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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Resenha: "O Diário Secreto de Lizzie Bennet" (Bernie Su & Kate Rorick)

Tradução de Cláudia Mello Belhassof

Por Kleris: Nada melhor que uma leitura de descanso pós-maratona trabalhos, não? Estava com Lizzie na estante faz um tempinho e resisti bravamente em não pegá-lo porque esperava um momento especial para voltar a Orgulho e Preconceito mais uma vez. Sendo uma apaixonada por tudo relacionado a OeP, o que mais quis era apreciar tudo sem pressa. Deixando isso de lado, vamos para a resenha!

Vou tomar mais uma vez (vide a resenha de As Sombras de Longbourn) que vocês conhecem Orgulho e Preconceito, a história-base dessa adaptação. Mas aqui estamos em pleno século XXI, 2012-2013, com internet, aplicativos e esforços de toda uma geração que tenta encontrar seus próprios caminhos no novo e no diverso. Por isso: é uma verdade inevitavelmente conhecida que alguém que se arrisca em formar uma voz na internet, deve estar consciente de um implícito contrato do que expor ou não expor perante suas mídias. Essa é basicamente a premissa de Lizzie Bennet, uma estudante de comunicação e novas mídias que decide fazer um experimento no youtube e pautar uma tese em cima. Que melhor aprendizado se não aquele que aplicamos e vemos como tudo realmente acontece na prática? 

— Com quem você falou? – Charlotte perguntou, mas seus dedos já estavam voando e bisbilhotando meu e-mail e meu feed do Twitter. — Hank Green? – ela soltou um grito agudo. Depois... — A Felicia Day tuitou sobre seus vídeos?

— Não achei que ia funcionar – repeti baixinho.

— Lizzie, você é um sucesso! Você tem um público de verdade agora!
— Tenho um público de verdade – repeti. — E eles vão querer mais vídeos – Meu estômago revirou. — Bons vídeos. Ai, meu Deus. Char, e se eu não tiver mais nada a dizer? E se eu não tiver nenhum assunto?
Ela me deu um sorriso afetado.— Eu te conheço desde que você nasceu, Lizzie. Nunca aconteceu de você não ter alguma coisa para dizer.

Assim nasceu o vlog The Lizzie Bennet Diaries. Ao ligar a câmera, falar sobre sua vida, a da família e dos amigos, Lizzie tornou tudo grande. Assim, nível EXCEPCIONAL. Mas havia coisas que Lizzie filtrava dos seus espectadores e muitas dessas coisas estavam em seu diário, que agora veio a público. É sobre esse livro que se trata essa nova comoção: o que Lizzie teria guardado de nós????? 

E nem pensar em falar nisso nos meus vídeos. O mundo não precisa saber de todos os detalhes das irmãs Bennet. Algumas coisas são pessoais demais, importantes demais para o consumo de massa.

— Só... finge que isso nunca aconteceu – ela disse — Porque, na verdade, não aconteceu.

Não vou me ater a pormenores da história, até porque acho que todos aqui sabemos (ou pelo menos já ouviram falar sobre OeP) e porque esse diário representa muito mais que um simples livro ou diário. Pela pegada da transmídia, entende-se que se extrapolam limites de plataformas para transmitir uma história, e esse diário secreto é justamente uma das últimas peças desse grande quebra-cabeça – já foi noticiado que haverá o livro da Lydia Bennet, então, para nossa alegria, essa fantasia AINDA NÃO acabou.


Mas NÃO tem como NÃO dizer: preparem-se para derreter, pra reviver, para se identificar, para amar, para surtar, para shippar, para... fangirlar! Rir tresloucadamente pela Mama Bennet, esquentar o coração com o Papa Bennet, pirar com a Lydia, orgulhar-se da Charlotte, da Jane, do Bing, odiar mais uma vez George Wickham, cair de amores por um Darcy hispter... Enfim, O diário secreto de Lizzie Bennet é todo esse arco-íris prometido. Original, extraordinário, magnífico, excepcional, maravilhoso, sagaz, inteligente e... meu Deus, eu posso jogar mil palavras de elogios e acho que não vão ser o bastante. Digamos que toda a equipe acertou em cheio como na fórmula das meninas superpoderosas. Souberam dosar e souberam usar bem seus recursos.

Senti um pouco de ironia (por causa desse post aqui) ler um livro com o celular do lado – para assistir os vídeos em conjunto – mas como o Diário é de uma multiexperiência, TUDO BEM, né? Faz parte. Fiquei entre ler sem assistir (o livro deixa umas pegadas sobre isso) e ler assistindo os vídeos todos (fora os da Lizzie também, claro), só que não resisti. Além das várias opções de curtir esse fenômeno, temos outras variedades de experiências. É de explodir a cabeça pensar sobre isso! Esse caráter expansivo, a autoficção, a metaficção, a interatividade, os diversos vlogs, aplicativos... é tudo muito louco! E possível! A gente ama muito mais, afinal, por esse enorme impacto. Não à toa o vlog ganhou um Emmy de narrativa original.

PORQUE É APENAS A MELHOR EXPERIÊNCIA DE STORYTELLING DE TODOS OS TEMPOS. 

É meio surreal.

De minha parte, é impressionante perceber que minha professora continua assistindo aos meus vídeos e vai saber tudo sobre a minha vida no próximo ano. Tudo. Assim como meus colegas de turma – é preocupante entrar numa sala de aula e perceber que todo mundo ali já te viu de pijama porque você já usou um na frente das câmeras. E tem muita gente sem rosto que também sabe da minha vida. Isso faz parte de ter uma mensagem com a qual as pessoas se envolvem.


Dessa maneira, o que o Diário agrega a essa história são fatos que nunca poderiam chegar a nós através das mídias interativas. Há muita coisa que nos ajuda a entender a trama, assim como aos segredos que Lizzie preferiu silenciar (muuuuito mais que a conhecida carta do Darcy) e acontecimentos triviais, mas de suma importância, que passaram pelo crivo da rede. É uma nova família Bennet que cresce diante de nós. Não é só sociedade, Lizzie, Darcy, orgulho, vaidades e preconceitos. As relações que mais me tocaram foi a do pai das meninas e da Lydia; foi um pouco surpresa pra mim nesse sentido. Outra surpresa foi a releitura, já que eu assisti a série em 2013, e houve coisas que parece que minha cabeça simplesmente apagou e elas novamente me pegaram e me derrubaram.

É extraordinário pensar que Lizzie e companhia não são pessoas de nosso mundo de realidade, mas um resgate desse nível para um livro clássico, é de bater palmas e palmas. Bernie, Kate e toda a equipe foram incríveis em criar uma ficção tão crível e fiel a nossa época.


Mais que recomendadíiiiiiiiiiiissimo, O diário de Lizzie Bennet é uma leitura necessária e não digo pela questão de adaptação, mas por toda a experiência que ela nos envolve. Mais século XXI que isso, impossível.



Até a próxima!



sexta-feira, 31 de julho de 2015

[Assiste aí] Dona Moça e Penny Dreadful

Olá, internet!

Estou colando aqui de novo para quem está de férias (ou no final delas) meio sem saber o que assistir, e para quem já está, mas tem tanta série na lista para essas – e as próximas – férias (e, falando a verdade, até as férias de 2017) que jurou não assistir mais nada. Só que eu sei que vocês não se controlam, então, trouxe, também, as séries compactas, as webséries... Hoje vai ter uma indicação dupla, sim!




Desde o início da coluna Assiste aí eu já vinha nessa de webséries, aliás, é uma coisinha tão gostosa e rapidinha de assistir. Você começa a assistir uma, termina, e já está começando outra porque descobriu ela lá na página inicial do Youtube. Todo mundo gosta, se não uma websérie, pelo menos um canal, um vlog.

A websérie de hoje, então, sensacional. Ela acabou de terminar a primeira temporada, e a Kleris, aqui do blog, fez um post bem antes para vocês assistirem  confiram essa entrevista: parte 1 e parte 2 – por que ela estava muito determinada a conquistá-los. Aqui é só um “selo de qualidade” ;) Quero todo mundo colando lá!

Dona Moça eventos, o nome da websérie, é uma empresa de Fifi Mascarenhas e Aurélia Camargo para promoção de eventos sociais. Elas criaram um canal para a empresa, mas o canal se estende dos limites da empresa para o pessoal das nossas personagens. E vai nos entrelaçando e encantando a cada episódio. Não apenas com os episódios, na verdade.

Dona moça eventos é uma das melhores webséries que já assisti. Ela retrata o clássico Senhora, de José de Alencar, nesses dias atuais, sabe? Pensa assim, enquanto o livro se passa em um século que não existia um celular, nossos personagens preferidos têm direito a Instagram! Ah, e a twitter também. Essa interação com o público faz a série ir além dos cinco minutinhos de cada vídeo, cria intimidade entre você, os personagens e as relações deles.


Uma série interativa e muito bem feita, os personagens são cativantes, são curiosos. Não preciso comentar a euforia pela aparição do Fernando à medida que os episódios vão passando. Além de interessante, a websérie nos apresenta o melhor, divertimento. Deve ser por isso, afinal, a procura por esses tipos de passatempo. 
O que queremos na verdade é aproximar mais os nossos clássicos do público final, trazendo uma linguagem mais próxima do que vivemos hoje.” (Maynnara Jorge, em entrevista para o blog)
Essa declaração foi feita na entrevista acima mencionada, e, PARABÉNS, produção, acho que o objetivo de vocês vem sendo cumprido. A primeira temporada chegou ao fim essa semana e a segunda temporada depende do seu público. A websérie está com uma campanha de financiamento coletivo com direito a brindes e surpresas. Você, leitor, pode doar a partir de 10 reais e ajudar as meninas da Adorbs a produzir mais conteúdo de Dona Moça #SaveDonaMoça. Mais informações, vocês podem acompanhar na página do face ou dando uma passadinha neste link aqui.
                                                            

 Vamos falar de série agora, ok? Ok. Já ouviram falar de Penny Dreadful?

"Eu acredito em maldições.
Eu acredito em demonios.
Eu acredito em monstros"
- Vanessa Ives

Particularmente, acho muito difícil fazer uma série de terror, por que manter o interesse do público por vários episódios, várias temporadas, requer sempre inovação, texto e atuação bem feitos, uma dose de mistério suficiente para não tornar nem denso demais, nem entediante demais a série. É tanta coisa, que são poucas que se destacam.

Penny Dreadful é uma série relativamente recente, com apenas duas temporadas, já vem conquistando muita gente, já vem me conquistando. A qualidade da série a diferencia e muito, as cenas de suspense e a arte em todos os quesitos, seja figurino, maquiagem, fotografia. Eu me apaixonei logo nos primeiros episódios por uma série de terror com alto nível, nós precisávamos de Penny Dreadful. Claro que existem boas séries de terror, muitas das quais eu acompanho, mas achei PD diferente.

Motivos para assistir Penny Dreadful:

1.   Ocorre durante uma Londres Vitoriana.

2.   Mistura clássicos do terror. Lembraram do Frankstein, o Drácula, Dorian Gray, vampiros, outros não vou falar porque é spoiler.

3.  A história principal da série não se enclausura nas conhecidas histórias dos conhecidos personagens, é uma história intrigante, polêmica e misteriosa.

4.   O cenário mais escuro dá uma ambientação fantástica tanto para a época em que ocorre quanto para o gênero da série.

5.    O roteirista da série já fez o roteiro de Sweeney Todd, Rango e Star Trek: Nemesis.


Gente, tem mais motivos, mas esse post vai ficar enorme, então vocês assistam e colem aqui os motivos de vocês nos comentários.

Abaixo, o trailer de Penny Dreadful e 1º ep de Dona Moça:




Até a próxima,


Mariana Diniz.
sábado, 9 de maio de 2015

[Entrevista] Adorbs Produções e Dona Moça: uma websérie transmídia brasileira (Parte 2)


Olá, pessoal!

Quem perdeu a primeira parte desta entrevista, pode ler aqui. Em uma breve recapitulação, apresentamos a equipe Adorbs Produções, uma produtora de séries exclusivas para a internet, estas inspiradas em grandes clássicos literários brasileiros. A primeira aposta, Dona Moça, é uma adaptação de Senhora (José de Alencar) realizada em conteúdo original que segue a linha transmídia, ou seja, multiplataformas para melhor nos ambientar dessa história. 

Nessa imersão, como bem vimos, os personagens já despontaram nas redes sociais. No twitter, Aurélia Camargo, fundadora da empresa Dona Moça Eventos, comanda junto da sócia e fiel escudeira Fifi as badalações dos eventos paulistanos que realizam. A família Seixas também já deu as caras: Fernando e suas viagens, sua irmã Nic, super fã de GoT, The 100 e Harry Potter, e Mari Seixas, quem trabalha como cozinheira na Dona Moça Eventos.

Essa semana a equipe revelou mais um perfil para acompanharmos: J. Alencar, jornalista e colunista que vai cobrir algumas notícias.  


Agora que estamos bem apresentados, acompanhem comigo mais bastidores de produção com a equipe Adorbs. Para esse papo, conversei com a Jacque (J) e a Maynnara (M); meus breves comentários estão em itálico (K).


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Como foi o processo de seleção de elenco? Pelo que vi recentemente, a Jacqueline anunciou estar definido ^.^

M - Nós dividimos o casting em 3 etapas. Primeiro pedimos que o pessoal enviasse os currículos pro nosso e-mail, daí selecionamos o que mais gostamos e pedimos pra que enviassem um vídeo se candidatando pra trabalhar na Dona Moça, assumindo o papel do personagem e, por ultimo, nós fizemos um teste presencial pra ver a química dos atores juntos. Ficamos bem surpresas, porque na fase inicial recebemos muitos currículos, não só pelo o nosso e-mail, mas também pelo banco de atores. Acho que chegamos a receber mais de 200 cvs nessa história.
Acho que o mais difícil mesmo foi a nossa ultima etapa, porque os atores eram muito bons e queríamos ter vaga para todos eles. Ainda temos planos para o futuro com outras produções e esperamos vê-los de novo. O que nos deixou surpresas é que eles trouxeram visões diferentes dos nossos personagens e ainda assim trouxeram algo que nos agradou.
J - A gente não esperava essa procura toda por parte dos atores. A May falou uma coisa importante: tínhamos atores muito, mas muito bons na etapa final. Acho que o mais difícil foi escolher a Fifi. Três atrizes incríveis e cada uma com uma visão diferente da personagem. Diferente, mas ao mesmo tempo igual (rs).

K – Hahahah e como desempataram?
M - Acho que o que contou mais para o desempate foi a química que os personagens passaram entre si. Como falamos, todos eles eram muito bons, mas os nossos personagens são amigos de anos e seria importante que eles conseguissem passar isso para os espectadores.
J - Tinha que ter aquela intimidade toda. Não queríamos atores e atrizes fingindo ser amigos. Queríamos que eles parecessem amigos MESMO.
K - Uma coisa que achei legal da parte de vocês foi ter iniciado os personagens nas redes antes mesmo da escolha dos atores. Geralmente a gente vê, nas outras webséries semelhantes, que os perfis surgem com as fotos dos seus respectivos atores. E aí surgiu essas figuras de Dona Moça com avatares e ainda assim pareceu uma coisa natural.
M - O que queríamos na verdade era aproveitar o período antes do lançamento pra testar de fato a nossa transmídia, ver o que daria certo e o que poderíamos evitar quando já estivéssemos com tudo pronto.
J - Sem contar que o comportamento deles nas redes sociais serviu de guia para os atores estudarem os personagens.
K - Verdade! Foi então um experimento com muitos ganhos já de entrada.

  
Para uma dedicação a esse projeto, vocês têm planos para crowdfunding* (financiamento coletivo)?

M - Temos planos de fazer um crowdfunding ao fim da primeira leva de episódios (os 10 primeiros).
J - Aguardem que teremos perks (recompensas) muito legais para quem ajudar a financiar o restante dos episódios.
K - \o/ Esses episódios vão ao ar antes de lançar o financiamento, ao longo ou depois?
M - A ideia é que quando começarmos a campanha nós ainda tenhamos alguns episódios dessa primeira leva para serem exibidos durante. E como o processo de financiamento e entrega do dinheiro demora um tempo, temos também alguns projetos da Adorbs para entrarem no ar enquanto a segunda parte da série não volta.
J - Podemos dizer que vocês não terão apenas uma websérie. Vem mais coisa por aí. Mas se eu contar mais vamos estragar a surpresa.
K – Huuuuuuuuum *olhinhos de curiosidade*


Afinal, é preciso ler/ter lido Senhora para acompanhar Dona Moça?

(sneak peek do primeiro episódio)
J - Eu acho que não.
M - Assim como nas outras webseries, é possível entender a Dona Moça sem ler o livro.
J - Da mesma forma que outras webséries e quaisquer outras adaptações, elas contam uma história solo. Claro que ler o livro pode ajudar a entender referências escondidas, piadinhas e outras coisitas. Mas não é estritamente necessário.
K - E assim vocês abrem a série para mais público, além do próprio convite a ler José de Alencar.
J - Exatamente.
M - O que queremos na verdade é aproximar mais os nossos clássicos do público final, trazendo uma linguagem mais próxima do que vivemos hoje.
J - Nossa meta é popularizar a literatura brasileira entre a geração que já nasce usando internet. Dona Moça é o primeiro projeto, mas sonhamos em fazer mais – não necessariamente no formato de websérie – mas definitivamente com a mesma temática.

[Mais informações sobre as adaptações de Senhora, 
a Adorbs preparou um material aqui]


Para quando está programado o início do vlog oficial da série?



M - Estreamos na quarta-feira, dia 27 de maio, e esse vai ser sempre o dia das nossas postagens.
K - Uia! Tá tão perto!
J – AHAM! Mais do que você imagina :)
M - Muuito, por isso estamos ficando cada vez mais ansiosas hahahaha Estamos com o cronograma pronto para todo o período da serie, tivemos algumas mudanças na parte de produção, mas a data de estreia se manteve a mesma.
  

Bônus: Podem revelar alguma trilha sonora da série? ^.^


J - Não temos dinheiro para pagar uma trilha sonora hahahahha Referências musicais vocês terão o tempo todo. Os títulos dos episódios são letras de músicas. Mas certos personagens também terão contas no 8tracks, que é um site e aplicativo para criar mixtapes. A gente pode sentir um pouco do humor deles através da criação dessas playlists.


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Espero que nossos leitores (e agora espectadores) tenham gostado. Agradeço às garotas da equipe Adorbs pelo papo, curti demais! Desejo MUITO SUCESSO e que espalhem BASTANTE AMOR nesse projeto super bacana <3

Daqui já faço uma chamada de Entrevista de Leitura para a coluna Littera Feelings àqueles que estiverem se aventurando pela primeira vez em Senhora (ou outro livro, sem problema). Para mais informações sobre os requisitos dessa entrevista, vejam as edições anteriores aqui.

[A Adorbs indicou onde encontrar Senhora – os livros]


Até a próxima empreitada!


Kleris Ribeiro.


Observação:

Crowdfunding* - Financiamento coletivo que arrecada capital para uma dada iniciativa.
sábado, 2 de maio de 2015

[Entrevista] Adorbs Produções e Dona Moça: uma websérie transmídia brasileira (Parte 1)


Oi, oi, queridos leitores! Como estão? Curiosos desde já?

Assim que eu soube que teríamos uma websérie transmídia*, com uma adaptação de um clássico desse Brasil despontando esse ano, fiquei ansiosa :) Quer dizer, depois de algumas webséries nesse segmento terem chamado a atenção lá fora, ficou no ar esperar uma adaptação por aqui e imaginar que livro seria o primeiro. Senhora, de José de Alencar, foi a primeira escolha da Adorbs Produções, uma produtora formada recentemente e... Bom, melhor conhecer mais pelo bate-papo que tive com as meninas da equipe. Vamos?


Mas, primeiro, quem está na Adorbs Produções?


Anna Lívia Marques @annaliviams 
Chefe de produção e edição
Bacharel em Audiovisual, tem se estabelecido como produtora e assistente de direção para curtas, longas e séries. Anna também faz videos no Youtube e colabora com críticas literárias para a Revista Pólen.

Jacqueline Viana @jacqueplensack 
Roteiro e produção transmídia
Formada em Comunicação Social e especialista em Semiótica e Linguagens Visuais, trabalhou em diversos veículos como o portal MSN, TV Bandeirantes e Record.  É colaboradora do portal Be Style na internet e co-produtora do documentário Carcereiros.

Larissa Siriani @larissasiriani 
Roteiro e produção
Formada em Audiovisual, se firmou como escritora e professora de inglês. Comanda um canal no Youtube há três anos e integra a equipe do Literário Cast. Tem um blog pessoal onde fala sobre o processo de escrita, de seus livros e outros assuntos ligados à literatura e cultura pop.

Maria Raquel Silva @_mrsilva
Roteiro e produção
Graduanda em Literatura Inglesa e Português, escreveu seu primeiro roteiro aos dezesseis anos para a escola. Anos mais tarde, voltou a essa forma de contar histórias ao criar Dona Moça. É colaboradora do blog NOSSOS Romances Adolescentes e colunista de mixtapes na Revista Pólen. Tem um blog pessoal, o Doces Comentários Ácidos, onde posta crônicas esporadicamente.

Maynnara Jorge @maynnara_ 
Designer de produção e figurino
Formada em Comunicação e Produção de Moda, trabalhou como styling para editoriais de várias revistas paraibanas, como Revista Voilá, Santa Inês e Eventus, todas pela Agência Team. Também produziu conteúdo para o site da Revista Lis e suas redes sociais.

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Esta primeira parte trata-se mais de uma apresentação de Dona Moça, curiosidades e bastidores do plano da série. Conversei com a Jacque (J) e a Larissa (L); meus breves comentários estão em itálico (K).
Vem que tá ótemo!


Apresentem a sinopse do livro e da adaptação. O que com certeza podemos esperar?

J - Todo mundo que fez ensino médio conhece um pouco de Senhora. É a história de Aurélia, uma moça pobre e sem perspectivas financeiras e familiares que se apaixona por um moço de classe média, o Fernando. Eles namoram por um tempo, mas o Fernando, que gosta de viver entre os ricos, a troca por uma moça da alta sociedade, por quem o pai ofereceu um dote.
O livro faz a crônica de um ano no casamento dos dois. O legal é que, se a gente parar para pensar, quem manda na relação é a Aurélia, apesar das aparências e das regras da sociedade da época ditarem o contrário. Algo muito ousado para se fazer em 1875.
L - E na série é um pouquinho parecido... Só que sem essa história de casamento. [O livro] é super moderno, super feminista de uma maneira recatada. E de certa forma, isso é uma coisa que transpõe muito pra série. [Alencar] acidentalmente fortaleceu a causa. No nosso caso, na série, o que rola é o seguinte: a Aurélia tinha uma origem humilde, e por isso não podia agregar o status que o Fernando, que também vem de uma família sem muita grana, queria ostentar. E por isso ele a rejeita, ainda nos tempos da faculdade. Então a Aurélia cresce, aparece, e funda essa empresa de eventos (a Dona Moça), ao lado da Fifi, sua melhor amiga e sócia. E num belo dia, quando uma nova vaga se abre pra empresa, ela recebe o currículo dele, e resolve contratá-lo meio como numa vingança a longo prazo haha.
K - Eu fiquei um pouco na dúvida se rolaria ou não a parte do casamento, porque, como em outras webséries (TLBD** e um pouco de AOJE***), teve umas alterações na linearidade do roteiro, pra fazer sentido na história.
L - Nem lembro se a gente cogitou a história do casamento, pra ser sincera. Porque não tem nada a ver com hoje em dia, com a cultura brasileira, com nada do que a gente quer passar. Mesmo porque, no livro o casamento é um tipo de “trabalho”. A relação deles se constrói nesse ambiente, na convivência, nas delegações de cada um.
K - Eu gostei da ideia do trabalho. Tipo workaholic, como a Aurélia no twitter já se mostrou. Mostra a ideia da mulher que batalha e lidera.


J - A Aurélia do livro sempre se mostrava impecável, faceira, atrevida. Ela se portava e era vista como a mulher perfeita. E que forma melhor de se passar por perfeita que mergulhando na carreira, sendo uma profissional impecável? É isso que a gente quer mostrar na série. Até o fim a gente pretende desconstruir a imagem de mulher perfeita da Aurélia para mostrar que ela também é gente como a gente, se cobra muito, engole sapo, erra e aprende... Ela é um ser emocional, embora não goste de demonstrar. E é por causa dessa repressão emocional da Aurélia que temos a incrível, a inigualável, Fifi. A Fifi é a rainha do fandom.

Por que José de Alencar e por que Senhora? Normalmente a atenção das adaptações se volta para Machado de Assis ou algum autor do movimento modernista.

J - Bem, em primeiro lugar, a gente tinha que escolher uma obra em domínio público, né? Não temos dinheiro para brigar por direitos autorais com os descendentes do Mário de Andrade e, por mais que eu ame a Lygia Fagundes Telles, jamais teria coragem de roubar “As Meninas” na cara dura. Então, para isso acontecer, o personagem tem que estar em domínio público. Machado está em domínio público. Por que vocês acham que existem tantas edições diferentes dos livros dele pipocando por aí? O que nos leva ao Homem, o Mito: além de todo mundo mexer com Dom Casmurro, Quincas Borba e afins, acho que a gente ainda não tem cacife para adaptar o Machadão. Machado é Machado, né?
L - Mas também é importante citar que, na verdade, quando tudo começou, nem foi uma questão de domínio público. Foi alguém dizendo “nossa, acho que Senhora daria uma websérie muito legal” e isso em, sei lá, 2013? Faz muito tempo, ainda tava passando TLBD e a gente começou a brincar com a ideia, fazer umas sinopses, etc, e nem cogitando REALMENTE tirar isso do papel até, sei lá, um ano atrás.
J - Isso que a Lari falou é mega importante. Tudo começou porque uma das meninas do fandom de The Lizzie Bennet Diaries comentou que Senhora dava uma adaptação muito legal.
L - A gente super considera adaptar Machado... um dia. Mas como a Jacque falou, ainda somos pequenas demais nesse negócio pra nos jogarmos nessas águas perigosas haha.
J - Acho que essa conversa começou a rolar lá pelo ep. 70 de Lizzie Bennet Diaries, porque foi mais ou menos na época em que essas adaptações começaram a bombar lá fora.
L - Confesso que tinha essa sensação de que nunca ia rolar, não por falta de vontade, mas porque “quem somos nós?”, sabe? E um dia, eu pensei: “por que não a gente?”. Faz bastaaante tempo. A gente tinha um grupo pra falar a respeito, mas foi morrendo e ficou mudo por vários meses até a gente desenterrar. Criamos o chat no facebook, ainda super sussa, brincando de roteirizar. E um dia eu mandei um “gente, vamos botar essa porra pra funcionar DE VERDADE?” e adicionei a Anna Lívia. Um dia a gente sentou, conversou e decidimos que desse ano não ia passar haha!
J - Teve um dia que a Maria Raquel e eu nos sentamos num Starbucks e montamos a história toda! Assim, numa única tarde. Depois ela e a Lari foram montando os roteiros de acordo com as escaletas, a Annali foi vendo as possibilidades de produção, eu fui montando as mídias sociais...

L - Starbucks devia ser patrocinador, só digo.
(fica a dica, Starbucks haha)

J - Claro que esse é um trabalho em grupo, então no final todo mundo analisa o trabalho de todo mundo. Os roteiros passam por todas nós da “parte criativa”.

Como é a passagem de Alencar para roteiro? Alguma influência direta do tipo de narrador para as diversas perspectivas transmidiáticas ou foca-se na captura da essência da história e personagens?

L - Bom, acho que 90% do tempo é mais focado nos personagens. Porque a história foi transformada, então certas coisas precisam mudar ou serem abandonadas pra caberem à nova narrativa. Mas os personagens são sempre quem eles são, e isso tem sido bem tranquilo, fácil de visualizar. A gente entrou num consenso muito bacana de quem são essas pessoas e pra onde elas deveriam ir.
J - Sim, e tem muita coisa que mudou na história, mas na essência os personagens são os mesmos. O que mais deu trabalho na verdade foi reconstruir parte da história, que precisou ser modificada por motivos operacionais – e financeiros.
L - Haha sim. Pra algumas coisas a gente tinha ideias muito legais que eram impraticáveis com as limitações da produção.
K – Tomando outras webséries como base, gosto como os personagens parecem gente como a gente, que, como em TLBD, a gente acompanhava como “pessoas reais” e era tão massa de ver a Lizzie falando, que, putz, dava um rebuliço de estar tão próxima da personagem, sabendo que é uma personagem e ao mesmo tempo crer que ela tá na nossa realidade. É extraordinário. Tanto é que há chance de pessoas acreditarem que não é ficção.
J – Sim, nossa maior preocupação é manter essa verossimilhança. E isso também está influenciando na escolha dos atores, mas vou parar por aqui para não dar spoilers.

(clique para ver detalhes; fonte: twitter)

L - Transmídia é uma coisa que é tão legal e ao mesmo tempo TÃO desesperadora. A gente tem brincado bastante com isso, aproveitando esse tempo pra estabelecer os personagens, suas personalidades, como eles são nesse espaço virtual. Porque acho que tudo isso ajuda a transformar a maneira como você encara o que está na tela. Se é pra ser uma narrativa transmídia, então tem que ser relevante e, mais importante, relacionável.
J - A gente está basicamente usando essa fase pré-série para aprender os mecanismos da transmídia. E erramos bastante.
L - Mas também, acertamos bem em algumas coisas haha.
K - É na bagunça que podem sair os melhores acertos, já que vem muita coisa inesperada XD
J - A gente tem toda a transmídia deles na história delineada. O que eles vão tuitar, postar no instagram entre quais episódios.... Mas por ora a gente só quer se divertir e aprender.
K - Só penso nas pérolas (e já espero bloppers de produção hahaha).
L - Essa participação é o que faz a diferença na transmídia; o personagem entrando no mundo real. Acho muito legal quando as pessoas participam. Tipo, a gente fez uma ação em que tuitamos durante uma reprise de Harry Potter e teve muitos RTs de gente aleatória. Foi super divertido.

O que teremos de romântico e realista?

L - Acho que a interação Aurélia-Fernando é toda muito realista; é difícil definir uma parte em particular.
J - Acho que no começo seremos muito mais realistas que românticos. Não esperem muita tensão sexual no começo. É tensão nervosa mesmo (rs), porque é muito da história isso. Eles demoram a se acertar, e por isso só fica romântico depois de passar por cima dos primeiros espinhos.
K - Acho que vai funcionar como aquela parte que a Larissa falou de abandonar algumas coisas do Alencar. Porque na época em que ele publicou era de transição e o realismo não tinha assentado de fato no meio literário. Aí imagino que vocês vão investir mais nessa parte realista.
L - Com certeza. E de entrar no que a gente preparou da história também, porque os embates deles são outros, os problemas são outros... Isso acarreta uma resolução diferente, de certa forma um pouco mais difícil.
J - Estamos tentando construir uma história bem orgânica, nada pode ser forçado.

~~~//~~~

O que dizer de uma série que ainda nem começou, mas já adoro pacas? Curtiram? Ansiosos por mais? Logo, logo a segunda parte da entrevista! 

Para acompanhar mais da série, curtam a page da Adorbs, conheçam o blog oficial e sigam os perfis de Dona Moça :)


Até o próximo post!


Kleris Ribeiro.



Observações:

Websérie (de “narrativa”) transmídia* - série que transcende uma mídia para transmitir uma história, utilizando-se de várias plataformas ao mesmo tempo. Cada plataforma contribui para o todo da série, em que, a partir das diversas mídias acompanhadas em tempo real, vemos personagens se “integrando” às nossas realidades de vivência. No caso, temos conversações no twitter, fotos no instagram, vídeos no youtube e assim por diante.

TLBD** - The Lizzie Bennet Diaries (adaptação de Orgulho e Preconceito, Jane Austen; também se utilizou de um livro/ebook/audiolivro – resenha em breve – para agregar outro contexto de uma mesma história).


AoJE*** - Autobiography of Jane Eyre (adaptação de Jane Eyre, Charlotte Brontë).
 
Ana Liberato