segunda-feira, 6 de agosto de 2012

[Perfil do Autor] Irmãs Brontë


Por Ellen: Continuando nosso "Especial das olimpíadas de Londres", hoje vamos falar sobre as Irmãs Brontë. Todos os apaixonados por leitura já devem ter ouvido falar em alguma das irmãs Brontë ou pelo menos de uma de suas publicações: “Morro dos ventos uivantes” (Wuthering Heights). Certamente esse romance voltou a ser destaque por conta de uma citação no livro “Crepúsculo” de Stephenie Meyer. Agora vamos saber algumas curiosidades sobre estas grandes escritoras.

As irmãs Charlote, Emily e Anne foram percussoras da literatura inglesa de grande destaque na história. Pioneiras na escrita de contos em uma época em que mulher não tinha voz também foram alvo de críticas muito duras por seus romances muitas vezes classificados como vulgares.

Anne, Emily e Charllotte Brontë

Eram filhas de Maria Branwell e Patrick Brontë, um pastor anglicano de origem irlandesa. Todas nascidas em Thornton, no Yorkshire. Em 1820, a família mudou-se para uma aldeia a alguns quilómetros de Haworth, onde Patrick tinha sido nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos. A mãe morreu de cancro no dia 15 de Setembro de 1821.

Depois da morte de sua mãe, a austera tia Branwell foi morar com eles, e as crianças foram mandadas para um colégio interno em Cowan Bridge, onde sofriam castigos, alimentavam-se mal e não dormiam, devido ao frio. Duas das irmãs, Maria e Elizabeth, faleceram devido às condições do internato, e o pai resolveu levar as crianças, definitivamente, de volta para casa.

Charlotte Brontë
De regresso a casa, em Haworth Parsonage, uma pequena reitoria perto do cemitério de uma aldeia fria e ventosa nas colinas de Yorkshire, Charlotte passou a ser "uma amiga maternal e guardiã das suas irmãs mais novas".

Charlotte continuou a sua educação em Roe Head, Mirfield, entre 1831 e 1832, onde conheceu as duas amigas com quem trocaria correspondência o resto da vida: Ellen Nussey e Mary Taylor. Durante este período, Charlotte escreveu a novela "The Green Dwarf" em 1833 com o pseudónimo Wellesley. Charlotte regressou à escola, desta vez como professora, em 1835 e permaneceu nesta função até 1838. Em 1839, aceitou a primeira de muitas posições como governanta em várias famílias de Yorkshire, uma carreira que seguiu até 1841. Em termos políticos, Charlotte era conservadora, mas promovia a ideia de tolerância em vez de revolução. Tinha princípios morais muito fortes e, apesar da sua timidez, estava sempre pronta para defender os seus princípios.

Em 1842, Charlotte e Emily viajaram para Bruxelas para trabalhar num internato dirigido por Constantin Héger e pela sua esposa Claire Zoé Parent Heger. Em troca de alimentação e educação, Charlotte ensinava inglês e Emily música. A sua estadia no internato foi encurtada pela morte súbita da sua tia Elizabeth Branwell de obstrução intestinal em Outubro de 1842. Charlotte regressou sozinha a Bruxelas em Janeiro de 1843 depois de aceitar um posto como professora no internato. A sua segunda estadia não foi feliz. Começou a sentir-se sozinha, com saudades de casa e começou a apaixonar-se por Constantin Heger. Acabou por regressar a Haworth em Janeiro de 1844 e mais tarde usou partes da sua experiência no internato para escrever os romances "O Professor" e "Villette".

Em casa, a nova empregada Thabitha (Taby) costumava contar-lhes histórias, e anos mais tarde Emily a homenageou como a fiel personagem de Nelly Dean, em "O Morro dos Ventos Uivantes". As 3 meninas, Charlotte, Emily e Anne, aprendiam tarefas domésticas e o único filho homem, Patrick (costumavam chamá-lo de Branwell), aprendia grego e latim com o pai.

Emily Brontë
Emily e os irmãos criaram, em suas brincadeiras, várias terras imaginárias (Angria, Gondal, Gaaldine), que aparecem nas histórias que eles escreveram. Tais terras imaginárias eram relatadas em detalhes, jornais e outros artigos que as crianças costumavam escrever, e onde seus soldados de chumbo, presente do pai, costumavam “morar”. Poucos dos trabalhos de Emily neste período sobreviveram, exceto por alguns poemas (The Brontës' Web of Childbood, Fannie Ratchford, 1941). As sagas (parte das quais ainda existe nos dias de hoje em forma de manuscrito) eram elaboradas e rebuscadas e instigou-as desde a infância e adolescência com um interesse quase obsessivo que as preparou para a sua vocação literária durante a idade adulta.

Charlotte propôs às irmãs publicarem uma coletânea de poemas das três, o que fizeram custeando por conta própria e usando pseudônimos masculinos. "Poems by Currer, Ellis and Acton Bell" foi publicado em 1846. Os pseudônimos escondiam na letra inicial a verdadeira identidade das autoras. Apesar do fracasso da publicação, as irmãs se entusiasmaram em escrever e criaram seus primeiros romances.

Charlotte escreveu mais tarde sobre a razão pela qual tinham escolhido não revelar os seus nomes:
“Não gostávamos da idéia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios”.

Charlotte foi a primeira a publicar, Jane Eyre, sob o pseudônimo de Currer Bell, atingindo grande sucesso. Devido ao este sucesso Charlotte foi convencida pelo seu editor a visitar Londres ocasionalmente, onde a escritora acabaria por revelar a sua verdadeira identidade e começou a frequentar um circulo social mais movimentado, fazendo amizade com Harriet Martineau, Elizabeth Gaskell, William Makepeace Thackeray e G. H. Lewes.

O seu romance tinha inspirado o início de um movimento feminista na literatura. A personagem principal, Jane Eyre, era o contrário da sua autora, uma mulher forte. Contudo, Charlotte nunca deixava Haworth mais do que algumas semanas, já que não queria deixar o seu pai idoso sozinho.

O livro teve seis adaptações: duas para a TV e outras quatro para o cinema. A última estreou nos Estados Unidos em março de 2011 e gerou uma grande publicidade em volta do livro. “Jane Eyre” é o único livro de Charlotte Brontë, mas isso não a fez ser desprezada.

Quando surgiu “Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes”), sob o pseudônimo Ellis Bell, Jane Eyre já estava na 2ª edição, e o livro de Emily foi mal compreendido na época, devido ao clima tenso da história. Ela publicou, assim, sua única obra em prosa, O Morro dos Ventos Uivantes, em 1847. Embora tenha recebido críticas na época em que foi lançado, posteriormente o livro foi incluído no cânone dos clássicos da literatura inglesa. Recebeu várias versões oficiais no cinema e inúmeras adaptações.

Inclusive o enredo do livro ganhou uma versão escrita por Kate Bush na letra da música “Wuthering Heights” . Kate a escreveu quando tinha 18 anos, baseando-se no livro do mesmo nome de Emily Brontë, inspirada pelos últimos dez minutos da versão de 1970 do filme, que assistiu na televisão. Bush então leu o livro e descobriu que havia nascido no mesmo dia que Brontë. A música, a última escrita e última a ser gravada para seu álbum de estréia, foi criada no piano em algumas horas numa madrugada.
Na letra, a canção usa várias falas da personagem principal 'Catherine Earnshaw', principalmente no refrão: "Let me in! I'm so cold!" e mesmo nos versos como a confissão de Catherine a sua serva de ter "bad dreams in the night." A letra é feita do ponto de vista de Catherine, que implora na janela de Heathcliff que ele a deixe entrar. Esta cena romântica tem um lado sinistro considerando-se os eventos do livro, já que Catherine pode ser um fantasma chamando o amado para juntar-se a ela na morte. Segue o video da música:


Charlotte Brontë, no seu prólogo para a edição de Wuthering Heights de 1850, falou da relação da irmã Emily com as pessoas:
"Embora seus sentimentos pelos que a cercavam fossem benevolentes, relações com eles ela nunca procurou, nem, com poucas exceções, as experimentou. E mesmo assim ela os conhecia: sabia seus costumes, sua linguagem, a história de suas famílias; podia ouvir sobre eles com interesse, e falar deles com detalhes (...); porém, com eles, raramente trocou uma palavra”.
O irmão de Charlotte, Branwell, o único varão da família, morreu de bronquite crónica e debilidade extrema que tinha sido provocada pelo abuso de álcool, em Setembro de 1848, apesar de Charlotte acreditar que o irmão tinha morrido de tuberculose. Também se suspeitava que Branwell fosse viciado em ópio.

Anne Brontë
Anne Brontë publicou o livro "The Tenant of Wildfell Hall"(Inquilina de Wildfell Hall) é talvez o mais chocante de romances Brontes '. Na tentativa de apresentar a verdade em literatura, descrição de Anne de alcoolismo e devassidão foi profundamente perturbador do século 19 e suas sensibilidades. O brilhantismo do livro está em sua revelação da posição das mulheres na época, e sua trama multicamadas.

De Anne saiu ainda uma segunda obra, "Agnes Grey" (1848), livro que relata a vida da jovem Agnes Grey e sua experiência como governanta de crianças mal agradecidas e com pais maldosos. Relata a própria vida da autora que por ter pais pobres resolve trabalhar para auxiliar o sustento da família.

Preocupações religiosas de Anne, refletidos em seus livros que são diretamente expressos em seus poemas, não eram compartilhadas por suas irmãs. Prosa sutil Anne tem um pouco de ironia; seus romances revelam que Anne era a mais socialmente radical. Agora, com o aumento do interesse crítico em autores do sexo feminino, sua vida está sendo reexaminada, e seu trabalho reavaliado. A reavaliação do trabalho de Anne começou, levando a sua aceitação, não como um Brontë menor, mas como uma grande figura literária em seu próprio direito.


Tanto Emily como Anne morreram de tuberculose em Dezembro de 1848 e em Maio de 1849. Anne foi enterrada no cemitério de Santa Maria, junto às muralhas do castelo, com vista para a baía. Charlotte encomendou uma pedra para ser colocado sobre seu túmulo, com a simples inscrição "Aqui jazem os restos de Anne Brontë, filha do reverendo. P. Brontë, Encarregado de Haworth, Yorkshire. Ela morreu, aos 28 anos, 28 de maio de 1849". Anne tinha 29 anos no momento de sua morte.


Em Junho de 1854, Charlotte casou-se com Arthur Bell Nicholls, o coadjutor do pai, e, segundo muitos intelectuais, a pessoa que inspirou personagens como Rochester e St. John em "Jane Eyre". Ficou grávida pouco depois do casamento e a sua saúde começou a piorar rapidamente durante esta altura. Segundo Gaskell, o seu primeiro biógrafo, Charlotte sofria de "náuseas permanentes e desmaiava frequentemente." Charlotte morreu, juntamente com o filho que esperava, no dia 31 de Março de 1855, com trinta-e-oito anos de idade. A sua certidão de óbito diz que a causa de morte foi tuberculose, mas muitos biógrafos defendem que a escritora pode ter morrido de desidratação e subnutrição provocados pelos vómitos excessivos de que sofria. Também existem provas de que Charlotte pode ter morrido de febre tifóide que teria contraído de Tabitha Ackroyd, a criada mais antiga da família, que morreu pouco tempo antes dela. Charlotte foi enterrada na campa da família no cemitério da Igreja de São Miguel e Todos os Anjos em Haworth, West Yorkshire, Inglaterra.

Sei que a biografia das irmãs Brontë ficou um pouco grande, mas vale a pena conhecer um pouco mais destas escritoras brilhantes. Se tiverem oportunidade leiam seus livros ou assistam as adaptações para as telas. Como são três autoras, creio que o tamanho deste não os cansem se compararmos com o tamanho da capacidade literária das escritoras.

13 comentários :

  1. Ser Blogueira tbém é cultura....amo esses posts que relatam a história,,é sempre bom saber um pouco da vida de nossos escritores preferidos, O Morrro dos Ventos Uivantes foi um livro que li na época de adolescência, foi um dos motivadores por eu gostar tanto de leitura....Obrigada Juliana por nos proporcionar um pouco de saber...bjs

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  2. Que bom que você gostou do posto..eu também adoro "O morro dos ventos uivantes" e as irmãs Brontë eu conheci na faculdade e me encantei. Foi lá também que minha professora de Literatura Inglesa me apresentou a música "Wuthering Heights". Compartilhar cultura sempre é válido!

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  3. Nossa adorei o post! Agora me interessei em ler Morro dos Ventos Uivantes e outras obras dela!
    Tenho uma queda por literatura inglesa, comecei com Harry Poter e quando li "Orgulho e Preconceito", descobri que era meu país preferido no que diz respeito a literatura.

    Continue assim!
    Beijos!

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    1. É verdade a literatura inglesa também me encanta...

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  4. Oii!
    Super postagem vishi!
    Deve ter sido um aue isso na época!

    Selene Blanchard
    Bacio,Moda & eu

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    1. Sabe o que eu acho engraçado é que essa idéia de que autores do sexo masculinos são melhores aceitos pelo sociedade continua. Tanto que J.K. Rowling está aí para comprovar isso.

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  5. Nunca li nenhuma biografia das irmãs, achei muito interesante. Decobri coisas agora que nao fazia ideia.

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  6. Acho muito interessante essa série de posts do blog, de verdade, mas também acho que deveriam ser colocadas as fontes de pesquisa. Algumas partes foram copiadas do wikipédia e isso deve ser deixado claro pra quem está lendo. Até porque esse não é um site confiável pra pesquisa.

    Minha intenção não é criticar e apontar o dedo pra ninguém, sério mesmo, é só um toque. Espero que entendam e não fiquem com raiva de mim :)

    Um beijo!
    http://www.vireapagina.com

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  7. Puro conhecimento!
    Como é bom a gente se deparar com posts assim e acredito eu, que ainda faltou muita coisa a ser escrita. Até pq, tudo que for escrito ou falado, será pouco para descrever tamanha grandiosidade dessas "meninas".
    Muito bom, poder aprender, conhecer e sentir aquela curiosidade em procurar saber mais, ir a fundo na vida delas e descobrir coisas que por muitas vezes, ninguém descobriu ainda.
    Incrivel o post, parabens!!!!

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  8. O tamanho do post nem se compara a riqueza das informações, parabéns!
    Tem tantos blogs que só postam baboseiras e o seu é muito rico de informações relevantes, gosto muito ler seus posts bem elaborados.
    Bjoo.

    Nome de seguidora: Gladys Freitas.

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  9. Já li o livro O morro dos ventos Uivantes da Emily, é um dos meu favoritos. O livro que comprei conta toda história da trajetória das irmãs. Quero muito ler Jane Eyre *-*

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  10. Sinceramente? Seria quase impossível falar sobre as três irmãs em um post menor! Eu acho que elas merecem sim ser devidamente apresentadas, ainda mais porque Charlotte e Anne são um pouco injustiçadas, por conta da incomensurável fama de Emily (afinal, quem nunca ouviu esse nome "O Morro dos Ventos Uivantes" antes - mesmo sem ter lido?). Eu mesmo só li a Emily até agora, e o livro dela está entre meus favoritos.
    Mas também Jane Eyre é bastante conhecido, eu tenho muita vontade de ler pra ver se o talento contemplou outros membros da família! haha
    É uma pena elas terem morrido com tão pouca idade... :/
    Uma coisa que me chamou atenção - e que você mesma apontou aqui nos comentários - foi a frase "tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito". E não é que 150 anos depois (infelizmente) ainda temos remanescências disso? A J. K. Rowling é mesmo o melhor exemplo.
    A música da Kate Bush eu já conhecia, mas curiosamente nunca tinha parado para prestar atenção na letra, e nem sabia que tinha trechos do livro nela. :X
    Muito bom o post! Beijo

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  11. Eu já conhecia alguns livros delas, mas ainda não li nenhum. Tenho o Morro dos Ventos Uivantes na fila para ler. Achei emocionante a história delas e me fez valorizar e querer ler mais ainda os livros que escreveram. :)

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