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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Resenha: "Helena de Troia" (Francesca Petrizzo)

Tradução por Marcos Marcionilo

Por Eliel: Essas são as memórias da mulher mais desejada do mundo. Em outros livros suas histórias foram narradas por terceiros, mas dessa vez a própria Helena nos conta cada pormenor de sua vida. Francesca desnuda a lendária protagonista e a torna mais real, mostrando a mulher forte que ela é.
Helena é meu nome, mas posso ouvi-los chamando-me de adúltera nas minhas costas. Nasci em Esparta, mas fui embora para Troia, por amor. Eles costumavam dizer que eu era a mulher mais bonita do mundo e viviam julgando o quão pouco ganhei e o quando perdi depois que fugi, mas eles não estavam lá depois de tudo o que passei. Eu estava.
Como será que deve ter se sentido ao ser oferecida em casamento à Menelau para garantir a paz e a sobrevivência de seu povo? Como deve se sentir uma mulher obrigada a buscar nos braços de outros o que lhe fora negado? Tristeza e tragédia já acompanham desde muito cedo.
Com passos hesitantes, alcancei o espelho. E odiei o que vi. Uma puta. O sono tinha desfeito a maquiagem em volta dos olhos, meu rosto era agora uma máscara borrada por diversão. A boca, uma careta sanguínea, descontente. Velha. O rosto de minha mãe, após uma noite passada com um de seus soldados.
Temos as narrativas desde a infância em Esparta, os anos ao lado de Menelau, a fuga com Páris e todas as consequências de todos os seus atos. Uma mulher poderosa movida à paixão e amor que causou uma das guerras mais famosas de todos os tempos.
- Vinda do mar... - quase um sussurro. E depois de novo aquela voz atormentada. - Vinda para trazer a ruína a Troia!
Francesca assumiu o risco de escrever sobre um tema amplamente abordado, e o fez com extrema maestria. Ela fez de algo conhecido algo novo. Você nunca mais verá Helena com os mesmos olhos.
O amor dos mortais é pouca coisa, e, no entanto, aquece, mesmo de longe.

 
Ana Liberato