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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha: "Um Artista do Mundo Flutuante" (Kazuo Ishiguro)

Tradução: José Rubens Siqueira

Sinopse: Masuji Ono, protagonista e narrador deste primoroso romance do vencedor do prêmio Nobel de literatura, é um homem de seu tempo. Pintor de grande renome do Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ainda jovem Masuji desafiou o pai para seguir a vocação artística e, durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço de seu país. Usando a influência de que gozava perante as autoridades do governo imperial, Ono buscava ajudar pessoas de bem em situações menos favorecidas do que a sua.
Ambientado nos anos imediatamente após a rendição, o romance descortina a vida de Masuji já aposentado, procurando entender as mudanças vividas pelo país e impressas na mentalidade da geração mais jovem, da qual fazem parte suas duas filhas. Ao procurar entender por que as negociações para o casamento da mais nova delas foram abruptamente interrompidas, o protagonista se vê levado a rememorar sua vida de artista e professor respeitado e a enfrentar a consequência dos próprios atos no destino de seus descendentes.

Retrato comovente de um momento histórico cujos desdobramentos se veem até os dias de hoje, Um artista do mundo flutuante é também um poderoso romance sobre a velhice, a culpa e a passagem do tempo. 




“Há muitos bons escritores, mas poucos bons romancistas. Kazuo Ishiguro pertence a este escasso grupo. Seu segundo romance, Um artista do mundo flutuante, é do tipo que aprofunda a consciência do leitor, ensinando-o a ler mais sensivelmente.” — The New York Times Book Review

Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: Alguns detalhes antes de começar essa resenha propriamente dita. Que eu sou apaixonado pela obra de Ishiguro não deve ser novidade para quem acompanha o Dear Book. A maioria dos leitores não deve saber, mas sou estudante de Artes Visuais e esse livro é um ode à carreira artística profissional (minha paixão só aumenta). Um último detalhe antes de começarmos, a capa é uma obra de arte de Neil Gower que foi brilhantemente (literalmente hahaha, os detalhes em laranja da capa realmente brilham) adaptada por Alceu Chiesorin Nunes.

[...] me lembro claramente de decidir não dar atenção ao que ocorrera na sala de visitas depois que saí. Naquela época, claro, as casas eram todas mal iluminadas, de forma que não era incomum ficarmos parados no escuro para conversar. Eu podia distinguir a figura da minha mãe à minha frente, mas não conseguia enxergar seu rosto."Alguma coisa está queimando na casa", observei."Queimando?" Minha mãe ficou em silêncio por um momento, depois disse: "Não. Acho que não. Deve ser imaginação sua, Masuji"."Senti cheiro de queimado", eu disse. "Olhe só, acabei de sentir de novo. Papai ainda está na sala de visitas?""Está. Ocupado com alguma coisa.""Seja o que for que esteja fazendo lá", eu disse, "não me interessa nada."Minha mãe não emitiu nenhum som, então acrescentei: "A única coisa que papai conseguiu foi atiçar minha ambição"."Que bom ouvir isso, Masuji."

Ambientado no Japão Pós-Segunda Guerra Mundial, iremos acompanhar um recorte da pacata vida do pintor aposentado, Masuji Ono. Ele é o narrador dessas memórias e fala diretamente com o leitor, porém não é muito confiável em algumas passagens. Essa característica torna a narrativa muito mais verdadeira e sensível.

Esse recorte da vida de Ono começa com a visita anual de sua filha mais velha, Setsuko, e seu netinho. Os temas iniciais são bem corriqueiros do dia a dia dentro da cultura japonesa, enquanto conversam sobre amenidades as memórias de Ono são mescladas à sua narrativa. Essa característica se parece muito com aquelas conversas que sem sabermos como chegam a reflexões profundas de forma natural.

Noriko, a filha mais nova de Ono, já está com 26 anos. Para a cultura da época em que se passa essa história, ela está ficando velha para encontrar um bom casamento. O casamento era a união de duas famílias e não apenas de duas pessoas, portanto era movido por interesses visando a pureza das famílias. Paira no ar a ideia de que as últimas negociações para uma união de Noriko foram canceladas devido ao passado de seu pai.

Ono acredita que suas filhas comentam e discutem sobre essas coisas às suas costas. Como nem o próprio narrador tem certeza disso, nós leitores somos levados pela opinião dele. Isso, de forma sutil, faz com que ele comece a refletir sobre seu passado e compartilhar os acontecimentos como se fossem leves devaneios. É interessante essa forma de se contar uma história, que vira e mexe ele te puxa ao presente depois de te levar nessa sua visita ao passado.

Ono foi um importante e promissor artista durante o período da guerra, prestando muitos serviços a nação, porém parece que agora ele não tem tanto orgulho do que fez. Isso fica subentendido por não haver nenhum dos seus quadros expostos pela sua enorme casa, embora tenha de outros artistas que ele admira. Até mesmo seu neto pergunta se ele era mesmo um grande artista e insiste em ver seus quadros, Ono se limita a dizer apenas que estão guardados.

Havia, sem dúvida, muito a admirar na ideia de "um leilão de prestígio", como dissera a irmã mais velha. É até de imaginar por que as coisas não são resolvidas por esse meio mais vezes. Como é muito mais honrosa uma disputa em que são levadas em conta moral e as realizações em vez do tamanho da bolsa. Ainda me lembro da profunda satisfação que senti quando soube que - depois da mais minuciosa investigação - os Sugimura tinham considerado a mim o mais digno da casa que tanto amavam. E sem dúvida essa casa merece que se tenha sofrido alguns inconvenientes; apesar do exterior grandioso, imponente, por dentro é um lugar de madeiras naturais delicadas, escolhidas pela beleza de seus veios, e todos nós que vivemos nela viemos a considerá-la muito propícia para calma e relaxamento.

Constantemente ele revisita o antigo bairro dos prazeres, e aos poucos nos apresenta o que era/é o Mundo Flutuante. Um mundo efêmero, habitado por beleza passageira, bebidas e fonte de inspiração e um oásis em meio à guerra. No presente, pouco sobrou disso.

Chamo de "nosso bairro do prazer", mas creio que na verdade não era nada mais que um lugar para se beber, comer e conversar. Era preciso ir ao centro da cidade para os verdadeiros bairros do prazer- com casas de gueixa e teatros. Mas eu mesmo sempre preferi o nosso próprio bairro. Atraía uma multidão animada mas respeitável, muitos deles gente como nós - artistas e escritores, seduzidos pela ruidosa conversa que se estendia noite adentro.[...]"A melhor beleza, a mais frágil, que um artista pode ter a esperança de captar flutua dentro daquelas casas do prazer depois que escurece. E em noites como estas, Ono, alguma beleza dessas flutua por aqui pelas nossas salas. Mas quanto àqueles quadros ali, eles nem chegam perto dessas qualidades transitórias, ilusórias. Têm falhas profundas, Ono".

De forma despretensiosa temas profundos são trazidos à tona. O choque de gerações é o mais presente, afinal temos um geração que participou e sobreviveu a guerra e arca com suas consequências e outra que anseia pelas mudanças. Ono, no passado, teve seus próprios desafios ao lidar com seus mestres e sua ousadia e ambição.

Outro tema que me chamou a atenção foi o impacto e uso da arte nos movimentos militares. O quanto um artista pode influenciar a cultura, a sociedade e o ambiente à sua volta? Ono levanta muitos questionamentos durante sua trajetória e o mesmo pondera muito no que isso trouxe para sua vida. Isso enquanto toma providências para que novas negociações de casamento de Noriko não fracassem.

A narrativa pode parecer meio monótona e melancólica, porém ela tem sim um tom melancólico e um ritmo que te prende do começo ao fim. Minha experiência com essa leitura foi bem emocionante, Ishiguro tem um jeito de tocar os sentimentos do leitor de forma bem delicada e sensível. Vale a pena a leitura e a reflexão, além disso, recomendo um respiro e uma digestão dessa obra.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Interrogação #3 – O contato com as manifestações artísticas

Com Eliel Carvalho, resenhista da casa


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.


Dentre variadas manifestações artísticas culturais
(dança, música, cinema, livros, fotografia, pintura, contação de histórias, etc),
qual você se sente mais próximo e qual se sente mais distante?
Por quê?

E: Eu enxergo a arte como um grande lago. Explico a razão. E o que vem a seguir vale para qualquer manifestação artística.

De longe vemos apenas a superfície. Sabemos o que é arte e sabemos que ela existe. Ao chegarmos mais perto, vamos entendendo que a arte é muito maior e mais importante do que conseguíamos enxergar. Ao desenvolver interesse por ela é como se víssemos nosso reflexo no espelho d’água e ela nos olha de volta nos convidando a entrar. Uma sereia sedutora?

Então você começa a se envolver nas águas, na arte. E você pode começar por qualquer uma. Eu, por exemplo, comecei desenhando, logo foram os livros que me acompanham até hoje. Minha mãe é uma exímia contadora de histórias e hoje pratico a dança. Variações bem distintas da arte.

E quando você se arrisca um pouco mais e resolve mergulhar percebe que o que você conhece é só pouco e tem um lago inteiro para explorar. Mergulhar nesse lago é como mergulhar na arte, você pode nadar e explorar onde e o que desejar.

O nome desse lago é inspiração. Como a arte contida vai se manifestar, só vai depender de como você nadar. Dentro do lago você pode fazer o que quiser, pode explorar o que quiser e pode trazer à tona o que quiser.

Porém, um lago tem limites geológicos, a arte só pode ser limitada pela curiosidade de quem a explora. E se sua curiosidade for profunda, não tenha dúvidas que as águas serão abundantes, um convite à exploração de si.

Divaguei um pouco antes de responder, mas digo que hoje sou mais próximo da dança. Através dela eu conto histórias que leio, represento pinturas que vejo, interpreto músicas que escuto, vivo vidas que não são totalmente minhas através de personagens e quando olho as fotos relembro cada momento.

E sobre se sentir mais distante, é apenas porque ainda não pude explorar de uma forma mais completa, estar distante é uma posição relativa. Para o cinema sou apenas um expectador, não tenho vocabulário para discorrer sobre a arte de fazer filmes. Ainda.

Se eu pudesse dar algum conselho seria: mergulhe, mergulhe de cabeça; esse lago não é raso e é só seu. Traz pra fora o que tem de mais interessante aí dentro, e o mundo precisa ver.



Eliel Carvalho é gastrônomo por formação e artista por paixão. Se aventura nos desenhos, nos palcos e principalmente nas páginas das mais diversas aventuras literárias. Tenta cozinhar as mais loucas ideias, sejam elas comestíveis ou artísticas. Dança quando as palavras já não são mais suficientes e em um futuro breve será um arte-educador. Afinal arte e educação harmonizam.

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Até a próxima interrogação!
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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Resenha: " O Livro das Criaturas de Harry Potter" (Jody Revenson)

Tradução Regiane Winarski
Sinopse: Lançamento mundial do novo livro oficial sobre o mundo de Harry Potter. O livro das criaturas de Harry Potter mostra os detalhes da criação dos magníficos seres presentes na famosa série cinematográfica. A obra é recheada de perfis detalhados de cada criatura, raríssimas ilustrações, fotografias dos bastidores e segredos cinematográficos necessários para tirar os incríveis habitantes do mundo mágico de J.K. Rowling do papel.
• Os livros da série Harry Potter venderam aproximadamente 450 milhões de exemplares, tornando-a a série literária mais bem-sucedida da história.
• A série foi traduzida para 67 línguas diferentes.
• O sucesso da série concedeu à autora o status de única escritora bilionária da história.
• A Warner Bros e a própria J.K. Rowling estão diretamente envolvidas no lançamento do livro.
• O próximo filme inspirado no universo do bruxinho, Animais fantásticos e onde habitam, está programado para novembro de 2016. 
Fonte: Skoob

Por Eliel: Livro novo do Harry Potter!!! Sim, sou muito fã e se você está aqui também deve ser. Esse não é uma nova aventura do bruxinho mais querido do mundo, trata-se de uma viagem pelos bastidores de toda essa saga mágica. Super indicado para os fãs, apaixonados e estudantes de cinema (e outras artes).

Será que gostei dessa pintura? Trasgos bailarinos
Todo apaixonado por livros quando sabe que sua saga favorita virará filme já fica imaginando como aquele personagem vai se parecer, como vão recriar aquela cena magnifica que foi criada na sua imaginação, entre outras situações encontradas nas páginas.


Jody Revenson, com apoio da Warner Bros., traz nesse livro muitos segredos e curiosidades sobre as gravações e artes conceituais dos desenhistas (meus olhos brilharam ao ver tudo isso). 

São 9 capítulos repleto de seres fantásticos agrupados por onde poderíamos encontrá-los no mundo mágico de Harry Potter, por exemplo, os seres da floresta, os seres do lago etc. São 208 páginas repletas de imagens, fotos, citações e curiosidades; a leitura é fluída e rápida, esse volume acaba sendo um livro de referência para todo esse universo criado por J.K. Rowling.



E o que essa edição criada pela Galera Record? Livro de capa dura, qualidade excepcional, tradução impecável, essas são só algumas das qualidades. Ganhei esse volume de aniversário, podem ter certeza que vale cada centavo investido.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Happy Hour #55 - Intervenções urbanas




Oi, minha gente! Como andam vocês, hein? Nossa, eu estou em uma correria insana na univerisidade. Final de período não faz bem a ninguém. É, isso mesmo, final de período. =( Maas enfim, estamos aqui pra falar de um assunto bacana, não é mesmo?


Do nosso Templo Literário, na Happy Hour #54, vamos para as ruas. Sim, as escadas, fachadas, ruas e passarelas. Esse "lugar" que tem certos detalhes que nos passam despercebidos, mas que contaram com um toque especial de artistas. Não sei se não renomados ou não, famosos ou anônimos, ricos ou pobres, chatos ou legais, mas o fato é que dispuseram uma parte de seu tempo para transformar espaços muitas vezes mortos e sem vida, em um cenário mais divertido e gostoso de estar ou de passar por. 

Fiz uma seleção de imagens bem bacanas. Boraa ver!!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Happy Hour #27 - Miniaturismo

Oi gentee!! Como vão vocês nesse bendito feriadão de Proclamação da República? rsrs Eu amei essa pausa para descansar e colocar as coisas em dia. 

Antes de tudo, gostaria de agradecer o carinho e os comentários na Happy Hour #26. Eu me diverti muito pesquisando todas aquelas lendas e histórias. E vocês nem imaginam o que há fora do Brasil. É cada história!! rs Quem sabe algum dia não falo mais disso aqui? '-' E, além de tudo, ainda recebi muita energia positiva e desejos de boa sorte no (nem tão) bendito ENEM. 

Mas o nosso assunto de hoje é completamente diferente do nosso último encontro. Vamos falar de Miniaturismo! Isso mesmo, a bela arte de reproduzir objetos, lugares e pessoas em tamanhos charmosamente pequenos... '-' Eu acho sensacional e creio que vocês irão curtir também. Preparados?


Ao longo da História...
Castelo de Neuschwanstein, na
antiga Baviera
O Miniaturismo é uma arte bem antiga. Há relatos de indícios encontrados em escavações arqueológicas no Egito, Roma e Grécia! E ao longo do tempo esse costume foi ganhando mais adeptos e se disseminando pelo mundo. 

Em meados do século XVI, o Duque da Baviera, Albrecht V, mandou que construir uma casa de bonecas em miniatura para sua filha, porém dada a riqueza do detalhamento e realismo da obra, o próprio Duque acabou por incluir a casa em sua coleção de obras de arte. Esta casa foi destruída em 1674 em um incêndio no palácio do Duque.


No século XVII, as cozinhas em miniaturas de Nuremberg, na Alemanha, ficaram famosas.



No século XVIII, são criadas os “cabinet houses”- ambientes armados dentro de armários.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Happy Hour #16 - Taj Mahal

Olá meus queridos!! Como vão vocês?! Espero que muito bem. =D Antes de mais nada, eu gostaria de agradecer à todos pelo carinho na Happy Hour #15, sempre com lindos comentários! Obrigada!! *-*


Mas vamos para o assunto de hoje, né! Como todos sabem, esta é a Semana dos Namorados, já que o dia propriamente dito foi comemorado na terça feira, 12/06. Não demorou muito para que eu pensasse em um assunto que se encaixasse, ao mesmo tempo, nessa data e na Happy Hour. Acho que nunca tinha tratado de um tópico assim antes, mas garanto que ele engloba cultura, arquitetura e uma bela história de amor, afinal o tema de hoje é o impressionante TAJ MAHAL!!! Preparados?! 



 
Ana Liberato