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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resenha: “A culpa é das estrelas” (John Green)

Por Juny: Hoje resenho mais um “sick lit” (info aqui), um livro emocionante que faz jus a fama e a legião de fãs que tem pelo mundo.

Não consigo descrever, vou apelar para a sinopse do Skoob:
Sinopse: “A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.”
Hazel é uma protagonista incrível, irônica e realista. Gus gosta de metáforas, é apaixonante e tem uma personalidade bem peculiar, ele transforma a vida de Hazel, é emocionante o amor deles em meios as adversidades.
“(Mas nós dois sabemos que o.k. é uma expressão bastante “paquerativa”. Ela está CARREGADA de sensualidade)”
John Green narra com muita sensibilidade a história, sem cair na “pena”, Hazel e Gus não são tratados como vitimas e sim como protagonistas de suas histórias, que mesmo com as grandes adversidades da doença não desistem de viver e ir atrás de seus sonhos, e porque não, amar.
“Enquanto ele lia, me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra.”
Nem só de amor e câncer vive a trama, a viagem para a Holanda e a busca pelo autor do livro favorito de Hazel, Peter Van Houter; além de historias secundarias como a de Isaac dão folego extra a narrativa.

O livro vai virar filme, o que deixa muitos fãs apreensivos, afinal será que eles vão conseguir transmitir a história tão bem quanto John Green a escreveu? O cartaz nacional com o subtítulo “doentes de amor”, já causou polêmica, todo mundo odiou.
“Alguns infinitos são maiores que outros”
Uma leitura, muitas vezes difícil, com algumas pausas necessárias para reflexão. John Green me conquistou! Recomendo!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Resenha: "As vantagens de ser invisível" (Stephen Chobsky)

Por Gabi: Oi pessoal! Hoje venho falar de um livro incrível. Acho que todos já, pelo menos, ouviram falar dele. Olhem bem para a capa e reconheçam um dos filmes mais falados dos últimos meses, com indicações para vários prêmios. Não vou entrar no mérito da adaptação cinematográfica, logicamente, mas fiz questão de citá-la aqui pois a mesma fez um "casamento" perfeito com o livro. (Fica aí uma dica de filme para a Kel) =D Clique aqui para assistir ao Trailer Oficial. 

Uma amiga já havia me indicado o livro há uns anos, mas, na época, só tínhamos o eBook em inglês (The perks of being a wallflower) e como nunca gostei de ler pelo notebook, acabei deixando-o em stand by. Não sabia, porém, o que estava perdendo. 

Charlie, nosso protagonista, é um adolescente tímido, introvertido e muito inteligente. Ele é, aparentemente, como qualquer nerd que não consegue "participar", ou seja, interagir com jovens de sua idade. O garoto é parte de uma típica família norte-americana: seus pais, irmão mais velho que é ótimo no futebol americano e inclusive conseguiu uma bolsa na universidade através do esporte e uma irmã que está prestes a se formar no Ensino Médio, seus problemas com namorados e 'vida-pré-faculdade'. 

Aí você chega até essa parte da resenha e pensa: "que grande clichê". E é aí que se engana completamente. A história se passa no começo da década de 90 e é toda contada através de cartas redigitas por Charlie, sem identificação de lugar e destinatário, sendo "Querido amigo" o único vocativo.

Charlie começou o primeiro ano do Ensino Médio com o pé esquerdo. Seu melhor amigo Michael cometeu suicídio no ano anterior e sua querida tia Helen morreu em um acidente de carro quando ia comprar seu presente de aniversário, o que fez com que o garoto se sentisse culpado pelo acidente, levando-o a uma 'pane psicológica'. 
Apesar de tudo que minha mãe, meu pai e o médico disseram sobre a culpa, não consigo parar de pensar no que sei. [...] Eu sei que minha tia Helen estaria viva se eu tivesse nascido em uma época que não nevasse. Eu faria qualquer coisa para que fosse dessa forma. Sinto demais a falta dela. Tenho que parar de escrever agora, porque estou triste demais.
Mas quando se está no fim do poço, as coisas só tendem a melhorar, e é isso que acontece com Charlie. Num jogo de futebol americano ele conhece Sam e Patrick, um casal de meio irmãos , que apesar de enfrentarem problemas de um passado nada glorioso, como é o caso dela e de questões existenciais, no caso do irmão, levam a vida de uma maneira extrovertida e deliciosamente louca. 

Não demora muito para que Charlie seja incluído no grupo de amigos desses irmãos e, assim, começasse a viver experiências completamente novas. Começa, então, um mergulho de cabeça na adolescência, no mundo das descobertas pessoais, das relações (e desilusões) amorosas, da autoaceitação e da luta contra nossos monstros interiores  de uma maneira original, intrigante e completamente encantadora. 
Acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui.
Não poderia deixar de destacar aqui o professor Bill, por sua importância ao dar grandes livros a Charlie, que mexeram profundamente com o garoto, como "Pé na estrada", "O apanhador no campo de centeio" e "O Grande Gatsby" e por se tornar um grande amigo. As referências culturais merecem destaque na obra. Além dos livros, ainda há muita música e do mais alto bom gosto. Grandes momentos sempre tem trilhas sonoras sensacionais, com U2, Beatles, Nirvana, David Bowie ou The Smiths. 
Bill assumiu uma expressão séria depois que contei a ele, e disse uma coisa para mim que não acho que vou esquecer nem neste semestre nem nunca.
- Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece.
Através das cartas de Charlie acompanhamos cada descoberta e dificuldade do garoto, bem como suas alegrias e momentos únicos. Seu toque de ironia e suas observações peculiares são ótimas. Ele é um bom amigo, sensível e compreensivo, que vê muito, mas não revela tudo. "Ser invisível", entretanto, traz-lhe alguns empecilhos, como uma falta de impulsividade e ação em algumas situações. Pensar demais. Aquele "será que...?" que te trava completamente. 

Demorei um pouco para escrever a resenha, porque acho bem mais difícil falar daquilo que me encantou. É preciso tato para encontrar as palavras certas. Queria enfatizar que vocês estão diante de uma leitura obrigatória! Com uma narrativa diferente, através das cartas, um enredo encantador e uma abordagem original de um tema tão "batido" e a exposição delicada e, ao mesmo tempo, profunda da personalidade e dos conflitos dos personagens trouxeram uma veracidade instigante e cativante ao livro. 
Sam disse a Patrick para encontrar alguma coisa no rádio. E ele só encontrava comerciais. E comerciais. E por fim ele encontrou esta canção realmente maravilhosa sobre um cara, e nós ouvimos em silêncio.
Sam batucava as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou eu disse uma coisa:
"Eu me sinto infinito."
"As vantagens de ser invisível" é o tipo de obra que você não dá nada por ela, no começo, mas que te encanta. Quando assiste ao filme, então, sentimos um turbilhão de emoções! A cena em que Sam diz "encontrei a música túnel, vamos dirigir", ao som de Heroes ou quando Charlie distribui os presentes de formatura, são imperdíveis. Lindas!! Enfim, indico esse livro a qualquer pessoa. Embarquem na leitura sem medo. Você termina a última carta e sente um vazio. Reflete sobre a importância dos verdadeiros amigos nas nossas vidas, daqueles simples momentos que tornam-se inesquecíveis e como aquelas músicas nos marcam e que, sempre -sempre- há uma luz no fim do túnel!! 


Espero que tenham gostado da indicação de hoje. Já leram o livro ou assistiram ao filme? Não deixem de comentar suas críticas e opiniões.

Beijos beijos e boa leitura!!


domingo, 21 de abril de 2013

Resenha: "Extraordinário" (R.J.Palacio)

Por Gabi: Oi pessoal. Hoje vamos falar de um livro que vem conquistando fans por onde passa. "Extraordinário" pertence aos chamados sick-lits, livros voltados para adolescentes mas trazendo personagens envoltos em doenças graves, depressão, anorexia, tentativas de suicídio e outros problemas realistas que antes não eram abordados.

Vamos, então, conhecer a história. August é uma criança de 10 anos que nasceu com uma deformidade facial devido à uma rara síndrome genética. Sua infância foi bem difícil, por um lado, já que ele passou por 27 cirurgias e sempre era submetidos a tratamentos e internações. Mas, por outro lado, ele sempre teve o amor incondicional da família e amiguinhos. 

O garoto nunca deixou de estudar, sua mãe lhe dava aulas em casa, mas aquilo não seria o suficiente para o resto da vida dele. Foi então que seus pais tiveram a ideia de colocá-lo na escola, pela primeira vez. Como estaria começando o quinto ano, seria uma boa oportunidade, já que todos seriam novatos e estariam se conhecendo. 

August fica, a princípio, inseguro, mas conquista confiança para esse novo desafio. Essa fase escolar não é fácil para nenhuma criança e para August, então, que enfrenta várias lutas diárias, é mais difícil ainda. No começo, seus colegas se assustam com o rosto do garoto, não querem se sentar perto dele na sala, nem no refeitório, na hora do almoço, e tampouco conversar. Crianças são criaturas extremamente sinceras e não conseguem esconder o choque com o rosto dele e vemos que muitos adultos, ao longo da história, também não. 
SEUS FEITOS SÃO SEUS MONUMENTOS
As coisas que fazemos sobrevivem a nós. Elas importam mais que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. São como monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis. Só que em vez de pedra, são feitas das lembranças que as pessoas têm de você.
O garoto é, entretanto, uma criança ativa, muito inteligente e tem um senso de humor incrível. E esses fatores são mais que suficientes para que ele conquiste verdadeiras amizades na escola, como as de Summer e Jack, por exemplo. A irmã Via e sua amiga Miranda também são importantes alicerces  (e amigas) para August. 

Sob uma narrativa em primeira pessoa, construída por diferentes pessoas ao longo do livro, em pequenos capítulos, somos introduzidos à trajetória de August fora da proteção constante dos pais, na escola, com seus dilemas, desafios, tristezas, muitas conquistas e alegrias. 
Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo. - Auggie
O livro é um deleite. Muito bem escrito e apesar de tratar de um tema pesado, como uma fatalidade genética, não é uma leitura massante, muito pelo contrário, eu o devorei em dois dias. A autora teve uma sacada ótima de transcorrer a história por diversos pontos de vista, o que nos permitiu entender cada personagem e ver através de seus olhos. Os personagens são muito bem construídos. (Queria tanto ter um professor como Sr Browne!)
Foto do fofíssimo kit cedido pela Intrínseca.
Atrás há um poster com a capa do livro e atrás
de Star Wars (faz muito sentido na história).
Marcador, um encartezinho com CD com
booktrailer. O redondo vermelho é um espelho por
trás e a cartela cinza é de imãs, daqueles
de geladeira. =)
 
É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante.
Me senti muito triste em algumas passagens. Na parte da cadelinha da família, vocês vão ter vontade de entrar no livro e confortar todos. (não posso falar muito para não soltar spoiler). É uma história emocionante e muito linda. Não me fez debulhar em lágrimas e nem acho que esse tenha sido o intuito da autora, mas, por outro lado, me levou a refletir muito a respeito da vida, de como reclamamos tanto, de coisas tão frívolas, de como damos tanta importância às aparências e não valorizamos tanto quando deveríamos as verdadeiras e sólidas amizades. 

Foi difícil escrever a resenha, até demorei um pouco. Uma obra bem escrita, que te faz refletir e ponderar a respeito de seu comportamento perante tantos aspectos da vida e, além de tudo, que consegue te arrancar um misto de emoções. É claro que indico imensamente o livro! 


Espero que tenham gostado da indicação de hoje. Não esqueçam de deixar suas críticas e opiniões? Já leram o livro? Estão gostando dessa nova onda dos sick-lits? Comentem! ^.^ 

Beijos beijos e boa leitura!

 
Ana Liberato