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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Vale a Pena Ler de Novo: “Depois do Fim” (Daniel Bovolento)

Neste mês de Janeiro estamos em recesso, mas preparamos para você, caro leitor, uma seleção com nossas resenhas mais acessadas de 2017.
Enquanto isso, prepare-se para todas os lançamentos e novidades de 2018.

Por Kleris: Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada? É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação: o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra de rotina – que tudo se evidencia. 
Você sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com você. 
Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí. 
As coisas nunca acabam pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário, confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.

Amores, desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro, marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz encarar vários estágios do fim. Ele costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida, filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva. 
Como é que a gente explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar nem pra mim. 
Tô te implorando lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de desistir de você. 
Cê acha que isso aqui vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um dia passa.Acho que sim, acho que não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida.

Mesmo as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas. É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora passa. 
“Com Bovolento, mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)

Daniel também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro amigo. 
E a gente se força a achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras, suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara. 
Olhamos todos o lado do mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida dela. 
Mais do que isso, tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita para ser sozinha. Discordo.

Há crônicas para arranhar, para amainar, para rasgar, para descansar, para rir (de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta, o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos. Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre que puder. Ao fim você vai se sentir melhor. 
Será que um dia eu voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe? 
Vão bater na tua porta, vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique bem. Mas você não reage aos estímulos.

Aliás, com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro, parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.



De plus, temos um projeto gráfico maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas, amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra que não há experiência sem aprendizado.  

Ademais, em diversos momentos, lembrei do livro Que Ninguém Nos Ouça (aqui), pela vibe de lavar a alma, e dos livros da Brené Brown (aqui), quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua própria jornada. 
Você pode não ter se candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara, sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais Forte do Que Nunca – Brené Brown

Depois do Fim é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde, mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore Girls com junky food. É um mergulho profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra outra. 
De vez em quando, seremos essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só não era o tempo certo, só não estávamos curados.

Fonte de imagem: @_poematizar

A playlist do livro

 

Eu ainda adicionaria as lentas de Alexz Johnson e de Boy (duo) de doida mesmo.
Pois é, deixe uma leitora aloprar...

Até a próxima!

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Resenha: "Saga Três Luas - Livro 1 - Lua Azul" (Fred Oliveira)


Ilustrações de Arthur Pandeki

Sinopse: O universo está em perigo... Uma poderosa civilização monitora a relação entre o bem e o mal do universo, destruindo planetas inteiros sempre que o equilíbrio parece ameaçado. Para tal, observam uma incrível relíquia, chamada A Grande Balança, que se inclina sempre que um planeta precisa ser exterminado. E mais: a Terra, o Planeta Azul, é o próximo. Mas, muito tempo atrás, na Itália renascentista, Galileu e seus discípulos desenvolveram o que poderia ser a última esperança da raça humana: sete armas de extremo poder, confiadas a gerações e gerações de guerreiros habilidosos e comprometidos com a salvação do mundo. Essa história atravessará os séculos até chegar a Tóquio, no ano de 2064. Katsuma, um jovem de apenas dezesseis anos, receberá uma das grandes armas de Galileu e terá de lidar não apenas com os sentimentos e as descobertas de um adolescente comum, mas também com o peso da maior responsabilidade que um homem adulto poderia suportar: o de ser o herói de que a humanidade precisa para continuar existindo.

Fonte: Skoob

Por Eliel: Não sou um grande fã de livros de youtubers, mas Fred Oliveira fez um trabalho espetacular em criar a primeira Light Novel no Brasil. Esse gênero é muito popular em países asiáticos e suas principais características são os textos rápidos e cativantes.

Existe uma raça extraterrestre responsável pelo equilíbrio entre o bem e o mal do Universo, eles usam A Grande Balança que se inclina contra um planeta sempre que esse equilíbrio parece ser ameaçado. Para restabelecer essa relação eles destroem o planeta alvo. sinceramente, não sei quem deu autoridade e poder para que os habitantes de Hakai julgassem qual planeta merece tal fim.

- O fato de não saber fará você sair em busca de sabedoria. O fato de não entender fará você encontrar respostas verdadeiras.

A Terra é a próxima da lista desse povo cruel. Séculos atrás, Galileu criou, junto com seus discípulos, sete poderosas armas confiadas através das gerações a grandes guerreiros que protegeriam a Terra. Nossa aventura começa muitos anos depois em Tóquio no ano de 2064, Katsuma recebe uma dessas armas e com apenas 16 anos terá que se tornar um herói para a humanidade.

Katsuma é introduzido em um mundo fantástico que se quer imaginava que pudesse existir e nessa aventura ele vai descobrir segredos sobre sua vizinha por quem é apaixonado, Iyo. Outras personagens vão se juntar e formar uma equipe bem heterogênea: o nerd, o mascote, o atleta, entre outras personalidades típicas.

- Eu não quero mais ser salvo por você, pelo Red, ou mesmo pela dra. Murakami. Eu quero ser o cara que protege, só para variar um pouco, sabe?

Nosso protagonista passará por descobertas sobre suas responsabilidades como herói e como um jovem adulto amadurecendo. Toda a narrativa tem toques da jornada do herói que amarra super bem todas as passagens dessa primeira parte.

Nem bem terminei esse primeiro livro e já estou com aquele gostinho de quero mais. Que venha logo o volume dois, pois estou curioso como será feita a continuidade desse livro que me encantou. Não me lembro se já disse por aqui o quanto essa nova safra de autores nacionais têm me surpreendido, tem muita galera boa e logo vocês verão por aqui.


O livro conta com muitas ilustrações bem ao estilo mangá do Arthur Pandeki

E se você quiser conhecer um pouco mais do trabalho do Fred é só acompanhar o canal Anime Whatever no YouTube.

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

[Novidades] V Planeta de Leitores @PlanetaLivrosBR com @danielbovolento e convidados

Alô, Maranhão!



A segunda temporada do Planeta de Leitores MA está chegando! Neste novo encontro, vamos conhecer o autor Daniel Bovolento e seu último livro Depois do Fim.   

Um publicitário que fala mais sobre amor do que outros assuntos, Daniel Bovolento é criador do blog Entre Todas as Coisas, e usa o espaço para escrever crônicas e artigos sobre comportamento e relacionamentos. O escritor se define como um "jornalista de comportamento em de bar" e usa e abusa das crônicas nos livros Por Onde Andam as Pessoas Interessantes, lançado em 2015, e Depois do Fim, lançado em 2016. Também atua como colunista dos sites Casal Sem VergonhaÁrea H e outros grandes portais de comportamento, onde, entre ensaios, crônicas e vídeos, fala sobre o que chama de “o fantástico mundo dos seres humanos".


No encontrão, vamos bater um papo com o Daniel sobre sua última obra, Depois do Fim, uma coletânea de crônicas sobre quem acabou de perder um grande amor e toda a bagagem que o momento nos faz carregar: o adeus, o fim, o tempo, e o processo de cura. Veja resenha do livro aqui.

E, ah, tem mais convidados para fazer deste encontro muito mais especial!

Vem conhecer!

 Bruno Magno

Ludovicense, criador do blog Dose de Quinta, que deu origem ao livro de mesmo nome. Aproveitou a ondas da mídia digital para criar o blog que, em forma de textos curtos e inteligentes, é extremamente específico pra falar sobre uma só temática, sob diversas tramas e formas: o amor.
 
Vanessa Cristina


Clubista no Clube do Livro Maranhão, 26 anos, formada em Letras pela UEMA e Mestranda em Teoria Literária pela mesma instituição. Professora de Linguagens, também é colunista no site Sobre O Tatame, e tenta manter dois blogs – um de sentimentalidades (Paro e Me Pergunto) e outro de resenhas literárias (Book Is The New Coffee).


V Planeta de Leitores MA com Daniel Bovolento
Depois do Fim e Sessão de Autógrafos
Dia: 29/jul
Local: Mezanino da Livraria Leitura – São Luís Shopping
Horário: 15h às 18h - Entrada Franca.


PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
14h30 Credenciamento do Evento
15h00 Início do Planeta de Leitores
16h30 Sessão de Autógrafos com Daniel Bovolento

AVISOS

– A partir das 14h30min, a equipe do Clube do Livro MA estará realizando o credenciamento das pessoas (nome e e-mail) e recebendo perguntas por escrito – o leitor também pode fazer perguntas no microfone, na hora. Essas questões podem ser repassadas à equipe antes ou durante o encontro; serão direcionadas ao escritor convidado após o debate. Pedimos que as perguntas sejam diretas e, se escritas, que no papel conste identificação do(a) seu(sua) criador(a).
– Todos os participantes do evento poderão ter seus exemplares (“Depois do Fim” e "Por onde Andam As Pessoas Interessantes?") autografados e tirar duas fotos com o escritor. Todas as fotos com o escritor serão tiradas pela equipe do Clube do Livro MA e compartilhadas no álbum V Planeta de Leitores MA, que será criado na nossa página do Facebook. Isso facilitará a organização da fila para os autógrafos. Por favor, não tente burlar isso! Não seja desrespeitoso com o convidado, com a organização ou com quem está na fila. A nossa equipe está preparada para realizar intervenções.
– Somente APÓS a sessão de autógrafos que o público pode tirar fotos e/ou gravar vídeos com celulares pessoais, com consentimento do autor.
– Evento gratuito com cadeiras limitadas.
– Os leitores podem antecipar perguntas, enviando-as pelos nossos perfis das redes sociais (por DM, inbox, reply, comentários). 


Marque presença aqui no link do evento 
e não deixe de convidar amigos leitores para este encontrão!


Acompanhem nas redes sociais 
#clubedolivroma #planetadeleitores 
#planetadeleitoresma #maranhãodeleitores

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Resenha: “Depois do Fim” (Daniel Bovolento)


Por Kleris: Sabe aquela expressão de pegar os limões que recebe da vida e fazer uma limonada? É o que Daniel entrega nos 50 textos de Depois do Fim, um livro de crônicas sobre aquele momento difícil de toda relação: o adeus, o fim, o tempo e processo de cura de um coração. E é na rotina – ou quebra de rotina – que tudo se evidencia. 
Você sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com você. 
Quando você achava que nunca aconteceria nada disso com você, quando o fim era uma perspectiva tão imprevisível quanto o início, você acaba tendo uma única certeza: ele ainda está dentro de você. E seu maior problema agora, mais do que qualquer outro, é descobrir como tirá-lo daí. 
As coisas nunca acabam pontualmente. Não existe um determinado dia em que você olha pro calendário, confere as horas no relógio, vira pra alguém e diz: eu não te amo mais. As coisas se arrastam por momentos em que a gente vai identificando o desgaste.

Amores, desamores, luto, apoio e superação são temáticas que constituem o livro, marcado por doses generosas de poesia e empatia. É assim que Daniel nos faz encarar vários estágios do fim. Ele costura historietas, conversações, fluxos de pensamento. Recortes da vida, filmes que transitam no nosso imaginário. Todos permeados de dúvidas, zigue-zagues da consciência e, apesar do que sugere, nem sempre está acompanhado de uma densa nuvem de fossa depressiva. 
Como é que a gente explica prum cachorro que você não iria voltar? Não sei, não consegui explicar nem pra mim. 
Tô te implorando lentamente pra dizer alguma coisa que me pare enquanto eu declaro que tô desistindo de você. Tô levando na mala só o que é meu, e deixo o que era nosso pra você fazer fogueira do passado. [...] Diz e me impede, de uma vez, de desistir de você. 
Cê acha que isso aqui vai demorar muito? Não o filme, mas a gente. Isso aqui que a gente tem e que um dia passa.
Acho que sim, acho que não. Não sei. Tempo é relativo. Pra você pode ter sido um ano, pra mim pode ter sido uma vida. A gente nunca sabe quanto tempo o outro vai morar na gente depois da despedida.

Mesmo as experiências mais dolorosas tem sua importância, e não adianta fugir delas. É preciso senti-las em toda sua profundidade – para que passem. Porque uma hora passa. 
“Com Bovolento, mergulhamos na dor e na beleza do encerramento de uma história de amor. E com ele damos a volta completa para finalmente entender que só pode haver vida se houver morte”. – Milly Lacombe, escritora e jornalista (texto de contracapa)

Daniel também traz luz para diversas impressões de relacionamentos que não fazem mais sentido em nossa realidade, como o fato de uma pessoa sentir que deve consertar a outra (não!), que quem sempre termina é o vilão da história (não!), sem falar das expectativas irreais e demais idealizações que produzem aquele choque negativo com a realidade. Nesse sentido, ao retratar as relações, com visões de dentro e de fora, Daniel se mostra muito “pé no chão”. E ainda oferece um ombro amigo. 
E a gente se força a achar que o outro pode ser consertado, mesmo sendo evidentes as rachaduras, suas infiltrações e alguns parafusos meio frouxos que ficam bem na cara. 
Olhamos todos o lado do mocinho depressivo que ficou lamentando por muito tempo a ida da mulher da sua vida, como se ela não tivesse também o direito de ir em busca do homem da vida dela. 
Mais do que isso, tentam me dizer que eu vou nunca conseguir ser feliz sozinha, que não fui feita para ser sozinha. Discordo.

Há crônicas para arranhar, para amainar, para rasgar, para descansar, para rir (de nervoso até); não é uma leitura tão fácil. Apesar de toda poesia em volta, o livro pede (e entende que é preciso) muita calma de seu leitor, assim como o leitor pede calma em favor de seus sentimentos. Isto porque a gente abre sabendo que vai topar com inúmeros gatilhos. Mas vale abrir um a um, respeitando, claro, nosso tempo de cura. Volte sempre que puder. Ao fim você vai se sentir melhor. 
Será que um dia eu voltarei a ser o mesmo? Digo, o cara que era antes de você, sabe? 
Vão bater na tua porta, vão te ligar aos montes, vão ter dó de te deixar sozinho. Vão espantar o escuro, vão decretar estado de alerta e euforia, vão te marcar nas coisas mais engraçadas da internet. Vão descarregar caminhões de felicidade empacotada na tua casa, vão te apresentar amigos e mais amigos, vão comprar passagens de avião pra Indonésia de presente. Vão mover mundos e fundos para que você fique bem. Mas você não reage aos estímulos.

Aliás, com tantas bandeirinhas (marcadores) adesivados no livro, você vai querer voltar sempre sim. Porque Daniel escreve de maneira a nos fazer entender os mais indecifráveis sentimentos. Sério, dá vontade de marcar o livro inteiro, parágrafo a parágrafo. Prepare sua cartelinha, você vai precisar.




De plus, temos um projeto gráfico maravilhoso da Planeta. Trechos (“fotografáveis”) se encontram dispostos como entrada das crônicas e o conjunto de recursos das páginas, pretos, cinzas, amareladas, dão o toque final. Os textos são mega curtos, mas de grande peso. Cercados de um repertório musical pra te colocar e te tirar da fossa, a leitura mostra que não há experiência sem aprendizado.  

Ademais, em diversos momentos, lembrei do livro Que Ninguém Nos Ouça (aqui), pela vibe de lavar a alma, e dos livros da Brené Brown (aqui), quando se fala sobre vínculos, (auto)aceitação e processo de volta por cima. Estar em um relacionamento poder ser muito V1D4 L0K4, mas, no fim das contas, estamos aqui para nos relacionar, cada qual em sua própria jornada. 
Você pode não ter se candidatado à jornada do herói, mas, no instante em que caiu, quebrou a cara, sofreu uma decepção, meteu os pés pelas mãos ou ficou de coração partido, ela começou. Não importa se estamos prontos para uma aventura emocional – as mágoas acontecem. E ninguém está livre delas. Sem exceção. A única decisão que podemos tomar é sobre o papel que vamos desempenhar na própria vida: queremos escrever nossa história ou queremos entregar esse poder a outra pessoa? Mais Forte do Que Nunca – Brené Brown

Depois do Fim é aquele livro que te dá tapinhas no ombro a cada revolver de sentimentos. Espera contigo (vide imagem abaixo). Arde, mas também sabe deixar o coração quentinho como um episódio maravilhoso de Gilmore Girls com junky food. É um mergulho profundo (e às vezes necessário) naquela maratona binge da netflix. Você sai cansado, mas realizado. Pronto pra outra. 
De vez em quando, seremos essas pessoas que deixam pessoas ótimas irem embora porque alguém feriu a gente. Porque alguém quebrou a gente um tempo atrás. Não é culpa de ninguém, só não era o tempo certo, só não estávamos curados.

Fonte de imagem: @_poematizar

A playlist do livro



Eu ainda adicionaria as lentas de Alexz Johnson e de Boy (duo) de doida mesmo.
Pois é, deixe uma leitora aloprar...

Até a próxima!

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Ana Liberato