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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Resenha: "Vou lhe mostrar o medo" (Nikolaj Frobenius)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão todos e tod@s? Trago a vocês hoje a resenha de um livro que versa a respeito da vida de um dos meus autores favoritos: Edgar Allan Poe. Só por isso, vocês já devem imaginar que minhas expectativas quanto ao livro eram bem altas ...

Bom, para quem não conhece Poe, vou dar uma situada ... Ele foi um escritor que viveu na primeira metade do século XIX, e é considerado um dos mestres do suspense e terror. Poe escreveu muitos contos e poemas, que primavam pelo obscuro e sobrenatural, que até hoje impressionam, seja pelo inusitado do escrito, seja pela obscuridade humana que parece revelar. Entre os contos, destaca-se "Os Assassinatos da Rua Morgue" e entre os poemas "O Corvo", por muitos considerado sua obra mais famosa. 

Pois bem, apesar de todo o prestígio que viria a desenvolver nos anos vindouros, a vida do romancista, poeta e crítico, pelo que mais se destacou à época, foi no mínimo difícil: a pobreza, orfandade precoce, doença de sua esposa e alcoolismo fazem com que esta mente privilegiada não sobreviva além dos seus 41 anos.

Na verdade, a obra de Nikolaj é um romance com toques de biografia e um suspense psicológico empolgante. Nos falará da vida sofrida de Edgar Allan Poe, desde sua infância, mas também criará um suspense digno de nota e que foi (segundo a contracapa do livro) muito mal plagiado por Hollywood, com o filme "O Corvo".

Mas vamos ao livro. Poe é o mais novo de três filhos, herdeiros de uma famosa atriz de teatro. Aos 3 anos, Poe viverá sua primeira perda: sua mãe é levada pela tuberculose, e ele e seus irmãos são levados para lares adotivos distintos, o que parece em parte ser a responsável pela sua personalidade soturna quando adulto.
Na casa dos pais adotivos, Edgar descobriu outra existência: Riqueza, ordem, indiferença. À noite, ele despertava deitado no caixão de sua mãe, no meio dos restos dela, ossos e poeira ...
- Ajudem-me a sair daqui!
Acordava com a mãe adotiva sentada na beira da cama. Fanny Allan estava imóvel, um pouco constrangida.
- Você precisa ficar quieto à noite Ned - Disse em tom confidencial. o O Sr Allan Precisa dormir.
Em sua juventude, passa por uma tentativa frustrada de estudar, não conseguindo seu intento ao gastar todo o dinheiro que seu pai adotivo lhe enviava no jogo. De volta a casa de seu padrasto, estes acabam rompendo, saindo Poe da casa dos pais adotivos decidido a tornar-se um grande escritor.

Mais tarde, sobrevivendo como crítico literário muito mais do que de seus escritos, Poe passa a ter dois perseguidores: um é o também crítico e escritor  Rufus Griswold que passa boa parte de sua vida em antagonismo a Poe. Outra, é um fantasma que o persegue desde sua saída da casa de seus pais adotivos, e que passa a assombrar os sonhos de Poe.
Naquela noite, a cada poema "Reverberante" que lia, crescia nele o maravilhamento à medida que o desesperava a sua impotência a resistir ao seu fascínio.
- Que fazer com essa imundície que me atrai? - Griswold sussurrou às páginas do livro - Este veneno,esta devoção do paganismo?
O que Poe escreve é indigno de um homem respeitável. Ele escreve como gozo do medo, aborda o sofrimento e a cura, mas sem Deus e sem moral.
Afinal, parece que alguém está recriando alguns dos contos que escreveu, assassinando pessoas com os mesmos requintes de crueldade que personagens por ele criado. A ficção passa a misturar-se ao real e agora o escritor, já dominado por pensamentos de morte e por um temperamento intempestivo, terá que lidar com o fato de que seus maiores pesadelos transformados em letra sobre o papel, estão se tornando realidade ...
- Sinto muito, não sei do que se trata isto - declara.
Griswold o encara fixamente.
- Esses acontecimentos me lembram ... um dos seus contos. Qual é mesmo o título?
- Não sei.
- Ora, vamos Poe.
- "Berenice".
- Exatamente. Ela também foi ...
- ... foi enterrada viva num cemitério.
- Não acha isso ... curioso?
- Curioso não é a palavra que me vem à cabeça.
- Não?
- Acho que é ... asqueroso.
O livro é narrado por duas vozes: Por Poe, onde notamos sua vida problemática e os pensamentos obsessivos que por diversas vezes o assolam e impedem sua ascensão como escritor; e por Rufus, onde descobrimos sua grande dificuldade em lidar com sua aversão pelos contos de Poe, aliada a sua admiração a pessoa do escritor, num duelo sem fim.

Apesar do ritmo do livro ser mais lento e descritivo - eu esperava um suspense policial mais cheio de ação - a narrativa do autor acaba envolvendo o leitor de tal forma, que é quase impossível largá-lo até chegar às últimas páginas. Recomendo!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Resenha: "SteamPunk Poe" (Edgar Allan Poe)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? E ai vcocês sabem o que é SteamPunk? Não???? Eu também NÃO FAZIA A MÍNIMA IDÉIA até ter esse livro nas mãos. Trata-se de uma coletânea com contos do nosso sempre atual Edgar Allan Poe, aliado a ilustrações lin-das-de-mor-rer! Para facilitar, vou colocar aqui a sinopse que peguei no skoob:
Apresenta o casamento entre o clima gótico dos contos e poemas do escritor clássico norte-americano. Edgar Allan Poe, e o chamado "Steampunk", gênero da ficção científica e da fantasia que mescla aspectos tecnológicos do século XIX (steam = vapor), a uma certa rebelião contra a tecnologia (o punk). Embora muitos sempre tenham achado que figuras góticas e engrenagens enferrujadas se destinavam a ser parceiros brilhantes, o resultado surpreende tanto aos admiradores do escritor, quanto ao gênero. A obra de Poe é apresentada em textos completos, com os contos macabros de horror e mistério intensificados pelas igualmente mórbidas ilustrações no estilo Steampunk. Prepare-se, pois você pode nunca mais encarar Poe, ou o Steampunk da mesma maneira. 
Bom, o livro nos trará sete contos de Poe - A máscara da Morte Rubra, O coração delator, A queda da Casa de Usher, Os assassinatos da Rua Morgue, O embuste do balão, Os óculos, O método do Doutor Tarr e do Professor Fether - mas duas traduções do poema "O Corvo", uma tradução realizada por Machado de Assis e outra por Fernando Pessoa. Tirei um trechinho do poema para vocês conferirem.
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: ‘Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?’
E o corvo disse: ‘Nunca mais.’” (Tradução por Machado de Assis)
Alem disso, somos premiados com uma introdução que nos falara pormenorizadamente da obra e seu autor, bem como a explicação do porque da junção deste dois gêneros - que ouso dizer casaram muito bem - alem das especulações a respeito da morte misteriosa do próprio Poe, algo que ficou sem explicação ate os dias de hoje.

A obra de Poe é permeada pelo mistério e terror, a descrição das pessoas e ambientes geralmente é feita num estilo bem "SteamPunk" - mesmo que o estilo seja posterior ao autor. Além disso, são contos que nos geram tensão, abrindo espaço também para uma lógica dedutiva que é percursora dos modernos romances policiais, como podemos ver em "Os Assassinatos da Rua Morgue, um dos seus contos mais conhecidos.
Essa madrugada, por volta das três horas, os moradores do quartier de Saint-Roch foram acordados com uma sucessão de gritos horríveis  provindos, ao que parecia, do terceiro andar de uma residencia da rua Morgue ... as pessoas se dividiram e correram a examinar comodo a comodo. Ao chegarem a um grande quarto na parte traseira da casa, no terceiro andar (cuja porta, que se encontrava fechada com a chave por dentro, foi arrombada), apresentou-se-lhes um espetáculo que inspirou a todos não apenas terror, mas estupefação.
Todos os contos são envolventes, escritos de uma maneira absolutamente maestral (ok, eu confesso, sou uma baita fã de Edgar Allan Poe), chegando a nos dar um certo "frio na espinha em alguns momentos, a unica excessao seria o conto O embuste do balão  que me soou excessivamente técnico e pouco plausível.

Se a escrita já e maravilhosa, aliada as ilustrações do SteamPunk este se tornou sem duvida alguma um dos meus livros favoritos, tanto a capa, a letra utilizada, os espaçamentos e, principalmente as ilustrações e o conteúdo são magníficos. Chego a me sentir sem palavras para descreve-lo com fidedignidade, só posso dizer uma coisa leiam e confiram. Recomendadíssimo.

 
Ana Liberato