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quinta-feira, 14 de março de 2013

Resenha: "Livro de Receitas para Mulheres Tristes" (Héctor Abad)

Tradução por Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni

Por Eliel: Qual seria a receita que qualquer pessoa busca? Seria à da felicidade? Ou a do amor?

Héctor Abad traz respostas, por vezes, sem pé nem cabeça que vão ao âmago do sentimento e revelem as mais interessantes características que estão escondidas do nosso ser. Aquelas características que estão escondidas nos mais profundos vales da nossa mente e coração.

Apesar de ter um titulo triste, o livro em si, trata dos mais diversos assuntos de forma bem divertida. A mulher pode começar a ler triste, mas dificilmente terminará como começou.
"Os dias de cara ruim, aproveite-os em tarefas de recolhimento; os dias de cara boa, aproveite-os, sem mais."
Embora Héctor fale diretamente à mulher como um bom amigo ele estende o convite aos homens para ouvir atentamente suas palavras.

Não existem capítulos, não existe classificação, são apenas textos curtos que dizem mais do que muitos livros ou são textos longos sem noção que são mais repletos de emoção do que qualquer romance.

Ironia e simplicidade são o que permeia cada página desse livro de receitas (ou seria um livro de autoajuda?). Um livro para ler diversas vezes em diversas situações e para não deixar ele se afastar de sua cabeceira ou da sua cozinha.
"Uma regra de ouro culinária é: só confie em que provou."
Apenas para que vocês possam sentir um pouco do gostinho que esse livro guarda à cada página segue o primeiro texto:
"Ninguém tem a receita da felicidade. Na hora infeliz, de nada valerão os mais elaborados cozidos do contentamento. Se para algumas mulheres a tristeza é até motor do apetite, não convém empanturrar-se nos dias de angustia. O alimento na infelicidade, não é assimilado e cria gordura. As mais saudáveis beberagens liberam seu veneno quando tomadas por uma mulher aflita.
Hábito salutar é jejuar nos dias de desgraça.
Contudo, no meu largo trato com frutas e verduras com ervas e raízes, com músculos e vísceras de diversos animais silvestres e domésticos, descobri alguns atalhos de consolação. São cozimentos simples e de baixíssimo risco. Tome-os, no entanto, com cautela. O melhor remédio, para algumas é veneno. Mas faça a prova, tente. A tristeza constipa. Recorra ao purgante das lágrimas, não fuja ao suor. Findo o jejum, prove minhas receitas.
Minha formula é confusa. Constatei que em minha arte poucas regras se confirmam. Desconfie de mim, não cozinhe minhas poções se a sombra de uma dúvida a assaltar. Mas leia este falacioso ensaio de feitiçaria: o encantamento, se valer, nada mais é que seu som – o que cura é o ar que as palavras emanam."
Esse é apenas um dos conselhos contidos nesse livro de magia, de autoajuda, ou de receitas, ainda não consegui descobrir. Mas se você quiser tentar fique à vontade, esse será um livro que você deve ter sempre por perto.


 
Ana Liberato