segunda-feira, 4 de abril de 2016

Resenha: "Funny Girl" (Nick Hornby)

Por Marianne: Funny Girl, o novo romance de Hornby, mal foi lançado e eu já estava dando pulinhos de ansiedade querendo colocar as mãos nessa capa linda.


Como em todas as histórias de Hornby (pelo menos as que já li), Funny girl  é situada na Inglaterra, e dessa vez viajamos direto pros anos dourados, na década de sessenta.

Barbara Parker é linda e jovem e tem como sua fonte de inspiração a atriz Lucille Ball, estrela do seriado I Love Lucy. Decidida a correr atrás de seu sonho de ser atriz, Barbara deixa pra trás a casa onde vive com o pai na pequena cidade de Blackpool e segue para Londres.
Em Londres, Barbara divide apartamento com uma colega e trabalha na seção de cosméticos de uma loja. Diferente do que ela esperava Londres não é o mundo de oportunidades para uma jovem aspirante a atriz. Mas a sorte de Barbara vira quando ela esbarra sem querer no agente de atores Brian Debenham. Sentindo o potencial de Barbara, Brian a convida pra ser agenciada por ele. Por exigência sugestão do agente, Barbara adota o nome artístico de Sophie Straw e começa sua difícil tarefa de conseguir (e passar!) em um teste.
Tia Marie conseguiu bater o telefone na cara dela antes que a linha caísse. O pânico havia sido substituído por outra coisa, algo entre a náusea e uma intensa tristeza. Sempre suspeitara ser o tipo de garota que não iria para casa visitar o pai doente, caso tivesse uma série de tevê para gravar, mas meio que esperava que isso demorasse certo tempo para acontecer.
Depois de muitas recusas e muito desanimo, Sophie Straw decide fazer o teste de protagonista de um piloto de uma série que, se for aceita pelo público, será a nova atração da BBC. Totalmente desencorajada por Brian, que acredita que Sophie não é adequada para o papel, ela segue em frente e vai participar do teste.

A nova série é escrita pelos autores do Esquadrão Trapalhão, um famoso programa de rádio que Sophie adorava. Ao aparecer para o teste ela se depara com autores e atores totalmente desacreditados do potencial de seu próprio roteiro. Com seu jeito inusitado e empolgado Sophie acaba ajudando os autores a desenvolverem melhor o roteiro e seus personagens, e ganha o papel principal do que será o novo sucesso da BBC: Barbara (e Jim).
“Me liga depois? Vou estar louca para saber como foi.”
Sophie disse que ligaria, e falava com sinceridade. Até ali, não havia realmente lhe ocorrido que, com tantas coisas que agora tinha e jamais antecipara que teria, era uma garota sem amigos.
A série se torna um sucesso por toda a Inglaterra, com Sophie no papel principal interpretando Barbara, personagem quase toda inspirada em sua vida antes de se tornar Sophie Straw.

A história tem um desenvolvimento um pouco diferente dos outros livros que já li de Hornby, o que pode causar certo estranhamento nos que estão acostumados com o estilo do autor (euzinha). Mas as principais características de Hornby ainda estão lá: ironia forte, crítica ao estilo de vida da sociedade conservadora inglesa e personagens principais nada bonzinhos.
“É a porcaria dessa lógica de casais”, disse Bill. “Não importa quem sejam: um homem e uma mulher se conhecem, casam, montam uma casa, têm filhos. É que nem... comida. Pode parecer tudo diferente no prato, mas só tem um lugar por onde descer e, quando sai do outro lado, a aparência e o cheiro são sempre os mesmos. E quem quer escrever sobre isso?”
Sophie, que apesar de argumentar contra todas as “regras” sociais impostas a ela, verbalmente ou não, é bastante manipulada e influenciada pelos personagens masculinos ao seu redor. Apesar de o autor deixar claro que Sophie não é uma personagem caricata loira-bonita-burra-sem-intelecto achei que sua determinação e excentricidade resistindo a sociedade machista inglesa dos anos sessenta foram pouco exploradas. O que me deixou meio decepcionada, a personagem tinha tudo pra ser uma protagonista muito interessante.

Casamentos falidos, traição, homossexuais não assumidos (ser homossexual na época era crime na Inglaterra), relacionamentos de fachada e tudo que rola por trás do mundo do show business está ali, mostrado em sua forma mais crua, bem ao estilo de Hornby.
“Me deixa ver se eu entendi direito”, falou Bill. “Como você não gosta do politicamente correto, quer que a peça tenha algumas piadas homofóbicas. Mas, como sempre quer ser amado, mão gostaria que fosse você a contar as piadas.”
Eu demorei pra me apegar a Funny Girl, encontrei alguns errinhos gráficos pelo livro, mas acredito que é uma obra de Hornby que vale muito a pena de ser lida, apesar de Funny girl não ser a minha preferida dele.
Espero que tenham gostado da resenha, até a próxima!

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