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quarta-feira, 29 de junho de 2016

#2Em1: Especial “Como Eu Era Antes de Você”



*Por Mary*: Oi, gente!

Estou aqui hoje invadindo – autorizadamente – a coluna da Alice por motivos de: não estou sabendo lidar com o pós-filme de Como Eu Era Antes de Você.

E assim como eu não soube lidar com o livro (cuja resenha vocês podem conferir aqui), preciso compartilhar com vocês a minha opinião sobre o filme.

Antes de tudo, eu quero dizer que vivi para ver a doce e amigável interação entre Tywin Lannister e Daenerys Targaryen. Não acredito que nenhuma santa alma da zueira criou memes relacionados a isso. #chatyada #vidaingrata

Sem sombra de dúvidas, esta é uma das melhores adaptações de livros que eu já vi. Achei muito fiel não só ao texto, mas também aos personagens.




Eu costumo dizer que, em se tratando de adaptações, alguma coisa tem que dar errado. E se não for na elaboração do roteiro, é na escolha dos atores e vice-versa. Mas desta vez nada ficou a desejar.

Para a adaptação, algumas cenas do livro foram cortadas – até por que não daria para encaixar tudo em duas horas – mas os fatos foram modificados o mínimo possível. A produção do filme mostrou para o mundo que é sim possível transformar um livro em longa sem transmutar completamente a obra. Nesse quesito, creio eu que nenhum leitor sairá da sala de cinema reclamando.

E, cá entre nós, estamos calejados disso, né?




A escolha dos atores foi outro grande acerto da produção. E quando me refiro a escolha, quero dizer física e talentísticamente – lá vem eu criando palavras outra vez, haha.

Todos os atores se encaixaram perfeitamente no que eu tinha imaginado. Talvez a ex-noiva do Will eu teria trocado pela Natalie Dormer, mas acredito que a cota Game Of Thrones do elenco já havia sido preenchida. #entendedoresentenderao #piadinhamarotadodia

E já que toquei no assunto Game Of Thrones, caramba, eu fiquei CHO-CA-DA com a Emilia Clarke, talvez por nunca tê-la visto atuando em nada mais além da nossa amada ou não Kaleesi. Fato é que a atriz deu show na pele da maluquinha, tagarela e de gosto duvidoso para roupas, Louisa Clark. Penso que a Emilia conseguiu transmitir perfeitamente a essência da personagem, com uma atuação impecável e de um talento inigualável.




Quanto ao Sam Claflin, eu já sabia que ele era bom, então não foi lá uma grande surpresa que o Will estaria muito bem representado.

Aliás, que química maravilhosa a desse casal!

Uma química muito boa, somada ao talento dos dois, não teve para mais ninguém.

Outra coisa que me impressionou muito, de um modo geral, foi como os atores conseguiam falar muito, sem dizer exatamente com palavras. Quero dizer, o filme se valeu muito das expressões faciais e da linguagem corporal para transmitir a mensagem do livro ao telespectador.

Não sei se muita gente reparou nisso, ou se estou sendo um pouco presumida ao afirmar, mas não sou atriz e só consigo supor que é algo muito difícil incorporar a tal ponto o personagem e viver a história de tal maneira que se é capaz de atuar muito mais com o olhar do que com os diálogos propriamente ditos.




Ao fim da sessão, quando cheguei ao banheiro, ouvi algumas pessoas competindo por quem chorou mais e comparando o quanto chorou ao ver A Culpa é das Estrelas. Bom, não entendo que a qualidade de um filme seja medida pela quantidade de lágrimas que você verteu, mas sim pelo conjunto da obra.

Além disso, não acredito que as duas obras possam ser comparadas, porque são absolutamente diferentes. Sinceramente, comparar duas obras dessa maneira – seja filme ou livro – me parece injusto de inúmeras formas.

Comecei esse texto acreditando que seria curtinho (foi inclusive isso que eu disse para a Alice quando ela me autorizou a invadir sua coluna para falar de Como Eu Era Antes de Você), mas, como vocês sabem, não consigo escrever pouco.

Enfim, deixem aqui nos comentários as impressões de vocês sobre o filme, porque quero muito saber o que acharam dessa adaptação e se eu não disse muita besteira no texto. Para quem ainda não viu, indico muitíssimo o filme. É excelente!



Beijos e obrigada pelo espaço!

:*



quarta-feira, 3 de junho de 2015

Resenha: "Uma Garrafa no Mar de Gaza" (Valérie Zenatti)

*Por Mary*: Olá, prezados amigos! Segurem os forninhos, que todos caíram depois deste livro. Eita, Giovana!

Normalmente, eu sigo uma estrutura de resenha que consiste em um resumo breve do livro, para, então, prosseguir com minhas impressões. Contudo, hoje, farei diferente, porque julgo que Uma Garrafa no Mar de Gaza, definitivamente, merece uma sinopse mais trabalhada.

Um atentado terrorista em um café israelense é o mote inicial de Uma Garrafa no Mar de Gaza. Um homem-bomba se explodiu, matando diversas pessoas, dentre as quais está uma moça acompanhada de seu pai. Ela se casaria horas depois, mas não pôde usar o seu vestido branco a tempo. Nos jornais, há um noivo inconsolável diante da perda. Em uma casa qualquer de Jerusalém, está Tal Levine, que não consegue tirar as imagens de destruição da cabeça, assim como é incapaz de se esquecer da jovem desconhecida que teve os seus sonhos de um futuro cheio de planos tão brutalmente interrompido. 
“O noivo-que-não-pôde-se-casar aparecia arrasado diante do caixão. Ele quis colocar a aliança no dedo da noiva, mas o rabino não deixou, disse que a lei religiosa proibia que se celebrasse a união com uma morta. Eu me pergunto se a lei religiosa dedicou algum capítulo à conduta que se deve manter em casos de desespero.” 

O atentado ocorreu tão perto de sua casa, que Tal foi capaz de sentir os tremores causados pela explosão. Poderia ser ela. Poderia ser qualquer um de sua família. Ou algum amigo. Ou, ainda, seu doce Ouri. Atormentada pelos pensamentos, ela escreve cartas. Cartas que jamais serão enviadas. Cartas que sequer possuem um destinatário. Nada mal para uma futura cineasta. É, então, quando tem uma ideia: e se enviasse esta carta, dentro de uma garrafa, diretamente para Gaza? E se esta garrafa encontrasse uma palestina da sua idade, que, igual a ela, estivesse cansada da guerra entre judeus e palestinos? Sonhador, talvez. Elas, sozinhas, não poderiam fazer muita coisa pela paz entre dois países inteiros. Porém, sem dúvida, tal amizade poderia representar uma centelha de esperança. 
“Sinto muito medo e muita esperança ao escrever para você. Nunca escrevi uma carta para alguém que não conhecesse. Dá uma sensação estranha. Não tenho certeza de estar conseguindo dizer o que quero.
(...)
“Mas, se esta carta tiver a sorte de encontrar você, se você tiver paciência de lê-la até o fim, se você pensar como eu, que precisamos aprender a nos conhecer, por mil bons motivos, a começar por nossas vidas, que queremos construir em meio à paz porque somos jovens, então me responda.”

Quem encontra a garrafa de Tal, todavia, é Naim Al-Farjuk, um jovem palestino de 20 anos que tenta arduamente afastá-la com respostas cínicas cheias de sarcasmo e ironia ácida. Apesar disso, as ideias políticas similares e a impressionante honestidade, dotadas de uma vivacidade apaixonante, fazem com que Naim sucumba à insistência de Tal, criando a partir daí uma belíssima amizade.
 “Me diga apenas se você está bem. E, por piedade, sem fazer jogos de palavras, sem ironia, sem cinismo. Ou melhor, sim. Dessa vez não vou me incomodar: tenho certeza de que, quando você é cínico, é sinal de que não está tão mal, no fundo.”

Apesar de haver uma grande interação via carta, e-mail e mensagens instantâneas entre Tal e Naim, não se pode classificar Uma Garrafa no Mar de Gaza como um romance epistolar, porque há ações entremeadas à história. A trama é narrada em primeira pessoa, com capítulos na voz de Tal e, também, de Naim. A narrativa é bela, escrita de um modo sutil, doce, tranquilo... acho que não dá para determinar de forma incisiva como esse livro é marcante.

A impressão que dá é a de que o narrador conversa com o leitor. É como se, a todo tempo, Tal e Naim estivessem escrevendo uma carta com a história deles, porém endereçada ao leitor. Há poesia em prosa. Há a tentativa de desfazer o senso comum do drama israelo-palestino, sem explorar a tragédia e a miséria humana, apresentando-nos dois países com pessoas reais, que vivem suas vidas apesar da guerra e que desejam muito uma união dos povos.
 “Nossos povos nunca concordaram em relação às palavras. Vocês dizem ‘Israel’, nós dizemos ‘Palestina’. Vocês dizem ‘Yerushaláyim’, nós dizemos ‘Al-Quds’. Vocês dizem que estão procurando terroristas na cidade de Siquém, e nós dizemos que vocês estão no encalço de nossos combatentes na cidade de Nablus. (E é a mesma cidade! São os mesmos homens!) Vocês dizem ‘terrorista’, nós dizemos ‘mártir’ (quando ele morre, claro. Se não, será um combatente, um corajoso combatente). Vocês dizem: ‘Comecemos pela segurança e depois haverá paz’. E nós dizemos: ‘Comecemos pela paz, a segurança virá com ela, depois’.”

Aliás, uma palavra-chave para A Garrafa seria PAZ. A trama aborda de uma forma muito bonita a busca pela paz. Mas, além disso, a autora suscita a ideia de EGOÍSMO. Não de uma forma negativa ou pejorativa, pelo contrário. O egoísmo do qual vos falo, neste momento, é a possibilidade de se dar ao luxo de pensar apenas em si mesmo. A nós, que felizmente não vivemos a incerteza de um homem-bomba invadir o café em que estamos batendo papo com alguns amigos, parece um pouco distante – talvez até difícil – de compreender quão grande é essa possibilidade de pensar apenas em nós.

Com Naim e Tal, aprendemos que não se trata de um garoto palestino e uma garota israelense, mas de duas pessoas que, por azar – ou sorte, nunca se sabe – nasceram em nações contrárias, que estão guerreando entre si. Valérie transmite muito bem essa ideia de desfazer o senso comum. A própria Tal, que sonha em ser cineasta, em determinado ponto do livro participa de um documentário no qual deverá gravar a cidade de Jerusalém como ela a vive. A mim, pareceu uma alegoria, porque a imagem que temos de Israel e Palestina é meio generalizada.
“Eu não aguento mais essas imagens, elas me dão vontade de vomitar, que jogo é esse que passa ao vivo há quinze anos na televisão e que nunca tem fim? Que caricatura é essa? Até nós começamos a acreditar que não passamos disso, garotos que atiram pedras nos soldados malvados para expulsá-los. Não existe mais o singular, eu, tu, ele, ela, só um plural: os palestinos. Os pobres palestinos. Ou os malvados palestinos, talvez. Mas sempre o plural. Para os que nos amam sem nos conhecer, nunca somos um + um + um, mas quatro milhões. Carregamos todo o nosso povo nas costas, isso pesa, pesa, pesa, esmaga, dá vontade de fechar os olhos.”

Em Uma Garrafa no Mar de Gaza, Valérie Zanetti nos leva a conhecer dois países belos, com cultura rica e milenar, apresentada pelos olhos de dois jovens que representam uma geração mais aberta religiosamente, que anseia por transitar livremente entre os países, que necessita ser vista por si mesma e não por suas nações. A autora consegue, magistralmente, relacionar um tema polêmico de forma poética. Se você deseja um livro envolvente, bem escrito, coerente, despojado de pré-conceitos e inteligente, Uma Garrafa no Mar de Gaza é a escolha certa.


*Habemus Filme*

Uma Garrafa no Mar de Gaza foi adaptado para o cinema em 2013, com título homônimo. Se você ficou interessado pelo filme, ele está disponível no Netflix e é possível achá-lo facilmente em Torrent. Mas, de verdade, você precisa ler o livro. Vai por mim.

No mais, aqui vai o trailer:



“Um dia vocês, nós, perceberemos que, na violência, não há vencedor possível, que esta é uma guerra de perdedores. Um desperdício.”





sexta-feira, 27 de março de 2015

Resenha: “Encontrada” (Carina Rissi)

*Por Mary*: Ian <3 Vai ser muito difícil (eu diria quase impossível) escrever uma resenha coerente e imparcial hoje. Espero que compreendam. >.<

*suspira*
*suspira*
*suspiramaisumpouco*

Mas vamos lá.

Nós vimos em Perdida que Sofia largou o seu tecnológico Séc. XXI para viver o seu felizes para sempre ao lado de Ian (<3 <3 <3), no pacato Séc. XIX. Em Encontrada, descobrimos que, apesar de a decisão ter sido fácil (tão fácil quanto respirar), não se pode dizer o mesmo de sua adaptação à nova vida. Bem, não se pode julgar, afinal, se imagine você no mundo de, pelo menos, duzentos anos atrás? As coisas acabam saindo um pouco do esperado, pois Sofia parece ser um ímã para confusão (Já diria a Nina: “Pobre Ian...”). E, então, Sofia percebe depois de muita cabeçada que a única pessoa capaz de estragar o seu felizes para sempre é ela mesma. 
Contrair matrimônio. Eu não conhecia nenhum bom uso para aquele verbo: contrair dívidas, contrair um vírus... Os bíceps de Ian se contraindo e estufando as mangas da camisa enquanto ele treinava seus cavalos... humm... Tudo bem, um uso era bom, mas só aquele. Alguém devia fazer alguma coisa a respeito disso. Não é para menos que as pessoas fiquem com um pé atrás quando pensam em se casar. Como fora o meu caso, antes de conhecer Ian e ele me fazer perceber que um papel não mudaria nada. Eu tinha dado o grande passo, o maior de todos na verdade, ao aceitar abandonar o meu moderno, tecnológico, cheio de facilidades século vinte e um, para viver com ele no arcaico e sem recursos século dezenove.” 
Assim como em Perdida, a narração se dá em primeira pessoa, no ponto de vista da protagonista Sofia. Conforme eu avisei lá em cima e já mencionei na resenha passada, não vou conseguir ser imparcial, porque falar de um livro que amo tanto e de uma autora que admiro muitíssimo não será nada fácil. Carina Rissi é a responsável pelas maiores DPL’s de que me lembro.

Quando terminei Perdida e soube que haveria sequência, desconfiei. Porque o final era tão perfeito, que, na minha cabeça, já tinha fechado o ciclo e qualquer coisa só poderia estragar aquele casal lindo, com história mágica. Ledo engano. E, agora, sabendo que serão, ao todo, seis livros, mal posso esperar, quicando na cadeira ansiosa e louca por mais Ian (<3 <3 <3) na minha vida (E a DPL que se dane!). 
“Se forem tolos o bastante para isso, que riam. – Faíscas prateadas reluziram em suas íris negras. – Eu a amo, Sofia, e sei, a duras penas, como é impossível viver sem você. Posso lhe garantir, não estou disposto a repetir essa experiência enquanto estiver vivo. Nada, nem mesmo você, me convencerá do contrário. – E se inclinou para me beijar.” 
Ian (<3 <3 <3)

Falando em encerramento de ciclo, a Carina é muito feliz nos finais de cada livro. Quero dizer, apesar de haver uma continuação, o volume não se encerra no meio de uma ação e nem te dá a impressão de que algo está inacabado. Muito pelo contrário, você sente que aquele volume acabou, mas outros te esperam. Tanto em Perdida, quanto em Encontrada, apesar de fazerem parte de uma série, os núcleos dão a sensação de fechamento; o que dá, inclusive, a impressão de independência entre as obras. Desse modo, ao fim de Perdida você suspira muito muito muito pensa: Uau, que final lindo! O livro poderia ter acabado ali, mas você sabe que há uma continuação e isso é um plus. Da mesma forma, ao fim de Encontrada, você sabe que haverá uma continuação, mas sabe também que, se acabasse justo ali, já estaria perfeito.

Sem nenhum medo de rasgar seda, afirmo que a Carina Rissi é uma autora original, divertida e talentosa que não perde em absolutamente nada para os escritores internacionais mais badalados. Com uma escrita que prende a atenção do leitor, a Carina nos brinda com personagens cativantes, situações divertidas e histórias envolventes.

Eu cheguei a comentar na resenha de Perdida que a Carina Rissi é impecável quanto às suas pesquisas, sobretudo com relação a costumes de época, moda e aspectos históricos. Mas, mais ainda que isso, a Carina é magistral em adaptar e adequar as informações de acordo com a necessidade da história. Se tem alguém que sabe fazer uso de sua licença poética, esse alguém é a Carina Rissi. 
“O padre Antônio já estava ali, e, assim que Ian me ofereceu o braço, o sacerdote nos deu as costas. Ultrajada com a falta de educação do sujeito, me virei para Ian, para ver se ele estava tão ofendido quanto eu, mas ele me encarava com tanta intensidade que as palavras ficaram presas em minha garganta (...). Eu podia ouvir a voz grave do padre dando andamento à cerimônia, mas não era capaz de entender uma única palavra, como se ele falasse latim (...). Foi aí que meus olhos se arregalaram ao ouvir suas palavras. Ele não parecia falar latim. Ele estava falando latim! Comigo!” 
Se em Perdida, Ian já havia arrebatado os corações de cada uma das leitoras, em Encontrada ele recolhe os corações de cada uma de nós e os guarda no bolso. Nós somos dele e já não tem para onde correr. É irreversível. #LoucasPorIanClarke


“Sofia, você é diferente de um modo extraordinário. Você é extraordinária! É a razão de eu acordar no meio da noite só para me certificar de que ainda está ali, tamanho é o medo que tenho de perdê-la outra vez. É o motivo pelo qual me sinto tão afortunado, é a causa do sorriso estúpido que me estica a boca antes de dormir. As especulações da sociedade não significam nada para mim.”

É, o Ian continua lindo.

Há um motivo para perdoarmos todos os vacilos da Sofia: é por causa dela que somos presenteadas com mais e mais cenas belíssimas do Ian (<3 <3 <3).



E olha só o resultado da etiquetagem?!





quarta-feira, 25 de março de 2015

Resenha: “Perdida” (Carina Rissi)



*Por Mary*: Não só é muito difícil falar de um livro que gosto tanto, como é muito difícil ser suficientemente coerente com relação a uma escritora que admiro profundamente. É, amigos, estamos diante da minha maior DPL dos últimos tempos.

Em Perdida conhecemos Sofia, uma típica mulher do Séc. XXI completamente adepta às suas tecnologias e facilidades, independente e que tem uma completa fobia por casamento. A mera palavra já causa arrepios. Ela não acredita muito no amor ou na existência de uma relação verdadeiramente longa e duradoura. “Sem amor, mas sem dor”. Ela vive muito bem assim – ou finge acreditar que vive – até que um dia algo muito louco acontece: o seu novo celular a transporta para o ano de 1830. Sim, meus queridos, Sofia vai parar no Séc. XIX e lá é acolhida pela família Clarke, conhecendo Ian, um verdadeiro príncipe encantado. E, como se já não fosse muito difícil entender qual a sua missão naquele mundo novo – ou estaria louca? – Sofia ainda precisa lidar com a intensa atração que sente por Ian.

Parei para reler algumas passagens e, assim, articular melhor essa resenha e me surpreendi com o quanto me identifiquei com essa Sofia pragmática e cética do início da obra. 
“Você sempre foi muito cética, não é? Nunca acreditou em magia. Nem mesmo em contos de fadas ou Papai Noel. Sempre prática! Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver a sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso.” 
Estranho, não tinha reparado nisso na primeira vez que li...

Sabe quando você fecha o livro e sente um vazio imenso, como se alguém que você ama muito tivesse acabado de se afastar de você e ido para muito longe? E aí você não consegue pegar outro livro, porque ainda está preso no mundo do livro anterior, nos personagens e só consegue pensar neles. É, meus caros, isso é uma grande ressaca literária ou mais comumente conhecida como DPL (Depressão Pós-Livro).

Fiquei justamente assim. Uma grande e terrível fossa literária.

Em Perdida você será levada para um belíssimo conto de fadas moderno, com seus vestidos bufantes de princesa, bailes e um príncipe encantado de arrancar suspiros. A obra é escrita em primeira pessoa, a partir do ponto de vista de Sofia. A trama é ágil, divertida e a Carina Rissi sabe dar o tom certo para as conversas, desde as mais engraçadas até as mais sérias. Com SofIan você passará do riso às lágrimas em questão de minutos, sem esquecer dos reiterados suspiros que sem querer nos escapa entre uma cena e outra. 
“Sinto que posso... flutuar quando estou com você. Como se fosse capaz de realmente voar! Sinto-me completo pela primeira vez, Sofia. Há uma força em você que me atrai, que me arrasta para perto, uma força inexplicável que turva os meus pensamentos (...). E quando não estou com você, meu peito fica vazio, como se meu coração se recusasse a bater até que a encontre novamente. Sinta! Ele diz Sofia, Sofia, Sofia! Tem sido assim desde a primeira vez que a vi. Desde aquele instante percebi que não era mais dono do meu coração, que ele não me pertencia mais. Então... (...) Não diga que não existe nós!” 
Ai. Meu. Deus! <3 <3 <3

Eu costumo dizer que, para um autor, a pesquisa é fundamental. Sobretudo para quem escreve romances históricos e a Carina cumpre isso de forma magistral. Muito além de demonstrar a pesquisa aprofundada que faz em suas obras – de costumes, aspectos históricos e de moda – a autora apresenta de forma bastante original a sua capacidade de utilizar a licença poética a seu favor. Isto é, de utilizar as circunstâncias pesquisadas e adaptar, de forma a melhor se adequar às necessidades da história.

Outro ponto interessante a destacar, mas que está relacionado ao que menciono no parágrafo anterior – é que a Carina não define o nome das cidades em que se ambientam os fatos, de modo que você tem a liberdade de visualizar um mundo diferente, onde, por exemplo, não existiu a escravidão (tão abominável, que seria perfeito se realmente pudéssemos apagar da História). Isto é, muito embora, pela descrição, a metrópole mencionada se relacione bastante a São Paulo, poderia ser qualquer outra, cabendo ao leitor fazer a sua própria construção.

Essa “temporada” que a Sofia é obrigada a passar em um século atrasado e arcaico serve para fins de autoconhecimento. A Sofia, muito além de quebrar a cabeça para entender o que diabos a vendedora queria ao mandá-la para lá, acaba aprendendo mais sobre si mesma e sobre o que ela acreditou nem existir: o amor. 
“Contos de fadas podem se tornar realidade, Sofia. Basta que a princesa não lute contra a própria felicidade.” 
Tentarei me lembrar disso, Ian, prometo.

E, todo esse conflito, toda essa dificuldade em se adaptar e acreditar que algo tão bonito pode acontecer na vida real, mesmo que indiretamente, atinge o leitor, fazendo-o refletir. Porque até que ponto essa vida corrida que a gente leva nos distancia do que realmente importa? Quero dizer, até que ponto se preocupar tanto com as coisas – muitas vezes supérfluas – com as quais nos preocupamos não nos distancia do amor, da família, dos amigos e de nós mesmos?

Não vou cansar de elogiar a Carina, porque ela é simplesmente fantástica. Os seus personagens levam um misto completo de verossimilhança, magia e romantismo. É como trazer os contos de fadas para a vida real e você quer acreditar na possibilidade, por mais difícil que possa parecer. A Sofia, por exemplo, é atrapalhada, teimosa, petulante e só sabe se meter em confusão, dada à sua propensão à impulsividade. O Ian, por outro lado, é gentil, doce, elegante lindo maravilhoso tudo de bom e carrega consigo a perfeição do século em que vive, demonstrado em seus modos polidos, a fala pausada e bem articulada, os movimentos calculados e suaves. Um verdadeiro cavalheiro. 
“- É uma caneta. Você usa para escrever. Assim. – Tomei o objeto de suas mãos e fiz alguns rabiscos num pedaço de papel (minha conta de telefone, constatei). – Não me diga que ainda não tem caneta aqui? - Não, não tem! – Ele olhava fascinado para a minha caneta simples, comprada no supermercado. – Usamos pena e tinta para escrever.” 
Se ficou contente desse jeito com uma Bic, imagina o Ian com uma Mont Blanc?! Rs.

E, como se já não bastassem todos os elogios ali acima, ele carrega certa inocência, uma doçura indescritível e o amor mais devotado que se pode imaginar. Se você não se apaixonar, ah, minha querida, esse coração é mesmo duro, viu? Aposto um caramelo, que não tem cristão que resista aos encantos de Ian Clarke. 
Ian. Ian era a resposta para todas as minhas perguntas. Eu não tinha mais dúvidas quanto a isso. Era por ele que eu procurava – a vida toda -, sem nem mesmo saber que procurava. Era ele que eu queria, de forma desesperada, para toda a vida. E era ele a minha jornada ali, minha missão.” 
E tem notícia boa: Habemus filme! Foi confirmada a adaptação cinematográfica de Perdida e a própria Carina participou de perto da elaboração do roteiro. Nesse ano de 2015 devem surgir mais notícias e provavelmente serão anunciados os atores escolhidos para cada papel. Recentemente surgiu uma campanha nas redes sociais em que pediam o Bernardo Velasco para interpretar o Ian. 



 
 


E vocês, o que acham? Que ator brasileiro vocês acreditam que seria o Ian perfeito?

Se alguém, por acaso, quiser saber mais sobre a campanha, basta clicar aqui.






segunda-feira, 23 de março de 2015

Littera Feelings #29 e Clarice Lispector – Entrevista de Leitura #4

OLAAAAAÁ :)

Como estamos nas leituras, hein? Pra quem não era de muitas metas, até que estou conseguindo estabelecer e seguir algumas \o/ Mas vamos ao especial do dia, temos duas convidadas para nossa primeira entrevista de leitura do ano!


Aqui no Littera gosto de, além de trazer temas para discutir com vocês, convidá-los para um papo sobre suas leituras. Dessa maneira, partindo de uma leitura específica, o espaço de entrevista propõe um jogo de perguntas que pretendem trazer à baila perspectivas que nos mostrem os bastidores de uma experiência de leitura.


Já tivemos um encontro com Hemingway, Kafka, Érico Veríssimo e hoje saudamos Clarice Lispector, mais uma modernista brasileira!

De relembrete, vão aí os requisitos para quem gostaria de participar de uma entrevista aqui no Littera:

Leitura de um clássico da literatura (nível mundial)
Leitura recém-finalizada
Não valem releituras


~~~~~~~~~Vamos conhecer mais de nossas convidadas?~~~~~~~~~~~


No microfone de leitor apresento...

  Recém-formada em Letras/Literatura, mãe, blogueira (resenhista/colunista/escritora) e MUITO leitora.

Aos 5 anos aprendi a ler. Aos 10, quando a mamãe não dava conta de comprar livros e gibis infantis que acompanhassem o meu ritmo frenético de leitura, comecei a ler os clássicos que minha avó tinha e que hoje são meus, estão velhos e despencando, mas a memória afetiva neles envolvida não dá pra substituir. A partir daí, virei um caso perdido mesmo. Hoje em dia leio de tudo: clássicos, contemporâneos, estrangeiros e nacionais – de Chico Buarque a Harry Potter... e sinto uma necessidade daquelas de dizer o que penso a respeito do que leio. Sonho em um dia, quem sabe, seguir carreira na área editorial e enfim dizer: - Vivo daquilo que amo.

Busco na leitura diferentes visões de mundo, por isso penso ser tão aberta a diferentes estilos literários, porque enxergo que cada um tem algo a acrescentar, mesmo que seja a leveza da distração momentânea em um dia difícil. E que por mais que determinado segmento literário não faça muito a sua cabeça, ele é a manifestação artística de alguém, e assim deve ser encarado.

E na bancada de leitura encontra-se...

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.



Dados complementares

Edição (editora e ano de publicação): Rocco, 23ª edição, 1993.
Época de enredo: século XX.


~~~~~~~~~~~~~~Eis Milena e Clarice! ~~~~~~~~~~~~~~
meus comentários estão em itálico


Conte para nossos leitores as suas perspectivas iniciais sobre o livro e a história que A Hora da Estrela apresenta.
Bem, esse não é um livro fácil de ler. Em algumas edições há um longo, porém válido, prefácio. E a questão do narrador criado por Clarice Lispector é outro elemento instigante... Rodrigo narra Macabéa e sua vida vazia, mesclando desprezo, indignação e curiosidade, de como alguém consegue viver da forma de Macabéa.
A minha perspectiva inicial foi de que a falta de história pessoal de Macabéa é um grito de alerta para todas as mulheres, para que não acabem como ela. E não é uma obra machista, como já li em algumas críticas.

Uma coisa interessante de fato mesmo é o Rodrigo S.M., o narrador. Acho que ele via a dura realidade de uma pessoa inocente como a Macabéa, que tinha gente que vivia mesmo daquele jeito...

O que te levou a A Hora da Estrela por agora? Já havia lido algo de Clarice Lispector antes?
Eu já havia lido faz um tempo, mas fora no primeiro período da faculdade para uma disciplina chamada Modernidade e Literatura Brasileira. Achei confuso, porém muito original. Daí no último período foi solicitada a leitura para outra disciplina, Literatura Comparada, e a impressão que tive da obra foi tão além da que tive na primeira leitura.
Um novo olhar, sabe, as questões filosóficas propostas por Rodrigo já não me soaram tão sem pé nem cabeça. Senti juntamente com ele as agonias pela ingenuidade excessiva de Macabéa e a indignação pela falta de atitude.
Foi a primeira obra da Clarice que li, mas quero ler outras. Só que são daqueles livros para se ler com calma, degustando, voltando as folhas em alguns momentos.
Professores diferentes solicitaram a mesma leitura, numa diferença de três anos. E eu resolvi reler, porque imaginei que me “diria” coisas diferentes.

Nesse momento percebemos as duas (eu e Milena) que estávamos falando já de uma releitura, que, segundo os requisitos da coluna, não vale hahaha Mas sem problema, embora a Milena tivesse outro livro de primeira viagem para propor, abri essa exceção porque estava curiosa sobre essa experiência de leitura, afinal, Clarice é Clarice, a chamada esfinge divide opiniões... Por que não, né?

O que diria sobre seu avanço na leitura? De que maneira a escrita ou a narrativa da autora influenciou nesse quesito?
Eu sou uma pessoa que lê rápido, dificilmente demoro lendo uma obra, mas esse... rsrs Me desconcertou. Demorei porque tinha momentos em que eu lia e refletia, e não conseguia chegar a uma conclusão. Daí eu voltava a página e lia novamente.
Acho o traço estilístico da Clarice muito particular e a narração de Rodrigo não nos esclarece muito, fora os momentos do choque pela rispidez dele ao falar de Macabéa... Tinha horas que eu sentia tanto pela ela. Pensava nos “e se...”. E se Macabéa tivesse encontrado uma única pessoa em seu caminho que a esclarecesse. E se não tivesse sido criada da maneira que foi, imersa na ignorância e no desamor, e se não tivesse ido à cartomante.

Acho que principalmente pela desconstrução narrativa da Clarice as pessoas sentem essa dificuldade. Você chegou a ver o filme? Já não lembro muito, mas dava essa empatia pela Macabéa. A ingenuidade dela ficava bem à mostra.

Sim, eu vi... Fiquei angustiada. E o mais engraçado, a história não saía da minha cabeça (rsrs) Lembro que eu fazia um curso na área nobre da minha cidade e na hora que eu fui atravessar a rua, uma Mercedes estava parada no sinal (rsrsrs) Ri sozinha e esperei a Mercedes passar, preferi não correr o risco.

Hahahahahahaha entendedores entenderão XD
Tem uma cena que ela está muito perto do metrô, se não me engano, aí um policial pede pra ela se afastar, pra evitar uma queda, e ela diz “o senhor me desculpe”. Ela falou isso outras vezes mais no filme, era outra marca dessa ingenuidade dela, que baixava a cabeça e acatava simplesmente o que lhe diziam. E de alguma forma era feliz.

Pois é... Rodrigo a chamava de “doce obediente”.

E sobre a história, o que você achou do desenvolvimento? Personalidades, ações, ideais?
Tem uma parte que me deixou bem chocada: “Essa moça não sabia que ela era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz”. Vejo como uma obra que tem por fio condutor as questões filosóficas individuais, que refletem e determinam a forma como o coletivo vê a cada um de nós.
Porém, as misérias dos demais personagens não são diferentes da miséria de Macabéa. Olímpico de Jesus era tão alheio a alguns saberes quanto ela, porém, a postura que ele tinha mediante as situações e a forma como nutria ambições faziam dele uma pessoa que, apesar de tão miserável quanto Macabéa, era muito mais autônoma.

É chocante a descrição do Rodrigo, e ao mesmo tempo verdadeira.
Lembro do Olímpico como alguém da mesma situação da dela, mas alguém que tinha ambições mais. Macabéa era bem conformada com o que tinha, apesar de seus sonhos.

É que a ingenuidade de Macabéa veio do vazio, da ignorância com a qual foi alimentada. Já Olímpico teve um padrasto, que no livro fala, que lhe ensinara boas maneiras para poder enganar as pessoas e para pegar mulher (rs).

Houve algum momento marcante entre você e a leitura? O que diria ser uma repercussão positiva e uma repercussão negativa em A Hora da Estrela?
Muito marcante pra mim é a questão dessa ausência emocional da Macabéa. Essa coisa de viver sem saber pra quê. Penso que é porque entra em conflito diretamente com a minha personalidade. Desde muito nova busco construir minha identidade. Não aceito muitas coisas e já perdi por isso. Mas também adquiri valores que são as diretrizes da minha vida. E confesso que quando me deparo com algum(a) Macabáa, fico aflita por ele(a). Nada pior do que não saber quem somos.
A positiva sem dúvidas é o convite à reflexão que a obra em si traz para o leitor, tanto nas questões filosóficas quanto na questão de estrutura sintática e semântica da escrita da autora. A negativa é que tamanha densidade faz com que muitos desistam da leitura, infelizmente... E acho bastante difícil que se consiga compreender a obra sem uma bagagem de leitura prévia. Alguns leitores vão persistir nele, enquanto outros vão colocá-lo na prateleira dos “confusos demais” e vão perder uma leitura única. Que nem sempre agrada, mas, é válida.

É mais ou menos nisso que fica minha relação com Clarice. Fico tentando entendê-la como a esfinge que dizem, e ela não me dá muita brecha (rs http://www.dear-book.net/2013/11/littera-feelings-5-unnamed-feeling.html). Tenho admiração por ela, mas é como gostar da ideia dos livros, só não da maneira como leva.

Você consegue imaginar como a protagonista seria se ela vivesse o nosso tempo? O que seria de Macabéa nesse mundão da internet?
Acho que das duas uma, 8 ou 80: ou a Macabéa seria engolida ou então seria uma dessas que causam muito na internet pela total falta de noção. Porque no livro ela se esconde, mas a internet dá voz pra quem quiser, sem dar a cara a tapa de verdade.
Já pensou a Maca fazendo aqueles virais? (rsrs)

Bem capaz!

Se você pudesse entrar no universo da trama, quem você gostaria de ser (não necessariamente um personagem da Clarice) e o que faria por lá?
Ai, que pergunta difícil! O livro é o que é porque não é mais e nem menos... Mas também não iria ver Macabéa passar por mim sem que ao menos tentasse ensiná-la algumas coisas (rsrs). Assim, eu gostaria de ser uma colega de trabalho que a consolaria por causa de Olímpico. Aproveitava e dava uma bela sacudida na Macabéa... E consequentemente acabaria com a razão de ser do livro (rsrs).

Hahahaha ou daria chance para ser outra estrela... Outro tipo de estrela.
(Novamente, entendedores entenderão XD).

Nem tinha pensado nessa possibilidade!

Há alguma música (ou banda) que venha à mente quando você pensa na história, na Clarice ou mesmo no universo da Estrela?
Só a Rádio Relógio (citada no livro). Acho que o mundo da Macabéa era sem som.

Tadinha.

Pois é, me dava uma pena, mas...

Tem algum trecho que te conquistou bastante e queira dividir conosco?

“Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco dessa moça... Como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce obediente.”

“... ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando... O seu viver é ralo.”

Esses dois para mim foram os mais marcantes porque me chocam.

Para finalizar: o livro é legal, mas...?
É só para os fortes, principalmente os de estômago, porque a inércia de Macabéa chega a ser nauseante.

Hahaha melhor definição!
Eu brigava com Rodrigo, com Macabéa. Ou com Clarice.
Encarar Clarice não é para qualquer um.

Sério (rs). Achei meio clichê, mas não consegui pensar em outra coisa (rsrs) E de verdade, tinha hora que esse livro me irritava tanto que me dava vontade de dar uma cusparada daquelas bem feia nele haha. O prefácio dizia “alguns têm pobreza de dinheiro e outros de caráter” – (rsrs) sente o drama. Mas bom também, fala que a nossa consciência ao mesmo passo que é fator de libertação também é de aprisionamento, e fala muito do ato de escrever.

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E aí, o que vocês dizem da tia Clarice? Ou mesmo do livro da entrevista?

Conhecida como aquela que dá atenção ao íntimo do ser (através do fluxo de consciência) para dar a sensação de que podemos acompanhar exatamente o passo a passo da cabeça do personagem, não à toa viraliza fácil com outros memes que focam nos pensamentos ligeiros nossos dos dia a dia. Epifanias (momentos de revelação) então, nem se fala!


Dona de muitas frases espalhadas pela internet (e até das que não lhes pertence na realidade...), Clarice foi um dos destaques do terceiro momento do Modernismo Brasileiro. Nessa fase tivemos um desapego às circunstâncias exteriores e uma valorização da palavra e do texto, o que contribuiu para tornar alguns escritos difíceis de serem compreendidos. Lispector, nesse sentido, tem seus lovers, tem seus haters, e tem seus meios termos. É, por certo, uma escritora inquietante.

Além de crônicas e livros infantis, escreveu

(romances)

Perto do coração selvagem (1944); O lustre (1946); A cidade sitiada (1949); A maçã no escuro (1961); A paixão segundo G. H. (1964); Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres (1969); Água viva (1973); A hora da estrela (1977).

(contos)

Alguns contos (1952); Laços de família (1960); A legião estrangeira (1964); Felicidade clandestina (1971); Imitação da rosa (1973); A via-crúcis do corpo (1974).

A Hora da Estrela é um dos livros mais conhecidos e foi o último escrito antes de morrer. O livro teve doze outros títulos até se firmar em A Hora da Estrela. (leia mais sobre isso neste artigo, página 2).


Habemus Filme! E Habemus Série!


De 1985, o filme tem no elenco Marcélia Cartaxo, José Dumont, Fernanda Montenegro e Tamara Taxman. Sobre ele que comentamos nesta entrevista. O trailer vocês podem ver aqui e há um canal do Youtube que disponibiliza filmes antigos brasileiros :)

Nossa tv também fez especiais. Em 2003, Regina Casé e Wagner Moura apresentaram uma pequena série chamada Cena Aberta que focava em desconstruir uma história e mostrá-la de maneira mais panorâmica, como um documentário que enfatiza testes, produção, pesquisa e roteiro literário. O episódio sobre A Hora da Estrela vocês podem ver aqui (contém spoilers!).

Já em 2013 tivemos um quadro no programa Fantástico da Tv Globo, uma série inspirada nas crônicas da autora. No elenco de “Correio Feminino”, estão as atrizes Maria Fernanda Cândido, Luiza Brunet, Alessandra Maestrini e a top model Cintia Dicker. Para acompanhar episódios e extras, só clicar aqui.

Espero que os leitores tenham gostado. Eu e a Milena curtimos muito esse bate-papo!
A propósito, obrigada pela participação, Milena!


Interessados em participar de uma entrevista, dentro dos citados requisitos, só mandar nome, um contato de rede social (FB ou twitter), o nome do livro e do autor para marykleris@hotmail.com, assunto Littera Feelings.


Até o próximo post,

Kleris Ribeiro.
 
Ana Liberato