quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Resenha: "O jardim secreto" (Frances Hodgson Burnett)


Tradução de Liliana Negrello e Christian Schwartz

Sinopse: Uma história encantadora de transformação e empatia. Um clássico da literatura inglesa infanto-juvenil adorado há mais de um século por leitores de todas as idades.

Ao perder os pais numa epidemia de cólera na Índia, onde nasceu e foi criada, a pequena e mimada Mary Lennox é enviada para viver na lúgubre mansão de seu tio, no coração da Inglaterra rural. Deprimido pela morte da esposa, o tio está sempre viajando, enquanto seu filho Colin, primo de Mary, passa a vida na cama como inválido. Solitária, Mary tenta se divertir vasculhando a propriedade, até que descobre um segredo incrível: o deslumbrante jardim de sua falecida tia, trancado e abandonado.

A descoberta do jardim faz com que Mary conheça Dickon, menino que conversa com os animais e as plantas, e se aproxime do primo, que volta a sair da casa numa cadeira de rodas improvisada. Assim, a amizade das três crianças e o encantamento causado pelo jardim começam a transformar a vida de todos na casa.

Publicado em 1911, O jardim secreto já inspirou diversas adaptações para teatro, TV e cinema.

Por Stephanie: O filme "O jardim secreto", de 1993, é um dos meus favoritos da infância – e até hoje ainda tenho muito carinho pela obra. Sempre tive muito interesse pelo livro e, quando vi a edição de bolso luxo da Zahar, tive certeza de que era o momento certo para fazer a leitura. Como fazia muito tempo desde a última vez que assisti ao filme, não lembrava de todos os detalhes da história, o que foi ótimo pois consegui aproveitar melhor o livro, como se fosse a primeira vez.

A escrita de Frances Hodson Burnett é fluida, com poucos floreios mas muito sentimento. Ela descreve com perfeição os detalhes da natureza que cerca os personagens, seja no jardim propriamente dito ou em qualquer outra paisagem. Foi uma das coisas que mais gostei na obra.

Uma das coisas estranhas de viver neste mundo é que só de vez em quando somos capazes de sentir, com toda a certeza, que viveremos para todo o sempre. Isso acontece às vezes, quando acordamos naquela hora suave e solene da madrugada, saímos de casa, ficamos sozinhos, jogamos a cabeça para trás e olhamos lá para cima, para o céu pálido que vai se transformando e ruborescendo lentamente, e vemos coisas maravilhosas começarem a acontecer, até que a luz que surge no leste quase nos faz gritar - e o coração fica em silêncio diante do estranho e imutável esplendor do nascer do sol, que vem acontecendo todas as manhãs há milhares e milhares de anos. Nessa hora temos essa certeza, ainda que apenas por um breve momento.

Os personagens são bem desenvolvidos e encantadores, cada um à sua maneira. Gostei muito do desenvolvimento de Mary e de sua jornada ao longo da história. Colin também é um personagem memorável; ainda que seja um pouco inverossímil, gostei da maneira dele de ver o mundo, sempre positivamente e com esperança.

Por ser um livro com um público-alvo mais jovem, é natural que o enredo seja simples, com muitas metáforas e uma moral da história ao final. Aqui, creio que as mensagens são voltadas à valorização da natureza, fé em algo maior do que nós mesmos para superar as adversidades e importância da união familiar.

Recomendo demais a leitura, não só para os fãs do filme, mas para quem nunca entrou em contato com essa história tão encantadora. Só não dei nota máxima devido a algumas passagens racistas e xenofóbicas em relação a indianos e pessoas não brancas como um todo. Entendo que é reflexo do pensamento da época mas foram momentos que me incomodaram.

Tirando isso, é um livro lindo que merece ser lido por todos!

Até a próxima, pessoal!


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Resenha: "Depois do sim" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Sinopse: Lauren e Ryan viveram juntos os melhores e mais importantes momentos da vida adulta. Um romance dos sonhos durante a faculdade. A formatura. Uma bela cerimônia de casamento. O primeiro emprego. O primeiro apartamento. Eles sempre estiveram lá um para o outro, mas depois de onze anos casados as brigas parecem não ter fim – desde contas a pagar até o que vão jantar, do seguro do carro até onde estacionar. 

É triste, mas inegável: o casamento está em crise. Incapazes de avaliar se ainda se amam, eles decidem tentar algo nada convencional: viver separados durante um ano, sem manter nenhum tipo de contato, na esperança de encontrar um jeito de se apaixonar novamente.

É possível ter romance sem compromisso? E parceria sem casamento? O que faz um relacionamento durar? Pelo que vale a pena lutar? Na tentativa de responder a essas perguntas, Lauren embarca em uma jornada de autoconhecimento que vai levá-la mais longe do que imagina.

"Não estamos brigando por dinheiro, por ciúme ou por falta de comunicação. Estamos brigando porque não sabemos o que fazer para ser felizes. Estamos brigando porque não estamos felizes. Estamos brigando porque não fazemos mais o outro feliz."

Por Thaís Inocêncio: O livro começa no presente, com mais uma das brigas rotineiras do casal, então já conseguimos sentir a atmosfera de crise na qual eles estão envoltos. Nos capítulos seguintes, voltamos onze anos no tempo para descobrir como Lauren e Ryan se conheceram, se apaixonaram e o que os fez deixar de viver um romance repleto de companheirismo e felicidade e passar a discutir por cada situação cotidiana.

Esse é um dos pontos mais interessantes do livro: o fato de que o casamento não está acabando por causa de algum acontecimento grandioso ou um problema recorrente, e sim por pequenas coisinhas do dia a dia, aparentemente imperceptíveis, que se acumulam até transbordar. Chega a ser até difícil explicar o motivo da crise para quem está de fora dela. É o que acontece com Lauren ao dividir com sua família a decisão que ela e Ryan tomaram.

Aliás, a relação entre Lauren e sua família, que acaba se tornando sua rede de apoio nesse momento difícil, é muito próxima e descrita de uma maneira bastante real. Desde o início, Ryan é acolhido pela mãe, irmãos e avó de Lauren como se fosse mesmo parte da família, portanto eles também sentem essa separação de maneira intensa, cada um a seu modo.

Um ponto negativo dessa história é a ausência de Ryan na narrativa. Como o livro é narrado em primeira pessoa por Lauren, temos apenas a perspectiva dela da situação, então não sabemos muito bem como ele está enfrentando esse momento. É quase como se a autora tivesse tomado partido diante dessa crise. Lá pela metade do livro, ela tenta inseri-lo um pouco mais na história, mas ainda é insuficiente.

"Talvez precisar de alguém não signifique ser incapaz de viver sem ele. Talvez precisar de alguém signifique que essa pessoa torna nossa vida mais fácil."

Mesmo assim, adorei o livro! Não chega a ser perfeito como Amor(es) Verdadeiro(s), da mesma autora, mas vale a leitura. Para quem é casado ou está em um longo relacionamento, é fácil se identificar com a história e compreender as atitudes e decisões do casal. Quem não se encaixa nesses quesitos, pode achá-los um tanto dramáticos. De todo modo, é uma ótima história sobre as várias nuances do amor e sobre a importância de não desistir dele. 

Até a próxima, pessoal!

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Resenhas: "Trocas Macabras" (Stephen King)

 

Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Compre agora. Pague depois.

Há uma nova loja na cidade. ARTIGOS INDISPENSÁVEIS, diz a placa. Um nome curioso, que se torna tema de rumores e especulações entre os moradores de Castle Rock.
Para cada cliente que entra na loja, Leland Gaunt tem algo perfeito ― um objeto há muito sonhado, desesperadamente desejado. O preço parece sempre razoável, mas vem acompanhado de pedidos estranhos.
O que começa como brincadeiras e pegadinhas inocentes aos poucos sai do controle, transformando a cidade em palco de disputas caóticas e brutais. Mas, quando você encontra um artigo indispensável, como saber se o custo para obtê-lo é alto demais?

Por Jayne Cordeiro: "Trocas Macabras" é um dos lançamentos de 2020, e da coleção especial que a Suma das letras tem lançado do autor Stephen King. Uma coleção com valor alto, mais feita com muito esmero, e bonita de ver. Achei o visual dessa edição maravilhosa. O material da capa, a textura e relevo dela, além da cor chamativa, foi bem atraente para mim. E por ser capa dura, ele já ganha pontos a mais.

Esse livro foi bem aguardado aqui no Brasil, porque era muito difícil achar a única edição dele que foi lançada por aqui e que fazia muito tempo. E o que dizer sobre esse livro? "Trocas Macabras" se passa no Maine, local onde muitas histórias do autor se passam, e nesse caso aqui, é em uma cidade já mostrada em outros livros dele, Castle Rock. Eu não tinha lido nenhum desses livros, e isso não atrapalhou a leitura. O livro é longo, mas muita coisa acontece nele  também. Temos muitos personagens, que em um primeiro momento, não parecem ter nenhuma ligação, além de morarem na mesma cidade. Mas então ,  as situações vão saindo de isoladas, para se unirem em uma rede bem interessante no final.

Por um lado, a escrita do autor é bem envolvente, o que já era esperado, pelos outros livros que li dele. "IT - A Coisa" é bem maior que "Trocas"  e consegui ler sem pena. Mas, da mesma forma, esse aqui não dá para você ler rapidamente. É um livro denso, com detalhes. O autor dá muita importância a descrições, e pequenos acontecimentos, e isso pode deixar o livro cansativo para alguns. Eu, particularmente, gosto muito da forma como o autor decidiu contar essa história. Mas esse é um livro de extremos. Há quem ame e quem odeie.

De qualquer forma, acho que é um livro interessante, e que tem muito da identidade do autor. Vemos o sobrenatural, mas também o mal que existe dentro das pessoas. É uma característica do autor, trazer essa maldade humana como um personagem de terror. Muitas vezes, ficamos mais abalados pelo que o humano faz nos seus livros, do que um monstro sobrenatural é capaz de fazer. No geral, é uma edição linda, e uma história que precisa ser degustada. Acho que vale a pena a leitura, e que vocês possam tirar suas próprias conclusões.


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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Resenha: "O Segredo do Conde" (Lorraine Heath)

 

Tradução: A. C. Reis

Sinopse: Em uma noite de verão, Edward Alcott cede à tentação e beija Lady Julia Kenney nas sombras de um jardim. A paixão que se agita dentro dele, no entanto, precisa permanecer oculta, porque a jovem está noiva de seu irmão gêmeo, o Conde de Greyling. Mas quando uma tragédia atinge família dele, Edward faz um voto ao irmão doente, fingindo ser Greyling até que a condessa dê a luz ao primeiro herdeiro.

Depois que ele retorna de uma viagem de dois meses, Julia encontra um marido mudado, mais ousado e perverso, mesmo que limite seus encontros a beijos. E, a cada dia, ela se apaixona mais profundamente por ele.

Para Edward, as brumas do desejo provocadas naquela noite tempos atrás são rapidamente reavivadas. Ele anseia ser o verdadeiro marido dela. Mas deve se atrever a arriscar tudo e revelar seus segredos?


Por Jayne Cordeiro: "O Segredo do Conde" é o segundo livro trilogia "Os Sedutores de Havisham". Neste aqui, o protagonista é Edward, gêmeo do conde, que o mais aventureiro do quarteto de amigos que cresceram na propriedade Havisham. Pelo livro anterior, percebemos que há uma tensão entre ele e a sua cunhada, que eu já desconfiava que o próximo livro seria sobre eles de alguma forma, ou que pelo menos, essa tensão teria um papel futuro. Mas neste livro, Albert, o conde e marido de Julia, é fatalmente ferido durante uma viagem com os amigos, mas antes de morrer, pede para o irmão fingir ser ele, até que ela dê a luz ao seu filho, depois de vários abortos. A história caba girando ao redor de Edward se fazendo passar pelo irmão, sem que Julia descubra, e ainda com o fato de ele ter sentimentos por ela, que ficam cada vez mais difíceis de lidar.

Dá pra ver, que a temática desse livro é bem delicada, e a autora teve um cuidado em não aprofundar muito no personagem Albert, nos livros anteriores. Talvez para que seja mais fácil para a gente lidar com a sua perda nesse livro. Eu gostei bastante dele, porque sempre gosto quando o casal começa cedo a conviver como marido e mulher, em romance de época. Abre muito mais possibilidades. E o personagem Edward é bem interessante. Ele passa aquela ideia de libertino, que não liga para responsabilidades e só quer curtir, mas no decorrer do livro, vamos descobrindo um lado dele, que nem nós ou a Julia, imaginava.

Me incomodou um pouco a Julia não ter percebido de cara quem ele era, mas a autora soube trazer alguns pontos, associados ao luto e até ao pouco conhecimento de vida da mocinha, para esse lapso. E o leitor consegue comprar isso. Apesar de muitas vezes, o romance de época não conseguir ter tempo para aprofundar em algumas coisas, mas emotivas, a autora conseguiu dar tempo ao luto dos personagens, e soube exatamente quando mostrar mais de Albert (o irmão falecido).

A Lorraine é uma autora excepcional, e ela consegue criar um romance bem envolvente aqui, sem que fiquemos decepcionadas ou com raiva dos protagonistas. E ainda consegue trazer reviravoltas e um desfecho, que eu realmente não imaginava. Me lembrou um pouco, um outro livro da autora, que não foi lançado aqui no Brasil, em que uma coisa acontecia, e eu não conseguia achar solução, para o casal ficar junto. Resumindo, eu gostei desse livro, foi uma ótima continuação para "Codinome Lady V", e me deixou animada para ler o próximo, que é sobre Locke, e encerra a série por aqui.



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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Resenha: "The Play - Os desencontros de Demi e Hunter" (Elle Kennedy)

 


Tradução: Juliana Romeiro

Sinopse: O que eu aprendi depois de as distrações do ano passado terem custado ao meu time de hockey toda a temporada? Não ficar com mais ninguém. Como o novo capitão do time, eu precisei de uma nova filosofia: hockey e faculdade agora, mulheres depois. O que significa que eu, Hunter Davenport, estou oficialmente iniciando o celibato… não importa o quanto isso torne as coisas mais difíceis.

Mesmo assim, não há nada no livro de regras que me impeça de ser amigo das mulheres. E eu não vou mentir: minha nova amiga Demi Davis é uma garota legal. É inteligente e gostosa pra caramba, mas o fato de ela ter um namorado elimina a tentação de tocá-la. Exceto que, três meses depois de nos conhecermos, Demi está solteira e buscando carne fresca. E eu sou sua presa.
Evitá-la é impossível. Nós fomos colocados para trabalhar em dupla durante o ano todo num projeto da faculdade, mas estou confiante de que posso resistir a ela. Ficar com ela é uma péssima ideia, eu só preciso convencer o meu corpo ― e o meu coração.


Por Jayne Cordeiro: Eu sou suspeita para falar de qualquer livro da Elle Kennedy, pois sou apaixonada por tudo o que ela escreve. E não foi diferente com "The Play " que é o terceiro livro da série "Briar U". Essa história reúne as melhores qualidades da obras da autora, e acabei de ler tão rápido, pois não conseguia largar.

Vamos começar falando dos personagens principais. Eu simplesmente amei Hunter e Demi. Hunter já é um velho conhecido nosso, dos outros livros, que agora decidiu não chegar perto de mulher nenhum, devido aos problemas que arranjou no livro anterior. Já Demi, é uma jovem que namora o mesmo rapaz desde a adolescência, e o namoro parece estar desandando. Os dois protagonistas acabam se aproximando devido a um trabalho da faculdade, que adorei a idéia por sinal, e uma amizade flui muito rápido entre eles. Dava um verdadeiro gosto acompanhar a interação desses dois. Os diálogos eram divertidos, e havia uma química maravilhosa envolvida.

A forma como o relacionamento deles vai se desenvolvendo é muito gostosa de acompanhar, e eles são um dos meus casais favoritos da autora. A dinâmica com os outros personagens também é bem atraente, com diálogos e atitudes divertidas, e todo o apoio que a amizade pode dar. O leitor fica com muita vontade de conviver com esses personagens, e ainda temos a chance de ver um pouco dos protagonistas de livros anteriores.

O enredo é divertido e atraente, mesmo que não traga nada muito complexo. Gostei de a história ter como plano de fundo a psicologia, e a autora ter tentado passar uma mensagem por trás disso tudo. A escrita dela é maravilhosa, e tudo corre de forma tão bem feita e dinâmica, que acabei o livro muito rápido. O leitor quer saber o tempo todo, o que vem na cena seguinte, e nunca ficamos decepcionados. Com certeza, é o meu livro favorito da série, e recomendo com certeza, para quem gosta da autora ou se gosta do gênero New Adult.



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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Resenha: "Casa de Terra e Sangue" - Série Cidade da Lua Crescente Vol. 1 (Sarah J. Maas)

 

Tradução: Adriana Fidalgo

Sinopse: Bryce Quinlan tinha a vida perfeita - trabalhava duro o dia todo e festejava noite adentro -, até que um demônio assassina alguns de seus melhores amigos, deixando-a destruída e mudando sua vida para sempre. Sem entender como sobreviveu ao ataque da besta, a semifeérica tenta superar a perda, com o consolo de que o culpado por conjurar o demônio está atrás das grades. Mas quando os crimes recomeçam, dois anos depois e com as mesmas características, Bryce se vê no meio de uma investigação que pode ajudá-la a vingar a morte dos amigos.

Hunt Athalar é um notório anjo caído, agora escravizado pelos arcanjos que um dia tentou derrubar. Suas habilidades brutais e força incrível foram definidas para alcançar um único objetivo: assassinar – sem perguntas – os inimigos do seu chefe. Mas com um demônio causando estragos na cidade, ele ofereceu um acordo irresistível: ajudar Bryce a encontrar o assassino, e sua liberdade estará ao seu alcance.

Enquanto Bryce e Hunt se aprofundam nas entranhas da Cidade da Lua Crescente, eles descobrem um poder sombrio que ameaça tudo e todos que amam, e encontram um no outro uma paixão ardente – que teria o poder de libertar os dois, se eles apenas a aceitassem.

Com personagens inesquecíveis, romance ardente e um suspense eletrizante a cada virar de página, Casa de terra e sangue é o primeiro volume de Cidade da Lua Crescente, a nova série de fantasia da autora best-seller nº 1 do New York Times, Sarah J. Maas. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos em todo o mundo, Sarah é um fenômeno. Vencedora de três prêmios literários em anos consecutivos, a autora possui uma legião de fãs apaixonados. Agora, estreia brilhantemente no universo da ficção new adult.


Por Jayne Cordeiro: Sou fã de carteirinha da autora Sarah J. Mass, então não poderia deixar de ler essa obra, que foge um pouco dos outros livros dela, mas ainda sim, trás coisas em comum. Ela faz uma mistura interessante de fantasia e modernidade que eu nunca vi. Tem muitos livros que falam de vampiros, metamorfos e etc, dentro da nossa sociedade, normalmente como um publico que vive disfarçado, em um mundo a parte. Mas aqui temos tudo misturado, em um universo dividido por todos, e com os humanos como escória da civilização. Magia e celulares, anjos, demônios, duende e tecnologia, coexistindo de um jeito que eu nunca vi.

A autora conseguiu misturar várias mitologias, e seres de diferentes culturas em um mundo só. Vi muito da mitologia nórdica nesse livro, com referências a Midgard (Terra), ao típico funeral envolvendo barcos e menções a Vanir e Aesir. E foi bem interessante ver toda essa mistura acontecer. E tudo isso criou uma sociedade bem complexa, e com muita história para contar. O começo do livro é um pouco mais confuso, pois há muita informação jogada para o leitor. Muitos nomes, cargos, grupos, e isso pesa um pouco. Mas depois o leitor consegue encaixar toda essa informação, e o livro fica muito interessante e atraente.

Temos uma boa mistura de fantasia, romance, drama e suspense. O suspense é a base de tudo, pois há esse mistério sobre diversas mortes ocorrendo na cidade, e o desaparecimento de um artefato mágico. Uma pista vai levando a outra e eu não conseguia parar de ler. Os personagens são bem complexos, e as relações deles são tão verdadeiras. Me apeguei fácil a vários, e sofri muito com eles. Os personagens principais são a Bryce, uma jovem com fama de baladeira, mas é extremamente leal e empática, com um passado familiar ruim e que moldou a forma como ela se relaciona com as pessoas. E o Hunt, um anjo poderoso, mas que hoje é um escravo, e que precisa cumprir ordens que são muito dolorosas para ele.

A relação entre eles começa de uma forma e vai mudando, ganhando camadas, que são encantadoras de acompanhar. Adorei como o laço entre eles surge e a que ponto ele consegue se estender. Sem falar de toda a história que vai se formando a cada página, e apesar de o livro ser grande, a leitura é muito rápida. Muita coisa vai acontecendo, e a autora consegue criar cenas tão fortes, que me arrepiei em vários momentos. Na parte final, eu estava tensa e super curiosa para saber onde tudo aquilo iria dar. É um livro espetacular,  que mantem o padrão maravilhoso que essa mulher conseguiu atingir com "Corte de Espinhos e Rosas" e "Trono de Vidro".


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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Resenha: "Onze Leis a cumprir na hora de seduzir" (Sarah MacLean)

 

Tradução: Fabiana Colasanti

Sinopse: Juliana Fiori é uma jovem ousada e impulsiva, que fala o que pensa, não faz a menor questão de ter a aprovação dos outros e, se necessário, é capaz de desferir um soco com notável precisão. Sozinha após a morte do pai, ela precisa deixar a Itália para viver com seus meios-irmãos na Inglaterra.

Ao desembarcar no novo país, sua natureza escandalosa e sua beleza estonteante fazem dela o tema favorito das fofocas da aristocracia. Pelo bem de sua recém-descoberta família britânica, Juliana se esforça para domar seu temperamento e evitar qualquer deslize que comprometa o clã. Até conhecer Simon Pearson, o magnífico duque de Leighton.

O poderoso nobre não admite nenhum tipo de escândalo e defende o título e a reputação da família com unhas e dentes. Sua arrogância acaba despertando em Juliana uma irresistível vontade de desafiá-lo e ela decide provar a ele que qualquer um – até mesmo um duque aparentemente imperturbável – pode ser levado a desobedecer as regras sociais em nome da paixão.

Sarah MacLean combina o encanto da Inglaterra do século XIX com personagens fortes e inesquecíveis para construir Onze leis a cumprir na hora de seduzir, o delicioso romance que conclui a série Os Números do Amor.

Por Jayne Cordeiro: "Onze Leis a cumprir na hora de seduzir" é o último livro da trilogia "Números do Amor". Os outros dois já foram resenhados aqui no blog, e gostei muito deles. Desse aqui, eu gostei ainda mais. Isso porque ele trás um tema que sempre me atrai em romance de época: o duque que quer uma esposa cheia de pompa e nome, e acaba se apaixonando por alguém que foge de seus padrões e que não dá tanto valor ao fato de ele ser um duque.

Simon, o duque de Leighton, aparece um pouco nos outros livros, e é interessante vercomo ele vai mudando no decorrer desse livro. Conhecemos um pouco mais dele, e de porque ele era daquele jeito. Juliana já tinha mostrado para o que veio nas histórias anteriores, e gosto da mistura que ela trás, entre aquela pessoa que não aceita desaforo, com uma jovem insegura, que carrega nas costas os pecados de sua mãe. O livro é gostoso de ler, com cenas divertidas, emocionantes e muito romance e paixão.

Aconteceram algumas coisas que eu não esperava, e foi bom ver todos os personagens já conhecidos se reunirem. Juliana se coloca em várias situações divertidas, mas há um drama nela, e nos irmãos, quando se trata da mãe. Teve umas duas coisas nesse livro, que ficaram sem resultado, mas uma delas eu sei que deu origem a outro livro da Sarah, na série Clube dos Canalhas, que devo trazer a resenha mais para a frente, relacionado à Georgina, irmão do Simon. Na verdade, duas moças desse livro terão destaque nessa mesma série, então já fiquei bem curiosa para ler. De qualquer forma, eu gostei muito desse livro, mais do que o segundo, e foi um ótimo encerramento.


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Resenha: "Daisy Jones & The Six" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Sinopse: Todo mundo conhece Daisy Jones & The Six. Nos anos 1970, dominavam as paradas de sucesso, faziam shows para plateias lotadas e conquistavam milhões de fãs. Eram a voz de uma geração, e Daisy, a inspiração de toda garota descolada. Mas no dia 12 de julho de 1979, no último show da turnê Aurora, eles se separaram. E ninguém nunca soube o por quê. Até agora.

Essa é a história de uma menina de Los Angeles que sonhava em ser uma estrela do rock, de uma banda que também almejava seu lugar ao sol e de tudo o que aconteceu – o sexo, as drogas, os conflitos e os dramas – quando um produtor apostou (certo!) que juntos poderiam se tornar lendas da música.

Nesse romance inesquecível narrado a partir de entrevistas, Taylor Jenkins Reid reconstitui a trajetória de uma banda fictícia com a intensidade presente nos melhores backstages do rock'n'roll.

"É isso o que todo mundo quer da arte, não? Ver alguém expor os sentimentos que existem dentro de nós. Arrancar um pedaço do seu coração e mostrar para você."

Por Thaís Inocêncio: Por se tratar de "uma história de amor e música", como diz o subtítulo, eu já sabia que iria me apaixonar por esse livro – e estava certa! Escrito em formato de entrevista, a obra traz um registro completo de como surgiu a estrela Daisy Jones, como foi formada a banda The Six e como essas duas potências se juntaram, formando o fenômeno Daisy Jones & The Six. 

Os relatos inéditos são dados pelos próprios integrantes da banda e por pessoas próximas a eles, também envolvidas no meio musical na década de 1970. As entrevistas foram feitas anos após o fim da banda, portanto os personagens recorrem a flashbacks. Isso torna a narrativa ainda mais interessante, porque, em muitos casos, cada um deles se lembra da mesma situação de maneiras diferentes, a depender do modo como foram afetados por aquele momento. 

"Muitas vezes a verdade não está nem de um lado nem de outro, e sim escondida num meio-termo."

Quem está acostumado com uma narrativa linear, pode se atrapalhar um pouco até se ambientar na história e conhecer os personagens, que não nos são apresentados da maneira tradicional; vamos descobrindo quem eles são e o contexto em que vivem aos poucos. Gostei desse formato porque a autora nos coloca no papel de fãs ou, pelo menos, de pessoas que já conhecem os membros da banda, afinal, ela foi muito famosa, o que contribui para a verossimilhança da história. 

Por falar em verossimilhança, mais uma vez Taylor Jenkins Reid consegue construir personagens tão complexos – como as pessoas realmente são – que fica difícil de acreditar que Daisy Jones & The Six não existiu de verdade. Para completar, a autora criou, de fato, as letras das músicas compostas pela banda, as quais podem ser encontradas na íntegra ao final do livro. Cada vez que uma música aparece na história, a vontade de ouvi-la de verdade é quase incontrolável. Felizmente, há uma série vindo por aí e eu mal posso esperar para ver essa banda ganhando vida!

"We only look like young stars

Because you can't see old scars"

[Nós só parecemos astros jovens / 

Porque você não tem como ver as velhas cicatrizes]

Letra da música "Young stars"

Outro ponto de destaque é a representação das personagens femininas, que são à frente de seu tempo e dignas de admiração. Daisy é uma personagem cheia de camadas que chama a atenção pela determinação e ambição, pela maneira como impõe suas vontades e pelo controle do próprio corpo. Karen, a tecladista e minha personagem preferida nessa história toda, é independente e conhece bem o significado de sororidade. Camila, esposa do vocalista Billy Dunne, impressiona pela resiliência, perseverança e pelo modo como coloca os outros acima de si mesma (o que às vezes é uma virtude, às vezes uma fraqueza).

É importante dizer que, apesar de ter sido o que me chamou a atenção inicialmente, essa não é apenas "uma história de amor e música". O livro aborda, ainda, a dependência de álcool e drogas, o relacionamento abusivo e os diversos sentimentos que perpassam as relações humanas em geral, como inveja, egoísmo, paixão, insegurança, desejo, entre outros. O plot twist realmente me impressionou e acredito que esse seja um dom da autora (vide o que ela fez em Os sete maridos de Evelyn Hugo). 

"As coisas não precisam ser perfeitas para ser fortes."

A Stephanie também escreveu uma resenha de Daisy Jones & The Six para o Dear Book. Estamos aqui pra provar que essa leitura vale a pena!

Até a próxima, pessoal!


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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Resenha: "Conectadas" (Clara Alves)

Sinopse: Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais – pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.

Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir – muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

"Sabe quando as coisas vão virando uma bola de neve e você não tem chance de voltar atrás?"

Por Thaís Inocêncio: Tudo começa de maneira muito inocente, nada premeditada. Raíssa escolhe um avatar masculino simplesmente para fugir do machismo escancarado do mundo dos games. Um dia, porém, ela encontra Ayla perdida no jogo, pedindo ajuda e sendo ignorada, já que nenhum menino sabichão quer interromper suas jogadas para ajudar uma menina iniciante. Como Raíssa já passou por isso e conhece esse preconceito, ela se dispõe a ajudar, sem, no entanto, se despir da sua capa de personagem masculino. 

A partir desse primeiro contato no jogo, as duas estreitam relações na internet. É aí que as mentiras e confusões têm início e a sensação que temos é exatamente a da quote acima: como é que essa bola de neve vai ser desfeita? As artimanhas de Raíssa para não revelar seu verdadeiro "eu" à Ayla são tão bem construídas que ficamos com a impressão de que, a qualquer momento, ela será engolida pelas próprias mentiras e não conseguirá mais se safar. 

Essa maneira de amarrar a história de modo que as coisas não fiquem muito óbvias ou com pontas soltas foi uma das coisas de que mais gostei no livro. A autora consegue nos convencer tanto de que Ayla realmente nem desconfia que Raíssa é uma menina quanto de que Raíssa tem motivos reais para continuar se escondendo por trás de um avatar masculino. Isso faz com que a gente não julgue (muito) as atitudes de Raíssa, mas a compreenda. Afinal, revelar-se para Ayla é também revelar-se para o mundo, não só o dos games, e é preciso muita coragem pra fazer isso. 

"Eu não estava pronta para admitir ao mundo que gostava de meninas."

Essa história vai muito além de um romance clichê entre duas meninas gamers; ela fala de descobertas, inseguranças, autoconhecimento, amor próprio, amizades e questões familiares. Imagino que quem faz parte da comunidade LGBTQIA+ se identifique com muitos dos caminhos e obstáculos que os personagens percorrem e enfrentam nesse livro, e o melhor é que ele mostra que, no fim, tudo vale a pena. Amei toda a representatividade presente nessa obra e espero que isso seja cada vez mais comum na literatura e na vida. 

Desejo que essa leitura aquela o coração de vocês como fez com o meu. Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Resenha: "Codinome Lady V" (Lorraine Heath)

 

Tradução: A. C. Reis

Sinopse: Cansada de rejeitar pretendentes interessados apenas em seu dote escandalosamente vultoso, Minerva Dodger decide que é melhor ser uma solteirona do que se tornar a esposa de alguém que só quer seu dinheiro. No entanto, ela não está disposta a morrer sem conhecer os prazeres de uma noite de núpcias e, assim, decide ir ao Clube Nightingale, um misterioso lugar que permite que as mulheres tenham um amante sem manchar sua reputação.Protegida por uma máscara e pelo codinome Lady V, Minerva mal consegue acreditar que despertou o desejo de um dos mais cobiçados cavalheiros da sociedade londrina, o Duque de Ashebury. E acredita menos ainda quando ele começa a cortejá-la fora do clube. Por mais que ele seja tudo o que ela sempre sonhou, Minerva não pode correr o risco de ele descobrir sua identidade, e não vai tolerar outro caçador de fortunas.Depois de uma noite de amor com Lady V, Ashe não consegue tirar da cabeça aquela mulher de máscara branca, belas pernas e língua afiada. Mesmo sem saber quem ela é, o duque nunca tinha ficado tão fascinado por nenhuma outra mulher antes.Mas agora, à beira da falência, ele precisa arranjar muito dinheiro, e rápido. Sua única saída é se casar com alguma jovem que tenha um belo dote, e sua aposta mais certeira é a Srta. Dodger, a megera solteirona que tem fama de espantar todos os seus pretendentes.


Por Jayne Cordeiro: "Codinome Lady V" é o primeiro livro da série "Os Sedutores de Havisham". Eu sou suspeita para falar dos livros da lorraine, porque adoro tudo o que rka escreve, e foi interessante, ler esse livro, após ter lido as duas séries que antecedem essa, e que infelizmente não foram lançadas aqui no Brasil. Mas é sempre prazeroso tornar a ver um pouquinho daqueles personagens que acompanhamos a evolução. Mas vamos focar nesse aqui. Eu gostei bastante desse livro. E fiquei satisfeita em ver que ele não seguiu pelo caminho que achei que seguiria. Pensei que o mistério quanto a identidade de Minerva se estenderia por muito tempo e seria foco de várias situações. Mas as coisas acabaram seguindo outros rumos, que para mim, foi bem mais legal.

Adorei os protagonistas. A química entre eles era perceptível, seja nas cenas sensuais ou nos diálogos. As interações era instigantes e me fizeram devorar esse livro em pouco tempo. Ashe é decidido e confiante, como todo libertino (e duque) deveria ser, mas ele também tinha momentos tão doces e profundos. Já Minerva, não era aquela mocinha que buscava um marido, com dinheiro próprio e com uma personalidade única. O que também acabava afastando os pretendentes, que só se interessavam por seu dote. E tudo isso acabou causando uma grande insegurança pessoal.

Como acontece com todos os livros da autora que já li, ela consegue introduzir um tema bem interessante. Mesmo que não seja o foco do livro, já parece para mim, uma marca registrada dela. Os personagens secundários são interessantes, o que já me deixou ansiosa pelo próximo livro, e garantiu momentos bem divertidos. No geral, foi um livro muito gostoso de ler, que prende o leitor e que carrega todas as características da autora. Quem gosta de romances de época, precisa ler os livros dessa mulher. E esse livro consegue manter o alto patamar dela, e nos conquistar.



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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Resenha: "Pessoas normais" (Sally Rooney)

Tradução de Débora Landsberg.

Por Thaís Inocêncio: Marianne e Connell frequentam o mesmo espaço, mas não pertencem ao mesmo mundo.  Apesar de serem colegas de classe de um colégio em Sligo, cidade da Irlanda, eles parecem viver em universos diferentes e paradoxais: ela é rica, mas excluída; ele pertence a uma classe social mais baixa, mas é popular. Há, porém, um fio que os conecta: a mãe de Connell trabalha como faxineira na mansão da família de Marianne.

Em uma das idas à mansão para buscar a mãe, Connell adentra o mundo de Marianne. Entre conversas e olhares, surge um desejo mútuo de ficar junto. Entretanto, como Marianne é vista como esquisita pelos alunos, Connell propõe que eles mantenham o relacionamento em segredo. Temos aí o primeiro conflito dessa história, causado muito mais por uma questão de poder social do que econômico.

“Quando conversa com Marianne, ele tem uma sensação de completa privacidade. Poderia contar qualquer coisa a seu respeito, até as coisas estranhas, e ela jamais as repetiria, ele sabe. Estar sozinho com ela é como abrir uma porta para fora da vida normal e fechá-la depois de passar.”

A partir de então, acompanhamos a vida e a dinâmica dos dois ao longo de quatro anos – do fim do ensino médio ao período da graduação. À primeira vista, esse parece o roteiro de um romance clichê que se passa entre jovens que estão entrando na vida adulta, mas essa é uma história muito mais densa do que se imagina, sobretudo pelos assuntos tratados. Entre outros temas, o livro aborda conflitos familiares, abuso psicológico, suicídio, depressão e diversos níveis de insegurança.

Com uma trama repleta de encontros e desencontros, o livro me fez lembrar bastante de Um dia, do autor David Nicholls, mas acredito que a linguagem usada por Sally Rooney atrapalhou um pouco a minha imersão na história.

Assim como Nicholls, Sally adota a narrativa em terceira pessoa para que seja capaz de nos dar uma visão ampla e, talvez, imparcial dos personagens. No entanto, sua escrita foge do convencional e a autora insere diálogos sem nenhuma diferenciação, como travessões ou aspas, e às vezes os coloca no meio dos parágrafos, o que pode causar confusão ao menor sinal de distração do leitor. Por isso, é importante estar concentrado na leitura para não se perder em relação ao momento do diálogo e a quem está falando.

“Passado um tempo ele a ouve dizer algo que não entende. Não escutei direito, ele diz. Não sei o que há de errado comigo, diz Marianne. Não sei por que não consigo ser que nem as pessoas normais.”

No entanto, ainda assim, achei incrível a construção dos personagens, que nos são apresentados de maneira tão crua. É como se a autora os revirasse do avesso e nos mostrasse tudo o que eles têm escondido lá dentro – e que, muitas vezes, escondemos também. Por isso, é fácil nos identificarmos com diversos sentimentos e situações apresentados no livro. Sally Rooney criou uma história simples, sem muitas reviravoltas, sobre “pessoas normais” e, ao mesmo tempo, extremamente complexas.

“A vida é a coisa que você traz consigo dentro da própria cabeça.”

E, se a escrita da autora prejudicou um pouco o meu envolvimento com a história, a adaptação lançada pela BBC (disponível no Brasil pelo streaming Starzplay) fez exatamente o contrário: me colocou de cabeça e coração na trama. A série, dividida em 12 episódios, é bem fiel ao livro, mas consegue ser superior, principalmente por causa da atuação dos protagonistas, interpretados de modo brilhante por Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal. A intimidade e a química do casal nos faz ter certeza de que, ainda que a vida tenda a levá-los por caminhos separados, eles estão destinados a ficar juntos, pois só na companhia um do outro é que conseguem ser eles mesmos.

Paul Mescal e Daisy
Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones como Connell e Marianne na série Normal People.

Até a próxima, pessoal!

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Resenha: "Dez formas de fazer um coração se derreter" (Sarah MacLean)

 

Tradução: Fabiana Colasanti

Sinopse: Isabel Townsend não é exatamente o que se espera da filha de um conde. Apesar de ter a pele delicada e de saber se portar como uma dama quando necessário, a jovem também monta a cavalo, conserta telhados, administra a propriedade e cria o irmão caçula desde que a mãe faleceu – tudo isso sem despertar a menor suspeita de que não há um homem sequer para cuidar de sua família.

Para o pai dela, que só queria se divertir e gastar dinheiro em jogatinas, pouco importava o que ela fizesse. Porém, quando ele morre, Isabel se vê sem recursos e precisa defender os direitos do irmão, ameaçados pela chegada iminente de um tutor. Assim, não lhe resta saída senão vender sua coleção de estátuas de mármore, o único bem que herdou.

Para sorte sua, um especialista em antiguidades acaba de chegar ao condado. Inteligente e sensual, lorde Nicholas St. John é um solteiro convicto que deixou Londres para se livrar das jovens que passaram a persegui-lo desde que foi eleito um dos melhores partidos da cidade.

Em poucos dias, fica claro para Nick que Isabel é a mulher mais obstinada e misteriosa – além da mais interessante – que já cruzou seu caminho. Ao mesmo tempo, ao conhecê-lo melhor, a independente Isabel percebe que há homens em que vale a pena confiar. Enquanto eles põem de lado suas antigas convicções, seus corações se abrem para dar uma chance ao amor.


Por Jayne Cordeiro: "Dez formas de fazer um coração se derreter" é o segundo livro da trilogia "Os Números do Amor". O livro é focado em Nicholas St. John, irmão gêmeo do protagonista do primeiro livro. Eu tinha expectativas boas para esse livro, porque gostei muito do primeiro, e Nicholas já tinha se mostrado um personagem bem encantador. A sinopse também parecia com a ideia de uma mocinha fora dos padrões, e um local de abrigo para mulheres que precisavam fugir de situações difíceis.

Eu gostei desse livro, apesar de considerar o primeiro melhor. Na verdade, esse livro teve apenas um fator que me incomodou, que foi a mocinha Isabel. Eu entendo a situação dela, e os motivos pelo qual ela atua de determinada maneira, mas eu achei ela muito na defensiva. Teimando em recusar ajuda, quando ela era mais que necessária. Isso me deixava um pouco exasperada, mas não posso dizer que ela não era uma personagem forte e com um coração enorme. Nicholas continuou com um alto conceito pra mim, sendo um personagem esperto e muito solidário.

Apesar desse problema com a Isabel, achei que o casal funcionou muito bem. Ele era mais relaxado, em oposição a tensão dela. E esse cabo de guerra entre eles, serviu bem a dinâmica dos dois. Adorei os personagens secundários, principalmente as companheiras de Isabel. E elas trouxeram leveza e diversão a história. E ainda podemos rever um pouco dos personagens do primeiro, e já deixou um gancho bem interessante para o terceiro livro, que estou bem ansiosa para ler. No geral, esse foi um ótimo livro, que me prendeu e deixou aquele gostinho de satisfação. Agora é ver o que virá no encerramento da trilogia.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Resenha: "Terror a Bordo" (Stephen King e Bev Vincent)

 

Tradução: Regiane Winarski 

Sinopse: Stephen King odeia voar.E agora, junto com seu coeditor Bev Vincent, ele está pronto para compartilhar esse medo com você.Bem-vindos a Terror a bordo, uma antologia sobre tudo que pode dar terrivelmente errado quando se está a 20 mil pés de altura, cortando os céus a 800 km/h, preso em uma caixa de metal com centenas de desconhecidos.

Aqui você vai encontrar todas as maneiras como sua agradável viagem pelos ares pode se transformar em um pesadelo, incluindo algumas formas que você nunca imaginou… mas que vai imaginar da próxima vez em que estiver atravessando a ponte de embarque e entregando sua vida nas mãos de um estranho.
Incluindo histórias inéditas de Joe Hill e Stephen King, além de catorze contos clássicos e um poema de mestres como Richard Matheson, Ray Bradbury, Roald Dahl, Dan Simmons e muitos outros, Terror a bordo é, nas palavras de Stephen King, "perfeito para ler em aviões, principalmente durante aterrisagens turbulentas".


Por Jayne Cordeiro: Sou daquelas que tem vontade ler qualquer coisa que traga o nome de Stephen King. E aqui temos um livro que trás seu nome bem grande na capa, mas que não foi totalmente escrito por ele. "Terror a bordo" é uma antologia focada em um tema bem interessante. Quem nunca se preocupou com que poderia acontecer durante um voo? E aqui, tudo isso é aumentado ao dar uma conotação sobrenatural a todas essas possibilidades. Não vou falar sobre cada conto, mas sim no que o conjunto em si conseguiu passar.

Quem lê as minhas resenhas, sabe que não sou muito fã de antologias. Por mais que eu acabe gostando dos contos, terminar um livro deles, é uma tarefa mais difícil. Eu não consigo ter aquele animo para continuar lendo (o que explica nunca ter terminado Black Mirror), mas para quem gosta desse tipo de livro, não vejo motivos para não gostar desse aqui. O mais interessante sobre ele, é que os contos são dos anos mais variados, e o telespectador é situado com uma introdução que ocorre no começo de conto. E essa introdução já é interessante por si própria.

Individualmente, eu gostei de quase todos o contos. Eles não são longos, e você acaba vendo diversas escritas diferentes, com temáticas diferentes, e isso mantem a atração da coisa. Alguns me deixaram bem tensa, e outros me fizeram pensar "que estranho" e ficar com aquilo remoendo na mente. Todas as escritas me convenceram, e se mostraram bem coesos ao tema principal. Muitos contos até pareciam algo que o Stephen King teria escrito. E não foi a toa, que foram escolhidos por ele, para fazer parte dessa coletânea. Para quem gosta do gênero suspense/terror, e ainda gosta de contos, esse é um livro que vai entreter totalmente o leitor.


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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Resenha: "Amor(es) verdadeiro(s)" (Taylor Jenkins Reid)

Tradução de Alexandre Boide.

Por Thaís InocêncioNa adolescência, Emma Blair tinha um crush no líder da equipe de natação do colégio, mas achava que nada iria acontecer entre eles, afinal, ele era popular e ela era... normal (bem coisa de filme estadunidense, sabe?).

Um dia, em meio a uma confusão numa festa, eles iniciam uma conversa e descobrem que têm muito em comum. Ambos não querem atender às expectativas dos pais e desejam fugir de toda a pressão que eles fazem: Emma não quer trabalhar na livraria da família; Jesse não quer ser nadador profissional. E assim eles começam a namorar.

Emma e Jesse, então, deixam sua cidade natal, em Massachusetts, e vão para a faculdade em Los Angeles. Eles se casam e têm uma vida muito feliz – até que uma tragédia acontece. Na véspera do aniversário de casamento deles, Jesse sofre um acidente de avião e é dado como morto.

Emma, é claro, passa por um longo processo de luto. Ela volta para a casa dos pais, para ter o apoio deles e da irmã, mas o sofrimento parece não ter fim. Aos pouquinhos, porém, ela vai se reerguendo. É nesse momento que ela reencontra Sam, um antigo colega, que trabalhava na livraria da família Blair. Eles se aproximam e iniciam um relacionamento. Emma, enfim, acredita ser capaz de se abrir novamente para o amor e, mais de três anos após a morte de Jesse, ela fica noiva de Sam. Então, chega a notícia bombástica: Jesse está vivo! É aí que Emma se vê dividida entre seus Amor(es) verdadeiro(s).

Narrado pela protagonista Emma, o livro consegue chamar a nossa atenção desde, literalmente, a primeira frase. Dá uma espiadinha:: 

"Eu estava terminando de jantar com a minha família e com o meu noivo quando meu marido de repente me liga."

Ou seja, já no prólogo, recebemos a informação de que Jesse está vivo. A história, portanto, começa na atualidade e, nos capítulos seguintes, recorre a flashbacks. Primeiro, somos levados à adolescência de Emma, que nos conta como conheceu e se apaixonou por Jesse. Depois, acompanhamos o seu intenso processo de luto. Por fim, vemos como ela consegue retomar a vida e se apaixonar novamente.

"Eu havia encontrado um homem que me entendia e me aceitava completamente, que tinha força suficiente para não se incomodar com o espaço no meu coração que guardei para o meu antigo amor." 

Essa estrutura é muito interessante porque permite que a gente conheça a personalidade dos personagens masculinos e saiba como nasceram e se consolidaram esses dois relacionamentos. Além disso, esse recurso de flashback nos permite entender o momento que Emma vivia quando se apaixonou por cada um. Isso é essencial para que os leitores se sintam tão divididos quanto ela, o que torna a experiência de leitura bastante imersiva. 

Além de romance, o livro tem bastante drama (acho que dá pra notar, né?). Alguns leitores podem achar certos momentos do livro cansativos ou repetitivos, como os que a Emma enfrenta o luto ou fica em dúvida sobre qual dos dois é o amor da sua vida, mas isso não ocorreu comigo. Eu entendi todas as dificuldades e os questionamentos da protagonista e me envolvi completamente com a história. Diria até que sofri quase tanto quanto ela.

Para mim, esse livro é 5 estrelas! Além de envolvente e emocionante, a história nos deixa belas lições sobre amor, amadurecimento e transformação. Será que daqui a cinco anos você será a mesma pessoa que é hoje? Isso é bom ou ruim? E, afinal, existe apenas um amor verdadeiro? Essas são algumas reflexões que poderão te acompanhar durante a leitura. 

"Não acho que um amor verdadeiro precise ser o único. Acho que amor verdadeiro significa amar de coração." 

Se você se interessou por esse livro, saiba que ele é só mais uma das obras perfeitas dessa autora. Por aqui, também somos fãs de Os sete maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six, todos escritos por Taylor Jenkins Reid. Confira nossas resenhas e até a próxima!

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Resenha: "Voto de Sangue" - Legado da Irmandade da Adaga Negra (J. R. Ward)

 

Tradução: Cristina Calderini Tognelli

Sinopse: No volume 2 do spin-off da IAN, a Irmandade da Adaga Negra continua a treinar os melhores recrutas para a batalha mortal contra a Sociedade Redutora.

Entre os trainees do programa, Axe se revela um lutador perigoso e esperto – e também solitário, isolado por causa de uma tragédia pessoal. E, quando uma fêmea aristocrata precisa de um guarda-costas, Axe aceita o trabalho, embora esteja despreparado para a atração violenta que se acende entre ele e aquela a quem jura proteger.

Elise perdeu a prima num assassinato terrível, e o charme perigoso de Axe, o guarda-costas contratado por seu pai, é incrivelmente sedutor – e talvez funcione como distração do luto. No entanto, conforme investigam mais a morte da prima, e a atração física entre ambos se intensifica, Axe teme que os segredos dele e sua consciência torturada acabem afastando-os.

Enquanto isso, Rhage, o Irmão com mais sensibilidade, sabe tudo sobre autopunição, e quer ajudar Axe a atingir todo o seu potencial. Contudo, uma visita inesperada ameaça sua família, e ele se vê mais uma vez nas trincheiras lutando contra um destino que poderá destruir o que lhe é mais valioso.

Tanto as tribulações enfrentadas por Axe como as de Rhage vão exigir que os machos superem seus limites – e rezem para que o amor, em vez da raiva, seja as lanternas de ambos na escuridão.


Por Jayne Cordeiro: Esse não livro não é recente, mas só agora tive a chance de ler ele, então trouxe a resenha aqui para vocês. "Voto de Sangue" é o segundo livro da série "O Legado da Irmandade da Adaga Negra", um spin-off na série principal, que já conta com quase vinte livros. Eu recomendo que você tenha lido a série toda antes de chegar aqui, e tenha atenção para a ordem de lançamento, para seguir a ordem correta de leitura. Isso porque além de trazer o casal principal, sendo um dos pares, um jovem vampiro em treinamento para fazer parte da Irmandade, ele trás como história secundário algum casal, já estabelecido na história. Então ler a série principal e ignorar essa, ou ao contrário, pode fazer você perder alguns fatos importantes.

Eu gostei bastante do casal principal. Axe tem um complexo de vira lata, sempre menosprezando os membros da Glymera (aristocracia), e ainda tendo de lidar com a falta de dinheiro, e seus problemas com  o abandono da mãe e tristeza do pai. Elise vem de uma família rica e tradicional, mas ela não quer viver nesse mundo glamoroso. Além de sofrer com a recente morte da prima. Os dois parecem muito diferentes no primeiro olhar, mas a atração entre eles é imediata e difícil de resistir. Foi bem interessante a forma como o relacionamento deles se desenvolveu, e adoro a dinâmica da relação entre machos e fêmeas, dentro desse universo da autora.

A história trás um conjunto envolvente de ação, com momento descontraídos e romance quente e atraente. Somando a isso também os personagens secundários, já dando um gostinho do próximo livro, e com um enredo bem dramático sobre Rhage, Mary e Bitty, que conhecemos em um livro anterior. Mary e Rhage são um dos meus casais favoritos, junto com Butch e Marissa, então não houve uma parte desse livro que não me atraiu. Me emocionei muito vendo Rhage e Mary virando uma família com a Bitty, e os medos que todos os envolvido passam durante um processo de adoção. Este livro é um ótimo acréscimo a série, e não pode deixar de ser lido por quem é fã desse universo maravilho que é IAN.



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Ana Liberato