domingo, 6 de março de 2016

[Minhas Palavras] Uma Carta ao Meu Quase-Ex-Amor: Despedidas


A coluna "Minhas Palavras" apresenta textos originais, de diversos temas, produzidos pela equipe do Dear Book.


Por: Mary Leite.
Colaboradora, é resenhista de Literatura Nacional e Estrangeira no Dear Book.
(Não sei o que é mais estranho: eu escrevendo uma crônica ou tendo coragem de publicá-la)






Meu Querido,

Sigo nesta cacofonia de sentimentos. Sinto-me incapaz de te deixar ir, mas também não me entrego por inteiro. Sou uma covarde, eu sei. Reconheço de não tão bom grado esta minha falha – apenas mais uma, dentre tantas. Te abandonar seria um crime, como assassinar meu próprio coração. Um suicídio amoroso completo. Ainda que continuar signifique nos perder pouco a pouco. Mais e mais.
Vi outro dia por aí que, às vezes, forçamos os grãos de açúcar a ficar na peneira*. Talvez você seja o meu grão de açúcar, que tento inutilmente impedir de passar pela peneira. Me agarro a você, ignorando nossas diferenças e tantos outros motivos para não ficarmos juntos. Será que eu nunca serei o suficiente para você?
Me pergunto: por que levar isso adiante? São tantos os motivos para te deixar ir! Não concordamos em nada, não sou parte da sua vida e, por mais que eu insista em fingir o contrário, você também não é parte da minha. Nunca fui boa em matemática, você sabe – e constantemente implica comigo por causa disso – mas lembra daquela aula sobre linhas paralelas? Pois é, somos como duas linhas paralelas que, por mais que queiram, jamais irão se encontrar. A teoria diz: vai com calma, um dia, em um ponto infinito, essas linhas vão se cruzar. E eu digo: “Não. Não vão, não”. Por mais que eu queira, não vão. Eu estou jogando um punhado de açúcar de confeiteiro dentro de uma peneira, torcendo, esperando, rezando, implorando para que os grãos não atravessem os furos. Preciso de um torrão de açúcar, mas, apesar disso, insisto com o punhado de açúcar refinado.
Sabe, amor, se eu fizesse uma daquelas listas de prós e contras de comédias-românticas americanas, o seu único pró seria o fato de te amar. É, posso listar um monte de motivos para você não ser o cara certo pra mim e o único motivo a favor vai ser que sou louca por você. Insanamente apaixonada, tento criar mirabolantes justificativas para te manter aqui, para me agarrar a ti e confrontar o mundo por nós dois.
A questão é: me apaixonei pela ilusão que criei de você. Cá entre nós, que visão linda! Quero pintar um sapo de príncipe encantado. Não, mais ainda: me agarro a esta imagem utópica que insisto em dizer que é a sua. Pinto, coloco em uma moldura e penduro na parede mais bem localizada do meu coração. Para que todos vejam e, assim, talvez, eu me convença disso também.
Provavelmente seria bem mais fácil se não fosse tão bom quando estamos juntos. Se te tenho perto, as inseguranças se esvaem, a raiva foge e só o amor fica. Como uma barraqueira louca, o meu amor sai estapeando até o amor-próprio, finca suas garras no meu coração e diz: “Vai fundo, garota! Sofra depois”. E é exatamente isso que acontece. Uma ressaca moral me abate, a razão volta toda estrupiada dizendo: “Você cedeu outra vez”. Em um instante, estamos longe, afastados, há uma muralha de gelo nos separando; no outro, você está me abraçando e toda a razão se foi. Sou o Jon Snow traindo seu juramento ao lado de Ygritte.
You know nothing, Jon Snow.
Não sei mesmo. Sei nadinha.
Devo me despedir, eu sei. Por que é tão difícil dizer adeus a um sonho? Um sonho doce e romântico que cultivamos dia após dia? Estou amando o você que eu criei na minha cabeça. E eu sei bem que esse você nem existe. Infelizmente não.

Com amor,
Eu.




*A Youtuber Jout Jout tem um vídeo muito interessante sobre a Teoria da Peneira, a respeito de como insistimos nas pessoas erradas que, em outra situação, apenas passariam rapidamente por nossas vidas. Caso você queira conferir, aqui está:





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