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terça-feira, 27 de março de 2018

#Infinistante: Clube do Livro (Março 2018)

Olá, Pessoas!!!

Mais um mês e mais uma leitura do Clube do Livro #Infinistante. E para Março a proposta da Loma foram dois livros. Vamos deixar que ela justifique sua escolha:

Tem um motivo pra gente colocar dois livros esses mês. Como a gente explicou lá na FAQ, a gente está empenhada em buscar saber se os livros se adaptam ao nosso público, e acontece que Me Chame Pelo Seu Nome tem um conteúdo um pouco mais adulto, e a nossa recomendação é que ele seja lido por pessoas maiores do que 18 anos.
 Mas, ué, tem uma galera super legal no nosso clube que é menor de 18. E aí? Muito bem, a gente teve a ideia de colocar Simon vs. A Agenda Homo Sapiens na jogada pensando nesse pessoal. Assim, quem não se sente confortável em ler um conteúdo adulto pode focar nesse outro livro, que é um young adult mais levinho. E quem quiser pode ler os dois. Ou ler um só. Ou ler um agora e deixar o outro mais para frente. A escolha fica a seu critério, tá? Mas a gente precisava pensar nessa questão da idade e da temática de Me Chame Pelo Seu Nome que tem algumas cenas mais ~ ousadas ~.
 O mais legal é que os dois livros são de uma temática LGBTQ+. No primeiro, o personagem principal é bissexual e, no segundo, ele é gay. E, olha que incrível, as duas histórias foram adaptadas pro cinema este ano. Me Chame Pelo Seu Nome estreou em janeiro por aqui, e Simon entra em cartaz no dia 22 de março. Dá para ler os dois livros e fazer uma maratona dos filmes depois! Não é incrível?

O livro escolhido para estar aqui no Dear Book foi o:

Tradução: Alessandra Esteche

Por Eliel: Um Verão em uma cidade italiana e em algum momento dos anos 80 são o cenário desse romance arrebatador. A Itália por si só já tem um ar de romance no ar, seja por causa do calor dos verões ou do clima místico proveniente dos mitos romanos, e é aqui em uma cidade identificada apenas por B. que Elio descobrirá mais sobre si mesmo.

Os pais de Elio, de apenas 17 anos, têm o costume de receber em sua propriedade jovens escritores do mundo todo para uma imersão de estudos durante algumas semanas. Devido essa prática ele se vê obrigado a ceder seu quarto por longas 6 semanas a um estranho. Seria mais um verão comum, exceto pela chegada de Oliver, um escritor americano de 24 anos.

A história é narrada do ponto de vista de Elio que tem um conhecimento muito amplo do lugar em que vive. A riqueza de detalhes empregada na narrativa tem o delicioso efeito de nos inserir totalmente naquele tão bem conhecido pela personagem. Chego a duvidar até que ponto são fictícias as situações e pessoas descritas nesse romance.

Elio é praticamente um gênio, isso devido ao ambiente intelectualmente privilegiado. Seus pais são professores universitários e tem contato com pessoas de grande influência acadêmica. Tão jovem ele já tem um amplo conhecimento em na área da música e literatura. Oliver provoca novos sentimentos em Elio e diante dessa confusão que se instala na mente do jovem é que veremos através dos seus olhos como se desenvolve essa relação.

Com passagens bem ousadas e intensas, o autor conta de forma mais pura e verdadeira essa história de descobertas, amor, relações de desejo e responsabilidades. O que me chamou a atenção é que somente após 11 anos após a sua publicação é que chegou uma tradução e junto uma adaptação cinematográfica (não vou comentar porque não assisti). Um livro de uma poética mesclada com as emoções mais primitivas e instintivas do ser humano deveria ter alcançado o sucesso um pouco mais cedo.

Recomendo fortemente a leitura desse romance sobre a descoberta da bissexualidade de um jovem. Coloque-se no lugar e tente entender o que se passa durante a solução desse quebra-cabeças que deve se formar na vida dessas pessoas que por falta de exemplos ou informações claras não se sentem parte de nenhum grupo, pensem sobre como deve ter sido em uma década em que não havia a gama de informações que temos hoje em dia.


Se você está curtindo esse clube do livro, que tal se juntar e ler mais em 2018? Só clicar aqui para se inscrever.

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Resenha: "Só Escute" (Sarah Dessen)

Tradução: Alessandra Esteche


Sinopse: Para encarar a verdade, você precisa estar disposta a ouvi-la.

Ano passado, Annabel era a típica “garota que tem tudo” — inclusive era esse o papel que interpretava no comercial de uma loja de departamentos da cidade. Este ano, porém, ela é a garota que não tem nada: não tem mais a amizade de Sophie; não tem uma família feliz desde a descoberta do distúrbio alimentar de uma de suas irmãs; e não tem ninguém com quem passar a hora do almoço na escola. Até conhecer Owen Armstrong.
Alto, misterioso e obcecado por música, Owen é um garoto que vivia se metendo em brigas, mas agora está tentando mudar. Um de seus novos lemas é sempre falar a verdade, não importa qual seja, e jamais guardar ressentimentos.
Será que com a ajuda desse amigo inesperado Annabel vai conseguir encarar a verdade e enfrentar o que aconteceu na noite em que brigou com Sophie?

Fonte: Skoob

Por Eliel: Annabel estava acostumada a ser a garota que tem tudo. Uma carreira de modelo, uma família dessas de comercial de manteiga, amigos, popularidade etc. Mas esse livro vai além do que as primeiras impressões e as aparências podem revelar. Prepare-se e...

- Só escute - li em voz alta.
- É. Não pense ou julgue. Só escute.
- E depois?
- E depois - ele disse - você pode chegar a uma conclusão. É justo, não acha?
Realmente parecia. Fosse uma música, uma pessoa ou uma história, havia muitas coisas que a gente não tinha como avaliar com um único trecho ou uma olhada rápida.
- Acho - respondi, colocando o CD de volta no fundo da pilha.
- Tá certo.

O livro é narrado por Annabel e trata de temas como dificuldades na comunicação entre familiares, distúrbios alimentares, depressão, bullying, amizades verdadeiras e principalmente sobre a resolução desses e outros problemas decorrentes do dia-a-dia de uma adolescente.

É bom estar preparado, também, para ter sua caixinha de sentimentos revirados. Sarah tem uma forma de contar histórias que falam diretamente ao coração e vai ao âmago do seu sentimento. Lágrimas, posso dizer que serão inevitáveis.

O ponto alto é descobrir o que aconteceu com Annabel no verão passado. Um acontecimento que acabou com sua amizade com Sophie e destruiu sua vida desde então. Alternando entre o passado e o presente, onde Annabel está se reconstruindo, iremos descobrir aos poucos toda a densidade dessa narrativa.

Owen foi muito importante para dar mais peso por ser um amigo improvável para Annabel. Misterioso, quieto e fissurado em música ele vai apresentar um mundo novo e cheio de possibilidades para ela. É claro, que vai ter romance, mas isso nem chega a ser spoiler porque o interessante é como essa trama vai se desenrolar.

- Não pense nem julgue - eu disse. - Só escute.



Um adendo pessoal, as cenas que envolvem comida ou gastronomia e todo enredo social em torno de uma mesa ou refeição são as minhas favoritas desse livro. Eu recomendo com toda certeza esse livro e já vai para a prateleira do coração.

- Estava delicioso - Kirsten disse, me entregando uma panela ensaboada para que eu enxaguasse. - O molho era demais.- Também achei - minha mãe disse, sentada à mesa com uma xícara de café sem conseguir reprimir um bocejo. - Seu pai repetiu duas vezes. Espero que Whitney tenha percebido. É o melhor elogio que um cozinheiro pode receber.

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Resenha: "A Prisão do Rei" (Victoria Aveyard)

Tradução: Alessandra Esteche/Guilherme Miranda/ Zé Oliboni

Por Sheila: Oi pessoas! Trago a vocês o terceiro livro de uma série da qual eu sou mega fã: A Rainha vermelha! Já resenhei o primeiro livro aqui, o segundo aqui e a autora também nos presenteou com alguns contos deste universo, resenhados aqui.

Para quem não lembra, o mundo de Mare é dividido entre vermelhos e prateados. O que define quem uma pessoa é, seu lugar  no mundo, é a cor de seu sangue, mas não somente isso: os prateados possuem poderes, o que os divide numa série intrincada de Casas com uma outra série intrincada de jogos políticos.

Aos vermelhos como Mare resta apenas uma coisa: servir. E, se mesmo essa pequena meta não for alcançada, morrer na guerra que já dura mais de um século contra os povos vizinhos.

Por motivos que você vai precisar ler os livros para descobrir, Mare acaba no palácio do atual Rei de Norta, onde vive e, em meio a um desafio para escolher a nova consorte do principe mais velho, futuro rei, um acidente acontece e acaba-se descobrindo que ela, uma vermelha, ser considerado inferior, também possui uma habilidade, antes peculiaridade presente somente naqueles de sangue prateado.

Há murmúrios sobre uma onda de rebeldes levantando-se contra os prateados, a Guarda Escarlate e nesse primeiro livro, enquanto Mare, transformada em Mareena para encobrir sua origem, tenta entender o que e quem é, acaba por servir de joguete e fantoche nas mãos de muitos: os próprios prateados, o príncipe Maven, segundo na linha de sucessão e que prova-se um tremendo traidor, e a Guarda Escarlate.

Em a Rainha Vermelha, Mare é uma personagem apagada, é a protagonista mas não protagoniza nada além de um triângulo amoroso entre dois príncipes, Cal o herdeiro, que é obrigado pela Rainha Elara e seu poder de se intrometer na mente de outras pessoas a matar o próprio pai; e Maven, que se disse a favor dos vermelhos e da Guarda Escarlate, mas queria apenas um bode expiatório em quem colocar a culpa pela morte de aliados de Cal, preparando o momento em que reclamaria a coroa.

No segundo livro, Espada de Vidro, teremos uma Mare mais forte, mas ainda um tanto quanto voluntariosa e atrapalhada em como lidar com sua habilidades. Fugindo junto com Cal, o príncipe renegado, alia-se à guarda escarlate e descobre que há outros como ela - e que estão sendo sumariamente caçados e executados por Maven de forma metódica e cruel.

Junto aos corpos dos agora chamados Sangues Novos, Mare encontra bilhetes de Maven, que se propõe a parar com o banho de sangue caso Mare se entregue. O segundo livro é denso, triste, cheio de solidão e um profundo desespero em sua narrativa, onde ainda encontramos uma Mare que não consegue acreditar que Maven, o seu Maven, não existia, e que encontra nos braços de Cal um refúgio.

Ao fim deste segundo livro, um dos resgates a Sangue Novos tem vários desdobramentos imprevistos que incluem a morte de Elara, a Rainha; a morte do irmão de Mare por um projétil destinado a ela; e por fim, sua rendição a Maven para poder se redimir e tentar salvar aqueles a quem ama.

Chegamos então ao terceiro livro, A Prisão do Rei. Ao contrário do que Mare imaginava, Maven não era apenas um joguete nas mãos da Rainha Elara, e segue em seu reinado de terror mesmo na ausência da Rainha. No entanto, seu interesse em Mare parece ser genuíno, quase beirando a obsessão, único motivo para que a mesma não tenha sido sumariamente castigada e executada por seus crimes.

Levanto quando ele permite.
Sinto um puxão na corrente presa à coleira no meu pescoço. As farpas cravam em mim, mas não o bastante para fazer sangrar - ainda não. Meus punhos ja sangram. As feridas são consequência dos dias de cativeiro inconsciente usando as algemas ásperas e dilacerantes. As mangas outrora brancas estão manchadas de rubro e escarlate vivo, passando do sangue velho para o novo como prova do meu tormento. Para mostrar à corte de Maven o quanto já sofri.

Ao invés disso, ela é feita de prisioneira e tratada como uma boneca ou bicho de estimação real: usada em jogadas políticas quando necessário, sendo usada como isca para a Guarda Escarlate, e como forma de enganar a população contra os rebeldes, bem como alistar o máximo possível de Sangues Novos, agora sob a tutela de Maven.

A história neste penúltimo volume é narrada por três vozes: da própria Mare, Cameron, uma sangue nova que se junta a Guarda Escarlate contra sua vontade e Evangeline Samos, numa reviravolta no que diz respeito ao desenvolvimento dessa personagem. Arrisco dizer que em alguns momentos gostei mais dela do que de Mare, nossa protagonista. 

Mas, pegando leve com Mare, ela soube demonstrar sua força e seu amadurecimento neste livro. Algumas páginas se arrastaram, momentos em que pudemos ver toda a angústia da personagem por estar totalmente separada de seu poder por ter de usar braceletes com pedras silenciadoras, ela pode ter seu corpo subjugado mas sua mente, nunca. Em complexas discussões e jogos de poder com Maven, ela vai desnudando as brechas da sua personalidade, bem como descobrindo sua maior fraqueza: ela mesma.

- Nossas conversas são tão agradáveis. 
- Se você prefere seu quarto ... - ele alerta. Mais uma ameaça vazia que faz todos os dias. Nos dois sabemos que isso é melhor que a alternativa. Pelo menos agora posso fingir que estou fazendo algo de útil e ele pode fingir que não esta completamente sozinho nesta prisão que construiu para si mesmo. Para nós dois.

Além disso, a Guarda Escarlate mostra-se cada vez mais organizada, ramificada de uma maneira que ainda é impossível saber de fato seu tamanho e extensão, com uma cadeia de comando que não pode ser apreendida, um dos motivos para seu crescimento e expansão, conquistando cidades e angariando cada vez mais aliados rebeldes entre os vermelhos.

Batalhas épicas, personagens marcantes, dramas comoventes, alianças improváveis e quebras dilacerantes fazem da leitura de A Prisão do Rei um misto de ansiedade, raiva da nossa querida Victoria por brincar com o nosso coraçãozinho e, claro, desespero pelo último capítulo dessa saga fenomenal, apesar do medo que ela traz, pois nada parece dizer que o final será feliz.
Recomendadíssimo.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Resenha: “Eu Sou Malala – Como uma garota defendeu o direito à educação e mudou o mundo” (Malala Yousafzai & Patricia McCormick) (Edição Juvenil)


Tradução de Alessandra Esteche

Por Kleris: Oi, pessoal. Aposto que muitos por aqui só ouvem falar de quem é Malala pelos jornais e por conta do fatídico dia, em 2012, em que ela levou um tiro do grupo Talibã. Pois bem, nessa edição juvenil, conhecemos outras Malalas além tragédia, defesa pela paz e prêmios. 
— Não sei por que a Malala é famosa – ele disse a papai. — O que ela fez?Para o mundo, posso ser a Malala, a menina que lutou pelos direitos humanos. Para meus irmãos, sou a mesma Malala com quem eles têm vivido e brigado todos esses anos. Sou só a irmã mais velha.
Não quero que pensem em mim como “a menina que foi baleada pelo Talibã”, mas como “a menina que luta pela educação”, a menina que defende a paz, tendo o conhecimento como arma.

Malala viveu em meio ao caos de uma das cidades dominada pelo Talibã – grupo político islâmico rígido que se pauta em textos religiosos para determinar as regras de vivência (como corte a qualquer tipo de cultura ocidental, de eletrônicos, música, filme, cinema; as mulheres só podem sair se acompanhadas por algum homem da família e devem usar burcas para se esconder do mundo; e a educação deve ser direcionada somente aos homens, as mulheres só tem acesso enquanto crianças) e se utiliza de armas e ataques homens-bomba para fazer valer suas leis.

Por noites e dias, na região da Swat, os pachuns vivem junto do medo, das ameaças, dos ataques. Há dias em que há confrontos diretos com o Exército e há dias que o mínimo deslize faz com que as moças apanhem, sejam chicoteadas, humilhadas e levem tiros na rua simplesmente por irem ao mercado e não se aterem ao modo como estão usando seus véus – ou por não estarem com a burca – e, não bastando os absurdos dessas leis massacrantes, por insistirem em frequentar a escola. Os civis homens também não ficam atrás, morrem pela mínima ideia contrária. 
Mas ver essas mulheres batendo papo casualmente – os rostos radiantes de liberdade – era ver um mundo novo.

— Por que mandar uma filha para a escola? – os homens diziam. — Ela não vai precisar de educação para administrar um lar.

Eu nunca respondia aos mais velhos. Na minha cultura, não devemos desrespeitá-los – mesmo quando estão errados.
Mas eu via como a vida das mulheres era difícil, e ficava confusa e triste. Por que as mulheres eram tão maltratadas em nosso país?
  
Sendo eu uma ocidental, é muito louco de imaginar que sociedades, ainda neste século, sobrevivem assim. Não que eu não acredite, mas é triste pensar que às vezes temos tanto e arrumamos guerras na livre interação entre nós, enquanto do lado do mundo estouram-se Tvs para que a população não assista programas que não sejam de sua cultura, homens armados andam pelas ruas certificando-se que as mulheres sejam punidas por quaisquer mínimas razões e forçam as pessoas a acreditarem que as tragédias naturais (como terremotos, chuvas intensas ou secas) sejam culpa delas pelo simples ato de não obedecer aos preceitos de Alá.

O controle de fechar-se do mundo é tão grande que praticamente se volta a viver em outro século, mesmo entre tecnologias e conhecimentos. Na verdade, é isso, eles não querem que a população tenha conhecimento suficiente para derrubá-los, da mesma forma como operava a Igreja Católica nos séculos passados. Para Malala, essas leis não faziam sentido porque ela, como muitos de nós, teve acesso à escola, ela sabia reconhecer o que era fato e verdade no mundo por ter estudado diversas disciplinas que abriram sua noção de mundo, disciplinas como geografia, matemática, física, química. Mas para o Talibã, isso significou foi uma afronta. Uma afronta que, com o tempo e determinação da menina, virou assunto pessoal. 
Eu sabia que o que o mulá do rádio estava dizendo não era verdade. Um terremoto é um acontecimento geológico que pode ser explicado pela ciência, queria dizer a elas. Mas essas mulheres, muitas das quais não tinham estudado e haviam sido criadas para seguir os ditames dos líderes religiosos, estavam com medo. Quando mulá chorou, elas choraram também.

O pai de Malala era professor e diretor de uma escola. Por anos a fio, diversas escolas foram explodidas para impedir que a população fosse letrada, e Ziauddin foi quem lutou em manter a educação de pé, mesmo com a ameaças diretas à instituição e à sua família. Malala abraçou os ideais do pai e esteve junto nesta batalha diária.  
Meus outros crimes? Eu defendia a educação e a paz. Segundo o Talibã, eu defendia a educação ocidental, que era contra o Islã, na opinião deles. 
Amo a ciência, e não tem nada que eu ame mais do que fazer pergunta atrás de pergunta para entender como as coisas funcionam. Mas não preciso dela para entender por que não me lembro do ataque. Sei por quê: Deus é bom pra mim.


Eu sou Malala é um livro curto, mas muito rico de história através dos olhos da menina. A edição juvenil toca justo nessa vivência de Malala como uma menina que se destacou por seus ideais e como representou uma afronta direta às manipulações do Talibã, que se diz ter sido forçado a atacá-la porque ela não parava de chamar atenção e discursar contra eles. A leitura é convidativa e tem um quê de documentário. 

Para nos situar melhor, o livro traz um mapa, fotos, uma relação de termos específicos da comunidade paquistanesa, além de traçar dados históricos e informações ademais em favor do fundo Malala. A capa é linda e tem uma explicação interessante sobre a cultura islã e a força de Malala.

Mas não leia Malala apenas para conhecer sobre os confrontos e dominação religiosa, ou porque essa história aconteceu de verdade, leia para conhecer uma menina que é como nós, que gosta de conhecer mais do mundo, que brincava e jogava com os irmãos, que brigava pelo controle da Tv, que era team Jacob, determinada, teimosa e sonhadora, e que esteve presa nesse mundo bárbaro. Encontrar voz nesse mundão tem sido essencial para mudar esse trecho do mundo que é tão fechado.

O forte apego que ela tem à educação é algo mais que admirável. É abrir um livro de física, de matemática, de história, ler suas anotações e sentir-se aliviada por ver seu desenvolvimento pessoal conforme adquire mais conhecimento. Uma das coisas mais incríveis é ver que, apesar de ter tanta ciência da verdade, Malala manifesta sua fé em Deus e em seu amor, acredita que a religião não é motivo de ignorância, mas de conhecimento e paz. E isso, meus caros, é uma noção que falta até aqui mesmo no ocidente. 

Às vezes, quando os jornalistas veem meus irmãos brincando tão livres, perguntam se minha campanha pelos direitos das crianças roubou minha infância.Digo a eles para pensar em uma menina que se casa aos onze anos. Ou em um menino que tem que catar lixo para conseguir dinheiro para sua família. Ou nas crianças que foram mortas por bombas e balas. Eles é que tiveram sua infância roubada.

E às vezes os jornalistas parecem querer se concentrar no ataque, e não na campanha.
Isso me deixa frustrada, mas eu entendo. É a curiosidade humana. Mas o que penso sobre o assunto é o seguinte: eles já me machucaram, deixaram cicatrizes eternas. Mas da violência e da tragédia veio a oportunidade. Nunca me esqueço disso, principalmente quando penso em tudo o que o Fundo Malala tem feito e vai continuar fazendo.

 

Recomendadísssimo!


Até a próxima.


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Ana Liberato