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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Resenha: “As Crônicas de Dopple Ganger – O Grande Diamante Magnata – Vol. 3” (G.P. Taylor)

Por Kleris: G.P. Taylor já começa nos intrigando com uma trama bem mais repleta de suspense. Ao que tudo indica, Muzz Elliot está sendo ameaçada. Mas ela não quer assustar ninguém... como se Saskia, Sadie e Erik não pudessem descobrir. Lembram deles? Já leram os primeiros livros? Para quem não conhece, pode rever as resenhas aqui: livro 1 – A primeira fuga e livro 2 – O segredo da lua índigo. Após uma boa temporada de calmaria, uma carta e uma ligação estranhíiiiiissima abalam a rotina desses três bisbilhoteiros de plantão.

Mais uma vez o autor me passou a perna – de um BOM jeito – pois abri este terceiro volume esperando adivinhar de novo que passos ele iria seguir e fui surpreendida. Hoje é tão complicado reservar tantas expectativas em um livro que eu tentei não ir com tanta voracidade. Tentei mesmo ler devagar, sabendo, afinal, que era o último disponível (foi lançado este ano). Para nos instigar mais, esse volume se alonga um pouquinho mais nas páginas e apresenta uma trama muito mais intensa que as anteriores. Se em O Segredo da Lua Índigo fui conquistada de vez, aqui eu fiquei mais impressionada.


Quando Muzz Elliot sai em busca de respostas e leva as meninas para uma viagem repentina, logo Erik e Dorcas Potts, ao perceber o perigo que elas correm, vão atrás. Eis que de repente Muzz Elliot se vê ambientada em perfeitos cenários e enredos por ela descritos em seus livros de suspense e novas figuras surgem em seu caminho, confundindo a todos. Do outro lado, Erik e Dorcas Potts também sofrem sérios ataques, são perseguidos e capturados. Temos muitas reviravoltas pra manter nossa atenção ali, presa. 


— Você se surpreenderia com o que eu faço, Saskia Dopple – Max Taranis disse.

— O que você ESTÁ fazendo aqui? – perguntou Sadie.

— Estou de férias, por engano.

— Como nós – disse Muzz Elliot já com a respiração refeita.

— Eu guardaria isso para você mesma, Muzz Elliot – Max Taranis respondeu. — Há certas coisas que são melhores se não forem ditas.

— Um criminoso diria isso – Sadie murmurou, brincando com um fio solto na parte inferior de sua blusa.

Senti que neste volume o autor se arriscou bem mais, tanto na parte gráfica, quanto no enredo e desenvolvimento de suas personagens. Enquanto que antes Saskia, Sadie e Erik se metiam em confusão ou suas traquinagens os levavam a investigações coincidentes, agora eles se tornam alvos de vilões maiores. Muzz Elliot também merece destaque, ela não é mais aquela escritora reclusa e tem lá suas artimanhas. Por um tempo achei que ela era um tanto fútil (por colocar perigos de lado pra, sei lá, ir almoçar calmamente), mas percebi que na verdade era sua forma de lidar com o peso sobre seus anseios e medos. 

— Por que aqui? Por que agora? – Dorcas Potts se perguntou em voz alta.

— Este é o melhor hotel da França – Muzz Elliot respondeu.

— Há algo mais que isso.

— Muito mais – Muzz Elliot disse.


Também temos um grande foco em Erik, com grandes revelações sobre seu passado e desafios que pesam em seus ombros. O modo como o autor nos apresenta esse lado da história é bem bacana, ainda mais por ele se utilizar de pistas que nos levam outra vez para os mistérios de madame Raphael e do Companheiro. Os propósitos da série, nesse sentido, ficam bem claros. 


— Erik, chegou a hora. Você sabe o que fazer. – disse Saskia.  — Não acho que seja certo, Saskia. – disse Erik.

— Não tem outro jeito! – sussurrou Saskia. — Não se quisermos salvar Sadie e Dorcas Potts. Não vou perder minha irmã!

— Não quero ser um ladrão como meu pai.

Além do ritmo alucinante de leitura já conhecido pelos livros passados, nesse último G.P. Taylor foi verdadeiramente engenhoso! Esquemas, bandidagem, máfia, viagens, metaficção... Conhecer esse trabalho foi uma grata surpresa (adooooro gratas surpresas). Já tinha visto uns comentários sobre outra série, chamada Shadowmancer, que, conforme relatos, era de desenvolvimento fraco. Bom, nessa série posso afirmar que o autor deu a volta por cima. Vale, no entanto, lembrar que os livros dessa série, As Crônicas de Dopple Ganger, são voltados para jovens e pequenos leitores, ou mesmo aqueles leitores que ainda não se engataram bem na leitura (olha o dia das crianças aí, gentes #ficaadica). Mesmo não sendo eu esse público alvo, curti muito.

Melhor, re-co-men-do.

Ainda não sei bem quantos livros formam essa série, visto que há muito pouca informação sobre eles. Pelo desenvolvimento até aqui, chuto que serão 6 livros. Estou tão ansiosa que é capaz de eu relê-los de pronto haha. Como cada um sempre termina com um aviso ou grande promessa de uma nova aventura, e, digamos que madame Raphael sabe ser bem enigmática quando quer, se eu fosse só dizer uma coisa sobre esses próximos livros, seria isso: QUERO.

E vocês aí? Já conhecem algo, ouviram falar, leram algum livro da série?


Para mais ilustrações e animações, trouxe este trailer com um compilado da série (está em inglês, mas é bem compreensível): 


Até a próxima!



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Resenha: “As Crônicas de Dopple Ganger – O Segredo da Lua Índigo – Vol. 2” (G.P. Taylor)

Por Kleris: O que Saskia, Sadie e Erik vão aprontar dessa vez? Para relembrar desses personagens, revejam minha resenha do primeiro livro, A Primeira Fuga, aqui. 

Neste segundo volume da série As Crônicas de Dopple Ganger, essas três figurinhas estão juntas novamente na Escola Isambard Dunstan para Crianças Rebeldes, já que Muzz Elliot, mãe adotiva das irmãs Dopple, está se dedicando a um novo livro. As meninas então se esforçam para manter seu legado no orfanato, só que se veem mais uma vez enroladas em uma tramoia de adulto: há ladrões se enfurnando na casa e, vejam só, passagens secretas! As gêmeas são separadas no meio desse desastre e vilões “conhecidos” (vai ter que ler pra entender haha) surgem nessa jornada.

Como foi mencionado no primeiro livro, é preciso tomar cuidado com a Lua Índigo. Mas o que isso quer dizer? Quando peguei esse segundo pra ler, imaginei coisas totalmente diferentes, tentando adivinhar a nova trama e, olha, G.P. Taylor me passou uma bela de uma rasteira. Me surpreendeu como ele desenvolveu a história e até arriscou-se mais. Nada muito novo para quem já tem uma boa gama de livros lidos, mas, ainda assim, dá uma boa pegada. Dizem que é geralmente no livro 2 de uma série que a gente tem uma melhor visão da história e é verdade. Após quebrar o gelo com A Primeira Fuga, o autor se lança nesse segundo enredo, dá uma equilibrada e me deixou bem ansiosa nas revelações. Muito bom mesmo. Vale aqui a mesma nota da resenha passada: recomendo ter o próximo ao lado para quando o livro findar. Aproveitem que já temos os três lançados pra mandar brasa haha


Ainda não sei qual personagem tenho maior apego. Gosto de como Erik sempre tenta ver o lado bom e vem com umas piadinhas #fail, às vezes do nada, às vezes no calor do momento; e como Sadie e Saskia se conectam, acreditando que vão dar um jeito, mesmo com uma arma sendo apontada para elas. As traquinagens, afinal, as prepararam bem para esse caráter espevitado e espirituoso. Novamente, a esperteza dos personagens, suas percepções e entendimentos, são o que pegam os vilões no pulo.

Ah, vá, acho que fico a Saskia hahaha

— Ás vezes, para encontrar sabedoria você tem que olhar além de salas trancadas – madame Raphael disse lentamente. – Uma vez conheci um homem que procurava ideias sobre como o mundo funciona e só as encontrou enquanto dormia sob uma macieira.
— Ele encontrou as ideias em um sonho? – Saskia perguntou.
— Não – respondeu madame Raphael com um sorriso nos lábios. – Uma maçã caiu e bateu na cabeça dele.
— Sadie e Erik não acreditam que você é real. Eles dizem que eu imaginei tudo. 

Os mistérios que rondam madame Raphael voltam novamente em pequenas passagens rápidas. Enigmática e carismática, ela aparece em momentos-chave e confirmam nossas teorias sobre o chamado Companheiro. Já Dorcas Potts, a jornalista, revela-se uma mulher altiva como uma grata surpresa. A trama é, dessa maneira, muito bem construída e as abordagens para nos prender e trabalhar determinados assuntos são excelentes. G.P. Taylor me conquistou de vez.  



Entre conspirações, suspense, sacadas e reviravoltas, há de novo introduções de ensinamentos, fé, esperança e mais uns bons ganchos para os próximos volumes. As inserções gráficas (com trechos em história em quadrinhos, intensas imagens e jogos de letras) ainda são um super acerto para a série. Se não fossem por elas, não teríamos o mesmo apego. Na entrada desse volume, inclusive, há relatos de pais e professores que conseguiram a atenção dos filhos e alunos por causa dessa proposta ilustrada.



As Crônicas de Dopple Ganger com certeza me fizeram lembrar de um tempo que achei ter perdido por ter começado a ler “tarde demais”. Então imagino o que não deve ser para os pequenos (e novos) leitores que mergulham nessa história – e nesse ponto sim, posso ver porque correlacionam com Nárnia ou HP. É deveras pretensioso e arriscado declarar isso, masssssss, ok, validando pela história, pelo alto pico de ação, e pegar um público leitor desprevenido, pode sim envolver de maneira surpreendente. 

Volto com o booktrailer, porque vale a pena :)


Já vou pegar o terceiro aqui e já sinto saudades enooooormes porque sei que as páginas vão acabar num sopro só, estou vendo. Super recomendo!


Até a próxima!


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resenha: “As Crônicas de Dopple Ganger – A Primeira Fuga – Vol. 1” (G.P. Taylor)

Por Kleris: Conheci a série As Crônicas de Dopple Ganger um pouco por acaso de uma parceria com a Geográfica Editora e o que me chamou atenção foi a ideia de uma “aventura ilustrada”, em que o livro mescla partes de puro texto com quadrinhos. Esse formato mais dinâmico é um elemento-chave da série e por isso ganhou fácil o coração de muitas crianças.

Na Escola Isambard Dunstan para Crianças Rebeldes, as jovens gêmeas Saskia e Sadie Doppler reinam em traquinagens. Quase todo dia é uma zona. Apesar de ser um orfanato só para meninas, faz um tempinho que adotaram Erik Ganger, quem passou a trabalhar para viver e estudar lá. Logo nas primeiras páginas a gente se depara com mais um dia a dia de jogos teatrais das gêmeas, mas a diretora Rimmer tem, dessa vez, outros planos. Surgiu uma mulher que quer adotar. Rimmer vê a oportunidade de acabar com a dor de cabeça que são as gêmeas... Só que Muzz Elliot, uma escritora, só quer uma menina. Ela insiste em levar Saskia, separando-a de sua irmã. Saskia acaba tendo de ir.


Sadie não aceita bem essa ideia. Pra completar, Charlotte quer ser aproveitar da saída de Saskia e tomar o poder da escola. Erik então propõe um desafio final pra determinar quem mandaria lá, e esse desafio se tratava de aprontar com a diretora. Adivinha quem se dá mal? Sadie acaba presa na torre e com risco de ser levada pela polícia – afinal, incendiou a mesa da professora. Torna-se assim essencial fugir e reencontrar Saskia. Esta, por outro lado, também arruma uma boa dose de confusões na casa de Muzz Elliot e vira alvo de criminosos que rondam a escritora.


A primeira fuga é a entrada de uma série de livros e já temos três publicados. Há muita traquinagem, perigos e ganchos para serem explorados por toda a série. São muitas as reviravoltas que mantêm a história em alto pico, mal nos deixando respirar. E por isso mesmo é de uma leitura super rápida, coisa de uma sentada. Recomendo ter o próximo logo ao lado, porque o leitor vai querer devorar de pronto ao fim deste.

Bem infantojuvenil e bem humorado, as travessuras e mistérios me lembraram aqueles livros que encontramos em bibliotecas de escola – algo que eu teria gostado de ler na minha época rs Fica um ar de Matilda, Chiquititas, Esqueceram de Mim, Convenção das Bruxas e Desventuras em Série... Isso porque a trama foca na esperteza das crianças e como elas podem escapar de situações malucas a partir do conhecimento de mundo. 
De seu quarto na torre Saskia vigiava, imaginando quem usaria um caminho através das árvores em vez da estrada. Por um momento pensou que poderia ser Sadie vindo encontrá-la. Então, lembrou-se repentinamente da visão e lembrou-se que sua irmã estava trancada longe do mundo. [...] Agora ela conseguia ver a forma da figura que levava o lampião. Perguntou-se por que alguém que estava preparado para vir até a casa pelas árvores estaria tão preocupado com a escuridão a ponto de carregar um foco de luz. O que ela sabia de ladrões era que eles amavam a noite.

Apesar dos pontos comuns, é indicado para aqueles leitores mais tímidos e que ainda não pegaram bem o jeito da leitura; leitores mais formados talvez não se prendam tanto, mas também leriam num sopro. E isso se dá por um equilíbrio gráfico que é show, que ajuda o leitor a se situar e brinca com as palavras e as entonações das falas, dramatizando junto às cenas em quadrinhos.




A capa traz em suas "sombras" algumas ilustrações bem bacanas extraídas das páginas, como acima mostrado e a edição por completa é bem trabalhada. Já na contracapa há menções e comparações a literaturas como de Nárnia e Harry Potter. Nesse ponto achei bem pretensioso, pois, apesar do sucesso lá fora d’As Crônicas de Dopple Ganger, a série não chega à proporção que representaram/representam C.S. Lewis ou J.K. Rowling, nem prenuncia alguma grande profundidade. Seria talvez para gerações que antecedam o público desses fenômenos... pra quem procura livros pra aquele primo pequeno, irmã, sobrinhos, pela faixa de 7-14 anos. Mas oferece diversão e é uma ótima entrada para mistérios e investigações. Aproveitem que estamos próximos do dia das crianças haha

Recomendo.

Mais sobre a série, vocês podem conhecer neste booktrailer:


Até a próxima!



 
Ana Liberato