sexta-feira, 5 de maio de 2017

Resenha: “O perfume da folha de chá” (Dinah Jefferies)

Tradução de: Alexandre Boide

*Por Mary*: CHO-CA-DA, meninxs!

Estou até agora bestificada com o desfecho surpreendente deste livro!

O perfume da folha de chá introduz o leitor ao mundo dos plantadores de chá no Ceilão, em meio às desigualdades sociais, as diferenças étnicas e os preconceitos de meados dos anos 20.
Sem se importar com as pessoas ao redor, e desejando que ele não precisasse ir, Gwen correu até Laurence e se jogou nos braços dele com uma espécie de desespero. Quando se separarm, ele acariciou seu rosto com os dedos, carinhoso e solícito. Com o coração cheio de amor, ela sentiu a dor da partida do marido. 
Gwen está de chegada à sua nova casa: o Ceilão. Recém-casada com um produtor de chá da região, eles estão profundamente apaixonados e ansiosos para construir uma vida feliz juntos.

Apesar de a excelente primeira impressão deixada por seu novo lar, cercado de exuberância e vegetação abundante, ela logo se dá conta de que o aparente paraíso não é exatamente tão perfeito assim. Não bastasse a necessidade de se adaptar aos costumes distintos de seu novo país, Gwen se depara com a inexplicável frieza do marido, necessitando aprender sozinha a lidar com relações sociais recheadas de intrigas e interesse, o comportamento arredio dos funcionários e os indícios que dão pistas a respeito do primeiro casamento de Laurence, uma vida conjugal repleta de tristeza e segredos.

Solitária e desconfortável na bela mansão, Gwen recebe a maravilhosa notícia de que será mãe. Contudo, o nascimento de seus bebês a colocará diante de uma assustadora escolha que a atormentará pelo resto da vida.
Ninguém nunca dissera que ser mãe significava conviver com um amor tão indescritível que a deixaria sem fôlego, e com um medo tão terrível que abalaria até sua alma. E ninguém nunca avisara sobre a proximidade desses dois sentimentos.
Narrado em terceira pessoa, o foco narrativo da obra fixa-se nas agruras da protagonista, partindo de uma visão onisciente de seus pensamentos, mas preso aos acontecimentos que são de seu conhecimento.

Pode-se dizer que é uma trama densa, cheia de mistérios, que mergulha no drama familiar complexo e prende o leitor da primeira à última página. Se, de início, temos a impressão de que as páginas se passam sem nada acontecer, mais adiante descobrimos que todas as fases são absolutamente contundentes e necessárias aos desenrolar do conflito.

Além disso, descobrimos os personagens aos poucos, formando nossa opinião a respeito deles página a página, desconfiando de todo mundo a princípio. São muito verossímeis, humanos. Aliás, o enredo, em si, é muito realista, sem romantizações ou contos de fadas. Não espere uma vida cor de rosa, um amor perfeito e relações maquiadas. Não precisa, todavia, se assustar também. Você não encontrará cenas cruas violentas ou algo assim. O perfume da folha de chá é um livro de muito bom gosto, bem escrito, envolvente. 
Compreendeu que um lar não era apenas um lugar. Era sua relação diária com tudo o que tocava, via e ouvia. Era a certeza da familiaridade, a tranquilidade de saber exatamente por onde andava. Os tecidos, os fios, os cheiros: a cor exata de sua xícara de chá de manhã, Laurence baixando o jornal antes de sair para trabalhar e Hugh subindo e descendo a escada mil vezes por dia. Mas agora havia algo extraordinário acontecendo, o chão estava se movendo, e tudo estava diferente.
Os mistérios que vão surgindo conforme a trama se desenvolve aceleram o ritmo da leitura, de uma maneira que deixam o leitor meio perdido. Só que é um perdido bom (MUITO bom). Porque nós não sabemos o que esperar, se estão interligados ou se nada tem a ver com nada. Esse, por sinal, acaba sendo um gancho muito bom, porque aumenta consideravelmente a sede por uma pista a respeito do desfecho.

Ainda, não poderia deixar de comentar a fantástica contextualização histórica da obra, que deixa bem clara o quanto este livro é fruto de um primoroso – e profundo! – trabalho de pesquisa, bem como pre-ci-so elogiar o excelente trabalho da Editora Companhia das Letras; desde a capa, com seus desenhos e relevos, até a organização do texto.

Portanto, se você deseja uma leitura mais realista, com belas e exóticas paisagens orientais, mistérios que darão um nó na sua cabeça e um desfecho extremamente surpreendente, não deixe passar O perfume da folha de chá. Você vai a-do-rar!
“Eu devo estar horrível.”
“Você nunca fica horrível. Mas só uma coisinha”, ele falou.
“Sim?”
“Este lugar é só para mim e para você. É para onde podemos vir quando quisermos um tempo a sós. Entendido?”
“Completamente.”
“E aqui podemos ter um recomeço, quando for preciso.”

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