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quarta-feira, 6 de abril de 2011

RESENHA: "A casa das sete mulheres" (Leticia Wierchowski)


Oi gente! Estou de volta, com uma resenha muito especial, do livro que é tema do meu TCC, espero que gostem!

Falar de um clássico da literatura nunca foi tão fácil e difícil. Sim, pois falar de uma obra como A Casa das Sete Mulheres, de Leticia Wierchowski, é um trabalho um tanto penoso, pois argumentos ainda podem faltar para ressaltar tamanha perfeição de cenas, atos e fatos. E também poderia ser um tanto quanto fácil, pois a obra nos dá essa facilidade, devido a sua escrita, o seu tempo, a história talvez ou quem sabe a veracidade com que a escritora nos brinda diante de cada página.

Contar a história da Revolução Farroupilha, que se iniciou em 1835 e teve seu fim dez anos depois em 1845, não é uma tarefa fácil, e nem de perto seria. A história de Bento Gonçalves e de sua família, durante a revolução, foi contada de forma exímia e totalmente perspicaz.

A autora, Leticia Wierchowski, conta durante as quinhentas e nove páginas todos os amores, conflitos, batalhas e dificuldades que as sete mulheres Ana, Antônia, Caetana, Perpétua, Rosário, Mariana e Manuela viveram nos dez anos em seu clausulo na Estância da Barra, de propriedade da família Gonçalves da Silva.

Os amores de Manuela e Garibaldi. As incertezas de todos os encontros de Steban e Rosário. E o amor puro e enlouquecido de Mariana e João Gutierrez são narrados, descritos de forma pura, delicada, e extremamente madura. A vivência do leitor nas histórias é extrema, parecemos ser, muitas vezes, os próprios personagens.

A história não conta apenas com o frescor de todos os amores, mas também com a dor da desgraça de todas as tragédias. A morte sedenta de poder que açoita todo o chão do pampa é muitas vezes no seio da família de Bento Gonçalves. Sobrinhos, amigos, entes queridos, pessoas em si são perdidas em uma guerra que, na verdade, não teve vencedores.

“A casa estava às escuras. Ela caminhou até o oratório. Duas velas ardiam em frente à Virgem. Uma raiva surda crescia em seu peito. Queria alimentar aquela raiva, queria que a raiva a consumisse inteira, a levasse daquela vida, daquela dor sem remédio, daquele pesadelo onde lhe tinham furtado o seu menino, o seu Pedrinho.”
A obra conta com uma perfeição rica em detalhes, há cenas em que parecemos estar visualizando o que acontece como é o exemplo da batalha de Moringue e seu exército de cento e cinqüenta homens contra os treze homens de Giuseppe Garibaldi, no celeiro da Estância do Brejo. O italiano conta com sua “buona fortuna” e com sua experiência de guerrilheiro. E nós, que somos contemplados com tal cena, só reafirmamos a sua perfeição. Há muita tristeza e tragédia, mas há muita alegria ao vencer mais uma das inúmeras batalhas que houve na guerra.

“Os sessenta fuzis carregados estão encostados a uma parede. Garibaldi toma o primeiro e descarrega-o contra os inimigos. E um segundo e um terceiro fuzil cospem sua carga contra a horda imperial. Garibaldi age como um autômato. Sem pensar, sem pensar. Aperta o gatilho com os dedos firmes. Joga ao chão o fuzil descarregado, recebe outro das mãos do cozinheiro. Vê três soldados caírem por terra. A massa humana é tamanha, que nenhum tiro se perde, indo sempre perfurar alguma carne, decepar um braço, ferir o dorso de um cavalo. E Giuseppe Garibaldi atira furiosamente. Pensa em Manoela e redobra sua ira contra os soldados inimigos: mais três caem sem vida.”
Outro ponto que deve ser ressaltado na obra são os inúmeros personagens e sua importância, haja vista que dificilmente tantos personagens conseguem estar em uma história apenas e ainda assim praticamente todos terem a mesma importância. Isso ocorre no livro, pois contamos com uma diversidade enorme de pessoas. Quaisquer cenas são de mera importância para o entendimento complexo que se teve na Revolução Farroupilha.

A autora, Leticia, também conta com outro trunfo na manga, os Cadernos de Manuela, que são diversas páginas de seus desabafos sobre a guerra, os amores, as tristezas e tudo o mais que acalentava aquele coração tão sofrido e tão paciente. Manuela é, sem dúvida, uma das personagens que mais se destaca na história, já que através dela conhecemos a dor de todos que da história fazem parte. Em seus cadernos contemplamos cenas que jamais esperávamos ter acontecido, conhecendo única e friamente a história da Revolução dos Farrapos.

“... E eu, o que tenho peça frente, além desta solidão de muitos anos? Talvez o conforto de uma casa bela, de peças vazias, o calor de um abraço ocasional, a chama de uma lembrança cheia de saudade e nada mais. Mas tudo isso é muito pouco para preencher uma vida. Tudo isso é como esse sol que brilha lá fora, na espera derradeira de mais um inverno. Tudo isso é tão passageiro que até dói.”
O romance conta com uma suavidade e ao mesmo tempo com uma agressiva versão dos fatos, já que a guerra é narrada em sua mais total veracidade. A suavidade se dá pelas personagens femininas, que são ora delicadas e sutis e ora fortes e severas com o que passam durante a revolução. Não se tratam apenas de madames ou senhoras, mas de mulheres que envelheceram esperando uma paz e uma vida que fora vivida praticamente por dez anos. Dez anos em que viveram na guerra. Dez anos em que não guerrilharam, mas viveram pelas batalhas na espera de boas ou más notícias. Anos em que apenas esperaram, pois no pampa o tempo apesar de ter sido longínquo, não passara, muitas vezes, de um vento de mau agouro como o próprio minuano que soprava em suas janelas.

“Restei eu, como um fantasma, para narrar uma história de heróis, de morte e de amor, numa terra que sempre vivera de heróis, morte e amor. Numa terra de silêncios, onde o brilho das adagas cintilava nas noites de fogueiras. Onde as mulheres teciam seus panos como quem tecia a própria vida. Ah, mas isso tudo levou muito tempo, tempo demás... Naqueles dias, meus cabelos ainda estavam crescendo. Naquele tempo ainda tínhamos muitos sonhos.”

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

INDICAÇÃO: "Lendo Lolita em Teerã: Memória de uma Resistência Literária" (Azar Nafisi)

Eu não posso ver um livro com dramas, ainda mais os que envolvem países do oriente médio. Não fico sem ler ao menos a sinopse e coloco em minha lista de próximas leituras...

São dramas contemporaneos de sociedades que sofrem com conflitos religiosos, censura, terrorismo e desvalorização da mulher. Nós, do Ocidente, sempre nos impressionamos com aquilo que lá faz parte do cotidiano.

Ao ver o titulo desse livro "Lendo Lolita em Teerã: Memória de uma Resistência Literária" da Editora Bestbolso, não pude deixar de querer saber um pouco mais. Pode parecer estranho, mas acho que é quase um "Chick Lit" pelo menos para a cultura deles. O livro mostra 8 mulheres que se reunem para ler os clássicos literários ocidentais proibidos em seu pais e retrata o contexto histórico do país em meio a revolução islâmica. Quero muito ler!

Lendo Lolita em Teerã: Memória de uma Resistência Literária

Editora: Bestbolso
Autor: AZAR NAFISI
Tradução: Fernando Esteves
ISBN: 9788577991396
Número de páginas: 420
Acabamento: Brochura

A autora iraniana Azar Nafisi nos conduz à intimidade da vida de oito mulheres que precisam encontrar-se secretamente para explorar a literatura ocidental proibida em seu país. Durante dois anos, antes de deixar o Irã, em 1997, Nafisi e mais sete jovens liam em conjunto "Orgulho e Preconceito", "Madame Bovary", "Lolita" e outras obras clássicas sob censura literária.

A narrativa de Nafisi remonta aos primeiros dias da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini (1979), quando ela começou a lecionar na Universidade de Teerã, em meio a um turbilhão de protestos e manifestações.

Obra de grande paixão e beleza poética que nos ajuda a entender os sangrentos conflitos do Irã com o vizinho Iraque, e a tirania do regime islâmico.
 
Ana Liberato