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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Resenha Dupla: “O que poderíamos ter sido” e “A Dama das Ameixas” (Karen Alvares)

Por Kleris: Oi, pessoal. Já conhecem a Karen Alvares? Em uma resenha minha anterior, havia comentado sobre como primeiramente entrei em contato com os escritos dela (ver aqui). Na verdade, já a conhecia da Revista Trasgo, em que colaborou com conto de literatura fantástica. Muito bacana e bem escrito, só não era meu estilo – era mais da Marianne, que aqui no blog fez resenha de Alameda dos Pesadelos (livro de suspense) e em breve trará mais outros dela. Aí descobri que a Karen tem um lado + amor – terror!

Demorou um pouquinho para enfim conhecer mais de seu trabalho. O que posso dizer de antemão sobre isso é: não se demorem nessa, corram que vale a pena! Os contos que aqui comento não têm ligação direta, mas, como são contos curtos, preferi reuni-los num só post :) – espero que escolham os dois!


O que poderíamos ter sido

Como o título, é um conto de incertezas, encontros e desencontros. Não quero revelar muito. A pequena história envolve aquelas amizades que misturam as coisas e têm que arcar com as consequências. Até porque... e se a gente mistura errado?! Vivi reencontra Pedro para um café e nos conta sobre os “e se...” que tanto acumularam até ali. Teriam enfim um ponto final, novas reticências ou outras interrogações? 

Havia um tempo em que eu realmente acreditava em nós dois como pessoas que pudessem ser felizes juntas. Duas pessoas que gostavam das mesmas coisas, que conversavam por horas sem cansar, que dividiam o lanche e os segredos mais profundos. Um garoto e uma garota que talvez, você sabe, se amassem.

Mas você não me amava, não é?
Engraçado que quando a gente é adolescente é só isso que basta para acabar com uma amizade. Um gesto tão pequeno. Parece tolo agora, mas naquela época foi algo enorme.

O que poderíamos ter sido foi um dos primeiros escritos de YA da autora; percebe-se até que há ainda um pouco de cautela para se soltar. Karen faz um pequeno paralelo entre passado e presente e as tomadas de decisões. Algumas certeiras, algumas equivocadas... O fato é que só o tempo pode nos confirmar. Mas mesmo quando misturamos as coisas – e mesmo que misturemos errado – algumas precisam ser essenciais em um relacionamento.


Vocês podem encontrar opções de compra no site da editora Draco (lá tem várias vitrines, como Amazon, Kobo, Cultura, Saraiva).



A Dama das Ameixas

Sabe quando você perambula pouco por dados estilos e tem alguém que é bem hospitaleira em te apresentar as redondezas? Aqui Karen deu uma prolongadinha no desenvolvimento em relação ao O que Poderíamos Ter Sido, mas o conto continua diminuto.

Eleonora está num período de intervalo, a única trégua que tem da maldição que sofre. Ela se reserva de todos pelo perigo que representa, mas seu pai não se importa em ficar próximo. Ele é considerado o louco da vila porque ninguém sabe realmente o que aconteceu com sua filha. Eleonora não tem muito tempo, aproveita o quanto pode para passar com ele, mas dessa vez conhece Ezequiel, o vizinho de quem roubava umas ameixas. O término da trégua está para findar e uma batalha está para começar. O que será desse novo ciclo da tormenta? 
Pensou se não seria melhor voltar, seguir para oeste, para a floresta novamente, e ficar lá até os trinta dias estarem completos. Talvez fosse o melhor para todos. Não deveria ter vindo dessa vez. Porém, veio-lhe à mente a imagem lacrimejante do pai e sua barba branca. Ela vacilou. Ele esperava aquele mês durante um ano inteiro e, apesar da filha trazer tristeza, também trazia alegria. Não seria justo abandoná-lo agora, após tamanha espera. E afinal, ela também ansiava por esses trinta dias.

Mas ela retornou ao quintal da ameixeira.

Com o passar dos dias, tornou-se um hábito.Roubava apenas uma ameixa, agora geralmente mais podre. Então corria para a floresta. E esperava.

Nos primeiros eles não se falavam. Eleonora rolava sua ameixa podre pelo chão. E ele rolava de volta uma ameixa fresca – ou o melhor que conseguira.

Nessa breve historieta, a autora foi mais engenhosa. Me surpreendeu como ao mesmo tempo ela explorou tanto sem perder o foco e trouxe algo rico e completo. Muito bem elaborado e ambientado, A Dama tem uma proposta interessante dentro da literatura de fantasia, com uma pegada mais drama, suspense e ação.


Vocês podem encontrar opções de compra no site editora Draco (lá tem várias vitrines, como Amazon, Kobo, Cultura e Saraiva).

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O que percebi da Karen (desde Azul, na revista Trasgo, e O orelhão, em Duas Doses de Amor) é que ela gosta de trazer situações cotidianas. Gosto do seu simplismo e realismo pra levar as histórias e mesmo quando ela se encaminha pra fantasia, percebo esses traços. São contos bem construídos, fluídos e, lá e acolá, deixam novos caminhos para a imaginação. Ambos foram publicados em ebook pela Draco – inclusive, A Dama das Ameixas participou da antologia Dragões da editora.

Curti bastante os dois. Tanto A Dama como O que poderíamos são contos para leiturinhas bem rápidas. Pra mim funcionaram como teasers de uma escritora que está se preparando (ou já se preparou!) para algo maravilhoso. Fico feliz em encontrar autores versáteis assim :)

Deixe uma leitora admirar...

Fica a dica para quem anda apertado para ler livros mais prolongados, tem VÁRIAS opções com a Karen.

Preciso dizer? Recomendadíssimo!

Até a próxima!
sexta-feira, 29 de maio de 2015

Resenha: "Desventuras em Série - Mau Começo Vol.1" (Lemony Snicket)

Por Clarissa: Olá pessoal, tudo bem? Espero que sim. Minha indicação de hoje é “Desventuras em série- Mau começo – Volume 1” Me apaixonei pelo livro só pela capa, depois que li, virou meu xodó.

Violet, Klaus e Sunny Baudelaire, são três crianças, espertos e educados, mas levam uma vida esmagada por aflições e infortúnios. Logo no primeiro capitulo, eles recebem uma trágica noticia. A infelicidade segue seus passos, como se eles fossem ímãs que atraíssem desgraças.
“Se vocês se interessam por historias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos.”

Os três jovens têm que lidar com um vilão repulsivo dominado pela cobiça, com roupas que pinicam o corpo, um incêndio calamitoso, um plano para roubar a fortuna deles e mingau frio servido como café da manhã. Os Baudelaire sofrem muito nesta fase de suas vidas, que eles desejam que seja um terrível pesadelo, e a vida deles voltassem ao normal.
“Mas as crianças sabiam, como tenho certeza de que vocês também sabem, que por pior que seja o ambiente à nossa volta, ele pode ser suportado, desde que as pessoas que nele se encontram sejam interessantes e gentis.”
Esta história não tem um final de “felizes para sempre”, apenas uma historia intrigante, misteriosa e trágica. Se você está procurando um livro de final feliz, largue este livro. Mas eu me apaixonei por esta história, que nos relata que nem tudo é contos de fadas. O livro descreve o relato de um jeito irônico, descrevendo os detalhes.

O autor Lemony Snicket tem uma escrita fantasiosa e dramática. Pelo primeiro volume já está na minha lista de preferidos, uma história diferente, espetacular. Livro, os leitores não vão conseguir parar de ler, se surpreender a cada página. Não é aquela historia que cansa, pensa que só vai acontecer tragédias (bastante) mas em meio disso tudo existe o amor, que uni os três irmãos a nunca desistir de uma vida feliz, vencer cada obstáculo, saber confiar nas pessoas certas. 

O livro é pequeno, estilo livro antigo, contém treze volumes. Brett Helquist usa para retratar as vidas trágicas dos Baudelaire, lápis quebrados, tinta seca e caixas e mais caixas de lenço de papel. Indico o livro e o filme, os atores são esplêndidos, a história é fiel ao livro, uma obra prima. Os efeitos, a delicadeza de cada tragédia.

Indico esta bela obra a todos, se aventurar junto com os órfãos Baudelaire, mergulhar em suas tragédias e suas mínimas felicidades.

Espero que vocês leiam e deixem seus comentários do que acharam do livro, dicas e criticas. Até a próxima, Boa leitura!



 
Ana Liberato