domingo, 31 de agosto de 2014

Resenha: A arte de ouvir o coração (Jan-Philipp Sendker)



Dizem por ai que não se deve julgar um livro pela capa, mas a pessoa que inventou isso provavelmente nunca viu a capa de “A arte de ouvir o coração”. Sério, eu acho que foi uma das capas mais lindas que eu já vi! Não tinha como não esperar coisa boa desse livro. 
 “Claro que não me refiro aos acessos de paixão que nos levam a fazer e dizer coisas das quais nos arrependeremos depois, que nos iludem a pensam que não podemos viver sem determinada pessoa, que nos deixam tremendo de medo só de pensar em perdê-la – um sentimento que nos empobrece ao invés de nos enriquecer, porque desejamos ter o que não podemos, manter o que não podemos.”
A história começa com Julia, que está a buscando alguma notícia do pai Tim Win, um advogado influente de Wall Street que saiu pra trabalhar um dia e nunca mais voltou. As únicas pistas de Júlia são o que a polícia havia descoberto até então: Ele pegou um voo pra Los Angeles, de lá pra Hong Kong, de Hong Kong seguiu pra Bangcoc e sumiu.
“É estranho, Júlia, mas uma confissão, uma revelação, é inútil quando vem no momento errado. Se vier cedo demais ela nos assusta. Não estamos pronto para ela e ainda não podemos valorizá-la. Se vier tarde demais a oportunidade é perdida. A desconfiança e a decepção já são grandes demais; a porta já está fechada.”
 Um dia, sem querer Julia encontra no meio de umas coisas do pai um envelope endereçado a uma cidade chamada Kalaw, na Birmânia. Julia sabe que o pai é birmanês, mas ele nunca contou nada a família sobre os vinte anos que viveu e cresceu na Birmânia.
Ao ler o conteúdo do envelope Julia descobre que é uma carta de amor pra uma mulher chamada Mi Mi, um amor tão devoto e entregue que ela mal consegue reconhecer o pai na carta.
Sem pensar duas vezes e decidida a reencontrar o pai seguindo a única pista que surgiu em anos, Julia segue pra Birmânia.
Lá ela se depara com um lugar totalmente diferente da Nova York em que vive. Kalaw é um vilarejo montanhoso com um povo muito tradicional e pacato, e a presença de uma turista americana não consegue ficar em segredo.
É quando está numa casa de chás, pensando em quais são suas opções e por onde deve começar a procurar pelo pai, que Júlia é abordada por um senhor que se apresenta brevemente e diz saber tudo sobre ela e o pai.
O velho é U Ba, antigo morador de Kalaw que conhece toda a história de Mi Mi e Tim Win. Meio perdida e sem saber o que fazer, Júlia se dispõe a ouvir a história de U Ba sobre seu pai.
O livro quase todo é a história de U Ba sendo contada, como Tim Win viveu, quem foram seus pais, por que ele foi embora da Birmânia, quem foi Mi Mi e o mais importante: onde está Tin Win agora?
Eu acredito que o autor criou a história apenas pra externas suas maravilhosas metáforas, reflexões e análises sobre o amor e a vida. Apesar dos mil furos na história contada por U Ba (depois de ler você para pra pensar e alguns fatos simplesmente não fazem sentido, mas ok) eu me deliciei com o livro. É daqueles que você não lê pela história e o final mega surpreendente (até porque o final é bem clichê), mas pelos bons momentos que o livro vai te proporcionar, pelos parágrafos que você vai ler e se identificar, pelos trechos que você vai querer grifar ou copiar e mandar pra algum amigo, pro namorado, pro marido... Enfim, é bem inspirador. Não se prenda tanto a história e sim em como ela vai ser contada.
 “Su Kyi esperava ser capaz de colocar Tin Win sob os cuidados dele também, para tirá-lo da escuridão que o incomodava, para ensinar a ele o que ele havia ensinado a ela: que a vida é entremeada de sofrimento. Que em todas as vidas, sem exceção, as doenças são inevitáveis. Que vamos envelhecer, e que não podemos enganar a morte. Essas são as leis e as condições da existência humana, U May havia explicado a ela. Leis que se aplicam a todos, em todas as partes do mundo, independentemente de como as coisas mudem. Não existe força que liberte uma pessoa da dor ou da tristeza que ela pode sentir dessa percepção – apenas ela mesma. E apesar de tudo isso, U May havia dito a ela muitas vezes, a vida é um dom do qual ninguém pode desdenhar. A vida, segundo U May, é um dom repleto de mistérios no qual o sofrimento e a felicidade são entremeados inextricavelmente. Qualquer tentativa de ter um sem o outro estava fadada a simplesmente fracassar.”
Eu nunca tinha ouvido falar do autor, Jan-Philipp Sendker, mas com certeza vou ficar aguardando mais obras, é sempre maravilhoso ler um livro que te da uma sensação leve e te inspira encontrar beleza e gratidão em pequenos atos da vida.

comentários

  1. Eu esperava algo bem grandioso do livro, mas é muito bom saber o que esperar! Obrigada pelo help! rsrsrs... De alguma forma, não faz meu tipo, mas também foi essa capa que me deixou intrigada. Eu quero muito ler o livro, o problema é só o tamanho da lista de futuras leituras... rsrsrs Bjokas....
    entreumlivroe-outro.blogspot.com

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Ana Liberato