sexta-feira, 23 de junho de 2017

Resenha: “Uma Loucura Discreta” (Mindy McGinnis)

Tradução de Fábio Bonillo

Sinopse: Boston, 1890. Asilo Psiquiátrico Wayburne. Grace Mae vive um pesadelo: forçada a passar seus dias reclusa num manicômio, em meio a insanos de todo tipo, sobressaltada por gritos de horror a cada noite. Grace não é louca. Apenas não consegue esquecer os terríveis segredos de família. Terríveis o suficiente para calar sua voz – jamais ouvida por ninguém, a não ser ela mesma, dentro de sua mente brilhante. Mas, quando uma crise emocional violenta traz sua voz à tona, Grace é confinada em um porão escuro. É nesse momento em que ela conhece o dr. Thornhollow, um estudioso de psicologia criminal. Dona de um olhar aguçado e de uma memória prodigiosa, Grace passa a auxiliar o médico em investigações. Ambos escapam para uma instituição mais segura em Ohio, em busca de amizade e esperança. Mas a tranquilidade dura pouco: surge um assassino em série que ataca brutalmente jovens mulheres. Grace seguirá no encalço do criminoso, mesmo tendo de enfrentar seus próprios fantasmas. Em Uma Loucura Discreta, Mindy McGinnis explora com maestria narrativa a tênue linha entre sanidade e loucura, revelando o lado obscuro que existe em todos nós.
Fonte: Skoob

Por Stephanie: Quando você lê a sinopse de Uma Loucura Discreta, pode pensar que esse livro é só mais um de YA, onde uma adolescente "louca" é salva pelo amor da sua vida (que ela acabou de conhecer). Pois bem, já vou te dizendo pra tirar essa ideia da cabeça, porque de romance meloso e dilemas bobos esse livro não tem nada.

Histórias passadas em manicômios são quase sempre sombrias, e neste caso o livro não foge à regra, trazendo consigo uma narrativa carregada e densa que chegou a me incomodar várias vezes. A opressão que os pacientes sofrem no asilo em que Grace vive no início do livro é sufocante e cruel, sendo impossível não sentir empatia pelos personagens que habitam aquele local.
Todos eles tinham seus terrores, mas pelo menos as aranhas que viviam nas veias da garota nova eram imaginárias. Grace aprendera havia muito tempo que os verdadeiros terrores deste mundo eram as outras pessoas.
Passado o primeiro terço da história, o incômodo diminui, mas não vai embora completamente. Acompanhamos a jornada de Grace e o Dr. Thornhollow por investigações à la Sherlock Holmes, e isso faz com que o livro dê uma acelerada e inclua cenas em outros ambientes, trazendo dinamismo. Vi algumas pessoas reclamando dessa mudança de tom, mas confesso que foi uma das coisas que mais gostei. Mesmo amando livros com assuntos pesados, acho que variar um pouco o tema proposto é sempre válido.

O livro aborda, além da sanidade e investigação, assuntos muito pertinentes aos dias atuais, mesmo se passando no séc. XIX: o feminismo e a opressão sofrida pelas mulheres (além de uma menção leve ao movimento sufragista). É chocante imaginar que naquele tempo ser mulher era ser inferior, e que qualquer atitude feminina "fora do padrão" poderia selar pra sempre o futuro de uma mulher, de maneira negativa. A palavra do homem sempre era lei, mesmo sendo mentira. Infelizmente isso ainda ocorre atualmente, quando vítimas de abuso são tidas como culpadas e julgadas por uma sociedade machista e opressora.

Os personagens têm a psique abordada a fundo, algo que eu já esperava. Em vários momentos me peguei questionando o verdadeiro sentido da palavra sanidade e em quais casos ela se aplica. Afinal, o "normal" é apenas um mito criado pela sociedade, que limita as pessoas a seguirem apenas uma linha de pensamento e comportamento? Ainda não sei se encontrei uma resposta.

Foram poucos os pontos negativos que eu identifiquei em Uma Loucura Discreta. Um deles foi a rapidez com que Thornhollow reconheceu as "habilidades" de Grace, achei que quebrou o ritmo. O final também não é tão bom; gostei do desenrolar de alguns acontecimentos mais achei a conclusão muito rápida. Além disso, achei que a autora tentou abordar muitos assuntos ao mesmo tempo em poucas páginas, tornando alguns deles muito superficiais. Gostaria de um livro maior ou até mesmo uma duologia que pudesse explorar com calma aquilo que foi falado apenas "por cima".
(...) É uma loucura tão discreta que pode caminhar livremente pelas ruas e ser aplaudida em determinadas rodas sociais, mas não deixa de ser loucura.
Mas no geral eu gostei muito da leitura e indico pra qualquer pessoa, mas se você é sensível a temas como estupro e violência contra a mulher, recomendo cautela. Não vejo a hora de a editora lançar The Female of the Species para eu conhecer mais do trabalho da Mindy McGinnis!

Quem mais leu ou está louco (rs) pra ler esse livro? Me conta nos comentários! E não deixe de conferir essa e outras resenhas no meu blog, o Devaneios de Papel. Espero vocês por lá!

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Ana Liberato