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sexta-feira, 16 de março de 2018

Resenha: “Correndo Para Você” (Rachel Gibson)

Tradução de: Caroline Caires Coelho

*Por Mary*: Olaaaar, pessoas lindas! Saudades?

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Sei que faz um tempo que não dou as caras por aqui, mas marco meu retorno (ou quase) com esta autora que tanto admiro, que sempre nos presenteia com histórias envolventes, sexies e extremamente viciantes.

Não sei especificar ao certo, se por conta do momento que estou vivendo ou se pelo simples fato de já ter lido muitos livros desta autora, mas desta vez não sofri o mesmo impacto dos títulos anteriores. Com isso, não quero dizer que o livro é ruim – porque não é! – mas que, para alguém que já leu muitos dos livros de Rachel, talvez este não vá trazer grande novidade.

- Por favor, pare. Você está piorando as coisas – ela murmurou, enquanto procurava não pensar que poderia ter pulado da frigideira direto para o fogo. – Sei que não nos conhecemos, mas você poderia tentar me oferecer um pouco de apoio, agora. Ser minimamente solidário.
Ele pegou a saída da esquerda em direção ao aeroporto e perguntou:
- Como?
Era sério? Era ela que precisava pensar em coisas positivas para ele dizer?
- Você poderia tentar dizer: “Veja pelo lado positivo, Stella”.
- Você provavelmente quebrou a mão já aleijada de um homem. Qual é o lado positivo?

Nas resenhas anteriores desta escritora, comentei com vocês que uma de suas principais características é a intertextualidade (o que eu, por sinal, adoro!). Pois bem, se estão com saudades de Vince e Sadie, tenho boas notícias, pois Correndo Para Você nos apresenta a Stella, irmã mais nova de Sadie, e Beau, um fuzileiro naval durão, que é contratado por Vince para encontra-la.

Stella tem uma vida consideravelmente comum como garçonete em Miami, até que um grandalhão loiro atravessa seu caminho e, como um furacão, traz novidades que prometem mudar sua vida. Bem, talvez furacão não fosse bem a palavra mais adequada... que tal “explosão”? Com a força de uma explosão – acreditem, ele sabe como fazer uma – Stella precisa confiar no estranho bonitão que surge no seu caminho para salvá-la da encrenca em que se meteram, ainda que os dois, digamos, tenham personalidades bem distintas.

- Sim. Se quiser ir embora agora, nós vamos. Não é tarde demais – ele apontou para trás, por cima do ombro, para o Escalade preto. – Se quiser sair daqui a dez minutos, tiro você daqui.
Em poucos dias, ele havia se tornado sua âncora. Sua rocha. A força tranquila a seu lado. E, em poucos dias, ele iria embora. Pensar nisso a deixou ainda mais assustada.
- Com explosão?
- Se você quiser, sim. Damos um jeito. É só dizer.

Conforme comentei acima, este novo título não foge do que já conhecemos de Rachel Gibson. Com narração em terceira pessoa, a autora dá especial atenção à sua protagonista, realizando, claro, visitas rotineiras e convenientes a Beau, a fim de proporcionar ao seu leitor a consciência dos sentimentos do protagonista em relação à baixinha invocada que se tornou sua “missão” mais complicada.

- Quando ontem à noite eu disse que amo você, estava sendo sincera. Eu amo você, Beau.
Ele olhou para ela com seu olhar de sargento Junger e disse, não sem certa razão:
- Você me conhece há doze dias.
Mas o amor não tinha nada a ver com razão ou dias do calendário.

E aí vocês devem estar pensando: “Puxa, Mary, isso que dizer que o livro novo é só ‘mais do mesmo’?” E eu respondo com um sonoro NÃO!

Significa dizer que, embora estejamos em nossa zona de conforto, Correndo para você oferece muito romance, muita sensualidade, muito fogo e, claro, boys magyíssimos exalando testosterona por todos os poros. Sem falar, ademais, da oportunidade de revisitar personagens dos quais, como se fosse um amigo querido, sentimos saudades e da fofoca inconfundível que somente Lovett é capaz de produzir.

- O Beau me disse que ele é o gêmeo bom. É isso mesmo?
- Depende – Blake suspendeu um dos ombros e ergueu as sobrancelhas para o irmão. – Bom em quê?

Portanto, caro leitor, se você busca um romance à flor da pele, com uma pitadinha de implicância, um toque de teimosia e personagens tão cabeças-duras, que nos fazem querer, por vezes, tacar o livro na parede, esta é a escolha certa.

- Eu amo você.
Ela baixou os braços e teve medo de piscar. Medo de que fosse um sonho.
- Você disse que não me amava.
- Eu sou um idiota. Pensei que o amor acontecesse como tiros ou uma explosão – ele afastou a fumaça com a mão. – Eu estava enganado. O amor acontece com um sorriso de cada vez. Um belo e tortuoso sorriso por vez. A cada vislumbre dos seus olhos. A cada toque da sua mão. A cada som da sua risada.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Resenha: "Maluca por você" (Rachel Gibson)

Tradução de: Cássia Zanon

*Por Mary*: Que amorzinho! <3

Olha, é bem difícil ler um livro da Rachel Gibson e não querer a coleção inteira pra ontem! Esta autora foi uma grande descoberta imediatamente à minha entrada no Dear Book. Aliás, se eu pudesse escolher uma autora que representa a minha entrada no DB, com certeza seria a Rachel Gibson.

E se tem uma escritora que nunca destoa, essa escritora é a Rachel.

Ele nunca havia se apaixonado tão rápido e com tanta força, e aquilo o assustava tremendamente. Assustava mais do que os tiros dos talibãs zunindo e atingindo a montanha de granito ao lado de seu ouvido esquerdo. Ele havia sido treinado no exército e sabia o que fazer em combate. Treinado pelo departamento de polícia para capturar um criminoso em fuga. Mas aquilo? Aquilo era um território novo. Não havia treinamento. Não havia como se proteger. Como reagir. Havia apenas Lily e a forma como ela o fazia se sentir.
Em Maluca por você conhecemos um pouco mais de uma personagem conhecida em seus outros volumes: Lily Brooks. Sim, você com certeza se lembra da maluca Lily Darlington, a irmã impulsiva de Daisy, que meteu um carro na sala do ex-marido cretino.

Você provavelmente se lembra também da Lily aparecendo brevemente em Salve-me, em uma conversa rápida com Sadie.

Um recurso muito utilizado pela Rachel Gibson é a intertextualidade, o que, em minha opinião, é um grande acerto. É muito comum você ver menções a personagens de livros passados, apesar de eles não aparecerem com grande frequência. Sendo assim, ao mesmo tempo em que sacia o leitor de saber mais daquele personagem apaixonante do livro passado, não se cansa o texto com misturas reiteradas de tramas; além, claro, de não dar grandes spoilers e também não prejudicar a leitura desordenada dos títulos. 
Você devia se orgulhar de si mesma por isso. Eu sei que você ama o seu filho, e na primeira vez que a vi com o Pippen percebi o quanto o ama. Você disse que mataria por ele, e eu soube que queria amar e ser amado daquela maneira.
 Maluca por você está dentro do universo de Lovett, com uma trama que sucede Daisy em oito anos e acontece temporalmente em paralelo com a de Salve-me
Fechou os olhos e apertou os dedos sobre os olhos. Ela não havia sido sincera porque não queria que ele fosse embora, mas ele foi embora mesmo assim. Ela não queria namorar com ele por causa da idade dele. Ela tinha medo do que as pessoas iriam dizer. Ele não se importava com isso. Havia sido ousado e corajoso. Ela costumava ser ousada e corajosa. Costumava amar com todo o coração, como Tucker.
 O policial Tuck Mathews, novo em Lovett, fica encantado por sua vizinha. E não só porque ela é bonita, engraçada e sexy, mas também pela forma feroz como protege seu filho e o cria sozinha, a despeito do ex-marido que mais atrapalha do que ajuda.

A imediata atração não demora a virar paixão, mas vai ser bem difícil convencer Lily de que oito anos de diferença de idade não é muita coisa e de que não importa em nada sua fama de impulsiva. Tuck só quer estar na vida de Lily em todos os aspectos, e se vai precisar passar por sua cama primeiro para atingir o coração, tudo bem também.
- Eu quero mais do que sexo.
Ela se virou e pegou as canecas para ter o que fazer com as mãos. O que ele poderia querer? Mais do que sexo? Todos os homens queriam sexo. O coração e a alma dela? Pegou o bule de café e serviu. O que aquilo queria dizer?
- Eu já tive relacionamentos que se resumiam a sexo. Eu não quero mais isso. Não quero isso com você.
- Relacionamento? – O café derramou pela lateral da caneca com os dizeres Tudo é maior no Texas, e ela se virou para encará-lo.
- Afastá-la foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. – Ele esfregou o rosto com as mãos e soltou os braços. – Eu ainda não acredito que fiz isso, mas não quero começar as coisas assim.
- Começar? Nós não vamos começar nada. Não podemos ter um relacionamento.
Maluca por você é um livro excelente para se ler em uma dessas tardes livres, uma vez que a história é bem curta e sem grandes conflitos. Com uma narrativa fluida e extremamente envolvente, você vai devorar os nove capítulos que compõem essa trama de uma tacada só.

Portanto, se você está precisando de um bom romance, com aquela pitadinha de sensualidade e algumas cenas quentes, Maluca por você é a escolha perfeita! 
Faz quase dois meses desde que eu me apaixonei por você, naquela primeira manhã que lhe vi com rolos nos cabelos e chinelos de coelhinhos nos pés. Saber que amamos alguém não leva tempo. Não são precisos dez anos ou dez meses para descobrir isso. Basta olhar para o outro lado da entrada da garagem e ter a impressão de ter levado um soco no peito, perdendo o fôlego.
  
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Resenha: “Salve-me” (Rachel Gibson)

Tradução de: Cássia Zanon

*Por Mary*: Como resenhar Rachel Gibson, xenthyyyyyy?!


Vou até pular essa parte de introdução. Não vai sair nada de inteligente mesmo...
- Tecnicamente é possível, meu velho. – ela disse, antes de explodir em riso novamente.
- Já acabou?
Ela sacudiu a cabeça.
Ele franziu a testa para não sorrir e deu a ela o seu olhar penetrante. Aquele usado para incutir medo nos corações e mentes de jihadistas endurecidos. Não funcionou, então ele a beijou para que ela calasse a boca. Uma pressão dos lábios sorridentes dele para acalmar a risada dela.
- Venha tomar uma cerveja comigo – ele disse contra a boca de Sadie.
- Está entediado?
- Agora não.
Neste romance suuuuuper apimentado da dyvah Gibson, ganhamos um novo objeto de desejo: os militares. Cá entre nós, quem não tem uma quedinha – mesmo que bem inha – por fardas, ? Se você ainda não teve a sua, é porque ainda não conheceu o militar certo.

Pois bem, em Salve-me, Sadie e Vince se conhecem a caminho da nossa velha conhecida Lovett, Texas. O motivo de suas viagens é distinta: enquanto Sadie está voltando para sua cidade natal, a fim de comparecer ao casamento de uma prima que nem conhece; Vince, por sua vez, está indo encontrar a tia, que tem uma proposta misteriosa para o seu futuro. O acaso os faz cruzar seus caminhos e uma intensa atração se faz presente de imediato.

Há muito sua experiência ensinou a não se meter com homens emocionalmente indisponíveis, iguais ao pai, mas é bem difícil que Sadie persiga esse propósito quando o homem em questão é alto, forte, musculoso e tem uns olhos verdes brilhantes de matar. Uma relação que se inicia de modo puramente carnal vai se transformando em amizade e quando, no momento mais difícil de sua vida, Vince fica ao seu lado o tempo todo, a amizade colorida se transforma em amor. Não seria tão assustador se Vincent se abrisse um pouco... e não fugisse como o diabo foge da cruz diante da palavra “compromisso”.
- E você nunca se apaixonou?
- Claro – ele apoiou o punho sobre a direção. – Por algumas horas.
- Isso não é amor.
- Não? – Ele olhou para ela e virou o jogo. – Você já teve um relacionamento realmente sério? Já esteve noiva?
Ela sacudiu a cabeça e colocou a garrafa no porta-copos.
- Eu tive relacionamentos, mas ninguém me deu um anel. – a ansiedade dela escapava pelos seus dedos e ela batucava o console. – Eu namorei homens indisponíveis emocionalmente, como meu pai, e tentei fazer que eles me amassem.
- Um psiquiatra falou isso para você?
- O programa Loveline, com Mike e dr. Dre.
Nem preciso dizer que o livro é MA-RA-VI-LHO-SO, preciso? Caso reste dúvida, ESSE LIVRO É MARAVILHOSO!

Tá, desliga esse CAPS LOCK, moça.

A narrativa de Salve-me se dá em terceira pessoa, seguindo a mesma linha dos livros anteriores dessa autora e se tem uma coisa que amo na Rachel, é esse recurso de intertextualidade que tem em seus livros.

Aqui não seria diferente, uma vez que encontramos rapidamente alguns velhos amigos, tais como: Daisy, Jack,Nathan e Lily. Além disso, há um breve encontro com o pessoal de Seattle, mas não é nenhum de nossos conhecidos – não que eu me lembre, pelo menos. 
- Isso é um progresso, eu acho, mas é triste – um pesar genuíno fez os cantos da boca de Autumn caírem. – Quando você tranca tudo bem apertado para que a dor não possa sair, você também impede que as coisas boas entrem.
Apesar de me sentir muito repetitiva, não posso deixar de mencionar o quanto os personagens de Salve-me são apaixonantes. Aliás, essa é uma característica da própria autora, de criar tramas envolventes, com uma linguagem fluida, recheadas de tensão sexual, romance e que prendem o leitor até a última linha. Cada elemento é empregado na medida certa.

No mais, é uma trama bastante simples, sem muitos altos e baixos ou grandes clímax. Não espere uma história recheada de grandes loucuras românticas e nem desfechos surpreendentes. É um livro previsível, descomplicado e, até certo ponto, objetivo.

Sendo assim, se você não está afim de uma leitura complexa e ama um bom romance, de escrita ágil – desses que é para ler de uma tacada só! – e quer suspirar (muito), se apaixonar (muito), se envolver (muito), este livro é a escolha certa!
- Tem mais uma coisa que eu vim dizer a você.
Ela baixou o olhar para o terceiro botão da camisa dele.
- O quê? – Ela não tinha ideia do que poderia estar faltando ele dizer. Apenas adeus.
Ele respirou fundo e deixou sair.
- Eu amo você.
O olhar dela subiu para o dele e um único “O quê?” escapou de seus lábios.
- Tenho trinta e seis anos e estou apaixonado pela primeira vez. Não sei o que isso diz a meu respeito. Talvez que eu tenha esperado você a minha vida inteira.
Sua boca se abriu, e ela respirou fundo. Ela estava se sentindo tonta, como se fosse desmaiar.
- Vince. Você disse que me ama?
- Sim, e isso me deixa completamente apavorado – ele engoliu em seco. – Por favor, não diga “muito obrigada”.


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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Resenha: “Problemas à Vista” (Rachel Gibson)

*Por Mary*: Olaaaaaaaaaar, sociedade!

Devo reconhecer que, quando recebi este livro da Editora Pandorga, saí dançando vergonhosamente pela casa. Por sorte, não tive muitas testemunhas. Seria constrangedor.

Como eu amo a Rachel Gibson!

Vocês sabem, ela faz parte do meu rol de escritores que incitam fangirlismos. É impossível ser imparcial com relação a ela.

Problemas à Vista segue o universo de Simplesmente Irresistível. Não, não se engane pensando que se trata de algum tipo de continuação. Não é. São dois livros que não se interligam e que, inclusive, podem ser lidos independentemente do outro, sem que isso influa na compreensão da história.

- Eu menti para você.
Ela o olhou por cima do ombro.
- Você não aceitou o emprego com os Chinooks?
- Não... Sim! – Ele balançou a cabeça. – Eu menti antes disso.
- Sobre a casa?
- Eu menti quando disse que você não significava nada para mim. Menti quando disse que não a amava.

Chelsea é uma atriz cuja carreira não decolou. Em seu currículo constam inúmeros comerciais de pouca expressividade, figuração e breves participações em filmes de terror classe B. Com alguma experiência como assistente pessoal de celebridades, Chelsea assume a missão de assistir a estrela acidentada do hóquei, Mark Bressler – que é mencionado algumas vezes em Simplesmente Irresistível.

Mark também não está vivendo seu melhor momento. Abandonado pela esposa interesseira – que o trocou por um velhote milionário – Mark sofre um acidente que o obriga a se afastar das pistas de gelo justo antes de conquistar o seu maior momento de glória: a Copa Stanley. Sendo um cara acostumado à dor e que prefere se virar sozinho, dá um jeito de expulsar todas as enfermeiras enviadas por seu time, o Seattle Chinooks.

Até chegar Chelsea. Um mulherão em tamanho miniatura, irritante, intrometida e controladora. Da implicância mútua nasce uma parceria inesperada.
- Você normalmente se senta e pensa em várias formas de ser uma pessoa difícil ou é apenas um reflexo natural? Como respirar?
Ele colocou os óculos espelhados na parte de cima do nariz.
- Pensei que estava sendo agradável hoje.
- Sério?
- Sim. – Ele deu de ombros.
Ela balançou a cabeça.
- Não reparei.
Rachel Gibson domina como ninguém a arte de criar personagens aparentemente rasos, mas que demonstram no decorrer da trama um quê de verossimilhança, os tornando únicos. São pessoas que se escondem por baixo da carapaça de futilidade e encontram nessa sobreposição de camadas uma forma de se protegerem do mundo. Estas pessoas podem, facilmente, ser nós mesmos, pessoas normais sob uma armadura brilhante que irá nos defender da rejeição ou nos proteger das demais decepções diárias.

Aliás, por falar em habilidade, a Rachel arrasa ao abordar a questão dos pré-julgamentos que inconscientemente fazemos em relação a pessoas que não conhecemos bem. Tenho certeza que devo ter comentado isso nas resenhas anteriores que fiz sobre livros dessa autora, quanto a como ela é capaz de trazer à tona o modo como tendemos a julgar as pessoas sem as conhecermos realmente, seja por sua profissão, estilo ou aparência física. 
Durante o mês seguinte, passou a vê-lo como algo distante. Algo que ansiava como brownie e sorvete. Algo que seria ruim para ela. Mas quanto mais dizia a si mesma que não poderia tê-lo, mais parecia querer, nem que fosse uma mordida. E, assim como acontecia com brownie e sorvete, ela sabia que jamais deveria se permitir, pois uma mordida não seria suficiente. Uma mordida levaria a duas. Duas levaria a três. Três a quatro, até que se deleitaria com a coisa toda e não haveria nada mais que um arrependimento e uma dor de estômago.
Com seu característico humor inteligente, Rachel Gibson nos apresenta personagens apaixonantemente divertidos e, como tece tramas com poucos personagens, administra bem os núcleos, dando um ar de intimidade, de simplicidade à sua obra.

Para quem estiver com saudade de John, Georgeanne, Hugh e Mae, eles aparecem muito brevemente em Problemas à Vista. Não dá para matar a saudade, contudo. E também não foi de interesse da autora nos saciar deles. Porém, adorei “vê-los”, mesmo que tão brevemente. Senti como se reencontrasse velhos amigos. Sensação doida, né?

Bom, não preciso nem dizer que indico imensamente a Rachel Gibson, todo e qualquer livro dela. Sou suspeitíssima! Sendo assim, se você quer amor, diversão, humor, erotismo... este é o livro certo para você! 
Seus dedos deslizaram sobre a superfície lisa, enquanto sentia o corpo vivo, feliz. Não havia como voltar para aqueles dias em que ela achava que ele era um idiota colossal. Muito tarde. Amava tudo que dizia respeito a ele. Amava o som de sua voz e sua risada. Amava seu cheiro e o toque de sua mão no braço dela ou na parte mais baixa de suas costas. Amava como se sentia quando ele a olhava ou simplesmente entrava em uma sala. Amava saber que sua aparência dura guardava um coração terno.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Resenha: “Simplesmente Irresistível” (Rachel Gibson)

*Por Mary*: Vocês têm também a sensação de flutuar e o coração encher de uma coisa maravilhosa quando leem bons livros? A Rachel Gibson causa isso em mim, fico sorrindo toda boba depois que fecho o volume e só descanso quando chego aos agradecimentos.

Ganhei Simplesmente Irresistível de presente de aniversário (melhor prima do mundo!) e fiquei pulando igual aquela música da finada dupla Sandy e Júnior.

Mas vamos deixar de lenga-lenga e partir para a parte boa?

No dia de seu casamento com o ricaço Virgil Duffy, Georgeanne Howard percebe que não pode se casar com um homem que tem idade para ser seu avô e, ao empreender fuga da cerimônia, conhece um jogador de hóquei bonitão e problemático chamado John Kowalsky, que a ajuda – mesmo contra sua própria vontade – a dar o fora da mansão.

Tão logo põe os olhos sobre Georgie, John sabe que a moça é problema, afinal, está ajudando a noiva fugitiva do seu chefe. Uma atração imediata nasce entre os dois, mas, mesmo depois de uma noite mágica, John dá um fora na garota na manhã seguinte.

Sete anos se passam, os dois se reencontram e John descobre que aquela noite inconsequente resultou em uma filha, à qual está disposto a reconhecer e fazer parte de sua vida. Contudo, as mágoas que perduram entre o casal podem prejudicar na aproximação entre ele e Lexie, assim como o sentimento que renasce pode complicar ainda mais a situação toda, deixando as coisas consideravelmente mais explosivas.

A narrativa se dá em terceira pessoa, o que nos permite transitar pelos núcleos e ter uma ideia mais ampla do enredo e personagens. Não faço segredo que gosto, especialmente, dessa forma de narração, sobretudo por se deter menos nas especulações dos personagens e mais nos fatos.

E também não faço segredo da minha admiração por essa autora, que, em minha opinião, possui um estilo particularmente agradável. Com escrita fluida, histórias divertidas e ao mesmo tempo reais, cenas eróticas nada vulgares e personagens apaixonantes, Rachel Gibson nos arranca suspiros e risadas na mesma frequência.

Além disso, a Rachel consegue produzir histórias muito distintas umas das outras, trazendo elementos muito parecidos – que são ingredientes de seu estilo. Vou dar como exemplo essa trama do pai que não conhece a existência do filho: a autora conseguiu produzir enredos bem diferentes entre Simplesmente Irresistível e Daisy Está na Cidade. O que eu quero dizer com isso é que, não obstante o livro trazer elementos aparentemente semelhantes com outras de suas obras, Rachel Gibson os localiza com motes completamente distintos, bem como impõe situações muito singulares.

Acredito muito nessa coisa de “estilo” de cada escritor. Dia desses (ok, talvez já haja alguns meses) vi um filme que me fez pensar: Uau, esse roteiro é tão Rachel Gibson! O filme em questão se chama Família Por Acaso e não sei dizer exatamente por que pensei isso, mas, de algum modo tive tal impressão. E, por mais curioso que possa parecer, Simplesmente Irresistível só me fortaleceu esta tese.

Mas vamos falar de coisa boa? E não, não é sobre a Iogurteira Top Term, mas sim os personagens.

Há dois pontos que precisam ser mencionados nesta resenha:

O primeiro deles cabe a ambos os protagonistas, que é relativo à evolução deles no decorrer dos anos. Posso dizer que foi meio um tapa na minha cara por tantas vezes dizer que as pessoas não mudam. Diferentemente do que gosto de defender, o crescimento de John e Georgie no decorrer dos anos me pareceu muito natural, um amadurecimento causado pelas pancadas da vida no decorrer da jornada (quem nunca, né, minha gente?).
- Papais não cuidam dos bebês.
- Claro que cuidam – disse John. – Se eu fosse um papai peixe, estaria por aí procurando pelo meu bebê.
Erguendo a cabeça, Lexie olhou para John por um momento, pesando as palavras dele.
- Você procuraria até encontrar?
- Absolutamente. – Olhou para Georgeanne e depois de volta para Lexie. – Se eu soubesse que tinha um bebê, procuraria para sempre.
O segundo ponto é meio que um afunilamento do primeiro, dessa vez focando especialmente na Georgeanne. Na primeira fase do livro conhecemos uma Georgie fútil, frívola e influenciável, mas conhecemos também os motivos por trás dessa personalidade “fraca”. Para começar, o abandono dos pais, que a tornam sentimentalmente carente, apesar do amor dado pela avó. E, como complemento a isso tudo, a dislexia ligada à incompreensão da doença em meados dos anos 70, cuja disfunção era, basicamente, associada a “burrice”.

Hoje sabemos que a dislexia não é nada disso, mas ainda assim há certo preconceito acerca do problema. Imaginem vocês, então, esse quadro há quase trinta anos, com uma jovem bonita, sem mais ninguém no mundo além da avó e o medo de não ser aceita na sociedade por não ser uma pessoa “brilhante”. Não posso dizer que julgo a avó da Georgie por “treiná-la” para ser uma boa esposa, matriculando-a em escolas de etiqueta e culinária para que, no futuro, encontrasse um marido que “cuidasse” dela. Me parece muito claro que essa foi a saída encontrada por uma senhorinha do Séc. XX que queria, simplesmente, cuidar pelo amparo futuro da neta. 
Queria fazer John feliz também. Desde o primeiro relacionamento dela, aos quinze anos, Georgeanne sempre mudava como um camaleão para se tornar o que o namorado queria. No passado, fizera de tudo, desde pintar o cabelo de um vermelho profano até ficar toda roxa em cima de um touro mecânico. Só para agradar-lhes. Sempre deixara seu estilo próprio de lado e, em troca, eles a amavam.

Tinha um orgulho tremendo por tudo o que aquela garotinha acanhada do Texas conquistara. Caminhara no fogo, fora queimada até a alma, mas sobrevivera. Era uma pessoa mais forte agora, talvez menos crédula, e talvez tivesse se tornado extremamente relutante à ideia de dar seu coração a um homem novamente, mas não via essas características como impedimento para a sua felicidade. Aprendera suas lições da maneira mais difícil e, embora preferisse doar um órgão vital seu a viver novamente a vida que tinha antes de entrar na Heron Catering sete anos antes, tornara-se a mulher que era agora devido ao que lhe acontecera na época.
 A volta por cima dada pela Georgie anos depois deixa o leitor muito orgulhoso. Eu, pessoalmente, fiquei muito orgulhosa pela pessoa que ela se tornou e pelos objetivos alcançados. Claro, até então já estávamos nos anos 90, mas, ainda assim, suas conquistas são louváveis.

Em Simplesmente Irresistível conhecemos também um casal secundário, formado pelos amigos dos protagonistas: Mae e Hugh. Não posso finalizar essa resenha sem mencionar a mensagem bacana que eles passam. Primeiro de tudo, a de que não podemos julgar as pessoas pelo que elas aparentam, vestem ou fazem; e, por último, a de que muitas vezes ficamos a ponto de deixar a felicidade passar batido, puramente por nossos pré-julgamentos, sem dar uma chance para conhecer realmente o sujeito.

- Ele não é o homem certo para você.
- Como sabe?
Hugh sorriu.
- Porque eu acho que eu sou o homem certo.
Desta vez a risada dela foi com sarcasmo.
- Você deve estar brincando.
- Estou falando sério.
Ela não acreditava nele.
- Você é exatamente o tipo de homem com quem nunca saio.
- Que tipo é esse?
Ela olhou para a mão ainda em seu braço.
- Macho, musculoso e egocêntrico. Homens que pensam que podem intimidar pessoas menores e mais fracas que eles.
E, para finalizar, merece um adendo a ambientação. Assim como em Loucamente Sua, Rachel Gibson ambienta sua história nos anos 90. Na verdade, visitamos brevemente os anos 70 e 80 também, mas prevalece os anos 90. Já falei antes e vou repetir: muito legal ouvir falar em permanentes, papetes e Gretzky*, em um mundo sem celular e computadores. Por vezes, esquecemos que esse mundo existia há só vinte anos.

Enfim, todos esses detalhes de cada personagem – John também tem os seus – torna-os muito verossímeis, impelindo os leitores a se sentirem identificados, além de estarem intrinsecamente envolvidos com a trama, comportamentos e desenrolar da história. Então, se você quer uma autora apaixonante, uma história envolvente, divertida, bem escrita, fluida e que vai te arrancar suspiros com a mesma frequência de risadas, Simplesmente Irresistível é a escolha certa. Indico muito todos os livros da Rachel Gibson e aqui no blog você encontra as resenhas de Loucamente Sua e Daisy Está na Cidade. 
Não sou poeta nem romântico, e não conheço palavras para expressar com precisão o que sinto por você. Apenas sei que você é o ar dos meus pulmões, a batida do meu coração, a dor da minha alma e, sem você, sou vazio.

                                                                                           
*Jogador de hóquei.




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Resenha: “Daisy Está Na Cidade” (Rachel Gibson)

*Por Mary*: O Ministério da Resenha Literária Adverte: Não vai dar para ser imparcial.

Desde que conheci a Rachel Gibson em Loucamente Sua, me apaixonei por ela. Sendo assim, informo-lhes desde já que não esperem a minha costumeira imparcialidade nesta resenha, porque acho que não conseguirei tal proeza.

Mas vamos lá?

Em Daisy Está Na Cidade, conhecemos inicialmente Jack Parrish. Dono de uma oficina restauradora de carros antigos e solteiro inveterado, ele convive por quinze anos com a dor de ter perdido a namorada e o melhor amigo no mesmo dia – quando os dois traidores fugiram juntos e se casaram em segredo. E acredita viver bem assim, até receber a notícia de que Daisy está de volta à cidade de Lovett, no Texas. Steve, seu ex melhor amigo, está morto. O perdão não é uma possibilidade, contudo, uma vez que a mágoa e o rancor estão fortemente enraizados em seu coração. E, bem, a revelação que Daisy traz não ajuda muito a um eventual perdão... 
“- Antes que eu me desculpe – ele disso, fechando a porta da geladeira com o pé -, preciso saber por que estou me desculpando.
Ela olhou para ele. Tinha uns borrões pretos sob os olhos vermelhos e seu rosto estava todo manchado.
- Você não fez nada, Jack.
Ele também achava que não, mas, com as mulheres, nunca se sabe. Se não há nada errado, elas simplesmente inventam um problema.”
 A trama é narrada em terceira pessoa, o que permite que a autora facilmente transite entre os pontos de vista dos personagens principais. Particularmente, gosto bastante de narrativas em terceira pessoa, pois, nessa forma, o escritor consegue focar mais nos fatos sem se perder tanto nas abstrações do protagonista. Creio que nem preciso dizer o quanto Rachel Gibson é talentosa e sabe exatamente dosar a quantidade certa de humor, drama, tiradas divertidas, tragédia e cenas queeeeeeeeeeeentes, sem saturar nem um e nem o outro.

Percebi algumas similitudes deste livro com Loucamente Sua. A mágoa profunda entre os protagonistas e a ambientação de uma pequena cidade na qual todos os seus habitantes se conhecem, por exemplo. Mas as semelhanças ficam por aí, porque as tramas são bem distintas e o mote da obra também é completamente outro.

Além disso, em Daisy Está Na Cidade, somos novamente apresentados a personagens apaixonantes. Algo que elogiei em Loucamente Sua e novamente elogiarei aqui é o fato de as cenas quentes não serem o aspecto principal da obra. Cenas eróticas são bacanas – ótimas, por sinal – mas um livro que se baseia apenas nisso... simplesmente não dá. A Rachel consegue administrar muito bem esse aspecto, além de compreender muito bem a linha tênue entre o erotismo e a vulgaridade.

Em minha opinião, o conflito principal foi bem desenvolvido, apesar de não se tratar de um segredo “Oooooooooooh!”. Na verdade, logo nas primeiras páginas o leitor já consegue matar o motivo do retorno da Daisy (comigo foi assim, pelo menos) à cidade. Por outro lado, a grande sacada fica por conta do Jack, na cena em que ele próprio acaba se dando conta da revelação e quando a confronta sobre o fato.

Eu mencionaria o Jack como um show à parte, também. E não me refiro a beleza ou algo assim. Me refiro ao crescimento do personagem no decorrer da obra. O Jack do primeiro capítulo é muito diferente do Jack do último, de modo que ouso dizer que o personagem consegue cumprir o seu propósito, passando por uma grande mudança no decorrer das páginas. 
“Ele podia falar arrastado, mas não era idiota. E amar Daisy seria idiotice. Ele não sabia por que estar com ela era diferente, mas também não queria saber. Não era o tipo de cara que disseca a própria vida em busca de significados ocultos. Não. Ele era o tipo de cara que enterra as coisas bem lá no fundo, até que elas sumam por si mesmas.”
 Tudo está intrinsecamente ligado: a revelação, o retorno de seu grande amor, a descoberta do tal fato importante que a Daisy foi contar e o perdão. O Jack é o tipo de cara que se agarra ao rancor de tal modo, que prefere cultivar a raiva e enfiar bem lá no fundo da alma os seus sentimentos a encará-los de uma vez por todas.

Já ia esquecendo-me de citar a ambientação, feita no Texas, que eu adorei. Me lembrou um pouco a Sandy (amiga do Bob Esponja) e fiquei me perguntando se não era um pouco estereotipado – já que nunca estive no Texas, não posso responder a essa pergunta, mas aceito a resposta dos leitores aqui do blog que queiram me contar –, mas, apesar disso, achei bem original e, ao mesmo tempo, saído um pouco do comum.

Por fim, quero indicar muito o livro (e a autora!). A Rachel Gibson é uma escritora maravilhosa e que gosto muito. Sua escrita é excelente, seus personagens são apaixonantes e as tramas envolventes. É o tipo de livro que você quer ler tudo de uma vez, mas não quer terminar rápido e aí começa a economizar nas últimas páginas – quem nunca ficou enrolando para terminar de ler um livro, não sabe o que é dificuldade em se despedir.  J 
“Mas não é assim que deve ser? Não é certo que eu queira apertar você contra mim até poder continuar te sentindo, mesmo depois de você se afastar? – Ele a pegou pelos ombros e deslizou a mão pelas bochechas dela. – Respirar o mesmo ar, e sentir a mesma pulsação, enquanto você me faz derreter?”




sexta-feira, 20 de março de 2015

Resenha: “Loucamente Sua” (Rachel Gibson)

Por Mary: Simplesmente A-M-O livros que me surpreendem e a Rachel Gibson, definitivamente, conseguiu isso!

Em Loucamente Sua somos introduzidos à pequena cidade de Truly, na qual Delaney é forçada a retornar após a morte de seu padrasto Henry. O seu plano é bastante simples: acompanhar o funeral do único pai que conheceu e esperar a abertura do testamento – para a qual foi notificada – e, tão logo encerradas as formalidades, voltar para Phoenix, seguir com a sua vida e curtir sua tão apreciada liberdade. Tudo muda, porém, ao descobrir que herdou grande parte dos bens do padrasto com a condição de permanecer na cidade durante um ano; caso contrário, a herança seria transferida para o filho bastardo de Henry. Nick, o filho rejeitado de Henry, também herda sua parte nos bens, com a condição de se manter longe de Delaney, sob pena de perder as propriedades para ela. Nada é tão fácil e também não tão importante quando se está diante de um amor do passado. Será a herança tão importante assim quando se tem a chance de corrigir erros antigos?

Logo na capa, diz-se que Rachel Gibson é “a autora mais amada dos EUA” e eu logo fiquei desconfiada. Tenho certo pé atrás com relação a pessoas (sejam elas autores, atores, cantores ou qualquer outro tipo de artista) muito aclamadas. Vocês sabem, nem sempre o que todo mundo gosta é realmente bom. Com Loucamente Sua, porém, a escritora nos trouxe uma história apaixonante com linguagem simples, clara e descomplicada. Além disso, com uma narração ágil, em terceira pessoa, você lê mais da metade do livro em um dia só – acreditem em mim, vocês ficarão surpresos com o quão rápido a leitura avança.

Bom, contar que fiquei completamente apaixonada pela autora resume bem o que achei do livro, mas vamos desenvolver melhor essa resenha, certo?

Pode-se dizer que a trama, em si, não parece muito verossímil. Afinal, quem aí se imagina ganhando uma fortuna, sob a condição de que não vá para a cama com aquele amor de infância que você desejou desde sempre? Recebendo uma herança milionária até imaginamos... Pois bem, apesar disso, você encontrará em Loucamente Sua personagens bem construídos, com qualidades e defeitos, medos, inseguranças, humor, mágoas e muita seduzência coração partido.

Depois de viver a sua vida inteira em função de agradar o padrasto controlador e a mãe extremamente crítica, Delaney deu finalmente o seu grito de liberdade ao ir embora de casa após um escândalo envolvendo Nick.
 “Ela devia saber que Henry ia impor condições para o testamento dele. E que ele tentaria fazê-la assumir seus negócios, para controlá-la e a todos de seu sepulcro. Agora tudo que ela tinha que fazer era escolher. Dinheiro ou a alma dela.” 
Voltando anos depois para a pequena cidade onde cresceu, se vendo obrigada a conviver com pessoas que não gostaria, se sentindo presa e tendo que estar perto do homem que a fascinou desde criança, Delaney acaba cedendo. Porém, a cláusula testamentária acaba por funcionar indiretamente como uma declaração de independência para ela, porque é quando Delaney põe à prova todo o aprendizado dos últimos anos.

Nick Allegreza cresceu com a mágoa de nunca ter recebido o mínimo gesto de carinho do pai, Henry Shaw, um político cínico, controlador e egoísta. Por mais que tente provar que nada disso o atingiu, é tudo mentira, porque, no fundo, ainda se sente como o garotinho rejeitado em busca de afeição e isso o fecha para as relações afetivas, dando-lhe uma sensação de humilhação. Além disso, não sabe lidar muito bem com o interesse que tem desde criança pela enteada do pai. 
“Sim, esse é o Nick. Ele diz muitas coisas. Algumas delas verdadeiras, também. (...) Olhe, como eu disse, você vai embora em menos de um ano, porém o Nick terá que ouvir as fofocas sobre vocês depois que você for. Ele terá que conviver com isso novamente.” 
Curiosamente, Nick é o único que entende de plano o verdadeiro objetivo de Henry ao estipular as cláusulas condicionais testamentárias (que eu não vou contar para vocês, obviamente). Vou falar a verdade: estou me segurando aqui para não verter todos os meus arco-íris em cima de vocês, pois o Nick é muito apaixonante! Ele é como um daqueles garotinhos do jardim de infância que demonstra afeto criticando a menina que gosta – ou puxando o cabelo dela. E acho que é isso mesmo que ele é: no fundo, apesar do homem grande e sexy, ele é um garotinho apaixonado por seu primeiro amor.

Esse passado dos dois torna tudo muito mais doce, porque é uma descoberta envolta em certa inocência. E, também, é como viver tudo o que eles deveriam ter vivido anos atrás. 
“Eu te amei minha vida inteira, Delaney. Não consigo me lembrar de um dia que eu não tenha te amado. Te amei no dia que praticamente te nocauteei com uma bola de neve. Te amei quando furei seus pneus para te acompanhar até em casa. Te amei quando vi você se escondendo atrás dos óculos de sol no Value Rite, e te amei quando você amou aquele perdedor, filho da puta, do Tommy Markham. Nunca me esqueci do cheiro do seu cabelo ou da textura da sua pele desde a noite em que te deitei no capô do meu carro na Praia Angel. Então não me diga que eu não te amo. (...) Só não me diga isso.” 
A trama se passa nos anos 90 e é interessante ver uma história no qual não se mencionam celulares, internet, computadores, e-mails e todas essas coisas que nos são tão comuns nos dias de hoje. É interessante toda a ambientação, na verdade. Quem viveu os anos 90 – e lembra o suficiente dessa década – vai acabar percebendo algumas coisas que eram moda na época e que hoje a gente morre de vergonha de ter usado, com seus típicos cortes de cabelo, roupas e sapatos. Imaginem, então, esse impacto sobre uma cidade pequena? É quase como ver um daqueles filmes clássicos da Sessão da Tarde (só que muito melhor).

Se eu pudesse bater um papo com a Rachel (olha a intimidade!), eu só pediria uma coisa: um epílogo. Senti muita falta. Gosto de epílogos por poder ver um pouco dos meus casais prediletos depois do desenrolar final do conflito principal desenvolvido pela escritora. Quando não tem epílogo, parece que a história acabou do nada, de repente. É como se eu nem pudesse me despedir da história. E quando amo mesmo a obra, me sinto quase órfã.

Rachelzinha, querida, te dou até ideias para um extra, viu? Rs. 
- Eu sei que estou horrível – ela disse, mas ele não olhava para ela como se estivesse quase morta. Talvez uma vez na vida ela tenha tido sorte e não tinha olheiras. – Não estou?
- Você quer a verdade?
- Sim.
- Certo. – Ele pegou a mão dela e beijou. – Você está mais bonita do que quando era um Smurf.
Apareceu uma ruguinha no canto do olho de Nick, e Delaney sentiu um formigamento nas pontas dos dedos e se espalhou pelos seios. Esse era o Nick que ela amava. O Nick que a provocava enquanto a beijava. O homem que a fazia rir mesmo enquanto queria chorar.
- Eu devia ter pedido para você mentir.




 
Ana Liberato