Bom Dia Pessoas,
Que dia é hoje? Na Roma antiga o dia 19 de Julho era dedicado ao casal mais belo de todos, Vênus e Adônis. E aqui está a história desse casal descrita no "Livro de Ouro da Mitologia".
Brincando, certo dia, com seu filho Cupido, Vênus feriu o peito em uma
de suas setas. Afastou a criança, mas a ferida era mais profunda do que
pensara.
Antes de curá-la, Vênus viu Adônis, e apaixonou-se por ele. Já
não se interessava por seus lugares favoritos: Pafos, Cnidos e Amatos,
ricos em metais. Afastava-se mesmo do céu, pois Adônis lhe era mais
caro.
Seguiu-o, fez-lhe companhia. Ela, que gostava de se reclinar à
sombra, sem outras preocupações a não ser a de cultivar seus encantos. Agora
anda pelos bosques e pelos montes, vestida como a caçadora Diana; chama
seus cães e caça lebres e cervos, ou outros animais fáceis de caçar,
abstendo-se, porém, de perseguir os lobos e os ursos, rescendendo ao
sangue dos rebanhos. Também recomenda a Adônis que tenha cuidado com tão
perigosos animais:
— Sê bravo com os tímidos. A coragem contra os
corajosos não é segura. Evita expor-te ao perigo e ameaçar minha
felicidade. Não ataques os animais que a natureza armou. Não aprecio tua
glória ao ponto de consentir que a conquistes expondo-te assim. Tua
juventude e a beleza que encanta Vênus não enternecerão os corações dos
leões e dos rudes javalis. Pensa em suas terríveis garras e em sua força
prodigiosa! Odeio toda a raça deles. Queres saber por quê? - E, então,
contou a história de Atalanta e Hipómenes, que ela transformara em
leões, para castigo da ingratidão que lhe fizeram.
Tendo feito essa
advertência, Vênus subiu ao seu carro, puxado por cisnes, e partiu,
através dos ares. Adônis, porém, era demasiadamente altivo para seguir
tais conselhos. Os cães haviam expulsado um javali de seu covil e o
jovem lançou seu dardo, ferindo o animal de lado. A fera arrancou o
dardo com os dentes e investiu contra Adônis, que virou as costas e
correu; o javali, porém, alcançou-o, cravou-lhe os dentes no flanco e
deixou-o moribundo na planície.
Vênus, em seu carro puxado por cisnes,
ainda não chegara a Chipre, quando ouviu, cortando o ar, os gemidos de
seu amado, e fez voltar para a terra os corcéis de brancas asas. Quando
se aproximou e viu, do alto, o corpo sem vida de Adônis, coberto de
sangue, desceu e, curvando-se sobre ele, esmurrou o peito e arrancou os
cabelos.
Acusando as Parcas, exclamou:
— Sua ação, porém, constituiu um
triunfo parcial. A memória de meu sofrimento perdurará, e o espetáculo
de tua morte e de tuas lamentações, meu Adônis, será anualmente
renovado. Teu sangue será mudado numa flor; este consolo ninguém pode
negar-me.
Assim falando, espalhou néctar sobre o sangue e, ao se
misturarem os dois líquidos, levantaram-se bolhas, como numa lagoa
quando cai a chuva, e, no espaço de uma hora, nasceu uma flor
cor-de-sangue, como a da romã. Uma flor de vida curta, porém.
Dizem que o
vento lhe abre os botões e depois arranca e dispersa as pétalas; assim,
é chamada de anêmona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de
seu nascimento como de sua morte.
E para acompanhar esse breve romance, temos uma receita no mínimo exótica, porém de sabor único - Risoto de Romã com Alho-Poró.