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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

RESENHA: “Gone” (Lisa Mcmann)

- Clique aqui para ler a resenha de “Wake – Despertar”, o primeiro livro da série.

- Clique aqui
para ler a resenha de “Fade – Desvanecer”, o segundo livro da série.

- ATENÇÃO!
Essa resenha pode ter spoilers para quem não leu os livros anteriores.

Gone” começa com o pânico de Janie ao depor no julgamento dos professores, devido aos fatos ocorrido em “Fade” e a sua revelação como agente de narcóticos. Todos a reconhecem nas ruas, fazem perguntas sobre o caso e ela não aguenta mais. Até que ela e Cabe viajam para a Califórnia para a cabana do irmão dele.

O relacionamento dos dois começa a se desgastar, Cabe tem sonhos terríveis com os problemas futuros de Janie (cegueira, perda dos movimentos dos membros e etc), ele não os lembra mas Janie participa deles na maioria das vezes e não está aguentando mais, pois tudo que ele não diz sobre suas inseguranças acaba ocorrendo nos sonhos.

– Certo, obrigado – diz ele – Você por acaso gostaria de me contar o que está acontecendo ultimamente?
Janie engole seco.
Passa o dedo pelos cabelos e fica olhando ele. Inclina a cabeça e pressiona os lábios, unindo-os, para fazer com que parem de tremer.

Ela não consegue fazer isso.
Não consegue contar a ele.
Não consegue dizer.

Então, ela mente.
Tudo muda com uma ligação urgente da Carrie avisando que a mãe de Janie está surtando e que irá levá-la para o hospital. As férias de Janie e Cabe são interrompidas. “Gone” aborda muito mais que nos livros anteriores, o alcoolismo, o grande problema da mãe de Janie, que a carrega como um fardo, ela é incapaz de fazer nada sem estar alcoolizada e às vezes se torna agressiva, são problemas reais muito bem retratados.

Não quero contar muito sobre o que acontece a partir disso e sobre quem é Henry, mas posso garantir que ele é um personagem que será muito importante para Janie, a ajudará a entender as suas escolhas, que são um dos grandes dilemas do livro. Isolar-se, tentando viver uma vida normal ou usar o dom e ficar cega e torta? As coisas não são tão simples assim, há muito mais nessas opções é “Morton’s Fork” (um termo explicado no livro para dizer que as duas escolhas são péssimas).

Dói ainda mais isso.
E então eles se beijam.

Devagar, gentilmente.

Porque, com a pessoa certa, às vezes, beijar parece que vai curar.
Dá para sentir raiva de Cabe no começo, mas apesar de tudo ele é um cara legal e faz tudo por Janie, não é a aquele romance lindo e feliz, é realista, mas funciona, os dois se amam, cada um a sua maneira. Carrie aparece um pouco mais nesse livro, ajudando Janie com seus problemas, fazendo bem o papel de amiga. Janie continua honrando sua personalidade, responsável, independente, forte.
Janie ri baixinho, mas por dentro sente um pouco de dor.
Por um instante, deixou todo esse problema para trás.

É difícil ficar animada com isso.
Mais a vida continua.
Tudo progride, em uma direção ou em outra.
Gostei muito desse livro pois a narrativa de Lisa Mcmann é bem sincera e realista, não há formula magica para resolver tudo ou final 100% feliz, mostra que apesar de todos os problemas, dá para tentar, ter esperança, mesmo que as coisas não sejam perfeitas. Achei que a autora fechou bem a estória de forma coerente com o que construiu sobre seus personagens e quero muito ler mais obras dela. Recomendo muito toda a trilogia (Wake, Fade e Gone)!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

RESENHA: “Fade - Desvanecer” (Lisa Mcmann)


- ATENÇÃO! Essa resenha pode ter spoilers para quem não leu “Wake

Ainda estou passada com as revelações desse livro! E confirmo o que muita gente me disse “Fade” é ainda melhor que “Wake”! Muito mais ação e suspense! A história é mais estruturada.Vale a pena ler!

A narrativa não é mais problema, até gosto da maneira como Lisa escreve com data, hora e descrevendo ações no presente.

“Fade” gira em torno da investigação de um possível professor pedófilo (que no livro descrevem como “predador sexual”, achei meio estranho o termo) na escola Fieldridge High. E Janie e Cabel terão que ajudar a Polícia a solucionar essa questão, ela invadindo os sonhos dos professores e alunos, ele se infiltrando nos grupos em busca de informações. Uma personagem que merece destaque é a Capitã Komisky, a chefe da Polícia, séria e durona, mas que ajuda Janie nas horas mais difíceis
A Capitã fica em pé, sem dizer uma palavra. Espera pacientemente pela explicação de Janie. Estende a mão para ela. Puxa-a para cima e abraça-a.
Há muito mistério na trama, tensão do começo ao fim nas investigações de Janie e Cabel. Só consegui descobrir a resolução, quando já estava perto de acontecer, hora você desconfia de uma pessoa, hora de outra. Não quero revelar spoilers sobre esse ponto central da narrativa que toma boa parte do livro.

Também há muitas descobertas em relação ao dom de Janie através das anotações da Sra. Stubin, ser um “apanhador de sonhos” não é fácil, é uma grande responsabilidade. Há alguns efeitos colaterais que Janie sofre que se agravam com o tempo. Admiro muito a personalidade dela, por mais que as coisas sejam difíceis ou dêem errado, ela pode chorar, pode sofrer, mas não foge, vai lá e enfrenta. Ela não é o tipo de protagonista que precisa ser salva, se vitimiza, ela vai lá e resolve a parada, aguenta os problemas.
Lágrimas escorregam sem parar pelo rosto de Janie. Ela coloca a manga molhada da blusa na boca. E continua.
O relacionamento entre Janie e Cabel continua se desenvolvendo, ficando muito mais intenso e sério, fazendo com que o leitor torça por eles. Porém, em alguns momentos as atitudes de Cabel são questionáveis e ele mesmo se assume um “lesado”. A relação deles vai muito além do amor, os dois têm muitos problemas e traumas que hora os unem, hora os separam.

À noite, deitados, juntos na cama de Cabel, ela sabe que chegou a hora. Antes de ler o caderno verde, antes que acabe acontecendo o que tiver que acontecer, ela precisa dizer o que sente. Porque ele é o único que importa.
Pratica mentalmente.
Forma as palavras com a boca.
Depois, tenta dizê-las, suavemente, em voz alta.
– Eu te amo, Cabe.
Li “Fade” em dois dias, não há como não se envolver com essa história. Mais uma vez digo, não se deixe influenciar por resenhas negativas, tire suas próprias conclusões, há muita gente que ama essa série e muita gente que odeia. Recomendo esse livro para quem quer um bom mistério, com doses de ação, romance e drama. Agora resta aguardar pelo lançamento de “Gone” que está previsto para esse mês (dezembro de 2010).
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

RESENHA: “Wake - Despertar” (Lisa Mcmann)

Antes de tudo, um agradecimento especial a Juh do Livros e Bolinhos que ama esse livro e me indicou diversas vezes!

“Wake” é aquele tipo de livro que divide opiniões, ou você ama ou você odeia (já vi varias resenhas detonando o livro por ai), é necessário ler para tirar suas próprias conclusões, já vou avisando que eu sou do time dos que amam!

9 de dezembro de 2005, 12h55

O livro de matemática de Janie Hannagan escorrega de seus dedos. Ela agarra a borda da mesa da biblioteca da escola. Tudo fica escuro e silencioso.
No começo é fácil estranhar a narrativa no presente, com data e hora dos acontecimentos, mas depois de umas 20 ou 30 paginas, você nem percebe mais isso, já entra no ritmo.

O livro conta a estória de Janie, uma garota de 17 anos, pobre, sem muitas amizades, que tem um problema: toda vez que alguém dorme perto dela, ela é sugada para o sonho (na maioria das vezes são pesadelos). Ela é uma garota muito esforçada, trabalha muito (num asilo) para juntar dinheiro para a faculdade e sonha com uma bolsa de estudos. Janie passa por diversas situações e se recusa a contar para alguém sobre seu “problema”, nem a sua mãe (que não faz muito o papel de mãe porque fica bêbada o dia inteiro) sabe.

Sua melhor (e única) amiga é Carrie, sua vizinha e colega de classe. Melinda e as demais patricinhas ricas do colégio a odeiam e a humilham.

Tudo vai indo nesse contexto até que Cabel entra na história e tudo fica mais intenso e misterioso. Cabel a principio é um gótico estranho, que parece usar drogas. Certo dia ele ajuda Janie a voltar de uma festa, em seu skate, ao invés de ir a pé, pois ela está com os pés descalços (não conseguia mais andar de salto). Depois de um tempo ele passa por uma transformação incrível e nem parece mais o mesmo garoto, vira o mais lindo e cobiçado do colégio e seu envolvimento com Janie vai aumentando. Até que ela entra em seus sonhos.

30 de Agosto de 2004

É o primeiro dia de aula. Janie e Carrie estão no penúltimo ano. Elas esperam pelo ônibus na esquina da rua onde moram. Algumas crianças da escola secundária estão de pé junto delas. Alguns estão ansiosos; Outros são terrivelmente baixinhos. Janie e Carrie ignoram os calouros.
O ônibus está atrasado. Felizmente para Cabel Strumheller, o ônibus está mais atrasado que ele. Janie e Carrie conhecem Cabel – ele é o garoto problema da escola desde a nona série. Janie não se lembra muito dele antes disso – dizem por ai que foi reprovado e foi parar na série delas. Ele vivia atrasado. Sempre parecia drogado.
Muitas vezes as aparências enganam, Janie e Cabel já são um dos meus casais favoritos da literatura, vocês precisam ler para entender o desenvolvimento desse relacionamento, os mistérios, as mentiras e o amor verdadeiro que se desenvolve ao decorrer da trama.

Abre a porta.
Entra sorrateiramente.

Ele está esperando, em seu sono, por ela.
Janie é o tipo de personagem que gera simpatia por parte do leitor, que torce para as coisas melhorem em sua vida tão cheia de desgraça, que as coisas dêem certo.

Além de um trechinho de “Fade”, o próximo livro da trilogia que termina com “Gone”, achei muito interessante o capitulo extra com um determinado acontecimento do meio da estória, só que com a visão de Cabel! Muito bom ver o outro lado.

O livro é muito envolvente, não é a toa que a obra de Lisa Mcmann é bestseller do New York Times e tem elogios de Cassandra Clare (autora de Cidade dos Ossos) na capa!

Se você procura por um livro com mistérios, romance e até um pouco de terror, Wake é o ideal! Não se deixe intimidar por resenhas negativas leia e tire suas próprias conclusões, surpreenda-se!
 
Ana Liberato