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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Resenha: "Maus - A História de um Sobrevivente" (Art Spiegelman)

Tradução: Antonio de Macedo Soares

Sinopse: Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. 

A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas - história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. 

Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. 

De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável. 

"Maus é um livro que ninguém consegue largar. Quando os dois ratos falam de amor, você se emociona; quando eles sofrem, você chora." - Umberto Eco 

"Um triunfo modesto, emocionante e simples - impossível descrevê-lo com precisão. Impossível realizá-lo em qualquer outro meio que não os quadrinhos." - Washington Post 

"Uma história épica contada em minúsculos desenhos." - New York Times 

"Uma obra de arte brutalmente tocante." - Boston Globe 

"A narrativa mais comovente e incisiva já feita sobre o Holocausto." - Wall Street Journal 

"Maus é uma obra-prima. Como todas as grandes histórias, diz mais sobre nós mesmos do que poderíamos imaginar." - The Guardian

Fonte: Amazon

Por Eliel: No dia 16 de Dezembro assisti uma adaptação teatral baseada nesse livro e eis que me despertou a vontade de conhecer a obra original. A história do Holocausto eu já conheço, porém não se compara ao relato de alguém que vivenciou um dos momentos mais sangrentos do século passado e que marcou gerações.

"Maus" significa Rato em alemão. Durante a Campanha Nazista os judeus foram duramente atacados pela publicidade política e até mesmo representados como ratos, o mamífero que mais transmite doenças. Provavelmente por causa desse fato histórico, Art Spiegelman faz uso antropomorfismo para representar as nacionalidades das pessoas e assim representar o clima de racismo e segregação que pairava no ar.

Art conta a história de seu pai, Vladek Spiegelman, um dos sobreviventes do Campo de Auschwitz. Uma reaproximação entre Art e seu pai e o projeto desse livro garantiram um narrativa emocionalmente tocante. Além de ser a primeira obra em quadrinhos a receber o Prêmio Pulitzer.

Nessas páginas são feitos retratos reais dos envolvidos. Vladek é um sobrevivente cheio de histórias para contar e também um mesquinho muquirana cheio de preconceitos. Art não tem uma relação muito boa com seu pai e alguns problemas psicológicos para resolver, mas é um artista incrível que produziu essa graphic novel.

As memórias de Vladek estão registradas nessas páginas como uma biografia sem meias verdades, a vida na Polônia, o casamento com Anja, o período da guerra e após. Na peça em que assisti as passagens entre Vladek e Anja eram as mais emocionantes e as que me arrancaram algumas lágrimas.

Já no livro a riqueza de detalhes do dia a dia dos prisioneiros de campos de concentração é impressionante. Os atos cruéis cometidos com seres humanos são inimagináveis. Os fracos não tinha muita chance de sobrevivência, o que salvou Vladek foi sua inteligência e sua força de vontade.

Vou recomendar fortemente a leitura desse livro que pode ser uma porta de entrada para o mundo dos quadrinhos e também, se você tiver a oportunidade de assistir a adaptação teatral (essa dica é para os da capital de São Paulo). Impossível não se emocionar e diria até mesmo se envergonhar da capacidade humana de lidar com seu próximo de uma forma tão cruel. Uma obra para pensar e repensar.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha: "Um Artista do Mundo Flutuante" (Kazuo Ishiguro)

Tradução: José Rubens Siqueira

Sinopse: Masuji Ono, protagonista e narrador deste primoroso romance do vencedor do prêmio Nobel de literatura, é um homem de seu tempo. Pintor de grande renome do Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ainda jovem Masuji desafiou o pai para seguir a vocação artística e, durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço de seu país. Usando a influência de que gozava perante as autoridades do governo imperial, Ono buscava ajudar pessoas de bem em situações menos favorecidas do que a sua.
Ambientado nos anos imediatamente após a rendição, o romance descortina a vida de Masuji já aposentado, procurando entender as mudanças vividas pelo país e impressas na mentalidade da geração mais jovem, da qual fazem parte suas duas filhas. Ao procurar entender por que as negociações para o casamento da mais nova delas foram abruptamente interrompidas, o protagonista se vê levado a rememorar sua vida de artista e professor respeitado e a enfrentar a consequência dos próprios atos no destino de seus descendentes.

Retrato comovente de um momento histórico cujos desdobramentos se veem até os dias de hoje, Um artista do mundo flutuante é também um poderoso romance sobre a velhice, a culpa e a passagem do tempo. 




“Há muitos bons escritores, mas poucos bons romancistas. Kazuo Ishiguro pertence a este escasso grupo. Seu segundo romance, Um artista do mundo flutuante, é do tipo que aprofunda a consciência do leitor, ensinando-o a ler mais sensivelmente.” — The New York Times Book Review

Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: Alguns detalhes antes de começar essa resenha propriamente dita. Que eu sou apaixonado pela obra de Ishiguro não deve ser novidade para quem acompanha o Dear Book. A maioria dos leitores não deve saber, mas sou estudante de Artes Visuais e esse livro é um ode à carreira artística profissional (minha paixão só aumenta). Um último detalhe antes de começarmos, a capa é uma obra de arte de Neil Gower que foi brilhantemente (literalmente hahaha, os detalhes em laranja da capa realmente brilham) adaptada por Alceu Chiesorin Nunes.

[...] me lembro claramente de decidir não dar atenção ao que ocorrera na sala de visitas depois que saí. Naquela época, claro, as casas eram todas mal iluminadas, de forma que não era incomum ficarmos parados no escuro para conversar. Eu podia distinguir a figura da minha mãe à minha frente, mas não conseguia enxergar seu rosto."Alguma coisa está queimando na casa", observei."Queimando?" Minha mãe ficou em silêncio por um momento, depois disse: "Não. Acho que não. Deve ser imaginação sua, Masuji"."Senti cheiro de queimado", eu disse. "Olhe só, acabei de sentir de novo. Papai ainda está na sala de visitas?""Está. Ocupado com alguma coisa.""Seja o que for que esteja fazendo lá", eu disse, "não me interessa nada."Minha mãe não emitiu nenhum som, então acrescentei: "A única coisa que papai conseguiu foi atiçar minha ambição"."Que bom ouvir isso, Masuji."

Ambientado no Japão Pós-Segunda Guerra Mundial, iremos acompanhar um recorte da pacata vida do pintor aposentado, Masuji Ono. Ele é o narrador dessas memórias e fala diretamente com o leitor, porém não é muito confiável em algumas passagens. Essa característica torna a narrativa muito mais verdadeira e sensível.

Esse recorte da vida de Ono começa com a visita anual de sua filha mais velha, Setsuko, e seu netinho. Os temas iniciais são bem corriqueiros do dia a dia dentro da cultura japonesa, enquanto conversam sobre amenidades as memórias de Ono são mescladas à sua narrativa. Essa característica se parece muito com aquelas conversas que sem sabermos como chegam a reflexões profundas de forma natural.

Noriko, a filha mais nova de Ono, já está com 26 anos. Para a cultura da época em que se passa essa história, ela está ficando velha para encontrar um bom casamento. O casamento era a união de duas famílias e não apenas de duas pessoas, portanto era movido por interesses visando a pureza das famílias. Paira no ar a ideia de que as últimas negociações para uma união de Noriko foram canceladas devido ao passado de seu pai.

Ono acredita que suas filhas comentam e discutem sobre essas coisas às suas costas. Como nem o próprio narrador tem certeza disso, nós leitores somos levados pela opinião dele. Isso, de forma sutil, faz com que ele comece a refletir sobre seu passado e compartilhar os acontecimentos como se fossem leves devaneios. É interessante essa forma de se contar uma história, que vira e mexe ele te puxa ao presente depois de te levar nessa sua visita ao passado.

Ono foi um importante e promissor artista durante o período da guerra, prestando muitos serviços a nação, porém parece que agora ele não tem tanto orgulho do que fez. Isso fica subentendido por não haver nenhum dos seus quadros expostos pela sua enorme casa, embora tenha de outros artistas que ele admira. Até mesmo seu neto pergunta se ele era mesmo um grande artista e insiste em ver seus quadros, Ono se limita a dizer apenas que estão guardados.

Havia, sem dúvida, muito a admirar na ideia de "um leilão de prestígio", como dissera a irmã mais velha. É até de imaginar por que as coisas não são resolvidas por esse meio mais vezes. Como é muito mais honrosa uma disputa em que são levadas em conta moral e as realizações em vez do tamanho da bolsa. Ainda me lembro da profunda satisfação que senti quando soube que - depois da mais minuciosa investigação - os Sugimura tinham considerado a mim o mais digno da casa que tanto amavam. E sem dúvida essa casa merece que se tenha sofrido alguns inconvenientes; apesar do exterior grandioso, imponente, por dentro é um lugar de madeiras naturais delicadas, escolhidas pela beleza de seus veios, e todos nós que vivemos nela viemos a considerá-la muito propícia para calma e relaxamento.

Constantemente ele revisita o antigo bairro dos prazeres, e aos poucos nos apresenta o que era/é o Mundo Flutuante. Um mundo efêmero, habitado por beleza passageira, bebidas e fonte de inspiração e um oásis em meio à guerra. No presente, pouco sobrou disso.

Chamo de "nosso bairro do prazer", mas creio que na verdade não era nada mais que um lugar para se beber, comer e conversar. Era preciso ir ao centro da cidade para os verdadeiros bairros do prazer- com casas de gueixa e teatros. Mas eu mesmo sempre preferi o nosso próprio bairro. Atraía uma multidão animada mas respeitável, muitos deles gente como nós - artistas e escritores, seduzidos pela ruidosa conversa que se estendia noite adentro.[...]"A melhor beleza, a mais frágil, que um artista pode ter a esperança de captar flutua dentro daquelas casas do prazer depois que escurece. E em noites como estas, Ono, alguma beleza dessas flutua por aqui pelas nossas salas. Mas quanto àqueles quadros ali, eles nem chegam perto dessas qualidades transitórias, ilusórias. Têm falhas profundas, Ono".

De forma despretensiosa temas profundos são trazidos à tona. O choque de gerações é o mais presente, afinal temos um geração que participou e sobreviveu a guerra e arca com suas consequências e outra que anseia pelas mudanças. Ono, no passado, teve seus próprios desafios ao lidar com seus mestres e sua ousadia e ambição.

Outro tema que me chamou a atenção foi o impacto e uso da arte nos movimentos militares. O quanto um artista pode influenciar a cultura, a sociedade e o ambiente à sua volta? Ono levanta muitos questionamentos durante sua trajetória e o mesmo pondera muito no que isso trouxe para sua vida. Isso enquanto toma providências para que novas negociações de casamento de Noriko não fracassem.

A narrativa pode parecer meio monótona e melancólica, porém ela tem sim um tom melancólico e um ritmo que te prende do começo ao fim. Minha experiência com essa leitura foi bem emocionante, Ishiguro tem um jeito de tocar os sentimentos do leitor de forma bem delicada e sensível. Vale a pena a leitura e a reflexão, além disso, recomendo um respiro e uma digestão dessa obra.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha: “O Navio das Noivas” (Jojo Moyes)

Tradução de: Flávia Rössler

*Por Mary*: Olha eu!

Como muitos de vocês devem saber, sou uma grande fã de Jojo Moyes. Além de uma escritora impressionante, com uma coleção bastante multifacetada, ela tem o impressionante talento de tocar seu leitor sem necessariamente fazê-lo chorar. Seu objetivo nunca parece ser abordar o sofrimento, mas o que existe por trás dele. 
Perdi a inocência, meus amigos perderam a vida, por isso sofro por não ter mais o que sequer tive certeza de que um dia já quis. Pelo menos até ser tarde demais.

O Navio das Noivas reúne tudo o que a gente gosta: romance, aventura, História, ambientações magníficas e a qualidade inconfundível de uma das autoras mais brilhantes da atualidade.

Com direito a susto no final, Jojo Moyes nos leva a navegar a bordo do porta-aviões HMS Victorious, que, em sua última missão pós-guerra, tem a tarefa de transportar mais de 600 esposas australianas rumo à Inglaterra, onde um futuro incerto as aguarda ao lado dos maridos oficiais e suas famílias britânicas.

Inspirado nos repatriamentos realizados pela Marinha Real Britânica em meados de 1946, a autora foca sua narrativa em quatro passageiras: Margaret, uma mulher forte, acostumada à vida rural, cheia de inseguranças acerca de sua capacidade em ser uma boa mãe e esposa; Avice, menina fútil da alta sociedade australiana, filha de um importante comerciante e acostumada a ter todos seus caprichos atendidos; Jean, uma moça muito jovem, inconsequente e imatura; e, por fim, Frances, uma enfermeira discreta e pragmática, que claramente guarda um segredo.

A reunião improvável de mulheres tão diferentes para dividir a cabine durante uma travessia de seis semanas acaba por reviver demônios internos, trazendo à tona segredos e confidências.
- Será que enlouquecemos, Frances? – perguntou ela, por fim.
- O quê?
- Que diabo de decisão foi essa que tomamos?
- Não tenho certeza do que...
- Abandonamos tudo, todas as pessoas que amamos, nossa casa, nossa segurança. E para quê? Para sermos agredidas e depois rotuladas de vagabundas, como Jean? Para que a Marinha interrogue sobre nosso passado, como se fôssemos criminosas? Para passar por tudo isso e no fim alguém dizer que não somos bem-vindas? Porque não há garantia, certo? Nada prova que esses homens e suas famílias vão nos aceitar, não é mesmo?
Com uma narrativa descontínua, em terceira pessoa, Jojo nos apresenta a outros intrigantes personagens, como, por exemplo, o solitário e workaholic comandante Highfield, apaixonado pelo mar, atormentado pelos erros do passado e perdido diante da aposentadoria iminente.

Além do comandante, conhecemos, dentre outros, o fechado fuzileiro naval Nicol e o misterioso fornalheiro Dennis Tims.

Uns, muito apaixonantes; outros, nem tanto. Não obstante, sem sombra de dúvidas, todos muito interessantes. 
Ele se convencera de que era incapaz de ter sentimentos. Tinha ficado tão abalado com os horrores da guerra, com a perda de tantas pessoas à sua volta que, como tantos homens, se fechara. Agora, forçado a examinar com sinceridade seu comportamento, achava que talvez nunca tivesse amado a esposa, que talvez tivesse se deixado levar pela expectativa, pela ideia de que devia se casar (...). Não havia espaço para desejar outras coisas, para alternativas. Você foi em frente com o que tinha. Talvez, ele pensava durante os piores momentos, relutasse em admitir que a guerra o libertara de tudo aquilo.
Acho que em alguma de minhas resenhas anteriores sobre a Jojo Moyes, devo ter mencionado o quanto acho impressionante sua habilidade de criar enredos muito distintos entre si, com personagens que em nada se igualam aos demais. E, neste livro, não foi diferente.

Apesar de sentir certa semelhança com A garota que você deixou para trás, se formos analisar mais a fundo, não tem muita coisa parecida, não. O Navio das Noivas se passa, quase que inteiramente, em 1946, no turbilhão de incertezas deixado pela Segunda Guerra Mundial.

Além de abordar as incertezas, inseguranças e temores dos passageiros a bordo do HMS Victorious, pode-se identificar facilmente o realce ao empoderamento feminino, partindo da constante desconstrução do discurso sexista e do tratamento separatista até então muito em voga – mas que começava a perder força gradativamente. 
Nunca nos contam que não ficamos só com o vazio da perda, mas também com uma infinidade de perguntas que jamais serão respondidas.
Quando a gente costuma ler determinado autor, passamos a identificar certas características nele. Sendo assim, apesar de a Jojo ter um estilo muito diversificado, sua estilística é muito pessoal e, assim como os demais, carrega algumas marcas. Uma destas que eu ressaltaria aqui é o início lento das suas tramas. Normalmente, demoro um pouco a engrenar nas leituras dos livros desta escritora, o que não significa dizer que sua escrita é difícil. Porque não é. Se trata muito mais de um clima mais lento, entende? Como quando a gente sobe em uma esteira, começa andando devagarzinho, vai, vai, vai mais um pouco, e, quando menos esperamos, estamos a correr esbaforidos em cima dela. No fim, como já estamos aquecidos, a caminhada flui mais facilmente e, por fim, a esteira para, nos dando aquela sensação de dever cumprido.

O Navio das Noivas é um livro fascinante, que merece ser saboreado devidamente, como fazemos com todo bom livro – e aí não importa se é em dois dias ou em duas semanas, porque cada um tem o seu tempo. Se você quer aventura com uma boa pitada de romance, recheado de qualidade e excelentes informações históricas, além de visuais exuberantes, você não pode deixar este livro passar.
Foi nesse momento, ao observar seu rosto pálido e sério, e ouvir na sua resposta a determinação de nunca deixar de lado o sofrimento dos outros, que ele percebeu que o que sentia por ela não era nada apropriado.
- Eu... eu... não...
O choque dessa percepção o deixou sem voz, e depois ele apenas balançou a cabeça em silêncio. Embora não tivesse relação com o assunto, de repente se lembrou da sua última folga em terra, quando se sentiu exposto e envergonhado.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Resenha: “O menino no alto da montanha” (John Boyne)

Tradução de: Henrique de Breia e Szolnoky

*Por Mary*: Olá, pessoinhas! Hoje não vou enrolar, não. Vem comigo, que tem livro bom pra gente conversar.

Meu primeiro – e, até então, único – contato com este autor foi com O Menino do Pijama Listrado, que é um livro que indico para todo mundo. Fiquei impressionada, tocada e sem palavras com a narrativa inteligente, sutil e incisiva de Boyne.

John Boyne, aliás, parece ostentar a habilidade de arrancar distintas emoções de seu leitor. Se, por vezes, a gente sente raiva, em outras somos tomados pela sensação de impotência, para logo depois ficarmos chocados com as ações de seus personagens e, muito frequentemente, sem palavras, olhando para o nada, sem saber como reagir a alguma de suas mais impactantes cenas. 
O que aconteceu com você, Pierrot? Era um menino tão doce quando chegou. É fácil assim corromper os inocentes?
Com O menino no alto da montanha não é diferente.

Pierrot é um garotinho parisiense de sete anos, filho de mãe francesa e pai alemão, que tem como melhor amigo Anshel – um judeu com deficiência auditiva – e vive a efervescência do nazismo. Após a perda dos pais e uma temporada no orfanato das irmãs Durand, Pierrot se muda para Berghof, onde mora a tia Beatrix, em uma bela mansão no alto de uma montanha alemã próxima à divisa com a Áustria.

O senhor de Berghof é Adolf Hitler, líder do Partido Nacional-Socialista e fundador do crescente movimento nazista; um homem sisudo, de bigode estreito e com ideias distorcidas sobre as coisas, que logo se torna seu protetor. Constantemente vítima das piadas e violência dos mais fortes, Pierrot experimenta pela primeira vez, ao lado do Führer, o viciante sabor do poder. Seduzido pelo futuro glorioso vislumbrado para o Reich, Pierrot trai não apenas as pessoas que ama, mas, principalmente, a si mesmo. 
Me apavora pensar no tipo de homem que ele vai se tornar, se isso continuar – disse Breatrix. – Alguma coisa precisa ser feita. Não só por ele, mas por todos os meninos como ele no mundo. Se não for impedido, o Führer vai destruir o país todo. A Europa toda. Ele diz que está iluminando a mente do povo alemão, mas é mentira. Hitler é a própria escuridão.
Com uma narração em terceira pessoa, John Boyne desenha de modo muito delicado os fatos que compõem sua trama, impondo em sua escrita impressões e marcas tão sutis que somente um leitor mais atento não deixará passar despercebido. Não é nenhum demérito, muito pelo contrário, porque o leitor desatento, apesar de perder parte da maestria deste grande escritor, ainda poderá se deliciar com uma história bem contada, envolvente e fundamentada com uma pesquisa minuciosa acerca do corte histórico a que se propõe contar.

E por falar em leitores atentos, aposto que estes terão notado breves participações literárias, já conhecidas, entre as páginas de O menino no alto da montanha. Mas não posso contar o que é, afinal, estragar a surpresa não tem graça nenhuma.

É muito difícil não encarar O menino no alto da montanha de uma tacada só – eu mesma não consegui fazer isso. Contudo, eu aconselho uma leitura com calma, pois, francamente, Boyne é uma leitura que precisa ser apreciada, curtida, refletida. Sabem como é, façam o que eu digo e não o que eu faço. Embora nada os impeça de ler várias vezes, claro. 
[...] Sempre odiara qualquer forma de violência, e se afastava instintivamente de conflitos. Alguns meninos na escola de Paris começavam uma briga por qualquer provocação – e pareciam gostar daquilo. [...] Pierrot nunca via; não entendia o prazer que certas pessoas tinham em machucar os outros.
Merece um adendo o desfecho desta história, que foi escrito no curso de uma disciplina de escrita criativa ministrada pelo autor a mestrandos da Universidade de East Anglia, Norwich. Já queremos cursar escrita criativa com o John Boyne pra ontem? Queremos! Urgentemente!

Enfim, vou ficar por aqui deixando a minha mais sincera indicação aos leitores que se interessam por temas históricos, especialmente a Segunda Guerra Mundial. Portanto, se você deseja um romance interessante, uma trama envolvente e reflexiva, inteligente, bem amarrada e com mil outras qualidades, não deixe de conhecer Pierrot, O menino no alto da montanha.
- Olhe para mim, Pieter. Olhe para mim.
Ele levantou os olhos cheios de lágrimas.
- Não finja que não sabia o que estava acontecendo aqui – disse Herta. – Você tem olhos, tem orelhas. E esteve naquele escritório inúmeras vezes, tomando notas. Você ouviu tudo. Viu tudo. Sabia de tudo. E sabe também das coisas pelas quais foi responsável. – Herta hesitou, mas era algo que precisava ser dito. – As mortes que carrega na consciência. Você ainda é jovem, tem só dezesseis anos. Tem muitos anos pela frente para ficar em paz com sua cumplicidade no que foi feito. Mas jamais convença a si mesmo de que não sabia. – Ela soltou o rosto dele. – Seria o pior crime de todos.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Resenha: "Madonna Capadócia" (William Fernandez)



Por Marianne: Sempre fico feliz ao receber livros de autores brasileiros. É a oportunidade de conhecer e divulgar quem tanto batalha pra ter seu livro publicado nessa nossa terrinha onde tudo é sempre tão difícil.
Madonna Capadócia conta a história de Mileva, uma alemã que passa uma temporada na Ucrânia e lá conhece Magnus, Aleksei, Sasha e Shura. Apesar das diferenças sociais, Mileva é filha de aristocratas alemães e as outras crianças são filhos de camponeses ucranianos, a amizade entre eles se desenvolve rapidamente, como deve acontecer quando pré-adolescentes nas casas de seus quatorze anos se encontram.
   Mileva e Magnus desenvolvem um relacionamento mais próximo e intenso. É gostoso acompanhar o jovem casal descobrindo o primeiro amor e desenvolvendo dentro de si o carinho um pelo outro.

 Por alguns minutos, Magnus seguiu calado. A verdade é que, desde o dia que a conhecera, buscava continuar sua vida normalmente. Tinha consciência de algo mudara dentro dele, porém, aquela altura, com todos os problemas que o cercavam, sentia-se fraco e esgotado de tanto indagar a Deus o motivo de tudo aquilo. Por isso, achava que, talvez, daquela forma, fosse melhor. Pensava que seu mundo era pequeno para ela, não havia espaço para sonhar com aquela aventura. Tinha um pai ditador, uma irmã que lhe exigia os maiores cuidados, teria de trabalhar duro para viver, enquanto Mileva era uma menina alemã abastada que talvez nunca precisasse trabalhar.

    Mas a temporada de Mileva na Ucrânia está chegando ao fim, e mesmo sabendo da distancia e dos obstáculos geográficos que tem pela frente o casal promete continuar a se corresponder.
   Alguns anos depois quase tudo que existia na Ucrânia de 1932 está diferente. Os amigos se separaram e cada um seguiu com seu destino na tentativa de sobreviver à Segunda Guerra Mundial. Magnus agora é conhecido como Antony, um prestigiado atirador de elite da URRS e Mileva mudou de identidade e agora é Catarina, uma espiã alemã.
   Separados pelas tragédias do passado os amigos não tem ideia de que estão mais próximos do que podem imaginar. E, além disso, nem imaginam que uma maldição despertada ainda quando eram crianças e brincavam pelos campos na Ucrânia está de volta para assombrá-los nesses tempos de guerra.
   Ao começar a leitura, pela sinopse do livro e pela introdução do autor, tive certeza de se tratar de um romance que relata a vida de amigos que tiveram sua vida afetada durante a guerra. Mas o livro é muito mais do que isso. Ele passeia entra fatos históricos alternados com fantasia, utilizando a maldição da Madonna Capadócia como artifício fantasioso da história, e que funciona muito bem. Ao meu entender a maldição de Madonna Capadócia é nada mais que os piores fantasmas que assombram os homens que estiveram em campos de batalha na guerra, algo como um pós-trauma que foi personificado na história através da maldição.
   A história é muito bem construída e tem diálogos fascinantes e extremamente filosóficos acerca da sociedade, da guerra e dos valores da época.
   Minha única decepção com o livro foi a má revisão que pode ser um tanto traumatizante pra alguns leitores. Em algumas linhas a fonte muda completamente, frases são repetidas em sequência e palavras com a grafia errada aparecem bastante durante a leitura. Triste que o autor fez um ótimo trabalho que, na minha opinião, acabou perdendo um pouco de seu valor pela má revisão do livro. Fica a dica pra editora Pandorga, tenham mais atenção e dedicação com seus autores!
Essa foi a minha resenha de hoje, espero que tenham gostado e até a próxima!


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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Resenha: “Amor e Memória” (Ayelet Waldman)

Tradução de: Debora Fleck




*Por Mary*: Olaaaaaaaar, comunidade! Como vão as leituras?




Confesso que inicialmente escolhi este livro por conta da temática envolvendo a expropriação de bens dos judeus, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Todavia, fui surpreendida por uma profusão de temas interessantes, tais como: Feminismo e sufrágio universal, a criação do Estado de Israel, o tratamento dado aos refugiados de guerra, a relação interpessoal dos judeus oriundos de diversificadas comunidades e a realidade europeia no pós-guerra. 


Quando a guerra terminou, era como se alguém tivesse sacudido a colcha de retalhos em que a Europa se transformara, fazendo as pessoas caírem de paraquedas nos mais diversos confins do continente. Havia milhares de trabalhadores forçados e escravos recrutados na Polônia e na Rússia, na Dinamarca e na Holanda, vindos de todos os cantos do Terceiro Reich. Reunindo-se a esse fluxo de gente que perambulava entre os destroços deixados pela guerra estavam (...) centenas de milhares de alemães e austríacos compelidos pelas forças armadas de Hitler a desocupar suas cidades em vez de se entregar ao inimigo em expansão (...). Os antigos prisioneiros de campos de concentração constituíam apenas uma pequeníssima parcela de indivíduos amontoados nos campos de refugiados. No meio deles, escondiam-se alguns guardas dos antigos campos (...), que tentavam voltar furtivamente para casa antes de seus crimes virem à tona.
Em Amor e Memória, Natalie Stein é uma advogada recém-separada, prestes a perder o seu amado avô para o câncer. Como forma de dar um propósito à neta para superar o divórcio e luto iminentes e, também, aliviar sua própria consciência, Jack, um ex-Capitão de Infantaria, que serviu durante a Segunda Guerra Mundial, entrega-lhe um medalhão e pede que ela o devolva a seu legítimo dono – ou a seu herdeiro. O problema é apenas um: Jack não tem ideia de quem seja o dono da joia.

Na busca pela realização do último desejo do avô, Natalie acaba conhecendo Amitai Shasho, um negociador de obras de arte roubadas durante o Holocausto. Ele está em busca de um quadro cuja modelo usa justamente o medalhão, pintado por um artista não tão conhecido. Essa parceria acaba os unindo de uma forma ainda mais profunda e as descobertas a respeito do enigmático medalhão em filigrana de ouro ao estilo art nouveau são ainda mais impressionantes.

Uma joia. Três mulheres fortes e independentes. Vidas em momentos distintos da história entrelaçadas por um pingente esmaltado de pavão roubado durante a Segunda Guerra Mundial.
- Eu comecei tudo isso porque o meu avô sentia que tinha prejudicado alguém, e, para honrá-lo, eu precisava honrar esse sentimento. Aceitei a ideia de que poderia consertar a situação se achasse a mulher de quem ele havia tomado o colar, ou alguém que tivesse relação com ela, e devolvesse a peça. Imaginei as coisas voltando a se equilibrar. – Ela se virou para olhar o museu. – Mas é claro que não se tratou de nada disso, né? O meu avô está morto. Ele nunca vai saber o que foi que eu fiz ou deixei de fazer com o colar. Essa obsessão só serviu como repositório para o meu luto por ele. E pelo meu casamento, eu acho.
- Você tinha essa noção desde o princípio?
- Acredito que sim, mas acho que só agora entendi que, durante toda a minha vida, minha experiência com o Holocausto foi exatamente a mesma coisa: um repositório útil para os sentimentos. Em virtude da minha religião, eu estava livre pra adotar essa tragédia colossal e sem precedentes como se fosse minha. Por causa do Holocausto, eu tive permissão ou, melhor, o direito de sentir toda a dor de que a minha vida abençoada e confortável me poupou. Só que essa nunca foi a minha tragédia. Coletivamente, como judia, sim. Mas pessoalmente? Não.
Amitai balançou a cabeça, quase rindo, porque naquele mesmo instante sentia, pela primeira vez, que a tragédia dos judeus da Europa lhe pertencia sim.
Com um texto bem escrito e uma trama igualmente bem amarrada, Ayelet Waldman narra, predominantemente em terceira pessoa, a busca de Natalie e Amitai pelos verdadeiros donos do medalhão, entrelaçando com maestria três histórias aparentemente paralelas unidas por um ponto de interseção de ouro adornado por ametistas e peridotos.

Para além de um livro incrível, a autora também é muito feliz na criação de seus personagens, extremamente reais, cheios de defeitos e virtudes. As figuras femininas, aliás, são fortes e dominantes, absolutamente independentes mesmo em sociedades patriarcais que tolhem as liberdades e escolhas pessoais das mulheres. Três homens relativamente pacatos têm suas vidas viradas de pernas para o ar diante destas personas involuntariamente apaixonantes.
- Em Nova York, você vai ser minha mulher, Ilona, casa comigo. – pediu ele, caindo no chão com atraso, apoiado em um dos joelhos.
- Meu Deus, Jack! Você está bem?
- Estou.
- Mas você caiu.
- Eu não caí. Estou me ajoelhando, Ilona. Por favor, casa comigo.
Algo bastante singular que observei em Amor e Memória é que não há um "endeusamento" dos Aliados. Os vencedores da guerra, sobretudo os soldados americanos – particularmente retratados – são descritos de modo muito realista, não-heróicos e, por vezes, corruptos. Quando o assunto é Segunda Guerra Mundial, estamos acostumados a enxergar somente o lado do bem e o lado do mal – o que é muito fácil, cá entre nós – esquecendo-nos, por exemplo, do descaso com relação aos refugiados no pós-guerra, da apropriação indevida de bens dos judeus, do despreparo de grande parte dos soldados e da situação preocupante que assolou a Europa durante o período.

Fato é que Ayelet recheia seu livro de informações importantes, que contextualiza um conflito proveniente de décadas – talvez até séculos – anteriores e que aprendemos na escola de maneira descontextualizada, resultando em um dos maiores absurdos já praticados pelo homem – e olha que não foram poucos, hein? – fruto de posicionamentos ideológicos equivocados e desumanos.

Senti falta, contudo, de uma razão mais direta que relacionasse a última parte do livro à trama principal. Apesar de relevante, esclarecedora e extremamente rica, a maneira como foi alocada pela escritora ficou parecida como a de um “apêndice” o qual, apesar de sanar dúvidas dos leitores e fechar núcleos, não possui uma ligação contundente com o mote da obra. Penso que, com uma rápida adaptação em alguns diálogos e mudando de lugar algumas cenas, talvez  a trama ficaria ainda melhor amarrada e mais dinâmica.

Portanto, se você é apaixonado por boas histórias, ricas, bem escritas, esclarecedoras e que vão te agregar conhecimento sem deixar de entreter, não deixe de ler Amor e Memória.
- Depois que fomos liberados, a Cruz Vermelha inglesa fez uma inspeção. A gente não tinha nada. As pessoas ainda estavam morrendo a cada minuto. Lembro ter visto uma mulher, com um pedacinho de sabão, se limpando com a água de uma cisterna onde flutuava o corpo de uma criança morta. Mas então veio a Cruz Vermelha e, alguns dias depois, chegaram dez caixotes de batom, ninguém sabe como nem de onde. Não tínhamos comida nem gaze, mas batom a gente tinha. E, caramba, era muito batom! Caixas, caixas e mais caixas. Estávamos tão felizes! Todas nós usávamos batom o tempo todo. As mulheres se agachavam nos cantos para esvaziar os intestinos com disenteria, mas seus lábios... De um vermelho perfeito. Minha amiga morreu segurando seu batom. Era a coisa mais importante que ela possuía.
- No campo, ninguém é mais do que uma cabeça raspada, um trapo de roupa e um número. Mas – completou Ilona, juntando um lábio no outro – , se você põe um batom na boca, acaba virando uma pessoa. Um ser humano.
- Você está linda. – Disse Jack.
- Linda talvez não, mas um pouco mais parecida comigo mesma.

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Resenha: "História Bizarra da 2ª Guerra Mundial" (Otavio Cohen)

Sinopse: Adolf Hitler era um tirano com mania de grandeza, Winston Churchill era um grande estrategista, Franklin D. Roosevelt era um presidente bastante popular. Disso, todos sabem. Mas talvez você não tenha ouvido falar que Hitler adorava tanto o filme E o vento levou que até tentou copiá-lo. Ou que Churchill, em pleno racionamento de comida, comeu de uma só vez uma porção de carne que deveria durar uma semana. Ou ainda que o filho de Roosevelt chegou a tirar soldados americanos de um avião de guerra para transportar seu cachorro em segurança. A Segunda Guerra Mundial deixou o mundo em pedaços. Mas, debaixo dos escombros, há grandes histórias inusitadas, personagens incríveis e feitos absurdos. E foi a partir dessas partes mais bizarras do conflito mais importante da história que Otavio Cohen elaborou esse livro. Diversão e conhecimento “junto e misturado”!Fonte: Skoob

Por Eliel: Na escola aprendemos sobre os conflitos políticos que culminaram nos eventos da Segunda Guerra Mundial, aprendemos sobre Adolf Hitler e suas atrocidades contra as minorias, e sobre as duas bombas nucleares no Japão que deram fim à essa era. Porém, muita coisa aconteceu nos bastidores, muitos detalhes e curiosidades não são ensinados nas aulas de história. O período de 1939 e 1945 está repleto de fatos que você não poderia nem desconfiar.

Agora, esqueça tudo que já foi escrito e reportado sobre o conflito porque chegou a vez de você conhecer os relatos mais fora do comum já reunidos sobre o tema.

Otavio Cohen é o jornalista responsável por reunir todos os fatos mais bizarros e curiosos desse período tão trágico. Mas não se trata apenas de uma coletânea de fatos engraçados, e sim de fatos que nos ajudam a compreender as intenções e motivações por trás dos atos tão bem conhecidos.

A solução era transformar a Inglaterra numa grande fazenda, estimulando o cultivo de subsistência. Os cidadãos eram encorajados a plantar batatas, que logo viraram mania nacional (meio que por falta de opção).

Com uma linguagem clara e objetiva pode ser de ajuda para os estudantes compreender o que aconteceu em um dos mais importantes eventos da história mundial. O objetivo não é ser um livro didático, isso pode ser visto claramente pelo humor característico que os fãs da revista Superinteressante (Otavio Cohen escreve lá ^^). Na minha opinião de educador, essa é uma das melhores formas de ter a atenção e consequentemente o aprendizado das pessoas.

Se a Segunda Guerra Mundial fosse um tabuleiro do War, você conseguiria ver nitidamente que os nazistas estavam ganhando.

Os fatos são apresentados de uma forma lúdica, temos relatos da vida das peças mais importantes desse conflito e também de anônimos que sem querer estavam envolvidos nisso tudo, enfim, para os fãs do tema vão se deliciar com essas mais de 50 histórias. Tomo a liberdade de dizer que esse livro acaba se tornando indispensável para todos que queiram entender as nuances da Segunda Guerra.


Me diverti bastante, apesar do tema não ser engraçado, em perceber do que as pessoas eram capazes em tempos de guerra. Além disso, nos lembrarmos do que aconteceu nos impedirá de repetir erros tão catastróficos.

Vida de nazista megalomaníaco não é fácil.

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Ana Liberato