segunda-feira, 2 de março de 2015

Resenha: "Simplesmente Acontece" (Cecelia Ahern)

*Por Mary*: Pular de Carina Rissi para Cecelia Ahern é como passar do 220v para o 110 (nunca entendi absolutamente nada de física e desconfio de que o que acabei de dizer não tem sentido nenhum, mas tenho certeza de que vocês entenderam).

Em Simplesmente Acontece conhecemos Rosie e Alex, um casal de amigos que se conhece praticamente a vida toda. Após toda a vida escolar estudando juntos – fugindo da escola juntos, bebendo juntos e levando suspensão igualmente juntos –, Alex é obrigado a atravessar o oceano por conta da promoção profissional de seu pai e vai morar em Boston. A separação, porém, não serve para separar os amigos, que continuam se correspondendo e mantendo contato mesmo sob o peso da distância física. Todos que os conhecem - inclusive pais e amigos mais próximos - apostam em um relacionamento amoroso entre os dois. Os anos, contudo, vão se passando, o ocaso, a falta de sorte e uma sucessão de desencontros parece fazer de tudo para separá-los. Chega a hora de decidir: encarar, mergulhar de cabeça e tomar as rédeas da própria vida ou aceitar de uma vez por todas o que a vida lhes reservou. 
“Ela sempre me disse que, quando eu sentisse esse silêncio com alguém, era um sinal de que aquela pessoa seria aquela que ficaria comigo pelo resto da vida.” 

Dividido em cinco partes e cinquenta capítulos, a trama é inteiramente contada por meio de cartas, bilhetes, SMS e mensagens instantâneas trocadas entre os personagens. Talvez pela falta de hábito em ler romances epistolares, estranhei um pouco no início, posto que o ritmo de narração é mais lento do que normalmente é quando narrado em primeira ou terceira pessoa. Mas é apenas uma questão de habituar-se a este tipo de narrativa, que necessita de adaptações e estratégias que, em outras obras, seriam utilizadas de maneira distinta.



É interessante a construção dos personagens nessa forma de narrativa, porque não há uma descrição clara deles (lembre-se que, aqui, não há um narrador). De certo modo, essa característica acaba por dar ao leitor mais liberdade para construir sua própria imagem mental dos personagens, fazendo-se presentes, entre as cartas, uma ou outra característica física contextualizada à própria mensagem. 
“É estranho ver o quanto ela se parece com você; tem os seus olhos azuis e brilhantes (vejo problemas por aí!), cabelo bem pretinho e um nariz que parece um botão (...).” 

Para que se possa englobar mais adequadamente a história, a troca de mensagens apresentada não é apenas entre os protagonistas Rosie e Alex, incluindo também alguns de seus familiares e amigos. Além de ampliar os horizontes para a trama proposta, a inclusão de outros destinatários serve para tornar possível visualizar de forma mais panorâmica os fatos e os pontos de vista daqueles que convivem com o casal.

Apesar de ser uma grande admiradora da Cecelia Ahern, confesso que não gostei da mensagem que a protagonista Rosie transmite ao leitor. Certamente, esta é uma interpretação pessoal, mas a impressão que dá é a de que podemos ficar sentados esperando as coisas acontecerem, porque o que há de ser nosso nos virá às mãos. E é justo isso que Rosie faz durante boa parte da vida: espera. Além de moldar a si mesma em função das pessoas que a rodeiam, de muitas vezes se anular em nome de quem ama, Rosie também vai se deixando levar pelos acontecimentos cotidianos. Bom, eu discordo desse fatalismo que prega a existência de um destino que comanda nossas vidas e que, independentemente dos nossos atos, será aplicado e executado tal qual suas regras. 
“Almas gêmeas sabem encontrar o caminho que leva uma até a outra.” 

Ah, mas não entremos agora em méritos existenciais. Mesmo porque, se formos analisar pouco a fundo os livros anteriores dessa autora, vamos identificar certo quê de fatalismo, cuja tendência é acreditar no “o que há de ser, será”, no “deixa acontecer” e “deixa a vida me levar”.

Mas não se confunda e pense que é só isso. A coisa é muito mais complexa e paradoxal. A Cecelia, aliás, é uma verdadeira criadora de situações dinâmicas e controversas, colocando em cheque as elaboradas cenas clichê de romance. Trocando em miúdos, Cecelia Ahern, ao mesmo tempo em que relaciona a naturalidade dos fatos, retrata a busca por seus objetivos e ideais. Eu diria que essa é a grande sacada: os personagens verossímeis aliados às situações absolutamente realísticas criam uma tocante história de amor. 
“Ele sempre dá um passo a mais quando sabe que não deveria. Faz isso seja como for e aprende. Acho que nós, adultos, temos muito o que aprender com eles. Para que assim, talvez, não sejamos tão medrosos nem sensatos demais em se tratando de alcançar os nossos objetivos.”

Para encerrar, gostaria de elogiar a equipe de produção da Editora Novo Conceito, que ganhou muitos pontos comigo por conta da “Nota do editor”, inserida logo após a folha de rosto de Simplesmente Acontece. Muitos podem sequer perceber a existência/importância dela, contudo, penso que, além de atencioso, demonstra cuidado e detalhismo com a internalização da obra. Não poderia, também, deixar de elogiar a equipe de tradução do livro, que teve o cuidado de manter características originais, que deixam ainda mais charmosa a história.


*HABEMUS FILME!!!*

Simplesmente Acontece foi adaptado para o cinema, dirigido por Christopher Ditten e interpretado por Lily Collins e Sam Clafflin nos papeis de Rosie e Alex. A estreia aqui no Brasil está prevista para o dia 05 de Março de 2015.



Estou bastante curiosa para ver de que modo adaptaram a obra e como ficou. Vi o trailer e, apesar de ter gostado, tive a impressão de que bastante coisa do livro foi modificada, o que, definitivamente, me dá muito medo. Aguardemos! 
“Ele é o cara mais sortudo do mundo por ter você, Rosie, mas não te merece e você merece algo muito melhor. Merece alguém que te ame com todo o coração, alguém que pense em você a todo momento, alguém que passe cada minuto do dia se perguntando o que você deve estar fazendo, onde você está, com quem está e se está bem. Precisa de alguém que te ajude a realizar os seus sonhos e que possa protegê-la dos próprios medos. Alguém que te trate com respeito, que ame cada parte de você, especialmente os seus defeitos. Você deveria estar com uma pessoa que possa te fazer feliz, muito feliz, andando nas nuvens de tanta felicidade. Alguém que anos atrás deveria ter aproveitado a chance de ficar com você em vez de sentir medo e ficar assustado demais pra poder tentar.



6 comentários :

  1. Quando ouvi falar do livro pela primeira vez não tive muita vontade de lê-lo, mas então vi o trailer do filme e me interessei, agora quer os dois, livro e filme kkk
    Beijos

    http://www.gkastmaker.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Gih!

      Tenho planos também de ver o filme em breve. Quanto ao livro, indico bastante. Obrigada por deixar a sua opinião. ;)

      Beijo!

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  2. Desde que li "A vez da minha vida" fiquei fissurada na Cecelia, ainda não tive tempo de ler nenhum outro apesar de já ter "Ps eu te amo" e "O presente". Brevemente irei adquirir este título aí porque quero muito ver o filme e só o farei quando ler o livro.

    Gostei da sua resenha porque apresenta sua opinião sincera não comentando apenas os pontos positivos mas aquilo que você acha que poderia ser melhor.

    Não li nada da Rissi então sobre a diferença entre o jeito dela escrever e o da Cecelia não posso opinar nada rs.

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    1. Sem dúvida, a Cecelia é o tipo de autora que precisamos conhecer. E, tão logo conhecemos, queremos ler mais e mais de suas obras (Além, claro, de querer que o mundo inteiro a leia. hahaha)

      Obrigada! E agradeço também por ter deixado a sua opinião!

      Você PRECISA conhecer a Carina Rissi! Em breve teremos aqui no blog a resenha de Perdida e Encontrada, não perca. ;) (De antemão, já deixo super indicado. A Carina ganha de muito autor internacional mega bombado que tem por aí, acredite em mim.)

      Beijo!

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  3. Simplesmente Acontece foi um livro que me conquistou da primeira à última página! Já era fã da Cecelia Ahern, e nesse livro confirmei ainda mais o porquê gosto tanto dela. Uma delícia de ler, com personagens que se tornam muito queridos ao longo da trama. =) Só não curti o filme, nem tanto pelo fato de ser diferente do livro, mas como filme mesmo achei-o bem vazio, superficial e muito apressado.

    Beijos, Livro Lab

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    1. Oi, Aline!

      A Cecelia com certeza sabe nos conquistar, criando personagens tão verdadeiros com histórias tão bem construídas que simplesmente não dá pra largar.

      Ainda não vi o filme, mas já vi opinião de ambos os lados sobre ele. Permaneço na curiosidade, por enquanto.

      Beijo!

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