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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Interrogação #1 – Apostar no novo


Interrogação é uma coluna do Dear Book que recebe convidados para refletir o nosso momento enquanto ideias, hábitos, panoramas e manifestos culturais. A cada post, uma pergunta e uma opinião. Todo o conteúdo de resposta é de responsabilidade dos convidados. Sem periodicidade fixa, a coluna é organizada pela dear boss, Kleris Ribeiro.

E nesta estreia, eis-me aqui abrindo o caminho o/


Frente a tantas mudanças na área de mídias, comunicação e storytelling, 
o que representa para você apostar no novo?

K: No último ano, apostar no novo foi algo que me pegou. Por conta de umas questões de saúde, tive que pausar drasticamente diversas de minhas atividades (até com o blog!). Eu, que vivia ao modo de abraçar o mundo com pernas, braços, tudo, tive que aprender a sossegar. Parecia aquela inércia de ônibus no trânsito, que de repente está correndo, e então para, e você é jogado com toda a força da física para algum canto do veículo – isso se você não estiver se segurando bem. Então na minha cabeça, mesmo forçosamente parada, eu não conseguia ficar parada, mas ao mesmo tempo, não conseguia colocar nada pra frente. É um sentimento de frustração que, no mundo de hoje, é sem escapatória. Ao que parece, faz parte da nossa era.   

É necessário entender que, embora a palavra “motivação” signifique mover, movimentar, fazer com que haja ponto de partida para algo, ela é um estado interior. [...] Quais são as minhas razões para fazer o que faço? A resposta revelará a fonte da minha motivação.
Alguém externamente a mim também pode me estimular, fazer com que eu primeiro ganhe força no que estou fazendo, posso ser inspirado, animado, mas a motivação tem uma natureza na qual o ponto de partida é o próprio indivíduo.

Mario Sergio Cortella – Por que fazemos o que fazemos?

Por um bom tempo, essa frustração ficou me pedindo pra agir, fazer algo novo, impulsionar, me mexer. Tentar desafios até sem nem saber o que queria provar pra mim mesma, se era pra provar alguma coisa. Talvez só pela sensação de fazer parte de algo e descobrir algos mais no meio caminho. Pois é, já começava pensando errado, pensando mais em resultado do que em jornada, então, de novo, por outro bom tempo, parei para analisar isso. Bloqueei a enxurrada de coisas que surgiam no dia a dia e procurei o real problema. 

Divirta-se. Pense menos no resultado e curta o processo. E se tudo der errado, valeu pelo exercício. É preciso errar para aprender. [...] Permita-se alguns deslizes.

Cris Guerra – Moda Intuitiva 

Mas uma roupa tem a obrigação de valorizar quem a usa. Caso contrário, você não veste uma roupa, veste uma caricatura.
Cris Guerra – Moda Intuitiva

Quantas coisas nossas não estão pela metade, não é mesmo? Somos facilmente seduzidos pelas ideias que surgem de repente e facilmente detonados pelas exigências delas. Com grande frequência, estamos todos nos empurrando novos hábitos sem adotá-los de maneira natural. E se não se encaixa, por que estamos forçando tanto a barra? É aí que as razões não nos parecem mais certas quanto àquele primeiro momento delirante. E, fato é: ideias nunca nos faltam, embora logística e execução por si, isso sempre falta muito (vide este texto maravilhoso do Rodrigo van Kampen). Melhor dizendo, compromisso pelo que se assume.

A verdade verdadeira para se encarar é, por incrível que pareça, conhecer a si mesmo e apostar em algo coerente a si. Apostar em algo novo é, primeiro de tudo, tornar algo seu, sua cara, natural. Ao fazer parte da nossa rotina, esse algo vai nos alimentar com mais facilidade para alcançar os objetivos. Obrigação, por outro lado, assim como expectativas, é um grande vilão que costuma detonar esse processo – pois o ideal de prazer e diversão se esvai antes mesmo de nos satisfazer.

O que isso tem a ver com comunicação, mídia e até storytelling? Tudo!

Apostar no novo – e em qualquer área acho – não é trazer o diferente; é outra perspectiva sobre o já conhecido. Algo que cative, represente, envolva. Algo que está ali todos os nossos dias, às vezes não tão à vista, mas esperando ser lembrado. Por isso mesmo não queremos mais histórias em que reinam o maniqueísmo ou caricaturas, tampouco explorar clichês atrás de clichês; eles já não convencem, não encantam e nem chamam atenção. Queremos o verdadeiro. O que sempre esteve ali.

Apostar em algo novo vem, diversas vezes, em suprir uma necessidade. Nesse sentido, um novo projeto é como fazer um crossover: conectar e aproximar realidades e experimentar outras abordagens. Mas se comprometam com a ideia, procurem oportunidades, assumam riscos e busquem conhecimento. Ao ter noção de recursos e como usá-los, a gente move pessoas. A gente move qualquer coisa! E sabe-se lá aonde isso vai nos levar.

Não tem nada a ver com sorte. É um real trabalho gradual que dignifica nosso sucesso. É o aprendizado. 

O problema é que muitas vezes se esquece que para chegar a esse patamar há todo um processo desgastante, de uso do tempo e da vida, de esforço muito grande.

Mario Sergio Cortella – Por que fazemos o que fazemos? 

Estilo é sua verdade, sua marca, o que é só seu. É se colocar em tudo o que você faz. E quando você se coloca, a imperfeição aparece. Pronto. É você a perfeita imperfeição que garante o tempero que faltava.
Cris Guerra – Moda Intuitiva 
É muito difícil traçar o caminho que veio dar aqui, mas aconteceu e fui eu que o criei. 
Sophia Amoruso – Girlboss


Há algum tempo descobri como eu podia mover pessoas, conectá-las. As maneiras, diversas. Pelo blog, pelo Clube, pelo mundo afora. Estou experimentando e curtindo, e – quando possível – deixando expectativas de lado. As aventuras que vão me levando a outras e mais outras. E agora à Interrogação, onde exploro perguntas que intrigam e compartilho o prazer de ler depoimentos. Espero que curtam também se encontrar com as pessoas que por aqui passarão. E, quem sabe, possam vocês levar algo delas consigo. 
Parece que vivemos nos alimentando das biografias alheias 
para dar conta da nossa. (Cris) Cris Guerra & Leila Ferreira – Que Ninguém Nos Ouça



Kleris Ribeiro é beletrista, produtora e agente cultural. Garota dos bastidores, se joga em marketing digital, comunicação e, recentemente, zines. Fascinada pelos mistérios do universo do livro, é administradora do blog Dear Book e diretora do Clube do Livro Maranhão. Fangirl, diz que mantém a cabeça nas nuvens e os pés no chão.

Redes sociais de Kleris

Obs: 
*storytelling: arte de contar história em qualquer mídia, de modo a envolver e se relacionar com seus leitores e seguidores. 

E VOCÊ, o que acha deste tópico? Comente abaixo o/


Até a próxima interrogação!
#blogdearbook #dearbookbr #interrogação


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Resenha: “A décima segunda noite” (Luis Fernando Veríssimo)


Por Kleris: Tenho esse costume de ir em feiras de livros pra procurar achados, livros que estão fora do meu campo de visão habitual – e com aquele precinho camarada. Ao ver A décima segunda noite em uma bancada em 2015, a capa de pronto me chamou atenção, mas por ter Luis Fernando Veríssimo como autoria, nem li a sinopse direito, levei pra casa! Do autor, faz um tempinho que havia lido um livro de contos, As mentiras que os homens contam, e já estava mais que na hora de voltar a mergulhar em alguma transloucada trama sua.

A décima segunda noite é baseada na peça Noite de Reis, de Shakespeare, e faz parte de uma coleção de adaptações, chamada Devorando Shakespeare, da Editora Objetiva. Os livros são independentes, todos novelas literárias, e com autores diferentes para cada título. Além de Veríssimo, temos Jorge Furtado no primeiro livro e Adriana Falcão no terceiro.

Não conheço muito de Shakespeare para poder calibrar uma crítica à adaptação, porém, já assisti um filme baseado na mesma peça, um high school americano chamado Ela é o Cara (com Amanda Bynes e Channing Tatum <3) (aqui trailer) que me salvou de entender e me orientar nas loucuras da história. Veríssimo ainda aproveitou a oportunidade para mergulhar em Paris, cidade pela qual é fascinado e onde toda a novela se passa. Eu diria, inclusive, que é uma novela inglesa afrancesada à brasileira. E metaficção!

A M O  M E T A F I C Ç Ã O!
E Veríssimo A R R A S A! 
Este era escritor, ou tentava ser. Morava sozinho e passa o tempo todo falando comigo, aos gritos, despejando em cima de mim as teorias que tinham lhe custado três esposas e todos os amigos, e só “oui, oui”, e “bien sûr”. Eu iria contestá-lo, para também ser atirado pela janela? Foi ele que me falou das diferentes formas de narrativas e da intervenção do narrador na narrativa. Qualquer um, qualquer coisa, pode ser o narrador. 
Se vocês querem me puxar para o passado, têm que aguentar a literatura. Já que querem me ouvir, têm que aguentar a comédia disfarçada de tragédia, a tragédia disfarçada de vaudeville e esta voz de caldeirão rachado. E a narrativa cronológica, com eventuais digressões, de um moribundo, finalmente com uma plateia atenta.

A gente chega na primeira página e já é golpeado pela trama. Tem um papagaio tagarelando sem fim sobre algo que a gente ainda não sabe o que é, nem o que tá acontecendo. Esse é um toque maravilhoso de Luis Fernando, que faz grandes imersões no ofício da escrita dentro da própria escrita e narração. O papagaio narrador é Henri, bisbilhoteiro, piadista, erudito e um verdadeiro contador de história. 
Tente dizer qualquer coisa séria, ou profunda, com voz de papagaio. Mesmo em francês. Impossible. Foi por isso que não me deram atenção, e a comédia que vou contar quase virou tragédia. Eu avisei, me esganicei, mas me ouviram? Diziam “Le perrouquet, qu’est-ce qu’il dit?”. E riam. Eu avisando que não era comédia, era drama, era tragédia. Tinha paixão, traição, perfídia, sociologia. E riam, riam. Culpa da voz, minha sina. 
É contra a natureza dos papagaios serem sucintos e breves. Durante séculos, milênios, gerações e gerações, vivemos com a capacidade de falar sem saber que a tínhamos. Imaginem. Uma espécie inteira que se autodesconhecia. Imitávamos uns aos outros, imitávamos os outros bichos e os sons da floresta, mas só quando ouvimos um humano falar, pela primeira vez, descobrimos este nosso talento para articular palavras. E descobrimos o que nos faltara durante gerações e gerações de loquacidade desperdiçada e sons desconexos: assunto. Até hoje, em florestas desabitadas, papagaios selvagens voam em bandos cacofônicos sem conhecer a delícia de fazer uma frase completa, os prazeres da prosódia. É em nome deles que eu falo tanto assim. E pra recuperar o tempo perdido, o nosso tempo sem assunto. Eu estaria traindo a minhas ascendência se fosse sucinto e breve. Eu... Está bem, a história que vocês querem ouvir. Isso é um gravador ou uma caixa de pílulas? Ridicule. Mas vamos lá.

Conforme o passar dos capítulos, vemos que ele é a única testemunha de uma tragicomédia em Paris. Por isso mesmo estão gravando seu depoimento. Como toda metaficção (uma ficção que conta sobre a própria arte e construção de ficção), a história é de camadas. O brilhantismo de Veríssimo atua bem aí, pois afora toda a confusão da Décima Segunda Noite (data conhecida após o Natal, que é a Noite de Reis), temos um grande mistério no ar com mil e uma pistas: Quem é que tá gravando? Por que tá gravando? Qual o interesse nessa gravação? Não imaginava o tamanho tesouro de Veríssimo que tinha em mãos! 
É em momentos como este, e olhando o rosto de Violeta quando viajava sobre o seu ombro no metrô, imaginando como seria tê-la nos meus braços, que eu sinto não ser, nem digo um Flaubert, mas gente, só gente, em vez de um mero artifício narrativo. Agora só falta me dizerem que não gravou nada e minhas palavras se perderam no ar, e minha voz lamentável esteja neste momento arranhando o domo de ozônio do planeta, tentando sair desta estufa de vaidades, rumo às estrelas. Mon Dieu, mon D

Entre os disse-me-disse de Violeta, Orsino, Olívia, César, Negra, Malvolio e outros, nos embrenhamos nos mal-entendidos, mistérios e toda emoção. A leitura é super rápida, de uma sentada, com muitos OH-MY-GOD! para soltar. Mon Dieu, são muitos babados numa só novela! Por isso mesmo não indico lugares que possam interromper a leitura, pois você não vai querer largá-lo de jeito nenhum.

Super legal também é o show de representatividade que Luis coloca, de maneira tão natural, além de tratar de uma época interessante da história do Brasil e França. Uma nota ademais é que Henri de vez em quando solta umas falas em francês, nada muito difícil e que nem nos atrapalha. São elementos que só enriquecem a obra. E o resto... bem, Henri te conta ^^

Se você procura um bom livro com gostosas sacadas, suspense, humor, conspiração e confusão, com toda a certeza, é A décima segunda noite, de Luis Fernando Veríssimo! 
Vocês acham que eu estou contando tudo isto que vocês já sabem para não chegar ao que vocês querem ouvir, ao saião da santa. Vocês acham que eu estou querendo ganhar tempo. Claro que preciso de tempo. Aceito tempo de onde ele vier, de qualquer fornecedor. Esta tinta está me matando, o verde e o amarelo me asfixiam, estou morrendo patrioticamente sem nunca ter visto o Brasil, quero mais tempo, mais vida, sim, nem que seja para mais amar a Violeta. Mas não é isso. O fato, mes amis, é que temos que pôr tudo num contexto. Precisamos, no mínimo, de ordem cronológica num mundo que cada vez mais desdenha a ordem. E precisamos de literatura.

Só sei que preciso ler mais livros desse autor :)

Super recomendadííííííssimo!

Espero que gostem o/



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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Resenha: "O Diário Secreto de Lizzie Bennet" (Bernie Su & Kate Rorick)

Tradução de Cláudia Mello Belhassof

Por Kleris: Nada melhor que uma leitura de descanso pós-maratona trabalhos, não? Estava com Lizzie na estante faz um tempinho e resisti bravamente em não pegá-lo porque esperava um momento especial para voltar a Orgulho e Preconceito mais uma vez. Sendo uma apaixonada por tudo relacionado a OeP, o que mais quis era apreciar tudo sem pressa. Deixando isso de lado, vamos para a resenha!

Vou tomar mais uma vez (vide a resenha de As Sombras de Longbourn) que vocês conhecem Orgulho e Preconceito, a história-base dessa adaptação. Mas aqui estamos em pleno século XXI, 2012-2013, com internet, aplicativos e esforços de toda uma geração que tenta encontrar seus próprios caminhos no novo e no diverso. Por isso: é uma verdade inevitavelmente conhecida que alguém que se arrisca em formar uma voz na internet, deve estar consciente de um implícito contrato do que expor ou não expor perante suas mídias. Essa é basicamente a premissa de Lizzie Bennet, uma estudante de comunicação e novas mídias que decide fazer um experimento no youtube e pautar uma tese em cima. Que melhor aprendizado se não aquele que aplicamos e vemos como tudo realmente acontece na prática? 

— Com quem você falou? – Charlotte perguntou, mas seus dedos já estavam voando e bisbilhotando meu e-mail e meu feed do Twitter. — Hank Green? – ela soltou um grito agudo. Depois... — A Felicia Day tuitou sobre seus vídeos?

— Não achei que ia funcionar – repeti baixinho.

— Lizzie, você é um sucesso! Você tem um público de verdade agora!
— Tenho um público de verdade – repeti. — E eles vão querer mais vídeos – Meu estômago revirou. — Bons vídeos. Ai, meu Deus. Char, e se eu não tiver mais nada a dizer? E se eu não tiver nenhum assunto?
Ela me deu um sorriso afetado.— Eu te conheço desde que você nasceu, Lizzie. Nunca aconteceu de você não ter alguma coisa para dizer.

Assim nasceu o vlog The Lizzie Bennet Diaries. Ao ligar a câmera, falar sobre sua vida, a da família e dos amigos, Lizzie tornou tudo grande. Assim, nível EXCEPCIONAL. Mas havia coisas que Lizzie filtrava dos seus espectadores e muitas dessas coisas estavam em seu diário, que agora veio a público. É sobre esse livro que se trata essa nova comoção: o que Lizzie teria guardado de nós????? 

E nem pensar em falar nisso nos meus vídeos. O mundo não precisa saber de todos os detalhes das irmãs Bennet. Algumas coisas são pessoais demais, importantes demais para o consumo de massa.

— Só... finge que isso nunca aconteceu – ela disse — Porque, na verdade, não aconteceu.

Não vou me ater a pormenores da história, até porque acho que todos aqui sabemos (ou pelo menos já ouviram falar sobre OeP) e porque esse diário representa muito mais que um simples livro ou diário. Pela pegada da transmídia, entende-se que se extrapolam limites de plataformas para transmitir uma história, e esse diário secreto é justamente uma das últimas peças desse grande quebra-cabeça – já foi noticiado que haverá o livro da Lydia Bennet, então, para nossa alegria, essa fantasia AINDA NÃO acabou.


Mas NÃO tem como NÃO dizer: preparem-se para derreter, pra reviver, para se identificar, para amar, para surtar, para shippar, para... fangirlar! Rir tresloucadamente pela Mama Bennet, esquentar o coração com o Papa Bennet, pirar com a Lydia, orgulhar-se da Charlotte, da Jane, do Bing, odiar mais uma vez George Wickham, cair de amores por um Darcy hispter... Enfim, O diário secreto de Lizzie Bennet é todo esse arco-íris prometido. Original, extraordinário, magnífico, excepcional, maravilhoso, sagaz, inteligente e... meu Deus, eu posso jogar mil palavras de elogios e acho que não vão ser o bastante. Digamos que toda a equipe acertou em cheio como na fórmula das meninas superpoderosas. Souberam dosar e souberam usar bem seus recursos.

Senti um pouco de ironia (por causa desse post aqui) ler um livro com o celular do lado – para assistir os vídeos em conjunto – mas como o Diário é de uma multiexperiência, TUDO BEM, né? Faz parte. Fiquei entre ler sem assistir (o livro deixa umas pegadas sobre isso) e ler assistindo os vídeos todos (fora os da Lizzie também, claro), só que não resisti. Além das várias opções de curtir esse fenômeno, temos outras variedades de experiências. É de explodir a cabeça pensar sobre isso! Esse caráter expansivo, a autoficção, a metaficção, a interatividade, os diversos vlogs, aplicativos... é tudo muito louco! E possível! A gente ama muito mais, afinal, por esse enorme impacto. Não à toa o vlog ganhou um Emmy de narrativa original.

PORQUE É APENAS A MELHOR EXPERIÊNCIA DE STORYTELLING DE TODOS OS TEMPOS. 

É meio surreal.

De minha parte, é impressionante perceber que minha professora continua assistindo aos meus vídeos e vai saber tudo sobre a minha vida no próximo ano. Tudo. Assim como meus colegas de turma – é preocupante entrar numa sala de aula e perceber que todo mundo ali já te viu de pijama porque você já usou um na frente das câmeras. E tem muita gente sem rosto que também sabe da minha vida. Isso faz parte de ter uma mensagem com a qual as pessoas se envolvem.


Dessa maneira, o que o Diário agrega a essa história são fatos que nunca poderiam chegar a nós através das mídias interativas. Há muita coisa que nos ajuda a entender a trama, assim como aos segredos que Lizzie preferiu silenciar (muuuuito mais que a conhecida carta do Darcy) e acontecimentos triviais, mas de suma importância, que passaram pelo crivo da rede. É uma nova família Bennet que cresce diante de nós. Não é só sociedade, Lizzie, Darcy, orgulho, vaidades e preconceitos. As relações que mais me tocaram foi a do pai das meninas e da Lydia; foi um pouco surpresa pra mim nesse sentido. Outra surpresa foi a releitura, já que eu assisti a série em 2013, e houve coisas que parece que minha cabeça simplesmente apagou e elas novamente me pegaram e me derrubaram.

É extraordinário pensar que Lizzie e companhia não são pessoas de nosso mundo de realidade, mas um resgate desse nível para um livro clássico, é de bater palmas e palmas. Bernie, Kate e toda a equipe foram incríveis em criar uma ficção tão crível e fiel a nossa época.


Mais que recomendadíiiiiiiiiiiissimo, O diário de Lizzie Bennet é uma leitura necessária e não digo pela questão de adaptação, mas por toda a experiência que ela nos envolve. Mais século XXI que isso, impossível.



Até a próxima!



 
Ana Liberato