalidades de Ur que você precisará ler o livro para descobrir!

Um dos que menos gostei foi A Igreja de Ossos, que originalmente era uma poesia que contava uma história. Como o título já nos entrega, trata-se de uma igreja onde o sobrenatural mais uma vez ronda os personagens construídos por King.

O que me incomodou não foi a história em si, mas o seu formato. Talvez lendo-a no original, em inglês, fique um pouco menos cansativo de lê-la, como o foi em português. Não sei. Alguém ai que tenha lido em inglês? O que achou?

Mas, no geral, achei um livro muito bom, com várias histórias cheias de humor negro e das questões inusitadas, muitas vezes parecendo quase obra do acaso, bem como a presença de seres sem explicação, bem ao jeito Stephen King de escrever.

Recomendo!

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Resenha: "Belas Adormecidas" (Stephen King & Owen King)

Tradução: Regiane Winarski

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Eu, como boa kingmaníaca que sou, acabei a leitura deste lançamento - que, confesso! comecei a ler um tanto quanto receosa - e estou em êxtase! Isso sempre me coloca num grande conflito: é muito mais fácil escrever uma resenha para um livro que não gostei, do que para um que amei. 

Já o meu receio, totalmente infundado, provinha do fato de termos dois Kings como autores e, como não conheço a escrita de Owen, não sabia muito bem o que esperar. Já eu e o King pai, depois de quase 50 livros lidos, somos quase velhos amigos kkkkkkkkkkk.

Mas vamos à sinopse:
Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir.
Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”, incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir.
Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis.
Tudo começa com Evie Black. Como a Eva do mito, ela é a Mãe, e é chamada por algo muito maior do que ela mesma, e para a qual não chega a dar uma explicação à cidade atônita que só consegue entender uma coisa: é com ela, por ela, e em razão dela que o sono nos casulos aparece. E é na cidade de Dooling que o que ela traz junto com o sono será decidido.

A mariposa fez Evie rir. Pousa no antebraço exposto, e ela passa o indicador de leve pelas ondas marrons e cinzentas que colorem as asas.
- Oi, lindinha - diz ela para a mariposa. O inseto levanta voo. Subindo, subindo, subindo segue a mariposa, e é engolida por um raio de sol emaranhado nas folhas verdes e brilhantes seis metros acima de onde Evie esta, entre as raízes no chão.
Uma comprida cabeça de cobre sai pelo buraco negro no centro do tronco e desliza entre placas da casca. Evie não confia na cobra, obviamente. Já teve problemas com ela antes.
Sua mariposa e dez mil outras surgem da copa da árvore em uma nuvem crepitante e parda. O enxame rola pelo céu na direção da floresta debilitada de replantio de pinheiros do outro lado da campina. Evie detecta os primeiros odores químicos (amônia, benzeno, petróleo, tantos outros, dez mil cortes em um único pedaço de pele) e abandona a esperança que não tinha percebido que tinha.
Em sua casa, o Dr. Norcross, um psiquiatra da prisão feminina de Dooling, se olha no espelho sentindo o peso dos anos acumulando na cintura, sem saber que está prestes a ter de lidar com o surto de Aurora, como a epidemia de mulheres que não acorda passa a ser chamada; que terá de lidar, muito em breve, com Evie Black, a única mulher a não virar um casulo quando dorme; e com uma crise familiar com sua esposa, a xerife Lila Norcross, que parece ter descoberto algo do passado do marido que a perturbou consideravelmente.

Quando o caos começa, caberá aos homens, e algumas poucas  mulheres que conseguiram continuar acordadas, decidir os rumos que serão tomados pela humanidade. Dooling será palco dessa luta, onde o bem e o mal parecem estar difusos, misturados, sendo uma parte integrante de cada uma das pessoas - com algumas exceções, claro.

Imbuído nas diversas vozes femininas que falam no livro, há uma forte crítica social à sociedade machista, e um constante retorno a como muitos homens - as vezes sem querer, as vezes sendo uns completos babacas escrotos - fazem mal às mulheres e, concomitantemente, à sociedade.

Até aquele ponto, Tiffany tinha suposto que abusadores, gente como seu primo Truman, deviam viver em negação. Se não era assim, como eles podiam viver? Como era possível uma pessoa degradar outra se estivesse totalmente ciente do que estava fazendo? Bom, acontece que era possível, homens como o segurança porco faziam exatamente isso. Foi um choque essa percepção, que explicou abruptamente tanto da vida de merda dela.

Mas, ao mesmo tempo, há a evidenciação de que um mundo só de mulheres também não seria perfeito. E de que,  no próprio discurso feminino há a presença de incongruências, relativizações, que sustentam esse machismo - afinal, todo homem veio de um ventre feminino. Ou seja, não cabe somente aos homens a mudança, mas a TODOS E TODAS NÓS.

Belas Adormecidas pode ser lido como uma alegoria, uma fábula lindíssima a respeito de muitos temas atuais como feminismo, bullying, preconceito racial e social, uso e abuso de drogas, sistema carcerário e brutalidade policial, além da fragilidade das relações advinda da anestesia que o dia-a-dia as vezes impõe às nossas vidas. Nada como um evento cataclísmico para fazer com que as pessoas parem e repensem quem elas realmente são. Quem sabe nos utilizamos desse exemplo dado pela ficção e tentamos fazer algo a respeito de nós mesmos sem que as coisas precisem chegar nesse ponto?

Preciso dizer que recomendo? Forte abraço a todos!

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Resenha: "A hora do lobisomem" (Stephen King)

Tradução: Regiane Winarski

UMA CRIATURA CHEGOU A TARKER’S MILLS. A HORA DELA É AGORA, O LUGAR DELA É AQUI.

O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. 
Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? 
Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. 
Por Sheila: Oi pessoas! Como vocês estão? Eu estou em ÊXTASE com esse livro lindo, perfeito, MARAVILHOSO lançado pela Suma de Letras. Na verdade, este é o segundo livro do projeto da Suma de Letras intitulado Biblioteca Stephen King. A ideia é relançar toda uma coleção de livros raros do nosso popular escritor de suspense e terror para os fãs. Você encontra a resenha de "Cujo", primeiro livro lançado, aqui.


Mais uma vez, o livro veio em capa dura, folhas amarelas, mas este exemplar veio todinho ilustrado pelo Bernie Wrightson, além de conter ilustrações extras, no final, de quatro ilustradores brasileiros. Segundo a editora, a ideia era que eles "escolhessem e representassem sua cena preferida de A hora do lobisomem"


Para quem ainda não conhece esse clássico de Stephen King, tudo começa quando, na cidade de Taker's Mill, um ataque brutal é encoberto pela primeira nevasca do ano. Sozinho e preso em um barracão devido a nevasca, Arnie Westrum, sinaleiro da Ferrovia, houve algo arranhar a porta. Seria um cachorro perdido? Ele descobrirá da pior forma que estava errado em sua suposição.
Antes que ele possa decidir o que fazer sobre o visitante, o choramingo baixo se transforma em um rosnado. Um baque soa quando uma coisa incrivelmente pesada bate na porta ... recua ... bate de novo. A porta treme na moldura, e um  borrifo de neve entra pelas frestas.
A porta fica no lugar por mais um tempo, curvada em torno da linha vertical e, enfiado nela, investindo e atacando, com o focinho franzido em um rosnado e olhos amarelos ardentes, esta o maior lobo que Arnie já viu ...
E os rosnados soam terrivelmente como palavras humanas.
Agora, em Taker's Mill sabe-se que existe um lobo voraz. Mas há uma certa similaridade nos ataques, que parecem acontecer apenas uma vez por mês, sempre quando a lua cheia esta bem alta no céu.

Enquanto a besta caça pessoas, Marty, um garotinho apenas, começa sua própria investigação para caçar o que vem se tornando o grande tormento daquela pequena cidade, fazendo com que até mesmo o quatro de julho seja cancelado. Ele acha que talvez saiba quem a besta é. Mas o que pode um garotinho contra uma criatura que é a encarnação do próprio mal?

A hora do lobisomem é um livro curto, lançado pela primeira vez em 1982, por muitos considerado mais adequado à uma coletânea de contos do que figurar como obra independente, por ter menos de 100 páginas em sua edição original. Dividido em 12 capítulos, um para cada mês do ano, foi adaptado para as telinhas em 1985, sendo também conhecido como Bala de prata.

Dentre as obras de Stephen King, este não pode ser dito como um dos que mais se destaca. Tem uma narrativa simples e fluída, mas não é memorável. Agora, esta edição relançada pela Suma de letras, esta sim configura-se como aquisição indispensável a qualquer fã das obras de King. Afinal, mais do que um livro, a capa, diagramação e ilustrações são quase uma obra de arte. Este não é um livro para se Ler, é um livro para se Ter. E Suma, sua linda! Fiquei tão feliz com o livro, por tocá-lo, por você existir e ter lançado essa coleção FANTÁSTICA que meu marido já esta ficando com ciúmes.

Abraços e até a próxima!


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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Resenha: "A Zona Morta" (Stephen King)

Tradução: Maria Molina

Por Sheila: Oi pessoas! Resenha de livro M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O para vocês!! (ok, perdoem o entusiasmo, mas eu sou uma Kingmaníaca confessa) seguindo com esse presentão aos fãs do Stephen King preparado pela nossa querida Suma de letras.

Lançado originalmente em 1979 e adaptado para as telinhas em 1983, com o título um pouquinho modificado - "Na hora da Zona Morta" - esse pode ser considerado um dos clássicos de Stephen King, e talvez também uma das melhores adaptações para o cinema, o que pode ser explicado pela simplicidade do seu enredo.

Já no prólogo, ficamos sabendo que algo aconteceu a John Smith em janeiro de 1953, quando ele tinha apenas seis anos de idade, algo que talvez explique por que ele se tornou o que se tornou, mas uma daquelas narrativas bem ao estilo King: ele nos relata os fatos, e deixa a nosso cargo decidir no que queremos ou não acreditar.

- Ei moleque! - gritou alguém. - Sai da frente!
Johnny não ouviu. Estava conseguindo! Estava patinando para tras! Tinha pegado o jeito - de uma hora para outra. Tudo dependia do ritmo no vaivém das pernas ...
Chuck Spier viu o que ia acontecer. Ele se levantou e gritou:
- Johnny! Cuidado!
O pequeno John Smith ergueu a cabeça ... e um instante depois o desengonçado patinador, com todos os seus setenta e três quilos, bateu a toda velocidade contra ele.

E foi assim, num esbarrão quase bobo, que John bateu a cabeça pela primeira vez. Mas, como não pareceu nada grave e, apos um breve período de confusão o menininho levantou-se e voltou  a falar como se nada tivesse acontecido, ninguém deu muita ênfase ao ocorrido. Na verdade, os pais de John nem chegaram a ficar sabendo.

Da mesma forma, os pequenos atos premonitórios que começaram a acompanhar John desde então passaram completamente despercebidos. Ora, saber a próxima musica a tocar no rádio não é considerado um ato premonitório sério, é apenas coincidência, e algo que afeta nada ou quase nada a vida de uma pessoa.

É apenas após o segundo acidente que a vida de John Smith realmente se modifica, e após a segunda pancada na cabeça.

Mais ou menos ao mesmo tempo, seremos apresentados a Greg Stillson, com seus 22 anos de idade no verão de 1955. Stillson vendia biblias, após seu negócio com pinturas de casas haver falido. Greg vivia como uma espécie de caixeiro-viajante, sempre na estrada. Começamos a descobrir que Greg talvez não seja uma boa pessoa quando, na ausência dos donos de uma fazenda que visitava, ele borrifa amônia no cachorro de guarda da familia, e depois quase o mata a pontapés.

Há algo de errado com John Smith, em sua cabeça, que o faz enxergar e saber coisas que não gostaria. Mas, definitivamente, há algo de errado com Greg Stillson, em sua cabeça. E ele fará de tudo para esconder isso das outras pessoas.

Algumas semanas antes, levara uma moça para o celeiro (...) Depois de ser possuída, a moça disse que teve a impressão de ter sido seduzida por um pastor. Então Greg a esbofeteou, ele mesmo não sabia por que. Deu-lhe um tapa e foi embora.
Bem, não.
Na realidade, ele deu três ou quatro tapas. Até ela começar a chorar e depois gritar pedindo socorro. Então ele parou e de alguma forma (teve que usar cada grama do charme que Deus lhe deu) conseguiu consertar as coisas com a moça. Foi nessa ocasião que sua cabeça começou a doer, os grão pulsantes e brilhantes disparando, dando cambalhotas no seu campo de visão. Ele tentou dizer a si mesmo que era o calor, o calor explosivo do celeiro. Mas não foi apenas o calor que fez sua cabeça doer: foi a mesma coisa que sentiu no pátio da fazenda quando o cachorro rasgou sua calça, uma coisa obscura e insana.
- Não estou louco! - gritou ele no carro.


Bem, Greg pode até não estar louco, mas certamente vemos aqui e em outras passagens subsequentes que, a fim de conseguir o que quer, acaba tomando decisões e atitudes no mínimo duvidosas. E, já aqui, percebemos que Johns Smith e Greg Stillson estão em rota de colisão.

Não sabemos onde, não sabemos como, e com certeza ainda não sabemos mas podemos adivinhar o por que: Greg Stillson é perigoso. Como isso vai acontecer, onde, quando, e quais serão as consequências desse encontro deixarei a você descobrir ao se aventurar nas 479 páginas de muito suspense, drama e angústia que King nos reserva neste livro.

Preciso dizer que eu super, hiper, mega recomendo? E preciso reafirmar meu infinito amor pela Suma de letras? Acho que não precisa, não é mesmo?

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Abraços e até a próxima!



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Resenha "Revival" (Stephen King)


"Às vezes estamos próximos demais de alguma coisa para conseguir enxergá-la."

Por Gabi: A mão chega a tremer falando do Rei do Terror, escritor do século e todos os milhares de títulos e honrarias de King. Quase nunca venho aqui falar deste gênero, mas vamos lá... Começando com essa capa lindaaa que a Suma nos presenteou, com um design holográfico que, à medida que movimentamos o livro parece que os raios o vão permeando. 

No interior do Estado do Maine somos apresentados sob a perspectiva do narrador/personagem Jaime Morton sua grande família que mora em uma pequena e religiosa comunidade. Todos se conhecem, os filhos frequentam os encontros de jovens toda quinta, enquanto as famílias se veem nos cultos da igreja etc.

Mas o que Jamie não imagina é que a sombra que viu enquanto brincava com seus soldadinhos de brinquedo no quintal de casa, estaria sobre ele durante toda a vida. E esta tinha nome e sobrenome: Charlie Daniel Jacobs. O reverendo Charlie e sua família-de-margarina mudam-se para a cidade  e logo conquistam a todos. Ele com seus discursos fraternos e a facilidade em lidar com as crianças e jovens, a mulher por tocar piano lindamente e o filho "Chaveirinho" por encantar por sua fofura extrema. 

Uma tragédia acontece à família de Jacobs e o faz colocar em cheque nuas crenças em Deus e na religião e depois do que ficou conhecido como o "Sermão Terrível" ele desaparece da cidade. Jaime vira um guitarrista e segue com sua banda na estrada regado a muito sexo, drogas e rock'n'roll. Em seus  trinta-e-poucos anos ele é um viciado em heroína, sem rumo na vida e tentando fugir das memórias tristes do que aconteceu com sua família. Eis que seu destino se choca com Charlie, que através da "eletricidade secreta" o salva do vício, mas depois ele vê que há um preço muito caro por esse revival (com o perdão do trocadilho, não resisti) 

- Alguma coisa aconteceu.
Espetada-espetada.
- Alguma coisa...
Botei a língua para fora e mordi. O clique voltou, mas não nos ouvidos, mas enterrado nas profundezas da minha cabeça. [...]
Olhei para a Lua, tremendo e imaginando quem ou o que estivera me controlando. Porque eu tinha sido controlado. 

Ao longo da narrativa somos guiados por temas delicados, como fanatismo religioso, a fé, drogas, discriminação racial e morte,  sempre aliados a uma boa dose de terror, sarcasmo e do sobrenatural que está tão próximo do real que talvez seja o ponto crucial do livro. O final surpreendente quebra a narrativa um pouco descritiva demais e em alguns momentos meio "arrastada". 

QUAL O LIMITE ENTRE A LOUCURA E A SANIDADE? ENTRE O REAL E O SOBRENATURAL? 

ATÉ ONDE PODE NOS LEVAR A CURIOSIDADE AO REDOR DO "ALÉM DA MORTE"?

E vocês fans de King e do terror, o que acharam da obra?

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Ana Liberato