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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Retrospectiva Dear Book 2016 – Casa da Palavra

Se você está procurando por um livro e não sabe bem qual adequar ao momento – ou mesmo está em dúvida sobre levar ou não um livro a mais no carrinho de compras numa promo, vamos destacar neste post livros e trechos de resenhas da nossa equipe, de 2016. Esperamos que isso ajude nossos caros leitores na hora da compra ;) Acompanhem as retrospectivas!

Obs: nem todos os livros são lançamentos de 2016.


A vida peculiar de um carteiro solitário
Denis Thériault
Resenha completa aqui

A escrita de Denis é uma poesia em prosa e uma prosa em poesia. [...] Para as camadas que envolvem em A vida peculiar, o autor se saiu muito bem, muito ambicioso. Foi deliciosamente singelo e simplório [...] Por tratar-se justo de uma escrita sobre escrita, imaginei que a leitura fosse se mostrar lenta, mas não, ela flui bem rápida e, com 128 páginas, é para uma sentada só. [...] Você não encontra muita ação na história, porém, tem umas reviravoltas magníficas. Com pitadas de mistério e suspense, que a verdade seja dita: Denis prega várias peças na gente. Uma preciosidade só!


Sonho febril
George R.R. Martin
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O Fevre Dream (Sonho Febril) navegará por águas turbulentas de dúvidas e em meio à uma guerra mais antiga que o próprio Mash. Temas históricos são abordados como pano de fundo para essa ficção, por exemplo: as navegações a vapor, questões raciais e escravagistas, além dos próprios mitos relacionados aos vampiros. [...] Você vai perceber que as personagens são construídos com muitas camadas de profundidade na sua personalidade que já são características conhecidas de Martin. Ele criou uma nova origem para esse tema tão recorrente nos livros depois de Bram Stoker. Digamos que é uma volta às origens do horror.



Amor e memória
Ayelet Waldman
Resenha completa aqui

Fato é que Ayelet recheia seu livro de informações importantes, que contextualiza um conflito proveniente de décadas – talvez até séculos – anteriores e que aprendemos na escola de maneira descontextualizada, resultando em um dos maiores absurdos já praticados pelo homem – e olha que não foram poucos, hein? – fruto de posicionamentos ideológicos equivocados e desumanos. [...] se você é apaixonado por boas histórias, ricas, bem escritas, esclarecedoras e que vão te agregar conhecimento sem deixar de entreter, não deixe de ler Amor e Memória.


No Sufoco
Chuck Palahniuk
Resenha completa aqui

Esse é possivelmente e por falta de uma definição melhor, o livro mais distorcido que eu li nos últimos anos. Eu jamais daria atenção se o encontrasse no estande da livraria, mas foi um achado muito interessante, pois foi um prazer ser apresentada ao humor negro e sarcasmo de Chuck Palahniuk. Eu indico este livro para quem quer fugir da leitura de sempre, das histórias repetidas e dos clichês. Como eu disse anteriormente, tudo nessa história é distorcida: o amor, o sexo, o herói e o vilão. Para apreciar esse livro é preciso quebrar todos os pré-conceitos da moral e avaliar o personagem principal sem julgamentos.


Nova York para amantes do cinema
Barbara Boespflug e Beatrice Billon
Resenha completa aqui

A ideia que, por si só já é bacana, vem coroada com um projeto gráfico que da gosto de ver, coisa de encher os olhos! <3 [...] A cada página do livro ou você se sente no universo daquele longa de novo, ou fica super curioso para assistir a ele já que conhece um pouco mais de um de seus cenários. Alerta! Você pode demorar muito para finalizar este livro, por um motivo super nobre: assistir a todos filmes que ainda não viu!



Não conhece a editora e todos os selos? Confira:



Fantasy e Leya (nossa parceira <3)

  


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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Resenha: “Amor e Memória” (Ayelet Waldman)

Tradução de: Debora Fleck




*Por Mary*: Olaaaaaaaar, comunidade! Como vão as leituras?




Confesso que inicialmente escolhi este livro por conta da temática envolvendo a expropriação de bens dos judeus, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Todavia, fui surpreendida por uma profusão de temas interessantes, tais como: Feminismo e sufrágio universal, a criação do Estado de Israel, o tratamento dado aos refugiados de guerra, a relação interpessoal dos judeus oriundos de diversificadas comunidades e a realidade europeia no pós-guerra. 


Quando a guerra terminou, era como se alguém tivesse sacudido a colcha de retalhos em que a Europa se transformara, fazendo as pessoas caírem de paraquedas nos mais diversos confins do continente. Havia milhares de trabalhadores forçados e escravos recrutados na Polônia e na Rússia, na Dinamarca e na Holanda, vindos de todos os cantos do Terceiro Reich. Reunindo-se a esse fluxo de gente que perambulava entre os destroços deixados pela guerra estavam (...) centenas de milhares de alemães e austríacos compelidos pelas forças armadas de Hitler a desocupar suas cidades em vez de se entregar ao inimigo em expansão (...). Os antigos prisioneiros de campos de concentração constituíam apenas uma pequeníssima parcela de indivíduos amontoados nos campos de refugiados. No meio deles, escondiam-se alguns guardas dos antigos campos (...), que tentavam voltar furtivamente para casa antes de seus crimes virem à tona.
Em Amor e Memória, Natalie Stein é uma advogada recém-separada, prestes a perder o seu amado avô para o câncer. Como forma de dar um propósito à neta para superar o divórcio e luto iminentes e, também, aliviar sua própria consciência, Jack, um ex-Capitão de Infantaria, que serviu durante a Segunda Guerra Mundial, entrega-lhe um medalhão e pede que ela o devolva a seu legítimo dono – ou a seu herdeiro. O problema é apenas um: Jack não tem ideia de quem seja o dono da joia.

Na busca pela realização do último desejo do avô, Natalie acaba conhecendo Amitai Shasho, um negociador de obras de arte roubadas durante o Holocausto. Ele está em busca de um quadro cuja modelo usa justamente o medalhão, pintado por um artista não tão conhecido. Essa parceria acaba os unindo de uma forma ainda mais profunda e as descobertas a respeito do enigmático medalhão em filigrana de ouro ao estilo art nouveau são ainda mais impressionantes.

Uma joia. Três mulheres fortes e independentes. Vidas em momentos distintos da história entrelaçadas por um pingente esmaltado de pavão roubado durante a Segunda Guerra Mundial.
- Eu comecei tudo isso porque o meu avô sentia que tinha prejudicado alguém, e, para honrá-lo, eu precisava honrar esse sentimento. Aceitei a ideia de que poderia consertar a situação se achasse a mulher de quem ele havia tomado o colar, ou alguém que tivesse relação com ela, e devolvesse a peça. Imaginei as coisas voltando a se equilibrar. – Ela se virou para olhar o museu. – Mas é claro que não se tratou de nada disso, né? O meu avô está morto. Ele nunca vai saber o que foi que eu fiz ou deixei de fazer com o colar. Essa obsessão só serviu como repositório para o meu luto por ele. E pelo meu casamento, eu acho.
- Você tinha essa noção desde o princípio?
- Acredito que sim, mas acho que só agora entendi que, durante toda a minha vida, minha experiência com o Holocausto foi exatamente a mesma coisa: um repositório útil para os sentimentos. Em virtude da minha religião, eu estava livre pra adotar essa tragédia colossal e sem precedentes como se fosse minha. Por causa do Holocausto, eu tive permissão ou, melhor, o direito de sentir toda a dor de que a minha vida abençoada e confortável me poupou. Só que essa nunca foi a minha tragédia. Coletivamente, como judia, sim. Mas pessoalmente? Não.
Amitai balançou a cabeça, quase rindo, porque naquele mesmo instante sentia, pela primeira vez, que a tragédia dos judeus da Europa lhe pertencia sim.
Com um texto bem escrito e uma trama igualmente bem amarrada, Ayelet Waldman narra, predominantemente em terceira pessoa, a busca de Natalie e Amitai pelos verdadeiros donos do medalhão, entrelaçando com maestria três histórias aparentemente paralelas unidas por um ponto de interseção de ouro adornado por ametistas e peridotos.

Para além de um livro incrível, a autora também é muito feliz na criação de seus personagens, extremamente reais, cheios de defeitos e virtudes. As figuras femininas, aliás, são fortes e dominantes, absolutamente independentes mesmo em sociedades patriarcais que tolhem as liberdades e escolhas pessoais das mulheres. Três homens relativamente pacatos têm suas vidas viradas de pernas para o ar diante destas personas involuntariamente apaixonantes.
- Em Nova York, você vai ser minha mulher, Ilona, casa comigo. – pediu ele, caindo no chão com atraso, apoiado em um dos joelhos.
- Meu Deus, Jack! Você está bem?
- Estou.
- Mas você caiu.
- Eu não caí. Estou me ajoelhando, Ilona. Por favor, casa comigo.
Algo bastante singular que observei em Amor e Memória é que não há um "endeusamento" dos Aliados. Os vencedores da guerra, sobretudo os soldados americanos – particularmente retratados – são descritos de modo muito realista, não-heróicos e, por vezes, corruptos. Quando o assunto é Segunda Guerra Mundial, estamos acostumados a enxergar somente o lado do bem e o lado do mal – o que é muito fácil, cá entre nós – esquecendo-nos, por exemplo, do descaso com relação aos refugiados no pós-guerra, da apropriação indevida de bens dos judeus, do despreparo de grande parte dos soldados e da situação preocupante que assolou a Europa durante o período.

Fato é que Ayelet recheia seu livro de informações importantes, que contextualiza um conflito proveniente de décadas – talvez até séculos – anteriores e que aprendemos na escola de maneira descontextualizada, resultando em um dos maiores absurdos já praticados pelo homem – e olha que não foram poucos, hein? – fruto de posicionamentos ideológicos equivocados e desumanos.

Senti falta, contudo, de uma razão mais direta que relacionasse a última parte do livro à trama principal. Apesar de relevante, esclarecedora e extremamente rica, a maneira como foi alocada pela escritora ficou parecida como a de um “apêndice” o qual, apesar de sanar dúvidas dos leitores e fechar núcleos, não possui uma ligação contundente com o mote da obra. Penso que, com uma rápida adaptação em alguns diálogos e mudando de lugar algumas cenas, talvez  a trama ficaria ainda melhor amarrada e mais dinâmica.

Portanto, se você é apaixonado por boas histórias, ricas, bem escritas, esclarecedoras e que vão te agregar conhecimento sem deixar de entreter, não deixe de ler Amor e Memória.
- Depois que fomos liberados, a Cruz Vermelha inglesa fez uma inspeção. A gente não tinha nada. As pessoas ainda estavam morrendo a cada minuto. Lembro ter visto uma mulher, com um pedacinho de sabão, se limpando com a água de uma cisterna onde flutuava o corpo de uma criança morta. Mas então veio a Cruz Vermelha e, alguns dias depois, chegaram dez caixotes de batom, ninguém sabe como nem de onde. Não tínhamos comida nem gaze, mas batom a gente tinha. E, caramba, era muito batom! Caixas, caixas e mais caixas. Estávamos tão felizes! Todas nós usávamos batom o tempo todo. As mulheres se agachavam nos cantos para esvaziar os intestinos com disenteria, mas seus lábios... De um vermelho perfeito. Minha amiga morreu segurando seu batom. Era a coisa mais importante que ela possuía.
- No campo, ninguém é mais do que uma cabeça raspada, um trapo de roupa e um número. Mas – completou Ilona, juntando um lábio no outro – , se você põe um batom na boca, acaba virando uma pessoa. Um ser humano.
- Você está linda. – Disse Jack.
- Linda talvez não, mas um pouco mais parecida comigo mesma.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Resenha: “A vida peculiar de um carteiro solitário” (Denis Thériault)


Tradução de Daniela P.B. Dias

Por Kleris: Sabe aquela história de que é nos frascos menores que estão as melhores fragrâncias? É neste pequeno romance e na vida peculiar deste carteiro que temos um livro incrível. Pensar nele me faz lembrar também daqueles achados (ou perdidos) que se concentram embrenhados em confins de bibliotecas e que guardam enredos extraordinários como pequenos segredos, esperando só um leitor topar ali, sem querer – pode-se dizer que topei sem querer, afinal, foi um presente ^.^ 
Bilodo se sentia fazendo parte da vida do bairro, e considerava que tinha um papel discreto, porém essencial nela. Para ele, entregar a correspondência era uma missão a ser cumprida conscienciosamente, sabendo que assim estava contribuindo para a manutenção da ordem universal das coisas. Ele não tinha vontade de trocar de vida com ninguém no mundo. Exceto, talvez, com outro carteiro.

Bilodo é um jovem carteiro humilde, sem muitas pretensões e de vida pacata. Enquanto uns são mais propensos a sair para noitadas, Bilodo tem ooooutros interesses, e seu trabalho é certeiro para alimentar um vício secreto: espionar e ler correspondências das pessoas e conhecê-las pelo que escrevem – ele captura as cartas antes de chegarem ao destino e depois devolve, entregando aos de fato destinatários. Esse vício o levou para outro, de stalkear correspondências de dadas pessoas. Nisso, Bilodo acabou se apaixonando por Ségolène. Quer dizer, pelos haicais que esta trocava em correspondências com um homem, que morava na cidade de Bilodo. Com o tempo, quanto mais ele alimenta esse vício, mais barreiras ele se vê tendo que transgredir.

O destino então lhe reserva uma reviravolta que ou findaria seus pequenos crimes contra correspondências alheias ou lhe obrigaria a tomar uma decisão drástica para conseguir manter esse vício. Eis a tragédia: quando o homem com quem Ségolène trocava cartas foi postar a nova correspondência, ele foi atropelado pelo veículo dos correios, onde Bilodo estava. O tal homem, Grandpé, morre ali mesmo e a carta é engolida pelo esgoto por conta do rio que se formou no temporal que caía. E agora, como receber mais cartas de Ségolène? Como matar aquela ansiedade por seus haicais? Como se conectar a essa mulher? Como dar continuidade a essa... paixão? 
Montanhas austeras
em segredo esperam
serem enfim conquistadas

Ostentam bravura
em roupas contra avalanche –
mas no fundo, frágeis
Haicai/’haicai:/ sm. (pl. – AIS) 1. pequeno poema japonês composto por três versos, em geral com 17 sílabas, tratando muitas vezes de temas da natureza. 2. uma imitação dessa forma poética em outros idiomas. [F:Do jap. haiku]
A vida peculiar de um carteiro solitário fala de fascínios. Resgatando as correspondências, Denis coloca as cartas como as verdadeiras e perdidas almas de uma comunicação que ficou para trás. Quem, afinal, ainda escreve à mão? E cartas? E troca regularmente? E nelas brinca com as palavras, com a vida? Os fascínios aqui transitam desde o fato de escrever cursivas #aletradaspessoas às poesias que as letras e sons e o imaginário podem formar. Agora imagina uma pessoa que é fascinada pelo fascínio dos outros (eu): fiquei apenas APAIXONADA por como o autor descreve, insere e encaixa as construções artísticas nessa trama beeeem peculiar. 
Bilodo geralmente almoçava no Madelinot, um restaurante que não ficava muito longe da Central de Triagem, e, depois da sobremesa, passava um tempo praticando caligrafia – a arte da bela escrita manual, que havia adotado como hobby. [...]
Os colegas de Bilodo nos Correios não entendiam. Quando o bando barulhento adentrava o Madelinot, na hora do almoço, zombavam dos seus esforços caligráficos, chamando-os de garranchos. Bilodo não se ofendia, porque afinal aqueles eram seus amigos, e também porque, se tinham culpa de algo, era apenas de serem ignorantes mesmo. À exceção de uma pessoa informada, ou um entusiasta devotado àquela arte como ele próprio, quem iria saber apreciar a beleza sutil de um traço de caneta, o equilíbrio delicado de proporções de uma linha bem-traçada?  
Muito mais atraentes, sem dúvida, eram as cartas das outras pessoas. Cartas de verdade, escritas por pessoas de verdade que preferiam o ato sensorial de escrever à mão e a expectativa deliciosamente lânguida de aguardar pela resposta à frieza reptiliana dos teclados e à instantaneidade da internet [...].

capa com envelope fechado
A escrita de Denis é uma poesia em prosa e uma prosa em poesia. Já mencionei em algum post por aqui que AMO metaficção e que é um tema de difícil escrita, pois segurar e amarrar a história como deve ser ou se intenta, é bem complicado, é um delinear de camadas de enredos. Para as camadas que envolvem em A vida peculiar, o autor se saiu muito bem, muito ambicioso. Foi deliciosamente singelo e simplório (que me fez amar mais ainda!). 
Os poemas de Ségolène, por mais que fossem muito diferentes entre si, tinham todos a mesma forma, sempre com três versos: dois com cinco e um com sete sílabas, somando sempre dezessete sílabas – nem mais, nem menos. Sempre a mesma estrutura misteriosa, como se fossem regidos por um código.

capa com envelope aberto
Por tratar-se justo de uma escrita sobre escrita, imaginei que a leitura fosse se mostrar lenta, mas não, ela flui bem rápida e, com 128 páginas, é para uma sentada só. Parece um filme francês, aliás (quero filme já!). Você não encontra muita ação na história, porém, tem umas reviravoltas magníficas. Com pitadas de mistério e suspense, que a verdade seja dita: Denis prega várias peças na gente. Uma preciosidade só!

Para derrubar o forninho de vez, o projeto gráfico do livro é liiiiiiindo demais. A capa é em formato de carta (com um segredo para se espiar) e seus versos têm ilustrações com selos, a diagramação é permeada de carimbos, selos e flores, e como não falar das poesias e haicais? Igualmente bem trabalhados. 

Este é o segundo romance deste autor canadense e estou doida para conhecer o primeiro, que foi muito premiado (mas acho que ainda não chegou por aqui =/). Como veem, curti bastante e sim, shippei muito. Vou parar por aqui se não entro nos méritos das jogadas do destino e do tempo.


Magnifique! Admirable!

Segurem aí o meu recomendadíííííííííííííííííííííííííííííííííííííssimo!

Até a próxima!


P.S.: Acho que Bilodo piraria se visse o insta e/ou o livro do Eu me chamo Antônio ;)


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domingo, 30 de agosto de 2015

Resenha: "A Guerra dos Tronos - Graphic Novel - Vol. 3" (George R. R. Martin)

Tradução por Heitor Pitombo
Sinopse: A Guerra dos Tronos #3 - Intrigas, morte e traições vão abalar os Sete Reinos... Neste volume, fica cada vez mais acirrada a conquista pelo lugar mais disputado dos Sete Reinos - o Trono de Ferro. Os Stark estão se desintegrando, os Lannister finalmente são desmascarados após a morte do rei Baratheon, e no outro lado do Mar Estreito, um membro da família Targaryen renasce das cinzas... E, como se a batalha já não estivesse sangrenta o bastante, além da muralha, seres sobrenaturais prometem trazer o terror para Westeros. Fonte: Skoob

Por Eliel: Sob olhar atento de Martin, o romancista Daniel Abraham e o ilustrador Tommy Patterson trouxeram à vida mais um volume dessa Guerra dos Tronos. Você pode ver a resenha dos primeiros volumes aqui e aqui. 

Nesse terceiro volume, vemos que a Casa Stark está se desmanchando aos poucos, as tramas vis da Casa Lannister são reveladas perante a morte do Rei Robert, do outro lado do Mar Estreito a Casa Targaryen se ergue das cinzas e a guerra pelo Trono de Ferro só está começando. E se todo o sangue que será derramado dessas páginas não fosse suficiente, do outro lado da Muralha seres sobrenaturais trazem terror para o povo de Westeros.

O garanhão que monta o mundo não precisa de cadeiras de ferro. 

E como já é de conhecimento de quem acompanha essa série, sempre temos um making of sobre a construção dessa nova mídia para a Guerra dos Tronos. Esse volume não é diferente, aqui veremos sobre a construção dos personagens, Ahhh os personagens, em uma mídia ilustrada são uma parte primordial da narrativa.

Aproveitem mais essa batalha da Guerra dos Tronos. E não se esqueçam de que o Inverno está chegando...


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Resenha: "A Guerra dos Tronos - Graphic Novel - Vol. 2" (George R. R. Martin)


Tradução por Heitor Pitombo
Sinopse: Neste novo volume, você terá a oportunidade de acompanhar a trajetória de Tyrion, que é injustamente capturado pela Lady Catelyn e levado até os confins das montanhas do Ninho da Águia. Também poderá vislumbrar as paisagens estonteantes do alto da Muralha e misturar-se aos homens jurados da Patrulha da Noite junto com Jon Snow. Além de assistir de camarote às empolgantes cenas do Torneio da Mão, que junta cavaleiros de vários reinos em uma batalha de vida ou morte.

Fonte: Skoob


Por Eliel: Você pode ver a resenha do primeiro volume aqui. Assim como no primeiro volume lançado aqui no Brasil, esse volume também reúne 6 das revistas lançadas originalmente. Nesse volume vamos ver muito mais sobre o Norte, junto com Jon Snow que tenta se adaptar aos costumes da Muralha, sobre o serviço de Lord Eddard Stark como a Mão do Rei e claro, não poderia faltar o amor de Daenerys por Khal Drogo.

Porém você, fã de #GoT, já conhece essas histórias muito bem. O grande diferencial aqui é poder ver sob outro ângulo todas as paisagens, personagens e tudo o que você já leu nos livros e viu na série da HBO.

Agora, aqui entre nós, colocar toda essa saga em pequenos quadros e balões não deve ser das tarefas mais fáceis. Ainda bem que Daniel Abraham conseguiu roteirizar essa obra prima da fantasia para que Tommy Patterson pudesse colocar no papel suas incríveis ilustrações do mundo imaginado por Martin.

No makinf of desse volume vamos ver como os originais de Martin se tornam roteiros, e roteiros se tornam ilustrações, e como elas ganham os quadros e balões e assim finalmente chegam à suas mãos.
Não perca tempo e complete sua coleção de Game of Thrones.

O Inverno está chegando.



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Resenha: "Wayne de Gotham" (Tracy Hickman)

Tradução por Edmundo Barreiros
Por Eliel: Por trás de toda máscara existe um homem de verdade. Ainda criança, Bruce Wayne testemunha o assassinato dos pais – e o mistério sobre o motivo o impulsiona a fazer uma busca pelo seu passado. É quando descobre um diário secreto de seu pai Thomas, um médico rebelde que parece finalmente revelar o seu lado obscuro. Sua identidade é seriamente abalada quando um convidado levanta, inesperadamente, questões sobre o evento que acabou com a vida de sua amada mãe e seu admirável pai – caso que provocou para sempre sua vontade insaciável de proteção e vingança.Para descobrir a história real da família, Batman precisa confrontar o antigo inimigo, como o perverso Coringa, seu próprio mordomo Alfred, além do passado que assombra o Asilo Arkham, para assumir o novo fardo de um legado sombrio. Sinopse disponível no SKOOB, adaptada

Ao pegar o livro nas mãos e olhar para o símbolo tão conhecido de muitos, o que esperar das páginas que abrigam uma nova história de um herói que desde muito cedo vive em nosso imaginário? 

É a caçada. Espreitar aquele que espreita. Predar aquele que preda.

Esperamos saber quem realmente é a família Wayne, uma história um tanto quanto sombria. Essa viagem nos é apresentada em duas linhas temporais: A primeira segue um já não tão jovem Bruce Wayne em busca de respostas, e a segunda, a vida e morte de Thomas Wayne, pai de Bruce. Em muitas partes da narração, vemos essas duas linhas se colidirem e responder algumas questões que vão sendo levantadas.

- Talvez possamos vagar juntos por um tempo - sugeriu Bruce.

- Uma pessoa vaga, Sr. Grayson - retrucou Amanda. - Duas pessoas estão sempre indo para algum lugar.

Essa é uma história baseada na imagem que se tem dos pais Wayne e sobre o que eles realmente foram. A cada página descobrimos o passado tão negro que foi escondido até do seu filho. Vemos um Batman mais velho e cada vez mais dependente da tecnologia, mas com a mesma intensidade da juventude.

Autocontrole é poder. Conhecimento é mais importante que força. Espere para atacar no momento certo.

Temos uma narrativa bem dinâmica que prende a imaginação do leitor e não o deixa sair de Gotham. Cada página é repleta de ação, como as histórias em quadrinhos, vale lembrar que essa é uma narrativa e não tem ilustrações.

- Então nós pagamos pelos pecados de nossos pais? - sussurrou Bruce roucamente.

Não sou um grande fã do Homem-Morcego, mas conheço muitas das suas histórias, vilões, filmes e assuntos relacionados; Nada muito profundo, porém, essa narrativa é sem igual. Vemos que o autor seguiu à risca fatos e acontecimentos do Universo de Batman.

Para mim, o ponto alto foi a participação de Coringa, que desempenha um papel importantíssimo para a narrativa, embora tenha apenas uma pontinha.

- Sou quem sou porque escolhi este caminho, Alfred - disse o homem. - E agora verdadeiramente escolhi.

Minha impressão sobre esse livro, é que temos em mãos um ótimo roteiro para um filme, desde que respeitado. Fãs de Batman, não percam tempo e adquiram essa impressionante aventura do Cavaleiro das Trevas!


 
Ana Liberato