sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Resenha: “A Tentação de Lila & Ethan” (Jessica Sorensen)

*Por Mary*: Olá, pessoal! Como vão as leituras por aí?

Hoje lhes trago romance *que toque uma música bem melosa aí*

Bom, passei boa parte do livro buscando uma palavra que o pudesse definir, contudo não a encontrei. “Obscuro”, “triste” e “depressivo” foram algumas palavras que me vieram à mente, só que elas jamais seriam capazes de englobar a superação, o crescimento e o amor descritos na obra, porque eu diria que Lila e Ethan conseguem construir na dificuldade uma relação muito bonita e que acaba se fortalecendo justamente por conta das adversidades. 
Apesar de cada pedacinho do meu corpo e da minha mente querer definhar e morrer, pela primeira vez na vida eu não me sinto completamente sozinha no mundo. E o estranho é que consigo sentir a emoção por trás disso – consigo sentir tudo.
Os protagonistas já são conhecidos seus – supondo que você já tenha lido O Segredo de Ella & Micha e O Para Sempre de Ella & Micha –: se tratam dos amigos e fieis escudeiros do casal supracitado, Lila e Ethan.

Tá, acho que o título do livro já tinha entregado essa importantíssima informação...

Enfim, em A Tentação de Lila & Ethan conhecemos uma Lila e um Ethan bastante diferentes dos amigos alegres e divertidos que não se cansam de ajudar um casal incapaz de se resolver sozinho. Lila se mudou para Las Vegas, desligou-se da família e passa seus dias e noites bebendo em boates requintadas, arrematando sempre com um after na cama de algum desconhecido a qual sequer perguntou o nome.

Como um bom amigo, Ethan não pode assistir calado à constante autodestruição de Lila e sente, em seu íntimo, que há algo de muito grave por trás de suas atitudes irresponsáveis. Ethan é um cara que tem muitas feridas abertas, um passado que o atormenta e diversas reservas no que concerne a relacionamentos. Não obstante, é pontualmente isso que o torna a pessoa mais adequada para penetrar na bolha de entorpecimento em que Lila insiste em se manter.
- Você... Você tomou um comprimido? – Meu coração fica aos pulos enquanto espero a resposta.
Ela levanta a cabeça para mim. Seus olhos estão vermelhos e inchados como se ela tivesse chorado.
- Você me odiaria se eu tivesse tomado?
Eu me agacho ao lado dela e tiro seu cabelo dos olhos, tentando enxergar as pupilas e, assim, poder fazer uma avaliação mais precisa de seu estado mental.
- Eu nunca, nunca odiaria você, Lila. [...]
Com uma narrativa densa, em primeira pessoa, Jessica Sorensen mergulha na cabeça atormentada de seus personagens, refletindo temas como relacionamentos familiares abusivos, drogas, depressão, vício em medicamentos, atitudes autodestrutivas, a falsa ideia de perfeição e vidas baseadas exclusivamente em aparências.

Já deve ser de se esperar que a abordagem de temas tão sombrios acabem dando à obra um aspecto obscuro, triste. Em contraposição, no entanto, assistimos à construção de um amor muito bonito, surgido na dificuldade, e que se fortalece gradualmente, conforme Lila e Ethan superam, cada um, seus próprios óbices. Algo que torna essa relação ainda mais especial é que esses obstáculos são vencidos para que ambos se sintam capazes de viver plenamente o sentimento que têm um pelo outro. 
[...] Todos esses anos e nem uma só vez eu rejeitei alguém que me quisesse. Eu achava que nenhum cara iria levar a sério a minha negativa e, de verdade, não me achava boa o suficiente para recusar. De um jeito doentio e perverso, nunca me achei boa o suficiente para ninguém. De modo que eu simplesmente tomava as bolinhas e fazia as coisas que achava que os outros queriam que eu fizesse, esperando que alguém me aceitasse e me amasse; no entanto, isso nunca aconteceu. (...) Quero me sentir uma pessoa inteira de novo. Quero voltar aos meus catorze anos e não tomar decisões estúpidas, [...].
A respeito da estruturação dos capítulos, se eu pudesse bater um papo com a Jessica, sugeriria a manutenção de apenas um ponto de vista por capítulo. Acontece que a autora alterna os pontos de vista dos personagens não em capítulos ou cenas, mas sim dentro de um mesmo acontecimento. Quero dizer, frequentemente dentro de uma cena ocorre a mudança do ponto de vista dos protagonistas, que, apesar de sinalizada, causa uma ruptura na sucessão dos fatos e dá certa impressão de quebra, porque o personagem que passa a narrar faz um breve retrospecto da situação. É como se retalhassem a cena e, para um leitor mais acostumado com uma narrativa dinâmica – e com tendências fortes para a terceira pessoa ;) – pode ser mais lenta a sua adequação à trama.

Em A Tentação de Lila & Ethan, você vai encontrar uma pobre menina rica que sofre com o tratamento doentio recebido dos pais, um rapaz que luta para vencer seus conflitos interiores, que teria tudo para não ser o cara perfeito e que o é exatamente por conta de suas imperfeições. Sendo assim, se você aí não tem medo de encarar uma trama densa e adora um romance ao mesmo tempo arrebatador e delicado, mergulhe de cabeça.

Que porra é amor, afinal? Entregar seu coração completamente a outra pessoa? Dizer “pronto, aqui está, é todo seu”? Deixar que outra pessoa ame você, abrace você e seja seu dono? Deixar que alguém grite com você e diga que você é um inútil? Deixar que prenda você e diga que você é importante? Qual é a definição de amor? Quem é que sabe?



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