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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Resenha: “Esperando por Doggo” (Mark B. Mills)

Tradução: Ana Paula Corradini

Por Yuri: Eu disse outras vezes que livros com animais envolvidos me deixam muito sentimental, então quando vi a capa deste livro não foi diferente. O título, a capa com fundo preto, a figura de um cachorro com uma auréola, tudo isso me fez pensar que era uma narrativa no estilo daquele cachorro japonês que esperava o dono na estação de trem (só de pensar no filme já sinto vontade de chorar). Mas pelo contrário, fui surpreendida por uma história muito leve e gostosa de ser lida.

O livro conta a história de Daniel, um jovem que acaba de levar um pé na bunda pela namorada (Clara), e a única coisa que lhe restou do relacionamento foi um cachorro feio, mas muito feio mesmo, chamado Doggo.

Caro Daniel
Eu estou indo embora, indo embora pra bem longe. Não posso contar para onde.
Leve Doggo de volta para o abrigo. Algo me diz que você vai conseguir esse emprego e você não pode deixa-lo trancado no apartamento o dia todo. Não seria justo com ele, e vocês também não se dão muito bem. Ele está aí agora, observando você com aqueles olhos esquisitos?
Eu juro que ele olhou para mim com um tipo de desprezo quando eu fazia a mala, como se soubesse o que eu estava fazendo. É claro que ele não sabia, ele é apenas um cachorro, um cachorro pequenininho e feio.Amor e Luz,Clara


Sem conseguir devolver o cachorro para o abrigo e com um novo emprego em vista, a única alternativa que Daniel encontra é levá-lo consigo para o escritório. Com o tempo, Dan começa a desfrutar da companhia de Doggo e não tem mais coragem de abandoná-lo.
“Ele é minúsculo, branco e quase careca. Digo quase porque há tufos de pelo aqui e ali, em caminhos de rato, como as moitas que um jardineiro preguiçoso não cortou. Ele tem um tipo de moicano que acompanha a coluna, e um tufo do mesmo pelo na ponta de sua cauda fina. Há também cachinhos minúsculos – nem marrons, nem amarelos, mas alguma mistura dos dois – na parte de trás das patas dianteiras dele. Eles sugerem uma dose de spaniel, assim como três topetinhos da mesma cor (provavelmente cor de xixi). Mas o focinho não tem nada a ver com o de um spaniel. É achatado demais, muito parecido com o de um pug. E dá margem a algo oriental, como talvez um pequinês. Mas, não, Doggo desafia qualquer tipo de categorização básica. Ele parece um cachorro que se ralou em uma parede e depois decidiu não ter uma cirurgia reparadora."

Na agência de publicidade, Daniel conhece sua nova parceira de trabalho, Edith, que rapidamente se transforma em uma grande amiga e lhe ajuda a descobrir a origem de Doggo. Essa amizade colorida começa a incomodar Tristan, o diretor da empresa com quem Edith mantém um caso.

A parceria Dan-Edith funciona tão bem que as campanhas de sucesso de ambos começam a incomodar alguns colegas de trabalho, que tentam usar o cachorro para fazer com que Dan seja demitido, apesar de Doggo trazer um clima agradável e se tornar uma fonte de inspiração para toda a equipe.

Uma das minhas partes preferidas, é a que um membro da agência de publicidade faz uma tirinha:
“Ele captou a ideia em três quadrinhos habilmente ilustrados. O primeiro mostra um bebê em um cadeirão com pais um de cada lado dando comida para ele. O bebê está tentando falar: “M-m-m-m...”. “A primeira palavra dele vai ser mamãe!”, declara a mãe, feliz da vida. No segundo quadrinho, o bebê gagueja “D-d-d-d...”, e o pai está extasiado: “Não, vai ser papai!”. No terceiro e último quadrinho, o bebê berra: “McDonalds!”.”

Depois que essa tira é ajustada, tem os três quadrinhos originais, mas com a presença de um cachorro.
“Ele desenhou o mesmo três quadrinhos – M-m-m-m... D-d-d-d... McDonald’s! -, mas colocou um cachorro sobre a mesa, claramente inspirado no Doggo! Ele também mexeu nas expressões dos pais e agora a reação do cachorro é que chama a atenção. Ele fica com uma cara ótima de “cansei da vida” quando o bebê berra McDonal’s!”

Esse quadrinho reflete exatamente o que eu mais gostei no livro: Doggo não é o personagem principal, mas torna a história de todos os outros mais divertida. É a aparição do cachorro que dá vida às melhores partes do livro.

Como o livro tem poucas páginas e o leitor não fica passando raivinha, uma vez que os personagens são mais velhos e mais maduros emocionalmente, a leitura flui facilmente e dá para terminar o livro em poucas horas.

Eu indico esse livro para quem está buscando algo divertido e com diálogos bem humorados. “Esperando por Doggo” é ótimo para relaxar e passar o tempo. Espero que vocês curtam!

Até a próxima!

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Resenha: “Soldier Leal até o fim” (Sam Angus)


Por Yuri: Oi pessoal! Este livro é baseado em relatos reais sobre a atuação de animais durante a Primeira Guerra Mundial. Assim que eu olhei essa capa e li o nome do livro, fui procrastinando a leitura por um tempo. Mas deixe-me explicar o motivo: eu sou o tipo de pessoa que quando assiste um filme e uma pessoa morre, não choro, mas se aparece um animal que sofre, eu me derramo em lágrimas T.T

Quando eu achei que estava pronta pra ler o livro, preparei os lenços de papel e respirei fundo...

Soldier conta a história de Stanley, um garoto de 14 anos, que vive com Da (seu pai e adestrador de animais de raça pura) e Rocket (cachorro de raça campeã de vários torneios de corrida).

Após a morte da mãe de Stanley, Da sofreu muito e se tornou extremamente rabugento. Seu temperamento piorou depois que Tom, seu filho mais velho, foi convocado para servir ao exército. Stanley que era muito ligado ao irmão sofreu muito por ficar solitário, mas compensava sua alegria com Rocket. 

Quando a cadela deu à luz quatro filhotes mestiços, Da ficou furioso e prometeu dar um fim a todos os cachorros. Depois de tentar vender os filhotes para ciganos, um dos cãezinhos não foi aceito por ter uma pelagem mais clara, este era Soldier, o preferido de Stanley, pois foi o último a nascer e quase morreu durante o parto.
“- Soldier – ele sussurrou novamente. – Você vai ter esse nome por causa do meu irmão... Ele já deveria ter voltado para casa a esta altura... Da apareceu de repente, carrancudo, agarrou Soldier pelo cangote, balançando-o, as perninhas rígidas se misturando no ar. Da marchou até a porta e lançou Soldier para fora, no cascalho da trilha. Stanley engasgou, mas em um instante Soldier ficou de pé desnorteado, deslizando meio torto para os canis, o rabo entre as pernas, os olhos ansiosos e a cabeça curvada, olhando para a porta. Da vagou pela sala e subiu a escada.”

Com o orgulho ferido por ter um animal mestiço, Da que sempre foi orgulhoso por trabalhar apenas com animais de raça pura levou Soldier para o lago para matá-lo. 

Stanley fugiu de casa quando descobriu que Da tinha afogado o filhote que restara e para encontrar o irmão, mentiu a idade e se alistou no exército. Logo o garoto tornou-se adestrador de cães mensageiros, que atravessam batalhas e trazem de volta uma mensagem.
“Na porta, com uma mão no bolso, Stanley parou para olhar a sala uma última vez. Viu o apito na cadeira. Da veria o apito que o filho tinha feito para ele, talvez pudesse enxergar ali todo o amor e toda a esperança que ele havia destruído. O apito na caixa de fósforo, aquele que manteria consigo, para sempre, como lembrança de Soldier.”

Até essa parte do livro eu consegui ler sem chorar, mas quando Stanley começou a treinar Bones, seu primeiro cachorro mensageiro, é muito triste. Esse cachorro tinha instinto protetor quando chegou para ser adestrado, então Stanley teve muito trabalho para retrabalhar esse comportamento do animal, mas ao mesmo tempo era esse instinto que fazia Bones sempre voltar para o seu dono.
“- O cão deve querer estar com você. Se ele quiser estar com você – estava dizendo Richardson – então ele será leal, corajoso e honrado. Não só isso: ele vai ser impulsionado como se por uma espécie de magnetismo, atravessando em meio às bombas caindo, através de furacões de fogo e de campos com tanques se deslocando, pelo seu desejo de estar com você. Se ele o amar, vai correr para casa, para você, mesmo através de nevascas de estilhaços de ferro.”

Vou adiantar que a sucessão de fatos não é muito feliz. Eu li esse livro no ônibus e no metrô enquanto viajei da minha cidade a São Paulo e eu simplesmente não conseguia parar de chorar.

Não sei pra quem eu indicaria esse livro, talvez para quem gosta de chorar (brincadeira). A história é cheia de sofrimento, mas o envolvimento de Stanley com os cachorros é tocante. Mais que isso o livro tem um clímax de prender o fôlego.

Para quem gosta de ler histórias que contam sobre o relacionamento entre humanos e animais, esse livro com certeza é uma boa pedida. Vale a pena ler, vale a pena sofrer, vale a pena chorar junto e ver como foi a guerra por um novo ângulo.

Espero que vocês curtam essa leitura e até a próxima!


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Ana Liberato