segunda-feira, 30 de março de 2020

Resenha: "De Repente uma noite de Paixão" (Lisa Kleypas)


Tradução: Ana Rodrigues

Sinopse: Não há espaço para romance na vida da escritora Amanda Briars. Reconhecida no meio literário londrino, ela realiza as próprias fantasias através das personagens que cria em suas histórias de amor. Em nome da liberdade, está satisfeita em viver na solidão.

Amanda só não quer completar 30 anos sem nunca ter experimentado o prazer, e a solução mais discreta é contratar os serviços de um profissional. Quando o homem aparece à sua porta, a atração entre os dois é evidente, mas, para frustração dela, ele interrompe a noite de paixão no meio e vai embora.
Uma semana depois, ela o reencontra em um jantar e descobre que Jack Devlin é, na verdade, seu novo editor. Amanda fica mortificada.
Porém as lembranças daquela noite permanecem vivas na mente dos dois, e basta uma centelha para que o fogo entre eles se reacenda. Só que Jack, filho rejeitado do nobre mais notório de Londres, tem o coração endurecido e não acredita no amor, enquanto Amanda resiste ao desejo crescente em nome de sua independência.
Quando o destino entrelaça suas vidas, suas convicções mais profundas entram em choque. Agora os dois precisam decidir se, depois de conhecerem a verdadeira paixão, conseguirão voltar a se satisfazer com menos que isso.

Por Jayne Cordeiro: Lisa Kleypas é a minha rainha quando se trata de romances de época. Por isso, fui correndo atrás desse novo lançamento dela, e posso já começar dizendo que ADOREI. E para mim ele foi muito inovador na forma como o relacionamento de Amanda e Jack começa e se desenrola. Eu sempre digo que gosto dos livros da Lisa porque eles costumam ser mais passionais, com romances que começam mais rápido do que nos livros da Julia Quinn, por exemplo. Mas neste livro a Lisa consegue bater seu próprio recorde.

Logo nas primeira páginas já temos cenas quentes porque a nossa protagonista Amanda decide contratar um homem para perder a virgindade e conhecer os prazeres da vida, já que é uma solteirona de 30 anos, e não tem pretensões de se casar. E Jack acaba aparecendo e sendo confundido com o contratado. A atração entre o dois é palpável desde o primeiro encontro, o que vira um problema para Amanda depois, quando descobre que o homem seria seu editor. E além desse encontro apimentado no começo, temos um casal que começa um relacionamento amoroso sem ideias iniciais de casamento ou de precisar resguardar a mocinha porque ela tem que achar um pretendente para casar.

Nunca tinha lido um romance de época em que o casal tinham esse tipo de relacionamento antes. E isso foi bem interessante. Sem falar que Jack e Amanda são ótimos personagens. As interações entre os dois são incríveis, e Jack é um sonho, com seu gosto por irritar um  pouco Amanda, e com seu tino comercial implacável. E ele consegue ser um homem bem evoluído e moderno pra sua época. Foi um livro gostoso de ler, que matei em um dia. Trata-se um ótimo lançamento, e diversão garantida para os leitores de romance.


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sexta-feira, 27 de março de 2020

Resenha: "A Filha do Conde" (Lorraine Heath)



Tradução: Daniela Rigon

Sinopse: “Era revoltante ver que ela estava ainda mais bonita do que quando a vira pela última vez, quando trocaram juras de amor e fizeram promessas que foram quebradas poucas horas depois… Os anos e a maturidade tinham acrescentado uma graça que Lavínia não possuía aos 17, quando Finn declarara o seu amor.Será que ela ainda se lembrava dos momentos com carinho ou a memória também rasgava seu coração, como fazia com o dele? Lavínia o fizera de tolo. Nenhuma das lembranças que tinha dela deveriam ser agradáveis. Mas, em algumas noites, ainda ficava na cama encarando o teto, porque a imagem dela surgia sempre que fechava os olhos.Cinco anos de sua vida em isolamento, e a única coisa para lhe fazer companhia, para mantê-lo são, era a lembrança que tinha dela. Aquelas memórias eram seu sustento. No começo, ele as invocava para alimentar a sede de vingança, de retribuição, mas a solidão fora aumentando até transformá-las em sonhos. As lembranças traziam a esperança de que o amor estaria esperando em algum lugar, que voltaria a tê-la, sorrindo para ele, rindo com ele, enchendo-o de alegria. Lavínia não era mais sua - na verdade, nunca fora - mas, ainda assim, uma parte tola de si não conseguia se esquecer de quando quase a tivera, aquela garota que amara no passado.”

Por Jayne Cordeiro: "A Filha do Conde" é o terceiro livro da série da Lorraine Heath que venho trazendo as resenhas aqui no blog. E preciso dizer a essa altura, que a Lorraine entrou na lista de melhores autora de romance de época para mim. Os livros delas trouxeram temas relevantes, diferenciados, e ela consegue dar um ótimo equilíbrio entre drama e romance. E esse livro trouxe um tema que me interessou bastante, que é um casal que já tinha uma história passada. E o livro já vem com um gancho do livro anterior ao explicar porque a Lavinia fugiu do casamento e porque se escondeu naquela região.

O enredo desse livro foi o mais emocional e pesado dos três até agora. Ainda existe o tema ligado ao bastardo, e o estigma social, mas também mostra mais das consequências negativas disso. E fala sobre como a nobreza pode ser cruel com os seus próprios. Foi um livro carregado de drama, porque Lavinia e Finn passaram por muita coisa, mas também foi um livro divertido e doce. As interações entre os dois, e como a Lavinia mudou durante esses anos foi ótimo de acompanhar. Eu achei que eles passariam o livro todo se engalfinhando, mas não foi o que aconteceu. 

O livro é muito bom, e acabei lendo ele em menos de um dia. A leitura é gostosa, rápida, e muito interessante. Os personagens secundários são ótimos, fazendo menção especial a Robyn, que já tinha conquistado nossos corações no livro anterior, e que parece conseguir um belo desfecho neste. O casal é envolvente, e é um ponto positivo poder acompanhar o desenvolvimento a longo prazo do casal, já que vemos eles desde a adolescência até a vida maduro. É outro livro que super indico, e estou muito ansiosa para ver os próximos livro da série.

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terça-feira, 24 de março de 2020

Resenha: "Amor de Um Duque" (Lorraine Heath)


Tradução: Daniela Rigon

Sinopse: Gillie Trewlove sabe o valor da bondade de desconhecidos, já que foi abandonada ainda bebê na porta da mulher que a criou. Quando se depara com um homem sendo agredido em sua própria porta ― ou melhor, no beco próximo da sua taverna ―, ela não hesita em ajudá-lo. Porém, o homem é tão bonito que não pode pertencer a um lugar como Whitechapel, muito menos à cama de Gillie, na qual ele precisa ficar para se recuperar. O duque de Thornley está tendo um péssimo dia. Ser abandonado no altar é humilhante, ser salvo de bandidos por uma mulher ― ainda que uma mulher linda e corajosa ― é mais ainda. Após ajudá-lo a se recuperar, Gillie concorda em acompanhá-lo pelas ruas sombrias de Londres em busca da noiva. No entanto, cada momento juntos os leva ao limite do desejo, e faz o duque repensar sua escolha a respeito do casamento. Gillie sabe que a aristocracia nunca iria aceitar uma duquesa como ela, mas Thorne está disposto a provar que nenhum obstáculo é insuperável diante do amor de um duque.

Por Jayne Cordeiro: "Amor de um duque" é o segundo livro de uma série focada em um grupo de irmãos considerados bastardos. O primeiro livro já foi resenhado aqui, dias atrás, que se chama "Desejo e Escândalo". E preciso dizer que gostei muito do primeiro, mas gostei ainda mais desse segundo. Aqui nós temos um verdadeiro conto de fadas, já que há um duque e uma plebeia, que ainda por cima, carrega o estigma de ser uma bastarda. E de novo a autora utilizada dessa questão cultural tão impactante e nada explorada por outras autoras do gênero.

Gillie é uma mulher espetacular. Forte, decidida, independente, mas sem ser fria. Ela consegue ser simpática, atenciosa e não levar desaforo pra casa. Thorne é um verdadeiro duque, que sabe se impor, mas que também é bastante atencioso e justo. Eles dois sabem desde o começo que não há chance para um relacionamento, mas é difícil lutar contra uma atração tão forte, e ainda mais quando envolve duas pessoas que se dão tão bem. Gostei muito de como o romance foi se desenvolvendo aos poucos. No começo, um intrigava ao outro, por virem de mundos tão diferentes, e esse desejo de se conhecerem, leva a esse romance encantador.

O livro é muito bem escrito, com uma história gostosa e envolvente. Os personagens são bem elaborados, e adoro a família da Gillie, principalmente a proteção dos irmãos dela. Ainda há um mistério envolvendo a noiva fugitiva de Thorne, que já serve de plot intrigante e de ligação para o livro seguinte da série "A filha do conde". Resumidamente, "O amor de um duque" é um ótimo romance de época, com uma história cheia de profundidade, e ao mesmo tempo romântica e divertida. É uma ótima recomendação de leitura para esses tempos conturbados que vivemos. Vocês vão gostar.


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sexta-feira, 13 de março de 2020

Resenha: "Desejo e Escândalo" (Lorraine Heath)

Tradução: Thalita Uba

Sinopse: Mick Trewlove é o filho bastardo do duque de Hedley, mas ninguém sabe disso. Mesmo depois de se tornar um empresário de sucesso, ele ainda busca vingança contra o homem que o abandonou. E qual a melhor forma de fazer isso do que seduzir a noiva do filho legítimo do duque? Lady Aslyn está noiva do conde Kipwick, filho único do duque de Hedley, mas se vê, inesperadamente, apaixonada pelo misterioso bilionário Mick Trewlove. Durante os passeios pelos parques de Londres, ela começa a desconfiar de que algo se esconde por trás do sorriso sedutor, mas não tem certeza. Quando os segredos são revelados, uma reviravolta inesperada surpreende Mick, que terá que escolher entre manter seu plano de vingança ou ser feliz.

Por Jayne Cordeiro: Temos aqui mais um romance de época que me conquistou demais. É o primeiro livro da Lorraine Heath que eu leio, e gostei muito dele, por trazer um enredo bem diferente. Para começar, o protagonista Mick é um empresário de sucesso, sem nenhuma ligação com a nobreza, e ainda por cima um bastardo. Mas ele sabe quem é seu pai e desde cedo planeja sua vingança contra o homem que o abandonou. Já Aslyn, é filha de nobres, que foi criada como protegida do pai biológico de Mick. Por vingança, este decide se aproximar de Aslyn e usá-la.

A ideia de trazer um bastardo como protagonista foge dos padrões de homem aristocrata, e nesse caso a mocinha é a nobre. O livro aproveita para mostrar uma realidade de antigamente que era o abandono de bastardos filhos de nobres e o que acontecia com essas crianças. Além disso temos um casal que é muito simpático. Mick tem um jeito mais bruto em relação aos nobres, mas isso torna ele mais atrativo, além de ser rico e protetor, do jeito que eu gosto. Asly sempre foi muito protegida pela família, vivendo como uma verdadeira lady. E se envolver com Mick a leva para fora da sua zona de conforto.

O romance dos dois demora um pouco para acontecer, mas desde o começo é muito interessante acompanhar os dois  juntos. Seus diálogos e pensamentos fazem a leitura passar bem rápido. E o livro ainda conta com um final muito bom, trazendo uma surpresa, que foi um dos pontos máximos da história. Para mim, foi uma ótima apresentação a autora, que mostrou uma escrita fácil, envolvente, na medida certa de romance, drama e diversão. Os dois livros seguintes da série já foram lançados, sendo que o próximo "Amor de um Duque", traz como protagonista uma das irmãs postiças de Mick, que também foi abandonada quando criança. Logo devo trazer a resenha dela aqui no blog também.



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sexta-feira, 6 de março de 2020

Resenha: "Até Você Chegar" (Judith McNaught)



Tradução: Therezinha Monteiro Deutsch

Sinopse: A romântica Sheridan Bromleigh sonha em encontrar o homem de sua vida. Mas sua realidade como professora de etiqueta para damas da alta sociedade americana sempre a obrigou a colocar seus sonhos de lado. Até o dia em que precisou levar uma de suas pupilas, Charise Lancaster, para a Inglaterra, onde a moça se casaria com um jovem aristocrata, o Lorde Burlenton. Mas Charise foge com um desconhecido antes mesmo de encontrar seu pretendente. Sheridan fica aflita, sem saber o que fazer ou como dar a notícia ao lorde. Nesse ínterim, Stephen Westmoreland, conde de Langford, acidentalmente tira a vida de Burlenton. Sentindo-se culpado pela morte do rapaz, Stephen resolve ir ao porto no dia seguinte receber a noiva e relatar o ocorrido. O acaso coloca Stephen e Sheridan frente a frente, porém, antes de se apresentar, a professora é vítima de um terrível acidente e acorda na mansão do conde, sofrendo de amnésia. Sentindo-se responsável pela moça, a qual pensa se tratar de Charise, o conde assume o papel de seu noivo. A partir daí, o casal se depara com uma série de mal-entendidos, meias verdades, reencontros — o que pode culminar em uma bela história de amor.

Por Jayne Cordeiro: Este é o último livro da Dinastia Westmoreland, que acompanha integrantes da família. E o rapaz dessa vez é Stephen, irmão do Duque de Claymore, e protagonista do livro anterior (Whitney, Meu Amor). E com certeza, esse foi o meu livro favorito dos três. A sinopse parece um pouco clichê, quando pensamos em uma protagonista que perde a memoria, mas a história é muito bem contada e bem divertida, com ótimas interações com o outros personagens, e diversos acontecimentos.

Foi bom ver um casal que não nutria um ódio mortal um pelo outro, e que começam se dando bem. O que foi diferente dos outros dois livros. Não tenho queixas quanto aos dois protagonistas. O fato de Sheridan ter perdido a memoria, possibilitou que ela tivesse um comportamento bem mais despojado que uma mulher da época teria, e isso foi muito divertido. Stephen é a mistura perfeita entre um nobre com poder e um libertino. E o que falar dos personagens secundários? Divertidos e ajudaram a criar os melhores momentos da história. Para mim, esse livro foi o mai bem humorado da série.

A história foi bem construída, sobrando nenhum tempo para enrolação ou reviravoltas maçantes, como percebi em outro livro dela. Tudo acontece no tempo certo, e de forma bem realista. O livro é grande, mas li em pouquíssimo tempo, porque você quer saber o que acontece a seguir com os dois, e como eles vão resolver toda a mentira que envolve os dois. É um dos melhores livros de época que já li, com o acréscimo de trazer uma história mais complexa e longa, sem ser cansativo. É uma ótima indicação, para quem gosta do gênero. E também para quem quer começar a leitura de um do tipo.


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Resenha: A Bússola de Ouro - Fronteiras do Universo 1 (Philip Pullman)



Tradução: Eliana Sabino

Sinopse: Lyra Belacqua e seu daemon, Pantalaimon, vivem felizes e soltos entre os catedráticos da Faculdade Jordan, em Oxford. Até que rumores invadem a cidade – são boatos sobre os Papões, sequestradores de crianças que estão espalhando o medo pelo país. Quando seu melhor amigo, Roger, desaparece, Lyra entra em uma perigosa jornada para reencontrá-lo. O que ela não desconfia é que muitas outras forças influenciam seu destino e que sua aventura a levará às terras congeladas do Norte, onde feiticeiras e ursos de armadura se preparam para uma guerra. Embora tenha a ajuda do aletiômetro – um poderoso instrumento que responde a qualquer pergunta –, nada a prepara para os mistérios e a crueldade que encontra durante a viagem. E, mesmo que ainda não saiba, Lyra tem uma profecia a cumprir, e as consequências afetarão muitos mundos além do dela.

Por Jayne Cordeiro: Esta é a nova edição do livro A Bússola de Ouro que faz parte da trilogia Fronteiras do Universo. Decidi ler esse livro por causa da série de Tv His Dark Materials, da HBO, que me conquistou só com um capítulo. Já tinha assistido a primeira adaptação do livro para o cinema, com Daniel Craig e Nicole Kidman, anos atrás, mas a coisa não tinha vingado. Mas dessa vez, houve vários elogios a adaptação para a TV, então fui atrás do livro. Termino esse parágrafo dizendo o como gostei da capa dessa edição. Simples, mas bonita e tudo a ver com a história.

E vamos lá. Temos aqui um livro de fantasia que consegue ser bem realista e maduro, apesar de ter uma criança como protagonista.  Tirando a história dos dimons, bruxas e ursos que falam, tudo mais é bem realista, e tem uma conversa tão profunda, que as vezes eu esqueço que se trata de um livro de fantasia. O enredo trás o debate entre religião e governo, de uma forma bem interessante e sem parcialidade. Fala sobre ditadura, regras sociai arcaicas, sobre estrutura social...tudo isso em um livro que parece infanto juvenil, mas que qualquer adulto lerá e ficará entretido.

Os personagens são muito complexos, principalmente Lyra, Sra Coulter e Lorde Asriel, que me causa sentimentos bem contraditórios. E acredito que a ideia é exatamente essa. Temos aventura, ação, magia, e um enredo cheio de detalhes, que vai levando o leitor a sempre questionar o que vai acontecer. A escrita do autor é série, mas não menos cativante e simples. O final é impactante e deixa várias coisas em aberto para serem continuadas no próximo livro, que já fique super curiosa para ler. Para mim, é um ótimo livro de fantasia, que vale a pena ser lido.


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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Resenha: "Whitney, Meu Amor" (Judith McNaught)



Tradução: Vera Maria Marques Martins

Sinopse: A encantadora e impetuosa Whitney não tem medo de dizer o que pensa. Por conta de seu comportamento pouco apropriado para uma moça da sociedade inglesa do século XIX, ela é forçada, pelo pai frio e severo, a mudar-se para a casa dos tios em Paris, onde recebe aulas para se tornar uma dama. Sob o cuidado dos amorosos e dedicados tios, ela desabrocha em uma mulher sofisticada e bela, tornando-se a sensação da esfuziante sociedade parisiense. Quando retorna à Inglaterra, está mudada, mas ainda deseja conquistar o belo Paul, seu primeiro amor. Mas há alguém que parece disposto a destruir sua felicidade: trata-se de Clayton Westmoreland, um poderoso duque, que está decidido a ter Whitney a qualquer preço.

Por Jayne Cordeiro: "Whitney, Meu Amor" foi o livro de estreia da autora consagrada Judith McNaught, e pelo que li, foi uma história bem inovadora para o tipo de romance de época que estava em vigor na época. De quaqluer forma, ninguém poderia ver uma semelhança entre seus livros e de outras autoras consagradas, como Julia Quinn, Lisa keyplas ou Sylvia Day. E acho isso bem legal, porque foge completamente daquele romance pequeno, com história simples e personagens bem definidos.

Aqui temos uma história longa, cheia de acontecimentos, com personagens que não são perfeitos. Depois de ter lido Um Reino de Sonhos, que seria o primeiro livro da série Dinastia Westmoreland, e que se passa séculos antes deste, eu vim para Whitney com altas expectativas. E a sinopse ainda me agradou ainda mais, com um duque (quem não gosta de um duque?) que faz o possível para conquistar a mocinha. E uma mocinha nada fácil. Na verdade, o relacionamento dos dois é extremamente complicado. Quando um sede, o outro apronta, e vice versa. Quando a coisa parece se resolver, outra situação vem e complica tudo. 

Mas apesar de achar que poderia ter tido um pouco menos disso, ainda acredito que este livro é uma ótima leitura. Gostei bastante dos personagens, apesar de eles merecerem uma sacudida em algum momento. O romance dos dois é gostoso de ver se desenvolvendo e isso não acontece de forma rápida. Os personagens secundários são ótimos e já fiquei curiosa para ler o próximo livro que é com o irmão do Duque Clayton. "Whitney, Meu Amor" é uma história interessante, rica e que nem sempre vai pelo caminho mais esperado. Todos os acontecimentos parecem verossímeis e isso é um ótimo complemento, sem deixar de ser uma belo romance de época. A dinastia Westmoreland, é uma série que posso indicar, com certeza, para quem gosta do gênero, ou quer entrar nele.





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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Resenha: "Ascensão" (Stephen King)


Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Scott Carey tem muito em que pensar ― o projeto enorme que pegou no trabalho; o casal lésbico que mora na casa ao lado e o cachorro delas, que insiste em fazer as necessidades no seu quintal; e a súbita e inexplicável perda de peso das últimas semanas.
Apesar de não querer ser estudado e examinado, Scott decide compartilhar a questão com seu velho amigo, o dr. Bob Ellis. Afinal, apesar dos números decrescentes na balança, sua aparência continua a mesma ― além disso, seu peso não varia quando está nu ou usando roupas pesadas, quando está de mãos vazias ou carrega algo no colo. Não importa o que ele faça ou coma, Scott está cada vez mais leve ― embora não mais magro ―, e conforme seu peso se aproxima de zero, ele sabe que logo nada vai prendê-lo ao chão.
Scott não quer se preocupar com o que vem pela frente; ele ainda tem tempo para resolver todas as suas questões antes do Dia Zero, e por que não começar pelas mais difíceis? Por exemplo, encarando o preconceito que suas vizinhas têm sofrido da comunidade ― e dele ― e fazendo o possível para ajudar.
Amizades improváveis, a maratona anual da cidade e a misteriosa condição de Scott são a fórmula para grandes transformações. Incrivelmente alegre e profundamente triste, Ascensão é um verdadeiro antídoto para nossa cultura intolerante.

Por Jayne Cordeiro: Ascensão é um livro bem curtinho de Stephen King, com um pouco mais de 120 páginas. A primeira coisa que me chamou a atenção foi a capa, que achei muito bonita, e ainda mais sendo de capa dura. Este livro é diferente das outras obras do autor que já li. O livro é bem mais curto, e a história é mais simples. Não espere aqui grandes explicações de o porque das coisas, mas ainda assim é um livro muito interessante e que me conquistou, mesmo sem ter um enredo complexo.

Gostei muito da forma como a história foi contada. Os personagens são extremamente cativantes, o que é uma surpresa, considerando as poucas páginas disponíveis. Scott é um encanto de pessoa e lida muito bem com a sua nova realidade. Esta ficando cada vez mais leve, percebendo que um dia ele não pesará o suficiente para permanecer ligado ao chão. Junto a essa história ligada mais ao gênero fantástico do que ao suspense/terror, o autor retrata outros temas bem interessantes, como o preconceito por opção sexual, e a aceitação das diferenças. 

No final da sinopse, existe a seguinte frase "Incrivelmente alegre e profundamente triste", definindo o livro. E acho que nada se encaixa tão bem quanto isso. Ao mesmo tempo que sorrimos com as interações entre os personagens, sentimos uma doce tristeza pelo destino que aguarda Scott. Apesar de o livro não trazer explicações para o fenômeno, acho que ele cumpre exatamente seu papel de passar uma mensagem voltada para a aceitação. Seja de qual forma for. É um livro bonito e muito diferente do que estou acostumada a ver do autor. E gostei muito disso.




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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Resenha: "Um Reino de Sonhos" (Judith McNaught)


Tradução: Valéria Lamim

Sinopse: Royce Westmoreland, o “Lobo Negro”, é enviado pelo rei da Inglaterra para invadir a Escócia. Quando seu irmão, Stefan, sequestra Jennifer e Brenna Merrick, filhas de um lorde escocês, do convento onde vivem, as vidas de Royce e Jennifer se entrelaçam. Ele, um poderoso guerreiro que já ganhou muitas batalhas, não vê a hora de encontrar uma mulher que o amará pelo homem que é, não pelo medo inspirado por sua lenda. Ela, uma jovem rebelde em busca do amor e da aceitação de seu clã, mesmo na condição de prisioneira, não se deixa abalar pela fama de seu arrogante captor.
Conforme os conflitos entre os dois se tornam mais frequentes, a urgência de se entregarem um ao outro só aumenta. Certa noite, quando ele a toma apaixonadamente nos braços, desperta nela um desejo irresistível. Mas, se Jennifer seguir seu coração, perderá tudo aquilo pelo que vem lutando e jurou honrar.

Por Jayne Cordeiro: Finalmente eu consegui parar e ler esse livro. Faz um tempo que ele está na minha estante, seguindo uma indicação. E o livro me atraiu porque ele trás um tema que gosto muito: a Escócia. Adoro livros com a cultura escocesa, principalmente nesse período de conflitos entre Escócia e Inglaterra. Acho a cultura de lá extremamente rica e sem toda a pompa e regras que a inglesa possui.

O casal é composto por dois personagens de temperamento forte. Achei que o livro ficaria o tempo todo focando na implicância de um com o outro, mas isso não acontece. É o foco inicial, mas a história vai seguindo um rumo mais doce no decorrer da história. Mas foi legal ver Jennifer não se intimidar (muito) pela fama e jeito de Royce, que possui uma fama bem cruel na Escócia. E apesar de ser decidido, autoritário e todo um guerreiro, ele não é tão cruel quanto se imaginava.

Adorei os momentos deles juntos, os diálogos, discussões e as cena românticas também. Tive vontade de sacudir a mocinha algumas vezes, mas ela foi bem coesa com sua personalidade e no que acredita. A história em si não é complexa ou cheia de reviravoltas, mas no geral, é bem construída, e com isso torna o relacionamento deles bem elaborado. Tem um acontecimento que não gostei muito de como se desenrolou, porque acabou ficando solto e em explicação. Mas isso não diminui o livro.

O leitor também consegue se divertir com as interações dos personagens secundários. Já deu pra mostrar e fazer nos apegarmos a essa família, que será parte dos outros livros da série Dinastia Westmoreland. É um ótimo romance histórico, que começa devagar e vai engrenando a cada página, e quando a gente vê, acabou em pouco tempo.  




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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Resenha: "Prelúdio Sombrio " (Tillie Cole)


Tradução: Mariel Westphal

Sinopse: Pecar nunca pareceu tão bom... Um encontro fortuito, que nunca deveria ter acontecido.

Muitos anos atrás, duas crianças de mundos completamente diferentes forjaram um laço inquebrável que mudaria suas vidas para sempre...
Salome conhece apenas uma maneira de viver: sob as regras do Profeta David. Na comuna que ela chama de lar, Salome não conhece nada além da sua rigorosa fé, nem a vida além da cerca; a cerca que a enjaula, mantendo-a presa em um círculo vicioso de tormento. Uma vida à qual acredita estar destinada, até que um evento horrível a liberta.
Fugindo da segurança de tudo o que conhecia, Salome é jogada no mundo exterior... Um mundo aterrorizante, cheio de pecados e incertezas; e nos braços de uma pessoa que ela acreditava que nunca veria novamente.
River 'Styx' Nash sabe da única certeza da vida — ele nasceu para usar um colete de couro. Criado em um mundo turbulento de sexo, Harleys e drogas, Styx inesperadamente se vê com o martelo do Hades Hangmen pesando sobre seus ombros, e tudo isso aos vinte e seis anos, para o deleite dos seus desafetos.
Atormentado pela impossibilidade de falar, Styx aprende rapidamente a lidar com seus inimigos. Punhos poderosos, uma mandíbula de ferro e a habilidade excepcional com sua preciosa faca alemã, lhe rendem a assustadora reputação de ser um homem que não deve ser incomodado no obscuro mundo dos MCs foras da lei. Uma reputação que mantém, com sucesso, a maioria das pessoas bem afastadas.
Styx tem uma única regra na vida: nunca deixar alguém se aproximar demais. É um plano ao qual se mantém fiel há anos, até que uma jovem é encontrada ferida no seu território... Uma mulher que lhe parece estranhamente familiar, uma mulher que claramente não pertence ao mundo dele, mas que ainda assim, Styx não consegue deixar ir..


Por Jayne Cordeiro: Já li muitos livros de romance Dark, mas nenhum mexeu tanto comigo quanto esse. Nunca tinha lido nada da autora antes, apesar de ela ser bastante mencionada. Este livro me chamou a atenção porque era um Dark, e porque trás um clube de motoqueiros, que é um enredo que gosto bastante e já li em vários romances americanos. Nunca achei um traduzido oficialmente para o português, apesar de ter muitos deles nos EUA. E quando vi que seria dark e de MC em um livro só, tive que ir atrás dele.

Eu gostei muito desse livro. Ele trás todo o clima de motoclube (MC) que já estou acostumada, e não me surpreende, mas também trouxe um tema extremamente pesado, e que a autora soube trabalhar perfeitamente. A mocinha é integrante de um grupo religioso extremamente machista, onde o abuso sexual é uma constante disfarçado pela religião. E a forma como existe uma lavagem cerebral dentro do grupo, manipulando os integrantes e fazendo com que lá dentro, determinados comportamentos sejam considerados normais e divinos é muito impactante.

É um livro com cenas fortes, que quando acabamos a leitura, ainda ficamos remoendo o que acontece por um bom tempo. Mas o livro também trás um romance bem especial, entre a Salome e o Styx. É muito romântico como duas crianças se reencontram anos depois e ainda guardam, e se sentem impactados por aquele encontro passado. E a ligação entre eles dois é muito doce e especial. Também damos algumas risadas com os outros integrantes do MC, e já vamos conhecendo os protagonistas dos outros livros da série. Para quem gosta do gênero Dark, este é um livro que super recomendo. Se nunca leu nada do tipo, acho que esse livro pode ser um pouco impactante para você. Mas é um livro que vale a pena ser lido. 



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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Resenha: "Pequenos contos para começar o dia" (Leonardo Sakamoto)


Por Kleris: Leonardo escrevia microcontos no Facebook para os amigos e suas historietas – todas inspiradas em alguma experiência jornalística – tiveram incrível repercussão. O livro nasceu daí, uma maneira de registrar histórias do povo, histórias de uma geração, ficção e realidade, e abrir nossa percepção diariamente. 

Primeiro, foram os nomes dos netos. Depois, a literatura que amava. E ela foi se despindo na frente de todos. Foi estranho, mas o Alzheimer lhe concedeu o direito a uma só lembrança. O que é forte o suficiente para vencer o vazio?


As narrativas são variadas, assim como todos os sentimentos envolvidos. Não há um norte, nem um tema direto, senão esse convite a enredos rápidos. É um livreto de doses literárias para serem bebidas pouco a pouco. Leituras pausadas como esta são uma ótima garantia de companhia, seja para começar o dia (como o livro propõe), seja para respirar entre uma e outra coisa da vida corrida.

Nem todos os contos são 10/10. Tem aqueles que te tocam profundamente, tem aqueles que te levam à reflexão imediata e aqueles que “passam passando” – vai da história de vida e da sede de conhecimento do leitor para abraçá-los. 
Quando ficava de cama, seu pai trazia um velho livro cuja últimas três páginas haviam sido arrancadas. Então, ela se aninhava em seus braços para inventarem juntos o final. Na gripe, a princesa fugiu do castelo e foi ser repórter. Perna quebrada: deixou o príncipe em casa cozinhando e saiu com as amigas. Amídalas? Juntou-se a outras e mudaram o mundo. Ontem, já crescida, foi comprar o primeiro livro para a filha. Escolheu com carinho, arrancou as três últimas páginas e, sorrindo, pediu: “para presente”.

Mas é certo que algumas histórias ficam cá conosco e precisam de bandeirinhas para marcar seu lugar no livro. Não à toa as melhores partes ficam exato no meio, pois é comum que Leonardo lance os cenários e nos arrebate nas frases finais, bem centralizadas nas páginas.




É pra você que procura leituras que não precisam de grande imersão, que pode passar dias sem ler e não se perder. Cabe na bolsa e pode ficar bastante tempo na cabeceira. 
Largou tudo. Comprou um sítio. Produz morangos. Tem cachorro. Vive um amor. E perdeu o medo de usar o ponto final. 
E juntos descobriram que, na verdade, os biscoitos não estavam vazios.

O livríneo me lembra bastante de Recorte! da miga Talita Guimarães – quem me presenteou ♥️ Aliás, recomendadíssimo para dar de presente!


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Até a próxima!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Resenha: "O aprendiz de assassino" (Robin Hobb)

Tradução: Orlando Moreira

Neste primeiro livro de uma saga, seremos apresentados ao Bastardo do príncipe Cavalaria. No reino dos Seis Ducados, os nascidos de Sangue Nobre, geralmente são nomeados tendo em vista uma qualidade – apesar de que, ao longo da obra isso nem sempre se sustenta.

Assim, o Bastardo, mais tarde chamado de Fitz (que descobriremos ser apenas uma variação da mesma palavra) é levado ao príncipe Veracidade por seu avô materno quando tem em torno de 05/06 anos, já que o mesmo alega não poder mais prover seu sustento.

– Pai, por favor, eu imploro! Um tremor sacudiu a mão que agarrava a minha, mas se era de ira ou de qualquer outra emoção nunca saberei. Tão veloz quanto um corvo apanhando um pedaço de pão atirado, o velho inclinou-se e agarrou um pedaço de gelo sujo.
Atirou-o sem palavras, com muita força e fúria, e eu me encolhi de medo. Não me lembro de ter chorado. O que me lembro é de como as portas se abriram para fora, de tal forma que o velho teve de se mover depressa para trás, puxando-me com ele.

Já de início a pequena criança, de forma involuntária, causa uma tremenda mudança nas vidas de todas as pessoas do reino: Cavalaria, que seria o próximo na sucessão ao trono, abdica de sua posição e se retira para o interior com sua esposa Paciência, com quem não conseguiu gerar herdeiros legítimos.

O Bastardo é entregue aos cuidados de Bronco, braço direito de Cavalaria, que na abdicação de príncipe passa a cuidar das Cavalarias de Torre do Cervo, local de residência do Rei Sagaz e de toda a corte que o rodeia.

Vamos então acompanhar o Bastardo vivendo como uma criança comum das cavalarias, trabalhando, correndo solto pelas ruas da vila próxima à Torre de Cervo, roubando tanto na vila como dentro da própria Torre. E é justamente num dia em que esta roubando os restos de comida após um banquete  que Fitz acabará sendo pego pelo próprio Rei, que decide que, a partir de então, ficará responsável por sua criação e educação em troca de sua lealdade.

 – Olhe para ele – o velho rei ordenou. Majestoso lançou-me outro olhar furioso, mas não ousei mover uma palha. – O que você vai fazer com ele? Majestoso parecia perplexo.
– Ele? É o Fitz. O bastardo de Cavalaria. Vagando sorrateiramente e afanando coisas por aí, para variar.
– Bobo. – O Rei Sagaz sorriu, mas os seus olhos continuaram firmes. O Bobo, pensando que o rei se referia a ele, sorriu docemente. – Seus ouvidos estão tampados com cera? Não ouve nada do que eu digo? Não te perguntei o que acha dele, mas sim o que vai fazer com ele! Aí está ele, jovem, forte e engenhoso. Os traços do rosto dele são tão reais quanto os do seu, embora tenha nascido no berço errado. Portanto, o que você vai fazer com ele? Vai fazer dele uma ferramenta? Uma arma? Um companheiro? Um inimigo? Ou vai deixá-lo andando por aí, até que outro o pegue e o use contra você?

E é então que Fitz, o Bastardo de Cavalaria, vira um aprendiz de Assassino.

Muitas outras coisas são dignas de nota, como a estranha facilidade que Fitz parece ter para se comunicar com  alguns animais e entender seus sentimentos, bem como o que é chamado de Talento, um dom que a realeza possui para se comunicar entre mentes, ou até criar certa confusão na mente de outra pessoa, uma arte que, infelizmente, acabou ficando mal compreendida até mesmo pelos príncipes herdeiros.

Neste primeiro livro, vamos acompanhar o crescimento lento e confuso de Fitz em meio a corte e suas intrigas, jogos de poder, verdades veladas e mentiras descaradas, e sua tentativa de sobreviver a ser um homem do Rei, filho de Cavalaria e amigo daqueles que conhece quando consegue fugir da opressão dos muros do castelo.

"O Aprendiz de Assassino" é uma aventura fantástica fascinante, apesar de ser um livro com quase 400 páginas, li todo em um único dia. Como primeiro volume é um livro excelente, que nos deixa com muitas dúvidas acerca da história como um todo, mas que consegue fechar um ciclo em seu desfecho. Com personagens bem trabalhados, sua continuação é algo que pretendo ler o mais breve possível para continuar acompanhando o desenrolar dos acontecimentos.

Recomendo!

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Resenha: "O Instituto" (Stephen King)

Tradução de Regiane Winarski

Sinopse: O novo livro de Stephen King, o Mestre do Terror, traz uma história inesquecível sobre um grupo de crianças com talentos especiais que precisam se unir para derrubar um grande mal.

No meio da noite, em uma casa no subúrbio de Minneapolis, um grupo de invasores assassina os pais de Luke e sequestra silenciosamente o menino de doze anos. A operação leva menos de dois minutos.

Quando Luke acorda, ele está no Instituto, em um quarto que parece muito o dele, exceto pelo fato de que não tem janela. E do lado de fora tem outras portas, e atrás delas, outras crianças com talentos especiais, que chegaram àquele lugar do mesmo jeito que Luke. O grupo formado por ele, Kalisha, Nick, George, Iris e o caçula, Avery Dixon, de apenas dez anos, está na Parte da Frente. Outros jovens, Luke descobre, foram levados para a Parte de Trás e nunca mais vistos.

Nessa instituição sinistra, a equipe se dedica impiedosamente a extrair dessas crianças toda a força de seus poderes paranormais. Não existem escrúpulos. Conforme cada nova vítima vai desaparecendo para a Parte de Trás, Luke fica mais e mais desesperado para escapar e procurar ajuda. Mas até hoje ninguém nunca conseguiu fugir do Instituto.

Tão aterrorizante quanto A incendiária e tão espetacular quanto It: a Coisa, este novo livro de Stephen King mostra um mundo onde o bem nem sempre vence o mal.

Por Stephanie: O Instituto é um dos últimos livros publicados por Stephen King e, apesar de conter uma atmosfera bastante macabra, não é exatamente um livro de terror. A obra navega entre a ficção científica, aventura e o suspense e entrega uma história rica em detalhes, além de bastante intrigante, como já é típico do autor.

Nos primeiros capítulos, tive um pouco de dificuldade de entrar de cabeça na história; King opta por trazer um background rico e que a princípio não parece ter ligação com o enredo apresentado na sinopse, e isso acabou me deixando meio desanimada. A partir do momento em que o ponto de vista muda e conhecemos o protagonista, Luke, fui fisgada pela obra e senti que a coisa toda estava mesmo começando.

Luke e os personagens infantis são muito bem desenvolvidos e eu adorei ler a jornada deles. Eu sofri e quase chorei por eles em vários momentos, pois as cenas de tortura são bem gráficas e desesperadoras, o que já era de se esperar. Com certeza esses momentos foram os mais aterrorizantes e difíceis de ler.

O elenco adulto é praticamente todo composto pela escória humana; tirando poucas pessoas, como Maureen e Tim (além de outros moradores de DuPray), a obra nos mostra como os seres humanos são capazes das maiores atrocidades quando julgam possuir uma justificativa plausível para tal, por mais absurda que seja.

Acho que o que mais gostei em O Instituto foi o constante clima de conspiração. Como fã de Stranger Things, sou fissurada nesse tipo de assunto e senti que o autor soube explorá-lo bem, principalmente mais para o final, quando somos agraciados com a maioria das respostas.

Sobre o final propriamente dito, eu gostei bastante! Esperava que algumas coisas fossem acontecer mas foi bastante gratificante ver o desenvolvimento e a luta de Luke em busca de seus objetivos.

Minha única crítica diz respeito à quantidade de páginas. King é um autor bastante descritivo, mas em alguns momentos achei que ele se repetiu, principalmente nos momentos em que narra a rotina de Luke e seus amigos dentro do instituto. Fora isso, achei o livro muito competente em todos os aspectos e recomendo a leitura!

Era tão simples, mas era uma revelação: o que você fazia por si mesmo era o que lhe dava o poder.

Até a próxima, pessoal!

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Resenha: "Reinações de Monteiro Lobato: uma biografia" (Marisa Lajolo e Lilia Moritz Schwarcz)

Por Thaís Inocêncio: As primeiras histórias que li, ainda na infância, se passavam no Sítio do Picapau Amarelo. Foi a partir delas que aprendi a viajar com os livros – sem deixar o quintal da minha casa, conseguia subir em árvores com Pedrinho e sentir o cheio da comida da tia Anastácia, por exemplo. Assim, pela capacidade de inventar um mundo tão fascinante, que me tornou uma leitora voraz, Monteiro Lobato ganhou minha admiração. 

Porém, o autor é uma figura polêmica e não é possível dissociá-lo de sua criação. Então, por que seria possível dissociá-lo de sua época? Na minha concepção, em seus livros, Lobato apresenta retratos da sociedade de um século atrás, em que era comum caçar animais e usar adjetivos como "negra beiçuda". Incomoda? Que bom! Felizmente, aprendemos e evoluímos. Mas não fizemos isso apagando os rastros de nossa história, e sim falando sobre ela! Foi isso o que fizeram as autoras Marisa Lajolo e Lilia Schwarcz em Reinações de Monteiro Lobato: uma biografia

O livro, destinado às crianças, é narrado em primeira pessoa pelo próprio Lobato. É como se ele vivesse entre nós e tivesse a possibilidade de olhar pra trás e analisar seus comportamentos e pensamentos hoje considerados retrógrados e preconceituosos. Portanto, embora o foco seja a história de vida do escritor, ele não deixa de lado polêmicas como a desvalorização dos camponeses e o racismo. 

“O Brasil em que nasci e vivi era outro. Nesse Brasil de antigamente, prolongavam-se o preconceito e o racismo construídos ao longo dos muitos séculos de escravidão. Éramos, sempre fomos - e talvez nesse tempo seu a gente ainda seja -, uma cultura racista, preconceituosa. Eu não percebia isso naquele momento.” 

Além disso, o livro apresenta curiosidades muito interessantes, como o fato de Monteiro Lobato ter reprovado em um processo seletivo, ter sido preso e ter perdido dois filhos para a tuberculose. A diagramação da obra é um show à parte. O livro é todo ilustrado e ainda traz fotos e reproduções de documentos reais, como cartas que Lobato escrevia para os amigos. As páginas também incluem uma espécie de glossário que relaciona a história do escritor a fatos históricos do Brasil e do mundo.




Estando Lobato, em algum plano, arrependido ou não de suas atitudes e opiniões, para mim, o valor de suas obras, sobretudo as infantis, segue sendo inestimável. 

“De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo [...] Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.”


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Resenha: "Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah" (Jeff Zentner)

Tradução de Guilherme Miranda

Por Stephanie: Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah é o mais novo lançamento de Jeff Zentner, autor de Dias de Despedida e Juntos Somos Eternos, dois livros que eu já li e gostei muito (confira as resenhas de ambos aqui e aqui). A obra acompanha a história de Josie e Delia, duas melhores amigas que juntas apresentam um programa de televisão sobre filmes de terror de qualidade duvidosa. Josie está passando por um momento de indecisão na vida, pois não sabe se deseja ingressar na faculdade ou seguir carreira na TV, enquanto Delilah vive uma situação delicada com uma mãe mentalmente instável e um pai ausente, que abandonou a família e a quem ela deseja reencontrar. As amigas irão embarcar em uma jornada para uma convenção do universo do terror que pode (ou não) mudar suas vidas.

Quando comecei a leitura de Sessão da meia-noite, confesso que estranhei um pouco o tom da obra e a escrita, que diferem do que encontrei nos livros anteriores do autor. Cheguei até a comparar com a escrita de John Green, principalmente por causa dos diálogos “cabeça” e meio esquisitos entre as duas protagonistas. Passado esse estranhamento, consegui me conectar com a história e sentir empatia pelos personagens, em especial pela Delia.

Acredito que cada pessoa tem direito a cinco ou seis dias perfeitos na vida. Dias sem nenhuma nota fora do tom nem incômodos, dias que vão amadurecendo como um pêssego na memória com o passar dos anos. Sempre que você o morde, ele é doce e suculento.

Toda a história que envolve o programa de TV é muito divertida de acompanhar; eu me lembrei de experiências semelhantes que tive durante a faculdade e foi bem nostálgico. Toda a preparação para o programa, o amadorismo envolvido, as cartas dos espectadores… tudo isso me deixou bastante entretida e arrancou sorrisos.

Porém, como era de se esperar, Sessão da meia-noite não é apenas divertido; há muitas partes tristes e reflexivas, que tratam principalmente de relações familiares. Ainda que esse seja o livro mais leve do autor, ele conseguiu trabalhar os dramas dos personagens (mais precisamente, da Delia) de maneira sensível e verossímil. Josie também tem seus problemas pessoais, mas que achei bem menos impactantes; em alguns momentos, senti que eram meio white people problems, sabe? Mas nada que me desagradasse tanto.

Agora, sobre algo que não me agradou mesmo: a viagem para a ShiverCon. Parece que Jeff Zentner deu uma escorregada nessa parte, inserindo situações bem desconfortáveis de ler e que chegaram a soar muito irreais. Achei desnecessário.

Há um romance que se desenvolve desde o início da história e que, apesar de ser fofo, não faria falta se não existisse. Eu teria gostado mais se todos fossem amigos, mas não acho que que vá incomodar os leitores em geral.

De qualquer forma, eu recomendo a leitura pra quem deseja se aventurar em um livro rápido e fluido, só para espairecer. Não acho que é a melhor opção para quem nunca leu nada do autor, mas, se a sinopse te interessou, pode apostar sem medo!

(...) Seria muito fácil pensar que dá para se proteger de se magoar simplesmente não amando ninguém. Meio como dá para evitar ser atropelado por um ônibus se você nunca sair de casa. Mas isso não é jeito de viver. É melhor amar as pessoas e se magoar. Ninguém nunca diz no leito de morte que gostaria de ter amado menos gente.

PS.: Há um easter egg que coloca esse livro no mesmo universo de Dias de Despedida! Meu coração se aqueceu e fiquei toda feliz quando li :)

Até a próxima, pessoal!

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Ana Liberato