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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Resenha: “O Pulo da gata” (Fernanda França)

Por Yuri: “O Pulo da gata” da autora Fernanda França é daqueles livros fácil de ler. Com uma linguagem simples, o romance foi escrito para ser lido rapidamente, pois a leitura flui facilmente.

Livro - O Pulo da GataAntes de iniciar a resenha, só queria fazer um pequeno comentário sobre a capa do livro: observe a suavidade do vestido, os corações com gliter, o gatinho que dá medo (adoro gatos!!!). Achei uma capa super delicada.

O livro narra a história de Maggie May, uma veterinária cujo maior sonho é se casar na igreja, com vestido branco, festa com muitos convidados, viagem de lua de mel e tudo a que tiver direito. Desesperada para alcançar seu objetivo, sempre acessa sites de relacionamento a procura de alguém para compartilhar seu desejo, e não por acaso tentou arrastar quatro rapazes para o altar.

Em mais uma de suas tentativas para casar, Maggie conhece Gato Gatuno, que parece ser tudo o que ela procura em um homem, pelo menos de acordo com o perfil do site no qual se conheceram. Os dois decidem então se encontrar, marcam um lugar, horário e a roupa que cada um usaria. 
“[...] E ainda tinha o risco da decepção. Aquele que todos correm quando nunca se viram, mas já se conhecem.
Mas Maggie May não pensava nisso. Não havia chance de não gostar de Felipe. Ela sabia como ele era fisicamente: alto. O que mais poderia querer de um homem? Ele tinha os mesmos gostos que os seus e era gentil e amável.
O restante eu descubro aos poucos
.”

Chegando no local combinado, um rapaz, vestido com as mesmas roupas que Gato Gatuno estaria usando, inicia uma conversa com Maggie. A jovem se sente muito cativada por ele, que além de engraçado e divertido é também muito atraente. E para Maggie parece o cara ideal para se casar.

O grande problema é que o rapaz pelo qual Maggie se interessou nesse encontro, não era o Gato Gatuno, mas Eric, um comediante que apresentaria um show no local em que estavam. Depois desse primeiro encontro, o rapaz entra no círculo de amigos de Maggie (Luiza e Vidinha) e se apaixona pela jovem, mas que acaba namorando Felipe, o verdadeiro Gato Gatuno.

O clímax do livro é que Maggie finalmente vai realizar seu sonho e se casar com Felipe, embora ele seja muito suspeito e nada confiável.

Perdoem-me todas as Maggie’s May que existem por aí e que estão lendo essa resenha, mas desenvolvi uma relação de amor e ódio com a personagem. Para aqueles que não se enquadram nesse grupo, provavelmente conhecem alguém que se encaixa perfeitamente nessa descrição.

Maggie May é aquela pessoa:

- Necessitada de relacionamentos, que se desespera caso esteja sozinha;
“E foi lá que Luiza viu um post no mural de Maggie que lhe chamou a atenção.
Na legenda de uma foto colocada no dia anterior, estava escrito: “Eu e o marido em casa e um filme na TV. Não preciso de mais nada para ser feliz”.
Marido? Que marido? Desde quando ela tinha um marido? E casa? Que casa, se essa não é a casa em que ela mora?

- Cega e surda de relacionamentos, ou seja, fecha os olhos para todas as atitudes estranhas do parceiro e finge que não escuta as coisas que os outros falam dele;
“[...] Buscou-a no flat, mas estranhou quando Felipe não desceu.
- Ele tem uma prova muito importante amanhã, então eu pedi que ficasse para descansar.
O que você tem na cabeça? O seu pai morreu! Esse cara tem de estar com você!, remoeu na cabeça, Vidinha.”

- Que vê todas as atitudes do parceiro através de estrelinhas douradas.
“-Podemos fazer um jantar de recepção. E já casamos de vez! Nós já estamos casados Maggie.
Aquilo soava romântico aos seus ouvidos. “Nós já estamos casados, Maggie.”
“- Ih, gata... só tem um negócio que eu preciso te dizer.
- Pode dizer qualquer coisa, Miau.
Era realmente uma demonstração de alto nível de glicose.
- Eu não curto esse lance de igreja.
[...]
- Calma Meguinha... Podemos fazer nosso casamento em um salão lindo. É que eu não sigo nenhuma religião e eu acho muito desrespeitoso entrar em uma igreja se eu não acredito, sabe? Eu prefiro ser honesto com minhas crenças. E você pode decorar o lugar como quiser. Pode chamar um celebrante, já vi alguns muito bons em uns casamentos aí.
Parecia a coisa certa a fazer. Eu acho tão lindo ele ser honesto desse jeito... é um bom sinal.”
E só para deixar claro que estou me referindo aos namorados das Maggie’s May que mostra todos os indícios de que o relacionamento é uma furada. E quando alguém vai alertar uma Maggie May de que tem alguma coisa errada com o namorado dela, como toda boa Maggie May, ela simplesmente não acredita.

Como alguns já devem ter percebido, eu claramente não sou uma Maggie May, então essa é a parte que me deu raiva da personagem. A parte que eu gostei foi o amadurecimento da personagem e a sua evolução pessoal ao longo da história. Eu particularmente, gosto bastante desses livros que me fazem sentir alguma emoção e conexão com os personagens.

“O Pulo da gata” é uma história cotidiana que todo mundo já deve ter vivenciado alguma vez na vida, seja como Maggie May ou amigos/amigas de Maggie May. Vale a pena gastar um tempinho e se identificar com algum personagem do livro.

Fica a dica para uma leitura rápida. Espero que vocês curtam!

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Até a próxima!


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Resenha: "Malas, Memórias e Marshmallows" (Fernanda França)

Por Juny: Ano passado li “Nove minutos com Blanda” da autora Fernanda França e gostei muito. Ao receber “Malas, Memórias e Marshmallows” minhas expectativas estavam bem altas, e sim, elas foram superadas! É muito bom ver um livro nacional com uma qualidade tão grande!

Tudo começa no dia do aniversário de 23 anos de Melissa Moya, uma jornalista que mora em São Paulo. Um dia que tinha tudo para ser bom, torna-se seu pior pesadelo. Ela é demitida sem razão nenhuma (mas não sai sem deixar um “recadinho” para o chefe idiota), pega o metrô lotado e quando encontra com o vizinho novo no elevador ele acaba derrubando terra, do vaso que estava segurando, em seu vestido! E em sua “festa surpresa” há meia dúzia de convidados e Lady Gaga (sua gata). Mas o pior é que, do nada, seu chefe chega na festa com um buquê de rosas, pede desculpas pela demissão, diz que a ama e a convida para acompanhá-lo em um Congresso de Jornalismo no Uruguai! Bem “WTF” né?
“Todo fim é um novo começo”.
Após todo esse desastre, Melissa arruma a bagunça da festa, passa a mascara anti-idade estranha que ganhou de sua melhor amiga (que a deixa com a cara laranja) e vai jogar fora os sacos de lixo. E eis que ela acaba dando de cara, mais uma vez, com o novo vizinho, Theodoro Brasil. O que seria mais um mico acaba se tornando engraçado e os dois viram grandes amigos.

Ela conta todos seus problemas a Theodoro. E revela que seu maior sonho é viajar pelo mundo. Então ele a aconselha a ir a viagem com o ex-chefe ao Uruguai, e como Theodoro trabalha em uma agencia de noticias, da a oportunidade de Melissa fazer um trabalho free-lance sobre turismo enquanto estiver no Uruguai. Ela adora a idéia e aceita.

Após diversas confusões e belos passeios no Uruguai, Theodoro manda um novo trabalho a Melissa, se chama “América sob rodas” e consiste em viajar por várias cidades dos EUA, conhecidas e desconhecidas, e mostrar o que há de bom. Mais uma vez ela aceita e parte para o desafio. E ai começa a aventura!
Naquele momento, sozinha quando o sol se escondia, eu quis ter companhia. Pela primeira vez no dia, com a chegada da noite e a brisa do mar, naquele castelo branco enorme, com os quadros ao redor e todos aqueles gatos na parede, pensei em Lady e em quem gostaria que estivesse ao meu lado. E cheguei a conclusão de que só gostaria de ter meus amigos comigo. Eu ainda não sabia, áquela altura da viagem, por quantos lugares ainda passaria e o que o destino reservava para mim. Mas não me importava. Só o que me preocupava era por que eu tinha medo de me sentir tão feliz.
Lá Melissa conhecerá pessoas importantes em sua jornada (seja para bem ou para mal) como Caio, Alan, Viviane (namorada de Theodoro que também esta realizando um trabalho lá pela agencia), Emily e Daniel. Mesmo estando longe ela sempre mantêm contato com a sua família, Samantha (sua melhor amiga) e Theodoro.

A cada cidade visitada seus relatos são tão bons que dá a impressão que também estamos lá. Viajamos com ela por Nova York, Memphis (casa do Elvis), Little Rock, Detroi, Atlanta, e etc. Não posso deixar de citar a inesquecível cena do ano novo em Orlando, na Disney, é tão lindo, um verdadeiro conto de fadas, uma das minhas cenas favoritas do livro, só não conto o porque para não revelar spoilers!

Como todo bom chick-lit não faltam cenas engraçadas e inusitadas, e é claro romance! Além de surpresas com a família e até descoberta de traições.
– Você não gosta mesmo de cozinhar?

– Eu cozinho bem e sou ótima aprendiz. – disse. Não mentia, porque cozinhava bem miojo com requeijão e salsicha, e sempre fiz o melhor brigadeiro que as pessoas poderiam experimentar, mas cozinhar, de fato, não estava nos meus planos. Alan me olhou de forma estranha, um tanto indignado, e eu poderia até arriscar que ele esperava que eu dissesse que era excelente cozinheira e nasci para agradar os outros.
Sabe aquele livro que você se identifica com a protagonista, com as impressões que ela tem do mundo, com os sentimentos, com as atitudes e tudo mais? Sim, foi isso que senti ao conhecer Melissa. Ela convence tanto que dá a impressão que quando for a São Paulo você poderá encontrá-la por lá. E Theodoro é um carioca, muito gente boa, encantador, que todo mundo gostaria de conhecer.
– Depois vamos aprender sobre abertura do diafragma, mas adianto: nenhum conceito é tão importante quanto o primeiro. Fotografe com amor, mesmo com uma câmera sem ajustes manuais, e você terá fotos lindas.

(...) Naquele dia, Théo disse que gostava de fotografar comida porque havia poesia nos detalhes do dia a dia que as pessoas não observavam.
– Poesia na comida, Théo?
– Poesia nos detalhes da vida, Mel.
Além das viagens que são o foco do livro, também lemos sobre amizade, família e a descoberta do amor verdadeiro. A autora consegue abordar todos esses sentimentos durante a aventura de Melissa.

A capa é um espetáculo a parte, adorei as fotos dos lugares visitados durante o livro junto com gatinhos, marshmallows e etc! A maioria dos livros nacionais tem tido problemas sérios com a revisão, porém “MMM” está de parabéns, não notei nenhum erro, se tem algum é bem sutil.
“Enquanto o homem planeja, Deus ri.”
Me apaixonei pelo livro! E fiquei muito feliz, pois o final tem a brecha para a continuação, que poderá ser com o projeto “Europa sob trilhos”. “Malas, Memórias e Marshmallows “ é um chick-lit nacional de qualidade que vai lhe encantar! Recomendo muito!
 
Ana Liberato