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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Resenha: "Verdade de Sangue" (J. R. Ward)

 

Tradução: Cristina Calderini Tognelli

Sinopse: Como trainee no programa de treinamento da Irmandade da Adaga Negra, Boone triunfou como soldado e agora luta lado a lado com os Irmãos. Após a morte inesperada de seu pai, ele é retirado dos turnos de plantão contra sua vontade e passa a trabalhar com Butch O’Neal, antigo detetive de homicídios, para apanhar um assassino em série: alguém que vem atacando fêmeas da espécie em um clube de interpretação ao vivo. Quando a Irmandade é acionada para ajudar, Boone insiste em fazer parte da força-tarefa – e a última coisa que espera é se deparar com uma fêmea misteriosa e encantadora... que mudará sua vida para sempre.

Desde que a irmã foi assassinada no clube, Helania se comprometeu a encontrar o assassino, pouco importando os perigos a enfrentar para alcançar tal objetivo. E, quando seu caminho se cruza com o de Boone, ela não sabe se confia nele ou não – e logo não tem alternativa. Quando ela mesma se torna um alvo, e alguém próximo à Irmandade é identificado como principal suspeito, ambos deverão trabalhar juntos para solucionar o mistério... antes que seja tarde demais. Será que um louco poderá se interpor entre os amantes ou o amor verdadeiro e o bem triunfarão sobre o mal mortal?


Por Jayne Cordeiro: "Verdade de Sangue" é o quarto e último livro do spin-off "Legado da Irmandade da Adaga Negra", que foca em recrutas do programa de treinamento da Irmandade. Boone é um herdeiro da aristocracia, e que decidiu seguir na carreira como soldado da Irmandade. Quando seu pai acaba morto, após um ato de traição, ele é afastado temporariamente do campo, e acaba em uma missão de ajudar Butch na investigação de assassino em série, que vem atacando vampiras. É então que ele conhece Helania, que também está investigando o assassino por conta própria.

Helania perdeu a irmã nas mãos de um assassino em série, e ela está investigando, tentando descobrir quem cometeu o crime. Após descobrir mais uma vítima, ela acaba entrando em contato com a Irmandade. Quando conhece Boone, ela não sabe se deve confiar nele, ao mesmo tempo que atração entre eles, parece cada vez maior. Quando ela passa a ser um alvo do assassino, ela não terá escolha, além de confiar a vida a ele, e quem sabe, seu coração também.

Este livro foi uma ótima finalização para a série. A escrita da autora continua tão maravilhosa como sempre. Boone é um macho super atencioso e educado, apesar de carregar uma escuridão dentro de si. Helania sofre ainda pela perda da irmã. Os dois se aproxima, e passam a investigar juntos. São dois personagens que funcionam muito bem juntos. Além disso, podemos ver um pouco de outros personagens da série, e mais do enredo principal da série, que vem com um novo vilão. A autora aproveita para já aprofundar em personagens e plots, que com certeza vão vir na série principal.

Como acontece com outros livros desse universo, temos uma bela mistura de fantasia urbana e também dramas reais vividos por esses personagens, que além de vampiros e guerreiros, carregam problemas como filhos, pais, maridos e amigos. É uma série que continua cativando seus leitores, e conquistando muitos outros.


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Resenha: "Casa de Terra e Sangue" - Série Cidade da Lua Crescente Vol. 1 (Sarah J. Maas)

 

Tradução: Adriana Fidalgo

Sinopse: Bryce Quinlan tinha a vida perfeita - trabalhava duro o dia todo e festejava noite adentro -, até que um demônio assassina alguns de seus melhores amigos, deixando-a destruída e mudando sua vida para sempre. Sem entender como sobreviveu ao ataque da besta, a semifeérica tenta superar a perda, com o consolo de que o culpado por conjurar o demônio está atrás das grades. Mas quando os crimes recomeçam, dois anos depois e com as mesmas características, Bryce se vê no meio de uma investigação que pode ajudá-la a vingar a morte dos amigos.

Hunt Athalar é um notório anjo caído, agora escravizado pelos arcanjos que um dia tentou derrubar. Suas habilidades brutais e força incrível foram definidas para alcançar um único objetivo: assassinar – sem perguntas – os inimigos do seu chefe. Mas com um demônio causando estragos na cidade, ele ofereceu um acordo irresistível: ajudar Bryce a encontrar o assassino, e sua liberdade estará ao seu alcance.

Enquanto Bryce e Hunt se aprofundam nas entranhas da Cidade da Lua Crescente, eles descobrem um poder sombrio que ameaça tudo e todos que amam, e encontram um no outro uma paixão ardente – que teria o poder de libertar os dois, se eles apenas a aceitassem.

Com personagens inesquecíveis, romance ardente e um suspense eletrizante a cada virar de página, Casa de terra e sangue é o primeiro volume de Cidade da Lua Crescente, a nova série de fantasia da autora best-seller nº 1 do New York Times, Sarah J. Maas. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos em todo o mundo, Sarah é um fenômeno. Vencedora de três prêmios literários em anos consecutivos, a autora possui uma legião de fãs apaixonados. Agora, estreia brilhantemente no universo da ficção new adult.


Por Jayne Cordeiro: Sou fã de carteirinha da autora Sarah J. Mass, então não poderia deixar de ler essa obra, que foge um pouco dos outros livros dela, mas ainda sim, trás coisas em comum. Ela faz uma mistura interessante de fantasia e modernidade que eu nunca vi. Tem muitos livros que falam de vampiros, metamorfos e etc, dentro da nossa sociedade, normalmente como um publico que vive disfarçado, em um mundo a parte. Mas aqui temos tudo misturado, em um universo dividido por todos, e com os humanos como escória da civilização. Magia e celulares, anjos, demônios, duende e tecnologia, coexistindo de um jeito que eu nunca vi.

A autora conseguiu misturar várias mitologias, e seres de diferentes culturas em um mundo só. Vi muito da mitologia nórdica nesse livro, com referências a Midgard (Terra), ao típico funeral envolvendo barcos e menções a Vanir e Aesir. E foi bem interessante ver toda essa mistura acontecer. E tudo isso criou uma sociedade bem complexa, e com muita história para contar. O começo do livro é um pouco mais confuso, pois há muita informação jogada para o leitor. Muitos nomes, cargos, grupos, e isso pesa um pouco. Mas depois o leitor consegue encaixar toda essa informação, e o livro fica muito interessante e atraente.

Temos uma boa mistura de fantasia, romance, drama e suspense. O suspense é a base de tudo, pois há esse mistério sobre diversas mortes ocorrendo na cidade, e o desaparecimento de um artefato mágico. Uma pista vai levando a outra e eu não conseguia parar de ler. Os personagens são bem complexos, e as relações deles são tão verdadeiras. Me apeguei fácil a vários, e sofri muito com eles. Os personagens principais são a Bryce, uma jovem com fama de baladeira, mas é extremamente leal e empática, com um passado familiar ruim e que moldou a forma como ela se relaciona com as pessoas. E o Hunt, um anjo poderoso, mas que hoje é um escravo, e que precisa cumprir ordens que são muito dolorosas para ele.

A relação entre eles começa de uma forma e vai mudando, ganhando camadas, que são encantadoras de acompanhar. Adorei como o laço entre eles surge e a que ponto ele consegue se estender. Sem falar de toda a história que vai se formando a cada página, e apesar de o livro ser grande, a leitura é muito rápida. Muita coisa vai acontecendo, e a autora consegue criar cenas tão fortes, que me arrepiei em vários momentos. Na parte final, eu estava tensa e super curiosa para saber onde tudo aquilo iria dar. É um livro espetacular,  que mantem o padrão maravilhoso que essa mulher conseguiu atingir com "Corte de Espinhos e Rosas" e "Trono de Vidro".


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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Resenha: "O Dueto Sombrio - Monstros da Violência #2" (Victoria Schwab)

Tradução de Guilherme Miranda

Cuidado com spoilers do primeiro livro!

Por Stephanie: Quando li A Melodia Feroz, fiquei encantada pelo mundo de Victoria Schwab, mas tive dificuldades com o enredo. Em O Dueto Sombrio, livro que conclui a duologia, receio dizer que isso se repetiu, e dessa vez em uma intensidade um pouco maior.

O livro se inicia algum tempo depois de seu antecessor, e podemos ver algumas das consequências dos acontecimentos anteriores e também conhecer os rumos tomados por Kate e August. Não faz tanto tempo assim que li o primeiro livro mas tive bastante dificuldade de lembrar de muitas coisas para conseguir me situar na história. Acho que a autora incluiu muitos personagens e novas dinâmicas de maneira repentina, o que pode ter contribuído para a minha confusão. Depois que me acostumei com os novos nomes e termos, a leitura fluiu um pouco melhor. 

Mas aí veio a estranheza, novamente, com o enredo. Para evitar muitos spoilers, prefiro falar o mínimo possível sobre ele. O objetivo de alguns personagens é meio nebuloso, principalmente dos protagonistas e do vilão. Não sei se a intenção de Schwab era de que essa fosse uma duologia desde o início, mas eu acho que uma trilogia poderia ter tido mais sucesso no desenvolvimento de um enredo mais completo.

(...)– Não ficou sabendo? – ela disse, engatando a marcha. – Não existe segurança. – Ela pisou no acelerador e o carro disparou rumo ao Ermo. – Não mais.

August e Kate mostram evolução, e isso foi o que mais gostei em O Dueto Sombrio. Ambos mudaram e não são mais aqueles que conhecemos no primeiro livro. Mesmo assim, a essência de cada um ainda está lá, e acho que é isso o que fez com que eu me apegasse a eles. Vão fazer falta, com certeza.

A obra nos presenteia com alguns plot twists e um final grandioso o bastante para ser digno de uma conclusão de série. Mas como o enredo não foi desenvolvido o bastante, os capítulos finais sofreram, e algumas coisas ficaram em aberto e outras não mostraram o motivo de terem sido incluídas na história.

Tudo isso é uma pena, porque eu acredito que a história de Schwab tinha muito potencial para ser algo bem maior, mais impactante. Acho que essa duologia acabou ficando naquele limbo de histórias que não são ruins, mas também não são tão boas assim. São apenas ok.

(...) Havia um lugar estranho entre o saber e não saber. Onde as coisas podiam habitar no fundo de sua mente sem pesar em seu coração.

Vou continuar acompanhando o trabalho da autora porque continuo achando a criatividade dela acima da média, mas já percebi que seus livros voltados para o público mais velho me encantam mais do que os YA's. De qualquer forma, recomendo a duologia para os fãs de fantasia, principalmente urbana!

Até mais, pessoal!

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Resenha: "Puros" (Julianna Baggott)

Tradução por Flavia Souto Maior

Por Eliel:

Sinopse: Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.Houve, porém, quem escapasse ileso do Apocalipse. Esses são os Puros, mantidos a salvo das cinzas pelo Domo, que protege seus corpos saudáveis e superiores. Partridge é um desses privilegiados, mas não se sente assim. Filho de um dos homens mais influentes do Domo, ele, assim como Pressia, pensa nas perdas. Talvez porque sua própria família se desfez: o pai é emocionalmente distante, o irmão cometeu o suicídio e a mãe não conseguiu chegar ao abrigo do Domo. Ou talvez seja a claustrofobia, a sensação de que o Domo se transformou em uma prisão de regras extremamente rígidas. Quando uma frase dita sem querer dá a entender que sua mãe pode estar viva, ele arrisca tudo e sai à sua procura.Dois universos opostos se chocam quando Pressia e Partridge se encontram. Porém, eles logo percebem que para alcançarem o que desejam — e continuar vivos — precisarão unir suas forças.
Fonte: Skoob

Tenho lido muitos livros cujo tema é a distopia, mundo pós-apocalípticos e coisas do tipo. Poderia dizer que estou me tornando um especialista nisso, porém, nada que eu li até hoje me preparou para o impacto causado por Puros.

Julianna colocou nessas páginas um mundo distópico de tamanha realidade e intensidade que prova o quão cruel esse tipo de efeito pós-apocalipse pode ser. Os personagens não são o que se espera dos livros mais leves. Acontecimentos drásticos costumam marcar grupos de pessoas ou até gerações, é isso que a autora tenta mostrar por mostrar a verdadeira face da destruição e seus efeitos. Espera para passar por muita dor e sofrimento contidos nessa narrativa dramática.


"Queime um Puro e respire as cinzas

De suas entranhas, faça umas cintas.

Com seus cabelos, teça um cordão.
E de seus ossos faça um Puro sabão".

Os capítulos são narrados sob o ponto de vista dos personagens principais, Pressia, Partridge, El Capitán e Lyda. O que trás uma abordagem muito interessante, pois podemos enxergar pelos seus olhos qual foi efeito das Explosões nas suas vidas. Ah, sim, o acontecimento que marcou a todos foi a explosão de uma Bomba Nuclear, aliás não apenas uma, e portanto o marco passou a ser chamado de Explosões.

O incrível é que houveram sobreviventes disso tudo, os Puros (aqueles que se refugiaram no Domo) são os mais sortudos, afinal não sofrearam nenhuma lesão. Porém os que ficaram expostos ao pior das Explosões sofreram graves lesões e transformações. Fora do Domo, alguns humanos foram fundidos com outros humanos (os Grupais), com animais (os Feras), com a terra (os Poeiras) e aqueles que tiveram "sorte" tiveram partes do corpo fundidos com pequenos objetos ou terríveis queimaduras pelo corpo. Pressia tem uma cabeça de boneca no lugar da mão.

Ele está falando de assuntos em que ninguém toca, as Explosões e seus efeitos: as correntes de vento arrancando casas do chão, os ciclones de fogo, a pele ressecada dos moribundos, os corpos carbonizados, a chuva preta e oleosa, as piras para queimar os mortos, aqueles que morreram dias depois, começando com um sagramento no nariz se deteriorando por dentro.

O mundo que Julianna criou é grotesco, cruel, onde o certo e o errado se confundem na luta pela sobrevivência, mas mesmo assim belo. Afinal, o que guia essas pessoas é a esperança. Pressia no mundo real, Partridge querendo fugir do Domo para encontrar a mãe e fugir do pai ausente. É, nem tudo são flores dentro do Domo.

Se gostar de dramas pesados, Julianna vai te "Bombardear" com o que ela tem de melhor: uma narrativa envolvente e profunda.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Resenha: "Todo dia" (David Levithan)

Por Sheila: Oi gente! Tudo na paz? Eu ando com uma preguiça de tudo, até de ler (o que é uma catástrofe!) mas hoje resolvi "colocar em dia" algumas leituras e resenhas atrasadas, e não podia deixar de trazer a vocês a deste livro - com o qual desenvolvi uma relação de amor e ódio.

Conheçam A. Sim, só A. E que não sabemos se é menino ou menina. Acreditem ou não, mas A não permanece o mesmo, desde que consegue lembrar. Todo dia, ele tem de viver uma vida diferente. Todo dia, ele acorda em um corpo diferente. Mas, segundo A, esse não é o ponto mais difícil.

Acordo.
Imediatamente preciso descobrir quem sou ... o corpo é a coisa mais fácil a qual se ajustar quando se esta acostumado a acordar em um corpo novo todas as manhãs. É a vida, o contexto do corpo, que pode ser difícil de entender.
Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou eu, mas também sou outra pessoa.
Sempre foi assim.

Logo entenderemos que, para A, é importante entender o contexto do corpo pois ele sempre tenta: 1) Não interferir com a vida das pessoas, pois isso poderia bagunçá-las de maneira excessiva; 2) Não apegar-se às pessoas/lugares, pois sabe que no dia seguinte terá partido, pois talvez nunca mais irá vê-los.

Apenas uma coisa sempre muda: sua idade. Ele é sempre um dia mais velho e, no momento, esta com 16 anos, vivendo vidas de garotos e garotas nesta faixa de idade, com todos seus conflitos, confusões, amigos, deveres, pais, irmãos e afins.

Vamos perceber que A tem uma mente bastante madura, talvez pelo inusitado de sua situação, talvez por que tenha de passar por vidas extremamente diferentes, de filhos obedientes à rebeldes; garotas populares, à garotas deprimidas e com ideações suicidas. De filho único, à gêmeo em família numerosa.

Mas A sabe lidar muito bem com isso. Ou sabia, até encontrar-se com Rhiannon. Ela é a namorada de Justin, o corpo no qual havia acordado no início do livro. E, por mais que isso viole uma de suas regras, A decide dar um dia bacana à Rhiannon, por que parece que Justin não a tem valorizado o quanto deveria - pelo menos do ponto de vista de A.

- Aonde você quer ir? - pergunto de novo. - Me diga aonde você adoraria ir de verdade.
De início, não percebo quanta coisa depende da resposta dela. Se disser Vamos ao shopping, vou me desligar. Se disser Me leve para sua casa, vou me desligar. Se disser Na verdade, não quero perder o sexto tempo, vou me desligar. E eu deveria me desligar. Não deveria estar fazendo isso.

Mas Rhiannon quis ir à praia. E a tarde foi perfeita. E A, que estava no corpo de Justin, não consegue parar de pensar nela - nem mesmo quando acorda no corpo de um outro garoto, a vários quilômetros de onde fora Justin, e de onde a conhecera.

E agora, as coisas mudaram. A já não fica mais no automático. A já não procura envolver-se minimamente. A já não pensa muito nas consequências. Ele só quer ver Rhiannon. Por que ele se apaixonou por uma pessoa, mesmo trocando de corpo todo dia ... será que esse amor pode vencer uma barreira tão imensa quanto esta?

"todo dia" (em letras minúsculas, assim como na capa) é um livro belíssimo, que encerra lições profundas sobre a vida, o amor. Sobre as diferenças e regras que nossa sociedade as vezes impõe no modo de ser das pessoas. Sobre os obstáculos que nos mesmos criamos para nosso crescimento. Ou, também como em alguns momentos acabamos por magoar profundamente as pessoas sem nenhuma necessidade.

Bom, pelo parágrafo acima, vocês já podem ter uma idéia de porque estabeleci uma relação de "amor" com o livro. Já o ódio ... pô David Levithan, que final foi aquele??????? Só não fiquei mais chateada por que há boatos de uma continuação! Tomara que tenha! Recomendo!





sábado, 7 de fevereiro de 2015

[Resenha] Legend - A Verdade se Tornará Lenda (Marie Lu)

Tradução por Ebréia de Castro Alves

Por Eliel: 
Sinopse: Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.Fonte: Skoob


Vocês devem ter reparado que o tema sobre um mundo distópico tem tido um crescimento nos últimos títulos que vem chegando às livrarias. Porém, do que se trata uma distopia? Segundo a definição de um dicionário trata-se de descrição de uma sociedade futura caracterizada por condições de vida alienantes ou extremas, que tem como objetivo criticar tendências da sociedade atual, ou alertar para os perigos de determinadas utopias. Apesar de fazer parte de uma febre de livros sobre o mesmo tema, não espere apenas mais do mesmo. Surpreenda-se, assim como eu fui.


Eles o usaram como cobaia, provavelmente para uso militar. Estou certa disso agora, e esse pensamento me enoja.

O ano é 2130, estamos em Los Angeles, com os Estados Unidos estão divididos entre a República da América e os Patriotas, representando a elite militar e os rebeldes, respectivamente. Ao completar 10 anos de idade as crianças devem passar por uma avaliação cujo valor máximo a se atingir é 1500 pontos. Ter uma pontuação alta garante uma vaga em uma das melhores universidades e um emprego dentro da República, porém não atingir o minimo de 1000 pontos só garante uma passagem de ida para “trabalhar” nos campos de comida e nunca mais reencontrar suas família. Interessados pela História vão reconhecer algumas semelhanças com Guerras passadas.

Thomas sempre foi disciplinado.Hoje não foi diferente. Ele não hesitou nem por um segundo a obedecer à comandante.

Divido em entre os pontos de vista de June e Day, podemos ter noção tanto do lado privilegiado pelas circunstâncias quanto o menos favorecido. June é genial, nasceu em berço de ouro e tem um futuro brilhante dentro do alto escalão do exército da República; Day, tem origem bem mais humilde e atualmente é o criminoso mais procurado pela República. Ambos têm 15 anos e tiveram notas surpreendentes (1500 pontos), porém com destinos não tão justos. Devido aos rumos das suas jornadas tão diferentes nunca imaginaríamos que os seus destinos se cruzassem. 

Mas então recordo as palavras de meu irmão. Isso basta para fazer meus olhos arderem, e cerrar meus dentes, Já vim longe demais para desistir agora.

Gosto da forma que Marie levou a narrativa, simples, direta e limpa. Ela conseguiu construir muito bem os personagens dando a eles a profundidade necessária Mesmo em um livro curtinho com uma história acelerada, todos os personagens têm o seu momento de destaque e são muito bem construídos. Não é de admirar a capacidade de emocionar que eles tem, eles chegam a ser reais, apesar de não desejar nenhum um pouco que a situação (re)aconteça. Ficou intrigado? Leia e coloque seus conhecimentos à prova.


sábado, 11 de outubro de 2014

Resenha: "Rede de Sonhos" (Felipe Pan)

Por Sheila: Olá pessoas! Como vão todos e todas? Trago a vocês hoje mais uma resenha de um livro nacional, de Felipe Pan, para mostrar que nossos autores estão cheios de grafite na lapiseira! Muitos livros de aventura e suspense para leitor nenhum colocar defeito.

Na trama, seremos apresentados a Arthur Ceneda, um adolescente comum, as vezes um pouquinho preguiçoso, vivendo as intempéries típicas de alguém na sua idade: estudar para provas do vestibular, ENEM, separações inevitáveis, namoros, festas, implicâncias com irmãos mais novos ...

Até que um dia recebe um presente inusitado pelo correio de um primo seu que mora no exterior. Aliás, logo que o abre, não consegue imaginar qual seria sua serventia, e nem mostra-se muito entusiasmado com seu novo pertence.
Depois de algumas tentativas fracassadas de abrir o pacote com suas próprias mãos, o garoto venceu sua preguiça e procurou uma tesoura para obter êxito. Quando a caixa de papelão foi finalmente cortada, Arthur se deparou com um embrulho branco, com os dizeres "Sonífero - Viva seu sonho". Levantando as sobrancelhas ao ler a mensagem esquisita, ele rasgou a embalagem e tirou de dentro dela uma esfera branca e pesada, um cabo, um livreto - que Arthur notou ser um manual - e duas plaquetas que cabiam na palma de sua mão.
Acontece, que o Sonífero é um aparelho com uma característica particular surpreendente: tem o poder de conectar as mentes de todos aqueles que se utilizam dele, e que se encontram na Rede de Sonhos - que acaba por intitular a obra. Além disso, viabiliza àqueles que dele se utilizam viajar para as mais diferentes regiões do planeta, dependendo para isso somente das memórias das pessoas da rede.

Arthur se maravilha com as possibilidades da Rede e junto com seu primo, Eduardo, junta-se a um grupo de jovens que compartilham um objetivo comum. É que, na verdade, não só de Sonhos é feita a Rede ... há alguma coisa de estranha acontecendo neste lugar, e esses amigos se juntam para tentar descobrir o que é.

São meninos e meninas de todas as nacionalidades: Arthur e seu primo são brasileiros, Naoki é japonês, Laura é italiana, Chris é inglês e Sarah, do Canada. Juntos, eles são os Caçadores de Memórias, que se unem para descobrir o mistério por detrás do "Estranho".
Estranho? O que é isso, uma pessoa? - perguntou. (...)
O ambiente era escuro e tinha um aspecto sujo ... No centro do escritório havia uma pequena escrivaninha, o monitor e a torre de um computador em sua superfície e, para o espanto de Arthur, um homem fazendo uso do equipamento. Arthur não soube explicar, mas sentiu seu coração disparar ao encarar o sujeito de pele meio morena, cabelos negros e barba por fazer.
Logo, Arthur descobre que o homem que os Caçadores chamam de Estranho parece ser uma memória, que se repete infinitamente dentro da Rede, o que aguça sua curiosidade. Quem seria o estranho? Por que ele estaria ali? E qual o significado de seu comportamento e das coisas estranhas que diz? É em busca destas respostas que os Caçadores decidem ir, a fim de descobrir o que está por trás deste "Estranho" - com duplo sentido - acontecimento.

Só que coisas estranhíssimas começam a acontecer: surge um encapuzado que os ataca, quando descobrem mais uma das manifestações do "Estranho", e o primo de Arthur, Eduardo, sofre ... bom eu não vou dizer o que, vocês terão que ler a obra para descobrirem o que acontece com ele.

Rede de sonhos é um livro de literatura infanto-juvenil, que mescla fantasia com aventura, que tem uma escrita leve e envolvente. Li o livro em apenas dois dias, é um tema que absorve e você se vê perguntando afinal de contas quem é o "estranho" e como a estória acabará.

No entanto, algumas questões poderiam ter sido melhor trabalhadas. Por exemplo, é difícil acreditar na naturalidade com que Arthur e seu amigo Thiago aceitam a existência do Sonífero. Além disso, alguns pontos ficam mal explicados, e a importância que Arthur assume na resolução do mistério é um tanto quanto forçada.

Mas não é um livro ruim, só não chega a se tornar um clássico, vale a pena ser lido. Recomendo.

www.submarino.com.br/produto/7015919/livro-rede-de-sonhos?franq=AFL-03-1524
terça-feira, 4 de junho de 2013

Resenha: "Garota Tempestade" (Nicole Peeler)

Por Gabi: Olá bookaholics! Hoje venho trazer um livro bem bacana para vocês. Este é o primeiro volume da série A Magia de Jane True. Foi meu primeiro contato com o urban fantasy (fantasia urbana) que é basicamente um subgênero da Literatura Fantástica, em que histórias com elementos fantásticos se passam na cidade. Então vamos à história!

Jane True tem 26 anos e mora na pequena cidade de Rockabill com o pai que sofre com os problemas no coração provocados pelo infarto e pelo abandono da esposa Mari -e mãe de Jane. E ela é, aliás, um dos mistérios do livro. 

O que sabemos é que há vários anos ela apareceu na cidade andando sozinha na rua completamente nua, quando um grupo de amigos a encontrou. Um deles era o pai de Jane, que logo se encantou pela mulher, a ajudou e foram ficando mais próximos, se apaixonaram e tiveram uma filha. Seis anos depois, inexplicavelmente, ela desapareceu, abandonando-os. 

Jane sente muito até hoje a falta da mãe, mas elas compartilhavam uma paixão clandestina: nadar. É uma atividade relaxante e revigorante e também perigosa já que seu lugar predileto é o Grande Sow, quinto maior redemoinho do planeta e a maior atração turística da cidade.  Ao mesmo tempo que esse é um lugar especial, ele a remete a uma das maiores tristezas de sua vida, a tragédia que tirou a vida de seu grande amor, Jason
Daí foi um pulo só até o mar, cujas ondas se ergueram e me envolveram da forma como faziam os braços da minha mãe , quando eu era menininha. Na verdade, nadar era tudo o que ainda me fazia lembrar dela. [...] Eu jamais me esqueceria dos nossos nados noturnos e clandestinos. O segredo que nos unia quando eu era criança.
E que, suspeitava eu, havia destruído minha família. 
Apesar de tudo, ela tenta levar a vida nessa cidadezinha onde alguns ainda a olham torto pelo ocorrido com Jason. Jane trabalha na livraria Morrer de Ler, das namoradas Tracy e Grizelda, que chocaram o conservadorismo de Rockabill com seu relacionamento. As duas são super divertidas e grandes amigas de Jane. Mas seu grande escape continua sendo enfrentar as águas do grande Sow. E é durante um de seus mergulhos clandestinos que Jane comprova a veracidade da frase Sheakesperiana: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia"

Ela descobre que é uma meio humana (assim como sua mãe) e que há seres sobrenaturais dos mais diversificados vivendo entre humanos há milhares de anos. E não é por acaso que ela se sente tão revigorada na agitação dos oceanos, a garota tempestade. Nell, Trill e Anyan são os primeiros não humanos que ela conhece em Rockabill. Nell, conta-lhe que sua mãe também é uma meio humana. Como se não bastassem todas essas novidades, entra em cena Ryu, um vampiro super sexy, deslumbrante e poderoso que veio até a cidadezinha para investigar incomuns assassinatos. 
Eu não conseguia nem começar a organizar tudo o que ficara sabendo aquela noite. Não fazia sentido; ainda assim, fazia todo sentido. [...] De repente, tudo mudara. E eu não podia nem começar a entender a magnitude. 
Há alguém em Rockabill matando meio humanos e Jane pode ser a próxima da lista. Ao lado de Ryu ela terá que embarcar em um mundo desconhecido, em que habitam criaturas aterrorizantes, vingativas e mortais. Em meio a aventuras e descobertas ainda surge um romance bem caliente entre ela e vampiro. Será que seus julgamentos estão corretos? Quem é, de fato, confiável? 

Esse romance me surpreendeu completamente. Esse é um ótimo caso de "não julgue o livro pela capa". Quando a vi, imaginei que se tratasse de uma história infanto-juvenil bem leve e tranquila. Pois me enganei completamente. Narrado em primeira pessoa por Jane, temos um urban fantasy eletrizante com toques de mistério, ironia, sobrenatural, romance e cenas picantes na medida certa
Fiz como ele pediu e, de repente, senti mesmo alguma coisa. Foi como o mais leve dos ventos frios soprando em minha pele, arrepiando os pelos do braço.
- Uau! - suspirei abrindo os olhos e vendo Ryu sorrir para mim.
- Prepare-se para muitos "uaus" daqui para frente, Jane. 
Engasguei, sem saber ao certo se, ou o quê deveria ler nas entrelinhas daquela afirmação. 
Jane é uma protagonista ótima. O fato de ser meio lenta para entender as coisas, às vezes e sua libido aguçada nos proporcionam divertidos momentos na leitura. Nos apresentar uma protagonista tão real em um romance intrínseco com o sobrenatural foi uma ótima sacada da autora. A linguagem é outro ponto positivo do livro. Não há aquele puritanismo de medir as palavras a todo o momento. Há palavrões e palavras mais fortes, mas encaixadas nos lugares corretos, sem cair na promiscuidade. Não poderia deixar de comentar da cidadezinha de Rockabill e seus estabelecimentos de nomes peculiares: barzinho Pocilga e lanchonete Chicqueirão são alguns deles. 

O mundo sobrenatural criado por Peeler é muito novo para mim, com exceção dos vampiros, que mesmo assim têm suas particularidades. São seres sobrenaturais bem exóticos e diversificados: selkies, alfas, dríado, spriggans, nagas e muitos outros. Cada um com suas particularidades e poderes, em alguns momentos me deixavam um pouco confusa por não conseguir identificá-los.  O único ponto negativo, ao meu ver. 

Estou muito ansiosa pela continuação, "Caçadores de Tempestade". Não há muitas informações da série, aliás: próximas datas, quantidades de livros, etc. Espero que não demore muito! Enfim, leitura super indicada!!


E vocês gostaram da indicação de hoje? Quem aí já leu o livro ou gosta desse sub gênero? Não deixem de comentar suas opiniões.

Beijos beijos e boa leitura! 



 
Ana Liberato