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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Resenha: Autobiografia Interativa (Neil Patrick Harris)

Tradução de Juliana Cunha e Guilherme Miranda

Organizado de modo que faça sentido por David Javerbaum

Por Kleris: A biografia mais legendária EVER! Quando você acha que já ama o Neil, ele te prova que dá pra amar muito mais. Sabe aquela sensação de querer colocar a pessoa num potinho e apenas guardar com amor? É esse livro, é essa pessoa.

Nesta biografia, ele te faz sentar e te dá o console do videogame que ele chama de vida. De verdade. Não só somos colocados diretamente na pele de Neil conforme essa vida começa a passar, como somos nós quem determina pra onde seguir pelos capítulos, ao melhor estilo de livro-jogo. Assim, Autobiografia interativa é um título que entrega tudo em duas palavras e não poderia imprimir o Neil melhor. A criatividade, humor, sagacidade e amor transbordam das páginas conforme as viramos. 
Se quiser participar de um outro truque de mágica, vá para a página 174. Se quer ser enfeitiçado de uma maneira mais romântica, vá para a página 116. Ou, dê uma olhada no capítulo que começa na página 258. Ele não é de fato uma continuação deste capítulo, mas é ótimo. Tem, tipo, um iate e tudo.

O livro foca bem na experiência – e experiência completa! Neil não está ali pra contar sua história, ele quer a gente a viva. Ao ser Neil, vemos que desde cedo ele nasceu para ser essa pessoa espirituosa. E encontrou caminhos awesome que lhe deram a oportunidade de brilhar de fora pra dentro, de dentro pra fora. Claro que não foi fácil, que nem sempre as coisas saíam do jeito que era pra sair, mas, pensando bem, cada caminho foi importante para levá-lo para onde ele queria estar, para quem ele queria ser. Aceitar-se como se é não é mera jogada, é crucial para nossa felicidade. 
Coragem, Neil. Não se assuste. A vida é uma aventura. Talvez nunca surja outra oportunidade como esta que está tendo agora, ao menos não neste livro.
Claro que você está temeroso agora. A coisa/atividade/escolha profissional que você está considerando agora parece um pouco assustadora. Mas ela é também o caminho para o crescimento e para o autoconhecimento. [...]Agora volte à página onde você estava e diga sim à aventura!

Aliás, Neil não usa sua história para qualquer drama, ele a apresenta de uma maneira tão incrível que até nas horas difíceis ele nos envolve, nos faz sentir tão bem quanto ele está agora olhando para seu passado. Não só podemos imaginar satisfação e orgulho, como senti-los, já que, bem, somos Neil Patrick Harris. 
Cada qual tem sua história. Cada um tem seus próprios preconceitos, criados por nossas famílias, círculos sociais e, sobretudo, por nós mesmos. É difícil enfrentar aquela parte de você que você mesmo teme. No seu caso, vai levar tempo e experiência. Vai precisar viver um pouco, olhar ao redor e ver o exemplo de espíritos livres que lidam melhor com suas próprias questões.
Mas você vai chegar lá.

Uma das coisas que mais me encantou foi essa visão de brilho nos olhos que Neil traz. Sabe uma paixão pelas pessoas? Pelo trabalho? Pela arte? Esse é o tipo de pessoa que move outras milhares. O maior medo de artistas como Neil é justamente ser rejeitado pelo que ama, pois o preconceito é o que os barram de mostrar quão maravilhosos são. Mas o fascínio seu falou mais alto e suas excentricidades fazem toda a diferença. Neil hoje inspira arte e expira amor.  Ele merece palmas calorosas de seu público.

A autobiografia é, assim, por si, um instigante modelo e um instigante estilo sobre uma instigante pessoa. E, ah! Tem uma página escondida. Não há um caminho certo sobre como parar lá, mas espero que você ache, pois o Neil tem um segredinho ao estilo entendedores entenderão.


Até a próxima!

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Resenha: "Abner e a história (ainda) não escrita" (Daniel Wu)


Por Kleris: Que projeto mais <333, mia gente! Assim que bati o olho na história de Abner, deu aquele good feeling de novo. Quando comecei a ler, ainda ano passado, a publicação do projeto estava mais ou menos pelo meio – e quem acompanha nossa page pôde ver que divulgamos o trabalho do Wu (também conhecido como Dnepwu) – mas, por andanças da vida, parei a leitura e voltei a ela já quando estava finalizada. Agora volto a indicar essa leitura, porque, de tão é excelente que é, merece ser lida, relida e espalhada!


Mas, Kleris, é um projeto ou é um livro?

Vamos considerar que é uma história, uma literatura (ilustrada) publicada numa plataforma incomum para tramas semelhantes (acho?) e que foi desenvolvida pelo roteirista e ilustrador Wu. A plataforma? Facebook! A surpresa não para por aí, pois a história funciona ao estilo livro-jogo, em que você faz escolhas e é levado para outros lados da aventura. Isso sem falar que tem personagens interagindo com a gente nas postagens e comentários. Todos esses pontos diferenciais super funcionam e agregam mais valor à saga. É tudo tão organizadinho, gente :) Fiquei encantada demais! 

Em Abner e a história (ainda) não escrita, Abner é um garoto que acaba de passar, mais uma vez, por uma rejeição. Acontece que ele tem uma mancha de nascença que lhe cobre parte do rosto e isto se revela motivo para muitas maldades gratuitas das pessoas ao seu redor. Além disso, ele carrega uma culpa ao peito por conta de um acontecimento na família. Não vendo outra solução, ele se refugia numa lata de lixo para fugir de uns bullys e lá por acaso conhece uma mosca... que conversa com ele e propõe a ajudá-lo. Então a Mosca seletora encaminha o garoto para um universo onde parece haver esperança para esse seu problema. A partir daí, Abner segue caminhos incertos – ou melhor, nós – em busca da “cura”: 
— Vamos ao que interessa: eu sei como te ajudar.
— Mas você nem me conhece…
— Conheço o seu tipo. Você não é tão raro quanto pensa.
— Agora vá atrás de uma lágrima de Mégora.
— Lágrima do quê?
— De Mégora! Esta mancha te deixa surdo também? Aliás, você não está mais no seu mundo.
— Isso vai tirar essa mancha da minha cara?! — gritou Abner, mas Mosca já havia sumido. O que é muito fácil de se fazer quando se é uma mosca.

O que Daniel construiu foi uma história muito rica. A ambientação, os detalhes, as ilustrações, os trechos em destaque, tudo um primor só. A trama e os conflitos também não deixam nada a desejar, estão bem conciliados. O autor vira e mexe muito nessa questão da aceitação e das escolhas. Na verdade, Abner e a história (ainda) não escrita respira escolhas. 
Os três acenaram. Eram, respectivamente, um brutamontes meio lagosta, um pinguim e uma mulher oriental metade carpa. Capitão Barão virou-se para Golda.
— Você será a Maruja, a princesa! E você... Ora, nenhum pirata é mais pirata do que alguém que já nasceu com um tapa-olho! Você será o Pirata, o lorde! Agora, todos a bordo do nosso navio – a Orca!
O cogumelo abriu os olhos lentamente e sorriu simpática.
— Vamos! Os perigosos perigos do Mar Alto nos aguardam!
— Perigosos perigos? – disse Abner — Não tem um outro caminho?
— Até tem, mas se não navegarmos rumo aos nossos medos, seremos sempre medrosos. Vamos, Pirata, o lorde! Para a Ilha Perfeita!

O que não falta é personagem para dar o ar da graça – alguns, como mencionei acima, até comentam comentários de leitores. Eles são um conjunto heterogêneo de seres bem interessantes, como podemos ver: água-morta-vivas, piranhas vegetarianas, mulheres camarão, caranguejo bigodudo, camelos urubus, mula-marinha... Rola até Lampião e Seu Lunga! Minha fase favorita foi justo essa do cagaçoeste :) 
— Não foi always assim. Era uma cidade normal, happy até. But then, veio o Fardo e nobody mais quis sair da city com medo dos coletores farejarem a culpa.
— Os coletores farejam culpa?
Ela deu a volta no balcão, rebolando o corpo inteiro, e continuou:
— Oxe, tu não sabe? Everybody se culpa pelo que aconteceu com Mégora. Os coletores sugam essa culpa e levam até ela. Por isso todo mundo ficou bem escondido here, dependendo do Seu Lunga, o xerife pra tudo. Of course que ele não dá conta, daí foi que todo caboclo da cidade ficou arredio. E a chuva stoped. De repente. Mas eu e my girls estamos aqui para desestressá-los. If you know what I mean.

E as referências? Muita tiradinha, perspicácia e até conspiração. Wu faz um redemoinho delas, vez e outra quebrando um clichê ou retomando um em suas intervenções... Há sempre um toque sobre algo ser real ou duvidoso. Dá aquele feel de que é uma animação pra criança, mas são os jovens e os adultos que realmente pegam a sacada.

Abner e a história (ainda) não escrita me impressionou bastante em toda a desenvoltura. Quantos caminhos! Quanta criatividade! E quanta curiosidade de espiar os outros lados da história hehehe – num minto, na segunda leitura, resolvi perambular por outras trilhas.

Para ler, você pode acompanhar os capítulos (são 18) conforme a página (e a trama) te direciona. Há ainda a opção de ler no celular, sem perda alguma de conteúdo – já li das duas maneiras, tá tudo certo ;) Os caminhos são múltiplos, sempre divididos por cores, e às vezes calham de dar de encontro; é tudo muito ágil. No mais, lá e acolá o autor precisa dar só uma pincelada na revisãozinha de texto, que nem incomoda assim.

visualização de capítulo na page (clique para ver melhor)

Para acessar, curta e leia aqui: 

Recomendadíiiiiiiiiissimo a quem procura uma jornada de herói cômica e misturada, de literatura fantástica, fantasia, aventuras nonsenses e ambientação a uma plataforma diferenciada. Deixem-se surpreender pelo trabalho do Wu!

 

Mas a forma com que se lida com as consequências da sua escolha, isso é bem revelador. 

Conheça outros trabalhos e mídias do Dnepwu



Até a próxima!

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Ana Liberato