sexta-feira, 8 de julho de 2016

Resenha: “Fração de Segundo, Encruzilhada Vol. 2” (Kasie West)

Tradução de: Flávia Souto Maior

*Por Mary*: Vocês sabem aquela sensação de acabar de ler um livro e imediatamente querer relê-lo para ter certeza de que não deixou passar nada? Pois é. <3

Caramba, faz tempo que eu não fazia uma leitura tão frenética, com aquele frio na barriga, sem conseguir desgrudar os olhos do livro.

Antes de darmos início a esta resenha, aviso aos navegantes que ainda não leram Encruzilhada de que esta resenha poderá conter *spoilers* relacionados ao primeiro volume da duologia. Sendo assim, você decide se segue em frente ou para por aqui, ?

Em Encruzilhada vimos que Addie precisou abrir mão da sua vida no mundo Normal para salvar sua melhor amiga Laila e, para conseguir isso, pediu que esta Apagasse sua memória relacionada às suas Investigações. No entanto, Addie havia prometido a Trevor que não o esqueceria e, disposta a cumprir sua promessa, deixou com Laila um bilhete a si mesma, lembrando-a de dizer a Laila que esta poderia aprender a Restaurar memórias.

Temos aí alguns problemas: 1) Addie, obviamente, não se lembrava de ter deixado o bilhete; 2) Laila ainda se sentia culpada pelo desfecho do volume anterior; e, 3) coisas estranhas começaram a acontecer com a Habilidade de Addie.

Em Fração de Segundo, Kasie West fez jus ao livro e não nos deixou respirar nem por um instante. Se piscasse, já perdia uma emoção. Nem me lembro da última vez que li um livro com tantas surpresas. De verdade, difícil explicar. 
O olhar confuso de Trevor foi rapidamente substituído por um de muita dor. Demorei demais para perceber o que Connor estava fazendo. Ele estava Curando o ombro de Trevor. Addie deve ter percebido também, porque suas lágrimas voltaram com força total. O orgulho tomou conta do meu peito. Algo que tinha sido retirado por uma habilidade agora era restituído por outra. Sem mais palavras, Connor o soltou e entrou na picape.
Como nós aqui somos amigos chegados, posso confessar que Encruzilhada foi o primeiro YA que li em muito tempo. Acontece que este livro, que de início escolhi por mera curiosidade, me surpreendeu de inúmeras maneiras pela qualidade. A autora sabe dosar muito bem os recursos escolhidos a dedo para a trama. Tudo parece na medida certa, minuciosamente adequada para o enredo.

Me recuso a comparar esta duologia com as tramas bobinhas dos YA’s que encontramos no mercado. Kasie West sabe ser romântica sem ser piegas; ela sabe abordar temas adolescentes sem se limitar; sabe entrar em uma categoria literária sem cair na mesmice; sabe prender o leitor sem cansá-lo; e, sim, meus caros, a mulher sabe, como ninguém, descrever uma cena tão bem, que parece que estamos vendo um filme.

Além disso, a abordagem da autora me parece muito fácil de aplicar à realidade. É como se ela utilizasse a realidade fantástica para criar alegorias perfeitamente apropriadas para as vidas de seus leitores, independentemente da idade que eles têm.
- Quando sua habilidade se manifestou?
- Quando eu tinha doze anos. Foi o pior dia da vida do meu pai. Ele queria um Telecinético. E teve que se contentar comigo.
Eu não era o tipo de pessoa que se abria, então não soube direito o que fazer com aquela informação.
- Choramingar te deixa menos atraente. Não faça mais isso.
No primeiro volume dessa duologia, Kasie West conseguiu a difícil tarefa de manter seus leitores com um pé no mundo Normal e outro no Complexo Paranormal a partir da alternação entre as Investigações de nossa protagonista Addie. O recurso foi muito bem utilizado, porque deu agilidade à trama e relacionou uma história complicada de narrar. O leitor não fica perdido, não consegue largar o livro – por conta daqueles ganchos maravilhosos dela – e mantém aquele suspense gostoso para saber o que vai acontecer a seguir.

E não é que a danadinha conseguiu repetir a dose? Só que dessa vez nós ficamos meio lá e meio cá em decorrência da alternação de perspectivas entre Addie e Laila, sua melhor amiga. E aí a Kasie matou dois coelhos com um só tiro: manteve um recurso adequadíssimo para a sua história e, ainda por cima, deu mais destaque para uma coadjuvante que rouba a cena sempre que aparece. A sensação que a gente tem é que a Laila realmente merecia aparecer mais. É uma personagem apaixonante.
- Oi. – eu disse.
- Ei. Ele está bem?
- Melhor. – Limpei a garganta. – Obrigada.
- Que gosto sentiu ao dizer essa palavra?
- Um gosto terrível.
Se em seu debut Kasie West já mostrou a que veio, dando show de talento e mostrando que um YA pode – e deve – ser muito bem escrito, na sequência de sua duologia o leitor não ficará decepcionado. Tem uma trama eletrizante, convincente e bem fundamentada; tem romance, amor impossível e todas essas baboseiras que a gente ama; tem muita cultura nerd, conspirações e desfecho nota dez. Fração de Segundo, bem como Encruzilhada, é livro para ser lido de uma tacada só. É simplesmente impossível não ler tudo de uma vez (aqui o bagulho é frenético 😅).

Tenho certeza absoluta de que, muito em breve, irei reler ambos os livros, porque, como eu disse, quero ter a certeza de não ter deixado nada passar.
- Me conte três coisas.
Eu sorri. Adorava esse jogo. Me deixava feliz.
- Uma vez ficamos presos no carro do diretor depois de perder uma aposta. Tínhamos que roubar um boneco que estava lá dentro. Só que o Rowan, que deveria distrair o diretor, não fez seu papel muito bem, e o alarme disparou.
- O que fizemos?
- Conversamos até o Rowan conseguir as chaves e nos soltar.
- Parece interessante.
- Ah, e teve uma vez que você tentou provar como era forte e me carregou. Isso foi muito antes de ficarmos juntos, por sinal.
- Quando você ainda achava que eu deveria ser seu melhor amigo?
- É.
- E eu te levantei. Como?
- Foi rápido. Você me puxou para perto e sem perceber eu já estava no ar, com você me segurando pela perna.
- E ainda achava que eu queria ser seu amigo?

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