Sinopse:Em seu novo livro, João Doederlein (Akapoeta) nos conduz por seu processo de cura e autoconhecimento, resgatando uma lição importante para todos nós: a vida não é feita de certezas, e recriar faz parte do ciclo.
“EmPara ressignificar um grande amor,pude conhecer outra faceta da pessoa incrível que é João. Ele se abre à sensibilidade das palavras, às formas criativas e ilimitadas dos ressignificados e ao jogo de sentimentos que fluem nesta história que ele conta com mãos tão apaixonadas. Matilda foi seu grande amor, e o eu-lírico começa o livro resgatando uma lição importante para todos nós: a tentativa de ressignificar alguém que nos marcou é um movimento necessário para a manutenção da vida. Ele diz: ‘finais não são absolutos. O amor encerra, a gente não’, como quem ainda sente na pele a dor amargurada de algo que poderia ter dado certo, mas não deu. Mesmo assim, se concede a oportunidade de continuar vivendo e seguindo – tanto na vida quando na narrativa da sua história. ― Igor Pires da Silva"
“Se apaixonar é perceber que todas as palavras desconhecidas já existiam dentro da gente. Se desapaixonar é descobrir o nosso próprio significado para cada uma delas. Este livro é um lindo presente para quem se perdeu nesse processo e sabe que o caminho de volta exige coragem. Recomendo a leitura para todas as vezes em que o amor te virar as costas.” ― Bruna Vieira
Por Jayne Cordeiro: "Para ressignificar um grande amor" é um livro de poesia, em que o escritor/protagonista está saindo de um relacionamento, e agora ele precisa aprender a viver sem esse amor, e o como isso muda o sentido e significado da coisas para ele.. Através de termos, em que ele apresenta novos significados ou os adaptada para seus sentimentos no momento, vamos acompanhando a evolução das emoções e pensamentos de uma pessoa que o relacionamento acabou, com as dúvidas sobre o que mudou, quando isso aconteceu, e todo o caminho emocional até que essa pessoa se sinta preparada para dar uma nova chance ao amor.
Não costumo ler livros de poesia, apesar de ter algumas poesias que tenho muito apego. Mas esse livro chegou de presente, e decidi dar uma chance. Principalmente, porque achei a capa linda. Toda a diagramação também é maravilhosa e nunca vi algo combinar tanto com a proposta. E o que dizer dessa obra? Me conquistou demais. Na primeira palavra ressignificada, eu já estava apaixonada. A forma profunda, verdadeira e tão condizente com o modo como nos sentimos com uma desilusão amorosa toca o leitor. É impossível não se identificar com tudo colocado ali.
Com os termos divididos em capítulos, de acordo com o estágio emocional, intercalado com ilustrações simples e tocantes, o leitor vai seguindo adiante e percebendo a evolução ocorrendo ali. A leitura flui bem, apesar de ser um livro que talvez o leitor prefira degustar aos poucos. Acaba sendo uma leitura rápida, porque ele tem menos de 200 páginas, e várias delas são ilustrações ou parte do projeto gráfico. Para quem gosta do gênero poesia, ou já teve a chance de ler outras obras do autor, acho difícil não gostar deste livro.
*Por Mary*: Sem dúvida, uma das coisas de que mais gosto nos poemas
do Rafael Vitti é a simplicidade. A forma aparentemente despretensiosa como
brinca com os versos e joga com as palavras.
Esse jogo de palavras a que me
refiro não se restringe apenas à
troca de uma palavra ou outra, mas também – e principalmente – a geração de
som, a musicalidade impressa no conjunto e a ordenação dos versos. Todo este
aparato reunido resulta em um trabalho capaz de atrair até os leitores mais
avessos a rimas.
Longe da poesia clássica,
parnasiana, cuja estrutura importa mais do que é dito, Rafael Vitti exerce um
importante papel na literatura e talvez nem o saiba: ele aproxima o público
jovem de uma categoria literária difícil e muitas vezes encarada como maçante.
Ele nos mostra que poesia não é só cult,
ela pode – e deve – descrever o dia a dia.
Além do conteúdo muito bem
escrito, Amor Roxo possui um bom
apelo visual. Sem deixar que este roube a cena, as imagens e combinações de
cores complementam os desenhos dos poemas. Eu diria que a atual forma de fazer
poesia é justamente essa: o casamento do literato às imagens e sons; o que
Rafael e Júlia fazem muito bem, a propósito.
Diferentemente do que destaquei em
Quer se ver no meu olho?, a respeito
da multiplicidade de temas, Amor Roxo
parece manter seu foco no amor. Variadas maneiras de amar, em diferentes
momentos dele. Sedução, relacionamento, perda, desespero, paixão, satisfação.
Eu senti um pouco de falta de
saber quem escreveu o quê. Porque como este livro reúne poemas do Rafael e da
Júlia, eu gostaria que ficasse um pouco mais clara a autoria. Por outro lado,
dá para brincar de adivinhação. O que nos resta, é comparar com os poemas de
seu livro anterior, Quer se ver no meu olho?. Será que o
fandom aí poderia ajudar esta curiosa
resenhista?
Mas aí vocês vão me chamar de
doida, porque ao mesmo tempo em que senti falta, eu também curti bastante o
fato de não saber quem escreveu o quê. Dá aquela impressão de unicidade, sabe?
Como se ambos fossem um e acho que essa era a ideia, porque não é como se
fossem simplesmente dois autores dividindo um livro, mas realmente um trabalho
em conjunto.
Por
Kleris: Sabe aqueles livros que tem,
em seus releases, tudo a ver com
você? O céu de Lima se apresentou
como uma comédia de erros, metaficção meutombofavorito, com correspondência
por cartas, conspiração, bases de realidade e essa capa muito massa para
brincar. Às vezes tenho receio de livros assim, com aspectos tão nós mesmos, pois as expectativas e a
bagagem literária podem inferir demais na leitura. Mas O céu de Lima foi... diferente.
Só sabe que ao receber
o pacote de cartas tem a sensação de que lá dentro há algo muito íntimo e por
outro lado absolutamente alheio. Que é a coisa mais importante que fez na vida
e ao mesmo tempo um absurdo, uma estrepolia, uma brincadeira de mau gosto que
desandou.
Pense
em um autor que você tem uma grande admiração. Agora pense: esse autor lançou
um livro que é impossível de encontrar disponível no seu país e você e um amigo
(ou amiga) tem interesse na obra. Daí vocês mandam um e-mail falando sobre essa
admiração, o quanto esse autor fez/faz diferença na vida de vocês, que tem
interesse nesse livro, mas se veem sem a possibilidade de encontrar, e assim,
por acaso, pede um exemplar. Talvez o autor não responda ou talvez ele responda,
mas não mande o livro pra vocês. O mais natural seria voltar a procurar nas
livrarias, esperar que alguma editora publicasse, algo do tipo. Mas e se o
pensamento lhes soprasse a ideia de imaginar para que pessoa em especial o
autor mandaria e daí se passar por essa pessoa, vocês topariam o desafio de
conseguir o livro?
É verdade que ainda
parece brincadeira. Mas de certo modo é a coisa mais séria que fizeram na vida.
Essa
é mais ou menos a trama inusitada de Bárcena. Só que são dois amigos poetas
(José e Carlos), no Peru, interessados no livro do poeta Juan Ramón Jiménez, em
Madri, começo do século XX, trocando intensamente cartas se passando por
Georgina Hüber, figura feminina totalmente fictícia. Com o tempo, a brincadeira
foi mudando seus objetivos (os poetas passaram a “escrever” um romance sobre a
peripécia e já queriam que o autor dedicasse uns versos verdadeiros à Georgina) e a coisa foi ficando séria, a ponto de a
ficção de fato bater na porta da realidade. Bárcena abraça essa história – que se
inspirou num fato verdadeiro com o autor Juan Ramón Jiménez – e nos faz viajar
num espaço entre mundos da realidade e da ficção.
José
e Carlos embarcam na empreitada. Eles são meio bobalhões, daquelas peças que
não sabem bem ser ou como ser eles mesmos, porém, se arriscam em descobrir. Conforme
a história vai ganhando corpo, vemos que aspectos mais profundos de cada um vão
despertando – aspectos bons e ruins. Carlos é quem mais se destaca, quem mais
parece querer cuidar de Georgina e da história. Questões sobre criação,
escrita, percepção, fuga da realidade, soluções de trama, agradar público e
outros vão passando diante de nossos olhos assim simplesmente.
Carlos, por seu lado,
não se preocupa com esse poema ainda não escrito. Seus temores na verdade são
um só: de que Georgina não valha a pena. De que só tenham conseguido, depois de
tantas cartas, de imaginá-la durante tantas noites de insônia, dar à luz uma
mulher comum, insignificante, incapaz de despertar o interesse de Juan Ramón.
De que ela esteja condenada para sempre a ser um personagem secundário.
“Mas o que estão
dizendo”, interrompe Carlos. “Georgina não tem vocação. Você sabe disso. Nós a
fizemos assim. Juntos.”
É
muito interessante ver essa relação de uma maneira tão realista e ao mesmo
tempo fantasiosa, porque, como leitores, não só vivemos isso o tempo todo, como
esperamos que isso aconteça sempre, pelas próprias características do que a
literatura nos proporciona: mímese (imitação da realidade), verossimilhança
(harmonia ou coerência de elementos em certa realidade) e catarse (processo de
emoções que culmina e nos traz algum tipo de libertação, cura ou limpeza
emocional).
Ou
seja, um livro que traz um mundo semelhante à nossa realidade, que tem certa
ordem de sentido, e toda sua jornada nos prende, passando por diversas emoções,
a ponto de fechar uma lacuna ou compreensão dentro de nós mesmos; ter um
efeito, a depender, em nós. Os autores literalmente se armam destas ferramentas
para causar um efeito. Só que, claro, ao entregarem uma história, é sempre uma
aposta, pois não há, precisamente, como adivinhar como um livro vai repercutir.
O que é outro papo. Mas sim, José e Carlos estão empenhados em escrever essa
história, com as cartas de Georgina, usando suas poucas experiências de escrita
e leitura.
É preciso enfeitar a
realidade, porque afinal é isso que os poetas fazem, e eles são poetas, ou pelo
menos é o que sonham ao longo de muitas noites em claro como esta. E é exatamente
o que estão a ponto de fazer agora, o poema mais difícil, um poema sem versos
mas capaz de comover o coração de um verdadeiro artista.
A
sacada sacada mesmo é a do autor de O céu de Lima, Juan Gómez Bárcena, que
tem uma exímia narração pra nos socar nesta (meta?)conspiração. Sagaz, ele não
só se arma das melhores ferramentas (contexto, período de passagem,
ambientação, psicologia, filosofia, sociologia), como as explora em
experimentalismos de narração. Às vezes a gente acha que ele tá saindo da linha (tradicional), daí entendemos que
ele quer mostrar várias outras histórias que valem ser conhecidas e que vão
contribuir muito. Às vezes, bem, o narrador é apenas traquina e palhaço. Isso
só mostra demonstra como o cara é engenhoso e soube segurar muito bem, de
começo ao fim, sua história.
Imagino o quanto não
deve ter batido cabeça!
O céu de Lima
traz inúmeras discussões sobre a arte de escrever e ler, quase um easter egg para nossa percepção. Reflete
também várias questões literárias perpetuadas pelos séculos, ainda atemporais.
E, embora os capítulos sejam bem curtinhos, a trama é um tanto densa e por isso
pede uma leitura mais calma, de sugar pouco a pouco as palavras de Bárcena,
que, com certeza, são de arrebatar.
Talvez seja exagero
chamá-los de escritores só porque mandaram algumas cartas. Isso depende da
importância que dermos a tal correspondência. E, claro, da seriedade com que
considerarmos o próprio ofício de escrever, que aliás não é uma profissão, mas
uma espécie de ato de fé. A única coisa de que podemos ter certeza é isto: eles
julgam ser escritores. E, tal como uma gravidez psicológica o corpo se alarga
para abrigar um filho que não haverá, em torno da sua hipotética condição de
literatos também irão se gerando algumas das virtudes e defeitos dos
verdadeiros escritores.
Mas o amor, onde está?
Ainda não está, porque ninguém lhe deu palavras. O amor é um discurso, meu
amigo, é um folhetim, é um romance, e se não for escrito na cabeça, ou no
papel, ou onde quer que seja, não existe, fica pela metade; não passa de uma
sensação que imaginou ser um sentimento...
P.S.:
Inevitavelmente lembrei da Docinho de
Coco (Candy Cane), do filme Perseguição:
A Estrada da Morte (Joy Ride, 2001), clássico suspense de fim de noite da
Globo. Não achei trailer legendado ou dublado.
Até a próxima!
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O Projeto Escrevendo Sem Medo é uma proposta do
blog Historiar para exercitar a escrita,
abrir os horizontes e escrever sem medo.
Acompanhe textos dos participantes do projeto aqui.
Tema de Fevereiro: O
poema da festa perfeita.
O
tema é um desafio. Aqui você vai escrever um poema descrevendo como seria a
festa perfeita para você.
E vamos de music trip!
(ou paródia)
Clean Bandit
(Feat. Sharma
Bass) – Extraordinary
Plugue os fones no ouvido e vem comigo
...
Muitas vezes a gente
ama as pessoas, mas não ama a festa, o encontro de muitos, o jantar de muitos
decibéis.
(Leila)
Que Ninguém nos Ouça, p. 123.
A gente é feliz nos
intervalos, mesmo. Mas se for pensar em todos os intervalos em que já foi
feliz, descobre uma vida inteira.
(Talita)
Recorte!, p. 160
Tal como o observador
que assiste um leitor lendo livro e não sabe as aventuras que este vive... um
observador não pode imaginar que tipo de festa dou de boa em algum tempo de
descanso. A verdadeira festa.
(Eu
mesma) Do outro lado, epígrafe.
...
Começa
quando a outra festa acaba
Você
olha pra um lado, olha pra o outro
E
parece que finalmente chegou a sua vez
Horas
a sua frente, horas só suas a bel prazer
Me
pergunto se seria eu a única, a diferentona
Que
vive num realismo paralelo
Que
gosta desse tempo e curte como se não houvesse amanhã
O
que eu poderia querer de mais?
Um
tempo longe e um tempo que é tudo
Autossuficiência
pra recarregar as energias
Algo extraordinário
Algo real
Pra preencher meus diiiias
e minhas noites
Com algo que eu possa
sentir
Nada
para se comprometer
À
hora, improviso, momentum
Eu
quem vou escolher
Fazer
vários nada é uma necessidade
Que
ainda não foi creditada, pelo menos não de verdade
O
tanto de carguinha que acumula de
volta
Não
tem esse suficientemente bom, não ainda em voga
Porque,
acima de tudo, tem que respeitar, senão avivar
É
disso que seu espírito precisa pra sossegar
E
encarar os desafios seguintes
Pronto
para a luta voltar
Algo extraordinário
Algo real
Pra preencher meus diiiias
e minhas noites
Com algo que eu possa
sentir
Nada
para se comprometer
À
hora, improviso, momentum
Eu
quem vou escolher
Não
pare, não pense, só ouça
Dance
conforme a sua música ali tocando
Sem
pause, vá de shuffle, deixe o
inesperado te guiar
Nunca
se sabe o que o repentino pode colocar no lugar
I, I, I, I, I
I, I, I, I, I
Algo extraordinário
Algo real
Pra preencher meus diiiias
e minhas noites
Com algo que eu possa
sentir
...
Algo extraordinário
Algo real
Pra preencher meus diiiias
e minhas noites
Com algo que eu possa
sentir
Não
pare, não pense, só ouça
Dance
conforme a sua música ali tocando
Sem
pause, vá de shuffle, deixe o
inesperado te guiar
Nunca
se sabe o que o repentino pode colocar no lugar
Agradecimentos ao grupo Clean Bandit pela melodia, título e alguns
versos emprestados (em itálico).
Kleris Ribeiro é
beletrista, produtora e agente cultural. Garota dos bastidores, se joga em
marketing digital, comunicação e, recentemente, zines. Fascinada pelos
mistérios do universo do livro, é administradora do blog Dear Book e diretora
do Clube do Livro Maranhão. Fangirl, diz que mantém a cabeça nas nuvens e os
pés no chão.
Vale o clique: Os 10 mandamentos das pessoas que
amam ficar sozinhas (Buzzfeed)
Por
Kleris: Hoje faço diferente, não
escrevo uma resenha propriamente, mas sim um recorte sobre esta leitura. Te
convido para este passeio em especial, e, para uma melhor experiência, cá deixo
uma trilha sonora. Já plugou os fones no ouvido? Vem comigo.
Boy - We Were Here
We walked these streets like kings
Our faces in the wind
And everywhere we were
We made the city sing
We sang forever young
We had our fingers crossed
And when the city sleeps
It
dreams of us
Sabe
aqueles livros que aparecem na hora certa? Recorte! demorou para me chegar às
mãos (publicado em 2015), porém, tão logo abri e li os primeiros textos, senti.
Ele seria um mergulho necessário. Ele preencheria minhas pausas. Ele me
encantaria. Valeria a espera. E ao fim, eu iria querer mais. E assim foi.
(guitar)
Yeah it still does
Oh love it changes shapes
It glows in many shades
We won't be gone as long as
Our echoes resonate
We need no photographs
The past's not only past
I find us everywhere
And that's how the magic lasts
Com
um prefácio de guardar no bolso e todo um miolo de guardar no coração, Recorte!
é um livro que procura reunir o melhor do dia a dia. A autora se propôs a
recortar diariamente algo, um sentimento, uma ação, uma descoberta, algo que
viveu, presenciou, ouviu, e imprimiu em cursivas em dois cadernos. Com o tempo,
surgiu a vontade de compartilhar esses escritos e só de pensar em alguns, quero
dar um abraço na Talita pela decisão – e olha que tenho uns bocados de abraços em
débito. Da mesma maneira que ela captura e preserva o sentimento, reservo
muitos deles cá comigo nas bandeirinhas azuis que demarquei por todo o livro.
Prepare as etiquetas, porque você vai precisar de um montão delas!
'Cause everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Ao
contexto, de procurar o melhor dos nossos dias, coisas que passam naturalmente
em um borrão, revela-se também o melhor das pessoas; no caso, as pequenas
experiências aqui escritas revolvem as nossas e viramos cúmplices, seja por
empatia, seja por identificação. Resgatam-se as memórias, as historietas de
criança, os dilemas do crescimento, os desejos ingênuos, as saudades que mais
marcam, as catarses diárias. A gente para um pouco no tempo e desacelera. E
conforme a leitura vai, acerta uma sintonia.
Everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Acumulados página após
página, alguns ilustrados por mim mesma, meus recortes de cada dia vivido
viraram exercício de apreensão sensorial da realidade. E me ensinaram a
enxergar ao redor farejando vida, bebendo gestos, tateando intenções.
É que a gente custa a
descobrir para que nasce e às vezes quando não é levado a pensar muito, passa
pela vida sem descobrir.
Algumas pessoas arrancam de nós a paz. Outras restauram.
E são por estas últimas que a vida vale a pena.
It's only little things
Footmarks and fingerprints
A treasure hunt through town
It's full of evidence
Our monuments are all around
Everything's on the move
The paint is wet
All colors are new
But if you look carefully
You'll see us shining through
Para
o leitor, é entregue pouco mais de 90 textos para serem lidos dose a dose. A
cada pausa, dez, quinze, vinte folhas; a imersão é de vários mergulhos. O toque
singelo que perpassa as páginas simplesmente me ganhou. E as percepções, claro,
o olhar míope, aquele embaçado, mas imaginativo, deslumbrado e satisfeito. Talita
transita pelo sensorial de maneira magnífica; é um puro exercício de
contemplação. Senão, de resgate.
'Cause everywhere we've been
We have been leaving traces
They won't ever disappear
We were here
We were really here
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
E
não só de beleza vive o mundo. Os não-recortes
transitam agridoces.
Por isso este recorte é
um não-recorte. E não merece estar aqui. Mas a vida é isso. Para haver um álbum de
recortes é preciso que existam coisas que não mereçam ser recortadas. E sobrem longe de nós. Então este recorte não
merecedor de estar aqui foi recortado só para nos lembrar disso.
Everywhere we've been
We have been leaving traces
Everywhere we've been
We have been leaving traces
And the rains get rough
But time can't wash us off
We won't ever disappear
We were here
It
was really love
Tenho o ipê que me cabe
cultivar. Dentro das possibilidades do meu limitado jardim. Quando reconheço o
tamanho do meu alcance, melhoro meu desempenho, ampliando minhas chances de
melhor alcançar.
Porque às vezes a gente
precisa justamente da plenitude dos que nos toca sem motivo declarado. Daquilo que
se completa sem precisar fazer sentido aos nossos sentidos. E ainda assim nos
encanta.
(guitar)
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
We were here
We were here
We were really here
Nem todos nós nascemos
com a alma de poeta sintonizada a um corpo sensível ao toque da poesia. Alguns de
nós, vez em quando, tem a percepção da vida inspirada. Descobrem cores,
cheiros, toques que parecem finalmente mostrar-lhes a existência de uma vida
com leveza. Passam a recortar poemas das paisagens por onde passam. Ficam
em um feliz estado de flutuação. O coração aquecido. Cada um tem o seu motivo
para achar, vez por outra, a vida mais bela. E aí entra uma sábia ressalva: a
vida nunca deixou de ser inspiradora. Nós é que nem sempre estamos bem o
suficiente para percebê-la. E por algum motivo misterioso, isso também confere
sentido ao estado de não flutuação. É que é preciso viver
para aprender a se encantar. Fazer disso uma constante é o que nos impulsiona a
flutuar em frente. Leve e ao sabor da brisa amiga que sopra a favor de nós, vez
em quando.
(brass)
We were here
We were here
We were really here
Meus
textos preferidos marquei de outra cor: A
infância é leve, Do balãozinho, A vida e o encanto que dão sentido a tudo
(último trecho acima citado), A caneta,
Janela, A paz de cada dia, Das
pessoas, O não-recorte, O avesso do recorte, Um tempo de não-recortes, O copinho II, Energia do mundo, Recorte
carioca, A vantagem de ser invisível,
Crença, Estimação, Quando fiquei
parada vendo Mia Couto passar, Intervalo,
Quem se é, onde se está, quando se está.
We're in the air
We're in the water
From the rooftops
Down to the pier
I'll never walk these streets alone
We were here
We were really here
We're in the air
We're in the water
Engraved into waves
Invisible ink on the walls
We were here
We were really here
Recorte!
é, por fim, um bom companheiro de busão, metrô e outros transportes urbanos,
lugares que você pode sentar, folhear e ler a vontade enquanto a vida corre
solta. Pra mim foi uma das melhores leituras do ano. Obrigada, Talita, pelo
presente <3 Espero ter conseguido transmitir a experiência neste recorte
especial.
E
você aí, leitor, se acha que precisa se encantar de novo pela vida, recorte. E
procure por Recorte! Recomendadíííííííííssimo <333
A gente é feliz nos
intervalos, mesmo. Mas se for pensar em todos os intervalos em que já foi
feliz, descobre uma vida inteira.
P.S.:
We were here (Boy) foi uma música que
marcou muito uma fase de exploração do mundo em exercícios antiestresse, catarse viciante, e a cada vez que retornava do passeio,
lia doses em descanso. Por isso o music
trip :)
Juliana Rios Graduada em Administração, aventureira e fundadora dos blogs Dear Book e Juny Pelo Mundo. Apaixonada por viagens, culturas e em descobrir novas possibilidades. Mora em São José dos Campos – SP.
Colaboradores
O blog
O Dear Book é um blog colaborativo destinado a resenhas e indicações, noticias do mundo literário, entre outros.