segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Resenha: "Um Artista do Mundo Flutuante" (Kazuo Ishiguro)

Tradução: José Rubens Siqueira

Sinopse: Masuji Ono, protagonista e narrador deste primoroso romance do vencedor do prêmio Nobel de literatura, é um homem de seu tempo. Pintor de grande renome do Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ainda jovem Masuji desafiou o pai para seguir a vocação artística e, durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço de seu país. Usando a influência de que gozava perante as autoridades do governo imperial, Ono buscava ajudar pessoas de bem em situações menos favorecidas do que a sua.
Ambientado nos anos imediatamente após a rendição, o romance descortina a vida de Masuji já aposentado, procurando entender as mudanças vividas pelo país e impressas na mentalidade da geração mais jovem, da qual fazem parte suas duas filhas. Ao procurar entender por que as negociações para o casamento da mais nova delas foram abruptamente interrompidas, o protagonista se vê levado a rememorar sua vida de artista e professor respeitado e a enfrentar a consequência dos próprios atos no destino de seus descendentes.

Retrato comovente de um momento histórico cujos desdobramentos se veem até os dias de hoje, Um artista do mundo flutuante é também um poderoso romance sobre a velhice, a culpa e a passagem do tempo. 




“Há muitos bons escritores, mas poucos bons romancistas. Kazuo Ishiguro pertence a este escasso grupo. Seu segundo romance, Um artista do mundo flutuante, é do tipo que aprofunda a consciência do leitor, ensinando-o a ler mais sensivelmente.” — The New York Times Book Review

Fonte: Grupo Companhia das Letras

Por Eliel: Alguns detalhes antes de começar essa resenha propriamente dita. Que eu sou apaixonado pela obra de Ishiguro não deve ser novidade para quem acompanha o Dear Book. A maioria dos leitores não deve saber, mas sou estudante de Artes Visuais e esse livro é um ode à carreira artística profissional (minha paixão só aumenta). Um último detalhe antes de começarmos, a capa é uma obra de arte de Neil Gower que foi brilhantemente (literalmente hahaha, os detalhes em laranja da capa realmente brilham) adaptada por Alceu Chiesorin Nunes.

[...] me lembro claramente de decidir não dar atenção ao que ocorrera na sala de visitas depois que saí. Naquela época, claro, as casas eram todas mal iluminadas, de forma que não era incomum ficarmos parados no escuro para conversar. Eu podia distinguir a figura da minha mãe à minha frente, mas não conseguia enxergar seu rosto."Alguma coisa está queimando na casa", observei."Queimando?" Minha mãe ficou em silêncio por um momento, depois disse: "Não. Acho que não. Deve ser imaginação sua, Masuji"."Senti cheiro de queimado", eu disse. "Olhe só, acabei de sentir de novo. Papai ainda está na sala de visitas?""Está. Ocupado com alguma coisa.""Seja o que for que esteja fazendo lá", eu disse, "não me interessa nada."Minha mãe não emitiu nenhum som, então acrescentei: "A única coisa que papai conseguiu foi atiçar minha ambição"."Que bom ouvir isso, Masuji."

Ambientado no Japão Pós-Segunda Guerra Mundial, iremos acompanhar um recorte da pacata vida do pintor aposentado, Masuji Ono. Ele é o narrador dessas memórias e fala diretamente com o leitor, porém não é muito confiável em algumas passagens. Essa característica torna a narrativa muito mais verdadeira e sensível.

Esse recorte da vida de Ono começa com a visita anual de sua filha mais velha, Setsuko, e seu netinho. Os temas iniciais são bem corriqueiros do dia a dia dentro da cultura japonesa, enquanto conversam sobre amenidades as memórias de Ono são mescladas à sua narrativa. Essa característica se parece muito com aquelas conversas que sem sabermos como chegam a reflexões profundas de forma natural.

Noriko, a filha mais nova de Ono, já está com 26 anos. Para a cultura da época em que se passa essa história, ela está ficando velha para encontrar um bom casamento. O casamento era a união de duas famílias e não apenas de duas pessoas, portanto era movido por interesses visando a pureza das famílias. Paira no ar a ideia de que as últimas negociações para uma união de Noriko foram canceladas devido ao passado de seu pai.

Ono acredita que suas filhas comentam e discutem sobre essas coisas às suas costas. Como nem o próprio narrador tem certeza disso, nós leitores somos levados pela opinião dele. Isso, de forma sutil, faz com que ele comece a refletir sobre seu passado e compartilhar os acontecimentos como se fossem leves devaneios. É interessante essa forma de se contar uma história, que vira e mexe ele te puxa ao presente depois de te levar nessa sua visita ao passado.

Ono foi um importante e promissor artista durante o período da guerra, prestando muitos serviços a nação, porém parece que agora ele não tem tanto orgulho do que fez. Isso fica subentendido por não haver nenhum dos seus quadros expostos pela sua enorme casa, embora tenha de outros artistas que ele admira. Até mesmo seu neto pergunta se ele era mesmo um grande artista e insiste em ver seus quadros, Ono se limita a dizer apenas que estão guardados.

Havia, sem dúvida, muito a admirar na ideia de "um leilão de prestígio", como dissera a irmã mais velha. É até de imaginar por que as coisas não são resolvidas por esse meio mais vezes. Como é muito mais honrosa uma disputa em que são levadas em conta moral e as realizações em vez do tamanho da bolsa. Ainda me lembro da profunda satisfação que senti quando soube que - depois da mais minuciosa investigação - os Sugimura tinham considerado a mim o mais digno da casa que tanto amavam. E sem dúvida essa casa merece que se tenha sofrido alguns inconvenientes; apesar do exterior grandioso, imponente, por dentro é um lugar de madeiras naturais delicadas, escolhidas pela beleza de seus veios, e todos nós que vivemos nela viemos a considerá-la muito propícia para calma e relaxamento.

Constantemente ele revisita o antigo bairro dos prazeres, e aos poucos nos apresenta o que era/é o Mundo Flutuante. Um mundo efêmero, habitado por beleza passageira, bebidas e fonte de inspiração e um oásis em meio à guerra. No presente, pouco sobrou disso.

Chamo de "nosso bairro do prazer", mas creio que na verdade não era nada mais que um lugar para se beber, comer e conversar. Era preciso ir ao centro da cidade para os verdadeiros bairros do prazer- com casas de gueixa e teatros. Mas eu mesmo sempre preferi o nosso próprio bairro. Atraía uma multidão animada mas respeitável, muitos deles gente como nós - artistas e escritores, seduzidos pela ruidosa conversa que se estendia noite adentro.[...]"A melhor beleza, a mais frágil, que um artista pode ter a esperança de captar flutua dentro daquelas casas do prazer depois que escurece. E em noites como estas, Ono, alguma beleza dessas flutua por aqui pelas nossas salas. Mas quanto àqueles quadros ali, eles nem chegam perto dessas qualidades transitórias, ilusórias. Têm falhas profundas, Ono".

De forma despretensiosa temas profundos são trazidos à tona. O choque de gerações é o mais presente, afinal temos um geração que participou e sobreviveu a guerra e arca com suas consequências e outra que anseia pelas mudanças. Ono, no passado, teve seus próprios desafios ao lidar com seus mestres e sua ousadia e ambição.

Outro tema que me chamou a atenção foi o impacto e uso da arte nos movimentos militares. O quanto um artista pode influenciar a cultura, a sociedade e o ambiente à sua volta? Ono levanta muitos questionamentos durante sua trajetória e o mesmo pondera muito no que isso trouxe para sua vida. Isso enquanto toma providências para que novas negociações de casamento de Noriko não fracassem.

A narrativa pode parecer meio monótona e melancólica, porém ela tem sim um tom melancólico e um ritmo que te prende do começo ao fim. Minha experiência com essa leitura foi bem emocionante, Ishiguro tem um jeito de tocar os sentimentos do leitor de forma bem delicada e sensível. Vale a pena a leitura e a reflexão, além disso, recomendo um respiro e uma digestão dessa obra.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Resenha: "Gritos no Silêncio" (Angela Marsons)

Tradução: Marcelo Hauck

Por Sheila: Oi Pessoas. É com profunda dor no coração que trago a vocês minha última resenha como integrante da família Dear Book. Foram quase 8 anos cheios de muita troca, crescimento, descoberta de novos autores e gêneros, minha descoberta como autora, nossa tanta coisa!

Mas, enfim, a vida chama. Às vezes com um grito estridente que ameaça ensurdecer. E às vezes temos que deixar de lado, para trás, coisas que amamos, em troca de outros sonhos, desafios, projetos. Esses amadurecimentos fazem parte da vida e foi um prazer imenso ter passado esse tempo com vocês. 

Meu mais sincero agradecimento pela oportunidade de produzir e descobrir que, sim, era capaz! Lencinho a postos (snif, snif) vamos à resenha! Segundo a sinopse do nosso querido Skoob:

Os segredos mais obscuros não podem ficar enterrados para sempre…
Na escuridão da noite, cinco figuras se revezam para cavar uma sepultura, um pequeno buraco em que enterram os restos de uma vida inocente. Ninguém diz nada, e um pacto de sangue os une…
Anos mais tarde, Teresa Wyatt é brutalmente assassinada na banheira da sua casa, e, depois disso, mais mortes violentas começam a acontecer. Todas as vítimas têm algo em comum, e a detetive que encabeça o caso, Kim Stone, logo percebe que a chave para deter o assassino que está semeando o pânico na cidade é resolver um crime do passado.
Só o que ela sabe é que alguém esconde um segredo e está disposto a fazer qualquer coisa para que nada seja revelado.
Acredito que, logo de início, o que é mais impactante no livro é descobrir que a sepultura encerra uma criança. Os acontecimentos sinistros acontecem próximos a um orfanato, e é feito um pacto para que nenhum dos cinco jamais revele o que aconteceu naquela noite obscura.

Todos tinham conhecimento daquela vida inocente que havia sido tirada, mas o pacto estava feito. O segredo deles seria enterrado.

Pouco tempo depois seremos apresentados para a detetive Kim Stone que será a protagonista dessa série de livros (aqui ainda é o primeiro, mas lá fora já são 8 livros publicados). Kim é a típica detetive cheia de tragédias pessoais que vê na profissão uma forma de enterrar esses fantasmas do passado.

Utilizando-se de métodos nem sempre convencionais para resolver seus casos, a detetive se dá conta que, para solucionar este caso em particular talvez ela tenha de desenterrar alguns medos que tem bem fundo na mente, e dos quais vem fugindo há muito tempo. Irá ela conseguir deparar consigo mesma para que a verdade venha à tona?

Com uma escrita ágil e direta e capítulos bem curtinhos, Gritos no Silêncio é um daqueles livros em que se lê tudo de uma só vez bem fácil. Os acontecimentos passados e presentes vão se sobrepondo de forma a fazer com que as páginas praticamente se virem sozinhas. Os personagens são bem estruturados e as cenas são muito bem construídas, não deixando pontas soltas.

A única ressalva seria a de que a autora é um tanto quanto explícita em algumas passagens, mas se vocês lida bem é tranquilo. Prepare-se para muita ação, suspense, e um final que não deixa nem um pouco a desejar!

A todos e tod@s muito obrigada por todos esses anos juntos, forte abraço e espero voltar um dia!

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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

[Cineclube]: Um Dia Para Viver





Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.





Titulo: Um dia para viver
Data de lançamento (Brasil): 07 de junho de 2018
Diretor: Brian Smrz
Elenco principal: Ethan Hawke, Xu Qing, Paul Anderson, Rutger Hauer, Liam Cunningham e Nathalie Boltt.
Gênero: Ação, Suspense.

Um assassino (Ethan Hawke) ganha uma segunda chance quando seu empregador o traz de volta à vida temporariamente, logo após ter sido morto no trabalho. Ele ganha então 24 horas para realizar sua missão e se redimir.



Um Dia Para Viver é um filme de ação que se sai muito bem no gênero a que se propõe. A primeira coisa que me chamou a atenção é o fato de que ele foi produzido pelos mesmos responsáveis pelos filmes de John Wick, que podem ser considerados um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos. E pode-se perceber certas semelhanças no roteiro desses filmes, ao termos um assassino profissional, considerado o melhor de sua profissão, que deve ir atrás de uma organização criminosa. Mesmo com essas semelhanças, os filmes acabam sendo bem diferentes, apesar de que eu esperava ver um pouco das maravilhosas lutas coreografas de John Wick, mas que em Um Dia para Viver dá lugar a ótimas cenas de tiroteio.


E é exatamente nessas cenas cheia de tiros que o filme conquista o telespectador, com situações realistas, além de um roteiro bem interessante, mesmo que não tão inovador. A ideia de o protagonista ter um tempo cronometrado antes que algo aconteça não é uma grande novidade, mas eles conseguiram criar uma forma diferente de colocar essa situação. 


Ethan Hawke estava convincente no papel de assassino profissional, e o resto do elenco também atuou bem dentro de suas limitações. A única exceção é a atriz Xu Qing que não conseguiu mostrar tanta atuação quanto os colegas, mas não causa muitos estragos.



Um dia para viver pode não ser um filme diferente do modelo comum, mas ele consegue ser eficiente como filme de ação. Ele possui um roteiro dinâmico, bem construído, foge dos excessos que muitas vezes acontecem em filmes do gênero, e consegui criar ótimas cenas de ação. O único problema que vejo em seu roteiro é a forma como eles deixam o gancho para uma possível continuação. Os últimos segundos do filme caem desnecessariamente em clichê, e atrapalham um filme que flui perfeitamente bem. Mas isso não diminui a qualidade do filme, como uma ótima opção para quem gosta de filmes de ação. 




Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Resenha: "E se Fosse Verdade..." (Marc Levy)

Tradução: Jorge Bastos

Sinopse: Autor francês mais lido em todo o mundo, Marc Levy deve em muito o sucesso de suas vendas e críticas positivas a E se fosse verdade..., livro que marcou sua estreia literária. O romance nasceu da ideia de Levy, à época um empresário de sucesso, escrever uma história para seu filho, para que ele a lesse quando chegasse à idade adulta. 

Lauren é uma jovem médica com muito potencial: faz residência no San Francisco Memorial Hospital, na Califórnia. Porém, sua carreira promissora é interrompida quando ela é vítima de um grave acidente de carro e fica em estado de coma. Com morte cerebral confirmada, ela acorda e descobre que está fora de seu corpo – incomunicável como um fantasma. De forma misteriosa, Lauren consegue ser vista apenas pelo solitário Arthur, o novo inquilino de seu apartamento. Cético, ele leva algum tempo para acreditar na história da invasora, mas logo o sentimento entre os dois se torna algo a mais. Sem esperanças, os médicos e a família da jovem decidem fazer a eutanásia. Agora, o casal terá que lutar para salvar o corpo de Lauren, e descobrir alguma forma de reuni-lo com sua consciência. 

Grande sucesso de vendas, a inusitada história de amor foi publicada originalmente em 1999. Seus direitos para o cinema foram comprados por Steven Spielberg e a adaptação homônima, estrelada por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo, lançada em 2005, foi também sucesso de público e crítica.


Fonte: Skoob

Por Sheila: Oi Pessoas!  Quando peguei esse livro em mãos, vi que o mesmo me era familiar. Pesquisando para a resenha, vi que havia sido feito um filme - que eu tinha assistido - baseado neste belíssimo escrito de Marc Levy. Eu só havia assistido ao filme até então, e fiquei super empolgada em conhecer a estória "por de trás" das telinhas. Aliás, este foi o romance de estréia de Marc Levy, vocês sabiam?  Eu não ...

Pois bem, a estória é a seguinte: Lauren é uma jovem residente de medicina super dedicada ao seu trabalho e que, pelo que nos é relatado na primeira parte do livro, ama o que faz e ama sua vida. Do tipo de pessoa que admira um belo pôr do sol, e o espetáculo singelo de uma flor a se abrir.

Em um de seus raros dias de folga, resolve se encontrar para um passeio com os amigos, mas acaba sofrendo um acidente terrível de carro, e o que parecia ser o início de uma vida muito bem vivida, e uma carreira promissora, parece ter acabado antes da hora.

Lauren permanece inerte. Parece repousar tranquila, com o rosto descontraído, a respiração lenta e regular. Pela boca ligeiramente entreaberta, poderíamos imaginar um rápido sorriso, mas pelos olhos fechados, ela parece dormir. Os cabelos compridos emolduram o rosto e a mão direita descansa em cima da barriga.

Arthur é um paisagista de uma sensibilidade imensa que aluga um apartamento que apresenta uma curiosa peculiaridade: há uma linda jovem escondida em seu banheiro. E ela estava cantando. Mas o mais inacreditável é a história que a mesma conta: ela é Lauren, a antiga proprietária do apartamento que ele esta alugando, e está em coma no hospital, num quadro com poucas esperanças de reversão.

Peggy Lee cantava Fever na FM 101,3 e Arthur mergulhou várias vezes a cabeça na água. Estava surpreso com a qualidade do som e pelo extraordinário efeito estéreo, sobretudo num radinho que, em princípio, era mono. Prestando atenção, parecia que o estalar dos dedos acompanhando a música vinha do armário. Intrigado, saiu da água e andou  sem fazer barulho até lá, para ouvir melhor. O som estava cada vez mais nítido. Arthur se concentrou, tomou fôlego e abriu bruscamente as duas portas. Arregalou os olhos e deu um passo atrás.
Entre os cabides e de olhos fechados, uma mulher, aparentemente embalada pelo ritmo da música, estalava o polegar e o indicador, cantarolando.

Relutante a princípio em se deixar levar por essa estória inacreditável, Arthur acaba cedendo as provas que Lauren vai lhe fornecendo de que o que diz é verdade - e que ele não esta ficando maluco. É claro que há romance. Mas ele perdurará, na ausência de um contato físico? E até quando a situação se estenderá?

E se fosse verdade... é um romance belíssimo que me emocionou - confesso! - às lágrimas. Traz à tona questões profundas como vida, morte, eutanásia, amores impossíveis, perdas e acontecimentos improváveis, de uma maneira tão bem narrada e costurada,  que virou sem muito esforço um dos meus livros favoritos.

Nas telinhas, Spielberg comprou os direitos autorais, e lançou o filme homônimo, estrelado por Reese Whiterspoon e Mark Ruffalo. Como eu havia visto o filme antes, gostei muito do enredo, apesar de as diferenças entre os dois serem gritantes. No filme, por exemplo, Lauren é mais uma viciada em trabalho, competitiva, que não tem amigos e tem uma tendência a ser mandona.

Para ser imparcial, tentei considerar os dois como obras distintas para poder apreciar sua beleza. Mas com certeza, o livro me emocionou e envolveu muito mais. Se o filme é bonito, o livro de Mar Levy, relançado pela SUMA de letras com uma capa simples, mas belíssima, é cativante!

Se você já leu, releia! E se fosse verdade... me parece uma daquelas estórias que nunca sairão de moda.

Bjinhus a todos e tod@s!

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Resenha: "Santuário dos Ventos" (George R. R. Martin & Lisa Tuttle)

Tradução: Luís Reyes Gil

Sinopse: George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. O romance, ambientado num planeta distante, conta a história de Maris e seu sonho de se tornar um dos voadores, grupo de habitantes mais prestigiado do Santuário dos Ventos. Para isso, recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

Fonte: Editora Leya

Por Eliel: Quando uma situação não te agrada o conselho mais comum e mais óbvio é mudar. Porém isso às vezes não é tão fácil. No santuário dos Ventos tem uma sociedade engessada que faz distinção social entre os voadores e os confinados à terra, herança dos seus antepassados. Os Voadores são uma classe de prestígio no Santuário dos Ventos, são eles que são o principal meio de comunicação entre as nações. Os Confinados à Terra são todos os outros membros do povo que habitam as ilhas desse planeta tomado por grandes quantidades de água e fortes ventos.

Maris é uma confinada à terra de nascença que teve acesso à asas porque seu pai adotivo, Russ, é um voador. Ele ensina a arte do voo para Maris que tem um talento nato, mas devido ao seu nascimento e as regras não terá o direito de se tornar uma verdadeira voadora.

Muito em breve, ela deverá passar as asas que lhe deram tanto prazer para seu irmão mais novo, Coll (filho biológico de Russ), que não tem o mínimo talento e vontade de ser um voador. Sua verdadeira paixão é a música.

- Não se preocupe - disse Russ, com uma voz cordial, mas meio forçada. - Foi só um suporte, filho; eles quebram à toa. Não é difícil consertar. Você estava um pouco instável, mas todos nós ficamos no primeiro voo. Da próxima vez será melhor.- A próxima vez, a próxima vez, a próxima vez! - repetiu Coll. - Eu não consigo, pai, não consigo. Eu não quero uma próxima vez! Eu não quero suas asas! - Ele chorava abertamente agora, e seu corpo tremia com os soluços.O grupo ficou mudo, chocado, e o rosto de seu pai ganhou um ar severo.- Você é meu filho, um voador. Haverá sim uma próxima vez. E você aprenderá.Coll continuava tremendo e soluçando, as asas já desatadas aos seus pés, quebradas e inúteis, pelo menos por ora. Não haveria voo para Eyrie naquela noite.

As asas dos Voadores são feitas de um material metálico provenientes das velas das grandes embarcações estrelares dos primeiros exploradores a chegarem nesse planeta formado por vários arquipélagos. Dessa forma esse material é bem escasso, e as asas são passadas de geração a geração o que mantém essa cultura viva. Como mensageiros a serviço dos Senhores da Terra, que são os governantes das nações, eles mantém a comunicação e a sobrevivência em comunidade do planeta.

Maris não deseja se separar da liberdade e das sensações proporcionadas pelas asas. Diante de um grande Conselho dos Voadores ela vai lutar bravamente pelo seu direito contra todas as tradições impostas por séculos de história, afinal para ela as asas deveriam ser passadas por mérito e habilidade ao invés por hereditariedade. Dessa forma, menos asas seriam perdidas e vidas seriam poupadas se não caíssem em mãos inexperientes e sem talento.

- Somos pessoas, e se temos algum instinto é o instinto, o desejo de mudança. As coisas sempre mudam e se formos inteligentes faremos as mudanças nós mesmos, e para melhor, antes que sejamos obrigados a fazê-las. A tradição de passar as asas de pai para filho funcionou razoavelmente bem por muito tempo. Com certeza, ela é melhor que a anarquia, ou que a antiga tradição de se defender isso num combate, que apareceu no Leste durante os Dias de Sofrimento. Mas não é a única maneira, nem é a maneira perfeita.

Maris se tornará uma lenda no Santuário, porém terá que lidar com as consequências de seus sonhos e atitudes. Um fardo que pode ser bem pesado para carregar, mas toda revolução tem fardos e consequências diante das mudanças necessárias.

Um livro escrito à quatro mãos e com uma única voz. O mestre Martin e Lisa Tuttle escreveram esse livro em 1981 e somente agora chega uma tradução encantadora chega às nossas mãos por meio da Editora LeYa. Uma aventura ao melhor estilo Espada e Feitiçaria que trata de temas como a busca de sonhos e a importância de questionar sistemas opressores. Com uma protagonista feminina forte e bem construída e à frente do seu tempo.

- Crescer pode ser doloroso - comentou Evan. - E toda cura leva tempo. Dê tempo ao tempo, Maris.

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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

[Cineclube]: Um Laço de Amor






Cineclube é uma coluna semanal que tem como objetivo trazer para os leitores do Dear Book, críticas sobre filmes (do retrô até os últimos lançamentos), além de alguns especiais sobre temas do universo cinematográfico, passando eventualmente pelas séries que tocam nossos corações (seja por amor ou total aversão mesmo). Qualquer assunto da sétima arte que mereça ser discutido você vai ver por aqui, no Cineclube.





Titulo: Um Laço de Amor
Data de lançamento (Brasil): 07 de Abril de 2017
Diretor: Marc Webb
Elenco principal: Chris Evans, McKenna Grace, Lindsay Duncan, Octavia Spencer, Jenny Slate, Glenn Plummer e John Finn.
Gênero: Drama
Frank Adler (Chris Evans) é um homem solteiro que cria sua jovem sobrinha Mary (Mckenna Grace), uma menina prodígio. Frank planeja oferecer uma vida escolar normal para a jovem de sete anos, mas os planos são frustrados quando as habilidades de matemática de Mary chama a atenção da mãe de Frank, Evelyn (Lindsay Duncan). Ela possui outros planos para a neta, que podem separar Frank e Mary.


Um Laço de Amor não é um dos filmes do momento, até porque já foi lançado a mais de um ano, mas acabei assistindo ele por esses dias e decidi trazer aqui para vocês. E isso, principalmente, por causa da atriz mirim McKenna Grace, que foi escalada recentemente para o filme Anabelle 3, interpretando a filha do casal Warren, que terá que enfrentar a boneca do mal. Ela também pode ser vista no filme Eu, Tonya e na série A Maldição da Residência Hill, que estreou recentemente na Netflix. Sem falar, que ela fará a versão jovem da Capitã Marvel. Dá pra ver que a menina tem ganhado destaque nos últimos tempos.


Bom, Um Laço de Amor é um drama, centralizado em um homem e sua sobrinha. A história começa, quando ela é colocada pela primeira vez na escola, e se destaca pela inteligência bem acima da média, praticamente um gênio da matemática. E devido a alguns fatos, acaba ocorrendo uma briga pela custódia da menina, entre o tio, que sempre a criou, e a avó que aparece de repente.


O filme é um drama bem legal, mostrando a relação entre Frank (o tio) e Mary (a sobrinha). Como ele lida com o fato de ter a vida mudada ao se tornar pai solteiro, e como a morte da falecida irmã, o enche de culpa e o guia a tentar dar um futuro diferente para a sobrinha. E aí que entra a avó que vê na menina uma extensão da filha e de si mesma, e a faz enxergar a menina, não como uma criança, mas um prodígio que precisa ser treinado.


O drama é bem construído, e as cena entre Chris Evans e McKenna são muito fofas. A menina se saiu muito bem no papel, e me lembra um pouco (até pelo físico) a atriz Dakota Fanning quando começou a carreira bem novinha. Me pergunto se ela vai seguir carreira e deslanchar também. A história segue um fluxo legal, vai fazer o telespectador mais emotivo derramar algumas lágrimas. Não é um filme inovador, surpreendente, mas consegue ser doce e emocional na medida certa. Chris Evans está bem no papel, nada surpreendente, mas é sempre bom ver ele em um filme diferente de ação ou de super herois.


O filme traz uma fotografia bem feita e uma trilha sonora que se encaixa muito bem. Também traz um elenco secundário de peso, com a Octavia Spencer , que aparece bastante, mas não se destaca muito, e a Lindsay Duncan, que está bem no seu papel. Para quem gosta de um bom filme de drama, Um Laço de Amor, é uma boa pedida e vai satisfazer o telespectador. Vale a pena assistir. Espero que gostem!




Jayne Cordeiro é de Salvador-Bahia, e tem 26 anos. Enfermeira, com pós graduação em auditoria, sempre foi apaixonada por livros e filmes, e entrou no universo dos blogs em 2015, ao se tornar resenhista literária da página Maravilhosas Descobertas. Além disso, hoje ela também participa do blog O Clube da Meia Noite, como resenhista literária e esporadicamente na crítica de filmes. E agora faz parte do blog Dear Book com a nova coluna sobre filmes, Cineclube.

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Até o próximo Cineclube!
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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Especial de Halloween - Conto de "A Menina que Roubava Livros" (Markus Susak)


Minha autoria
Por Clarissa:

“18 de abril de 1944
O que está havendo com vocês?
Não estão vendo o que está ocorrendo?
Pessoas estão sendo mortas cruelmente.
Pessoas são levadas de suas famílias.
Seus pertences confiscados e vendidos por este homem sem escrúpulos e cruel.
Onde está mamãe?
Ouvi-a chorar e gritar de dor. Para onde levaram ela?
Por que ela não estava respirando? Ela estava tão magra!
Não come à dias para que eu possa comer.
Por que temos que ficar aqui?
Por que todos dormem uns sobre os outros?
Onde foi parar os cabelos das mulheres?
Por que bateram naquela outra garota?
Ela está muito machucada e não há remédios. Não há comida nem água.
Por que não nos dão cobertas para o frio?
Está nevando lá fora, mas na é mais engraçado rolar na neve. Não nos deixam brincar.
Levaram minhas bonecas.
Chamaram-me de criança suja e cretina. Disseram que as pessoas como nós, denigrem a população alemã.
Mas sei que na fizemos nada disso. Ou fizemos?
Por que nos odeiam tanto?
Outro dia levaram uma remessa de mulheres e crianças para um compartimento estranho.
Mandaram que todos tirassem as roupas, foram tomar banho?
Mas a água aqui é gelada. No inverno as pessoas estão morrendo pelo  frio.
Minha autoria
Por que aquelas pessoas não voltaram mais depois que entraram naquela câmara?
Deram às roupas delas para os novos amigos que chegaram. Por que eles choram tanto?
Me levaram para o banho também. E depois para aquela câmara. De repente vi um pequeno feixe de luz e jogaram alguma coisa aonde estávamos. Um cheiro horrível de gás começou a tomar conta do local.
Eu não conseguia respirar. Eu queria só sair dali e ficar com a mamãe de novo.
Por que estamos aqui?
E o banho? Por que não estamos vendo água?
Por que estão todos gritando?
Por que todos estão pedindo socorro? Por que não nos ajudam?
Os gritos pararam. E eu fui com a mamãe e os outros.”

Carta de uma meiga garota chamada Ingrid, meus eternos agradecimentos.

Minha autoria

Esta crônica foi feita pela minha amiga Ingrid. E me fez lembrar muito dos livros A menina que roubava livros e O menino do pijama listrado. E me fez imaginar como foi a destruição e os sofrimentos daquela época. O que as pessoas viveram nas Guerras Mundias, não sofreram somente pelos ataques aéreos, mas com as torturas, os trabalhos forçados que tinham muitos riscos de vida, e a prisão da liberdade, não podiam se expressar. Milhões de pessoas perdendo a vida injustamente, crianças perdendo suas infância por algo que mal sabiam.Na história de Markus Susak, quem narra o conto é a sabia e silenciosa Morte. Conta o que se passa em cada vida, seja as breves ou as longas vidas. Mas que levaram em suas vidas uma grande bagagem de delicadeza e brutalidade, perdas e glórias, amor e dor.
A mensagem deste livro é que devemos dar importância aos pequenos detalhes, aos momentos. Porque é isso que nos torna humanos.
Mas uma coisa é fato quando a morte conta uma história você deve parar para ler.

Para quem quiser conhecer melhor e ver suas lindas fotos, sigam a minha amiga Ingrid no instagram: https://instagram.com/winter_melancholy/

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Resenha: "Insano" (Andy Collins)


Sinopse: Gael Trent Malloy é o famoso vocalista da banda de rock Originals, depois de um trágico acidente no palco que o deixa impossibilitado de andar, o sexy vocalista tenta recuperar os movimentos com a ajuda dos seus amigos. O que ele não esperava era que, ao longo dessa jornada, seu caminho cruzasse com o de Hanna Daves. A doce pintora que consegue quebrar suas barreiras sem nem ao menos mover um músculo. Com ela, ele vai descobrir que suas limitações físicas são nada diante do que a consome.


Ele nunca quis ser a salvação de ninguém, até hoje.


Por Jayne Cordeiro: Já tive a chance de ler um livro da autora, que gostei muito, então não pensei duas vezes em ler Insano, que além disso, trás uma história envolvendo integrantes de uma banda. Que é um tipo de romance que eu adoro. 

... eu preciso dela. Preciso senti-la todos os dias pelo resto da minha maldita vida.

Gostei bastante do livro, e por diversos motivos. Achei bem interessante o fato de o protagonista Gael, ser um cantor de rock com todo o sexy appeal característico, mas nesse caso com uma deficiência física que muda bastante a dinâmica do casal. Mas a autora soube levar tudo de uma forma bem interessante, e foi bem legal de acompanhar. Gael é capaz de fazer qualquer leitora se apaixonar, apesar de algumas burradas que eles faz no decorrer do livro. E ele ainda apresenta um assunto interessante ao mostrar como alguém que sempre teve tudo, e dono de si, precisa lidar com ficar inválido em uma cadeira, dependendo dos outros.

Não quero apenas você, quero torná-la inacessível para qualquer outro.

Hannah também é uma personagem bem fácil de gostar. Ela é uma garota independente, alegre, e que sente um enorme prazer em ajudar os outros. Um dos plots do livro envolve principalmente ela. A forma como ela age em alguns momentos, abre um mistério que persegue o leitor durante boa parte do livro. Pensei em diversas coisas, mas acabei sendo surpreendida no final. O que foi muito bom.

Subir? Você está me tratando como uma criança, Gael. Não sou sua propriedade, você não manda em mim.

O livro flui de maneira bem dinâmica, cheia de momentos românticos, e ótimas cenas quentes. A história consegue prender o leitor todo o momento, e funciona como uma ótima abertura para a série The Originals, que trás livros focados nos integrantes da banda. Alguns já lançados. Para quem gosta do gênero de romances eróticos, Insano é uma ótima opção de leitura, que consegue se encaixar nesse universo musical comum a alguns livros, mas também consegue inovar ao trazer um protagonista deficiente. 

As asas nas costas, eram de um anjo sombrio. Mas, mesmo com esse lado obscuro, Gael era apenas o meu anjo.

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Ana Liberato