Mostrando postagens com marcador Mundo de Tinta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mundo de Tinta. Mostrar todas as postagens
domingo, 23 de fevereiro de 2014

Resenha: "Morte de Tinta" (Cornelia Funke)

Por Sheila: Olá pessoas! Como estão? Hoje trago a vocês a resenha do último livro da trilogia Mundo de Tinta, de Cornelia Funke. O primeiro e o segundo livro da trilogia já foram resenhados pelo blog aqui e aqui. Como vou fazer um "resumão" e começar no ponto onde o segundo livro acabou, quem não leu ainda, e não gosta de estragar a surpresa pode parar de ler por aqui ...

Aos que continuaram, avante! Confesso que gostei muito mais do fim do primeiro livro do que do segundo. Afinal, o primeiro livro realmente ACABA. O segundo foi escrito, a sequência da estória ficou muito boa, mas se a autora quisesse ter parado no primeiro, poderia sem problemas.

Agora, ao fim do segundo livro, as coisas terminam tão INACABADAS, que escrever um terceiro para fechar a trama é uma obrigatoriedade. Mas, enfim, para quem não lembra, muitas coisas aconteceram: Meggie, que não consegue parar de pensar no mundo encantado de "Coração de Tinta", se lê junto com Farid para dentro do livro, onde já esta Fenoglio, seu criador - e que foi parar na estória ao fim do primeiro livro.

Dedo Empoeirado, que nunca conseguiu se adaptar ao mundo de Mo, finalmente encontra um leitor - Orfeu - que o lê de volta para sua estória. Nesse meio tempo, a Gralha, mãe do vilão do primeiro livro, encontra Mo e Resa e também os lê para dentro do livro - pensando nele encontrar seu filho vivo. Mas o mesmo não acontece, e o reino encontra-se uma bagunça, com a estória "se contando", o que irrita Fenoglio a ponto de tentar, junto com Meggie, recontá-la.

Mas as coisas não acontecem como Fenoglio previra: ao fim do livro, temos um reino dizimado pela guerra; um vilão cruel e, agora, imortal, que os persegue sem descanso; Mo transformado em um herói de canções e fora da lei com a cabeça a prêmio; Dedo Empoeirado morto; e Fenoglio arrasado com a quantidade de sangue (por isso "Sangue de Tinta") que suas bem intencionadas palavras acabaram por derramar sobre o povo inocente.

No início do terceiro livro, vemos o romance entre Meggie e Farid se desenrolar, assim como uma inversão entre os papéis de Mo e Resa: se no segundo livro causa-lhe dissabor ver a forma como sua mulher e filha sentem-se fascinadas por este mundo (as vezes nada encantador, apesar de seus seres fantásticos e paisagens exuberantes) agora é Mo quem não que ir embora, e Resa quem apela para que retornem.

Afinal, a insegurança de não se ter onde dormir, o que comer, e ser constantemente caçados por um tirano cruel e imortal, faz com que a estadia neste reino -  mesmo que encantado - não se torne mais tão prestigiada assim. Até por que Mo as vezes fica estranho; já não é mais só ele. Dentro de si carrega Gaio, o herói fora-da-lei que, se protege os fracos, também se expõe a riscos, o que não passa despercebido a sua mulher.
Mo olhava para suas mãos como se fossem de outra pessoa. Quantas vezes Meggie vira como elas cortavam papel, encadernavam páginas, esticavam couro - ou colocavam um esparadrapo sobre uma ferida em seu joelho. Mas ela sabia bem demais do que Mo estava falando. Ela já o observara o suficiente, quando ele treinava com Baptista ou com o Homem Forte atrás dos estábulos - com a espada que ele carregava consigo desde o Castelo da Noite. A espado do Raposa Vermelha. Ele a fazia dançar, como se suas mãos estivessem tão acostumadas a ela como ao cortador de papel ou uma dobradeira.
Gaio.
Enquanto isso, Orfeu, que também foi lido para dentro do livro, cada vez mais perde-se em criações bizarras e modificações a seu bel-prazer no mundo criado por Fenoglio, sem que este faça nada para impedir; afinal, Fenoglio já não escreve mais, talvez por medo do lugar onde as palavras o fizeram chegar há bem pouco tempo ...
Com um gemido, ele se esticou sobre o seu saco de palha e fixou o olhar no ninho de fadas vazio. Haveria uma existência mais triste do que a de um escritor  cujas palavras se extinguiram?  Haveria destino pior do que ser obrigado a ver como outro torce nossas próprias palavras e decora o mundo que criamos com esparadrapos coloridos de mau gosto? Nada mais de quartos em castelos ... apenas o quarto no sótão de Minerva. E era um milagre que ela o tivesse aceitado mais uma vez - depois de suas palavras e canções terem cuidado para que ela não tivesse mais marido nem um pai para seus filhos.
Já Dedo Empoeirado, este continua perdido para as Damas Brancas, sendo pranteado por todos mas, principalmente, por Farid, que acaba virando servo de Orfeu com a promessa de que este escreva as palavras que o tragam novamente à vida, muitas vezes  decepcionando Meggie que se sente em segundo plano em sua vida.
Havia dias que esperava por Farid. Ele prometera voltar. Porém, no pátio estavam apenas seus pais e o Homem Forte, que lhe lançou um sorriso quando a viu na janela (...)
- Quanto tempo faz que Farid foi embora? Cinco dias, seis?
- Doze - Meggie respondeu com a voz chorosa e escondeu o rosto em seu ombro ...
A maior parte da leitura do livro é tensa, principalmente por que, depois do segundo livro - onde Dedo Empoeirado morre, assim como Cosme, o Belo - e tudo dá errado no final, é de se esperar que qualquer coisa aconteça. Afinal, nem sempre o final feliz acontece sem perdas, o que Cornelia parece deixar claro desde seu primeiro livro.

Por mais que o livro seja o relato de um mundo encantado, a maldade, a mesquinhez, o egoísmo são humanos demais para que não nos toquem de maneira profunda, sendo responsáveis por uma espécie de mal estar e desassossego durante a leitura das mais de mil páginas da trilogia. Agora, se eu gostei dos livros? Não, gostar seria pouco: eu AMEI cada frase, cada descrição belíssima, cada nuance, cada cor, cada cheiro criado pelas palavras divinamente utilizadas pela autora.

Nem preciso dizer que eu recomendo, não é? Abraços

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Resenha: "Sombras vivas" (Cornelia Funke)

Por Sheila: Oi pessoas! Como estão? Hoje a resenha será do segundo livro de uma trilogia, intitulada Reckless – O sobrenome do personagem principal. O primeiro livro da série, “A maldição da pedra” já foi resenhada pelo blog aqui. A autora, Cornelia Funke, também escreveu uma das minhas trilogias preferidas, “Mundo de Tinta”, já resenhada aqui pelo blog e que já virou até filme – bom pelo menos o primeiro livro sim.

Como esta é uma continuação, alguns spoilers são inevitáveis, então se você não leu o primeiro livro e não gosta de estragar a surpresa, pare de ler por aqui, por que vou contar "tudinho" ... bom, mas para quem já leu e não lembra muito bem, vamos recapitular.

Jacob e Will Reckeless são dois irmãos órfãos de pai. Jacob, o mais velho dos dois, não se conforma com a perda, e um dia, dentro do escritório do pai, tentando encontrar algo que explique seu desaparecimento, se depara com um espelho que nada mais é que a passagem para um mundo encantado, onde existe magia, mas também em que todos os vilões são reais – e nem sempre o final é feliz.

Vivendo entre os dois mundos, num como caçador de tesouros mágicos, no outro com transações com antiguidades de outro mundo, Jacob se descuida e seu irmão Will acaba seguindo-o até o mundo do espelho, e sendo atacado por um Goyl, ser feito de pedra que o infecta com a maldição da pedra – que intitula o primeiro livro.

Após muito percorrer o mundo do espelho atrás de uma cura para o irmão, que tem a pele e a personalidade progressivamente substituídas, Jacob resolve recorrer a uma fada para ajudá-lo. Acompanhado por Clara, namorada do irmão, e Fux, uma menina que vira raposa, Jacob resolve ir atrás de um antigo amor abandonado. No entanto, as fadas deste mundo estão longe de ser os seres de bondade que vemos nos desenhos animados. E em meio a briga de duas fadas e um coração partido, Jacob consegue libertar o irmão, mas terá que pagar um preço muito alto por isso: sua própria vida. 

Neste segundo livro, encontramos Jacob no limiar de suas esperanças, já tendo percorrido todo este e o outro mundo atrás de algo que o cure desta maldição que progressivamente lhe tira a vida. Mas a busca se mostra muito mais difícil do que imaginara a princípio e Fux, que já não é mais a menininha que conheceu, está ficando cansada de esperar.

Ele ainda não tinha voltado.
Não vou demorar. Fux enxugou a chuva do rosto. Com Jacob, aquilo podia significar muitas coisas. Às vezes, ele demorava semanas. Às vezes, meses. 
Ao se despedir, ele a abraçara forte, como se quisesse levar o calor dela consigo para o mundo onde nascera. Alguma coisa o atemorizava, mas é claro que ele não admitia (...)
Talvez por causa disso ela quase fora com ele. Ela chegara a seguir Jacob até a torre, mas diante do espelho perdera a coragem. O vidro lhe pareceu uma pedra de gelo escura, que congelaria seu coração.
Fux virou de costas para a torre.
Jacob voltaria.
Ele sempre voltava.

Mas nem tudo esta perdido para Jacob que, no momento em que está perdendo as esperanças, vai ao encontro do anão Valiant. Ambicioso e inescrupuloso, este lhe fala de uma recente descoberta feita pelos anões em suas minas subterrâneas. Parece que a tumba de Gusmmund, o matador de bruxas, foi acidentalmente encontrada, o que desperta imediatamente o interesse de Jacob.

- O que tem nessa cripta? – Fux olhou para Jacob com ar interrogativo.
Valiant secou o bigode molhado de vinho com o guardanapo.
- A balestra mais mortífera que já foi construída. – sua língua ficava mais enrolada a cada palavra. Fux teve que se esforçar para entender as palavras balbuciadas. – Uma flecha no peito do general e todo exército vira uma montanha de cadáveres.

Mas há outro efeito que poucos conhecem, atrás do qual Jacob se lançará numa aventura cheia de suspenses e reviravoltas atrás da balestra mágica: a cura para a maldição que carrega no peito, em forma de mariposa, que o está matando lentamente. Agora, Jacob e Fux terão que correr contra o curto tempo que ainda lhe resta para desvendar o enigma deixado por Gusmmund, e descobrir se as lendas de fato são verdadeiras.

O segundo livro da série segue o mesmo ritmo do primeiro, com capítulos curtos e um desenrolar rápido. Quem estava acostumado com a primeira trilogia de Cornelia, “Mundo de Tinta” talvez possa se decepcionar um pouco, já que o enredo é bem menos elaborado, e a estória mais curta.

Mesmo assim, a narrativa é envolvente, não consegui desgrudar do livro até o desfecho – e fiquei muito curiosa em saber como esta grande aventura irá terminar, e muuuuuuiiiiito ansiosa esperando pelo próximo livro da série que, eu espero, responda a todas as indagações e estórias deixadas em aberto nestes dois primeiros livros. Recomendo!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Resenha: "Sangue de tinta" (Cornelia Funke)

Por Sheila: Oi pessoas! Mais uma trilogia! (já vou adiantando que já recebi o último livro e estou na metade, e que a resenha do próximo siará logo, logo). Escrita por Cornelia Funke, a trilogia "Mundo de Tinta" já teve seu primeiro livro, "Coração de tinta" resenhado aqui no blog e adaptado às telonas, apresentando em seu elenco Brendam Fraser e Helen Mirren.

Bom, como eu sempre digo no início de resenhas de trilogias, sagas, sequencias - mesmo correndo o risco de soar repetitiva - é que, se você não gosta de saber o final do livro antes de lê-lo,não leia o restante da resenha. Afinal, costumo começar a resenha do livro subsequente de onde o anterior terminou (e ok, confesso, copiei esse parágrafo de outra resenha, mas se é para ser repetitiva, que seja com um mínimo de esforço!).

Na verdade, o fim de "Coração de tinta" foi uma grande surpresa para mim. por que, geralmente, as trilogias possuem um núcleo, representando por alguns personagens, que partem em direção de algo, seja externo ou interno; sempre existe algum mistério, segredo, que vai aos poucos sendo desvendado. Geralmente esta busca fica mal resolvida nos primeiros livros e encerra-se no último, onde todas as respostas são dadas. Coração de tinta não foi assim. Ele teve começo, meio e fim. Lógico que "Sangue de Tinta" é sua continuação, mas são os mesmos personagens numa nova aventura, o que adorei!

Bom, mas para quem não leu o primeiro livro algumas atualizações: Mo é um encadernador de livros que possui um inusitado dom, ele consegue fazer com que os personagens saiam de dentro dos livros e ganhem vida, apenas ao lê-los. Meggie é sua filha, agora uma pré-adolescente, e no primeiro livro eles se vêem as voltas com um terrível vilão lido por Mo do livro "Coração de Tinta" - que também nomeia o primeiro livro da trilogia.

Esse vilão é Capricórnio, que aprisiona Mo no primeiro livro para que leia fortunas para fora das páginas, e é morto no fim pelas palavras escritas pelo seu autor, um velho chamado Fenoglio, que no fim acaba desaparecendo, provavelmente tragado para dentro das páginas do livro. Esta é outra característica peculiar da estória: sempre que alguém/algo sai das folhas do livro, algo/alguém desaparece na troca. Foi o que aconteceu com a mãe de Meggie, que no fim do livro é descoberta na cidade de Capricórnio.

Há alguns personagens que retornam neste livro: Dedo empoeirado, que só pensa em voltar para casa; Mortola, criada de Capricórnio que na verdade é sua mãe; Basta, o fiel braço direito de Capricórnio; Elinor, tia da mãe de Meggie, na casa de quem todos vão morar ao fim do primeiro livro; Farid, um aprendiz de ladrão saído de um dos livros lido por Mo e que vira a "sombra" de Dedo Empoeirado; e Darius, um leitor assim como Mo, mas tão atrapalhado que consegue ler as pessoas para fora dos livros sempre com pequenos "defeitos" (a mãe de Meggie volta sem voz).

Em "Sangue de Tinta" seremos apresentado a um novo leitor, Orfeu, um apaixonado pela trama de "Coração de Tinta" e por seus personagens e que, apesar de sua extrema falta de modéstia, conseguirá realizar o impensado: escreverá e lerá as palavras certas, que mandarão finalmente Dedo Empoeirado de volta para casa, para seu mundo de tinta.
Por um instante, Dedo Empoeirado teve a sensação de que nunca estivera ausente, como se tudo tivesse sido um sonho ruim, e as lembranças dese sonho apenas um gosto insosso na língua, uma sombra no coração, nada mais ... De repente tudo estava ali outra vez, os sons tão familiares e nunca esquecidos, os cheiros, os troncos das árvores, sarapintados pela manhã, as sombras das folhas em seu rosto ... Ele quase esquecera quão grande podia ser uma árvore, quão grosso e alto seu tronco, a copa tão ampla que todo um exército de cavaleiros poderia se abrigar ali.
Mas nem tudo são flores. Por simples capricho, Orfeu não enviará junto Farid que fica desconsolado por ser deixado para trás, e que ainda acaba se deparando com Basta, que está de alguma forma aliado a Orfeu e também quer ser mandado de volta. Farid precisa desesperadamente avisar à Dedo Empoeirado que Basta também vai voltar, e só pode fazer isso de uma forma: entrando no livro. Assim, vai em busca de Mo para que este o ajude. Acontece que é Meggie, que descobre ter o mesmo dom do pai, quem o lê para dentro de "Coração de tinta", com uma condição: que ela possa ir junto.
Meggie ficou ainda um bom tempo entre os livros de Elinor, folheando ora um, ora outro, em busca de frases que encobrissem seus próprios pensamentos (...)
Não posso fazer isso, ela pesou, enquanto o vento soprava as folhas das árvores e as carregava consigo como um brinquedo colorido. "Não, não vai dar cderto! Vão morrer de preocupação e Mo nunca mais falará uma palavra comigo, nunca mais."
Sim, Meggie pensou em tudo isso, pensou muitas vezes. E ao mesmo tempo sabia, bem no fundo, em seu íntimo, que sua decisão já estava tomada.
Os pais de Meggie nem tem muito tempo para desesperarem-se pelo que aconteceu, pois Mortola os encontra com o novo leitor, e se faz ler junto com eles para Coração de tinta, onde acredita que seu filho ainda vive, e onde planeja ter sua vingança.

As incríveis aventuras que eles viverão neste mundo mágico, o que encontrarão por lá - o tempo passou? eles voltaram exatamente para o mesmo lugar de onde tinham saído? Lá Capricórnio ainda vive? Eles conseguirão se ler para fora da obra novamente? - isso vocês só descobrirão lendo o livro, não vou dar nenhum "palhinha".

Mas com certeza, se comparado ao primeiro, este segundo volume tem muito mais ação, aventura e surpresas, momentos de tirar o fôlego, tristezas, reviravoltas. No entanto, assim como o primeiro, este livro tem vilões cruéis e nem tudo da certo sempre. Recomendo - e muito! - e logo que terminar o terceiro estarei postando a resenha por aqui. Forte abraço a todos e todas.

domingo, 28 de abril de 2013

Resenha: "Coração de Tinta" (Cornelia Funke)


Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês hoje uma trilogia (mais uma na verdade) intitulada "Mundo de Tinta". Neste primeiro livro, "Coração de tinta" seremos apresentados a Mo, um restaurador de livros, e sua filha Meggie, uma pré adolescente devoradora de livros, tão apaixonada por eles quanto o é seu pai. A mãe de Meggie é mencionada apenas para sabermos que ela foi, um dia, embora ( e esse é um dos mistérios do livro).

Tudo começa em uma noite chuvosa, em que Meggie estava encontrando certa dificuldade para dormir. 
Chovia naquela noite, uma chuvinha fina e murmurante. Ainda depois de muitos anos, bastava Meggie fechar os olhos e ela podia ouvi-la novamente, como se minúsculos dedinhos estivessem batendo em sua janela. Um cão lati em algum lugar na escuridão e, por mais que se virasse de um lado para outro, Meggie não conseguia dormir. (...)
Meggie adorava ler à luz de velas. Ela havia posto três pequenas lanternas e três castiçais no batente da janela. E estava justamente encostando o palito de fósforo aceso num dos pavios já queimados quando ouviu os passos lá fora. 
Os passos revelam-se pertencer a alguém ainda mais furtivo que o barulho produzido pelo seu caminhar; seu ar, ainda mai misterioso que seu aparecimento na calada da noite. Acordando o pai para receber o estranho, Meggie descobre que este é Dedo Empoeirado, e se diz ser um velho amigo de Mo. Acompanhando-o está uma marta, um bichinho pequeno parecido com uma Doninha (maiores informações com nosso amigo google, a wikipédia também possui informações e até uma foto do bichinho), com um traço um tanto quanto peculiar: ela possui chifres.

Junto com Dedo Empoeirado surgem diversas outras novidades: uma tentativa (frustrada) de fuga por parte de Mo para a casa de uma tia de Meggie, Elinor; e as mentiras, muitas delas, que Meggie consegue ler no rosto de pai (a quem chama sempre apenas Mo, apesar de ele ser Mortimer para Elinor), contadas desde o aparecimento abrupto de Dedo Empoeirado, o dono da Marta esquisita. Além disso, surge um nome, que acompanhará Meggie pelo restante da narrativa, Capricórnio, que nas palavras de Dedo Empoeirado, parece um tanto quanto assustador.
- Como é que vou explicar quem ele é? Se você tivesse que ver um gato devorando um passarinho,  provavelmente choraria não é? ou tentaria ajudá-lo. Capricórnio daria o pássaro para o gato comer, apenas para vê-lo destrinchar o pobre bichinho com os dentes, ele se deliciaria em vê-lo estrebuchar, como se bebesse o mais puro mel.
Meggie deu mais um passo para trás , mas Dedo Empoeirado aproximou-se novamente.
- Suponho que você não tenha prazer em amedrontar alguém até deixá-lo com os joelhos bambos, não é mesmo? - ele perguntou. - Pois não há nada que faça capricórnio se divertir mais. Suponho também que você não ache que pode simplesmente pegar para si tudo aquilo que quer, não importa como, nem de onde. Pois Capricórnio acha. E, infelizmente, o seu pai possui uma coisa que ele quer a qualquer custo.
Agora, Meggie e seu pai tentarão proteger de Capricórnio um bem considerado preciosíssimo para as pessoas envolvidas na trama, o que nem sempre Meggie conseguirá entender muito bem. Terão de enfrentar grandes perigos e situações muito difíceis para conseguir sobreviver aos homens de Capricórnio - sim, este é um livro em que pessoas de fato morrem, não só levam sustos dos vilões.

A estória é escrita com maestria, consegui me envolver a ponto de sofrer junto com os personagens. A única coisa que considerei INADMISSÍVEL  foi a sinopse transcrita atrás do livro que estraga todo o mistério da trama. Passam-se quase duzentas páginas até que o segredo de Mortimer seja revelado, e o livro chega a ficar chato devido a demora para que isto, enfim aconteça. Se eu já não soubesse de antemão, talvez a primeira metade do livro tivesse sido mais interessante.

Mas, ok, a segunda parte do livro compensa - e muito! - a lenga lenga para se chegar no mistério (que eu DE FORMA ALGUMA vou contar qual é, somente quem realmente quiser saber pode ler na parte de trás do livro) que ronda o comportamento itinerante de Mo e o sumiço da mãe de Meggie.

Além disso, recentemente este primeiro livro foi adaptado para as telonas. Mo é interpretado por Brandan Fraser, e Meggie por Eliza Bennett, inclusive foi lançada uma nova edição do livro com a capa do filme. Lançado em  2008, teve uma boa aceitação pela crítica, mas como ainda não pude assisti-lo, deixo aos que viram comentar aqui. Mas o livro é realmente muito bom, e fiquei muito ansiosa pelos proximos dois, não esperava pelo desfecho apresentado. Recomendo!


 
Ana Liberato