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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Resenha: "A inquilina de Wildfell Hall" (Anne Brontë)

 

Tradução: Debora Landsberg

Sinopse: Gilbert Markham está intrigado com Helen Graham, a bela e misteriosa mulher que acabou de se mudar para Wildfell Hall com o filho e sem o marido. Gilbert é rápido em oferecer amizade, mas, quando o comportamento recluso da inquilina começa a ser motivo de fofoca na cidade, ele se pergunta o que mais pode haver na história daquela família.

Quando Helen permite que Gilbert leia seu diário, ele começa a entender os detalhes obscuros de sua vida, seu casamento desastroso e a situação em que a vizinha se encontra.

Por Jayne Cordeiro: "A inquilina de Wildfell Hall"  foi o segundo e último romance, publicado pela Anne Brontë, a irmã mais nova, e menos conhecida, entre as escritoras da família. Suas irmãs são conhecidas pelos romances "Jane Eyre" e " Morro dos Ventos Uivantes". Neste livro da Anne, conhecemos o jovem Gilbert, um rapaz com posses, mas simples, que vive no interior da Inglaterra, e que está contando para um amigo, através de cartas, uma história de sua vida. É através dele que conhecemos Helen Graham, uma viúva que vai morar com filho pequeno em Wildfell Hall, e que não faz muita questão de socializar com a pequena comunidade do local.

O mistério envolvendo sua história levanta suspeitas em todos, e acaba atraindo a atenção de Gilbert, que se aproxima da jovem viúva. Para que ele entenda sua situação, Helen lhe entrega seu diário, para que ele entenda como ela chegou aquele lugar, e porque seus caminhos podem não se entrelaçar.

Apesar de ser uma fã de "Jane Eyre" e "Morro dos Ventos Uivantes", nunca tinha lido nada da Anne Brontë antes, mas recentemente tive essa chance, e me surpreendi bastante. Para mim, esse livro tem uma pegada menos romântica do que os outros, mas ainda assim tem uma história muito envolvente, e retrata temas bem incomuns para a época, o que provocou muitos comentários, no período em que foi lançado. O livro já interessante por trazer dois períodos, narrados por personagens diferentes, Gilbert e Helen. Gilbert é um jovem que se apaixona por Helen, apesar dos cometários e do fato de ela ser viúva. Mas apesar de parecer atender a seus sentimentos, Helen é taxativa em não se envolver, e através de seus relatos, ficamos sabendo o porquê.

Este livro é considerado um dos primeiros livros feministas da época, por trazer uma protagonista que sabe se impor perante seu marido, e que toma decisões pensando no seu próprio bem estar. Além de trazer temas como alcoolismo e suas consequências, infidelidade, depravação e uma mulher quebrando regras sociais. Apesar de achar Helen boazinha demais, com quem não merecia, em alguns momentos, adorei seu posicionamento na hora em que as coisas chegavam a determinado limite. Uma personagem na era vitoriana que não deixava de falar seus pensamentos e ser firma no que achava correto.

Apesar de ter determinados pontos agridoces, o livro tem o final que imagino satisfazer a todos os leitores, pelo menos eu fiquei bem feliz com o final, e me espantei, como consegui acabar essa leitura rápida, apesar de ser um estilo livro que se deve ter muito atenção na leitura. Essa edição ainda conta com um prefácio de um especialista, falado sobre a obra e suas influências, e um comentário da própria autora, que imagino tenha sido publicado nas edições seguintes, após seu lançamento.

Anne Brontë se mostra tão digna de sua reputação através do tempo, como qualquer uma de suas irmãs, e para quem gosta de um bom clássico inglês, esse livro tem que fazer parte da sua leitura, e da sua estante também.


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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resenha: "A Máquina do Tempo" (H. G. Wells)

Tradução: Braulio Tavares

Por Eliel: De vez em quando, é muito bom visitar os clássicos. Afinal, não só eles falam ao leitor sobre o espírito de uma época mas também, em alguns casos, dão o ponto de partida para o surgimento de toda uma nova era na literatura.

Nesta edição especial com ilustrações e extras, lançada pela nossa queridíssima Suma de Letras, encontraremos não só a beleza do escrito épico de H. G. Wells, como também uma edição digna de colecionador por seu acabamento e construção.

Para os que ainda não conhecem, "A máquina do Tempo" narra a história de um cientista inglês que, por meio de sua invenção, acaba em um futuro extremamente distante, onde os Eloi e os Morlock dividem a Terra de forma nem sempre pacífica.

Lançado em 1895, foi um livro visionário por ser o primeiro a tratar do conceito de viagem no tempo através de um dispositivo montado especificamente para este fim, mediante a vontade de seu criador.

Você assistiu De volta para o Futuro? Planeta dos Macacos? O exterminador do futuro? Bom, não podemos creditar todas essas histórias a Wells, mas com certeza foi ele quem primeiro lançou mão, literariamente falando, desta possibilidade, e o fez muito bem.

O livro foi adaptado para os cinemas duas vezes, uma em 1960 e outra em 2002. Na primeira versão, foi relativamente fiel ao livro original, enquanto a versão de 2002 adicionou um romance à trama. Nela o ator principal só constrói a máquina para tentar salvar sua noiva, Emma, que havia morrido tragicamente. Ao não conseguir modificar o passado, vai ao futuro em busca de respostas.

Na trama original, o personagem principal, chamado apenas de "viajante do tempo", convida diversos homens proeminentes em suas carreiras, desde jornalistas até médicos renomados, para um jantar em sua residência. O motivo, é intrigante: explicar-lhes sobre as suas descobertas, que tangem à possibilidade de se viajar no tempo. E mais, que ele havia construído uma máquina capaz de o fazê-lo.

Nós nos entreolhamos, perplexos. — Diga-me uma coisa — o Médico foi o primeiro a falar —, você está falando sério? Acha, com toda a sinceridade, que essa máquina está realmente viajando no Tempo? — Sem dúvida! — disse o Viajante do Tempo, abaixando-se para apanhar um tição na lareira. Enquanto acendia o cachimbo, voltou-se e fitou o Psicólogo. (Este, para demonstrar que não estava perturbado, tirou um charuto e tentou acendê-lo sem cortar a ponta.) — E não é só isso — continuou,indicando o laboratório. — Tenho ali dentro uma grande máquina quase terminada. Quando estiver pronta, tenciono viajar eu próprio.
É com incredulidade que os homens presentes à reunião, achando que o protótipo criado pelo Viajante do tempo nada mais foi que um truque de prestidigitador. Na semana seguinte, no entanto, em novo jantar servido em sua casa, vêem o Viajante entrar em casa em situação lastimável: descalço, sujo, cabelos desgrenhados, machucado e com ar distante como se algo lhe ouvesse acontecido.

— Mas por onde é que andou você, homem de Deus? — gritou de novo o Médico. O Viajante do Tempo não pareceu tê-lo ouvido. — Fiquem à vontade, não quero perturbá-los — falou, articulando com dificuldade as palavras. — Estou bem. Deteve-se e estendeu a taça para que a enchessem de novo, e esvaziou-a de uma só vez. — Isso faz bem — disse. Seus olhos se tornaram mais brilhantes e um leve rubor subiu-lhe às faces. Relanceou os olhos sobre nós numa espécie de muda aprovação e em seguida se pôs a andar pela sala quente e confortável. Depois voltou a falar, ainda como se tivesse dificuldade cm encontrar as palavras. — Vou lavar-me e mudar de roupa, depois descerei para lhes dar as explicações. .. Deixem para mim um pouco desse carneiro. Estou quase a morrer de fome
Sentado à mesa e já refeito, o Viajante do tempo come com bastante apetite, mostrando que suas palavras não tinham sido um exagero, realmente estava faminto. Em seguida, convida os homens a escuta-lhe narrar suas aventuras em sua primeira viagem no tempo. O restante do livro será então o estranho e surpreendente relato do viajante do tempo do que encontrou nessa empreitada inusitada.

Por mais que seja uma leitura que traz a tona algumas expressões antigas, e conceitos comuns ao ano em que foi escrita, não se torna maçante em momento algum. A leitura é fluida  ágil, os acontecimentos encadeiam-se de forma lógica e não levei mais que um dia para lê-lo.

As ilustrações ficaram belíssimas, adorei também o material extra dessa edição que, convenhamos, fica perfeita na estante! Se você ainda não leu, leia! Você não vai se arrepender. Mas, se não leu, adquirir o livro vale muito a pena, realmente ficou uma peça magnífica!

Ah, e uma curiosidade! Você sabia que a ideia de viagem do tempo vem sendo pesquisada aqui no Brasil? O físico Mario Novello lidera uma equipe há cerca de 15 anos que se dedica justamente a teorização sobre a construção de uma máquina do tempo. Eles investigaram uma possibilidade levantada em 1949 pelo matemático Kurt Gödel para as equações da relatividade geral de Einstein e Henri Poincaré.



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Ana Liberato