segunda-feira, 28 de julho de 2014

Littera Feelings #18 – Os leitores em pauta (Parte 1)



O leitor se lembra de quando terminou o romance e continuou sentado naquele banco, olhando lá fora, no alto, o relógio da Central lhe dizendo que era hora de ir para a Universidade. Ele não iria. Nem naquele dia nem nos outros. Algo se rompera dentro dele, algo que resultaria no abandono do curso e na opção por outro. (Flávio Carneiro – O leitor fingido, p. 66)
Oi, pessoal, como andam as leituras?
Dia do amigo foi outro dia aí e um belo domingo pra descansar a cabeça com aquele que sempre tem algo pra nos dizer, nem que seja com as mesmas palavras. Ainda estou naquela fase de deixar alguns livros de lado (férias para uns, nada de férias para outros...), infelizmente, mas algo que nunca, nunca, nunca deixo é meu lado leitor :)

Acho que já ficou claro depois de 17 posts sobre o assunto hahaha como gosto do universo que envolve o leitor. São tantas possibilidades, são tantos clichês, costumes, novos costumes, situações engraçadas, clássicas, estranhas... enfim, como não gostar se somos nós os leitores e temos esse direito? Lembrem-me de fazer um post sobre isso, li esse artigo aqui que me deixou bem balançada pra discutir com vocês umas ideias, só tive uns contratempos...


Hoje quero compartilhar alguns livros que falam dessa nossa realidade fantástica (não necessariamente fantáaaaastica como a literatura fantástica) que é ser leitor – e que, só por essa premissa (ou detalhe), me conquistaram!


Para essa primeira parte, listo livros que colocam em foco o leitor e a experiência de leitura.


O leitor fingido – Flávio Carneiro
Não é bem um livro de literatura, é de ensaios e conta com alguns contos pequenos entremeados, que colocam sempre à frente a figura do leitor, suas impressões, teorias e etc. Como diz na orelha, o autor consagrado (ele é um crítico literário) se coloca do outro lado do papel, “para tratar dessa espécie de mistério que envolve o instante em que, alcançado pelo olhar do outro, o texto se faz completo”.


A página assombrada por fantasmas – Antônio Xerxenesky

Esse foi um achado que é bem queridinho. É um livro de contos em que todos trazem como tema central situações que envolvem leitores e autores, numa ficção que se debruça sobre a própria ficção. Alguns contos chegaram ao nível máximo de feels, outros nem tanto, mas certamente envolvem tramas incríveis, com aventuras, investigação, confissões, o livre imaginário (que pode ser aterrorizante) e coincidências de vida. Fico um pouco em dúvida em apontar qual foi meu preferido, mas por certo “Esse maldito sotaque russo” estaria na lista – e indico esse principalmente aos apaixonados pela série Castle. É um caso que adoraria ver o escritor resolver ao lado da detetive Becket.

Tony & Susan – Austin Wright
Descobri que não sou muito fã de literatura policial, investigação ou thrillers, mas esse me pegou. O livro é uma narrativa de camadas (fiz coments breves nesse outro post aqui) que permeia a leitura de um original e a realidade ao redor de Susan (uma beta reader), quem lê o material que foi escrito por seu ex-marido, este que quer a opinião dela se é algo bom ou não de publicar. A ficção aqui também se apropria da própria, acompanhamos a leitura e impressões de Susan, de modo a guiar as nossas enquanto visualizamos “os planos de realidade” (o plano do original, o plano de vivência de Susan, o nosso plano de leitura). Ele é bem engenhoso nesse sentido, com um “retrato instigante da experiência da leitura com uma trama de ação eletrizante”, como diz a orelha.


Serena – Ian McEwan
Confesso que não foi um livro que exatamente me pegou, por assim dizer. McEwan foi genioso de criar uma trama que coloca a relação autor e leitor em paralelo com a de observador e o observado, comportamentos dignos de espionagem. A meu ponto de vista é uma ótima premissa, tem grande contexto de ação, porém... não fluiu. Arrisco dizer que gosto de Serena em fragmentos, justamente esses que trazem a figura do leitor e a experiência de leitura, traz muito também da metalinguagem, do leitor fingido (aquele que fala dele mesmo), as ânsias e expectativas... Já a ação em si, dispenso. A contracapa diz que o leitor deste livro deve ser um bom espião – ou eu falhei no processo, ou McEwan não soube exigir de mim. Ainda assim, tenho um carinho por ele. Principalmente por essa capa (não sei, me lembra a Sarah da série de comédia-ação-espiã Chuck).


Destrua este diário – Keri Smith
Sob a ideia de que “criar é esculhambar”, este livro se revela um desafio a qualquer leitor e aplica um desapego na base da porrada e outros estraçalhos  literalmente. Não se trata por exato de se remeter a uma experiência de leitura, como os livros acima, mas sim uma experiência de apego material sobre o objeto livro, em que a proposta é, de fato, destruir o diário, de todas as formas indicadas, testando os limites de nossa afeição. Pat pode ter jogado um livro pela janela em um ataque de raiva (em O lado bom da vida), mas, justamente, foi um momento de fúria. Já jogar Destrua este Diário de boa vontade ou dar para um cachorro morder é oooooutra história. Eu até gostaria de me testar... Só não arrumei coragem pra isso XD

(que p*** é essa?)

Outros mais que lembro ter essa temática (e pretendo ler) é “O livro selvagem” e “Coração de Tinta” (série Mundo de Tinta). Não é muito comum achar literaturas que tratam sobre leitores e/ou trazem leitores em suas narrativas, mas lá e cá a gente topa com uns desses. Esses foram os que conheci ou lembrei. Agora vocês, leitores, se tiverem uns e outros na memória, compartilhem aí nos comentários.

Espero que tenham gostado das dicas :)


Até a próxima (parte),


Kleris Ribeiro. 

2 comentários :

  1. Me interessei por Tony & Susan, nunca tinha ouvido falar antes!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Oi oi oi!
    Adorei a primeira parte do Littera Feelings 18. Sim, tsc tsc tsc, comecei pelo 19, haha,
    Eu confesso que dos titulos que você apresentou só havia ouvido falar no Destrua este diário, e Serena, que eu vi pela primeira vez na Bienal de 2012, e nunca me dei a oportunidade de ler. Vou acrescentar a minha wishlist (que está mais do que infinitamente imensa) rs.

    Beijos,
    Alichel
    http://entrelivroseoutrosvicios.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

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